Herdeiros - A Batalha de Jade / Interativa
2 Capítulo Um - Aluno novo e mais pesadelos.
Notas iniciais
Dor. Acordei sentindo muita dor. Meu rosto e meus cabelos estavam empapados de suor e meus osso pareciam que iam se desintegrar a qualquer momento. Levantei da cama cambaleando, tentando respirar. Abri a janela esperando que o vento frio pudesse me ajudar, mas para meu azar, hoje era uma das noites quentes de verão.
Fechei a janela e voltei ao quarto. Olhei para o relógio em cima do criado mudo e dei um suspiro ao ver que eram apenas 4:35AM. Aquelas imagens... Elas não saiam da minha cabeça. A dor do fogo consumindo você pedaço por pedaço. Tenho tendo esses pesadelos a algumas semanas. E o de hoje foi o mais desesperador de todos. Era eu. Era eu na fogueira. Era eu quem estava sendo queimada viva e servindo de atração para homens e mulheres que pareciam satisfeitos em me verem queimar.
Coloquei um short e sapato qualquer e sai de casa sem fazer barulho para não acordar minha irmã mais nova e Will. Will é o nome do meu pai, que apesar de ter essa função, não é. E eu me recuso a chamar alguém assim de pai.
Corri pelas ruas vazias de Eastwood, esperando que aquilo me ajudasse a esquecer aquelas imagens. Corri sem parar, mesmo meu corpo pedindo por uma pausa, eu me recusei a parar um segundo se quer. Quando cheguei em casa, o céu já estava claro.
"Onde você estava?" — Will perguntou-me sentando no sofá. Eu o ignorei e segui pro meu quarto tomando um banho que pareceu me devolver todas as minhas forças para aguentar mais um dia que se seguia. Coloquei uma calça jeans, uma blusa qualquer e meu tênis e segui para o quarto de Clary.
Ela continuava dormindo. Adentrei o quarto de paredes pretas e quadros bizarros e sentei na sua cama e colocando a mão em sua testa. Queimando. Ela estava queimando em febre. Suspirei, abominando a ideia de ter que ir para a escola e deixar Clary sozinha aqui e ainda por cima doente.
Coloquei um comprimido em cima do seu criado mudo e segui em direção a cozinha ajeitando a mochila nos ombros. Peguei uma maçã qualquer e fui em direção a porta, mas fui impedida por uma mão que segurou meu pulso com força. Tanta força que eu soltei um ruído pela boca e fiz uma careta de dor.
" Você acha que pode sair e fazer o que quiser? Pois saiba que não pode. De castigo. Sem celular por uma semana." — o olhei indignada. Eu não ficaria calada. Não mesmo.
" Quem você acha que é pra fazer algo assim? Meu pai? Você deixou de ser meu pai a muito tempo. Agora você é só um babaca que sobrevive as custas da herança da minha mãe."
A única coisa que senti foi um tapa no lado esquerdo do meu rosto, que ficou dormente na hora. Me soltei o mais rápido que consegui e sai porta à fora e caminhei rápido para o colégio. Queria ficar o máximo possível longe daquela casa que só me trazia memórias dolorosas. Senti algo escorrer pelo meu queixo e pingar na minha blusa. Sangue.
"Ótimo." — murmurei limpando o canto da boca que sangrava com o dedo. O colégio Eastwood High não era tão longe assim por esse motivo cheguei mais rápido que esperava. Entrei na escola esperando que ninguém me visse, o que era algo fácil porque ser invisível era o melhor que eu fazia.
Coloquei a senha do meu armário e abri pegando o livro de história e deixando meu trabalho de matemática dentro. Antes de fechar, senti alguém parar do meu lado. Não era preciso me virar pra saber que era Kyungie, meu melhor amigo coreano que me passava todas as colas nas provas de exatas, nas quais eu era péssima por sinal.
" Seu lábio tá sangrando. Não me diga que..." — interrompi ele antes que começasse a tagarelar sobre o meu pai. Ele ficava muito irritado quando isso acontecia.
" Não foi nada. Eu apenas caí da escada por culpa da Clary." — dei uma desculpa qualquer. Ele me olhou desconfiado, mas pareceu engolir. — " Vamos logo porque eu não posso me atrasar para a próxima aula." — Kyungie revirou os olhos e me seguiu sem dizer nada.
Assim que cheguei na sala de aula procurei um lugar vago que para minha alegria era na janela. Coloquei minhas coisas e sentei na maior calma do mundo vendo Kyungie sentar na banca ao lado. Um tempo depois o professor chegou e começou a dar a sua aula. Eu não estava prestando a mínima atenção, até alguém entrar pela porta.
" Foi mal pelo atrasado, posso entrar?" — o garoto disse olhando o professor como se aquilo fosse uma resposta ensaiada. Ele tinha o semblante sério e cabelos loiros extremamente bagunçados. Eu não gostei dele. Nem um pouco. Minha intuição me dizia para ficar à quilômetros de distância se preciso.
" Você deve ser Henry, o aluno transferido, certo? Tudo bem, sente-se e faça silêncio." — ele sentou na única banca vazia que ficava do outro lado da sala.
" Foi só eu, ou você também sentiu algo estranho nesse daí? — Kyugie virou a cabeça pro lado e perguntou fazendo uma careta.
" Acho que fomos os únicos. Porque a turma inteira, principalmente as garotas, parecem ter gostado dele." — murmurei por fim olhando para a janela totalmente desinteressada no que o professor falava.
" Você poderia me dizer quais eram esses métodos, Emma?" — o professor me olhou com expectativa e eu engoli em seco não fazendo a mínima ideia da resposta. Olhei de relance para o livro de Kyungie e vi que o assunto era a Caça as Bruxas. Ah, sim. Um dos assuntos que eu mais odeio.
" E então, Emma?" — eu dei um longo suspiro antes de falar:
" Afogamento. Enforcadas em praça pública..." — disse sentido uma sensação estranha tomar conta de mim.
" Ainda faltou uma, Emma. Sei que você sabe, vamos lá." — que droga! Eu já respondi! Custa continuar com a sua aula patética? Pensei, mas nada disse. Com um olhar sério e frio, eu disse:
" Queimadas vivas." — A sala ficou em silêncio. Não sei se foi por causa da resposta ou da maneira como falei. Voltei meu olhar para a janela, vendo alguns gatos que estavam no pátio me olharem estranho. Aquilo era muito bizarro. Mas dei de ombros e deitei a cabeça na banca esperando que aquela passasse o mais rápido possível.
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