Hereafter
15 Especial Nathaniel: Enquanto ainda vivo
Notas iniciais
Já era a terceira vez naquela manhã em que eu ia ao banheiro por minhas entranhas para fora. Fazia algum tempo que comecei a sentir dores no meu estomago, mas nada que parecesse ser tão serio. Mas desde que acordei nessa manhã parecia que eu iria por meu estomago para fora, a dor era realmente insuportável, mas com certeza era resultado de tantos doces que comi na noite passada com a Juh. Sim, é isso!
– Nate, você está vomitando de novo? – Minha mãe tinha uma voz sonolenta sinal óbvio que devia ter acabado de acorda.
– Não mãe. – Menti.
Antes de abrir a porta do banheiro tratei de jogar uma boa quantidade de água em meu rosto e claro escovar o máximo possível meus dentes para não deixar que ficasse nenhum cheiro desagradável do meu vomito.
– Nate se você sentir algo de novo me diga, porque assim posso marca logo uma consulta com o seu médico. – Sorri de lado e dei um beijo em sua bochecha
– Relaxa mãe eu estou bem. Então nada de ligações para o consultório do Dr. Manuel.
– Tudo bem. Vou fazer o café, vê se não demora a se arrumar. – Bagunçou meus cabelos e eu forcei um sorriso.
“É nessa manhã essa dor está realmente me matando.”
Corri para o meu quarto e debaixo da cama peguei um comprimido que sempre aliviava essa maldita dor.
Depois me aprecei em me arrumar para a escola. Uma calça jeans clara, uma regata azul marinho e minha Van da mesma cor da camisa. Perfeito, pronto para um novo dia naquele purgatório, -porque eu ainda sonho que deva existir um lugar ainda pior do que a escola sendo ela apenas o nosso lugar de passagem para pagarmos os maiores pecados. Serio para que estudar? Só mesmo a Juh para gosta, e falando nela...
– Hey, já pensou em fechar a cortina para se trocar princesa? – Sorri de lado enquanto ela acaba de vesti sua blusinha listrada.
– E você já pensou em parar de olhar para a casa dos outros? – Retrucou e fez sua adorável careta que muitos poderiam achar estranha, mas eu achava uma graça.
– Como eu poderia deixar de ver uma beleza assim? Sorte sua que ainda somos crianças. – Brinquei a fazendo rir.
Não eu não vi nada, mas isso não impedia que eu a provocasse.
– Vou me certificar de por tabuas na minha janela quando meus seios começarem a crescer.
– Se eles crescerem! — E em uma velocidade que eu nem sabia que ela tinha, me lançou um tênis me acertando na testa. – Ai!
– Pode ter certeza que eles iram. Minha mãe tem uma boa proporção e pela minha genética é certo que terei também. – Jullie e suas conversas nerd.
– Okay espertinha, então terei que cuidar mais de você. – Ela arqueou uma sobrancelha.
– Por que? – Sorri e lancei o tênis dela de volta.
– Porque terei muitos concorrentes. Pois se essa tal genética estiver certa você ficara ainda mais linda. Não posso perder minha melhor amiga para qualquer babaca. – Eu não vi porque ela se virou, mas eu sei que ela ficou vermelha, e eu amava isso.
– A gente se vê Nate.
E saiu do quarto correndo me deixando lá olhando para sua janela.
Eu e a Juh somos melhores amigos desde... Tipo sempre. Eu nunca a vejo conversando com ninguém além de mim. Eu sei que deveria me sentir mal por isso, mas eu sou meio egoísta sabe, então até gosto de ter o privilégio de tê-la apenas para mim. Sei lá, acho que é por ela ser como uma irmã para mim, e eu um irmão mais velho que não quer que ninguém se aproxime de sua irmãzinha.
– Nathaniel. Para de olhar para o quarto da July e vem tomar café. – Minha mãe sorria na porta de um modo que eu não entendi muito bem.
Com uma mão joguei meu cabelo para o lado, e com a outra peguei minha mochila que já estava pronta ao lado da cama.
Já estávamos à mesa, mas sinceramente eu não tinha a menor vontade de por nada na boca. Não que ainda estivesse sentindo aquela dor – o remédio é mágico.
– Meu filho você esta bem? – Sorri de lado apenas concordando com a cabeça.
– Vou indo. – Me levantei.
Dei um beijo em minha mãe e um pequeno tapa nas costas do meu pai. Na verdade eu e meu pai nunca conversávamos direito, ele era muito ocupado com o seu trabalho como advogado. Mas eu não o cobrava por atenção, pois sabia que se ele se esforçava para poder sustentar a mim e a mãe. E eu admirava isso nele.
Peguei minha bicicleta ao lado da piscina e vi que a Juh estava saindo de casa também.
– Hey sobe aqui? – Sugeri a fazendo rolar os olhos.
– Nate, você sabe que as meninas vão me azucrinar o dia todo se nos vir chegando juntos. – É eu sabia, mas eu queria ir com ela. Teria que pensar em algo depois para ajudá-la com aquelas galinhas da escola.
– Que se dane elas. Vamos Juh! – Fiz biquinho e ela apenas deu de ombros.
– Tudo bem. Não ligo mesmo para aquelas ignorantes. – Enquanto ela sentava dei um beijo em sua testa a fazendo ficar vermelha.
– Isso ai minha espertinha.
– Idiota, vamos logo. – Me deu um tapinha com suas pequenas mãos nas minhas costa me fazendo rir.
– Se segura firme.
O caminho não era longo, então logo tive que me acostumar em não ter mais ela tão próximo.
É estranho como com o passar dos anos eu tenha ficado ainda mais ligado a essa nerd.
–-x--
Como ela era um ano mais nova, não estudávamos na mesma sala. Despedi-me dela e fui para onde meus amigos do sétimo ano me esperavam.
– Iai mano. – John me cumprimentou com um aperto de mão.
– Fala John. – Me sentei ao seu lado vendo as galinhas passarem a nossa frente.
– Cara essas meninas estão ficando gostosinhas. Olha a Kely, ela já tem peitos. – John tinha doze anos, mas uma cabeça de um velho pervertido de sessenta.
– John você só pensa em peitos. – Ele revirou os olhos.
– Na verdade eu penso no conjunto completo. Mas essas menininhas têm muito a crescerem.
– Meu amigo se você não percebeu o que mais tem que crescer aqui é você. – Dei uma tapinha em suas costas, mas ele se afastou.
– E irei. Só porque você é maior do que eu agora não significa que será daqui a uns três anos. – Dei de ombros.
– Tanto faz.
– Hey Nate. – Eu já ia me levantar para ir para sala quando a Kely chegou ao nosso lado.
– Oi. – Nunca gostei dessa garota, gosto ainda menos por saber que ela sempre faz gracinhas para cima da minha amiga
– Nate eu vou indo. – John disse saindo e me deixando sozinho com a galinha rainha.
– Nate você bem que podia conversar mais comigo. – Sua voz era fina e irritante. E mesmo que os garotos a achasse linda por causa dos seus peitos já serem grandes, eu preferia muito mais os pequenininhos da Juh, mesmo que ela sempre diga que eles vão crescer.
– Porque eu estou muito ocupado. – Disse soltando minha mão que a garota já tinha segurado.
– Ah claro, sempre ocupado com a nerd. – Me virei e fiquei bem próximo a ela.
– Escuta só uma coisinha. Se você quiser um pingo da minha atenção comece a tratar melhor a Juh. Porque entre você e ela, sempre será ela.
– Você gosta mesmo dela não é?
– Como assim? – Okay, eu sou um idiota.
– Gosta sabe, quando você quer beijar ou tocar uma garota.
– Não sei o que você esta falando garota. – Ela sorriu de lado e segurou mais uma vez minha mão a colocando em sua cintura.
– Você é tão inocente diferente daquele seu amiguinho John, isso te deixa ainda mais gato.
– Garota você tem problema. – Tirei minha mão e me afastei.
– Hey se você não sabe o que é gostar de alguém e posso te ensinar.
– Não obrigado, acredito que isso eu vou aprender sozinho na hora certa.
Não dei tempo de deixá-la falar mais uma vez e sai dali o mais rápido possível. Que garota chata. Serio, que conversa é essa de gostar da Juh? Claro que eu gosto dela, ela é minha melhor amiga. Mas beijar? Será que ela estava dizendo tipo meu pai beijando minha mãe?
“Ah droga eu nunca pensei nessas coisas, acho que por um lado a galinha ta certa eu sou muito inocente. Mas o John não. E talvez mesmo com suas maluquices ele deva servi para alguma coisa.”
Fui para sala e como já imaginava graças a Kely eu cheguei atrasado e acabei recebendo uma pequena carta para meus pais assinarem o que me custaria minha mesada.
Vadia.
Eu iria conversa sobre beijo com o John mais tarde porque não queria mais encrenca. Então preferi ficar bem quieto durante as três primeiras aulas antes do intervalo.
–-x--
– Cara, você já gostou de alguém? – Perguntei mesmo me sentindo um otário.
– Como assim mano?
– Sabe alguém que você queira beijar. – Ele sorriu de lado e se aproximou mais de mim.
– A conversinha com a Kely rendeu foi? – O empurrei enquanto ele ria.
– Larga de ser idiota, tu sabe que eu não gosto daquela garota.
– Aé, tu gosta da Jullie. – Ele riu batendo nas minhas costas.
– Porque você também está dizendo isso?
– Porque você vive com ela, falando dela, brincando com ela e protegendo ela.
– Claro ela é minha melhor amiga. Mas você ainda não respondeu minha pergunta. – Ele revirou os olhos e se deitou na grama.
– Para que você quer saber disso Nate? – Dei de ombro.
– Por que eu nunca pensei nessa coisa. E sei lá.
– Você é gay mano? – O puxei segurando pelo colarinho de sua blusa.
– Endoideceu? Claro que não.
Ele gargalhava enquanto estendia as mãos em sinal de rendição.
– Então como nunca pensou em beijo cara? Tipo eu nunca beijei, mas não vejo a hora disso acontecer. Ter os lábios de uma gatinha junto com o meu. – Ele fazia gestos com a boca que me dava nojo.
– Você é nojento. – Sorri de lado.
– Mas respondendo à sua pergunta, sim já gostei. Ela estudava com a gente. Lembra a Briana? – Assenti. – Então. Eu pensava que um dia quando eu fosse mais velho eu a pediria em namoro. Mas ela se mudou.
– Poxa não sabia que você gostava dela.
– Pois é. Mas agora me diz, por que você queria saber?
– Porque eu acho que eu nunca gostei de ninguém desse jeito. – Dei de ombros o fazendo rir.
– Eu ainda acho que você gosta da Jullie.
– Cara ela é tipo minha irmã.
– Nem irmãos ficam tão juntinhos igual a vocês. Nate você é um cara pintoso, veja até a Kely é doidinha por você, mas para você essas meninas todas são umas galinhas. – Sorri. – Mas a Jullie não. Você vive falando dela é até irritante às vezes.
– Mas... – Ele me interrompeu.
– Nada de “mas” Mané. Olha, se você gosta dela, tudo bem. Mesmo que eu á ache um pouco estranha. – Fiz uma careta, pois nunca gostava que chamassem a minha Juh de estranha.
– E se eu gostar mesmo dela, o que eu faço?
– Descubra se ela também gosta de você. – Eu ainda não via lógica naquilo.
– E depois? – Ele me olhava como se eu fosse um retardado, e sabe que acho que estou parecendo mesmo um, ainda mais por estar pedido ajuda a um idiota.
– Beija ela mano. – E novamente aqueles gestos nojentos, mas que agora me fez rir.
– Beleza. Vou fazer isso hoje. – Ele sorriu e deu um tapinha em minhas costa.
– Boa sorte gafanhoto, depois me diga se ela babou muito você.
Ignorei o comentário e voltei a ouvi minha musica no meu mp3 enquanto não dava à hora de voltar para a sala.
–-x--
Era a quinta vez na qual eu batia na porta da casa dos Smale, mas ninguém a atendia. Como eu não era um estranho e já estava mais do que nervoso para executar o meu plano, não me importei em abrir a porta.
– Alguém em casa? – Gritei ao entra e não ver ninguém.
Subi as escadas até o quarto da loira e encontrei a sua porta aberta. Sentei-me em sua cama enquanto olhava para o retrato no criado mudo ao lado. Retrato no qual tinha eu e ela juntos. O que me fez sorrir instantaneamente.
– Deu de invadia a residência dos outros agora Nate? – Disse atrás de mim uma loira apenas com a tolha enrolada ao corpo e com gostas de água escorrendo pelos longos cabelos.
– Juh. – Me levantei surpreso e estranhamente envergonhado.
Não era a primeira vez que a via naquela situação, mas porque agora eu estava com vergonha por isso?
– Veio ver aquele filme que te falei? – Demorei um pouco a responder até me lembrar que filme seria. E como sempre era um dos filmes de terror que eu particularmente odiava.
– É vim. – Menti dando de ombros.
– Vê se dessa vez não chora. – Ela riu indo até sua gaveta e tirando um vestido rosa bebe.
– Eu não chorei naquela vez.
– “Tira Juh, eu não quero ver isso. Ah ele pegou ela... Mãeeee” – Tentou me imitar fazendo uma voz que em vez de me dá ainda mais vergonha apenas me fez rir...
É acho que eu gosto mesmo dela, afinal quem mais me faria me sentir tão à vontade assim como ela? Quem me iria zuar por ter medo de ver filmes de terror? Okay, acho que isso qualquer um zoaria, mas não desse jeito dela que em vez de me deixar com raiva ou constrangido só me faz rir.
– Okay, eu fiquei com medo daquela múmia. – Ela se virou rindo e abriu uma porta do seu guarda-roupa ficando atrás dela e me tirando a visão do seu corpo.
Só deu para ver o momento em que a toalha caiu no chão e depois ela saindo de trás já vestida.
– Você é um bebe chorão. – Disse rindo e se sentando ao meu lado.
– Olha que fala “a garota que chora por tudo”.
– Choro por coisas necessárias, não por causa de um filme que retrata coisas imaginarias.
– Okay, você venceu. – Ela fez língua e eu sorri. – Então qual será mesmo o de hoje?
– Estava pensando em ver premonição, mas ele é muito leve.
– Vamos ver premonição. – Disse rápido a fazendo rir.
Sem dizer mais nada ela foi até a TV e pós o filme para rodar.
Depois de uma hora eu já estava com o travesseiro entre os braços enquanto ela ficava fissurada bem próxima a TV.
– Isso é porque você disse que era leve. – Disse tapando os olhos após o cara ser dividido ao meio por uma cerca. – Cara para quer tanto sangue.
– Larga de reclama e assisti o filme Nate. – É, ela odiava que a atrapalhasse a assistir filmes.
Estranhamente enquanto eu já não agüentava mais ver aquelas mutilações desnecessárias a garota ao meu lado dava gargalhada a cada membro que era arrancado. Ao final do filme ela se atirou ao meu lado e se deitando na cama.
– Perfeito. – Disse com um sorriso no rosto.
– Você é doida sabia.
– Sei, e é por isso que você gosta tanto de mim. – Fez língua o que me fez rir.
– Juh eu posso te fazer uma pergunta? – me deitei ao seu lado e ela se virou me olhando.
– Diga.
– Você gosta de alguém?
– Eu gosto de você ué. – Okay, aquilo fez com que eu ficasse vermelho e tivesse que disfarça me virando para o outro lado.
– Não, tipo gostar de querer namorar.
– Você não acha que eu sou muito nova para isso não? Tipo e você também. – Sorri de lado.
– Sim é. Mas sei lá, não tem ninguém que você queira namorar quando for mais velha.
– Não sei porque você está perguntando isso. Mas não sei. Nunca pensei nisso. E também quem iria querer namorar a Nerd? Olha Nate só você fala comigo. – Droga isso não era legal, pois sempre que ela falava assim acabava chorando.
– Lembra que você disse que a genética vai te deixar linda? – Brinquei, mas já era tarde ela já tinhas lagrimas em seus olhos.
– É. Mas eu vou continuar sendo a nerd. – Passei as mãos em seus olhos.
– Eu gosto de você assim. E é até melhor ninguém te querer sabe. – Ela me olhou meio irritada. – Calma ai, é só que se ninguém ficar com você eu não terei problemas quando for te pedir em casamento. – Ela sorriu, o que fez meu pequeno coração disparar e uma dor infernal no estomago voltar.
– Jura? – Ela se sentou e me fitava de lado.
– Claro, afinal você é minha melhor amiga.
– É eu sei. – Não sei, mas parecia que ela tinha esperando que eu dissesse outras palavras. E eu até as iria dizer se subitamente eu não fosse tomado por uma escuridão e até mesmo não conseguir mais a ver.
--x--
Acordei e não reconhecia onde estava. Era um quarto branco, com cortinas brancas. Estava deitado em uma cama com lenços brancos e enrolado com a única coisa que tinha cor naquele lugar, que era meu edredom favorito.
Enquanto olhava o lugar vi que tinha uma maquina ao meu lado no qual um fio vinha até mim.
Eu estava em um hospital, mas não me lembrava como ou porque vim parar aqui.
No outro lado tinha uma poltrona e uma pessoa quase que encasulada que logo se levantou as pressas ao ver que eu havia acordando.
– Meu filho que bom que acordou. – Minha mãe veio até mim distribuindo vários beijos em minha bochecha.
– Mãe porque estou em um hospital?
– Você não se lembra? – Fiz que não com a cabeça. – Você estava com a July há algumas horas. Eu tinha acabado de voltar do mercado quando ela foi até a nossa casa gritando e chorando muito. Ela disse que vocês estavam conversando quando simplesmente desmaiou.
Tudo veio como um soco. Eu estava vendo filme e depois prestes a dizer que gostava da minha melhor amiga quando a dor voltou e veio com tanta força que apaguei.
– Mãe o que eu tenho? – Perguntei.
– O Dr. Manuel fez alguns exames enquanto você estava dormindo. Mas ainda não tem certeza do que é. – Não sei ao certo porque, mas eu sentia que ela estava me escondendo algo.
– Mãe me diga o que ele falou.
– Nate eu acho melhor termos certeza antes de dizermos algo.
– Mãe! – Gritei e ela simplesmente começou a chorar.
Eu não sabia o porque, mas vê-la chorando daquela forma dizia que não era nada bom o que eu supostamente tinha.
Com dificuldade me sentei e a abracei forte e ela logo retribui.
– Meu menino. – Ela chorava e passava as mãos em meus cabelos.
– Mãe você está me deixando encharcado. – Ela sorriu de lado e se afastou.
– Eu juro que não irei deixar que nada te aconteça.
– E eu acredito em você.
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Os dias se passavam muito devagar naquele inferno, e como eu imaginava existia sim algo pior que a escola.
Eram feitos vários exames e nada de me dizerem o que diabos eu tinha.
Todos os dias a Juh vinha me visitar, mas eu não voltei a tocar naquela assunto. Iria espera estar melhor para poder me confessar a ela. Era tão estranho pensar nela mais do que minha amiga, mas ao mesmo tempo me deixava muito feliz, e era isso o que mais me dava forças para agüentar os amontoados de exames. Eu queria que aquela dor passasse, eu queria ir para casa, eu queria dizer que gostava dela e queria ainda mais ouvi que ela também gostava de mim.
Mas parecia que nada que eu desejava iria acontecer.
Era sexta à tarde e eu e meus pais já estávamos aflitos a espera do último resultado do exame. Depois de meia hora o Dr. Manuel apareceu à porta.
– Creio que já não precisam ser feito mais exames. E que além de tudo não seja certo esconder a própria doença do garoto. – Disse ele olhando para meus pais.
– Doutor não me diga... – Minha mãe não conseguia mais falar, ela já estava aos prantos novamente e meu pai que sempre foi tão na dele me abraçou fortemente.
– Nathaniel, creio que seus pais não quiseram alarmes falsos e também tinham esperanças na qual minhas deduções estivessem erradas, mas devido aos inúmeros exames feitos durante essas duas semanas não há mais duvidas. – Ele respirou fundo. – Lamento dizer, mas há alguns tumores em seu estomago. E estes já estão se espalhando por todo seu sistema digestório. Eu mesmo fiquei surpreso por tamanho desenvolvimento em tão pouco tempo. – Eu não sabia como agir. Na verdade nem ao menos sei se era mesmo aquilo que tinha entendido. – Iremos fazer o que for possível por você. – Disse por fim.
– Eu vou morrer? – Perguntei rápido.
E no silêncio do quarto só se ouvia os soluços de choro da minha mãe e os suspiros do meu pai.
– Nada é certo garoto. Como eu disse o câncer já está bem desenvolvido, mas se formos mais rápidos do que ele ainda a chance que você tenha uma vida.
– Mãe eu preciso contar a Juh! – Eu não queria saber mais de nada, e eu não sabia se ia sobreviver ou não, mas iria tentar. Eu tinha que viver.
– Senhores eu irei sair. Tenho que conversa com alguns amigos meus sobre o caso do Nathaniel. – Ele sorriu. – Descanse garoto, depois você vê sua namoradinha.
Sorri de lado ao ouvir namoradinha, não lógico que ela não era, mas se eu saísse daquele hospital vivo eu faria de tudo para que ela fosse.
– É Nate, mas tarde ela deve vir aqui. – Minha mãe se aproximou e me abraçou. – Eu sei que sou uma chorona, mas não se preocupa. Você vai ficar bem.
Forcei um sorriso e a abracei junto ao meu pai.
–-x--
Quando contei a Juh o que eu esperava aconteceu, a loira se atirou a cama em lagrima e começou a gritar.
– Não Nate, você não pode ter câncer. Você estava tão bem. – Eu não estava sofrendo tanto por saber que estava com câncer, mas o que realmente estava me matando era ver todos a minha volta sofrendo por mim.
– Hey, eu estou bem. O Doutor já marcou uma tal de quimioterapia e diz ele que depois disso e mais uma cirurgia eu ficarei novo e folha. – Eu a tinha em meus braços. Ela me apertava cada vez mais em cada soluço.
– Você não vai morrer. Não vai me deixar esta me ouvindo. – Tentou fazer uma voz firme o que me fez rir.
– Eu prometo que estarei contigo para sempre.
– Jura juradinho? – Ri.
– Juro juradinho de dedo mindinho. – Ela limpou os olhos.
– Eu te mato se você morrer garoto. – Mesmo que a dor tenha voltado era impossível não rir com essa garota.
– Você é doida sabia?
– E é por isso que você gosta de mim.
– Sim, é por isso e muito mais. – Dei um beijo em sua testa e mais uma vez apaguei.
–-x--
Já fizera três meses que eu estava internado. Devido as quimioterapia meus cabelos tiveram de serem raspados e eu já tinha perdido dez quilo. -É devia estar como a múmia do filme que eu tanto tinha medo.
Minha mãe ficava sempre comigo e meu pai vinha todo final de tarde. Ele até estava conversando mais comigo, falava sobre basquete e como ele sonhava em ser um jogador antes de ser forma em direito. Dizia que eu ia ficar muito bonito porque iria puxar a ele e que um dia tomaria conta do seu escritório.
Eu sempre confirmava, mas sabia que não tinha mais volta. Eu queria viver, mas o câncer não deixava.
Minha amiga sempre vinha depois da escola. Às vezes até o John vinha junto com ela, o que me deixa com ciúmes confesso. Mas mesmo ele sendo um idiota era bom que ela tivesse alguém para conversa sem mim.
A Juh sempre dizia que tinha pesquisado sobre diversos meios de se curar um câncer. E que um dia iria se tornar médica e não deixaria ninguém morrer mais de câncer. Eu sempre a incentivava e dizia que ela seria uma linda m´rdica, e que eu iria me consultar toda semana com ela, só para termos umas horinhas sozinhos. E é claro que ela sempre ficava vermelha com minhas brincadeiras e ainda mais no dia em que o Doutor veio me ver e a chamou de minha namorada. Claro que fiquei todo bobo ao ouvir isso, e ela ficaram muda sem saber ao certo o que falar o que me fez rir muito.
Aos pouco eu sentia minha vida se esvaindo. Era como que a cada momento que eu tivesse com as pessoas que eu gostasse fosse o último. Cada noite que fechava os olhos para dormi eu sentia que não os iria abrir mais. Sei lá, mas às vezes eu achava até melhor se isso realmente acontecesse. Droga eu sei que não é certo, mas eu já estava cansado, e essa dor realmente me matava a cada dia.
–-x--
– Nathaniel eu não sei como dizer, mas estar cada vez mais difícil de dominar o seu câncer. – Dr. Manuel estava no meu quarto tendo uma conversa comigo e meus pais sobre os exames feitos naquele dia.
– Doutor e a cirurgia? – Minha mãe que estava de pé se aproximou dele.
– Creio que seja perda de tempo. – Ele suspirou. – Os tumores já tomarão o fígado e uma cirurgia agora seria ainda mais arriscada.
– Eu teria chance de viver? – Perguntei fazendo com que meus pais me olhassem.
– Nessa situação creio que teria 25% de chance de sucesso. – Minha mãe já estava chorando e junto ao meu pai.
Droga eu já estava cansado de ver todos chorando por mim. Era viver o morrer. Então vamos resolver isso logo.
– Eu quero fazer! – Disse firme
– Você não vai Nathaniel. – Meu pai disse serio.
– A vida é minha e eu quero fazer. – Respirei fundo. – Pai olha como eu estou. Nem eu me reconheço ao me olhar no espelho. E se a cirurgia tiver nem que seja apenas 1%, eu quero fazer.
– Bem, acho que é melhor deixar com que vocês conversem com calma. Estarei ali fora. – Disse Dr Manuel ao sair do quarto.
– Eu não posso permitir isso. – Meu pai chorava e dava socos na mesa ao lado.
– Calma querido. – Chorosa minha mãe ainda tentava ser forte e acalmar meu pai, enquanto eu apenas assistia a tudo.
– Calma? Como vou ter calma Camile? O nosso filho esta morrendo.
– Não diga isso!
– Ele está certo mãe, eu estou morrendo. Então se é para mim morre, que eu morra lutando.
– Você tem certeza disso? – Meu pai me olhava ainda com lagrimas em seus olhos.
– Tenho pai.
– Irei falar com o Doutor! – Disse e saiu do quarto.
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Eu já estava pronto para a cirurgia, uma hora antes eu tinha conversado com a Juh e ela chorando muito me fez prometer que iria sair vivo da sala de cirurgia. E mesmo que nem eu mesmo acreditasse que isso fosse possível eu prometi. Mas não foi o bastante para ver aquele seu sorriso.
Meus pais estavam agora comigo enquanto esperávamos o enfermeiro vir me buscar.
– Filho vai dar tudo certo. – Dizia minha mãe com um sorriso forçado.
– Eu sei mãe.
Não demorou para que um homem alto de branco aparecesse a porta e com uma maca me levasse para um sala cheio de aparelhos.
Como eu já estava ao soro, lá mesmo ele aplico o anestésico e não demorou nem um minuto para que eu apagasse.
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O medico que fizera minha cirurgia disse que para ter certeza do sucesso da operação deveria se espera passar 72h, mas eu já estava mais do que feliz por ter saindo vivo de lá. Como eu estava na UTI, só era permitido a entrada dos meus pais. Então nesse período eu não poderia ver a minha amiga, mas minha mãe disse que ela estava muito feliz por eu ter mantido a promessa de resistir à cirurgia.
Já fazia 56h desde a cirurgia, eu ainda sentia meu corpo muito fraco, mas acreditava que iria conseguir. Naquela noite enquanto era aplicado meu calmante no soro eu senti aquela dor de novo. Mas ela não parecera como das últimas vezes. Dessa vez foi como uma simples pontada, uma dor instantânea. Que em um milésimos de segundos passou.
Não senti mais nada, era como se eu estivera curado. E de certo modo eu estava.
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Todos os meus familiares e amigos estavam envolta de mim. Era uma celebração simples, mas bonita. Juh estava escorada ao meu lado e sempre dizia algo que eu não conseguia entender. Meus pais estavam abraçados. E até o John estava lá. Ele e mais algumas pessoas que eu conhecia da escola.
Eu não sabia ao certo como me sentir naquele momento, na verdade eu não sentia realmente nada. Tudo era um vazio. Ver todas aquelas pessoas ali me fazia sentir amado, mas ao mesmo tempo eu tinha raiva de mim por isso. De ter sido tão fraco, de não ter suportado essa merda de câncer. E de ter morrido.
Se eu não tivesse vendo meu corpo a minha frente naquele caixão escuro eu poderia até mesmo dizer que era mentira, mas infelizmente não era. Eu estava no meu velório vendo todos ao meu redor, mas a única coisa que eles podiam ver era um eu sem vida.
Enquanto o Padre dizia varias coisas sobre um paraíso no qual eu deveria esta, eu apenas tentava entender porque eu realmente não tinha ido para esse lugar.
Sentei-me ao lado da minha amiga e assim pude ouvi o que tanto ela repetia, e foi ai que eu soube o porque de não ter partido.
– Você mentiu. Nathaniel Jamnes, você é um mentiroso. Disse que ficaria para sempre comigo. – Dizia ela diversas vezes.
Eu não podia chorar, nem ao menos tentar consolá-la. Mas naquele estante um sorriso se formou em meus lábios e bem próximo a ela sussurrei em seu ouvido.
–Juh, eu sempre estarei contigo mesmo que agora você não possa mais me ver. Eu nunca quebraria a nossa promessa!
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