Hereafter
16 Cap. 14: Eu sou a chave?
Notas iniciais
–Não toca ai Nathaniel! – Supliquei em um sussurro enquanto ele permanecia com suas pernas envoltas do meu corpo.
– Eu sei que você gosta Juh. – Sorria de lado com o rosto bem próximo ao meu.
– Não, eu não gosto. – Fingi tentando manter minha voz firme, mas naquela situação era quase impossível me controlar.
– Sim, gosta. – Disse devagar ainda com as mãos na minha barriga.
– Se eu gosto ou não, não importa. Mas para. – Eu já tinha lagrimas em meus olhos enquanto ele permanecia com aquele mesmo sorriso que eu amava nos lábios.
– Por que você quer que eu pare? – Sussurrou próximo ao meu ouvido fazendo com que subitamente eu me arrepiasse.
– Porque meus pais podem ouvir Idiota! – Falei corando devido à proximidade de nossos rostos.
– Isso seria interessante. – Disse sacana e mordeu meu lóbulo da orelha fazendo com que um suspiro fosse liberado dos meus lábios.
– Droga Nate! – Já era impossível controlar minha respiração.
– Há! Eu consegui! – Em um pulo ele saiu de cima de mim e começou com sua estranha dancinha de comemoração ao meio do meu quarto.
– Você é tão infantil. – Ri.
– E você é uma graça. – Piscou.
Se sentou ao meu lado ao fim de sua comemoraçãozinha.
Tentei controlar meu coração e disfarçar o rubor em meu rosto enquanto ajeitava os meus cabelos com as mãos.
– Eu me pergunto até quando você irá me fazer esse ataque de cócegas... – Com o seu famoso sorrisinho de lado, ele aproximou seu rosto do meu e com a mão pôs uma mexa do meu cabelo atrás da orelha.
– Até você começar a me chamar apenas de Nate, como antigamente.
É eu estava ainda mais vermelha e morrendo de vontade de tomar aqueles lábios macios para mim em um beijo. Eu já estava com saudade de senti-lo junto ao meu, mas desde o dia anterior ele não havia me beijado mais e o único contato físico que tivemos foi no período em que ele me fazia cócegas, e isso logo quando acordei.
Levantei-me indo em direção ao meu espelho para pentear os meus cabelos e não o dá o gostinho em que eu tomasse a iniciativa para beijá-lo.
Poxa eu queria que a iniciativa fosse dele, será que era pedir demais?
Enquanto eu passava a escova nos meus logos fios loiros, senti minha cintura sendo tomada por duas mãos na qual me puxou contra o corpo do meu amigo e com delicadeza ele tocou com os lábios o topo da minha cabeça em um beijo que fez com que um sorriso instantânea surgisse em minha face.
E como felizmente eu estava à frente do espelho, não só ele via meu sorriso, com eu via a marca de sua testa em um franzido que eu conhecia bem como um surgimento de uma idéia naquela cabecinha. E foi nesse momento que ele me virou encostando nossas testas.
Eu já estava com meus olhos fechado e com um ridículo biquinho pronto para receber o seu beijo quando alguém batendo em minha porta me fazendo dar um salto para trás e acabando por derrubar grande parte das coisas em minha estante, e meu fantasma simplesmente desaparecer.
– Jullie, você já viu as hora? Meu Deus como alguém pode dormir tanto! – Revirei os olhos e fui a até a porta.
– Bom dia para você também mãe. – Disse com um sorriso irônico.
– Bom dia? Eu diria boa tarde. Jullie já são 13h e você ta trancada nesse quarto. – Suspirei. – Aliás, por que sua porta estava trancada de chave?
– E-e. – Simplesmente as palavras não saiam.
Aliás, eu já disse como sou péssima mentirosa? Pois é, mas afinal o que diria a minha adorável mãe?
– Ah mãe eu estava quase sendo morta a gargalhadas pelo Nathaniel, é o Nate. E não posso me esquecer, você acabou atrapalhando logo quando ele iria me beijar. Valeu mesmo mãe. – Okay, eu nunca, nunca mesmo poderia dizer isso. Então juntado minhas forças e com a cara mais lavada do mundo dei um sorriso de lado enquanto disse. – Nossa, nem percebi que tinha trancado.
– Tudo bem, isso não importa. Agora desça que eu e seu pai já almoçamos e provavelmente a comida já deve está esfria. – Dei um beijo em sua bochecha e assenti.
– Só vou me troca mãe.
E assim ela saiu.
Quando ouvi seus passos já descendo as escadas tratei de fechar a porta e sorrido chamei mentalmente meu amigo que como mágica apareceu na minha frente já com as mãos em meu rosto.
– Aonde paramos? – Perguntei e ele apenas uniu nossos lábios.
Um beijo tranqüilo que não durou muito, mas foi o bastante para me fazer querer mais.
– Acho melhor você ir almoça Juh. – Ele passava a mão em meus fios loiros.
– É. Se não a Dona Loren logo vem me busca a tapa. – Brinquei o fazendo rir.
– Ela nunca te bateu.
– Nunca se sabe quando teremos uma primeira vez. – Me afastei indo até minha roupa que antes do ataque de cócegas já havia sido tirada do meu guarda-roupa.
– Eu não a deixaria encosta um dedo sequer no fio do seu cabelo. – Disse mais uma vez próximo de mim.
– O que iria fazer? Dar um susto nela?
– Talvez. – Deu de ombros.
Não foi preciso que eu dissesse algo, pois logo que me virei para olhá-lo ele já não estava mais lá.
Sorri indo até minha janela e olhando para a casa ao lado e tentando imaginar se ele já teria indo se refugiar no seu antigo quarto.
Mas não fiquei ali por muito tempo, pois mesmo hoje sendo domingo eu tinha muito o que fazer. Um relatório sobre a Guerra Fria para aula de história de amanhã, e ainda a tarde irei ao lugar estranho proposto pelo o Adam. Espero que não seja tão assustador como pareceu pelo folheto.
–-x--
– Onde você está indo Juh? – Eu já estava terminando de amarrar meu cabelo em um rabo alto quanto o Nathaniel apareceu.
– Vou sair com o Adam. – O que, aliás, se eu não me apressasse irei ficar atrasada.
– Ah o Adam. – Repetiu com uma voz que eu poderia dizer de certeza que tinha um leve tom de ciúme. Algo que ame.
– Hey, porque não vem comigo, afinal estou indo ver algo que diz respeito a você. – Sorri me sentando ao seu lado na cama.
– A mim? Não entendi.
– O Adam achou um lugar e ele acha que uma mulher poderá nos ajudar a respeito do porque podemos ver você. Ou melhor, qual seria o motivo de você ainda esta aqui. – Não entendi, mas sua afeição parecia triste.
– Juh se não quiser me ver é só falar. – Ele só pode está louco.
– Para de bobeira, não estou indo porque não quero te ver, só quero saber o “por que” te vejo. Nada mais. – Sorri dando um beijo em seu rosto.
– Se é só isso para que ir? Fica aqui comigo vendo aqueles seus desenhos engraçados. – Ele segurou minha mão e seu sorriso parecia que iria iluminar todo o quarto.
– Não Nathaniel. Acho que isso é algo que eu preciso saber. Mas se você não quiser ir tudo bem. – Puxei minha mão e me levante.
– Não, eu vou! – Logo ele já estava em pé ao meu lado.
Sorri e sai do quarto acompanha do meu fantasma. Ao desce vi que a porta estava aberta e pude ouvir uma risada muito conhecida.
Droga mãe, o que você está aprontando?
Respirei fundo. Não sei se estava bem obvio minha cara de pavor, pois senti a mão do meu amigo se entrelaçando com a minha. Pus as mãos para trás para que minha mãe não visse e assim apertei com força para que ele não me soltasse e antes que fosse visível nossa presença lhe lancei um sorriso de lado e este foi devolvido com uma leve piscadela.
– Oi Adam. – Disse ao chegar à porta onde minha mãe não parava de tagarela.
– Que bom. Não esta atrasada. – Disse e eu revirei os olhos. – Bem Loren eu trarei a Jullie cedo. – Deu um beijo na mão da minha mãe e juro que faltou pouco para que eu não vomitasse.
– Não se preocupe querido, estando com você eu confio. – Eu mereço.
Senti que meu amigo apertava ainda mais minha mão, ciúmes? Quem sabe.
– Tchau mãe. – Disse por fim saindo e puxando com a mão livre o Adam para longe da minha mãe.
Já ao lado de fora paramos ao lado de sua moto e soltou minha mão.
– Não sei como dizer, mas acho que não vai dá para você ir. – Disse olhando para o meu amigo.
– A Juh me chamou e eu vou. – Ele serrava os olhos enquanto fitava o nerd ao meu lado.
– Não me leve a mal, é só que eu estou de moto.
– Não tem problema. – Sorriu. E eu estava mesmo totalmente de fora dessa conversa. – Juh chegando lá é só me chamar. – Ele se aproximou mais de mim e depositou um beijo ao meu rosto me deixando corada e fazendo Adam vira o rosto. E assim sumiu.
– É acho que agora podemos ir. – Jogou um capacete para mim e subiu.
– É vamos. – Com sua ajuda subi na moto e antes mesmo de me preparar ele deu partida, me pegando de surpresa e fazendo abraçá-lo subitamente.
–-x--
O caminho era mais longo do que eu esperava e minhas mãos já estavam formigando de tanto que o apertava, afinal não tinha a intenção de cair daquela coisa de duas rodas.
Infelizmente o desgraçado ainda corria. Os carros a nossa volta pareciam borrões e juro que quem olhasse meus olhos agora pensariam que eu tinha fumado umazinha, pois com tanto que o vento batia em meu rosto era certo que eles estariam super vermelhos.
Enquanto eu tentava controlar minha raiva, a moto parou em uma rua cercada por casas simples e pequenas. Tinham um estilo diferente e eram incrivelmente parecidas. Paramos a frente de uma que não diferente das outras era de uma tonalidade verde, quase azul. Ela tinha um pequeno cercado branco como às de mais, a única diferença visível dessa casa das outras era a extravagante placa suspensa encima da porta.
Com letras garranchas que obviamente foi tintada a mão. Tinha o mesmo nome do folheto no qual o Adam me mostrou no dia anterior.
Margo à Médium.
Juro que mesmo estando meio raivosa por ter ido tão longe por algo que eu nem acreditava, foi impossível não rir ao ver que aquele lugar do panfleto realmente existia.
Tudo bem que vejo meu amigo morto, mas nunca fui do tipo em acreditar em vidente ou coisa do tipo, graças a meu antigo modo nerd, eu sempre fui mais chegada em fatos verídico, não em uma mulher que diga que irei casar com um rico empresário com boa aparência, serio, é sempre as mesmas mentiras. Não acho que vidente ou médium seja algo muito diferente, mas mesmo assim eu continuava a rir feito retardada enquanto o moreno ao meu lado me encara. Certamente estou pronta para estar errada e acreditar que essa tal Margo possa saber algo que ajude em relação ao Nathaniel.
E foi assim que meu amigo apareceu já parado diretamente enfrente a porta de um tom marrom avermelhado.
– Parou já de rir? Por que eu achei que você tinha visto algum tipo de palhaço para dar esse ataque todo. – Disse seco.
– Meu adorável Nerd, a única palhaça acho que sou eu. Serio que você quer entrar ai? – Ele rolou os olhos e sem dizer nada foi até a porta onde o Nathaniel continuava parado sem dizer nada. – Então ta.
O segui ficando assim nos três enfrente a maldita porta.
O moreno respirou fundo e tocou a capainha ao lado, e não demorou em que uma senhora negra com uma longa saia rodada a abrisse.
– O que posso ajudar? – Disse com um sorrido de lado.
– Boa tarde. A Senhora deve ser a Margo. – Ela apenas assentiu e assim ele prosseguiu. — Bem, eu sou Adam Pritons, e essa é minha amiga, Jullie. – Sorri como cumprimento. – Eu te liguei marcando uma consulta para hoje.
Ela ficou um tempo calada apenas nos observando, até mesmo parecia que ela enxergava além de nós. E aquilo era esquisito.
– Certo, entre. – Sorriu e abriu ainda mais a posta e ficou ao lado para que entrássemos, mas quando o Adam já ia adentrar a casa ela o parou. – Primeiro a moça meu jovem, afinal a chave da consulta será ela. – Ela me fitava e obviamente que eu não entendi nada.
– O que a Senhora quer dizer com isso? – Perguntei.
Todos me olhavam, até mesmo o fantasma ao meu lado. Sua expressão era tão vazia que desde a primeira vez que ele apareceu para mim essa foi a primeira que ele realmente parecia um defunto.
– Respostas lá dentro mocinha. – Okay, acho melhor apenas fazer o que ela manda.
Sem pergunta mais nada apenas assenti e entrei sendo seguida pelos dos rapazes juntos a mim.
A casa era uma casa tipicamente normal, uma sala pequena com uma TV ao lado perto da janela. Dois sofás ao lado e no centro uma mesinha.
Ao lado da sala havia um corredor extenso, que foi no qual Margo passou a nossa frente e assim a seguimos.
O corredor tinha varias portas e todas elas fechadas, claro que com minha curiosidade eu estava me roendo por dentro para saber o que tinhas atrás daquelas portas. Mas me contive em apenas continuar seguindo a senhora que só parou quando chegamos ao final do longo corredor enfrente a uma porta vermelha com um pequeno símbolo riscado nela. Era uma estrela e pelo o que contei parecia ter sete pontas.
Ela abriu a porta e estendeu a mão para que entrássemos, e mais uma vez eu fui a primeira a entrar. Pois como ela disse: “Eu era a chave.”
Fale com o autor