He's Not Coming Home
1 he's not coming home
Notas iniciais
Walburga Black estava sentada no sofá chique da sua casa, e talvez aquela fosse a primeira vez que ela não pensava no quão macio, caro e elegante ele era. Depois de horas, ela finalmente tinha desistido de segurar a xícara de chá em suas mãos. Estas tremiam demais para que a Black conseguisse tomar a bebida quente sem derrubá-la.
Seu marido, Orion, estava ao seu lado, também preocupado, mas nem tanto quanto ela. Pelo menos, ele não aparentava. Orion sempre tinha sido mais controlado e centrado que a esposa, isso era certo, mas Walburga pensava que, naquela situação, ele fosse demonstrar um pouco mais de sensibilidade. Ela tinha vontade de segurá-lo pelos ombros e ordenar que ele gritasse, esperneasse, chorasse, que demonstrasse alguma emoção. Será que ele achava que parecer insensível e alheio a tudo fosse a melhor forma de ajudá-la? Será que Orion pensava que a surpreendente calma dele fosse a única coisa que mantinha Walburga sã? Não era, isso era algo que Walburga tinha certeza. Talvez fosse a única coisa que ela tivesse certeza naquele momento, já que ao menos sabia mais o que significava sanidade.
— Walburga. Temos visita. — diz Orion, e sua voz, apesar de calma, trazia um certo pesar.
— Eu não vou conseguir fazer isso, Orion. — Walburga diz, ainda sem olhar para o marido. Seus olhos estavam perdidos na xícara de porcelana apoiada na mesa de centro. — Receba as visitas, Orion, porque eu não vou conseguir fazer isso. Aparentemente, você consegue.
Orion assente, e sai da sala, sem contestar a esposa. Ele provavelmente queria fazer aquilo, provavelmente queria gritar e dizer que a vida dela não podia parar por causa do desaparecimento de Regulus. Orion não era de poupar palavras, mas fazia aquilo naquele momento, e Walburga sabia o motivo daquela súbita mudança na forma de agir.
Seu filho não voltaria para casa.
Regulus não voltaria para casa, e Orion não conseguia dizer para Walburga seguir em frente.
As mãos de Walburga continuavam tremendo, junto com os seus lábios já rachados. Regulus Black, seu filho, não voltaria para casa na hora do jantar. Ele não voltaria para vestir as roupas perfeitamente passadas em sua gaveta. Regulus não voltaria para casa.
Seu filho não voltaria para casa.
Lágrimas escorrem pelos olhos de Walburga ao chegar a essa percepção. Regulus Arcturus Black, seu filho, não voltaria para casa. As mãos de Walburga vão até a xícara de chá, e ela tenta dar um gole na bebida, agora já gelada. O gosto amargo do chá, que tomava sem açúcar, faz com que a sua boca fique ainda mais seca do que antes.
Regulus não voltaria para casa, ele nunca mais voltaria para casa.
A xícara de chá cai no chão, molhando uma grande extensão do sofá caro e chique da casa dos Black. A mancha ali seria permanente, tal como o pingo preto no carpete.
Tal como o fantasma das lágrimas no rosto de Walburga Black, a mulher que nunca mais veria seu filho.
Regulus Black nunca mais voltaria para casa.
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