Hiara - Hiatus
7 Velho Amigo
Notas iniciais
A jovem encarava seu reflexo no pequeno espelho com certa apreensão, procurava nos traços do seu rosto, no formato de sua boca e de seu pequeno nariz ou em seus olhos uma lembrança. Algo que ela soubesse ter herdado de seu pai ou sua mãe.
Ela havia visto, algumas semelhanças na família que a ajudara. Eren tinha a boca e os modos gentis do pai, sua cor loira de cabelos devia ser da mãe. Lyah possuía os olhos verdes, mas o tom do cabelo era diferente, Noki tinha cabelos castanhos enquanto os do filho eram negros.
Fitara-se por tempo indeterminado até que resolvera desistir. Tentou refletir enquanto caminhava de um lado a outro pelo quarto. Nenhuma lembrança surgira. Lágrimas ameaçavam seus olhos, mas não as deixou cair.
Não agirei como fraca novamente pensou consigo.
Relembrando que Lyah a tinha visto chorar, não li disse palavras de consolo e sim palavras ríspidas. A jovem achara que ele poderia ser o garoto de seu sonho já que tinha os mesmos olhos e tons de cabelos. Ela desejava encontrar com o garoto do sonho, pois assim poderia saber quem era.
Não queria mais olhares de mágoa, desconfiança de Lyah. Pois ele mostrava ter a aparência de quem não é. Ele é alguém que ela irá manter distância. Pois mesmo sem conhece-lá parecia que ele a odeia, ela não compreende isso.
Niko tinha sido tão gentil com ela, e Eren era um doce. Lembrando de Eren, pensou no nome que havia sendo usado por ela. Hiara. A jovem assentiu sozinha no quarto como se estivesse concordando com alguém.
– Enquanto não lembrar o verdadeiro. Serei Hiara. — Disse em um sussurro pra si mesma.
Batidas soaram na porta fazendo, a jovem se desviar de seus pensamentos. Aproximou-se e abriu. Por trás dela estava a pequena jovem, Eren.
– Entre, — disse sorrindo.
A garota sorriu em retríbuição, ao entrar seus olhos foram para a roupa que Hiara, usava quando havia sido encontrada. Todos estavam curiosos, pois nunca haviam visto vestes iguais aquelas. Mas demorariam a ter respostas.
– Você... — Pronunciou com cuidado. — Não recorda onde as conseguiu. — Disse apontando a calça de couro liso negra e a camisa de um tecido macio. Mal dava para ver a costura. Eram roupas muito diferentes para ela.
– Não. Nunca viram vestes iguais ou semelhantes a estas?
– Infelizmente não... — Eren a fitou triste.
– Entendo.
– Mas não conseguiu lembrar nem de seu... — Parou se arrependendo de perguntar.
– Não Eren, ainda lembrei de meu nome. — A jovem sorriu. — Mas pode continuar me chamando de Hiara.
Eren levantou e a abraçou, feliz por Hiara estar gostando de ser chamada com esse nome.
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Lyah aproximou-se com cuidado da jovem. Atento a qualquer barulho, pois o que quer que a estivesse seguindo, poderia ainda está atrás dela. Ao chegar perto dela, o jovem abaixou-se analisando a garota. Viu várias escoriações, o vestido se encontrava rasgado e manchado de sangue.
E ela...ela não havia desmaiado, apenas caído de exaustão, ele podia ouvir sua respiração dificultada. Os olhos cor de jade dela se encontraram com os verdes dele. Antes que pudessem dizer uma palavra, ouviu-se um galho estalar.
Lyah não teve tempo de virar o rosto para o lado de onde veio o barulho, pois naquele momento alguém pulara em cima dele. A jovem gritou surpresa, seus olhos demonstravam medo. Ambos, Lyah e o outro homem, rolaram pela estrada fazendo subir uma camada de poeira.
Os soluços da jovem eram abafados pelo sons de socos. Houve uma pequena reviravolta, e o desconhecido pegou uma adaga já manchada de sangue, o metal afiado estava próximo a garganta de Lyah, quando os olhares deles se cruzaram, pode-se ver surpresa dos dois.
– Drant! — Balbuciou Lyah, fazendo o outro levantar-se.
E assim Lyah viu a roupa que o outro jovem usava, era um uniforme.
– Está, na guarda real? Por isso que foi embora da vila? Para isto? — As palavras saíam com mágoa e decepção.
Drant parecia nervoso, seus olhos percorriam pelos lados, e voltavam pelo lugar de onde veio.
– Vai embora! — Disse num sussurro audível apenas para eles, por causa da proximidade.
Lyah o fitou confuso, Drant fez sinais com as mãos mandando ele ir embora. Lyah olhou para a jovem e depois para o outro. Fazia uma pergunta, estava claro. E o velho amigo assentiu em confirmação.
Ele se encaminhou até a jovem, acompanhado por o guarda, ela se encolheu com medo. Demonstrava estar muito assustada.
– Não vou fazer nada, — informou Drant.
A garota sentiu-se um pouco aliviada. Lyah a pegou no colo, e caminhou até Camp. O cavalo estava solto a uns seis metros, se fosse outro com certeza teria fugido, mas aquele era fiel a seu dono.
Próximo ao cavalo Lyah entregou a jovem a Drant, ela pensou em gritar, mas seus olhos mostravam que tinha muito medo. Assim que o jovem montou Camp, o outro pôs a garota na frente de Lyah, o mesmo após fazer isso. Deu uma tapa no animal, fazendo com que ele disparasse a galope.
Lyah demorou uns segundos para ajeitar-se sobre sela, pois não estava preparado quando o cavalo partiu. Olhou para trás a procura de Drant, mas este já havia desparecido por onde veio. O jovem voltou a atenção a garota que voltava a chorar, ainda assustada.
– Acalme-se, irá ficar tudo bem. — Murmurou ele. — Está segura agora.
Ela acenou com a cabeça em resposta. Enquanto surgia um sorriso de satisfação em seu rosto, o qual o jovem não pudera ver.
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