Here With Me

1 Hello (Elizabeth)


Notas iniciais
Aqui está o primeiro capítulo. Começamos pela Elizabeth. Boa leitura! Espero que gostem. Ouçam essa música enquanto leem o capítulo: https://www.youtube.com/watch?v=YQHsXMglC9A

E eu o deixei ir. Ele estava ali em um momento. E eu o deixei ir.

Eu só percebi que o amava quando o perdi e após machucá-lo muito.

Eu realmente o amo.

Mas hoje ele é feliz com outra pessoa.

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(07/07/1997)

— Vem Liz! Nós vamos perder o trem! – James gritava, enquanto corria na minha frente. Ele se virou para olhar para mim, com um grande sorriso. Seus olhos verdes brilhavam de felicidade, enquanto seus cachos vermelhos balançavam conforme ele corria.

Eu nunca percebi o quanto eu queria ter acariciado aqueles cabelos, mas naquela época estava apaixonada demais por Tyler para sequer notar James ao meu lado. James tinha me conhecido anos antes, quando eu o salvara de se afogar na praia que existia perto de nossas casas.

Dias depois fui descobrir que ele era rico, muito rico e ele havia se “apaixonado” por mim. Era mais gratidão, eu tinha certeza. Seus pais permitiram que ele se mudasse para a minha escola e passamos muito tempo juntos. Mas isso é história para ser contada um pouco mais a frente.

— James! Eu estou cansada. E porque você insiste em vir comigo de trem, tem seu próprio carro e eu já lhe disse que não gosto de você passando tanto tempo assim comigo. As pessoas logo vão comentar – Eu respondi, revirando os olhos. Às vezes James conseguia me irritar tanto.

Eu não vi, porém James pareceu um tanto magoado por um segundo antes de segurar minha mão e sorrir de novo.

— Eu já te disse Liz. Eu gosto de você, e passarei tanto tempo quanto eu puder perto de você – Ele respondeu, antes de passar o cartão na máquina de cobrança do trem e nós conseguirmos entrar no veículo. Eu observei meu reflexo no vidro enquanto as portas se fechavam: longos cabelos loiros, olhos azuis e um corpo até bem desenvolvido. Eu nunca liguei muito para garotos, até eu conhecer Tyler. E depois de conhecê-lo, só tinha olhos para ele.

— Eu não sei por que você gosta de mim. Além do mais, tenho certeza que esse sentimento não é verdadeiro, quer dizer... Você não gosta de mim de verdade, só acha que gosta – Eu retruquei, revirando os olhos. Dessa vez eu vi quão magoado ele ficou com minhas palavras, porém não fiz nada.

— É incrível como você ainda duvida de meus sentimentos – Ele sussurrou, mais para si mesmo do que para mim. Eu suspirei e fechei meus olhos, às vezes James era muito irritante.

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(20/08/1997)

— Você deve estar brincando comigo, não é Mary? – Eu pude ouvir Tyler falar estressado no telefone. Eu não sabia quem era Mary, mas eu sabia que não gostava dela – Eu estou cansado, depois falo contigo – Ele rapidamente desligou o celular e sentou do lado de James, com quem era muito próximo.

Anos depois eu descobriria que realmente odiava Mary, mas não pela razão que achava odiá-la naquele momento.

— Eu quero minhas férias. E sair logo de casa, provavelmente me mudar daqui e nunca mais voltar – Tyler disse e eu pude ver James rir levemente, dando tapinhas nas costas do outro garoto.

Eu vi Tyler mexer nos curtos cabelos castanhos e depois de um tempo seus olhos também castanhos se viraram para mim e ele sorriu levemente. Sorriso que eu devolvi. O que me passou despercebido naquele dia foi o olhar de James sobre nós. Sobre Tyler particularmente.

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(28/11/1997)

Eu estava em casa, já que a escola não teria aulas por dois dias, pois houvera uma inundação. Eu ouvi meu celular tocar e de repente me senti ansiosa, torcia para que fosse Tyler. Tínhamos nos aproximado um pouco desde que fomos designados para um trabalho em dupla.

James não ficara nem um pouco satisfeito com isso, não que eu ligasse, é claro. Ele implorou para trocarmos de dupla, porém o professor não o escutara. Eu fiquei com tão feliz com aquela decisão do professor, eu não queria James como dupla e sim Tyler.

Quando olhei o visor do celular, suspirei e atendi para ouvir a voz de James.

— Liz! Olha pela janela! – Ele disse e eu olhei desinteressada para o exterior da minha casa. Lá estava ele, com uma moto nova, sorrindo animado para mim. – Desce aqui!

— Estou indo – Eu disse antes de desligar o celular e pegar um casaco para enfim encontrar o garoto que não parava de me atormentar por tanto tempo.

— Você deve estar se perguntando o porquê deu vir aqui só para te mostrar a moto, não? – Ele perguntou, e eu quase disse que não. Eu não estava me perguntando aquilo.

Ao não ter uma resposta, ele suspirou antes de sorrir de canto.

— Bem eu não vim só para isso, é claro. Eu vim te trazer um presente. Eu comprei para você com o dinheiro que consegui no trabalho – Ele disse me entregando uma pequena caixa.

Aquela era outra coisa que eu achava irônica. O fato dele ter começado a trabalhar para mostrar para mim que “ele era capaz de fazer de tudo por mim, até ganhar o seu próprio dinheiro”. Ele era realmente tão bobo e irritante, ele tinha uma fortuna e preferia trabalhar? Era quase uma zombaria para mim.

— Ah, obrigada – Eu disse não muito entusiasmada, enquanto abria a caixa. Ele havia me dado um lindo colar, era de prata e com um pingente que era o sol encaixando na lua. Eu olhei para ele, que me olhava com um sorriso ansioso.

— Eu achei que um coração seria muito clichê e achei que esse pingente era sua cara – Ele disse e eu assenti. – Quer que eu coloque para você?

— Não precisa, eu vou guardá-lo e usar em uma ocasião especial – Eu disse, balançando a cabeça para os lados rapidamente.

— Ah, que bom então! Enfim, o que você- – Ele foi interrompido por um carro chegando à garagem, era meu pai.

— Eu tenho que entrar, obrigada pelo presente, James. Eu gostei bastante – Eu disse, correndo para dentro de casa antes que o ruivo pudesse falar qualquer coisa.

Mal sabia eu que depois de alguns anos, aquele colar seria algo que eu usaria todo dia.

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(15/12/1997)

Hoje era o dia das competições no colégio. Essas competições antecediam o feriado de Natal, então todos estavam animados.

— Se eu ganhar na competição de hoje, você tem que me conceder um desejo, certo? – Eu ouvi uma voz atrás de mim e sorri levemente, revirando os olhos para James que sorria animado para mim.

— E que desejo seria esse? – Eu perguntei, curiosa. Fazia um tempo que James não me importunava, então eu até que senti falta de sua voz.

— Um encontro. Mas um sério mesmo – Ele disse e eu me peguei completamente surpresa antes de começar a rir, eu ria de segurar a minha barriga. James somente me observava confuso.

— Claro, claro – Eu disse, sabendo que ele nunca ganharia. Ele nunca ganhara, não tinha como ele ganhar esse ano. Ainda mais com Tyler competindo.

— Então você aceita? Muito bem! – James sorriu e segundos depois não estava mais na minha frente.

Eu olhei ao redor, procurando por Tyler que assim que me viu acenou e sorriu animadamente. Meu coração pulou ao vê-lo. Era ele que eu queria, o único que eu sempre quis e nenhum ruivo teimoso mudaria isso.

Naquele ano, James ganhou todas as competições. Mas o encontro nunca aconteceu.

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(07/05/1999)

Eu beijei Tyler! Eu realmente beijara Tyler. Eu não podia esperar um beijo mais perfeito. Ele me convidara para sair e nós fomos a um restaurante chique. Ele me levou para ver as estrelas e lá nos beijamos.

Eu entrei cantarolando na sala, quando percebi que todos estavam tensos e me observavam para logo depois desviarem os olhares para Tyler e James que se encaravam no centro da sala.

— Como você pôde? – James perguntou, seu maxilar trancado e suas mãos abrindo e fechando como se estivesse prestes a socar algo.

— Aconteceu, James. Desculpe-me. – Tyler disse e eu franzi o cenho, o que estava acontecendo ali? Será que James estava se metendo onde não devia?

— Aconteceu? ACONTECEU?! – James gritou, seu rosto rapidamente ficando vermelho antes dele desviar o olhar e encontrar o meu. Ele fechou a boca e logo seu rosto voltou a ficar branco. Ele pegou sua mochila, se virando de costas para mim antes de olhar para Tyler mais uma vez e passar por mim, me mandando um olhar frio e indiferente.

Algo mexeu dentro de mim, ele nunca tinha me olhado daquela maneira. Mas eu decidi ignorar o que quer que fosse aquele sentimento e andei até Tyler, perguntando o que acontecera ali, mas ele falou que seria melhor não falar sobre isso e segurou minha mão. Com aquele simples gesto, tudo foi esquecido.

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(12/09/1999)

Eu não falava com James há meses, e finalmente havia percebido o quanto sentia sua falta. Quando ele passava por mim nos corredores, fazia questão de não olhar nos meus olhos, e se o fazia era um olhar frio e machucado.

Eu nunca dera valor ao amigo que tinha. E toda aquela dor em seus olhos me machucava também. Porém eu ainda tinha Tyler, ele era um bom namorado e quando estava com ele a confusão que se instalara no meu coração acalmava-se e podia até ser esquecida.

Hoje era o último dia de aulas! Eu não podia estar mais feliz e animada com isso, finalmente a parte legal de minha vida começaria: a faculdade!

— Anda logo, Tyler! – Eu disse, apressando meu namorado que saiu da sala já pronto e com um grande sorriso no rosto. Ele segurou minha mão e caminhamos em direção ao diretório. Quando já estávamos instalados, eu vi James entrar. Ele me viu também e virou o rosto para o palco. Eu revirei os olhos com aquela atitude dele e me levantei, andando a largos passos em direção ao ruivo.

— Quem você acha que é para me tratar assim? Sumir assim? Ignorar-me como se não me conhecesse?! – Eu perguntei, sem perceber que estava gritando. O diretório inteiro caiu em um silêncio profundo, todos os alunos nos observavam agora.

James olhou para mim com uma sobrancelha arqueada, sorrindo de escárnio.

— Quem eu acho que sou? Elizabeth, eu que deveria estar fazendo essa pergunta, não? – Ele retrucou e eu fiquei surpresa ao perceber que ele estava usando meu nome completo e não meu apelido para logo perceber quão frio meu nome soava vindo de sua boca – Quem você achava que era para me tratar do jeito que tratou por cinco anos? Dizendo que meus sentimentos por você não eram verdadeiros? Tratando-me como um pedaço de lixo, um mero seguidor seu?! – Ele perguntou, elevando seu tom de voz.

— Esc- – Eu tentei interromper, porém ele me olhou friamente.

— Não me interrompa – Ele disse, suspirando. – Quem você achava que era para me dar esperanças quando na realidade você estava apaixonada pelo garoto que eu chamava de melhor amigo? Quem você achava que era quando me prometeu coisas que nunca iria cumprir? – Ele me olhou de cima abaixo antes de sorrir ironicamente – Quem você achava que era quando quebrou meu coração? – Ele perguntou e eu pude ouvir a tristeza em sua voz. Eu senti uma mão em meu ombro e olhei para Tyler, que estava preocupado.

— James, eu real- – Eu comecei, porém não cheguei a acabar a frase. Era só uma desculpa esfarrapada afinal.

— O que? Você não sabia? – Ele riu, ironicamente – Poupe-me de suas desculpas, eu não preciso delas. Mas uma coisa eu te prometo, eu vou te esquecer. Esquecer completamente! Vou fazer você ser tão insignificante para mim quanto uma vez eu fui para você. Eu não preciso de uma garota que não gosta de mim. Eu vou ficar com a garota que eu sei que me amará o tanto quanto eu a amarei. E eu te prometo, um dia você vai se arrepender de não ser essa garota, Elizabeth George – Ele disse, friamente – Estamos acabados? Eu tenho que achar meu lugar – Ele disse, mandando um olhar de desgosto para mim e para Tyler antes de sair andando.

Aquela fora a última vez que eu falei com James por anos.

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(07/07/2005)

Foram seis anos. Seis anos sem sequer falar com James, eu tentei entrar em contato, porém ele nunca quis me encontrar, falar sobre o que aconteceu, nunca atendeu minhas ligações.

Eu desejei diversas vezes poder voltar no tempo.

Eu desejei ter percebido que o amava antes.

Eu desejei não ter que vê-lo se casando.

Eu desejei não ter pensado amar Tyler quando na realidade amava James.

Eu desejei ter terminado com Tyler antes, desejei não ter machucado tantas pessoas no processo.

Eu desejei não ter me machucado.

Mas agora isso já não parecia importar, já não parecia machucá-lo. Pelo menos não mais, já que agora quem sofria era eu. Principalmente hoje, ao vê-lo esperando no altar por uma garota que não era eu.

Ele nunca me atendeu. Porém eu sabia que não era culpa dele, o rancor dele era completamente normal. Eu que o machuquei e ele achou uma maneira de me machucar também: sendo feliz sem me ter por perto.

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(09/12/2006)

Hoje era o encontro da turma de 1999. Esses encontros aconteciam basicamente para podermos dizer quão boas nossas vidas ficaram e o que estávamos fazendo.

Eu havia chegado bem cedo, já que pretendia ir embora bem cedo. Eu não gostava tanto assim daquelas pessoas e sabia que o sentimento era recíproco.

— Liz! Eu sabia que te encontraria aqui – Eu ouvi a voz de Tyler e sorri de leve para ele. Eu sabia que ele ainda não estava muito confortável em falar comigo, junto com ele vieram alguns dos nossos antigos colegas de classe.

— Eles chegaram! – Eu ouvi uma das mulheres falar e olhei para a porta, por onde James entrava abraçado com sua mulher. Eu pude perceber que Tyler olhou para baixo por um segundo antes de sorrir de canto.

James só tinha olhos para a pequena mulher ao seu lado, eu podia ver isso. Ele tinha um grande sorriso estampado no rosto e fazia o possível para que ela estivesse confortável. Ele a amava, e tudo o que podia pensar é que podia ser eu a mulher ao seu lado.

Depois de algum tempo eu pude ouvir uma comoção no lugar onde o ruivo estava. Ele não tinha falado comigo, acho que sequer tinha me notado parada ali.

— Pessoal! Vamos dar parabéns ao mais novo papai da turma! – Disse um garoto de pele negra e olhos ônix. Ele dava tapinhas no ombro de James que não podia esconder sua alegria.

Eu quis chorar, eu quis bater na cara de sua mulher, na cara dele. Mas o que eu mais senti foi ódio de mim mesma. Eu rapidamente me aproximei deles, tinha que dar os parabéns, pelo menos eu achava.

— Olá! Parabéns pelo bebê – Eu disse, muito a contragosto. James e sua mulher me observaram e vi ela me dar um largo sorriso. James me olhou indiferente por um momento antes de abrir um sorriso.

— Ah, Liz! Eu nem tinha te visto aqui. E obrigado, eu estou muito feliz! – Disse James, abraçando sua mulher por trás e sorrindo para ela.

Foi naquele momento que palavras que ele dissera anos antes me atingiram. James cumprira sua promessa, ele me fez tão insignificante para sua vida quanto uma vez eu fiz ele se sentir na minha.

Eu era completamente insignificante para James. Ele já estava feliz sem mim.

Notas finais
Então? O que acharam? Odiaram? Amaram? Mais ou menos?Me digam suas opiniões. Críticas construtivas são aceitas. Eu espero vocês nos comentários!E perdoem-me qualquer erro de português.