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9 Irmãos
Notas iniciais
Três dias se passaram e Ryan não havia acordado nenhuma vez e como prometido Kate cuidou dele o tempo todo. Ela estava no quarto quando James entrou.
–Como ele está? -Perguntou ele.
–Não acordou nenhuma vez.
–A última vez foi pior.
–Última vez?
–É, o último tiro que ele levou, na verdade foram três tiros ele ficou em coma por três semanas.
–Três semanas? -Disse Kate em choque.
–É ele costuma ficar em coma. –Disse James dando um rápido sorriso.
–Como vocês conseguem viver assim? -Perguntou Kate
–É um dom.- Disse James sorrindo e indo em direção a porta. — Sabe ele tem sorte de ter você.
–É o mínimo que eu posso fazer depois dele ter me salvado tantas vezes. -Disse Kate sorrindo.
–Então vocês tem sorte de ter um ao outro. -Disse James saindo do quarto.
Fox chegou a base passando rapidamente pelo grande salão onde vários agentes treinavam enquanto outros a observavam, ela entrou em seu quarto e se sentou na cama colocando as mãos na cabeça e deixando que as lágrimas rolassem.
–Ai meu deus, o que eu fiz? -Disse ela a si mesma sem conter as lágrimas.
–Fez o que era necessário. -Ela ouviu a voz masculina, e viu que era de Edgar que estava na porta.
–Eu não queria machucá-lo. -Disse ela secando as lágrimas e se levantando.
–Ele é um traidor.
–Ele é meu irmão. –Retrucou Fox.
–Você por acaso lembra o que eu disse a vocês quando chegaram na Fênix?
–Que nós não éramos mais irmãos. -Disse ela cabisbaixa.
–Exatamente, você não atirou no seu irmão e sim em um traidor, que merece morrer. Entendeu?
–Sim, senhor.
–Eu só espero que aquele tiro seja fatal. -Disse Edgar saindo do quarto.
–E eu espero que você sobreviva. Disse Fox pegando do bolso uma foto antiga dela e de a Ryan quando crianças. -Eu já fiz tanto mal a você não posso matá-lo também.
Kate deixou o quarto por alguns minutos e já retornando, ao abrir a porta tomou um susto ao ver que Ryan já havia acordado.
–Você finalmente acordou. -Disse ela sorrindo e se sentando na poltrona em frente a cama. -Como se sente?
–Estou com um pouco de dor, mas vou sobreviver. Então o que eu perdi?
–Nada de mais só a Anne e o James brigando por tudo.- Disse Kate sorrindo.
–Isso tem cara de amor reprimido.
–Eu também acho. -Disse Kate, fazendo com que ele sorrisse.
–O que é isso? -Perguntou ele olhando para o álbum que estava em cima do criado mudo ao lado da cama.
–É só um velho álbum de fotografias.
–Eu posso ver?
–É claro. -Disse ela pegando o álbum e o entregando para Ryan.
–Quem é essa feiosa? -Disse ele ao abrir o álbum e observando a primeira foto.
–Engraçadinho, essa menininha linda e maravilhosa sou eu. -Disse Kate rindo.
–Você nem é convencida.
–Não ,eu sou a humildade em pessoa.
–É claro , estes são os seus pais? -Perguntou ele observando a foto seguinte.
–São.
–Eu me lembro tão pouco dos meus. -Disse ele em tom baixo.
–Eu sei que não é da minha conta, mas o que aconteceu?
–É uma longa história.
–Tudo bem, temos tempo.
–Bom, teve uma época na qual éramos apenas Ryan e Isabela Walker.
–Isabela Walker?
–Quando entramos para a Fênix não podíamos mais ter o mesmo sobrenome por isso ela mudou o nome.
–Uau! Realmente é impossível descobrir que vocês são irmãos.
–É, mas antigamente nós éramos diferentes, inseparáveis. Eu tinha oito anos e ela dez, nossos pais eram incriveis.Eles até nos deram isso, para que sempre lembrássemos de que somos uma família. 0Disse Ryan pegando uma foto no bolso de sua jaqueta e entregando a Kate.
–É a sua família? -Perguntou Kate olhando a fotografia.
–Sim, essa é a única coisa que me lembra que já fomos uma família.
–E vocês não são mais?
–Não, a nossa família se tornou cinzas naquela noite.
–O que houve?
–A Fox vivia me desafiando e eu como não queria parecer um covarde aceitava, sempre eram desafios bobos, mas naquela noite ela me desafiou a acender várias velas, e mesmo morrendo de medo do fogo eu aceitei ,quando meus pais dormiram eu fui até a cozinha e acendi mais de seis velas e quando eu estava para acender a última a Fox apareceu e eu acabei derrubando uma delas e o incêndio começou ,eu queria avisar os meus pais mas ela disse que se eles soubessem que nós havíamos feito aquilo ficariam muito bravos, ela me levou para fora da casa e ficamos escondidos no jardim esperando que eles saissem.Mas...eles não sairam,quando os bombeiros chegaram disseram que eles não saíram porque estavam procurando por nós.
–Ai meu deus! –Disse ela ficando boquiaberta.
–Nenhum dos nossos parentes quis ficar conosco, todos diziam que nós havíamos matado nossos pais, e afinal eles estavam certos.
–Vocês eram só crianças. Foi um acidente.
–Acidente ou não eu matei meus próprios pais.
–Não diga isso.
–É a mais pura verdade. E como ninguém quis ficar conosco fomos mandados para um orfanato, e lá era o inferno, eu perdi a conta de quantas vezes eu desejei morrer só para me ver livre daquele lugar. Até que um dia Edgar Mitchel apareceu ele estava escolhendo crianças para levar para fênix.
–Crianças para a fênix?
–Sim, naquela época eles recrutavam órfãos para se tornarem futuros agentes da Fênix.
–E você foi um dos escolhidos?
–Sim, eu e a Fox fomos escolhidos para nos tornarmos agentes, e assim que chegamos a Fênix Edgar disse que eu e ela não éramos mais irmãos a partir daquele momento, nós crescemos naquele lugar e dedicamos nossas vidas a aquela agência, ela está acima de tudo até da nossa irmandade e por isso que a Fox e eu nos mataremos se for preciso.
–Você faria isso? Mataria a sua própria irmã? -Perguntou ela sem querer acreditar.
–Sim, sabe porque você fica tão indignada com isso? Por que você tem um coração, já o meu parou de bater desde os sete anos.
–Ele ainda pode voltar a bater.
–Eu acho impossível.
–Nada é impossível quando alguém acredita. E eu acredito.
–Você é maluca.
–Eu sei faz parte do meu charme. Disse Kate, fazendo com que os dois sorrissem.
Kate, Anne e James estavam na sala ele estava inquieto e andava de um lado para o outro enquanto elas o olhavam confusas.
–Tudo bem? -Perguntou Anne.
–É claro que não, acho que não poderia estar pior. -Disse James se sentando e colocando as mãos sobre a cabeça.
–Ei qual é o problema? -Perguntou Anne o encarando.
–Nós estamos ferrados.
–Ah! Desde o dia em que fugimos. -Disse Kate.
–É, só que agora é pior, não temos como vencer.
–Nossa quanto pessimismo. -Disse Anne.
–Não é pessimismo é a realidade não tem como um traidor, um baleado e duas garotas vencerem uma agência inteira de assassinos.
–Eu discordo. -Eles ouviram a voz de Ryan que descia as escadas.
–Você deveria estar na cama. -Disse Kate.
–Eu estou ótimo. -Disse ele sorrindo de canto e indo até James.
–Então você acha que temos chance? -Perguntou James em tom irônico.
–É claro, se pararmos de agir como a caça, e começar a agir como predador.
–E como nos tornamos o predador?
–Você ainda tem o seu comunicador?
–Tenho. -Disse James pegando o pequeno dispositivo.
–E você pode fazer com que ele mande uma mensagem para o computador central?
–Posso, mas ai descobririam que você está vivo.
–É exatamente o que quero.
Edgar andava pela salão principal da base e observava os vários agentes em seus computadores procurando informações sobre o Pen drive, enquanto Fox e o agente Blaine vinham em sua direção.
–Senhor. -Disseram os dois parando em frente a Edgar.
–Eu tenho uma missão para vocês. -Edgar foi interrompido com o alvoroço que surgiu no salão.
–O que está acontecendo? -Gritou ele.
–Alguém está tentando invadir o computador central. -Disse um dos agentes mas o homem logo se silenciou ao ouvir a voz que ecoava por toda a base.
–É o Ryan. -Disse Fox.
–Oi pessoal, sentiram minha falta? Então eu só queria avisar que eu estou vivo, na verdade nunca me senti melhor, e a proposito eu cansei de vocês nos perseguindo está na hora de mudar o jogo, agora são vocês que tem que fugir e se esconder se bem que não vai adiantar porque eu vou encontrar vocês e vou matar um por um. Bom era só isso até mais. -Disse Ryan finalizando a mensagem enquanto todos pareciam preocupados.
–Mas o que é isso? -Perguntou Edgar.
–Parece que eles estão com medo do Ryan. -Disse Blaine
–Do Ryan? Ele é só um homem e nós somos um exército.
–De que adianta um exército sem o seu comandante. -Disse Fox vendo Edgar com uma expressão furiosa.
–Então se vocês tem tanto medo dele, vamos resolver de vez o problema.
–Como? -Perguntou Blaine, vendo Edgar ir até o microfone da central.
–Prestem muita atenção, agora nossa agência tem apenas uma missão... matar Ryan Walker.
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