Notas iniciais
Coldplay - Shiver
;*

Despertei desejando de noite passada fosse somente mais um de meus sonhos bons demais para ser realidade, mas provei ao abrir os olhos que não fora.

Suspirei ao focar o quarto bagunçado demais para a moradia de uma única mulher, mas ao olhar para o lado da cama de casal não havia ninguém.

Por algum motivo fiquei mais preocupada que deveria.

Ela havia ido embora?

Me deixado novamente após conseguir o que queria?

Procurei com olhar silenciosos algo que me provasse o contrario e um sorriso que logo escondi formou-se em meus lábios ao encontrar a famosa camiseta de banda no chão: exatamente onde havíamos a deixado, ou jogado.

Estiquei-me para ela, agarrando o tecido como se fosse parte dela.

Preferiria que fosse um sonho, mas já que era realidade ela não fugiria mais. Não deixaria.

Vesti a camiseta rocker após minhas roupas intimas, sabendo que não iria embora sem ela. Não iria embora sem falar comigo.

Deitei-me novamente, agora de frente para onde sabia que seus cabelos foram esparramados.

Parei as ordens de repreensão de sorrisos ao saber estar sozinha no quarto.

Sentia falta dela, muita falta.

Seus braços ao redor de mim ontem barra hoje me fizeram sentir-me tão protegida quando seus abraços freqüentes após caricias amorosas, seu sorriso iluminou a escuridão onde comecei a viver inconscientemente desde sua partida. Em nenhum momento passou por minha mente a sensação de ser errada, não vinda de meu coração. Embora minha cabeça estar ciente que uma conversa séria teria de acontecer entre mim e Taylor, mas ela vinha primeiro; como sempre.

Apertei o travesseiro onde sua cabeça fora apoiada desde sempre contra o peito, chegando quase perto do conforto dessa noite, fechando os olhos com calma.

Poderia dormir novamente e tenho quase certeza que teria se não tivesse sentido dedos conhecidos em minha bochecha.

Abri os olhos encarando a mulher sentada da beirada da cama e antes que pudesse falar algo sua mão pegou a minha.

- Acho que preciso disso. – apontou com o olhar para a camiseta que vestia, fazendo-me notar só faltar ela em suas roupas de ontem.

Sorri a perceber não precisar manter a guarda alta, surpreendendo-a pelo olhar.

- Já não tenho a mesma certeza de quando a vesti se irei ou não devolver. – puxei minha mão sobre a sua.

- Então espera saia assim? – brincou deixando o sutiã preto mais amostra.

- Sim. – sorri. – Ou pode ficar comigo.

- Hm, essa segunda opção me agrada mais que deveria para uma ex-namora, mas não posso. – continuou o jogo de nossas mãos, na luta de quem ficaria por cima.

- Deixe-me adivinhar: o hospital esta te chamando. – suspirei cansada, tentando esquivar minha mão da sua mas fui impedida.

- Sim esta, mas por favor não fique brava. – pediu segurando meus dedos entre os seus, parando num especial no qual repousava uma aliança de namora. – Belo anel de compromisso, deve ter custado caro.

Agora foi minha mão apartando a dela, impedindo-a de sair novamente sem uma explicação.

- Demi, adorei essa noite mas foi errado e...

- Eu compreendo. – sorriu, seria fácil acreditar se não a conhecesse tão bem.

- Não, não compreende. – sentei-me certa que levaria um bom tempo.

- Ao contrario, eu realmente entendo. – continuou o discurso. – E admito ter toda a culpa. Eu fui embora, te deixei para trás por uma oferta idiota de emprego, abandonei todos nossos planos por um dinheiro que nem ao menos precisava. Tudo que queria já estava comigo, mas ignorei. Agora eu volto completamente do nada, te empurro contra uma parede ciente que receber um tapa da cara como resposta mas... você me beijou.

- Não sei o que me deu, eu só precisava de você. – tentei justificar, mas parecia até para mim mesmo tão falso. – Preciso de você.

- Não precisa. – beijou minha mão, como num ato de despedida. – Essa noite foi maravilhosa, mas não posso simplesmente estragar mais uma vez os planos de sua vida.

Tentei segura-la mas minha força foi pouca, sentindo seu coração escapar literalmente entre meus dedos.

Numa piscada de olhos não havia mais ninguém no quarto, o que quase me fez suspeitar novamente de ser um sonho, mas congelei ao perceber que uma camiseta minha havia sumido.

- Não, Demi, espera! – gritei saltando da cama. – Não vá...

Corri pelo apartamento pequeno, encontrando-a já no lado de fora da porta aberta.

Segurei sua mão sob a maçaneta.

- Se você me deixar de novo, juro que... – tentei, mas a voz não era o que esperava. – Que...

- Selena, não precisa falar nada... – o começo forçado dum sorriso fez caminho para sua face.

- Como você pode tentar sorrir num momento assim. – briguei segurando mais forte sua mão na minha. – Estou me acabando para não ter você fora da minha vida de novo e a única coisa que faz é mostrar sorrisos falsos de que esta tudo bem. Não esta tudo bem!

- Forçar sorrisos é a única coisa que posso fazer agora Selena. – falou, não em mesmo tom meu mas firme. – O que você queria? Que batesse em sua porta te implorando de volta? Não tenho esse direito e não me rebaixaria a isso, você me conhece.

- Então você volta para cidade, me beija, passavam a noite juntas e vai embora pela manhã? – voltei em perguntas retóricas. – Se chegasse implorando pelo menos podia ter em certeza que gosta de mim como antes.

- E ainda tem duvida? – franziu o cenho. – Selena, nós passamos a noite inteira na cama com caricias e palavras de amor...

- Não foram somente palavras Demi, foram promessas. – peguei seu braço com a outra mão, não a deixaria escapar por nada. – Pelo menos foram para mim.

Sabia que as palavras “eu prometo” nunca haviam saído de sua boca, mas me parecia não claro a idéia que aceitei sem hesitar. Plantando uma semente que floresceu mais cedo que esperava.

- Quer saber, se para você foram promessas para mim também será. – seu olhar passeou de minhas unhas quase gravadas em sua pele para meus olhos. – E não vou te deixar mais, prometo.

- E o que esta fazendo? – perguntei quase chorosa.

- Indo trabalhar. – respondeu sorrindo ao tentar desvencilhar-me dela. – Eu volto.

- Quando?

Senti que a pegara nessa pergunta. E também sabia ser imprevisível.

(...)

- Então, como andam as coisa? – perguntou a voz eletrônica de Taylor do outro lado da linha telefônica.

- Bem, bem... – respondi, sabendo ser pega na distração.

- Não parece. – riu. – Ande, me conte tudo.

- Hm, Tay, nós precisamos conversar. – pedi, suspirando ao sentar ereta no sofá. – Mas não consigo dizer por telefone.

- Quer que pegue o próximo avião para New York? – perguntou preocupada.

- Não, não. – neguei rápido, pois sabia que ela faria. – Você volta em quanto tempo?

- Bem, a conferencia acaba em dois dias e mais um para puxar o saco de meu chefe: três dais. – falou tentando parecer descontraída mas ainda percebi a insegurança. – Posso adiantar se quiser...

- Não, esta ótimo. – respondi, ouvindo um som da porta. – Vou desligar, tem gente da porta.

- Ok, até mais amor. – desligou, fazendo-me suspirar pesadamente na ultima palavra.

Porque Demi tinha que voltar logo agora?

Se esperasse um ou dois anos talvez essa conversa entre mim e Taylor nunca aconteceria.

Ouvi o barulho de dedos da madeira novamente e fui até a porta, prendendo a respiração quando vi a pessoa. Mas não contendo o riso na expressão fofa em seu rosto.

- Tem alguém em casa? – perguntou Demi, estreitando os olhos.

- O que veio fazer aqui? – tomei sua pergunta, sorrindo ao me encostar no batente da porta de braços cruzados.

- Pegar minha camiseta de volta. – respondeu sorrindo.

- Creio que não será possível. – suspirei ao brincar com as pontas de minha franja, sabia que gostava do movimento. Ou pelo menos gostava. – El anão é mais sua propriedade. É meu pijama.

- Hm, até que não fiquei com raiva. – piscou fazendo-me corar. – Não vai me convidar para entrar?

Parecíamos duas adolescentes no começo de um romance. Todos os sorrisos que me permitir dar em repreensão esboçavam isso claramente.

- Se veio só pegar sua, digo minha, blusa não precisa. – falei brincalhona.

- Ok, então acho que... – virou-se entrando no jogo, mas logo segurei seu braço. Batendo nossas bocas quando voltou na posição inicial.

Nossos lábios separaram-se o bastante para conseguir dar um sorriso bobo, começando logo o próximo.

Acho que ficaríamos um bom tempo assim se o familiar toque de guitarra não tivesse ecoado do celular em seu bolso.

- Droga. – disse sussurrante ao largar minha cintura.

Tirei minhas mãos de seu pescoço dando o espaço necessários para que atendesse a chamada, mas não aconteceu. Num momento estava observando o identificador brilhante e, no outro, o aparelho e a bateria eram duas coisas separadas.

- O que... – tentei ao assistir o telefone movil sendo arremessado para dentro de meu apartamento. – Demi! Pode ser do hospital.

- E é. – segurou minha cintura novamente, impedindo-me de tentar recuperar a chamada que havia perdido. – Mas avisei-os que estaria ocupada.

- Pode ser importante. – continuei no pensamento de poder se o motivo da morte de alguém.

- Selly, acha que viria para cá se não houvesse pessoas responsáveis do hospital? – riu ao começar um novo beijo rápido. – E agora? Posso entrar?

- Hm, vejamos. – separei-me a ponto de observar a roupa simples de rocker.

- O que esta fazendo? – perguntou risonha.

- Estudando para escolher qual peça de roupa vou pegar hoje. – pisquei para a de cabelos negros, antes de puxá-la para dentro.

Notas finais
Demorei, não é ? Desculpe ! Mas como fiz o post de World Of Chances ontem resolvi fazer esse.
Desculpem os erros, mas não deu para revisar. Até o próximo post ;)
Review ?