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Notas iniciais
Havia se passado horas desde que Kate e Ryan tinham saído da base da Fênix. Ele sabia que Edgar já devia ter colocado todos os agentes atrás deles, mas Ryan estava decidido a encontrar aquele Pen drive custasse o que custasse. Durante a maior parte da viagem Kate permaneceu adormecida, ao acordar levou o olhar para Ryan que ainda dirigia atentamente. Ela se perguntava se em algum momento ele teria dormido, afinal ela não sentiu o carro parar nem por um minuto.
– Você não dormiu? – perguntou Kate.
– Não.
– Como conseguiu ficar a noite toda acordado e ainda conseguir dirigir? – perguntou ela indignada, era impossível ele não se cansar.
– Eu sou um agente. Fui treinado, posso fazer qualquer coisa que você julga impossível. – respondeu ele com seu típico tom arrogante.
– Você é humano mesmo?
– É claro. – respondeu Ryan irritado.
– Bom, eu ainda tenho minhas dúvidas. – suspirou Kate se virando para a janela – Para onde estamos indo?
– Primeiro precisamos sair do alcance da Fênix.
– Sério... O que aconteceu pra você querer de repente encontrar o Pen drive por conta própria? – Kate se virou para Ryan o olhando curiosa.
– Eu... – Ryan fechou os olhos e respirou fundo, como se quisesse se acalmar – Eu preferi agir por conta própria.
– E você não levou nenhuma bronca pelo que fez ontem?
– É claro que não – respondeu desejando que Kate parasse com as perguntas.
– Por que você entrou para a Fênix ? – Kate perguntou novamente olhando a paisagem pela janela. Mesmo não estando tão curiosa para saber, estava completamente entediada e queria irritar Ryan.
– Você pode me fazer um favor? – Ryan perguntou em tom sério.
– É claro – Kate disse, surpresa.
– Abre essa porta e se joga. – toda a paciência de Ryan já havia se esgotado, ele não suportava mais aquela garota.
– Nossa, mas que grosseria. – Kate estava horrorizada.
– Sinceramente, eu já fui torturado algumas vezes, mas ficar aqui com você é a pior tortura de todas. – disse ele parando o carro e descendo.
– Mas você é um idiota mesmo! – gritou Kate e ao vê-lo descer do carro, foi atrás dele – Para onde você vai?
– Só me deixa em paz. – disse Ryan andando pela estrada.
– Te deixar em paz? Foi você que me acordou ontem de noite e me trouxe pra cá. E foi você quem quase me matou ontem! – Kate o perseguia, toda aquela situação era terrível para ela e por mais perigoso que Ryan fosse ela não estava disposta a obedecê-lo em absolutamente nada.
– Cala a boca! – Ryan gritou colocando as mãos na cabeça, como se sentisse uma forte dor.
– Não. Cala boca você! E quer saber de uma coisa? Que se dane o Pen drive, eu vou voltar para faculdade, porque eu não te aguento mais! – Kate rebateu decidida. Ela olhou para Ryan e viu que ele parecia extremamente perturbado. Kate se aproximou e tocou de leve em seu ombro. Ao sentir o toque de Kate, Ryan se virou para ela e a segurou pelo braço.
– Não toque em mim. – rosnou ele, olhando nos olhos de Kate.
– Você está me machucando – Kate murmurou amedrontada ao ver o olhar de Ryan, como quem estava pronto para matá-la, e sentindo-o apertar seu braço.
– Eu te avisei para me deixar em paz – disse ele ainda a segurando, parecendo apertar ainda mais.
– É, eu deveria ter obedecido, agora me solta – murmurou Kate, com a voz baixa.
–É. Deveria. – afirmou ele, com um tom de voz sinistro a assustando ainda mais.
– Eu juro que eu não faço de novo. Mas, por favor, me solta. – ela sentiu seu sangue gelar ao ver os olhos dele. Kate nunca havia sentido tanto medo, quanto sentia naquele momento.
– Não. – negou Ryan.
– Ryan, por favor. – Kate pediu baixinho.
Ele olhou nos olhos dela e viu que ela estava quase chorando, porém a sua voz ainda era calma e tranquila. Isso fez com que ele se acalmasse, soltando o braço dela. Ryan se afastou, indo para um campo próximo da estrada. Kate o viu se afastar enquanto tentava se acalmar. Após o pânico que acabara de sentir, decidiu voltar para o carro.
Alguns minutos depois, Kate já estava mais calma e tentava entender o que havia acontecido para que Ryan ficasse daquele jeito. Ela já havia conhecido pessoas sem paciência, mas não a ponto de ficar como ele. Era óbvio que Ryan era estranho e com certeza seu passado não era dos melhores, entretanto, ela sabia que o melhor a se fazer era não irritá-lo. Enquanto ela pensava sobre isso, não pôde deixar de notar um barulho estranho. Abriu a porta e saiu do carro, vendo que um helicóptero da Fênix se aproximava. Praguejando, ela foi correndo até Ryan .
– Eles nos encontraram! – disse ela, apontando na direção do helicóptero.
– É melhor sairmos daqui. – ele a segurou pela mão e deu alguns passos se afastando do campo de visão dos agentes que se aproximavam.
– Mas e o carro?
–Não tem como voltarmos, com certeza várias viaturas devem estar atrás daquele helicóptero. Vamos embora – disse Ryan, passando pelo campo e indo em direção a um pequeno bar.
Eles entraram no local e procuraram se esconder quando perceberam que várias viaturas haviam vindo junto com o helicóptero e diversos agentes andavam pela área a procura deles. Alguns estavam indo até o bar. Kate foi até o balcão, quando viu uma garçonete.
– Oi, será que você poderia nos dar uma ajudinha? – indagou Kate, dando um sorriso.
– Que ajudinha? – perguntou a garçonete desconfiada.
– Bem... É que o meu namorado aqui – disse Kate indo para perto de Ryan – gosta de bancar o valentão e acabou mexendo com quem não devia e agora eles estão atrás da gente.
– Por aqui – a garçonete abriu uma porta que dava para uma pequena salinha.
Eles entraram e a garçonete trancou a porta e voltou para o balcão quando os agentes da Fênix entraram. Entre eles estava Fox, que foi até a garçonete, enquanto os outros agentes começaram a procurar pelos dois.
– Por acaso você viu um rapaz alto, com cara de poucos amigos e uma garota loira com jeito de idiota? – perguntou séria enquanto Ryan e Kate sentiam raiva ao ouvir o que ela havia dito sobre eles. Porém, mesmo assim tomaram cuidado para não fazerem nenhum barulho.
– Ah, não moça. Eu não vi nenhum dos dois – disse a garçonete.
– O que tem aqui? – Fox perguntou olhando para a porta trancada perto do balcão.
– Nada, só algumas caixas e garrafas vazias. – respondeu a moça com descaso.
– Se importa se eu olhar? – questionou indo até a porta.
– Fique a vontade.
– Está trancada – Fox disse após tentar abrir a porta e não conseguir.
– Ah, é mesmo. A chave ficou com a garçonete do outro turno. Que pena.
– Não, tudo bem. Isso não é problema – a agente disse se preparando para arrombar a porta.
– Ei, espera você não pode fazer isso! Nem mandato você tem. – a garçonete disse ficando entre a agente Fox e a porta.
– Ela tem razão – disse outro agente se aproximando de Fox– Vamos, eles não estão aqui.
– Ok. Mas se você estiver escondendo aqueles dois, tenha certeza de que você vai pagar caro por isso. – ela fez um sinal e todos os outros agentes saíram atrás dela. A garçonete esperou até que eles entrassem no carro e começassem a dirigir para que ela abrisse a pequena sala em que Ryan e Kate estavam escondidos.
– Ah, muito obrigada mesmo – Kate disse meio aliviada.
– Não por isso, agora quem são vocês? Por que nem pensem que eu acreditei naquela mentira. – a mulher cruzou os braços e os encarou.
– Ah... Bem, nós... – Kate tentava inventar outra mentira.
– Eu sou Ryan Walker, agente da Agência de Extermínio Fênix, essa é Kate Collins e eu sou encarregado de protegê-la. Porém, no momento, estamos por conta própria. – revelou Ryan repentinamente, Kate o olhou confusa. Ela não podia contar para Anne, que era a sua melhor amiga mas uma desconhecida podia saber da verdade.
– Uau! Por essa eu não esperava. Eu sou Bruna Smith. E para onde vocês vão agora? Porque eles acabaram de levar o carro de vocês.
– Ah, desgraçados... – disse Ryan indo até a janela, vendo o carro ser levado.
– E agora? – perguntou Kate se aproximando dele, ainda receosa.
– Ah, não! – Ryan resmungou.
– O que foi?
– Todas as armas estavam no carro. – disse vendo a expressão de desentendimento no rosto da garota – E eles levaram o carro.
– Estamos perdidos. – lamentou ela.
– Eu já sei – disse Ryan olhando para a janela – Eu preciso que você fique aqui, não saia de jeito nenhum , ok?
– Ok, mas o que você vai fazer?
– Vou resolver nossos problemas. Agora desmaia. – ordenou Ryan disfarçadamente.
– O quê? – ela estava completamente confusa.
– Desmaia – repetiu Ryan baixo e Kate fingiu um desmaio.
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Todos no bar a cercaram tentando ajudá-la, enquanto isso Ryan pegou a chave que estava sobre uma das mesas, saiu do bar e pegou uma das motos que estavam estacionadas na frente do bar. Ryan dirigiu por vários quilômetros até encontrar um telefone público. Resolveu ligar para James.
– Alô.
– James! Sou eu, Ryan. – suspirou Ryan.
– Ryan, o que esta acontecendo? Você enlouqueceu? – James o encheu de perguntas do outro lado da linha com uma voz furiosa.
– Não, eu só decidi agir por conta própria.
– Agir por conta própria? Por que isso agora? Você sempre seguiu a Fênix. – disse James do outro da linha extremamente indignado.
– É eu sei, mas eu não suportei ser deixado de fora da missão e depois ser repreendido sem motivo.
– É claro que teve um motivo, você saiu da base sem permissão e quase morreu. – disse James o contrariando.
– Seja como for, eu a protegi.
– Olha Ryan, eu sei que você detestou ter que bancar a babá, mas é sério, isso tem que acabar. Se não, nós vamos ter que te caçar e eu não quero fazer isso. – a todo custo James tentava convencer o amigo a mudar seu proceder.
– Não se preocupe isso. Não vai acontecer. – afirmou ele.
– Mas e se acontecer? E se a máfia pegar a Kate? Se eles conseguirem o Pen drive? Você vai conseguir viver sabendo que tudo isso aconteceu por sua culpa?
– Se isso chegar a acontecer é porque eu já vou estar morto. Enquanto eu viver, ela estará segura.
– E quem vai protegê-la de você? – perguntou James.
– Eu tenho que desligar. Tchau. – Ryan não estava disposto a falar sobre isso, pensar no perigo que ele representava não era algo que o agradava.
– Ryan, espera... – disse James antes de Ryan desligar o telefone e entrar em uma loja de armas.
Como Kate havia prometido, continuou no bar esperando até que Ryan voltasse. Mais cedo, ela havia ajudado Bruna a atender alguns clientes, mas o bar já estava quase vazio.
– Ainda esperando pelo namorado? – perguntou Bruna.
– Ele não é meu namorado. – respondeu Kate.
– Jura? Por quê?
– Como assim? – indagou Kate sem entender o porquê da surpresa de Bruna com sua resposta.
– Ah! Ele é um gato. – suspirou a garota.
– Ele não é. – retrucou Kate.
– É sim. – afirmou Bruna.
– Tá ele pode até ser, mas é um chato.
– Ai, quem me dera um chato como ele na minha vida. – disse Bruna, e ela e Kate começaram a rir.
– Garçonete, acho que vou querer uma garrafa de Vodca. – disse Kate rindo.
– Uau! Uma garrafa? – perguntou Bruna, surpresa. –
Sim! A minha vida está uma droga e eu preciso beber muito para esquecer ela.
– Aqui!- disse Bruna colocando a garrafa em cima do balcão.
–Então, por que a sua vida está uma droga?
– Deixe-me ver, por onde eu começo? – Kate colocou um pouco de Vodca no copo e começou a beber. – Bom, primeiro o meu pai morreu e eu fui muito mal na prova da faculdade, meu namorado me traia com todo mundo...
– Nossa, mas não está tão ruim.
– Agora vem a melhor parte: um cara tentou me matar, eu fui sequestrada e descobri que meu pai era um fabricante de armas que inventou uma arma super perigosa e acham que ela esta comigo por isso ficam me perseguindo, então eu tive que ficar numa agência secreta e o meu “guarda –costas" é aquele maluco que quase me matou duas vezes.
– Ok, agora sim a sua vida é uma droga.
– Viu, eu disse – disse Kate, elas brindaram e voltaram a beber.
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Ryan dirigia em direção ao bar, quando no meio da estrada viu Kate. Ele parou a o carro e foi até ela.
– Eu disse para você ficar no bar – ele disse sério.
– Mas eu estou no bar – disse Kate um tanto embolado.
– Eu não acredito, além de drogada você é bêbada também.
– Ei eu não sou drogada, foi só daquela vez.
– Tá bom, agora vem – disse Ryan segurando o braço de Kate.
– Não, não, não – gritou Kate.
– O que foi? – então ele viu que estava se segurando o braço dela e se lembrou do que havia feito mais cedo. – Ei não precisa ter medo.
– Você quer me matar, não é?
– Não, eu não quero. Eu vou te proteger.
– E quem vai me proteger de você? – Kate perguntou assustada.
Ryan não sabia o que dizer. Ficou apenas olhando para ela por longos segundos, até ver um carro vindo em direção a eles. Ryan soube que quem dirigia era um dos homens que os havia seguido no dia anterior.
– Ei, vamos – disse ele, colocando-a dentro de um carro.
– Espera, você não estava com uma moto? – perguntou ela.
– Eu decidi trocar no meio do caminho – disse ele entrando no carro e começando a dirigir em alta velocidade.
– Você não deveria ficar roubando o carro das pessoas.
– Tá! Depois eu devolvo.
– Ryan, eles estão vindo atrás da gente. – disse Kate olhando para trás e vendo que eles se aproximavam.
– É, eu percebi.
– Acho que hoje eu não vou poder dirigir. – resmungou ela emburrada.
– Tudo bem, eu dou um jeito – Ryan dirigia o mais rápido possível, mas o carro estava quase sem gasolina.
Ele pensava em uma maneira de conseguir escapar quando viu uma floresta mais a frente e teve uma ideia. Dirigiu o mais próximo possível dela, até que parou o carro e colocou um pequeno dispositivo no volante, apertando um pequeno botão, acionando uma contagem regressiva. Ele e Kate saíram do carro e entraram na floresta. Os homens estacionaram atrás do carro deles e viram que estava vazio. Resolveram, então, entrar na floresta para procurá-los.
Quando os homens passaram do lado do carro, o pequeno dispositivo começou a apitar e só então eles perceberam que era uma bomba, entretanto, não havia tempo para fugir e ela explodiu. Ryan e Kate ouviram a explosão, mas estavam a uma distância segura para que não fossem atingidos.
– Eles morreram? – perguntou Kate.
– Provavelmente – disse ele olhando para a direção da explosão.
– Ah! – disse Kate indo em direção a uma pequena caverna.
– Aonde você vai? – perguntou ele a seguindo.
– Eu vou dormir. – ela respondeu entrando na caverna e se sentando no chão. –
Dormir? Mas existe uma pequena possibilidade deles estarem vivos. – Ryan não entendia a atitude da garota.
– Até parece! Depois daquela explosão... E além do mais, para onde a gente vai? É impossível enxergar numa escuridão como essa. – murmurou ela.
– É, você tem razão – concordou ele, olhando para a floresta. Ryan se sentou do lado de Kate – Então é melhor esperarmos até o amanhecer.
– Concordo. Boa noite! – disse ela fechando os olhos e deitando a cabeça sobre o ombro de Ryan.
Ele olhou para ela e estranhou seu gesto, mas mesmo assim, preferiu não dizer nada. Ele apenas a observou e tentava entender como alguém que o irritava tanto conseguia o acalmar de tal maneira, ele só sabia que, de alguma maneira, Kate era diferente.
– Boa noite, Kate – Ryan disse enquanto também fechava os olhos.
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