Herobrine - A Lenda
1 Prólogo
Notas iniciais
Quando você viajar com seus amigos ou com sua família e, por acaso, passar perto de uma vila misteriosa e abandonada, com séculos de existência, onde tudo é velho, sujo e tem cara de amaldiçoado, faça um favor a si mesmo e aqueles que ama: não entre A não ser que tenha um motivo irrefutável, como salvar a princesa — ou o príncipe -, tire uma fotos de longe, dê meia-volta, entre no seu carro e despeça-se desse lugar o mais rápido possível. É o mais inteligente a fazer. Uma pena, porém, que Lukas, Rafael e Sara não conheciam meus conselho, e ao saírem da cidade para uma curta viajem de fim de semana, estacionaram naquele lugar que representa tudo do que deveriam fugir.
— Deixa de ser medroso, Rafael! — disse Sara com certo desgosto na voz. Ela se achava superior a tudo aquilo. Pegou sua câmera, abriu a porta e se encontrou com Lukas na frente do veículo. Sentiu uma brisa leve, que fez arrepiar os pelo do seu corpo. Sorriu para o namorado e comentou que a lua estava linda. Ele concordou, mas respondeu:
— Não tão linda quanto você!
— Arg.! — Disse Rafael.
Rafael não tinha o menor saco para essa babação amorosa. Também saiu do carro.
— Parem com isso, né? Era só o que faltava... vamos entrar logo para ir embora logo.
Os namorados riram, tiraram uma selfie, e assim como o amigo, deixaram os celulares no carro. Não havia sinal.
Andaram alguns metros, até que encontraram a porta de entrada.
O lugar era protegido por algum tipo de fundação cultural, que deveria preservar aquilo ali. Mas, hum... o trabalho não estava sendo muito benfeito, não.
A entrada era protegida por um muro de madeira, daqueles que usa em fazendas para cercas os animais, nos quais a madeira era colocada lateralmente. Um apoio e tanto para os pés de quem quisesse pular.
Sara havia visto na internet que o ultimo guarda pediu demissão nesse dia mesmo e que ninguém quis assumir o lugar dele de imediato. Por isso, sugeriu um passeio.
É claro que ela só contaria isso para o namorado. Se Rafael soubesse, nem teria entrado no carro.
Pularam o muro e viram que o lugar era muito mais esquisito do que parecia pela internet. Seis casa e uma construção que parecia uma igreja ainda estavam em pé. Por enquanto... cair era só questão de tempo. Todas tinham buracos e aberturas por onde qualquer um poderia passar. A madeira das paredes estava podre, de tanto sol, chuva e descaso.
Sara parou de contar quando viu o sexto rato, justamente porque ele passou pelos pés de Rafael, que gritou com as avesse visto um fantasma. Os namorados gargalharam e caminharam até uma fonte antiga no meio da vila.
Não havia água nem sinal de ter passado por uma limpeza nos últimos cem anos. Só a lua e uma lanterna que Rafael levou para iluminar o lugar. Não ver as coisa com nitidez começou a deixar Sara um tanto nervosa.
Ela sentia a brisa de uma forma estranha, como se a abraçasse, e a cada abraço apertasse um pouco mais.
Começou a sentir que lhe faltava ar. — Sasa! Acorde! Tudo bem ai? — perguntou Lukas. Ela balançou a cabeça, brava consigo mesma por descobrir que era medrosa quanto o cagão do Rafael.
— É ali a tal mina que eles fazem tanta propaganda — disse Sara, e foi em direção à única construção de pedra, que ficava já no final do vilarejo.
— Esqueça! Eu não vou entrar aí.
— Mano — retrucou Lukas -, ou você entra ou volta para a casa a pé. Rafael coçou a cabeça, fechou os olhos, passou as mãos suadas pelo rosto. Ele sabia que o amigo falava sério.
Nunca esqueceu o dia em que, no parque, disse que ia no banheiro e que Lukas respondeu que só ele fosse, voltaria sozinho, porque ninguém o esperaria. E quando chegou ao estacionamento, lá estava... ou melhor, lá não estavam. Lukas detestava Rafael. Só o aturava por causa da Sara.
Tremendo de medo, coçou os olhos e seguiu a amiga, que já entrava na mina. Não enxergava nada! Nem dois metros à frente.
O caminho estreito só permitia uma pessoa por vez, e a descida íngreme quase fez que caíssem. Precisavam se apoiar na parede. Rafael sentiu um braço o empurrando, e só então viu que Lukas deu um "Chega pra lá" e iluminava o caminho para Sara. Terminava a descida, e o que era escuro virou um breu completo.
Dentro da mina era impossível ver com clareza a palma da própria mão.
Rafael procurou o celular, mas lembrou que o deixou no carro. O vento, que chegava mais forte do que poderiam imaginar, circulava os pés deles e dava a impressão de que algo os tocava. Não havia nada ali, concluíram, quando Lukas iluminou o chão.
— Qual é a graça de vir aqui? — perguntou Rafael mordendo os próprios lábios. Nunca sentiu tanto medo na vida.
— Esse seu amigo é um chorão hein, amor.
— Não fale assim dele. ele só tem medinho... BU! — gritou Sara. Rafael perdeu tanto o raciocínio, que cambaleou e caiu de costas. Sentiu-se humilhado pela melhor amiga e pela própria falta de coragem. Quis cancelar toda a viagem, voltar para a casa, mesmo que fosse a pé, e passa o fim de semana inteiro vendo uma maratona de Flash. Seu corpo não só tremia inteiro, como também coçava... alguma alergia. Respirou fundo, levando-se e andou em direção à saída.
— Aonde você vai, Rafa? Foi só uma brincadeira, desculpe... — pediu Sara.
— Sério, desculpe... Sem resposta. Foi o silencio mais longo e estranho que Sara já presenciou.
— Rafael?
— Pô, cara, responda! — exigiu Lukas.
Ele procurou por Rafael com a lanterna e o encontrou na beira da escada, de joelhos, com o braços caídos, cabeça para cima, olhos e boca mais abertos do que jogou se possível. Pelo menos Lukas morreria tendo visto a expressão do maior e mais completos desespero. Rafael sentia seus membros rígidos, não conseguia se mover normalmente. Sua visão começou a embaçar, sentiu a cabeça balançar de um lado para o outro, como um pêndulo que não tem como escapar. Se sobrevivesse, jamais esqueceria o que havia visto. Dois grandes olhos brancos, cintilando na escuridão.
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