Heresia

8 Olhares sombrios


Notas iniciais
Tô sumida né.... Sei disso, perdão aí gente. É muita correria e poucas ideias. Então perdão qualquer coisa e eu volteeeiii pessooaal!

Acordei aquela manhã com a luz do sol batendo em minha face, assim que abri os olhos fui verificar a ferida e constatei que estava totalmente fechada. Abri um sorriso enorme ao ver que estava curado, vesti-me normalmente e fui embora antes do sol ficar muito forte.

Pela estrada, muito distante da casa dos walltertoff encontrei Miguel, escorada em uma árvore parecia dormir tranquilamente até um pouco antes de me ver, espreguiçou-se e me disse:

— Boa tarde maninho!

— Boa tarde dorminhoca! Disse eu rindo e me abaixando para vê-la.

— Eu estou tão orgulhosa de você! Noah, você não faz ideia de como estou orgulhosa de você. Ela me abraçou, foi um abraço tão apertado que eu perdi até o ar que tinha. Nesse momento vi nitidamente que escorreram lágrimas que ela limpou sorrindo de alegria – Noah seu bobo, me fez chorar.

— Eu ganhei um presente. Disse Noah mostrando a espada quebrada, Miguel passou a mão sobre a espada e depois disse sorrindo:

— É um ótimo presente, a espada está totalmente limpa, por favor, não a manche de sangue... Tempos difíceis estão por vim, use-a para proteger, não matar.

— Eu sei, que tipo de pessoa, você acha que sou?

— Me diga você, é humano há tão pouco tempo que nem você deve saber. Ela olhou bem fundo em meus olhos

Eu desviei o olhar e respondi cabisbaixo.

— Eu também não sei, mas não sou assassino, isso eu tenho certeza. Não conseguiria viver se tivesse sangue em minhas mãos.

Ela me deu um beijo na testa e respondeu.

— Eu sei, tive a prova quando vi você poupar aquele homem na floresta. Seu sorriso era extremamente acolhedor.

Enquanto isso...De longe, escondida por entre as árvores estava a mesma mulher que observara Morte sair da casa na noite passada.

— Humm... Interessante... Meu mestre vai adorar saber disso.

A mulher subiu a árvore, enquanto subia assumiu sua verdadeira forma, a de uma gata de pelo branco. Seu mestre estava bem longe, ela teria de andar um bocado, seu mestre estava além das colinas, muito longe dali.

Havia anjos da guarda que protegiam reis, comandantes, enfim, todos aqueles que tinham poder e podiam ser facilmente corrompidos pelas trevas, um deles uma vez explicou para Noah o que era a mancha de sangue. Era uma espécie de marca deixada em espadas e adagas durante guerras, a espada marcada com essa marca estava destinada a ser mensageira da morte, foi justamente essa marca que o Morte tirou da espada que deu para Noah. Espadas sem esta marca de sangue eram conhecidas como de luz, pois eram dadas geralmente a anjos ou alguém de coração puro e de ações nobres. Noah andou durante anos a procura de alguém que pudesse forjar para ele uma espada sem manchá-la com sangue.

Em todos os lugares que ia não encontrava o que queria, uma espada com marca de sangue pode ser facilmente identificada por olhos treinados, Miguel lhe deu essa capacidade para achar a pessoa certa. Antes de entrar na tenda de um Noah deveria fechar os olhos e pensar em coisas boas, de preferência algo que quisesse proteger com todo coração, apesar de não ter nada que quisesse proteger ele conseguia ver a marca de sangue, um líquido negro que escorria da ponta da lamina até o cabo, todas essas espadas pertenciam a morte. Passados dois anos após o começo de sua jornada, Noah começou a cansar-se, eram muitas espadas com a marca de sangue que ele havia visto. Então resolveu descansar por uns dias em uma vila perto de onde estava.

Era uma noite escura, ele estava deitado à beira de uma árvore quando uma suave brisa o acordou. Ao longe ele pode ver nitidamente chamas altas, pensou ser um incêndio na floresta e foi correndo socorrer, porque outro motivo seu pai o acordaria?

Chegando ao local viu que o fogo vinha de uma casa, olhou por alguns minutos e deduziu que estava vazia, mas ao virar de costas ouviu nitidamente a voz de uma criança pedindo por socorro. Noah deu meia volta e entrou sem pensar duas vezes na casa em chamas.

— Onde você está?

— Aqui? A criança respondeu

— Onde?

— No último quarto à esquerda.

Noah foi com dificuldade até um ponto, estava começando a asfixiar em meio a fumaça, escorou-se na parede e estava começando a perder a consciência.

— “Não... Agora não... Eu não vou desistir... Eu não posso morrer, não agora e não aqui” Pensou Noah começando a querer se levantar.

Ele respirou fundo e então pensou “Seja o que Deus quiser, não posso deixá-lo morrer”. Andando com dificuldade ele foi até o quarto.

— Onde você está? Gritou ele.

— Aqui!

O menino abriu a porta do armário onde estava escondido, aos primeiros passos Noah viu que a viga de madeira sobre o quarto iria cair e bem em cima do menino aparentemente muito fraco. “Não!” Noah pulou em cima do menino o protegendo com seu próprio corpo, a viga caiu e parou há um metro dos dois.

Noah saiu da casa, colocou a criança na grama, olhou sua respiração, colocou a mão em seu rosto gelado e pela primeira vez em muito tempo sentiu uma dor em seu coração, uma dor que não lhe trazia boas lembranças. Ele estava morrendo, não havia muito o que fazer, apenas.... Apenas... Apenas algo que não fazia há muito tempo, rezar. Ele segurou as pequenas e frágeis mãos daquele menino e começou a falar:

— Meu pai... Sei que faz muito tempo que não falo com o senhor... Vou entender se não quiser me ouvir, mas eu vou pedir mesmo assim. Por favor, não deixe essa criança morrer.

A criança abriu seus olhos, Noah apertou mais suas pequenas mãos, mas logo em seguida ele os fechou. Noah abaixou sua cabeça e uma lágrima gorda e pesada correu sobre seu rosto, a mesma lágrima que caiu em sua face quando perdeu sua fé. Ele ouviu passos, mas não olhou para ver quem era, provavelmente haviam vindo buscar o menino, não queria ver o desenlace da carne com a alma.

— Esse ainda vai viver muito! Disse uma voz feminina.

Noah levantou sua cabeça na hora, era um dos ceifadores de seu irmão. Usava uma túnica branca, tinha face de ossos e uma fina camada de luz, como tramas muito finas e delicadas de um véu de luz simulando a pele da ceifadora. Um pano sujo e cheio de sangue tampavam seus olhos, sua foice era pequena, porém cheia de fuligem. Noah viu que havia mais ceifadores, esses de manto negro entrando na casa, então se deu conta que havia mais pessoas na casa, saiu correndo na hora.

Assim que viu os ceifadores eles já haviam chegado ao quarto, não haviam começado o processo, os pais do garoto morreram dormindo então seria fácil levá-los, estavam dormindo mesmo.

— Espere!... Por favor... Não levem esses dois. Disse Noah um tanto intoxicado com o cheiro de morte no ar.

— Quem é você para pedir isso?... Ah, tenha dó... Disse um dos ceifadores.

— Eu apenas estou pedindo um favor.

— Os únicos que tem poder sobre nós é Deus e o lorde da morte, seu irmão. Disse o outro enquanto usava sua foice.

— Hã, vocês me conhecem?

— Claro que conhecemos, você é o tão famoso Noah que Miguel tanto protege de nós. Uma piada entre nós ceifadores.

— Mas por quê? Eles já estavam quase acabando o serviço.

— O que?! Você é o que todo ceifador sonha ser um dia com seus serviços... Um anjo, mesmo que de classe baixa.

— Mas eu não sou um anjo.

— Ah, então você é o que? Um demônio?... Não me faça rir criança.

— Eu não sou um anjo! Disse eu em um tom mais alto.

Um deles se irritou comigo, me pegou pelo pescoço, me levantou com sua mão esquelética e prensou-me na parede há quase um metro de altura, a parede estava muito quente, sentia queimar minhas costas.

— Se você não é um anjo, responda-me... Porque eu vejo suas asas?

— O que você está falando? Disse eu.

Ele me soltou na hora, eu caí de joelhos e mesmo sem ter olhos pude ver as feições de desgosto em sua face esquelética.

— Não acredito, é tão ignorante que não consegue ver suas próprias asas... O que você acha que está te protegendo do fogo?

Os ceifadores saíram, eu fiquei de joelhos pensando na fala do ceifador. Depois tirei os corpos daquelas pessoas de dentro da casa, mas a fala do ceifador não saía d minha cabeça.