Hermione, A Diva

3 Capítulo 3 – Os Três Irmãos


Notas iniciais
Novamente agradeço a gentileza da Evellyn Nogueira. Os irmãos, neste caso, são os presenteados com as relíquias da morte, e fazem parte do folclore mundial, portanto não são personagens criados por mim e nem pela JK Rowling. Vontade imensa de dividir este cap em dois.

Os Três Irmãos

— Feitiços novos? — questionou Harry.

— Antigos Harry, muito antigos! Seu pai e seu avô não criaram nada, mas tem um criado pelo meu amigo Ignotus, com minha ajuda é claro, que você vai adorar — Esclareceu Hermione com um sorrisinho.

— Ignotus, que nome é esse, de quem...? — Harry parecia aéreo.

— É um dos seus antepassados, O Ignorado pela Morte, assim como você. Naquele dia, ela ignorou sua existência — explicou Hermione.

— Ignotus Potter? — Harry juntou as sobrancelhas, confuso.

— Não, Harry, Ignotus Peverell. Quando ele dominou o feitiço, passou sua inseparável capa ao filho e recomendou que esse deixasse ao neto apenas com o nome da mãe, uma Potter. O Peverell passaria a ser invisível e o Potter ganharia o mundo.

— Invisível? A capa? — Harry parecia começar a entender.

— Isso, Harry! Invisível. Diz a lenda que a Morte nunca mais achou um Peverell. Ela cumpriu a promessa e ele não abusou da sorte — Hermione respondeu incisiva.

— Então a minha capa…

— De pai pra filho, há um milênio, até chegar a você.

— Mas não foi meu pai que me entregou… — Respondeu Harry, meio desapontado.

— Não importa, Harry, o fato é que ela está com você e um dia estará com seu filho. O presente de um imortal acompanha a linhagem para sempre. Se for roubado, cedo ou tarde voltará para suas mãos. Não tem a mesma performance quando em mãos alheias. Já enfiei os outros presentes dentro do seu cofre, mas desisti, não foram feitos para ficarem juntos — Hermione disse, meio conformada.

— Outros?

— Eram três irmãos, cada qual ganhou seu presente: Uma varinha poderosa, uma pedra para ressuscitar os mortos e a capa. A varinha não livrou o dono da morte. A pedra se tornou um engodo, pois quando Odin mandou sua filha, Hell, cuidar dos mortos, deu a ela a chave de entrada, mas não deu a de saída. Ninguém volta do reino dos mortos, quando muito, apenas espectros. E a capa já lhe foi útil — resumiu a história das relíquias da morte.

— E você sabe onde os outros estão?

— Sei, Harry. É minha missão mantê-los sob vigilância. Desisti de juntá-los, mas não os perco de vista. Em mãos erradas causariam estragos.

— Só porque vieram da Morte?

— Não só por isso, mas porque tem os poderes da Morte. A varinha número um pode matar, a pedra pode matar e sua capa pode criar um assassino invisível.

— Nunca pensei que a capa fosse do mal! — Harry ponderava sobre isso.

— Não é Harry, mas tem tanto poder que torna o possuidor um supervilão, se ele for mal intencionado.

— Então se o Voldemort pôr as mãos... — Harry começava a expressar sua linha de raciocínio, até ser interrompido.

— Não podemos deixar que isto aconteça. Porém, na atual situação o plano dele é voltar a viver, acreditou muito que com os poderes que tinha pudesse manipular o anel que contém a pedra, mas essa permaneceu fiel às origens: Traz de volta algo mais que um espectro, mas não chega a ser uma vida.

— Ah! Então por isso ele foi atrás da Pedra Filosofal! Ainda bem que o Dumbledore a destruiu...

— Dumbledore tem capacidade para usar a pedra, mas destruí-la é outro nível!

— Mas ele me disse que a destruiu!

— Ele mentiu, Harry! Não está interessado que você tome ciência deste legado. Assim que nós botamos Voldemort de volta ao limbo, eu devolvi a pedra ao seu cofre. Tenho planos mais nobres para ela, do que trazer um malfeitor à vida.

— Você estava lá?! — Harry arregalou os olhos.

— Sempre ao seu lado, Harry! Sempre ao seu lado! — Hermione explicou, mesmo achando que isso estava óbvio a essa altura.

— E quando do Basilisco?

—Você se saiu muito bem, eu só guiei a Fênix para furar os olhos dele. E quando ele cortou seu braço para se livrar da proteção da sua mãe e dar vida aos ossos do pai, eu também estava lá. Tem gestos que eu posso guiar, tem outros que só Odin pode. Ele pensa que retornou mas está mais perto do limbo do que supõe. O preço pelas vidas que tirou, o seu sangue, a mão do Pedro e até mesmo o mal causado aos unicórnios é muito alto.

Harry ia abrir a boca para fazer uma nova pergunta quando foi interrompido pela senhora Granger.

— Crianças, hora do jantar!

Harry se espantou com o convite e só então percebeu que já estava escurecendo. Hermione levantou e abraçada à mãe, caminharam de volta à cozinha, onde o senhor Granger já os esperavam admirando as costeletas preparadas pela esposa.

— Harry, acho que isso é em sua homenagem, pois nunca as vi tão douradas e suculentas — Comentou Sr Granger um tanto risonho.

Harry ficou encabulado e antes que gaguejasse, Hermione olhou para ele dizendo:

— Acho que meu pai vai adorar aquele vinho que você trouxe na mochila.

Harry pareceu indeciso e ela voltou a incentivar.

— Vamos lá, Harry! Minha mãe não vai ficar com ciúmes pela ausência das flores!

Harry foi ao quarto onde estava a mochila, e dentro dela achou uma garrafa de vinho, que certamente não havia colocado lá. Levou-a ao senhor Granger que pôs-se a examinar o rótulo. Um rótulo branco, simples, com letras douradas.

— Hum! Vinho dos deuses. Vinícola Dionísio! Nunca ouvi falar desta vinícola. Onde você... Um momento, Harry. Você não tem idade para comprar bebida alcoólica!

— Não comprei, senhor Granger! Foi um presente de uma amiga muito querida, que me garantiu que o senhor ia gostar — improvisou.

Após o brinde, o senhor e a senhora Granger se entreolharam em silêncio e a expectativa de Harry explodiu.

— Então, o que acharam?

— Sabe, Harry, só tem uma coisa que me deixa triste depois de provar um vinho deste. É não poder compartilhar com vocês, adolescentes, pois ele realmente é divino.

Hermione pôs-se a rir e Harry não sabia se era por conta do adolescente ou do divino. Logo em seguida, a risada foi interrompida pela mãe:

— Qual era o assunto que consumiu toda a tarde de vocês? Não saíram daquela sala nem para beber água ou admirar os jardins! — argumentou ela, visivelmente curiosa.

— Histórias bruxas antigas, mamãe. E que estão refletindo nos tempos de hoje.

— E nós meros mortais podemos saber o enredo?

— Claro que sim, mamãe! Não é segredo — Respondeu Hermione, se preparando para contar a história — Três irmãos mágicos tinham que atravessar um rio muito perigoso...

— Por serem mágicos construíram uma ponte e deram de cara com a senhora Morte em pessoa – completou o pai.

— O senhor conhece a história, senhor Granger?! — Perguntou Harry, boquiaberto. Como seria possível até ele conhecer a história e Harry não?

— Claro que conheço, Harry. Antes da televisão, nossas noites eram coloridas por nossos pais com estes folclores e outras fantasias.

— O senhor nunca me contou a história, papai!

— Outros tempos, minha filha! Quando você se desligou da televisão passou a criar as próprias fantasias mergulhada em seus livros e...

— Não é fantasia, papai. Os irmãos existiram. Aquela ponte foi a última coisa que os viu juntos. Depois que receberam seus dotes, foi cada qual cuidar do próprio interesse e não consta que tenham se encontrado novamente. Seus herdeiros sim, porém em uma desavença eterna, vem se digladiando até hoje. As duas grandes guerras têm as mãos deles. Aquela crise econômica que o mundo sofreu na década de 70 e que só melhorou depois que eu nasci, foi efeito das loucuras de um deles…

— Minha filha, você é a primeira da nossa família a nascer com algum talento, não vejo sua ligação com aquela crise ou com os…

— Papai, não sou eu, e sim o Harry. Temos praticamente a mesma idade. Harry tinha poucos dias de vida quando sofreu uma tentativa de assassinato. O tiro saiu pela culatra e daí para cá o mundo se estabilizou mas em breve vai se agitar novamente.

— Por causa dos herdeiros?! E o Harry...! — inquiriu o Sr Granger boquiaberto.

— Sim papai, Harry é um deles. O mundo bruxo vai se agitar, e como sempre, trará consequências para todos.

— Então Harry, de qual dos três você...

— Acho melhor Hermione contar a história para vocês, ela lê muito mais que eu. Mas posso adiantar que tenho uma capa que me torna invisível — Respondeu Harry sorridente.

— Mesmo?! Neste caso você é da linhagem do mais experto! – Disse o anfitrião, com um sorriso incrédulo.

— Não ria, papai. Estou pedindo para que vocês dois levem isto a sério. Pois tenho outro pedido a fazer a vocês.

— Minha filha, você está sabendo de coisas que nós não sabemos?

— Sim, mamãe. Como já lhe disse, esse foi um longo e terrível ano.

— O que é que os herdeiros das relíquias estão aprontando, minha filha? – perguntou, ainda descrente, o senhor Granger.

— Papai, leve isso a sério! – deixou a jovialidade de lado e encarou o pai. Depois continuou – Começando pelo mais novo, o Harry, que está aqui, é um dos tripés desta história. Leva a vida numa boa, apesar dos percalços que teve, respeita os que o cercam e tenta ser o mais invisível possível, assim como seu ancestral, o Ignotus. Eu o respeito pela sabedoria que tem demonstrado, mesmo com pouca idade. Tem feito um bom uso da capa, sempre pela necessidade e nunca pela traquinagem.

O segundo – continuou ela – assim como o Cádmus, está no limbo, em uma luta constante e inglória, tentando vencer a morte para depois, em sua arrogância, se sobrepor ao mundo. Trocou o amor, irrealizado, que seu ancestral nutria pela noiva, pelo ódio que fomenta contra todos. Para voltar a respirar, violou sepultura, cortou a mão de um vivente e sangrou o Harry.

Hermione fez uma pausa, como que mergulhada em lembranças dolorosas e depois de um prolongado silêncio, que nenhum deles teve coragem de interromper, continuou:

— O herdeiro do mais velho, Antioch, segue seus passos, mantém a fome de poder e para atingir seus objetivos faz o que for necessário. Anda meio calmo ultimamente, ganhou uma sobrevida e está de olho em seu parente do limbo e mantém o Harry sob vigilância. Apoderou-se da varinha das varinhas, o que lhe é justo, mas está de olho no anel que contém a pedra da ressurreição, o que não é correto. Enquanto ele se contentar em administrar Hogwarts o mundo estará em paz. Ousou pôr o anel no dedo e está com um braço morrendo, não viu que modificaram o anel e acrescentaram um feitiço protetor, ou vai parar no limbo ou trará o inferno para todos nós. A varinha e o anel na mesma mão não é uma boa combinação. Juntou as três relíquias, sonhando que juntas curassem seu braço, sonhava em ser o Senhor da Morte, mas não obteve melhoras e devolveu a capa ao Harry.

— Quer dizer que Dumbledore, aquele braço...?! Ele, Tom e eu somos parentes?!

— Representam o trio que cruzou aquela ponte. O braço dele está necrosando devido a um feitiço, livrou-se do anel mas tarde demais – complementou Hermione.

— Minha filha, não entendo nada deste mundo mágico mas como foi que você conseguiu estas informações? Tem um professor que...

— Acho que ela viu isto nas aulas de Runas, porque é tudo novidade para mim. Talvez tenha errado em não me candidatar para as aulas – respondeu Harry.

— Harry, as runas não estão no seu sangue, a sua herança vem do Ignotus, observar sem ser visto e sabedoria para tomar as decisões certas. Quanto a mim, é como disse meu pai, o talento da família ficou escondido por anos, até que o criador das Runas autorizou que Freya o ressuscitasse comigo. Então o meu deus primordial é Odin, daí as runas falam comigo...

— Jesus Cristo! Minha filha, não diga uma coisa destas! Desde que me lembro somos todos cristãos!

— Calma, mamãe! Não estou blasfemando, mas precisamos lembrar que nosso sangue é anterior ao Cristo. A conversão na crença, não altera a origem. E Odin, mesmo sendo um guerreiro, também cultuava o amor ao próximo.

— Nenhum deus pagão pregou o amor ao próximo como Cristo — retrucou a Sra Granger.

— Minhas runas não dizem o contrário, mamãe. Elas recomendam amar o próximo que está ao seu lado, aquele que você sabe o nome, aquele que você ouviu falar que existe e também aqueles que estão do outro lado do mundo, ou dentro de uma outra cor de pele. A questão não é a crença, são as atitudes. Não adianta eu amar a minha família e jogar pedras no vizinho. Ou admirar o vizinho e se descuidar dos seus.

— Mas você há de convir que o amor de Cristo mudou a humanidade.

— Sem dúvida, mamãe. Mas os conceitos que ele pregava foram mal interpretados. Muitos foram convertidos à força pelo poder da espada, pela insídia e pelo ouro. Mãos que benzeram hóstias repetiram o ato de Caim. Dois mil anos e a humanidade não se estabiliza.

— Não vou discordar de você minha filha, mas o ser humano nunca foi estável, então vamos mudar de assunto e voltar ao pedido que você ia fazer. — Sr Granger resolveu se manifestar.

— Papai, o pedido é para vocês dois, e é coisa séria. É para a segurança de todos nós, inclusive do Harry. Eu preciso que vocês comecem a pensar em uma mudança radical na vida. Abandonar a profissão por uns dois anos e cuidar da vinícola que produz este vinho.

— Você está falando sério, minha filha? Abandonar tudo?!

— Muito sério. Vamos visitar a vinícola nestas férias e quando voltarmos o senhor começa os preparativos. Eu preciso que o senhor não deixe rastros. Venda tudo ou simplesmente feche as portas...

— Estamos ficando loucos?! – perguntou ele, preocupado.

— Estamos nos antecipando a tempos sombrios. Na vinícola ou na França, vocês estarão seguros e será um refúgio para nós dois nas horas mais difíceis. Ou poderiam fazer um pós-doutorado em...

— Bom, teremos dois pequenos problemas: O nosso francês é bem fraquinho e de vinho só entendemos de beber.

— Mamãe, desde que o papai leu o rótulo deste vinho, estamos falando em francês. E pelo que minha amiga informou, a proprietária deixará a equipe completa. Vocês só terão que administrar e isso vocês fazem muito bem!

Harry olhou para a garrafa e o que ele havia lido em inglês agora estava em francês.

— Eu não entendo – disse a mãe – até o início do trimestre você era o bebê desta casa, agora, assim, de repente, propõe mudanças radicais nas nossas vidas! É como se...

— Okay! Sei que está difícil para vocês... Eu não queria fazer isto mas preciso que confiem em mim. Nós não podemos fazer magia fora da escola, somos vigiados. Só conheço uma forma de burlar esta vigilância, mas preciso da ajuda do Harry. Eles nunca pensaram em vigiar duas varinhas fazendo um único feitiço. Você me ajuda, Harry?!

— Claro, Hermione! O que tenho que fazer?

— Repita comigo: Sole roc fecerit.

—Okay. Sole roc facerit.

—Não, Harry. Fecerit — A antiga mania necessária à Hermione para corrigir feitiços veio à tona.

— Fecerit – repetiu ele.

— Agora empunhe sua varinha e pense apenas na luz do sol, nada de nuvens ou chuva. Okay?

— O que estamos fazendo?

— Um passeio de verão. Pegue sua varinha e a segure com firmeza.

Depois disso, Hermione virou-se para os pais dizendo:

—Não se preocupem, vamos trazer imagens do mundo para dentro desta cozinha mas aqui nada será movido. São apenas imagens.

Aguardou a anuência de todos, empunhou uma pequena espada de prata, ricamente desenhada e pronunciou juntamente com o Harry.

— Sole roc fecerit

Primeiro apareceram imagens da França, campos, vinhedos, Paris e suas torres. Depois imagens do roteiro que sua mãe havia programado para as férias.

— Quer entrar no museu, mamãe?! O Louvre é lindo!

Era como se as paredes da cozinha ganhassem vida. As obras de arte desfilavam por elas.

— Isso é a França, hoje. Agora quero mostrar Londres em um futuro próximo, não sei precisar o dia, mas vamos passar por isto.

O cenário mostrava uma Londres enegrecida pela fumaça, pontes e monumentos em ruínas, o povo alvoroçado correndo pelas ruas. Hermione fez um gesto eliminando as imagens e voltou a encarar os pais.

— Estamos entrando em uma era de mudanças, vocês já tiveram uma amostra por aqui, não é preciso que façam nada às pressas, temos tempo suficiente, porém é necessário que se comece agora. Essas férias são a oportunidade de vocês verem a Paris original, depois será uma Paris reconstruída. Hogwarts, assim como Beauxbatons, terá um trabalho árduo nos próximos dois anos.

— Se Londres e Paris não estão seguras, para onde você acredita que podemos ir? – Perguntou o senhor Granger, ainda abismado com tudo que viu e com o talento da filha.

— Papai, esse "podemos" não inclui o Harry e eu. O senhor pode incluir quem o senhor quiser, qualquer um dos nossos parentes que queiram mudar de vida

—Você acredita que sua mãe e eu vamos a qualquer lugar sem você? Mesmo?!

— Papai, o Harry e eu formamos uma dupla formidável, estaremos seguros se nossas mãos estiverem livres para trabalhar. Eu posso fazer um feitiço para proteger nossa casa ou sua clínica, mas não posso proteger a rua toda, assim o melhor para todos nós é que estejam bem longe daqui.

— O que impede que vocês venham?

— O destino, papai. Se fugirmos da luta seremos seguidos pelo caos. Harry tem uma batalha pessoal a enfrentar e eu sou o melhor suporte que ele tem.

— Bem longe, você quer nos mandar para bem longe! Para onde?!!

— Vou lhes mostrar. Harry, por favor a varinha. Só a empunhe, não é preciso dizer nada, só pense na luz do sol.

Confortou os pais e fez a invocação:

— Sunshine, ut nobis.

O ar viciado da cozinha foi trocado pelo ar puro das montanhas. No lugar das paredes surgiram paisagens de montes e vales verdejantes e em seguida estavam em um belo vinhedo, cujas espaldeiras se perdiam de vista. Hermione apontou para trás dizendo:

— Esqueçam as uvas, só prestam para fazer vinho, olhem aquilo.

Ao sopé da montanha erguia uma bela casa com jardins floridos e bem cuidados, e ao lado uma pequena cachoeira que recebia água da montanha e distribuía à volta da casa por piscina e tanques com peixes ornamentais. Caminharam pelos jardins e da varanda da casa vislumbraram os telhados das casas da cidade.

— Onde estamos, minha filha? Isto não é a minha cozinha!

— No Chile, mamãe, mas não fisicamente. Aquilo é Santiago. É uma boa cidade e os vinhos daqui são tão bons quanto os da França. Creio que este é um ótimo lugar para vocês morarem...

— Não temos tantos recursos, minha filha.

— Papai, só preciso que concordem em morar aqui nos próximos anos, depois podem voltar à Londres ou ir para onde quiserem. Os recursos virão do beco mágico. Quer conhecer a casa por dentro, mamãe?

— Claro que sim, mas onde fica a vinícola?! Não vejo outra obra além da casa!

— É o diferencial da qualidade do que se produz aqui. Quando as uvas saem do sol vão direto para dentro da montanha. Existe uma caverna gigantesca onde se faz todo o processo, inclusive a maturação. A porta é ao lado da cachoeira.

— E como você sabe...

— Como eu disse para a senhora, esse foi um longo ano. Esse tipo de viagem fiz pelo mundo todo. Em algumas fui só observadora, como estamos sendo agora, mas em outras tive que participar, estar fisicamente presente. A senhora acertou em cheio, seu bebê cresceu muito este ano.

Visitaram a casa e os subterrâneos da vinícola e em seguida estavam de volta à cozinha em Crawley.

— Então, papai, gostou ou quer ver outras possibilidades?

— Outras possibilidades?!

— Sim, outras. Não tão boas como esta mas são boas. Argentina, Brasil, Uruguai... ou o senhor prefere não trocar de atividade?

— Minha filha, iremos para onde for preciso, o que me preocupa é deixarmos vocês para trás, caso viessem conosco... — O Sr Granger ia tentando argumentar.

— Papai, faça isso por nós, se acaso sequestrarem um de vocês, nós ficaremos de mãos atadas, não posso perdê-los. Harry sabe o que é viver sem os pais. Ele daria a vida para ter os dele de volta e eu daria a minha para não perder os meus.

— Senhor Granger — interferiu Harry — como disse a Hermione e muitos outros bruxos, eu venho de um sangue bruxo de grande poder. Porém, mesmo sendo herdeiro deste poder eu não consigo fazer nem dez por cento do que sua filha faz, então o senhor pode ter certeza que ela sabe se defender. Qualquer que seja a decisão que o senhor tome, ela estará segura, então o melhor é preservar a vida de quem pode ser vítima.

— Amanhã pela manhã eu decido. É melhor irmos dormir agora.

Notas finais
Na esperança de que seu tempo tenha passado rápido... Considerando dúvidas surgidas, devo esclarecer que o Conto dos Três Irmãos, precede ao Harry Potter. Os nomes, não sei a origem, pode ser de autoria da J.K. mais à frente eu o repriso tal qual ouvi meu pai contar na década de 50. Continue comigo!