Here We Go Again

1 Someone Like You


Notas iniciais
Adele - Someone Like You
;*

– Baylor, quieto. – ordenei quando observei o cachorro deitado a frente da porta do apartamento. – Os vizinhos vão reclamar.

O animal se calou abaixando a cabeça com o focinho encostado na porta.

O que ele queria?

Já demos nosso passeio de fim de tarde e agora, quase nove da noite, começa com as manhas de cachorro mimado.

Tina dó de meu animal de estimação, mas não podia deixá-lo fazer barulho ou todo o trabalho de conseguir a certificação positivo do síndico para animal no prédio iria por água abaixo.

Tentei chamá-lo para meu lado no sofá, mas parecia impossível desviar sua atenção.

O choro começou novamente no momento que foquei meus olhos no aparelho de televisão.

– Baylor! – repreendi levantando. – O que quer?

Assisti ele ficar de pé, o olhar de piedade focado em mim enquanto arranhava a porta.

– Não podemos ir passear agora. – suspirei, mas nada adiantou.

O choro continuava a incomodar meus tímpanos humanos e com uma piscadela rápida de raiva fui até a porta, abrindo.

– O que quer? Não tem nada aqui... – comecei irritada por ter de atrapalhar meu sossego noturno com as vaidades de um cão, mas paralisei ao ver a figura apoiada na parede lateral de minha porta. – O que... p-porque...

– Olá. – sorriu timidamente.

– Demi? – perguntei na incerteza, tento a certeza de não ser uma brincadeira de mal gosto de minha mente. – Você... você esta na cidade.

Isso não foi uma pergunta, ela estava a minha frente. Os cabelos pretos de sempre com suas jeans escuras e all-star, ninguém diria de aparência ter a profissão que tem.

– Estou. – desencostou as costas na parede rapidamente, em insegurança. – Acabei de me mudar.

– Mudar? – não queria expressar esse olhar: esperança. – Esta de volta?

– Sim. – limpou a garganta enquanto Baylor se enroscava alegremente em suas pernas. – Eu disse que era provisório.

De repente me senti desconfortável em minha simples camiseta larga e sorte curto de pijama.

– Parabéns pelo namoro. – congelei a menção das palavras. – O porteiro, Jack, me disse. Taylor é... bem, parabéns.

– Porque veio aqui? – fui direta.

– Hm, não sei. – mergulhou as mãos nos bolsos da jaqueta de couro. – Só achei que seria uma boa avisar você que estava de volta.

– Porque não bateu?

– Eu, meio que, estava desistindo. – sorriu sem me encarar. – Seria muito estranho. Bem, esta sendo estranho.

Observei o cachorro brincalhão nos pés calçados nos tênis sujos sorrindo como o velho hábito de não limpar os sapatos ainda a assombrava.

– Também senti saudade, Baylor. – sorriu Demi ao se abaixar e acariciar o cão. – Aaah, não.

Fechei os olhos fortemente para a cena á minha frente. Minha ex-namorada brincando com meu, barra nosso, cachorro com seu sorriso que continua me encantando.

– Quer entrar? – ofereci por educação, sabendo não ser a coisa certa a fazer.

– Não, obrigada. – levantou-se ainda olhando para o animal, o sorriso se diminuindo aos poucos ao focar meu rosto. – Acho que já voltou. Desculpe interromper qualquer coisa.

– Não, imagina. – tentei sorrir mas foi possível ler meu embaraço, pelo menos para ela. – Até mais.

– Até. – puxou os cantos dos lábios ao dar-me as costas, rumo ao elevador.

Digamos que tinha muito trabalho para colocar Baylor para dentro novamente. Ele sentia tanta saudade de sua segunda mãe quanto eu e minha vontade deve que ser reprimida quase a morte ao observá-la sair de meu alcance, de novo.

Sentei-me sofá seguida de Baylor. Agora sabia que não conseguiria dormir.

Porque todas essas palavras sem sentido? Porque a desculpa esfarrapada?

Lembro-me bem do dia que nos separamos e também do quanto chorei. E agora, quando meu coração esta quase totalmente reconstruído por outra pessoa, ela volta falando coisas fofas para nosso cachorro a porta de meu apartamento.

Toc toc toc – ouvi.

Minha cabeça deslocou-se em susto do olhar cego na Tv.

– Já vai. – estranhei o horário, abrindo a porta. – Demi? O que voc...

Quase gritei quando fui empurrada contra a parede posterior a madeira da porta, sendo impedida por uma mão quente que logo cuspi de meus lábios ao focá-la assustada.

– Admita Selena. – começou, a respiração batendo forte contra minha pele e minha mente se recusando a admitir que sentia falta.. – Admita para si mesma o desejo de fechar os olhos e aproveitar o momento, o desejo de me beijar e dê ouvidos aquela voz no fundo de sua cabeça, chamada consciência, que grita meu nome. Consegue ouvir? Ouça.

Não sabia como me comandava assim, mas quando o silencio tomou o pouco espaço entre nós uma voz foi ouvida e sabia ser a única a fazê-lo.

Demi... Demi...

Assustei-me quando reconheci, abrindo os olhos semi-fechados e quase rendidos a seus pés. Era voz de Taylor, minha atual namorada. Namorada.

– Demi, chega... – tentei empurrar seu corpo fora do meu, mas a força foi tão mínima que quase me peguei caindo com os joelhos fracos; não queria sair de lá.

– Não consegue me esquecer, não é? – continuou a voz baixa e ligeiramente risonha. – Admita, e faça em voz alta.

– N-não sinto sua fa-falta. – não consegui esboçar a metade da coragem de quando produzi a frase em minha mente.

– Mentirosa. – a ponta de seu nariz roçou em minha pele tensa da bochecha, fazendo um suspiro que só existia em meus pensamentos escapar. – Aquela sua namorada, seja-lá-qual-for-o-nome, é somente uma distração, não? Admita que esteve pensando em mim todas as vezes que seus lábios se tocaram; que imaginou meus dedos a correr sob seu cabelos enquanto fingia dormir após um filme; que as sensações de seu toque era automaticamente transformadas nas dos meus; e que ouve minha voz em vez da dela quando a boca da loira pronuncia “eu te amo” e, embora não tenha coragem o suficiente para responder sua namorada nas mesma palavras, faz isso mentalmente substituindo o nome dela pelo meu.

A de cabelos negros aspirou forte o ar na lateral de meu pescoço, fazendo-me imitar o ato com um gemido em prazer.

Estava totalmente desarmada para com minha ex-namorada. Ela sabia o que falar e fazer comigo em seus braços, não muito diferente de Taylor, mas era ai que geral a questão: porque as sensações não eram iguais?

Os lábios doces tocaram a cartilagem de minha orelha num beijo carinhoso e, percebendo que não poderia afastá-la, os dentes agiram na carne, mordendo-a tão gentilmente quanto pode enquanto uma mão invadiu possessivamente minha cintura.

Sabia que no momento que meus olhos fechassem rendidos haveriam conseqüências e, embora estalassem os órgãos abertos em menos de dois segundos, nunca veria o mundo igual novamente.

– Deixe-me te fazer feliz essa noite. – pediu, a voz gentil e ao mesmo tempo firme, do jeito que só ela fazia. – Deixe-me tentar essa noite e admito as mesmas coisas que exigi de você. Te imploro.

Aquelas palavras selaram meu pensamento, selaram minha consciência, selaram minhas fúteis palavras, mas não selaram meu coração martelando mais rápido que nunca nesse ano sem ela.

Peguei o rosto bonito e delicado entre minhas mãos, a focando o mais fundo possível para um momento de três longos segundos, não hesitando em bater nossas bocas juntas.

Foi um acesso tão imediato como se a chave da porta principal fosse finalmente encontrada dentro do chaveiro lotado e tudo que pensei nunca mais sentir na vida, tudo que pensei ser ilusão enquanto estava em seus braços, voltaram naquele toque.

É claro que pensou ser ilusão, Taylor não lhe proporcionava isso; dizia a voz em minha cabeça.

Percebi sua tentativa, logo falha, de fazer do beijo um toque gentil de saudade, sendo impedido por mim.

Não estava a procura de saudade. Já havia sentido isso inconscientemente a dois anos inteiros, tempo demais para uma estudante séria que lutava para manter a vida particular separada do trabalho. Um esforço totalmente ignorado quando essa médica entrou em minha vida.

Tudo desmoronou naquele momento, assim como no momento do fim do relacionamento.

Era isso que tinha: saudade. E era um sentimento que não queria mais, um sentimento odiado.

Senti meu corpo sendo pressionado contra a parede fria, os dedos longos em minha cintura me mantendo quase flutuando enquanto implorava a passagem imediata de minha língua para sua. Agora os lábios eram somente uma cobertura para a verdadeira ação que ocorria embaixo desse “lençol”, só um mero detalhe que podia ser quase ignorado.

Suas mãos desceram parando em minhas coxas e fazendo-me suspirar quando apertou minha carne, forçando a pressão para cima.

Agora estava fisicamente fora no chão, minhas pernas envoltas na cintura perfeita enquanto raspava minhas unhas no couro cabeludo que exalava o famoso aroma impregnado no travesseiro ao meu lado em minha cama; uma coisa que nunca mudaria.


Notas finais
Bem, um pequeno projeto paralelo de World Of Chances pra vcs. Talvez não demore muito na postagem, até o próximo ;*
Review ?