Heróis também podem sangrar.
2 O destino e suas ironias.
Notas iniciais
Boa leitura!
— Apressem-se! — ele ordenou à equipe, em seguida, ao passar pela saída, após todos terem-na ultrapassado, o garoto virou-se para o interior do local: —“Katon – Goukakyuu no jutsu”!
(...)
O cômodo estava meio escuro, sendo iluminado apenas pela luz do abajur. O rapaz inconsciente repousava sobre a cama de solteiro, enquanto a garota, sentada numa poltrona, folheava algumas páginas do livro que tinha em mãos:
— Hãn?! — abriu os olhos com dificuldade, olhando ao redor. — Onde estou? — perguntou num sussurro, então se virou para a pessoa sentada ao lado do leito no qual se encontrava, sentindo-se ameaçado no mesmo instante ao reconhecê-la. Tentou se afastar, porém, a fraqueza o impediu de se mover mais do que alguns centímetros.
— Acalme-se! Não lhe farei mal — afirmou a voz familiar.
— O que estou fazendo aqui? — inquiriu com a voz abatida, porém, manteve a indiferença, voltando seu olhar para o teto, um pouco mais calmo.
— De nada Uchiha — ironizou. — A batalha deve ter sido intensa, você sofreu muitos danos... — analisou o corpo do jovem todo machucado à sua frente. — Tanto a parte interna quanto a externa foram brutalmente danificadas, se eu não o tivesse encontrado a tempo... — pensou, depois balançando a cabeça negativamente a fim de espantar pensamentos inoportunos.
O jovem então nada mais proferiu, mantendo seus olhos fixos no vazio, enquanto ela colocava o livro sobre a mesinha ao lado e habilmente começava a trocar alguns curativos.
(...)
Na pousada, alguns ajudavam na cozinha enquanto outros estavam reunidos na sala jogando conversa fora, esperando o jantar.
A morena caminhava pelo corredor indo rumo ao seu quarto, no entanto, foi abordada pelo loiro que vinha em sua direção:
— Hinata! — ele chamou-a, embaraçado.
— N-Naruto-kun?! — indagou terrivelmente corada.
— Er... eu, é — buscava palavras —, sobre ontem no vestiário, é... foi vacilo meu confundir a área feminina com a masculina... Desde então você esteve me evitando e eu... — foi interrompido.
— E-Está tudo bem, N-Naruto-kun! — afirmou desviando-se do loiro e seguindo seu caminho a passos rápidos, como se estivesse fugindo.
— Não! Não está — discordou indo atrás da garota e agarrando-a pelo braço e puxando-a contra-si.
— M-Muito perto, eu... eu... é... — proferia palavras sem nexo, por conta da proximidade de seu rosto ao do garoto que fitava-lhe os lábios.
— H-Hina-chan?! Preciso conversar com você... É um assunto sério! — avisou, tentando manter a atenção voltada para os olhos dela e não para a sua boca.
— O-Ok! — ela concordou, também olhando-o nos olhos.
(...)
Sentados no chão pedregoso e escorregadio, dentro da gruta iluminada pela luz da lua que adentrava o local pelos orifícios situados no teto e refletia-se nas águas:
— Sasuke... Sasuke... — sua voz chorosa ecoava pelo lugar. — Porque isso foi acontecer?! — inquiriu-se com os olhos marejados, a jovem de cabelos ruivos, ferida.
— Olha o lado positivo! — disse o garoto. — Eu estou aqui com você!
— Humpf! Era só o que me faltava — falou com desdém, olhando para o lado.
— Pois é... você devia ter caído aqui sozinha — retrucou, o rapaz ferido encostando-se à parede rochosa. — Complicado isso! Gostar de alguém que ama outra pessoa, pior ainda é ter como única alternativa, servir de palhaço para ter um pouco de sua atenção. Garota insuportável! — pensou amargurado, olhando para o nada.
— Porque eu tinha que ter caído junto com essa “coisa”? — indagou-se.
— O destino e suas ironias! — ele zombou.
— É... ele não foi com a minha cara — desabafou, desapontada.
— Hum... — pôs-se à frente da garota, aproximando suas faces. — Desculpa! — disse olhando-a nos olhos.
— Hãn?! — assustou-se com a ação repentina do garoto, tentando se distanciar, porém sendo impedida pela grande pedra atrás de si. — Suigetsu, o que v-você... — foi silenciada pelos lábios do rapaz que se selaram aos seus.
Após o beijo demorado, ela não mais pronunciou-se, permanecendo a olhá-lo nos olhos. O jovem, por sua vez, deitou-a delicadamente no chão e pôs-se sobre ela, voltando a beijá-la. Sem manifestar-se, Karin apenas cedeu.
(...)
Perdido em meio à mata, o homem de cabelos alaranjados caminhava desnorteado, gritando pelos nomes de seus companheiros:
— Sasuke?! Suigetsu?! Karin?! — seus berros ecoavam pela floresta imensa, fundindo-se aos ruídos da vida selvagem noturna, o que para pessoas normais seria assustador. — Onde será que eles estão? — perguntou-se.
— Olá! — saudou, uma menina que seguia pela trilha e parecia se divertir.
— Eh... Oi, o que faz aqui? — indagou espantado. — É perigoso uma criança brincar em um lugar como esse, ainda mais à noite!
— Não sei, não estou brincando! — respondeu inocentemente o observando.
— Está perdida?
— Talvez! — disse, olhando à sua volta.
— Quer que eu a ajude a encontrar sua mãe? — inquiriu simpático.
— Não! — recusou, a menina expressiva.
— Como não? Você quer ficar aqui perdida? — perguntou, confuso.
— Mamãe me deixou aqui, não quer que eu volte! — explicou, com o olhar opaco, distante.
— Hum... Eu sinto muito!
— Tudo bem! — ela voltou a fitá-lo. — Eu estou feliz neste lugar, pois — seus olhos percorreram novamente pela floresta —, aqui tem muitos passarinhos, árvores e, mamãe não deve chorar mais, agora que estou longe — afirmou, contente.
— Tão pequena e já uma rejeitada, mais uma como eu — pensou, entristecido. — Já que você não tem ninguém, gostaria de vir comigo? Estou procurando os meus amigos que se perderam.
— Sério nii-san?! — indagou com os olhinhos brilhando de felicidade. — Prometo não dar trabalho, ajudo com os teus ferimentos... Você está bem ferido, aliás, meu nome é Yuki!
— Belo nome, o meu é Juugo. Vamos? — estendeu a mão para ela.
— Sim! — aceitou sorrindo, caminhando para perto do maior.
Os dois continuaram andando pela floresta em busca dos membros perdidos do time Taka, se bem que, de fato, ambos Juugo e Yuki também se encontravam perdidos no momento.
(...)
No dia anterior:
— “Katon – Goukakyuu no jutsu”! — a luz flamejante adentrou violentamente o túnel e quando a fumaça se desfez, não havia mais ninguém no local. — Droga! Posso sentir o chakra por perto — murmurou, quando foi surpreendido por vários ninjas mascarados. — Quem são vocês? — perguntou em seu tom arrogante.
— Somos mercenários! — o provável líder, manifestou-se. — Sua cabeça sobre uma bandeja vale ouro nukenin de Konoha, Uchiha Sasuke!
— Hum — suspirou entediado. — Eu já esperava que, mais cedo ou mais tarde, algo assim fosse acontecer — pensou. — Tudo bem então, conclua o seu serviço — sugeriu sério, depois sorrindo de canto —, se “puder”, é claro!
— Hahahaha — riu descontroladamente. — Você é realmente como dizem os boatos, é confiante, se garante demais, estou honrado em conhecê-lo — curvou-se frente ao rapaz o reverenciando. — De fato, o que lhe sobra de presença e porte, compensa-lhe a falta de idade. Você é realmente muito jovem, aliás, bem mais do que eu imaginava... — contou, analisando as feições juvenis do moreno.
— Hum — desfez o falso sorriso, ficando com uma expressão sombria, logo seguindo para o ataque.
— He he! Quanta agressividade — disse, o homem se desviando de alguns golpes.
Os outros ninjas deixaram o comandante lutando contra o garoto do sharingan e foram pegar o resto da equipe.
Passado algum tempo já estavam todos exaustos, então o Uchiha prevendo que logo o time se renderia, manifestou-se:
— Suigetsu! Karin! Juugo! — chamou-os. — Fujam daqui para o mais longe possível — ordenou ativando o Susanoo e barrando os ninjas que atacavam a sua equipe.
— Mas nós não podemos te deix... — a ruiva foi interrompida.
— É uma ordem! — vociferou autoritário.
— Vamos Karin! — disse o garoto de cabelos branco-azulados pegando na mão da garota e a arrastando consigo.
— Não irei! Você está cansado das outras batalhas que tivemos hoje mais cedo — contestou, o mais velho se aproximando para ajudar. — Posso estar machucado também, mas não fugirei!
— Juugo! Obedeça-me! — exigiu, exaltado. — Preciso de você vivo!
— Ok! — suspirou derrotado, vendo que não daria em nada contrariá-lo. — Trate de voltar inteiro — pediu, virando-se e indo rumo mata a dentro.
— Uhum — assentiu para o outro rapidamente, voltando à atenção para os seus oponentes.
Sasuke então correu pela floresta em sentido contrário ao que seus companheiros haviam tomado, sua intenção era afastá-los o suficiente para dar tempo dos outros se distanciarem bastante dali.
A luta seguiu-se intensa, afinal, eram cinco contra o Uchiha.
Enquanto o moreno enfrentava uma batalha sem descanso, ainda naquela noite, na pousada, no vestiário feminino mais especificamente:
— N-Naruto-kun?! — corou aterrorizadamente, a menina que se despia ali.
— H-Hinata? — indagou erguendo-se com os olhos arregalados, deixando a toalha cair.
— Ahhhhh! — gritou a garota com a face assustadoramente ruborizada ao ver “isso e aquilo”, em seguida caindo no chão, desmaiada.
Nisso, todos os garotos que estavam dentro do banheiro escutaram o berro da Hyuuga e enrolados em suas toalhas foram correndo até o vestiário feminino ver o que tinha acontecido:
— O que houve? — adentrou o local paralisando ao avistar Naruto completamente pelado e Hinata caída no chão, vermelha feito pimentão. — Quando eu disse dar um passo, não me referia a um "salto triplo" — disse chocado, o garoto pálido parado na soleira da porta junto dos outros curiosos.
— Não é isso que vocês estão pensando, eu... — procurava palavras para explicar aos amigos, que estavam tumultuados na porta e que provavelmente esperavam que o loiro esclarecesse aquela cena.
Ainda no quarto com sua amiga Ino, a jovem de cabelos róseos, decidida, juntava os seus pertences:
— Sakura?! Tem certeza disso mesmo? — perguntou, preocupada.
— Sim! Não estou em clima para férias, quanto mais serviço, melhor — afirmou, forçando parecer-se enérgica. — Aliás, é algo que eu gosto e, sinto que tenho que fazer isso! Avise aos outros que sai em missão e que não sei quando poderei voltar, diga para que não se preocupem, afinal, só irei estudar a "riqueza" medicinal que essa imensa floresta tem a oferecer e... aproveitarei para refletir um pouco — finalizou, terminando de arrumar suas coisas.
— Hum, ok! Se é isso mesmo o que você quer, espero que não lhe faça mal — apoiou, a loira já saindo do quarto. — Até a próxima então, “testuda”!
— Ah claro, “porquinha”, até mais! — despediu-se seguindo pelo corredor rumo à porta, cruzando a mesma e pondo-se a caminhar mata à dentro.
A jovem seguia destemida pela floresta sombria devido à noite. Um tempo depois, Sakura começou a notar pelo chão rastros de sangue, logo sucedendo-se por grandes estragos no local, levando-a a conclusão de que teria acontecido uma batalha ali perto.
Curiosa, continuou seguindo os vestígios e armas — que provavelmente teriam sido usadas na possível luta que ocorrera naquelas redondezas —, caídas ao chão, até deparar-se com uma cascata.
Assustou-se ao ver um corpo do outro lado da queda d'água, aproximou-se do rapaz desacordado, extremamente ferido, sangrando, caído de bruços à margem d'água com o braço direito imerso na mesma.
— Sa-su-ke... kun?! — proferiu chocada ao reconhecê-lo.
Com os olhos inevitavelmente transbordando lágrimas, aproximou-se do garoto para checar-lhe o pulso.
Num lugar distante dali, ainda no meio da mata, o rapaz corria sem parar puxando a ruiva consigo.
— Ahhh! Me larga — ordenou, impaciente. — Já estamos correndo há horas, como você pôde me arrastar? Eu deveria ter ficado e ajudado ele.
— Se tivéssemos ficado, no estado em que estamos, teríamos apenas atrapalhado — concluiu, irritado.
— Eu sei que tivemos muitas batalhas hoje, mas ele também lutou, ele também deveria estar exausto — ela retrucou, emburrada.
— Ah, não enche! — resmungou, soltando o braço da garota.
— Ótimo! Vou voltar pra lá — ela informou, se virando e caminhando a passos rápidos, porém cansados.
— Aí! Deixa de ser idiota, mulher — alertou seguindo-a, também às pressas.
Ela ia à frente em direção a alguns arbustos, enquanto ele a seguia logo atrás. A mata ali estava muito alta, o que dificultava andar.
— Ahhhhhhhhh! — ela gritou ao cair dentro de uma abertura no chão, que até então estava camuflada pela moita.
— Hãn?! O que... — o rapaz se assustou com o sumiço dela, indo mais a frente, procurá-la. — Ahhhhhhhhh! — caiu também.
Ambos foram parar dentro de uma espécie de lago que se formava naquele local.
— Cof... cof... cof... — ela tossiu, cuspindo água após emergir do fundo da mesma.
— Ufa! Ainda bem que é só água. Você está bem? — indagou à garota que nada respondeu, apenas caminhou até a margem e sentou-se encostada em uma pedra. — Tá vendo só o que você fez? — ele inquiriu, saindo d'água e sentando-se recostado à parede rochosa.
— O que eu fiz? Ora, não fiz nada, não mandei você me seguir — contestou com arrogância. — Além do mais, cair numa gruta não é lá o fim do mundo — ela falou, olhando para o lado.
— Sei...
Perto da cascata, a rosada executava os primeiros socorros, ali mesmo, tentando manter-se calma, porém, derramava litros de lágrimas:
— Sasuke-kun! Ainda bem que cheguei a tempo — agradeceu, preocupada com o moreno.
Após estancar algumas hemorragias em áreas críticas, ela o pegou pelo braço o puxando em sentido transversal sobre si, apoiando-o em suas costas e com o outro braço, segurando numa das panturrilhas do garoto. Em seguida ela amparou-se sobre suas próprias pernas, uma de cada vez para que conseguisse levantar, porém estava pesado, o que não a poupou de gritar:
— SHANNARO! — assim com chamas nos olhos e adquirindo uma força sobrenatural, elevou-se completamente, pondo-se a caminhar carregando em suas costas o Uchiha inconsciente.
(...)
O moreno deitado sobre a cama observava tudo ao seu redor, enquanto a garota acendia a luz e sentava-se ao seu lado, mexendo numa pequena caixa:
— Faz quanto tempo... que estou aqui? — ele perguntou, com dificuldade.
— Desde a noite passada — respondeu com a atenção voltada em algumas agulhas que retirava da caixa, selecionando uma delas, desembalando-a e logo encaixando-a na seringa.
— Hum — ele fechou os olhos suavemente quando a viu se aproximar com a seringa em mãos, preenchida com um líquido esbranquiçado. — Vai me matar? — indagou sarcástico, quase num sussurro, sem abrir os olhos.
— Não — ela respondeu, seca, introduzindo delicadamente a agulha na pele alva e aparentemente frágil do rapaz.
Ele sentiu o líquido invadi-lo como se estivesse rasgando sua veia, porém, manteve-se de olhos fechados, sem expressar alguma reação.
— He he... — ela olhou para a cara do garoto. — Só ele mesmo para dar uma de durão numa hora dessas! Isso deve tá doendo pra danar — pensou, rindo disfarçadamente.
— O que é engraçado? — ele perguntou em voz baixa, apático.
— Er... nada não! — respondeu, contendo o riso. — Volte a dormir, já está tarde — falou, retirando a agulha, em seguida passando um algodão embebido com álcool no local.
Então ela levantou-se, depositou um rápido beijo carinhoso sobre a testa dele, apagou a luz. Próxima da poltrona, sentou-se pegando o livro na mesinha ao lado e virou-se para o rapaz:
— Durma bem! Qualquer coisa é só falar — informou, abrindo o livro e começando a ler usando apenas a iluminação do abajur.
Sasuke nada disse. Continuou de olhos fechados, no entanto, o Uchiha não pôde evitar de dar um breve sorriso tranquilo lembrando-se do beijo em sua testa.
O destino e suas ironias, não? Seria esse o recomeço de um sentimento positivo na vida do nosso bravo herói às avessas?
Notas finais
Beijokas e até a próxima./
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