Herdeira Das Trevas.

3 Capítulo 2 - Beco Diagonal.


Notas iniciais
SEI QUE EU DEMOREI PRA CARALHO. MEU DEUS, PODEM ME LINCHAR. AHUAIHAIUHUIA.

Capítulo 2 – Beco Diagonal

Cabelos castanhos escuros e ondulados, olhos negros e uma boca carnuda. Uma expressão séria e esnobe. Era o que eu via, enquanto estava sentada em frente ao espelho da minha penteadeira. Eu era parecida com meus pais, olhando direito.

—Querida, eu tenho uma pequena surpresa pra você! – me despertei dos pensamentos fixados em meus pais, quando tia Narcisa bateu na porta. – Desça até o hall, garanto que não irá se arrepender.

—Estou indo, tia. – murmurei a contragosto.

Eu odiava quando acabava sendo interrompida em meus momentos. Principalmente, quando eu estava tentando entender, como Tom Riddle, mais conhecido com Lord Voldemort; meu querido pai, nem tão querido assim, conseguiu fazer contato direto com a minha mente? Era perturbante saber que alguém podia fazer esse tipo de coisa com outra pessoa.

Desci as escadas com a mão no corrimão feito de ouro, no qual, ao fim da escada, Draco estava com um braço apoiado. Ele tinha uma expressão de tédio, assim como eu. Narcisa voltou segurando dois envelopes pardos e eu entreabri a boca. Ela tinha um sorriso satisfeito nos lábios, como se soubesse o quanto eu e Draco esperávamos essa carta e recebê-la inesperadamente, tinha deixado tanto a mim quanto a ele, incrédulos.

—Chegou hoje. Eu sabia que vocês iam gostar da surpresa. E, também sei que mal podem esperar para ir até o Beco Diagonal. – ela entregou minha carta, assim como a de Draco, que estava ao meu lado no mesmo estado que eu: sem fala.

Srta. V. Marvolo
Mansão Malfoy
Condado de Wiltshire

O envelope era grosso e pesado, feito de pergaminho amarelado e endereçado com tinta verde-esmeralda. Não havia selo. Virei o envelope, vendo um lacre de cera púrpura com um brasão – um leão, uma águia, um texugo e uma cobra circulando uma grande letra “H”. Puxei a carta de dentro do envelope, ansiosa.

ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA DE HOGWARTS
Diretor: Alvo Dumbledore (Ordem de Merlin, Primeira Classe, Grande Feiticeiro, Bruxo Chefe, Cacique Supremo, Confederação Internacional de Bruxos).

Prezado Srta. Marvolo,

Temos o prazer de informar que V.Sa. tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista dos livros e equipamentos necessários. O ano letivo começa em 1º de setembro. Aguardamos sua coruja até 31 de julho, no mais tardar.

Atenciosamente,
Minerva McGonagall (Diretora Substituta).

—Isso é perfeito! – murmurei. – A gente podia ir amanhã, não é? Ia ser ótimo.

—É, eu não vejo problemas. – Narcisa concordou de prontidão. – Quanto mais cedo nos adiantarmos, melhor vai ser.

O segundo papel que havia dentro do envelope pardo, era com a lista de tudo que eu iria precisar para o primeiro ano em Hogwarts. Guardei o mesmo e passei o dia comentando com Draco o quanto tudo ia mudar pra todos nós e o quanto eu estava ansiosa. Ele, mesmo não tendo na cabeça o que eu tinha, também estava ansioso. Claro que era algo natural querer conhecer a escola e tudo o mais. À noite, depois do jantar, informei a Annie através de uma das corujas dos Malfoy, que minha carta havia chegado e pedi se ela não gostaria de ir conosco até o beco diagonal no dia seguinte. Não morávamos muito longe uma da outra e pouco tempo depois, a coruja retornou com a resposta dela, dizendo que a carta dela também havia chegado e que por ela tudo bem ir amanhã ao beco diagonal, que ela aproveitaria e compraria os materiais dela também. Me arrumei pra dormir e não tive dificuldade em pegar no sono, apesar da ansiedade.

Assim que acordei, fui fazer minha higiene matinal e me arrumar. Desci até a cozinha, onde o café da manhã já estava sendo servido pelos elfos e assim que me sentei, tia Narcisa adentrou a cozinha. Ela sorriu pra mim, me dando bom dia e se sentando a minha frente, do outro lado da mesa. Não demorou pra que Draco chegasse, junto à Lucious.

—Iremos ao Beco Diagonal ainda hoje. – tia Narcisa falou diretamente para Lucious.

—Ótimo, tenho assuntos pendentes e posso aproveitar para ir resolvê-los. – ele disse sério.

Eles continuaram conversando, mas minha mente voava longe.

Afinal, eu estava ansiosa.

Eu tinha planos e eu queria executá-los, mesmo tendo plena consciência de que eles não seriam nada fáceis. Porém, eu estava disposta a ir até o fim com isso e era o que eu iria fazer.

Não importando as circunstâncias e muito menos, o preço.

+++

Apenas uma hora depois, já me encontrava adentrando o Beco Diagonal junto aos Malfoy. Lucious despediu-se brevemente e foi atrás dos “assuntos pendentes” que tinha de resolver. Narcisa não podia estar com um sorriso maior no rosto e Draco não parava de falar que queria comprar uma Nimbus 2000, mesmo tendo plena consciência que alunos do primeiro ano não podiam levar/usar suas próprias vassouras.

Reparei brevemente que algumas pessoas me olhavam torto, outras como se me reverenciassem. Não reagi a esse pequeno detalhe, pois já estava mais do que acostumada. Todas as poucas vezes em que estive ali, fui vista pelos olhos de pessoas que provavelmente, ou temem ao meu sobrenome ou são encantadas por ele.

—Vamos ir primeiramente à Gringotes. – Narcisa disse e então tomamos rumo ao Banco dos Bruxos. Um edifício muito branco que se erguia acima de todas as lojas do Beco Diagonal. Parado diante das portas de bronze polido, usando um uniforme vermelho e dourado, havia um duende que nos cumprimentou com uma reverência quando entramos. Em seguida, um segundo par de portas, desta vez de prata, havia gravado o seguinte:

“Entrem, estranhos, mas prestem atenção,
Ao que espera o pecado da ambição,
Porque os que tiram o que não ganharam
Terão é que pagar muito caro,
Assim, se procuram sob o nosso chão,
Um tesouro que nunca enterraram,
Ladrão, você foi avisado,
Cuidado, pois vai encontrar mais do que procurou.”

Dois duendes se curvaram quando passamos pelas portas de prata e entramos em um grande saguão de mármore. Havia mais de cem duendes sentados em banquinhos altos atrás de um longo balcão, escrevendo em grandes livros, pesando moedas em balanças de latão, examinando pedras preciosas com óculos de joalheria, etc... Dirigimos-nos a um balcão no qual o duende estava desocupado e olhou-nos diretamente.

—Bom dia. – tia Narcisa se pronunciou. – Viemos fazer uma retirada do cofre dos Lestrange e dos Malfoy.

—E a senhora tem as chaves? – assim que ele pediu isso, ela ergueu a mão direita, mostrando duas pequenas chaves de ouro e colocando-as sobre o balcão. O duende pegou-as com uma mão e as analisou cuidadosamente.

—Certo! Acompanhem-me. – seguimos até uma porta na lateral do saguão, e a mesma, revelou uma passagem estreita de pedras, iluminada por archotes chamejantes. Era uma descida íngreme, em que havia pequenos trilhos. O duende assobiou e um vagonete disparou em nossa direção. Embarcamos todos e o vagonete disparou em alta velocidade pelo labirinto de trilhos, cheio de curvas e direções. O vagonete era barulhento e sabia o caminho, pois o duende não o dirigia.

Pra mim, por mais incrível que fosse parecer, era a primeira vez em que entrava em Gringotes. Eu nunca havia precisado, até hoje. Tudo era muito novo pra mim também, e Draco parecia sentir o mesmo que eu.

Mergulhamos ainda mais fundo, passando por um lago subterrâneo, onde se acumulavam no teto e no chão, enormes estalactites e estalagmites. Depois de certo tempo, o vagonete finalmente parou de correr pelos trilhos. Descemos do mesmo para uma pedra enorme, que levava a um arco de entrada à caverna, o duende pegou um chocalho pendurado ao lado do arco e entramos. O dragão que protegia a entrada do cofre dormia pesadamente, portanto, conseguimos passar com tranquilidade por ele até chegarmos ao cofre.

A fortuna que se encontrava ali era tremendamente absurda. Gerações e gerações da família Lestrange acumularam tantos galeões que seria impossível gastá-los em uma só vida.

Depois de juntar uma saca cheia de galeões, saímos do cofre e passamos pelo dragão, que dessa vez estava acordado, portanto, o duende teve de usar o chocalho para assustá-lo até que chegássemos ao vagonete. Seguimos então para o cofre dos Malfoy e após Narcisa ter pegado a quantidade de galeões que queria/precisava, voltamos ao saguão de Gringotes.

Avistei um homem grande, trajado de casacão marrom e botas de couro, com uma cabeleira escura e desgrenhada. Ele estava acompanhado de um menino da minha idade, magro, cabelos castanhos e olhos claros, que usava roupas muito maiores do que ele.

E por breves segundos, enquanto eu, Draco e tia Narcisa nos encaminhávamos para fora de Gringotes, o meu olhar cruzou com o dele.

Poderia ser apenas uma paranoia da minha cabeça, mas eu podia jurar que senti uma conexão com aquele garoto. Simplesmente inacreditável a ligação que tive com ele em pouquíssimos segundos, só não conseguia entender o motivo disso.

Assim que coloquei os pés pra fora de Gringotes, dei de cara com Annie e Leonard, que me cumprimentaram entusiasmados (como sempre) e me deram um rápido abraço, enquanto íamos até a loja “Madame Malkin – Roupas para Todas as Ocasiões”, comprar os nossos uniformes:

1. Três conjuntos de vestes comuns de trabalho (pretas)
2. Um chapéu pontudo simples (preto) para uso diário
3. Um par de luvas protetoras (couro de dragão ou similar)
4. Uma capa de inverno (preta com fechos prateados)

Madame Malkin era uma bruxa baixa, gorda e sorridente, toda vestida de lilás. Assim que entramos na loja, ela veio nos atender e pedir para qual escola nós íamos querer comprar as vestes. Ela nos levou até os fundos da loja e eu e Annie subimos em banquinhos, já com as vestes pretas por cima das nossas roupas. Madame Malkin e outra bruxa começaram a marcar a bainha conforme as nossas alturas, enquanto Leonard e Draco esperavam para serem atendidos.

—Eu vi um garoto em Gringotes. – comentei com Annie, em tom de voz baixo e sem olhá-la nos olhos.

—E daí? – ela fez pouco caso. – O Beco Diagonal está cheio de garotos e garotas todos os dias.

—Você não entendeu. – revirei os olhos. – Foi estranho... Diferente. – olhei-a através do espelho a nossa frente. – Era como se eu conhecesse-o de algum lugar.

—Talvez você conheça.

—Não, eu sei que não conheço. Não consigo explicar, eu simplesmente o olhei por alguns segundos e senti uma conexão... Ah, é inexplicável, Annie. – engoli em seco. – Foi assustador até pra mim.

—Uh, quer dizer que você já está se apaixonando pelos garotos por ai, Victoria? – ouvi a voz de Draco e me virei só para olhá-lo com desdém, mas não disse nada.

—Tá com ciúmes, Draco? – Annie pediu só para provocar.

—Até parece! – ele rebateu.

—E parece mesmo. – Leonard comentou, olhando seriamente pra Draco, que revirou os olhos e ignorou.

Madame Malkin anunciou que tinha terminado nossas bainhas e chamou Leonard e Draco para subirem aos banquinhos, colocando vestes pretas por cima deles.

—Vem cá, me diz uma coisa... Esse garoto era bonito? – Annie sussurrou enquanto a outra bruxa que ajudava Madame Malkin nos entregava nossas vestes e nos a pagávamos.

—Eu não vou responder isso!

—Então é porque era. – ela gargalhou, chamando a atenção dos garotos para nós novamente.

—Annie, fica quieta antes que eu arranque a sua cabeça. – murmurei com um sorriso falso de canto.

Assim que Draco e Leonard acabaram de medir suas bainhas, eles pegaram as vestes e pagaram Madame Malkin. Saímos da loja e encontramos Narcisa e os pais de Annie e Leonard, que nos esperavam em frente a mesma.

Seguimos então para o restante das lojas. Compramos o caldeirão de estanho tamanho padrão 2; pergaminhos, penas e tintas; uma balança de latão e um telescópio; um conjunto de frascos e ingredientes básicos para preparar poções; e passamos na Floreios e Borrões para comprar os livros necessários do primeiro ano:

• Livro padrão de feitiços (1ª série) de Miranda Goshawk
• História da magia de Batilda Bagshot
• Teoria da magia de Adalberto Waffing
• Guia de transfiguração para iniciantes de Emerico Ewitch
• Mil ervas e Fungos mágicos de Fílida Spore
• Bebidas e poções mágicas de Arsênio Jigger
• Animais fantásticos e onde habitam de Newton Scamander
• As Corças das trevas: Um guia de autoproteção de Quintino Trimble

Todos optaram por ir atrás de um mascote antes de ir comprar a varinha. Eu discordava, não queria um bicho de estimação. Mas, quando entramos no Empório de Corujas, foi inevitável não querer comprá-la. Era uma coruja-macho, branco-acinzentada, tinha os olhos da cor de um amarelo-âmbar e mostrava um ar de... Superioridade.

—Que nome você vai dar a ele? – Annie pediu entusiasmada por mim, apesar de não ter achado nenhum animal que a encantasse.

—Apolo. – falei após pensar por alguns segundos.

“Olivaras – Artesão de Varinhas de Qualidade desde 382 A.C”. A última loja e a que eu mais estava interessada em chegar. Assim que adentramos a mesma, um sininho tocou nos fundos da loja. O lugar não era muito grande, mas havia várias estantes e prateleiras cheias de caixas estreitas arrumadas com cuidado até o teto.

—Boa tarde. – disse uma voz suave. Olhei para uma das prateleiras e vi um velho parado ao lado dela. Ele tinha os olhos grandes e muito claros.

—Olá. – Annie cumprimentou.

—Oh, não é uma surpresa vê-las. – ele abriu um pequeno sorriso. – Imaginei que viriam! – ele tirou uma longa fita métrica com números prateados do bolso. – Qual é o braço da varinha? – pediu olhando diretamente pra mim.

—Direito. – estiquei o braço antes mesmo que ele pedisse. A fita métrica mediu-me do ombro ao dedo, do pulso ao cotovelo, do ombro ao chão, do joelho à axila e ao redor da cabeça, enquanto o Sr. Olivaras andava rapidamente em volta das prateleiras, descendo caixas.

—Já chega. – falou e a fita métrica afrouxou e caiu formando um montinho no chão. – Certo, experimente esta, Srta. Marvolo. – apanhei a varinha e fiz alguns movimentos com ela, não obtendo resultado algum.

Logo, ele me entregou outra.

E outra.

E mais outra.

—Tente essa, Mogno e sangue de basilisco, 25 cm, boa e maleável. – assim que ouvi a combinação, engoli em seco. Sr. Olivaras me olhou como se soubesse exatamente o que eu estava pensando. – É, Srta. Marvolo, o sangue de basilisco só foi usado nesta varinha. Ela é única. Está a décadas nesta loja, mas porque não podemos tentar, não é? – apanhei a varinha, sentindo um repentino calor entre os meus dedos. Ergui a varinha acima da cabeça e faíscas prateadas e verdes saíram da ponta como fogos de artifício. – Oh! – ele exclamou, com um olhar fascinado decaindo sobre mim. – Isso é mesmo muito interessante. – falou enquanto recolocava a varinha na caixa e embrulhava-a em papel pardo, me entregando-o. Paguei oito galeões por ela e em seguida foi a vez de Annie escolher a varinha, depois Leonard e depois Draco.

No entanto, estava com os pensamentos longe.

Eu sabia muito bem o que ele quis dizer com “interessante”. Meu pai era um grande amante das cobras, obviamente pegou isso de Salazar Slytherin. Afinal, Tom Riddle usou tudo que pôde da sonserina como inspiração, não era à toa o motivo.

A principal característica dos membros da Sonserina é a perseverança e a ambição: são capazes de usar quaisquer métodos para atingir seus objetivos, sendo estes bons ou ruins. Se deles for exigida a coragem, a sabedoria ou a lealdade para alcançarem o fim que desejam, as terão.

E uma cobra, francamente, representava muito bem essas características.

Notas finais
SE ALGUÉM AINDA ESTIVER AI, COMENTE E DIGA O QUE ESTÁ ACHANDO.