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1 Confissão de um adolescente


O despertador toca bravamente. Estou perdido num sonho. Mas não é qualquer sonho. Já vinha tendo esses sonhos já há alguns dias. Deve ser por causa de um filme que vi essa semana, eu acho. Quando abro os olhos, vejo que estou no meu quarto, mas não na minha cama, e sim no chão. São seis e meia da manhã. Novo dia, nova casa, nova escola, nova vida.

Meu nome é Flint Carrow, 16 anos, estudante do 2° ano do ensino médio. Moro com meus pais e irmã mais nova numa casa recentemente comprada em Manchester, Reino Unido, porém nunca esqueci minha vida na Austrália. Morei em Adelaide desde que nasci, e mudei pra Inglaterra há mais ou menos um mês, praticamente forçado. Eu gostava de lá. Muito. Mas, fazer o que?

Minha mãe, Elizabeth, meu pai, Andrew, e minha irmã, Candice, estão extremamente animados com a mudança repentina. Meu velho conseguiu um emprego como gerente de uma empresa na área de informática em Londres, proposta do próprio presidente do local, um velho amigo dos tempos de faculdade, que era irrecusável, pois o salário comparado com o antigo emprego, realmente vale muito a pena (ele ganhava aproximadamente US$ 500, nesse emprego é de US$ 4.000. Impressionante, não?).

Minha mãe agora é enfermeira diarista de uma clínica de hemodiálise próxima a loja que papai toma conta, e ela se sente realizada. Fico feliz pelos dois. Eles são muito legais e amam os filhos mais que suas próprias vidas. São do tipo super protetores, o que eu acho chato às vezes, só que eu sou adolescente, né? Não posso discutir.

Bom, isso não vem ao caso, mas o que aconteceu partir desse dia em questão vai deixar o caro leitor ao mesmo tempo chocado, assustado, emocionado, enfim. Essa história envolve todos os sentimentos em um só, com uma pitada de aventura, romance, drama, suspense, ação...

O que posso dizer? Você não pode acreditar, mas é a minha vida.

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Chega de enrolação, então vamos voltar ao ponto de partida. Estava dizendo que tinha acabado de acordar depois de um sonho muito esquisito. Hora de levantar e me aprontar pro novo colégio. Vou à cozinha e lá está a minha família na mesa tomando café da manhã.

- Bom dia, filho. Dormiu bem? – Disse minha mãe.

- Bom dia.

- Fiz o seu desjejum favorito: ovos com bacon e torrada, acompanhado com suco de laranja fresquinho.

- Obrigado, mãe. – Falei com tom de sarcasmo. Meu pai percebeu.

- Flint, não fale desse jeito com sua mãe. Vamos, filho! Ânimo!

Sentei-me e fiz minha refeição em silêncio. Minha irmã também ia começar no colégio hoje, e ela já estava pronta.

- E aí, Flint? Está entusiasmado com a volta ás aulas?

Eu a ignorei completamente, ainda com raiva. Ouvi-a dizer ”Seu grosso insensível” antes de abrir a porta e sair. Mamãe deu o tradicional beijo de boa sorte em nós, e o ônibus da escola chegou. Despedimos-nos e fomos embora.

Consegui uma cadeira no fundo do ônibus ao lado de uma garota bem bonita, aparentemente do ensino médio como eu. Tentei ser gentil e educado, mesmo mal humorado:

- Olá, sou Flint Carrow, 2° ano, e sou novato. E você?

Meio envergonhada, respondeu:

- Oi, sou Alice Campbell, do 3° ano.

Percebi que ela era de poucas palavras, e estava muito incomodada com a minha presença.

- O que foi? Algum problema?

- Não, é que ninguém nunca sentou comigo. As pessoas me acham estranha. Por isso estou admirada. Mas, por favor, fique aqui. Gosto de companhia.

Ela deu um sorriso que me cativou. Parece que não foi má ideia vir à escola, afinal! Continuamos conversando até chegar a escola e estava gostando ainda mais da companhia da Alice. Pode não parecer, mas ela é muito legal e inteligente. Quando vi a estrutura do colégio pela janela do ônibus, me senti muito estranho. Não sabia dizer se a sensação era ruim ou boa, contudo, percebi que esse dia marcava um novo começo.

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Meu pai conseguiu uma vaga pra mim e Candice na London High School, no subúrbio de Londres, pois não achava vaga nas escolas de Manchester, porém não me incomodei. Uma escola relativamente normal, com gente normal. Senti alguém esbarrando em mim.

- Ei, cuidado por onde anda imbecil! – Gritou um cara grande e forte, querendo me intimidar, com o seu grupo de ogros esportistas. Ah que droga! Não poderiam faltar os valentões! Sempre os valentões. Pra qualquer escola que vá tem pelo menos alguns deles.

- Esse troglodita é o Ethan Nash, capitão do time de futebol do colégio. Ele e seus capangas gostam de tirar sarro dos outros, principalmente dos nerds e de gente não popular. É um tremendo idiota. – Disse Alice, chegando perto de mim.

- Como todos os valentões devem ser. – Disse, rindo – Ai, caramba! Estou perdido e a aula já vai começar!

- Não se preocupe, eu te levo até a sua sala.

- Muito obrigado, Alice. Isso me ajudaria muito.

Não sei o porquê, ela estava mais corada que o normal. Dei um leve sorriso com isso.

Com o auxílio de minha mais nova amiga, entrei na sala de aula. O professor estava se apresentando a turma e quando entrei, ele me analisou da cabeça aos pés.

- Bom dia – Saudei a todos por educação. Ninguém respondeu além do professor, pra variar.

- Bom dia. Sente-se, por favor, está atrasado.

- Desculpe. Sou novato. Não achei a sala logo.

Ele me olhou com uma cara de surpresa que deu medo.

- Ah! Então é o novato da Austrália! Vejamos. Turma, esse é o nosso mais novo aluno, Flint Carrow. Sejam educados e saúdam seu colega.

- Oi Flint – Responderam todos em uníssono, em tom quase inaudível.

- Flint, sente-se ali atrás da Srta. Parker, sim?

- Ok – confirmei.

Quando notei com quem ele estava se referindo, fiquei muito feliz inesperadamente. Willow Parker era considerada a garota mais bonita e popular do colégio. E tinha requisitos que eu admirei rapidamente. Loira, olhos azuis, corpo escultural, e parecia legal...

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- Mas que garoto estranho! – Comentou cochichando com suas amigas, rindo da minha cara.

- Ah, eu achei ele uma gracinha! – Falou uma morena.

- Eu também – Falou uma asiática.

- Vocês têm problemas, ele não parece ser do nosso nível social, e não é bonito. – Ela falou num tom pra eu ouvir.

Por uma parte até que ela tava certa. Eu realmente não era bonito. Branco, um pouco queimado de sol, cabelos castanhos claros lisos (a única coisa de que me orgulho), 1,72m de altura, corpo definido devido ao surfe e as caminhadas matinais na praia e uma alimentação saudável, olhos com cor levemente puxada ao mel. Nunca fui um sucesso com as garotas, mas tive muitos amigos na Austrália.

Fiquei ao mesmo tempo triste e com raiva novamente com as gracinhas daquelas meninas. Mas essa situação me fez pensar nas pessoas que não devo me meter se quisesse ficar em paz.

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Notas finais
Estou começando a escrever agora, pessoal! Espero que tenham gostado do primeiro capítulo! Aguardo comentários.