Notas iniciais
Depois de TANTO tempo sem postar aqui, eu voltei com um capítulo novo e tem um outro no forno já esperando pra ser postado. Espero que vocês não tenham me abandonado nem nada. E é isso ai. Enjoy ♥

Eu não sabia se já tinha ido mesmo. Não sabia se eu estava no inferno ou não. Puta merda, eu só sei que estou com dor nas pernas. Achei que iam me curar e que... espera, tá muito claro aqui pra ser o inferno.

– Harold! — Clair exclamou. Ou ela morreu também, ou eu estou em um... ah, eu estou no hospital. PUTA QUE PARIU, EU NÃO ACREDITO. É verdade então aquela coisa dos quinze dias da Charlotte. É tudo verdade, então. Meu Deus do céu, desculpe todos os meus pecados, eu juro que não faço mais. Ai meu senhor... EU TÔ FODIDO!

– Clair! Ai. Faz quanto tempo que estou aqui? — Como eu estou conseguindo manter a calma? Eu estou prestes a morrer! Ou ficar sem as pernas! Ou sozinho!

– Hmmm, acho que você está dormindo faz uns dois, três dias. — O QUE? NÃO! COMO ASSIM? SE FOR ISSO MESMO, EU SÓ TENHO MAIS DOZE DIAS PRA PENSAR NO QUE EU QUERO! OH MEU DEUS, O QUE EU VOU FAZER?!

– Mas, mas, mas Clair! Tudo isso? — Eu ainda não estava acreditando.

– É, Harold. Pergunte ao médico depois querido. Porque está tão afobado? Bem, vamos ter que desmarcar nosso casamento... adiar por um mês, ok? — E ELA ACHA QUE EU ESTOU PENSANDO EM CASAMENTO AGORA?

– Ok, querida. Pode chamar a enfermeira pra mim? — Perguntei me contendo para não ser grosso com ela.

– Ah, claro. Vou aproveitar e comer algo na lanchonete também e já volto sim? Fique bem. Espero que saia logo para oficializarmos nosso amor, querido. — Ela sorriu e me deu um beijo na testa antes de sair. Quando ela fechou a porta, eu me desembestei a berrar o nome de Lotte, até a desgraçada aparecer ou começar a falar na minha mente.

Minha queridíssima ex-namorada, apareceu no batente da porta, com um sorriso cínico nos lábios vermelhos. Os olhos verdes brilhavam intensamente com certa raiva. A roupa dela estava provocante, o que me fez ficar em silêncio, somente encarando-a. Ela quebrou-o com sua gargalhada exagerada.

– Harold, Harold, Harold... — Disse ela rondando a cama. Seu salto fazia um barulho um tanto irritante em contato com o chão. — Que prazer. Pelo visto, já deve ter notado que perdeu três dias. Eu poderia ser boazinha, e devolver esses três dias, mas estaria fora do contrato. — Ela fingiu um semblante triste, e logo riu. — É um prazer te encontrar novamente, querido. Mas estamos em situações inversas aqui... hm, antes era você que machucava os outros né? Agora quem está neste posto, sou eu. Sabe, eu vou te contar uma história, se me permite... — ela se sentou na poltrona a minha frente e continuou: — Você se lembra que minha família é da Itália, certo? Existe uma tradição na família Manfredini, uma antiga tradição que diz...

– Reza a lenda que toda a mulher da linhagem italiana pura, assim como eu, ao completar vinte e um anos, tem que se tornar a ajudante da Morte. Não pense que a Morte é um ser personificado... é somente uma força, um anjo criado para ceifar as vidas que não podem mais viver aqui, por serem ou muito boas para esse planeta, ou muito ruins. Suícidas não são atiçados por ela, pelo contrário. Mas isso é algo que não preciso entrar em detalhes agora. Quando você me deixou, eu passei alguns meses até o dia do meu aniversário na casa de Frank. Eu passaria mais tempo, mas Samantha veio da Itália, com notícias de minha família. Fiquei preocupada e voltei com ela. Quando lá cheguei, fui recebida por minha avó e por minha mãe, que traziam um livro em mãos. Lá me foi explicado todo o ritual que seria praticado em mim, e toda a minha missão. Assim que fui abençoada, comecei a traçar a minha vingança. Li todo o livro que fora-me dado, e ali achei uma clausura que ajudaria; quando uma mulher é traída, ou trocada por um homem, ela tem todo o direito de se vingar dele usando de seus poderes como ajudante da ceifadora. E eu posso fazê-lo, sem ter nenhum problema depois, já que o posto é trocado assim que mais uma italiana da família completa 21 anos. E eu ficarei nesta condição por um bom tempo...

– Pelo visto você teve muito tempo pra pensar nisso não é? — perguntei.

– Quando você me largou para ficar com sua namoradinha, eu tinha vinte anos... tive pouco tempo com Frank e nesse meio tempo, eu meio que arquitetei algo pra você. Mas não contava com esse poder incrível! Acho que nunca gostei tanto de ter nascido em Verona! — Riu — Achei engraçado quando fui pra Belleville. Havia me esquecido em como Frank era tão melhor que você na cama. — Riu mais, zombando de mim.

– Ele não deve ser tão bom assim — Resmunguei, o que a fez rir mais.

– Claro que é. — Ela se aproximou. — Sabe porque? Ele não fazia sexo, Harold. Ele fazia amor. — Ela riu. — Mas infelizmente, eu não poderia amá-lo... Essa minha condição não me deixa amar ninguém até minha vingança se completar.

– Ele sabe que você veio atrás de mim pra se vingar? — Perguntei olhando pra baixo.

– Claro que sabe. Mas não sabe dessa coisa toda da Morte... — Ela respondeu encarando as unhas pretas.

– E se eu morrer? — Olhei-a e só pude ouvir sua gargalhada ecoando pelo quarto.

– Você não vai morrer por minha culpa, querido. Aliás, ninguém aqui nesse hospital pode me ver se eu não deixar... Ou seja, se você falar de mim para alguém, será taxado como doido e irá apodrecer em um hospício. — Sorriu. — Você está cercado, Harold. Desista. — Mostrou-me os dentes em um sorriso aberto.

– Mas o que... — Fui questionar mas ela me interrompeu.

– É melhor ficar quietinho. Sua noiva está voltando. — Ela me mandou um beijo e depois fez feição de quem iria vomitar e sumiu. Sim ela sumiu, sem ao menos aparecer uma fumacinha no lugar onde ela estava.

Eu estava ficando louco mesmo.

Notas finais
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