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2 A "Galera"
Notas iniciais
Passado algumas semanas, estava me adaptando a nova vida no Reino Unido. Na escola, Alice sempre se encontrava comigo antes, no intervalo e depois de cada aula pra saber como eu tava, me dando conselhos e me ensinando a rotina das matérias, os professores chatos, os “valentões” (Não consigo parar de rir com essa palavra), as patricinhas, etc. Estava me falando dos “malas” quando o grupinho do Ethan passava pelo corredor. Ele me encarou querendo botar terror, mas eu não estava nem aí. Percebendo isso ele socou um dos armários pra chamar a atenção.
– E aí, esquisitinha! E o seu trabalho de Química? Quer que eu refaça? – Os outros brutamontes riam sem parar.
O grandão está se referindo a um trabalho sobre ligações covalentes feito no ano passado, que a gangue “acidentalmente” destruiu um dia antes da apresentação. Alice ficou deprimida e até denunciou ao diretor, todavia não conseguiu nada sem provas. E era o trabalho do ano para ela. Depois disso mantinha um pavor daquele grupo, principalmente do líder.
Ethan Nash era acima de tudo grande e burro. Só conseguiu entrar na London High School por uma bolsa esportiva. Mas na sala só fazia dormir e suas notas eram horríveis, mas os professores deixavam passar porque ele é o melhor jogador que a escola já teve. Artilheiro do campeonato intercolegial, 1,90m de músculos, moreno, olhos castanhos escuros, com temperamento explosivo, autoritário, realmente conhecido nos arredores da cidade. Pra mim era só mais um valentão pra me infernizar. Mas ele não é importante. Ainda. Hora de voltar para Alice.
Eu odeio valentão, e estava louco pra cortar o barato dele.
– Ei, idiota! Pare de perturbar a garota!
– Ora, se não é o novato da Jamaica? Soltando as asinhas, não é? É melhor ter cuidado com o que diz, ou vai se arrepender.
– Em primeiro lugar, eu vim da Austrália, seu retardado inútil! E é melhor você não se meter com a gente...
– Ou...
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– Mostro a você que não tenho medo de valentões quebrando a sua cara na frente dos seus amigos idiotas!
– Muito bem otário, foi você quem pediu...
No momento em que ele partiu pra cima, o vice-diretor, que também é o professor de Matemática da minha turma apareceu de repente.
– O que está acontecendo aqui, senhores? – Disse de maneira cordial, serena.
– Esse palhaço troglodita quer arrumar confusão, professor. Ele tá enchendo o saco da Alice.
– É verdade, Sr. Nash?
– Claro que não, professor, só estava cumprimentando o aluno novato, só isso – Rebateu Ethan com um cinismo e fingimento espetaculares.
– Então tudo bem. Comportem-se, jovens.
Quando o vice-diretor deu as costas para nós, Ethan e a trupe desataram a gargalhar.
– Salvo pelo professor, hein, Canguru? Mas da próxima você não escapa.
E foram embora, gargalhando como nunca. “Canguru”? Que apelido preconceituoso e ridículo! Fitei Alice, e ela estava com cara de surpresa olhando pra mim.
– Você ta bem?
– Tô. Você é maluco?
– Por quê?
– Encarar Ethan Nash é o pior erro que um ser humano pode cometer.
– Tô pouco me lixando pra esse verme.
– Você é realmente pirado, mas foi muito corajoso. E foi engraçado ver a cara do Nash quando respondeu a ele.
Eu fiquei alguns minutos vendo aquela garota na minha frente. Nunca pensei que gostaria dela logo de cara. Vou descrevê-la para o leitor, pois ela é uma das peças chaves da minha história.
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Alice Campbell era uma garota inteligente, linda, atraente do seu jeito. 16 anos, pele branca como anjo, cabelos castanhos lisos que chegam ao seu quadril, 1,58m de altura, olhos verdes marcantes, uma voz doce, meiga, e o olhar tímido, porém vivo. Morava com seus pais em Oxford, mas estava estudando na capital por uma bolsa de estudos integral. Considerada um gênio pelos colegas de classe, que carregava o peso de 1ª da turma, até da escola, porém era humilde, que deixava os professores e seus pais de queixo caído. E a propósito, era a 2ª garota mais bonita da escola, mas não era assediada como Willow Parker. Eu não me importava. Só queria ela perto de mim, a amizade dela era preciosa.
Ela perguntou meio envergonhada:
– Por que tá me olhando desse jeito?
– Ah, nada... – Respondi, meio que caindo na real e sorrindo.
Em junho, perto das férias, duas semanas antes das ferias do meio do ano, um aluno entrou na minha turma. Assim que ele chegou, as meninas enlouqueceram. Ele era realmente muito bonito, mas quando ele falava era desagradável. Muito desagradável. Desagradabilíssimo. Mas que merda! Eu o odiei assim que o vi. Não sei o porquê. Daí o “bonitão” de óculos se apresentou, de maneira formal, culta e educada, contudo rígida:
– Olá, sou Trevor McKnight, 18 anos, vim dos Estados Unidos. Prazer em conhecê-los.
As meninas da sala quase tiveram um ataque cardíaco com aquela saudação, principalmente Willow, que já ficou de imediato passando suas cantadas quando ele se aproximou para se sentar.
– Oi, Trevor, sou Willow Parker, capitã das líderes de torcida. Bem vindo a London High School.
Sem olhar pra ela, respondeu com um simples obrigado. Eu observava aquilo de maneira repulsiva. Que desgraçado! Já está tentando chamar atenção e chegou agora! No meio do ano! – eu pensava. E a Willow, a garota por quem eu estava perdidamente apaixonado, estava se jogando a seus braços. Que ódio! Porém, como não gosto de violência (mesmo com muita vontade de acertar o valentão do Ethan naquele dia), eu preferi deixar pra lá, e tentar conquistá-la do meu jeito.
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Pelo visto, já mostrei mais ou menos o perfil físico e psicológico de nós cinco. Então, o querido leitor deve estar confuso e se fazendo algumas perguntas: Por que o Flint está fazendo isso? Por que está falando justamente desses jovens dessa maneira? Isso é importante? E eu respondo: Com certeza. Por quê? Simplesmente porque agora eles são meus amigos inseparáveis e também são os personagens principais dessa história.
Há um fato que uniu a mim, Willow, Alice, e até mesmo Ethan e Trevor. Eu sei que o que vou dizer agora é um tremendo absurdo, mas é o que está acontecendo: TEMOS PODERES SOBRENATURAIS! ISSO MESMO! E isso nos assusta e não conseguimos controlar! E não podemos contar a ninguém! A situação está caótica e não sabemos como lidar com isso. Estamos em mundo desconhecido, descobrimos um segredo milenar e temos uma missão pra fazer se quisermos voltar pra casa. Mas não se preocupe leitor, que tudo será esclarecido.
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