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8 Sacrificio
Notas iniciais

Ryan sabia que não era uma boa ideia deixar Anne e Kate sozinha com tantos perigos os rondando, por isso assim que conseguiu se entender com James e lhe mostrar a verdade passou a dirigir o mais rápido possível em direção a casa de Anne, ele se mantinha atento ao caminho quando reparou que seu celular estava tocando.
— Alô? — perguntou ele sem reconhecer o número.
— Ryan, é a Anne. — respondeu ela do outro lado da linha.
— Ah sim, aconteceu alguma coisa? — indagou Ryan, tranquilamente.
—Na verdade sim, levaram a Kate. — murmurou Anne completamente aflita.
— O que? Vocês saíram da casa? — gritou ele indignado.
— Eu precisava vir para a faculdade e a Kate veio comigo.
— Você viu quem a pegou? — Ryan respirou fundo tentando controlar o acesso de raiva que sentia pelo ato impensado delas.
— A pessoa que a pegou me deu uma pancada, mas assim que eu acordei eu vi a Kate sendo levada para um carro, por uma mulher branca, de cabelos compridos castanhos e usava um uniforme preto. — explicou ela, tentando ao máximo se lembrar de todas as características possíveis da sequestradora. — Eu acho que no uniforme tinha algum desenho no peito.
— Eu já sei quem é, você está bem?
— Sim, por favor encontre-a. — suplicou a garota.
— Não se preocupe, eu vou encontrá-la. — afirmou Ryan.
— Obrigado! — agradeceu Anne, se tranquilizando.
— Volte para a casa. — disse Ryan desligando o celular.
— Com quem ela está? — perguntou James.
— Fox. — Ryan apertou o volante e pisou no acelerador.
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Kate abriu os olhos lentamente, sua cabeça latejava como se estivesse a ponto de explodir, aos poucos ela tentava recobrar por completo a consciência, ela tentava se mexer mas não conseguia, ao tentar mover sua a notou algemada na porta do carro, ela olhou para o lado e viu que Fox dirigia.
— Para onde você está me levando? — indagou Kate, com a voz falha.
— Para Fênix. — respondeu Fox friamente.
— Não, eu não quero ir para lá. — só de pensar em ir para a Fênix o pânico a dominava, ela sabia que estaria morta assim que entrasse naquele lugar.
— Querer não é poder. — retrucou Fox.
—Você precisa me ouvir. — implorou Kate, na tentativa de conseguir explicar a Fox a verdade.
— Te ouvir? Depois do que você fez? — disse Fox indignada.
— O que eu fiz? — perguntou Kate confusa.
— Você fez com que o Ryan se tornasse um traidor. — acusou Fox.
— Ele não é um traidor.
— É claro que é, e por sua culpa eu vou ter que destruir a única pessoa que eu amo. — disse Fox, era evidente que algo muito forte a ligava a Ryan e pensar em mata-lo parecia algo inaceitável para ela.
—Ama? Afinal, qual é a relação entre vocês? — Kate já estava cansada de tentar descobrir o que acontecia entre os dois, ela queria de uma vez por toda saber a verdade.
— Eu adoraria te dizer, mas temos companhia. — disse Fox, vendo pelo retrovisor que Ryan e James a seguiam. — Ora, então quer dizer que o James também é um traidor.
— Fox, você precisa saber que a Fênix, está mentindo para você... — Kate foi interrompida pelo olhar repleto de fúria de Fox.
— Não ouse falar da Fênix. — gritou ela irada — Aqueles dois sabem que eu odeio ser perseguida, vou dar um jeito nisso. — disse Fox dirigindo, afastando o carro da estrada indo em direção a um barranco.
— O que você vai fazer? — perguntou Kate tentando se soltar das algemas.
—Você não tem medo de altura, né? — sorriu Fox, dirigindo mais rápido em direção ao barranco que fez com que o carro capotasse com as duas dentro.
Observando a manobra de Fox para escapar deles, James simplesmente ficou boquiaberto e espantado com tamanha loucura, que poderia matar ela e Kate. Diferente do amigo Ryan não demonstrou nenhum choque, ele deu a volta e dirigiu até a rua onde o carro havia caído.
— O que foi isso? A Fox ficou louca? — James não conseguia esconder sua indignação. Ambos saíram do carro e caminharam cuidadosamente em direção ao veículo.
— Não, ela pode escapar sem nenhum arranhão de um acidente desses, o que ela realmente queria era machucar a Kate.
— Mas que espertinho. — ele ouviu a voz de Fox e se virou para ela, vendo-a dar um vitorioso sorriso perverso.
— James, vai pegar a Kate, eu cuido da Fox. — ordenou Ryan.
— Ok. — assentiu James indo em direção ao carro, soltando a algema e pegando Kate que por sorte não tinha nenhum ferimento grave, apenas alguns arranhões.
— Tem certeza, que quer brigar comigo? Eu me lembro que quando éramos criança você sempre perdia. — disse Fox dando um sorriso cínico tentando irritá-lo.
— Só que não somos mais crianças e eu luto melhor. — retrucou ele ignorando as provocações dela.
— Vamos ver então. — murmurou ela correndo em sua direção.
Fox transferiu um soco no rosto de Ryan que desviou, e logo segurou o joelho dela que vinha em direção a sua barriga. Ela lhe deu outro soco desta vez acertando seu rosto, fazendo Ryan dar alguns passos para trás. Ele limpou o sangue no canto da boca.
— Hum, nada mal. — disse ele, se fazendo pouco impressionado diante dos golpes dela.
— Você não viu nada.
Suas palavras a irritaram ainda mais, ela novamente correu em sua direção levantando a perna para lhe dar um chute, ele bloqueia o golpe com o braço e acerta um soco no estômago de Fox. Ao receber o golpe ela perde o fôlego mas logo o recupera, ela volta a ataca-lo com um soco no estômago e um chute na perna o fazendo cair de joelhos.
Ela novamente lhe dá um chute no estômago e estava prestes a repetir o golpe. Vendo que está na hora de reagir ele puxa sua perna a fazendo cair no chão, ele lhe dá um soco no rosto e em seguida a prende em um mata-leão, ela tenta a todo custo se soltar mas não consegue, ele a segura até que Fox perca a consciência.
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Kate olhava aliviada para Ryan que vinha em sua direção, sem perceber que Fox se levantara e pegava sua arma no coldre. Ryan olhou para trás e viu que ela mirava em Kate. Ele correu até Kate, entrando em sua frente no exato momento em que Fox atirou.
Ele sentiu uma forte queimação em seu abdômen e caiu de joelhos, olhou para trás e viu que Fox se lamentava pelo tiro tê-lo atingido, em seguida correu para longe, James pensou em segui-la, mas precisava ajudar Ryan. Tudo havia acontecido tão rápido, ninguém podia esperar por aquilo, principalmente Kate. Ela o olhava ferido diante dela, aquela imagem era extremamente chocante, ela se abaixou com os olhos cheios de lágrimas.
— Ai meu deus, Ryan... — ela pôs a mão na boca sem querer acreditar, enquanto as lágrimas rolavam pelos seus olhos.
— Tudo bem, esse não foi o meu primeiro tiro e nem será o último. — disse ele calmamente apesar de sua situação crítica.
— Ok valentão, vamos dar um jeito nisso antes que você morra. — James o ajudou a se levantar e a andar até o carro colocando-o no banco de trás e lhe deu um pano para que ele estancasse o sangramento.
James se sentou no banco da frente, acompanhado por Kate e passou a dirigir tranquilamente. Kate era a única em pânico no carro, ela não conseguia entender como ambos ficavam tão calmos diante de uma situação de vida ou morte como aquela.
— Qual é o problema da Fox? Como ela pôde atirar no próprio irmão? — disse James dirigindo em alta velocidade.
— Irmão? Espera, o Ryan e a Fox são irmãos? — perguntou Kate, surpresa.
— Você não sabia? — indagou James.
— Não, eu pensava que eles fossem namorados.
— Namorados? Acha que minha namorada me daria um tiro? — perguntou Ryan ofegante pela perda de sangue, mas ainda sim indignado com o pensamento de Kate a respeito da relação dele com Fox.
— Sem ofensas, mas irmãos também não costumam atirar uns nos outros.
— Eu não julgo, se eu não soubesse nunca suspeitaria que eles são irmãos.
— Eu adoraria explicar para vocês por que eu e a minha irmã somos assim, mas é difícil até de respirar quando se leva um tiro. — gritou Ryan, irritado pela discussão sobre sua família ter se tornado prioridade ao invés de seu ferimento.
—É, eu acho que você não quer falar sobre isso. — murmurou James, fitando o olhar fulminante de Ryan pelo retrovisor.
Alguns minutos depois eles chegaram até a casa de Anne. Mesmo estancando o ferimento Ryan havia perdido muito sangue e mal conseguia ficar de pé, James o levou para casa e o colocou em um dos quartos. Em seguida desceu as escadas e foi até a cozinha onde estavam Anne e Kate.
— Como ele está? — perguntou Kate, preocupada.
— Ele vai ficar bem? — perguntou Anne.
— Só vamos saber depois que eu tirar aquela bala. — respondeu ele, andando pela cozinha como se estivesse a procura de algo.
— Você vai tirar a bala? Por que não o levamos para um hospital? — disse Anne.
— Quer que eu te lembre o que aconteceu na faculdade? — disse James, fazendo Anne revirar os olhos. Eles mal se conheciam mas já se detestavam mutuamente.
— O que você precisa para tirar a bala?
— Agulha, linha, algumas toalhas e isso aqui. — disse ele, pegando duas garrafas de whisky que estavam no armário.
— Por que precisa da bebida? — perguntou Kate, sem entender no que aquelas bebidas iriam ajudar.
— Eu não sou um bom médico sóbrio e o meu paciente precisa de anestesia. — ele deu um rápido sorriso e caminhou em direção a escada.
— Espera, você vai tirar a bala com o que? — perguntou Anne, já prevendo que a resposta não seria nada boa.
—Com isso. — James mostrou rapidamente um canivete. — Ah! E ignorem o barulho. — ele subiu para o quarto.
—Meu deus! Agora nós estamos em um filme do Stallone. — murmurou Anne horrorizada.
Da sala elas ouviam os gritos de Ryan e, já estavam aflitas, sem saber se James havia conseguido ou não retirar a bala. A todo momento Anne dizia que James iria acabar matando Ryan e seria melhor elas chamarem uma ambulância. Porém Kate confiava que James sabia o que estava fazendo, caso contrário ele mesmo teria levado o amigo para um hospital. Durante horas elas andavam de um lado para o outro impacientes com a demora, até que James finalmente desceu.
— Como ele está? — perguntaram as duas.
— Ele vai ficar bem, só está inconsciente. Ele perdeu bastante sangue, vai demorar um pouco para que ele acorde. — suspirou James.
— Eu posso vê-lo? — perguntou Kate.
— Pode. — respondeu ele. Imediatamente Kate subiu as escadas, correndo em direção ao quarto de Ryan. —Eu acho que ela gosta dele. — murmurou ele para Anne.
— Eu também acho. — disse Anne sorrindo.
Kate entrou no quarto silenciosamente, e se aproximou da cama onde Ryan dormia. Ele estava abatido, mas pela primeira vez também parecia calmo e inofensivo, desde que o conheceu Kate só o viu bravo e preocupado. Naquele momento ela até sentiu falta do jeito bruto dele. Ela se sentou em uma poltrona em frente a cama, colocando sua mão sobre a dele e a segurou.
— Sabe, eu acho que tenho uma quedinha por você. — sorriu ela o olhando, quando sentiu ele apertar sua mão. — E eu suspeito que você também. Não se preocupa eu prometo que vou cuidar de você.
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