Notas iniciais
Boa Leitura.

A floresta estava submersa em um escuridão profunda, não havia lua nem estrelas naquela noite, antecipava o luto como se sentisse que se iniciava o fim de tudo. Mas a garota tinha seus próprios tormentos para perceber que o lugar estava mais sombrio que das outras vezes que ela estivera ali.

Há horas que ela estava sentada em uma pedra na parte proibida da floresta, em silêncio, tentando esquecer a cena que havia presenciado com horror. Seus olhos não encontravam os do rapaz que estava encostado em uma árvore há três metros dela.

Ele se sentia torturado, ela não tinha lhe dito nada continuava com olhar fixo no chão desde o fim da tarde. Não aguentava mais o silêncio e já era hora de voltarem.

– Não vai mais falar comigo? — Perguntou ele apreensivo. — Já devíamos ter voltado, sabe que devem estar a nossa procura.

– Parece que esqueceu o que aconteceu. — Ela disse sem desviar o olhar do chão. — Acha que consigo voltar e esquecer?

– Mas deve. Sabe que é proibido vir aqui. E ninguém acreditaria no que dissesse, iriam dizer que você é louca.

– Acho que sou. — Falou a garota se levantando. — Porque se não for eu vou ficar.

– Esqueça isso. — O rapaz andou até ela. — Não voltaremos aqui eu prometo. — Ela se afastou dele.

– Você não podia ter feito aquilo.

– Fiz o que era certo. — Ele retrucou enquanto relembrava o que havia feito. — Agora vamos voltar.

– Não. — A frieza com que ele havia falado fez ela entender que ela não conhecia mais ele. — Não vou voltar com você. — Afirmou enquanto seguia um caminho pela floresta.

– Vai se perder. — Ela não respondeu. — Volta aqui. — Ele começou a andar atrás dela.

Quando percebeu que estava sendo seguida ela começou a correr. Só agora percebia como a floresta estava escura, desviava das árvores por pouco, escutava o pio da coruja em alguma parte da floresta. Sentia o vento frio em seus braços, e ouvia as folhas se remexerem por causa dele. Não sabia o porque, mas conseguia ser mais rápida que os outros, isso não a impedia de cometer erros, ela tropeçou em um galho e acabou caindo.

Levante-se querida! Ela ouviu uma voz meia doce, um pouco aspéra.

Levantou-se assustada. Olhou para todos os lados procurando, mas não viu nada.

Não procure, não sou o que pensa. A voz falou novamente.

– Quem é você? — Perguntou com voz fraca.

Não há tempo para isso. Precisa continuar ele está atrás de você. Disse uma voz triste.

– Ele não vai me fazer mal, nem sei explicar porque corri dele. — Disse ela começando a caminhar seguindo em frente.

A garota ouviu risos que não pareciam humano e vinham de todo lugar, mesmo que tivesse ouvido apenas duas vozes, ela sabia que tinha mais.

Se tem tanta certeza porque está andando. Falou uma voz fria. A garota continuou andando.

Você sabe que ele não é mais ele. Disse outra voz.

– Por que ele está diferente? — Perguntou a jovem.

A culpa é sua. Respondeu a voz fria.

Ela parou de andar, era verdade a culpa era dela, sentia isso.

Não pare! Disse a voz doce e aspéra. Não importa agora de quem é a culpa, você precisa fugir dele.

A garota se assustou quando ouviu o estalo de galho quebrando.

Vá. Disse a voz triste.

Ela voltou a correr, mas desse vez ela ouviu passos de alguém correndo atrás dela. Não tinha percebido mas torceu o tornozelo quando caiu, isso dificultava, deixando ela mais devagar. Agora ouvia o som de um animal estranho, não parecia um leão ou um lobo, não que isso ajudasse, só que o medo era maior sendo algum animal desconhecido.

Aos poucos percebeu que estava saindo da floresta, mas continuou correndo. Parou subitamente, estava a beira de uma cachoeira, olhou em volta procurando uma saída. Ou pulava ou voltava e ia de encontro a ele. Ela não sabia o que fazer, os passos estavam se aproximando quase saindo da floresta.

Me desculpe. Disse uma voz.

A jovem sentiu que alguém a empurrou, mas não era ele, as vozes tinham a enganado, ele não era o perigo. A queda na água gelada foi um alivio, por sorte não tinha caído em cima de uma pedra. Aos poucos foi sendo sugada para o fundo, nadou mas não conseguia, a força que a puxava era mais forte.

Começou a se debater assustada, isso ajudou a afundar mais rápido. Já não conseguia mais respirar direito. Sabia que devia desistir, não adiantava lutar uma batalha perdida. Sorriu lembrando do sorriso dele e depois viu apenas a escuridão.

Notas finais
Agradeço por lerem. Beijinhos!