Here With Me

2 What Goes Around Comes Back Around (James)


Notas iniciais
Olá! O segundo capítulo está aqui, espero que gostem! Esse é o capítulo do nosso querido James! A música desse capítulo é: https://www.youtube.com/watch?v=NIaiXmm1H0o

O que vai volta.

Pelo menos foi no que eu sempre acreditei. Por anos eu queria vê-los sofrer, porém ao conhecê-la, meu plano foi praticamente interrompido. Ficou de certo modo esquecido no fundo da minha mente.

Porém sempre foi uma realidade. E eu descobri o melhor jeito de vê-los sofrer o que sofri antes.

Meu plano mudou e a solução era simples: Eu seria feliz. E mostraria que era sem eles.

Afinal, vocês conseguiram exatamente o que mereciam.

****

(07/07/1997)

Eu sempre corria para encontrá-la. Essa era minha realidade, eu amava uma garota e faria de tudo para estar perto dela.

Ou pelo menos achei amar naquela época. O coração de um jovem é facilmente enganado, é o que minha mulher sempre diz. Afinal, faz sentido. O problema é que nem sempre “achar que se ama alguém” acaba bem, e por algum tempo eu não fui uma exceção.

Eu havia prometido a mim mesmo que protegeria e amaria Liz para sempre, já que ela havia me tirado do mar anos antes, salvando minha vida. Eu nunca me sentira tão grato na minha vida, até porque naquela época não sabia nadar. Eu realmente era muito ingênuo, nunca estive em contato com pessoas por muito tempo, ser rico e ter pais muito preocupados sempre me fez ter o sentimento de estar sendo sufocado.

Mas para mim tudo mudou quando eu conheci Liz. Era o primeiro contato efetivo que eu tinha com uma garota que não fosse da minha família. E ela era tão bonita. Tinha vezes que eu me pegava observando ela simplesmente porque podia.

Eu mudei de escola. Eu larguei meu carro. Eu comecei a trabalhar.

Eu fiz tantas coisas que me arrependeria depois, que hoje me surpreendo por não ter tido nada disso reconhecido. Nada que eu fizesse parecia suficiente para Elizabeth George, mas eu era tolo demais para perceber que estava me perdendo enquanto tentava conquistar alguém que não ligava para mim.

Eu observei Liz parada ao meu lado, já sentindo o trem se movimentar. E pensei por alguns segundos em sua resposta.

— É incrível como você ainda duvida de meus sentimentos – Eu disse, observando ela. Liz olhou para mim antes de fechar os olhos. Eu provaria para ela que realmente a amava.

Afinal, eu ficaria com a garota que eu amava no final, não?

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(07/05/1999)

Eu sempre me lembrara bem de muitas coisas. Algumas eu preferiria esquecer, outras eu guardarei para a vida.

Eu me lembrava dos olhares que os dois trocavam quando achavam que eu não via. Eu ainda conseguia sentir a raiva ao ver Elizabeth fingir que nunca concordara em ir a um encontro comigo simplesmente porque Tyler estava do seu lado. Sim, eu lembro muito bem dessas coisas.

Eu já suspeitava que algo acontecia entre Tyler e Elizabeth. Eu só não queria aceitar, é claro. Quer dizer, perder a “minha” garota para o meu melhor amigo estava fora de cogitação, ou pelo menos eu pensava. Tyler havia mencionada tantas vezes o nosso “bro code” que era difícil imaginá-lo o quebrando.

Até o momento que chegou aos meus ouvidos que Tyler convidara Elizabeth para um encontro no sábado e pior, ela dissera sim. Aquilo acabou comigo, mas eu não acreditei tão facilmente. Eu precisava falar com Tyler, precisava o ouvir dizer que aquilo não passava de uma fofoca e que ele não tivera um encontro com a garota que seu melhor amigo gostava.

Eu provavelmente só estava me enganando, querendo muito não me sentir desapontado com pessoas que eram importantes para mim. Não me sentir o bobo que sabia que todos achavam que eu era. Mas no fundo, eu sabia... E sabia bem que eu só estava mentindo para mim mesmo, que aqueles olhares eram sim alguma coisa. Que as duas pessoas que eu mais amava no mundo, tinham me traído.

Eu entrei na sala e vi Tyler falando com alguns garotos, porém sua expressão tranquila logo mudou e ele se calou assim que me viu, aquela foi a confirmação que eu precisava.

— Me diz que é mentira – Eu disse enquanto andava em direção ao garoto que eu considerava meu próprio irmão. Eu larguei minha mochila na minha cadeira, sem jamais deixar de encará-lo.

— James, eu... – Ele começou, mas a frase nunca foi finalizada.

Eu comecei a rir, primeiro baixo até virar uma risada histérica. Aquilo doía, doía tanto. Então era assim que alguém traído se sentia? Eu senti uma mão no meu ombro e parei de rir tão rapidamente quanto havia começado.

— Não me toque. Eu tenho nojo de você – Eu disse, olhando dentro de seus olhos. Eu sentia a raiva queimar meu interior e acho que isso ficou bem claro, pois Tyler deu um passo para trás – Eu te considerava meu melhor amigo! Meu irmão! – Eu disse, com o maxilar já trancando.

— Eu também. James, você sempre foi meu melhor amigo – Ele disse, claramente tentando me deixar mais calmo.

— Seu melhor amigo? Que tipo de melhor amigo é você então? O tipo que fica com a garota que o seu melhor amigo gosta? – Eu perguntei, analisando seu rosto e vendo por um segundo um traço de culpa.

— Eu gosto dela, está legal? – Tyler respondeu, após ponderar sobre suas palavras por um segundo.

— E você acha que eu sinto o que por ela?! Você achou que eu estava brincando todas as vezes que eu disse que amava ela?! Eu não acredito que você fez isso. Eu não quero acreditar – Eu gritei, já começando a perder o controle. Todos na sala me observavam, mas aquilo não parecia importante naquele momento.

— James, você tem que entender – Tyler disse, me segurando pelos ombros. Eu olhei para suas mãos e então para seus olhos, me controlando para não socar a cara dele.

— Eu entendo. Você vivia falando de um código que nós devíamos seguir como irmãos... Mas você o quebrou. Você é só um mentiroso, um aproveitador e um fura olho. Eu não podia ter escolhido ninguém pior para ser meu melhor amigo – Eu disse, fechando e abrindo minhas mãos tentando me acalmar – Pelo menos agora, eu já sei que você não merece confiança nenhuma – Eu finalizei, friamente.

— James, não faz isso – Tyler disse, com os olhos arregalados e muito surpresos.

— Você fez isso, não eu. – Eu sussurrei, mas tinha certeza que ele ouviria — Como você pôde? – Eu perguntei, suspirando algumas vezes para tentar ficar calmo.

— Aconteceu, James. Desculpe-me – Tyler respondeu e eu senti toda a raiva anterior voltar.

— Aconteceu? ACONTECEU?! – Eu gritei antes de olhar para o lado e ver Elizabeth nos olhando assustada. Eu virei de costas e peguei minha mochila, não queria ficar sequer mais um segundo perto deles.

— Espero que sejam muito felizes – Disse irônico para Tyler, tendo certeza que Elizabeth não veria. Eu mandei um último olhar para Tyler antes de andar até a porta e passar por Elizabeth, a olhando nos olhos antes de ir para casa.

Naquele momento eu decidira que aqueles dois pagariam. Eu nunca os perdoaria e faria com que eles sempre se lembrassem de seus erros.

****

(12/09/1999)

Eu finalmente estava acabando a escola. Se eu algum dia gostei daquele lugar, passei a odiá-lo quase por inteiro. Exceto o telhado, lá eu podia passar todas as horas do dia.

Depois da formatura e da minha discussão com Elizabeth, fora lá naquele telhado que me escondi e aproveitei o pôr do sol para pensar em tudo o que acontecera. Foi naquele dia, sob aquela luz alaranjada que eu decidi que de alguma maneira faria com que aqueles dois sofressem.

Eu nunca fui rancoroso, pensei irônico, era realmente interessante ver o quanto eu mudei por causa de uma pessoa que sequer me considerava importante. Porém eu fazia questão de mostrar para aqueles dois que eu não iria sofrer nem mais um pouco por causa deles.

Acho que aquele foi meu jeito de demonstrar a dor. Muitos chorariam, eu não derramei nenhuma lágrima daquele dia em diante. Eu fiquei com muita raiva e foi isso que me manteve indo em frente por anos.

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(07/07/2002)

Eu entrei na minha doceria favorita. Ficava ao lado da empresa de meu pai, que em questão de meses seria minha, após minha formatura na faculdade. Eu fiquei de certo modo famoso, nossos hotéis cresceram muito e nossa família ganhou muita influência em nossa cidade. Eu já era conhecido como o mais novo CEO das empresas e era até um tanto famoso.

Porém mesmo já tendo passado alguns anos, eu ainda tinha em mente o que Elizabeth e Tyler me fizeram. Eu descobri que eles terminaram dois anos depois, de acordo com seus antigos colegas de escola, os dois sempre pareceram meio infelizes depois daquela briga que tiveram comigo. Eu sorri satisfeito comigo mesmo.

Eu peguei meus pedidos e olhou ao redor do estabelecimento, procurando um lugar vago. Achei uma mesa onde só podia ver uma garota de curtos cabelos pretos sentada. Eu me aproximei devagar, tentando não esbarrar em ninguém. Era impressionante como aquele lugar vivia cheio.

— Com licença, posso me sentar aqui? – Eu perguntei e a mulher levantou o rosto do livro que lia para encará-lo. Ela tinha lindos olhos azuis, essa foi a primeira coisa que reparei, a segunda foi que ela realmente parecia uma boneca.

— Ah, sim! – Ela disse, abrindo um sorriso simpático e assentindo rapidamente. Eu me peguei observando seu rosto por alguns segundos. Ela tinha o rosto anguloso, com lindos olhos azuis e lábios rosados. Seus curtos cabelos eram pretos e caiam em ondas em seus ombros. Ela não me parecia ser muito alta, pelo que pude perceber.

— Desculpe incomodá-la com isso mesmo, mas era o único lugar livre para sentar – Eu disse, sentando e colocando minha bandeja na mesa.

— Tudo bem! Esse lugar faz muito sucesso, eu realmente acho que eles deveriam começar a abrir em outros bairros, você não acha? – Ela disse, sorrindo antes de tomar um gole de sua bebida.

— Verdade! Eu ainda me lembro de quando abriu e não era tão conhecido. Eu realmente adorei os doces daqui desde a primeira vez que vim aqui – Eu disse, rindo levemente. Eu ainda estava no meio do Ensino Médio quando vi essa doceria abrir. Desde então vinha aqui praticamente todo dia, principalmente agora que trabalhava ao lado.

— Eu conheci faz pouco tempo, eu precisava comer alguma coisa e meio que corri para cá. Desde então nunca parei de vir, sempre que tenho tempo venho aqui – Ela disse, mexendo na bolsa rapidamente e eu pude ver uma câmera.

— Você é fotógrafa? – Eu perguntei, curioso.

— Ah sou! Eu tiro fotos da natureza. Sabe National Geographic? Bem nesse estilo – Ela disse, sorrindo animadamente. Eu me sentia ficar cada vez mais encantado por aquela estranha. Ouvi um toque de telefone e percebi que era o dela, ela se desculpou e depois de deixar a mesa por alguns minutos ela voltou correndo. – Me desculpa, eu tenho que ir – Ela disse, sorrindo sem graça.

Só depois de ver sua pequena silhueta saindo do restaurante que eu percebi que em momento algum perguntara-lhe seu nome.

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(07/07/2003)

Fazia um ano que não parava em casa praticamente. Ocasionalmente aquela estranha vinha a minha cabeça, porém não tinha como encontrá-la então desistir de tentar achá-la depois de algumas semanas, já que ela não voltara à doceria por um longo tempo. Meses atrás eu havia acabado minha faculdade e finalmente era o dono das empresas, ainda com muitos conselhos de meu pai, já que achava importante escutar alguém com anos de experiência.

Eu decidira viajar por uma semana, iria de trem para Oxford e de lá decidiria o que fazer. Eu entrei no trem olhando para o bilhete que tinha em mãos vendo se tudo estava certo e foi com muito alívio que percebi que sim. Porém ao olhar para baixo não percebi uma pessoa vindo a meu encontro, com o impacto de duas pessoas se batendo, nós dois caímos no chão.

— Me descul- – Eu comecei a falar enquanto olhava para cima, qual não foi minha surpresa ao ver os olhos da estranha que tanto procurava me encararem de volta. – Você!

— Você! Nossa, não imaginava encontrá-lo aqui – Ela disse, rindo e se levantando rapidamente, pegando a pequena maleta que deixara cair no chão.

— Nem eu encontrá-la aqui – Eu disse, sorrindo largamente. Nós rapidamente sentamos um de frente para o outro nos bancos mais próximos e começamos a conversar – Antes que me esqueça, qual seu nome, senhorita? – Eu perguntei, arqueando uma sobrancelha.

— Eu sou Mary Smith, prazer em conhecê-lo, Sr... – Ela disse, estendendo a mão que eu segurei satisfeito.

— James Griffiths – Eu disse, sorrindo – Pelo menos dessa vez eu não a perderei de novo já que já sei seu nome – Eu sorri e ela mordeu o lábio inferior levemente antes de sorrir de volta.

— Então estava me procurando, Sr. Griffiths? – Ela indagou, com um leve arquear de sobrancelhas e um sorriso encantador.

— Claro! Quem não procuraria uma senhorita tão encantadora quão você? Além do mais você nunca mais voltou à doceria. – Eu ri levemente e pude ver suas bochechas ficarem levemente coradas.

— Bom saber que eu não era a única pensando em certo ruivo. – Ela riu antes de dar de ombros – Eu estava trabalhando fora da cidade o ano passado, não tinha como voltar lá – Ela disse, suspirando. – Então... Seu destino também é Oxford? – Ela perguntou, curiosa.

— Sim, vou passar uma semana fora. E você? – Eu indaguei.

— Estou a trabalho, porém só levará um ou dois dias para terminar. Estarei livre pelo resto dos dias – Ela disse sorrindo.

Mal sabia eu que eu passaria sete dias inteiros com ela, inclusive enquanto trabalhava. Mas de uma coisa eu sabia, sete dias foram o suficiente para me apaixonar por ela.

Durante esses sete dias nós conversamos muito. Descobrimos muitas coisas um sobre o outro. Porém o que me fez pensar muito foi quando ela me disse que sofrera por amor também, e naquele momento tudo que eu conseguia pensar era que os mais lindos sorrisos escondiam as pessoas que já sofreram muito, porém foram fortes o suficiente para deixar isso para trás.

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(15/06/2005)

Eu e Mary estávamos para casar. Eu mal podia acreditar. Faltava menos de um mês e eu estaria casado. E então poderia mostrar para Elizabeth que estava muito feliz sem ela.

Eu nunca esquecera meus planos de fazer Elizabeth sofrer, foram deixados de lado por algum tempo. Nunca esquecidos.

Nós sairíamos para jantar essa noite, para comemorarmos que o casamento estava chegando. Mary saiu do quarto com um largo sorriso, usava um lindo vestido azulado e uma maquiagem de leve.

— Está linda, amor – Eu disse, segurando sua mão e levando-a para o carro. No trajeto para o restaurante nós conversamos sobre tudo e sobre nada. E assim foi parte da noite já no restaurante. Pelo menos até ele chegar.

— Mary? – Eu ouvi alguém chamar ela atrás de mim e vi os olhos de Mary se arregalarem e virei para ver que a chamava e fiquei surpreso ao ver quem era.

— Ty-Tyler? – Mary sussurrou e se levantou rapidamente – O que você está fazendo aqui? – Ela perguntou e automaticamente me levantei.

— Então é com ele que você vai casar? Foi por ele que você me trocou? – Tyler perguntou, com os punhos cerrados e com o rosto contorcido em raiva.

— Eu não te troquei Tyler, nós terminamos anos antes deu sequer conhecer James – Ela disse, com a voz meio trêmula.

— Vocês se conhecem? – Eu perguntei, de certo modo confuso.

— Ah, ela não te contou? Ela era minha namorada – Tyler disse, sorrindo de escárnio.

— Porque eu contaria? Vocês não se conhecem, não? – Mary disse, me olhando já confusa.

— Quantos segredos! – Disse Tyler, rindo ironicamente – Querida Mary, acho que você deveria conhecer melhor o noivo que tem. Eu era o melhor amigo dele, até cometer o erro de ficar com Elizabeth – Eu vi Mary franzir o cenho, já que eu nunca contara exatamente a história inteira para ela. – Oh, ele não te contou essa parte, não? A que ele prometia fazer a vida da Elizabeth um inferno e de quebra a minha também? Não se preocupe Mary, você é só um peãozinho no plano dele. Ele ainda ama a Elizabeth, e só está te usando. Se quiser ter certeza, vá checar a sua lista de convidados do casamento. Elizabeth George estará lá, e você sabe por quê? James precisa dela lá para mostrar seu mais novo troféu, a esposa. Ao que parece você não conseguiu fazer Elizabeth ser tão insignificante em sua vida quanto queria, James. – Disse Tyler. Mary me olhou e eu pude ver a mágoa nos seus olhos, a próxima coisa que eu vi foi ela correndo porta a fora.

— O que você acha que fez?! – Eu gritei para Tyler que riu.

— Você acabou com minha vida uma vez, agora era minha vez – Ele disse, me olhando dentro dos olhos – Só que a sua vez será bem pior, Mary não merece o que você está fazendo com ela. Ela merece alguém que a ame, e quando ela precisar... Eu estarei lá – Tyler disse, segundos antes do meu punho acertar seu rosto.

Eu saí correndo do restaurante, tentando achar Mary. Mas nem ela nem meu carro estavam lá. Eu comecei a correr para casa, precisava vê-la. Precisava que ela estivesse bem.

Quando cheguei a casa 20 minutos depois, vi que estava tudo apagado, só a luz de meu quarto estava acesa. Eu caminhei lentamente até o quarto e ao chegar lá, viu Mary sentada na cama com um papel em mãos. Assim que ela levantou o rosto, vi suas lágrimas rolando por suas bochechas.

— Quando ia me contar? – Ela perguntou, se levantando e me encarando com olhos furiosos.

— Mary, eu- – Eu comecei, porém o que falaria... Eu não contaria.

— Eu achei que realmente me amava! Eu achei que não havia segredos entre nós! – Ela disse, socando meu peito com sua mão e eu só deixei que fizesse.

— Eu te amo! – Eu disse.

— Então porque chamá-la para nosso casamento? – Ela perguntou e eu mordi o interior da minha bochecha.

— Eu preciso que ela veja que eu estou feliz sem ela, eu preciso que ela veja que é insignificante para mim! – Eu disse, desesperado pelo apoio de Mary.

— A chamando e querendo que ela veja que você está feliz não a faz insignificante em sua vida, pelo contrário! Só a faz muito importante! – Mary disse, tomando dois passos para trás. Ela já não estava furiosa, mas o que eu via em seus olhos era pior: mágoa. – Eu estava tão feliz, para que estragar isso? Saia! Saia do quarto agora! – Ela disse, me empurrando.

Depois dessa discussão, eu passei três dias fora de casa. Porém voltei e me desculpei, eu realmente amava Mary e fiquei feliz ao vê-la me perdoar, eu falei de cancelar o convite de Elizabeth, mas Mary disse que não poderíamos, pois já haviam sido entregues.

— Mas James, esse rancor e mágoa toda que você sente, se você continuar assim um dia te destruirão. Você não cresce por causa desses sentimentos, você não me ama completamente por causa desses sentimentos. Eu só espero que você perceba isso logo – Ela disse no dia que eu voltara, antes de dormir. E foi com aquilo em mente que eu adormecera.

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(07/07/2005)

O grande dia chegara e eu estava muito nervoso. Meu pai tentava me acalmar enquanto se controlava para não rir. O casamento seria grande e eu esperava que fosse perfeito, Mary merecia isso.

— Eu acho que vou vomitar – Eu disse e meus padrinhos riram, me dando tapinhas nas costas.

— É claro que você não vai vomitar, imagina se estraga o terno – Um deles disse, revirando os olhos.

20 minutos depois lá estava eu no altar, esperando Mary e torcendo para que ela não desistisse do casamento de repente.

Eu olhei ao meu redor e vi Tyler sentado na direita, parecendo meio para baixo e por um momento me senti mal por ele. Então meus olhos pararam em Elizabeth e vi que ela me encarava com olhos tristes, eu me senti tão bem com aquilo. Eu havia ganhado.

Mas não tive tanto tempo para comemorar isso, pois Mary entrou e toda minha atenção ficou focada nela. Ela estava linda, deslumbrante.

A cerimônia não foi muito demorada e quando vi, já tinha Mrs. Griffiths ao meu lado. Mary sorria tão feliz e eu não podia parar os meus próprios sorrisos.

— Eu desejo felicidade para vocês – Eu ouvi a voz que tanto odiava atrás de mim e virei juntamente com Mary que sorriu.

— Obrigada! – Ela disse e sorriu, eu continuei impassível sem que Mary percebesse – Que lindo colar! – Minha mulher disse e minha atenção foi desviada para o pescoço de Elizabeth, onde eu encontrei o colar que anos antes eu dera para ela. Eu sorri irônico ao pensar o quanto tudo mudou.

— Ah, obrigada. Ele é muito especial para mim – Ela disse, segurando o colar. Eu segurei a cintura de Mary e chamei sua atenção para mim.

— Mary, temos mais convidados para cumprimentar. Obrigado por seus votos de felicidade, mas nos dê licença – Eu disse e logo saí com Mary, que me observou confusa.

— Porque a pressa? – Ela perguntou antes de olhar para trás e parecer entender alguma coisa – Ah, essa é a tal Elizabeth George, não? – Ela perguntou e eu assenti.

— Não vamos dar atenção a ela, temos ainda uma festa de casamento para aproveitar – Eu disse, dando um selinho nos lábios convidativos de minha mulher.

Minha mulher, como aquilo soava tão bem.

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(09/12/2006)

Já fazia mais de um ano que estava casado com Mary e nunca fora tão feliz. Claro que tinha uma discussão aqui e outra ali, porém no geral éramos muito felizes.

Hoje seria o dia do encontro da classe de 1999 e Mary me acompanharia, mesmo que andasse meio estranha esses dias.

— James! – Eu a ouvi me chamar, havia urgência em sua voz e corri para o quarto.

— O que? – Eu perguntei, preocupado. Ela me olhou e tinha lágrimas no seu rosto.

— Eu estou grávida – Ela disse e eu fiquei sem reação nenhuma. Ela me olhou preocupada

— E-Eu... E-eu – Eu comecei a gaguejar e Mary riu levemente.

— Quer tentar de novo? – Ela perguntou e eu assenti.

— James! Eu estou grávida – Ela disse e eu sorri, a abraçando e rodopiando, dessa vez reagira da maneira certa.

— Eu não acredito! Vou ser pai! – Eu gritei, chorando de felicidade.

Naquele dia festejamos até dar a hora de irmos para a reunião. Quando chegamos lá, fomos muito bem recebidos. Abraços e mais abraços, muitos rostos conhecidos.

— Pessoal, tenho algo a falar – Eu anunciei e segurei a mão de Mary, que sorriu – Eu serei papai – Eu disse e todos começaram a gritar, comemorando o mais novo papai. Foi anunciado que eu seria pai e eu só ria com a animação de todos.

Eu estava cuidando para Mary sempre tivesse comida, já que agora comia por dois. Quando alguém chegou por trás de nós.

— Olá! Parabéns pelo bebê – Eu ouvi a voz de Elizabeth e virei para encará-la, eu sorri e abracei Mary por trás que também sorriu.

— Ah, Liz! Eu nem tinha te visto aqui! E obrigado, eu estou muito feliz! – Eu respondi.

Naquele momento percebi que após o casamento eu nunca mais pensara em Elizabeth e que eu já não a odiava, eu sentia pena dela. Os sentimentos que me machucavam já tinham se ido e Mary fora quem fizera aquilo por mim sem saber.

Eu a fizera insignificante em minha vida. Eu já não precisava dela, a única mulher que eu amava e que precisava em minha vida estava naquele momento em meus braços e com o meu primogênito em seu ventre e eu não podia me sentir mais feliz com aquilo.

Notas finais
O que acharam? Gostaram? Mais ou menos? Quero a opinião de vocês! Beijos
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.