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3 O Jovem Impulsivo
Notas iniciais

Kate andava pela base, esperançosa de que aquele fosse seu último dia naquele lugar. Enquanto andava, parou e começou a observar vários agentes que treinavam, lutando entre si. Ela ficou impressionada ao ver a agilidade com que se moviam e a força dos golpes. Ficou tão concentrada com o treinamento que nem percebeu James chegar.
– Olá – James cumprimentou se aproximando de Kate.
– Olá, James — respondeu Kate, dando um sorriso.
– Como esta sendo sua estadia?
– Sinceramente, eu não vejo a hora de ir embora.
– É, eu sei... Esse lugar é uma chatice.
– Você não gosta daqui? – Kate perguntou curiosa.
– Eu não! Todo mundo aqui é muito sério e mal humorado.
– Então o Ryan deve adorar esse lugar.
– Ah! Mas é claro que ele adora, ele cresceu aqui.
– Ele cresceu aqui? – repetiu.
– Sim, ele, Fox e alguns outros agentes foram trazidos para a base quando ficaram órfãos, eles foram treinados desde criança para se tornarem os agentes perfeitos. É por isso que são tão mais fortes e habilidosos que nós. – disse James apontando para Fox que lutava de maneira impressionante com outro agente no salão.
– Uau! Eu não entendo, você é uma boa pessoa ... Por que decidiu se tornar um assassino?
– Não somos exatamente assassinos, nós somos uma agência de extermínio. Nós caçamos os criminosos que ninguém consegue pegar e quando necessário nós os matamos. Nós fazemos o que for preciso para manter a todos em segurança.
– Eu pensava que vocês fossem apenas assassinos – murmurou pensando que esteve errada desde que chegara ali.
– Eu também pensava isso quando os conheci.
– E como você os conheceu?
– O meu pai era um deles e quando ele morreu, eu os culpei por isso até o dia em que o Ryan salvou minha vida e eu vi que eu estava enganado.
– Então ele te salvou também.
– É, não é a toa que ele é meu melhor amigo. – disse James dando um sorriso, enquanto Kate fazia uma expressão de surpresa ao saber que eles eram tão amigos.
De repente uma sirene começou a tocar e todos desceram ao enorme salão. Kate seguiu James e se encontraram com Ryan e Fox que vestiam o uniforme da Fênix. Em poucos minutos Edgar Mitchell veio até o salão.
– Agentes, recebemos informações de que o Pen drive estaria no Museu de Arte Moderna.
– Quem esconde o projeto de uma arma extremamente perigosa que esta sendo caçado por meio mundo num museu? – perguntou Ryan cruzando os braços.
– Na verdade, é bem possível – disse Kate vendo Ryan olhá-la daquele jeito sério – Fazer o que... ele era meio doido.
– É por isso que iremos até lá. – Edgar voltou a falar – Provavelmente teremos companhia, então iremos todos.
– Sim, senhor – responderam todos os agentes em uníssono. – Você irá ficar aqui , Ryan. – ordenou Edgar.
– O quê?- gritou Ryan irritado e descrente.
– Não sabemos se isto é uma armadilha, não podemos arriscar em levar a Kate ou deixá-la aqui sozinha, por isso você deve ficar e protegê-la.
– E quem vai liderar a minha equipe? – perguntou Ryan ainda não acreditando que não poderia participar da missão.
– Fox irá liderá-la.
– Sim, senhor – disse Fox, olhando para Ryan e lhe dando um sorriso.
– Entendido, Walker? – perguntou Edgar.
–Sim, senhor – respondeu Ryan contendo a raiva.
– Não se preocupe, eu vou ser uma líder muito melhor do que você. – disse Fox se aproximando de Ryan.
– É melhor que seja, porque você não vai ter outra chance. – Ryan disse entredentes se afastando de Fox, indo em direção a James.
– Finalmente ela conseguiu. – disse James dando um sorriso sarcástico.
– É, vamos ver se ela é tão boa quanto pensa. – disse Ryan, olhando na direção de Fox.
– Essa eu quero ver. Eu cuido dela. – James assegurou.
– Se cuida, já que hoje eu não vou estar lá para te salvar. – disse Ryan sorrindo.
– Nossa isso só aconteceu uma vez e você vai jogar isso na minha cara o resto da minha vida – resmungou, ganhando um leve soco no braço.
– Mas é claro que vou. – disse Ryan se despedindo de James com um aperto de mão, entrando no elevador enquanto os agentes saiam para a missão.
Kate viu o enorme salão se esvaziando e em pouco tempo a base toda estava praticamente vazia. Ela ligou para Anne e conversou por algum tempo desejando poder contar o que realmente estava acontecendo, porém, achou melhor contar depois que as coisas tivessem se resolvido. Ela andou pela base inteira até passar pela sala principal e ver que Ryan estava lá olhando alguns papéis e como ela não aguentava ficar sozinha, resolveu ficar por ali.
– Oi – disse ela entrando na sala.
– O que você está fazendo aqui? – perguntou Ryan irritado, ainda olhando para os papéis.
– Você tem que me proteger e achei que seria mais fácil de fazer isso se eu estivesse perto de você.
– Nem me lembre disso – Ryan resmungou jogando os papéis sobre a mesa e olhando para a enorme janela na sala.
– Acho que você não gostou muito de ter que ficar. — disse Kate (como se já não fosse óbvio) ficando do lado dele.
– É claro que eu não gostei. – ele foi sincero — Eu estou preso aqui, enquanto a Fox lidera a minha equipe, para recuperar um Pen drive que contém o projeto da arma que poderia por em perigo a todos nós. Eles vão, praticamente, salvar o mundo.
–Nossa então quer dizer que prefere salvar o mundo, que me salvar?
– Você esta brincando, né?
– Alguém tem que ter senso de humor aqui – disse Kate sorrindo.
Ryan voltou a ler os papéis. Não demorou muito, se levantou e pegou uma chave que estava sobre a mesa.
–Ei, vamos! – disse Ryan saindo da sala.
– Ué, mas para onde? – perguntou Kate surpresa, o seguindo.
– Eu não vou conseguir ficar aqui, enquanto essa missão acontece. – Ryan desceu até a garagem e abriu a porta de uma Ferrari vermelha.
– Mas nós temos que ficar aqui.
– Não, a ordem foi que eu te protegesse, se você vir comigo você estará protegida. Agora vamos.
– Ai ,tá bom – Kate entrou no carro, ainda desconfiada de que essa era uma péssima ideia. Ryan entrou e começou a dirigir em direção ao Museu.
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Os agentes da Fênix haviam chegado há algum tempo e procuravam pelo Pen drive no Museu, porém não haviam encontrado absolutamente nada e suspeitavam de que aquela havia sido uma informação falsa criada pela máfia. Ryan estacionou próximo ao museu sem que nenhum dos agentes que estavam do lado de fora o vissem.
– Tem certeza de que não estamos correndo perigo? – perguntou Kate olhando para os lados, com medo que estivessem sendo seguidos.
– Mas é claro – respondeu Ryan sem desviar o olhar do museu.
– Ah, claro. Eu me sinto muito protegida com alguém que tem um ataque só porque não vai participar de uma missão – disse Kate olhando para a janela.
– Ataque? – perguntou Ryan, não acreditando no que havia acabado de ouvir.
– É. Ataque, sabe, antes eu pensava que você era um assassino frio e cruel, mas agora eu vejo que você é só um menininho mimado, que faz birra se não tem o que quer.
– Eu não acredito que você está dizendo isso, sabendo que eu sou um assassino profissional que poderia te matar e ninguém jamais saberia que foi eu – disse Ryan sério e com um tom ameaçador na voz. Foi inevitável o arrepio que varreu sua espinha.
– Essa é uma das consequências de quando se diz a verdade.
– Mas você não poderia estar mais errada.
Um dos agentes que estava de guarda do lado de fora do museu ouviu um barulho vindo da porta e foi até ela ver o que era. Ao se aproximar, viu que era uma pequena bomba que em um segundo explodiria.
– Cuidado! – gritou ele quase no mesmo instante que a bomba explodiu.
Assim que ouviram a explosão, Ryan e Kate olharam para a direção do museu, mas foram surpreendidos com uma bala que quebrou o vidro de trás e acertou de raspão ombro de Ryan. Assim que ele sentiu o tiro, ligou o carro e começou a dirigir vendo que estavam sendo atacados e que aquela havia sido uma armadilha.
Ele dirigia o mais veloz possível e quando olhou pelo retrovisor, viu que estavam sendo seguidos.
– Ai meu Deus, você está sangrando – disse Kate ainda em choque com o tiro e a explosão. Era coisa demais para se assimilar.
– Não se preocupe comigo, eu estou bem. Droga! Eles estão muito perto – disse Ryan vendo que eles se aproximavam cada vez mais. Ele começou a dirigir ainda mais rápido, porém novamente dispararam outro tiro ao carro deles, estourando o vidro de trás.
– O que nós vamos fazer? – perguntou Kate em choque.
– Assuma o volante. – disse Ryan, passando para o banco de trás do carro rapidamente, enquanto Kate assumia o volante. Ela tremia.
– O que você vai fazer? – perguntou ela.
– Eu vou dar um jeito neles. – Ryan empurrou o vidro já estraçalhado e pegou uma pistola que estava debaixo do banco, começando a atirar contra os inimigos e desviando de seus disparos como um gato. Kate estava dirigindo em alta velocidade, mas via que eles se aproximavam cada vez mais do carro, até que um dos tiros dos inimigos acertou o pneu traseiro. Ryan praguejou, miou novamente e acertou um deles, o matando.
– Eles atiraram no pneu – Kate disse em desespero tentando manter o carro em controle.
– Droga! Não temos saída – disse Ryan recarregando a arma.
– Na verdade, tem uma – disse Kate, dirigindo em direção a uma ponte levadiça, que começava a subir. O carro parecia mais uma carroça e ela ainda não entendia como não tinha capotado na velocidade que estavam quando o tiro acertou.
–Ah, você não vai fazer isso.
– Tem ideia melhor?
– Boa Sorte.
– É, nós vamos precisar de muita sorte – disse Kate pisando no acelerador no seu ato mais corajoso e fechando os olhos, apenas sentindo quando o carro pegou impulso suficiente para pular até o outro lado da plataforma e se chocando contra o chão, deixando-os com alguns arranhões. Foi insano. Kate abriu os olhos e não acreditava ao ver que havia conseguido. Ainda em êxtase, acelerou. – Ai meu Deus, eu consegui! – gritou Kate sorrindo.
– Você conseguiu. – disse Ryan ainda sem acreditar.
– Isso foi demais! Eu sou incrível! – disse Kate parando e saindo do carro.
– É por incrível que pareça, você é sim – disse Ryan saindo do carro também, com a mão onde levou o tiro.
– E como você está? – perguntou Kate.
– Eu vou sobreviver. – Quando a ponte abaixou, vários carros pretos vieram na direção de Ryan e Kate. Deles saíram Fox e James e os outros agentes, muitos deles estavam com alguns arranhões, inclusive Edgar. Fox foi até eles.
– O que aconteceu? – perguntou Fox, abraçando Ryan.
–Nada de mais e você como está? – perguntou Ryan colocando a mão sobre um arranhão que havia no rosto de Fox. O que fez Kate começar a suspeitar que houvesse alguma coisa entre eles. Porém, ainda não entendia o tratamento de rivalidade de mais cedo.
– Estou bem, só foram alguns arranhões – Fox sorriu.
– Eu fiquei preocupado.
–Eu também. Você vai levar uma bronca.
– É, eu sei disso. – disse Ryan vendo Edgar vindo em sua direção.
– Como está, Senhorita Collins? – perguntou Edgar.
– Bem – respondeu Kate dando um leve sorriso.
– Temos que conversar – disse Edgar para Ryan.
– Sim, senhor. – respondeu Ryan.
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Após fazer o curativo em seu ferimento, Ryan foi até a sala de Edgar, que estava observando a paisagem pela enorme janela em sua sala.
– Senhor. – disse Ryan chamando a atenção do homem mais velho.
– Ryan, o que aconteceu hoje?
– Acho que agi por impulso.
– Acha? – desacreditou – Não, eu tenho certeza que o que você chama de impulso, eu chamo de estupidez.
– Com todo respeito, senhor, acho que estupidez foi me deixar de fora dessa missão.
– Impressionante como o garoto que antes me admirava e me respeitava, agora me chama de estúpido. – disse Edgar olhando para Ryan com algo parecido com decepção.
– Eu ainda o respeito, se não fosse pelo senhor, eu não sei onde estaria agora. Mas eu não entendo por que me deixar de fora dessa missão.
– Você é o melhor, eu sabia que com você Kate estaria segura. Eu não conhecia esse seu lado impulsivo.
– Eu não esperava por aquele ataque.
– Mas devia. Era óbvio que eles estavam atrás dela e mesmo sabendo disso, a expôs. Kate poderia ter morrido por sua culpa.
– Agora eu sei disso – disse Ryan olhando para baixo, se dando conta da loucura que havia cometido.
– Sendo assim, não tem outro jeito. Você não participará de nenhuma missão por um mês. Fox assumirá permanentemente sua equipe – disse Edgar.
– O quê? Você não pode fazer isso! – Ryan protestou em choque.
– Sim, eu posso e já está feito. Pode se retirar.
–Sim, senhor – disse Ryan saindo da sala e entrando no elevador. Ele passou a mão pelo cabelo, apertando os punhos de ódio.
Deu um soco na porta do elevador, tentando conter sua raiva. Quando a porta abriu, ele foi até seu quarto, pegou uma mala e foi até o quarto de Kate que já estava dormindo.
– Acorda! – disse ele acendendo a luz e pegando uma mala no quarto de Kate.
– O quê? Você é muito mal educado, sabia? – disse Kate se levantando.
– Vamos encontrar logo aquele Pen drive.
– Você sabe onde ele está?
– Não, mas vamos descobrir.
– Espera, a gente vai fugir? – Kate estava confusa.
– Não fugir, só... sair escondido.
– Ah! Que diferença, hein! Mas como eu quero encontrar logo esse Pen drive, eu topo. Quanto antes, melhor.
– Então vamos – Ryan saiu na frente vendo que poucos agentes estavam no corredor. Ele chamou Kate que passou a segui-lo.
Eles foram até a garagem e entraram em um carro preto. Ryan apertou um botão no carro que abriu a porta da garagem e o portão principal.
– Você acha que eles vão vir atrás de nós? – perguntou Kate meio apreensiva. Ryan olhou para ela e então colocou o carro em movimento, em direção à saída da base da Fênix.
– Ah, eles vão. – respondeu finalmente – Mas não vão nos parar.
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