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1 A Universitária
Notas iniciais

O sol da manhã entrava pela janela e atingia o rosto de Kate, que incomodada coloca o travesseiro no rosto, desejando poder dormir o dia inteiro. Tentando pegar no sono, escuta a porta se abrir e alguns passos, ela implorava para que não fosse Anne, sua colega de quarto e melhor amiga extremamente perturbada que não a deixaria dormir de jeito nenhum, porém quando sentiu o travesseiro sendo arrancado de seu rosto viu que era realmente Anne que havia chegado.
— Já é 09h00min, Kate!
— E daí? — ela não fazia a menor ideia de qual era a importância da hora, só queria que Anne fosse embora para que ela pudesse voltar a dormir, mas viu que isso não ia acontecer quando ela cruzou os braços e fez cara de quem está a ponto de ter um ataque
— Como assim e daí?! Você tem uma prova daqui a meia hora, e nem levantou da cama, sem falar que eu não te vi estudar nenhuma vez, nem sequer abrir um livro. Que tipo de futuro você espera ter com um comportamento assim, Katherine Elizabeth Collins?
Kate olhava para Anne de boca aberta, pensando em como era possível alguém com a mesma idade dela agir como se fosse sua mãe, e dar um sermão daqueles, mas por outro lado, Anne tinha razão, ela tinha uma prova daqui a meia hora e não estudou nenhum pouquinho, ela fez uma careta ao pensar em sua nota. Ela se levantou e foi para o banheiro, enquanto Anne continuava no quarto.
— Nossa, a madame decidiu levantar — zombava Anne, dando um sorriso, ao se olhar no espelho.
— Não enche, Anne! — gritou Kate do banheiro, que logo saiu do mesmo de toalha e foi até o guarda roupas procurando algo para vestir.
— Nossa, passou um furacão por aí? — Anne olhava para o armário tentando entender como podia ter tanta bagunça num lugar tão pequeno.
— Ai, engraçadinha. Não eu só ando um pouco desorganizada — Kate encontrou algumas roupas em toda aquela bagunça e colocou uma regata preta, calça jeans, seu all star e uma camisa xadrez por cima da regata e foi até o espelho arrumando o cabelo.
— Ah, sei, e o Kevin?
— O que tem o Kevin? — perguntou Kate desinteressada.
— Vocês conversaram?
— Conversamos sobre o quê?
— Ah, é sério isso? Kate, você vê o seu namorado beijando outra garota e não faz nada? — Anne estava completamente indignada com o fato de Kate não fazer nada ao ser traída
— Nós falamos sobre isso.
— E o que ele disse?
— Disse que foi um acidente.
— Um acidente? Tipo a boca dele acidentalmente bateu na dela? — disse Anne inconformada.
— É claro que não, ele disse que foi um deslize, acontece com qualquer um.
— É, mas o Kevin já deslizou três vezes.
— Já chega! — Kate pegou sua bolsa e saiu do quarto na esperança de que Anne a deixasse em paz, porém ela a seguiu.
— Tá! Você que sabe, mas quando o seu chifre for tão grande que você não vai nem poder sair do quarto não pense que eu vou ficar lá te fazendo companhia.
— Ah, obrigado muito gentil da sua parte — respondeu ela num tom irônico.
— Eu não te entendo, por que você só quer enxergar o lado bom das pessoas? — Anne parou na frente de Kate.
— Eu não quero enxergar só o lado bom das pessoas — Kate desviou o olhar.
— É claro que quer.
— Tanto faz, eu tenho uma prova pra fazer agora — Anne viu Kate caminhando pelo longo corredor, até desaparecer entre a multidão de alunos.
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Kate andava pela faculdade pensando sobre o que Anne havia dito, ela sabia que acreditava demais nas pessoas, que elas eram boas e poderiam melhorar por pior que fossem, para os outros parecia estupidez algo impossível, entretanto para ela era tão real. Kate foi interrompida de seu devaneio quando Kevin apareceu na sua frente.
— Olá, amorzinho — Kevin se inclinou e deu um beijo nos lábios de Kate que correspondeu.
— Olá — Kate deu um leve sorriso
— O que foi loirinha? Parece preocupada — observou ele.
— Bom, é que tenho uma prova agora e não sei absolutamente nada.
— Você não estudou? Que milagre!
— É, desde que certas coisas aconteceram eu ando meio desnorteada — Kate não entendia o que estava acontecendo com ela desde a morte de seu pai ela não conseguia mais se concentrar em nada e isso era angustiante.
— Eu entendo, e acho que tenho a solução para o seu problema — ele colocou a mão no bolso e tirou algumas pílulas, Kate logo viu que eram ecstasy.
— É sério isso? Ecstasy? — Kate estava indignada, mas procurava falar o mais baixo possível para que ninguém ouvisse.
— É o que você precisa agora, querida. Eu sei que você não curte, mas é sério você vai se sentir muito melhor. Opa, seu professor chegou, boa prova! — Kevin deu um beijo em Kate e colocou algumas pílulas na mão dela.
Kate escondeu as pílulas quando viu o professor e entrou na sala, sentou no seu lugar e o nervosismo a dominou quando ela começou a pensar em como faria aquela prova sem saber nada. O professor colocou a prova sobre sua mesa e ela começou a ler, todavia, era inútil já que ela não sabia nada, por sorte a prova era de alternativa e ela decidiu chutar tudo e foi uma das primeiras a terminar, sendo liberada mais cedo. Encontrou Anne que estava sentada na grama do campus lendo um livro
— Oi — Kate sentou na grama ao lado de Anne, sorrindo.
— Oi, como foi na prova?
— Terrivelmente mal, mas tudo bem, pelo menos é uma preocupação a menos.
— Uau! Você é a única pessoa do mundo que fica feliz em tirar zero.
— É eu sou estranha. Que livro é esse?
— Tristão e Isolda.
— Nossa, que nominhos mais lindos.
— Ai, para! É uma história muito linda de amor — Anne fez cara de apaixonada, ela e Kate começaram a rir.
— Amor? Eca. Prefiro chocolate — Kate deitou na grama, pegou seu Iphone e viu uma mensagem de Kevin a chamando para uma festa às 21h no campus — Anne, festa no campus, hoje às 21h.
— To dentro!
— Ok — Kate mandou uma mensagem para Kevin, dizendo que ela e Anne iriam à festa, em seguida colocou os fones, fechou os olhos e começou a ouvir Summertime Sadness da Lana Del Rey.
Já eram quase nove horas e Anne e Kate ainda estavam no quarto se arrumando, Kate havia colocado uma blusa branca, jaqueta de couro, short preto e sneaker, já Anne colocou um vestido azul e insistia em ir de salto.
— Eu já disse que é melhor você não ir de salto, porque no campus tem um jardim enorme, eu só quero ver você passar por ele com um salto dessa altura, e você sempre inventa de dançar — Kate havia terminado de se arrumar, enquanto ajudava Anne em sua crise.
— Isso não tem nada ver, estou decidida, eu vou de salto e pronto — Anne colocou sua sandália de salto alto, enquanto Kate abria a porta.
— Tá bom, mas se você ficar descalça de novo eu finjo que não te conheço — Kate saiu e Anne foi logo atrás.
— Nossa, mas que tipo de amiga você é? — as duas riram e foram conversando até a parte do campus onde estava acontecendo à festa, e como era de se esperar, Anne ficou reclamando por não conseguir andar na grama.
Chegando à festa elas já pegaram suas bebidas e foram para a pista de dança que tocava Timber da Kesha, elas dançaram por mais de uma hora e a esta altura do campeonato Anne já tinha tirado o salto a muito tempo. Kate resolveu descansar um pouco e conversar com alguns amigos, até que viu Kevin com uma garota no jardim, ela foi até eles.
— Posso atrapalhar? — ao verem Kate, Kevin se afastou da garota, que saiu e foi para festa.
— Ei, Kate, foi um acidente.
— Acidente? Até quando vai usar essa desculpa? — ela não acreditava que aquilo estava acontecendo de novo, essa já era a quarta vez, ela já estava farta disso, tentava ao máximo segurar suas lágrimas, afinal, por mais cafajeste que Kevin fosse, ela gostava dele.
— Olha, meu amor, eu sei que eu já errei algumas vezes, porém elas não significam nada é você que eu amo — Kevin se aproximou dela acariciando seu rosto, era o que ele fazia todas as vezes que isso acontecia.
— Sai de perto de mim, eu já cansei dessa palhaçada toda — gritou Kate morrendo de raiva.
— Kate, espera — Kate sentiu Kevin puxá-la pelo braço e ela não pensou duas vezes e deu tapa no rosto dele, que a soltou.
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Ela foi correndo de volta para festa e estava completamente arrasada, ela colocou a mão no bolso para pegar a chave do quarto quando sentiu algo, então ela se lembrou da pílula de ecstasy. Pediu uma bebida para o garçom e tomou a pílula, Kate voltou para a pista e começou a dançar. Não demorou muito e a pílula fez efeito, ela dançou com quase todos os rapazes na festa, ficou com um deles, o que Anne estranhou muito já que até onde ela sabia Kate tinha namorado, em seguida Kate subiu na mesa e quase fez um strip-tease, mas foi impedida por Anne que decidiu levá-la de volta ao quarto.
Anne e Kate chegaram a frente à universidade e quando estavam para entrar, Anne lembrou que havia deixado o celular no balcão de bebidas, ela teria que voltar, contudo não queria deixar Kate sozinha.
— Ei, Kate, nós temos que voltar.
— Ah não! A gente acabou de vir de lá — Kate se sentou nas escadas.
— Ai, tá bom, então eu vou lá e você fica aqui, pelo amor de Deus não saia daqui, Kate.
— Sim, mamãe — Anne sorriu e voltou para a festa preocupada em deixar Kate sozinha naquele estado, ela tentava entender como Kate havia ficado daquele jeito sendo que nem tinha bebido tanto.
Kate estava sentada na escada até que viu o que parecia ser um vulto, ela se levantou e desceu as escadas indo até o jardim da parte da frente da faculdade que estava deserto. Novamente ela viu um vulto atrás dela e quando se virou um homem enorme com uma faca estava na sua frente, ao vê-lo ela gritou e começou a correr, mas estava muito tonta e muita vez tropeçava enquanto ele a seguia, até que ela caiu e ele se abaixou e ficou sobre ela.
Ao o ver segurando a faca, pronto para acertá-la ela olhou para o lado e viu algumas pedras, ela pegou uma delas e acertou na cabeça do homem com toda sua força enquanto se levantava, ele segurou sua perna ainda desnorteado pela pancada ela chutou seu rosto e se levantou correndo em direção à rua além dos limites do campos e viu um carro, ela olhou para trás e viu que o homem se levantara e estava indo atrás dela, ela entrou na frente do carro e começou a pedir por ajuda. O carro acelerou e ela estava certa de que seria atingida.
Mas, de repente o automóvel invadiu o campus e atropelou o homem que a perseguia, sem entender Kate ficou olhando para o homem que saia do carro preto, ele vestia um terno escuro e tinha cabelos castanhos claros e parecia assustador. Ela o olhava se aproximar do homem que estava caído, provavelmente ferido com a batida, ele se abaixou e pegou a faca que o homem segurava e a cravou no peito dele que deu um grito de dor que foi seguido por um grito de Kate ao ver o homem ser morto tão friamente.
Ele se levantou e foi na direção de Kate, que ao vê-lo se aproximar começou a dar passos para trás com medo de ter o mesmo destino que seu perseguidor, de repente sentiu suas pernas estremecerem, sua visão ficar turva e quando ele se aproximou mais dela, ela acabou desmaiando em seus braços, ele a carregou e a colocou no carro e começou a dirigir.
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