Hiara - Hiatus
9 Reunião
Notas iniciais
A garota girava em torno de si, com um sorriso desenhado e os fios de cabelos dourados caindo, em seu rosto. Ela se encontrava no meio da floresta, contornada por pequenos pássaros, entre outros singelos animais. A pequena irradiava felicidade, notava-se pelo brilho intenso em seus olhos azuis.
– Retardo-me por alguns instantes, e isto acontece. – A garota parou subitamente ao ouvir a voz.
– Não fará troça de mim, fará? – Indagou de costas.
– De modo algum, estou apenas a repreendendo. – Ela bufou surpresa, virando-se para encarar um garoto de olhos verdes, o dono da voz.
– Porque repreender-me? — Ele sorriu com o questionamento.
– Se encontra tão feliz com suas companhias, — apontou para os pequenos animais. – Que esquece o que viemos fazer. – Ela o encarou por alguns segundos antes de responder.
– Estou contente por este motivo. – A pequena sorriu. – Trouxe o que iremos precisar? – Ele pegou uma bolsa até agora não notada pela garota, de lá retirou duas espadas. A menina abriu um largo sorriso, sendo acompanhada neste gesto pelo garoto de olhos verdes.
Hiara acordou sobressaltada, não por susto, era mais uma necessidade de saber. Há uma semana havia sido encontrada por Eren próximo ao rio, permanecera dois dias em estado de sono profundo. Acordara sem memória, e estava tendo esses sonhos frequentes.
Não tinha dúvidas que a menina era ela, mas e o garoto? Quem poderia ser? Ainda havia momentos que achara que ele fosse Lyah, ambos possuíam os olhos idênticos. Levantou-se com cuidado para não fazer barulho, não podia acordá-los. Seguiu em direção à porta mecanicamente, saindo da cabana.
Caminhou a esmo sob a luz da lua, não tinha ideia de que horas eram, mas devia ser tarde da noite. Sozinha ali, ela entregou-se as lágrimas, lágrimas que não queria que ninguém mais visse.
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– Não tenho tempo para esperar Elayon. – O Soldado Negro desencostou da parede da caverna, e passeou em torno dela mais uma vez.
– Soldado, ajudaria permanecer quieto. – Ambos olharam de soslaio um para o outro.
– Isso só me irritaria mais.
– Está irritado? – Elayon sorriu. – Não é só pela demora. Está com ciúmes.
O Soldado gargalhou, e gargalhou alto, ecoando no interior da caverna. O outro homem surpreendeu-se, jamais ouvira o Soldado rir, ainda mais gargalhar. O homem de negro ainda sorria por baixo do lenço enquanto meneava a cabeça em movimento de negação.
– Não percebe o quanto estou aliviado, que agora ela tenha um novo divertimento? Começo a sentir até um pouco de aflição por ele.
Elayon não pode responder, pois o eco de passos chegou até eles, não demorou muito um vulto surgiu encapuzado, com tranquilidade o capuz foi impelido para trás, revelando um rosto feminino. O olhar dela traçou um caminho de Elayon até o Soldado Negro, onde permaneceu com intensidade.
– Porque a atraso Iryan?
– Ora Soldado! Obvio que por causa de Lyah! Qual outro motivo eu poderia ter? – Explicou com um pequeno sorriso de canto.
Ele riu sem humor, e concentrou seu olhar nas labaredas da tocha que principiava a enfraquecer. Elayon observava tudo com curiosidade, mesmo depois da negativa, após ele sugerir que o Soldado estivesse com ciúmes, ele ainda tinha suas dúvidas.
– Não me importo que queira entreter-se com seu pupilo. Mas isso não quer dizer que deva suportar seus atrasos. – Expôs seco.
– Meu caro, — Esclareceu movimentando-se da posição que estava desde que chegara. — Não posso negar que o tempo consumido juntos seja de meu interesse, mas a Ordem é minha prioridade. – Subiu um pouco seu tom de voz na ultima frase.
– Podemos no ater ao assunto que é o motivo de nossa reunião? – Intrometeu-se Elayon sabia que se permitisse, eles discutiriam ao decorrer de toda reunião.
– Sim, faça o relatório sobre seu pupilo, e, por favor, com rapidez. – Recomendou o Soldado.
Iryan sentou-se numa cadeira de madeira rústica, apoiando seus braços na mesa de mesmo material, no meio da caverna. O homem de negro aproximou-se, mas não fez menção de sentar-se, demonstrava pressa, ele deveria ter ido embora a dois quartos de horas. Já Elayon permaneceu em seu local, apenas interessado no que Iryan tinha a dizer.
– Cinco dias. – Deu início ela. – Há cinco dias estou nesta missão, e até o presente momento ele me parece confiável, sabem que ele enfrentou o próprio amigo, e a guarda real por mim, duas vezes. Acredito que ele será uma grande aquisição para Ordem.
– Ainda temos o teste final, não esqueça.
– O soldado tem razão, não importa se ele demonstra ser um perfeito cavalheiro, não procuramos por um, queremos um guerreiro. – Interpôs o outro homem.
– Sei muito bem dos códigos da Ordem, não me tratem como uma inexperiente. – Sibilou em um sussurro.
– Não vou aguardar por mais detalhes, os descreva a Elayon, depois ele me informará, e marcaremos uma nova reunião. – O Soldado caminhava em direção à abertura da caverna, enquanto falava.
– Espere, pretendo ir agora também. – Levantou-se a mulher. – Meu caminho é longe, e muito próximo à parte proibida da floresta.
– Tem medo das feras Iryan? – O homem de negro virou-se para encará-la.
– Feras? – Riu sem humor. – Não sabe o que fariam comigo se me encontrassem.
– Não se preocupe, eu a acompanho. – Enunciou Elayon.
O Soldado não esperou para ouvir mais nenhuma palavra, seguiu o corredor para saída da caverna, sem ao menos fazer um gesto ou dizer uma palavra de despedida. Do lado de fora a noite era iluminada pelo brilho opaco da lua, ao longe pode ouvir o som das feras.
Seguiu seu caminhou com as últimas palavras de Iryan em sua cabeça: O que ela queria dizer com aquilo? Pensou.
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A jovem estava na floresta, não sabia ao exato por quanto tempo, mais sabia que deveria ser muito, chegara ali sem ao menos se dar conta. Só procurava um lugar tranquilo, e o encontrou. O canto de uma ave noturna a despertou de seu torpor levantou-se, pois havia se sentado em um tronco velho, não poderia demorar-se mais.
Caminhou vagarosamente para sair da floresta, ainda escorriam lágrimas pelo seu rosto, não fez nada para pará-las, queria livrar-se delas, e o melhor modo era as libertando. Há poucos passos da saída ela ouviu um estalar de galhos, parou abruptamente virando-se para o local de onde o som emanava.
Esperou alguns segundos, sem saber o que fazer ao certo. Nesse tempo já era possível ouvir passos mais próximos, ela não se movimentará até ver uma silhueta próxima de si.
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