Hiara - Hiatus
8 Iryan
Notas iniciais
O brilho opaco dos raios de sol demonstravam que sua partida estava próxima, logo mais seria noite. Enquanto uma brisa gelada envolvia dois jovens que montavam um corcel, ele devia estar preso em suas reflexões para não perceber que a jovem podia estar incomodada com o frio.
Lyah encarava o caminho tentando compreender as poucas informações sobre seu amigo Drant. Um guarda real? Drant jurou fidelidade ao Rei Glax? Essas, e mais perguntas torturavam os pensamentos dele.
– Aonde estamos indo? — Interrompeu os pensamentos de Lyah.
– Para minha casa.
– Não! — A jovem falou, puxando as rédeas do cavalo.
– O quê? — Questionou confuso.
– Não desejo causar-lhe mais problemas- Murmurou ela.
– Não causou.
– Sim, eu causei. Já enfrentou os guardas uma vez por mim. E hoje o fez novamente. — Disse saltando do animal.
Lyah tentou segurar um dos braços da jovem, sem sucesso. Ela começou a seguir um caminho oposto ao do seu salvador. O moreno desceu de seu cavalo, deixando-o solto novamente.
Andou até acompanha-la, e dessa vez conseguiu para-la pegando uma de suas mãos. A garota virou surpresa, em seus olhos podia se ver um misto de afeição e ansiedade.
– Não posso deixa-la sozinha. — Pronunciou.
O jovem lembrara dela, era a garota que ajudou ao enfrentar o homem de olhos frios. O guarda real. Kayt.
– Mas não irei para sua casa. — Repetiu novamente um pouco hesitante.
– Tenho um plano.
– Não envolve sua casa, envolve? — Indagou temerosa.
– Não! Mas é um lugar seguro.
A jovem assentiu em confirmação. E como havia notado que ele ainda segurava uma de suas mãos, ela a puxou delicadamente. Desviando o olhar para o chão, deixando um pouco de cor vir à suas maçãs do rosto.
– Vamos então?! — Chamou Lyah.
Este saiu andando até onde deixara seu corcel, sendo acompanhado pela jovem, a qual demonstrava ainda estar com vergonha. Ele segurou as rédeas do animal, e fez um gesto para que ela montasse primeiro.
Instintivamente o cavalo recuou, quando a jovem se aproximou, ficando um pouco arisco.
– Calma garoto. — Lyah sussurrou próximo ao animal. — Pensei que tinha sido conquistado . — Disse para a jovem.
– O quê? — Ela estava um pouco confusa. — Do quê esta falando?
– A menos que seja eu, Camp não permite que mais ninguém aproxime-se.
– Oh! — Ela havia compreendido, chegou a pensar...
–Venha, tente novamente, — foi interrompida por Lyah.
A garota se aproximou mais uma vez de Camp, e não conseguiu monta-lo. Lyah resolveu montar, para depois ajuda-la. E assim o fez. Logo que estavam prontos, seguiram por um caminho diferente. Trocaram a estrada por uma trilha na floresta.
Penumbras cobriam as árvores, sombras movimentavam-se por entre elas. Deviam ser animais que voltavam à seus ninhos, enquanto outros saíam de suas tocas à procura de alimento. Pássaros diurnos faziam seu último espetáculo antes de serem substituídos pelos noturnos.
A trilha não era complicada, há não ser alguns troncos que tinham se espalhado pelo caminho. Mas com o começo da noite, tropeços certamente ocorreriam com quem estivesse a pé, pois até Camp teve momentos de desequilíbrio.
Quando se encontravam em frente a um grande carvalho, o cavalo parou a um pequeno sinal de seu dono. Após descer, e ajudar a jovem a fazer o mesmo, ele voltou seus olhos à árvore.
A jovem o fitava curiosa, sem saber o que podia esperar. Até que Lyah se dirigiu ao carvalho, e começou a escala-la. Percebia-se que ele era habilidoso, sinal que já tinha feito isto antes.
Se encontrava há uns dez metros quando encontrou um do primeiros galhos, subindo nele, fazendo a jovem perde-lo de vista. Mas desde que começara a subir, a garota não o via mais, enxergava apenas movimentos de uma vulto que agora parecia ter se misturado as demais da floresta.
Lyah pisou em um teto de madeira que dava sinais de não ser usado a um bom tempo, apesar disso podia se notar que não mostrava-se muito gasto. Mais adiante era possível ver sombras, ao chegar perto constatava ser paredes de madeira erguidas, um teto do mesmo material.
Havia também algo parecido com uma porta, mas de um material mais leve. Ele a soltou, sabendo extamente onde estava presa, e adentrou na negritude do recinto. Enxergar algo ali tornara-se difícil com o cair da noite.
No entanto o jovem sabia onde procurar, e em um instante se encontrava na borda do galho com uma escada de corda, a lançou. Não se demorou muito ouviu-se um grito. Era a jovem.
– O que houve? — Lyah gritou, começando a descer.
– A...algo na árvore. — Sua voz saiu tremula. O jovem sorriu involutariamente ao mesmo instante que seus pés tocavam o chão.
– Me perdoe! — Pediu com ternura. — Fui eu. Joguei uma escada de cordas.
– Ah! — Suspirou aliviada.
– Tem certeza que não quer ir para minha casa?
– Tenho, -afirmou confiante.
– Então... — disse pegando a escada. — Tem medo de altura?
– Não. — Respondeu indo em direção a escada já sabendo o que vinha a seguir.
Aos poucos foi subindo, não tinha a mesma habilidade de seu salvador, e ainda por cima tinha um empecilho. Seu vestido. Teve algumas dificuldades para chegar ao topo, entre eles uma brisa fria que voltava a incomoda-la. Longos minutos se passaram até ela firmar seus pés no piso de madeira.
Mal sentara para descansar Lyah já estava consigo, passou por ela indo até a pequena casa de madeira. Voltou de lá com um casaco e um lençol, os entregou a jovem que agradeceu.
– Obrigada!
– Não há de que! — Retrucou sincero. — Mas devo volta para minha casa, devem estar preocupados.
– Não contará a eles sobre mim. — Sua voz implorava.
– Está bem, — suspirou. — Me perdoe por deixa-la sozinha.
– Fez mais do que mereço comigo. Se há alguém que deve desculpas, sou eu.
– Por favor não vamos falar nisso. — Ela assentiu em acordo.
Mais uma vez Lyah entrou no comodo, ao sair podia se ver uma fraca claridade.
– Não ficará acesa por muito tempo. Mas servirá. Irei embora, puxe a escada de volta e guarde. Depois eu volto com alguma comida.
O jovem já estava começando a descer, quando ouviu.
– Espere!
– Sim! Precisa de mais alguma coisa? — Questionou.
– Seu nome. — Expôs, — não sei seu nome.
– Lyah!
A jovem dependurou-se na borda do galho, depositando um beijo na bochecha de Lyah, fazendo ele solta um pequeno sorriso.
– Obrigada Lyah!
– E o seu? — Ele também queria saber, mas apenas se podia ouvir o silêncio. Aos poucos começou a descer, quando escutou um sussurro.
– Iryan.
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