Her.
5 Um copo cheio de perguntas.
Notas iniciais

Depois de Emma e Henry explicarem toda a situação para os pais e Killian, começaram a surgir perguntas. Todos estavam confusos em relação a isso.
Mas de uma coisa eles tinham uma certeza: Elisabeth pertencia ao mundo dos contos de fadas.
– Isso parece maldição. – Gancho comentou, coçando sua barba e levantando uma das sobrancelhas.
– Mas Emma a quebrou. – Henry lembrou, olhando para o pirata. – Se fosse isso, todos se lembrariam da minha irmã!
– Garoto, não sabemos se Lizzie é sua irmã. – a loira disse com um fraco sorriso.
David passou uma mão pelos cabelos.
Mary Margaret nem se movia.
– E se a resposta for um beijo de amor verdadeiro? – o loiro levantou o rosto para encarar a filha, que franziu o cenho.
– Nem temos certeza se é uma maldição, quanto mais se seria quebrada com um beijo… – Emma balançou a cabeça.
– David tem razão. – finalmente a mulher se pronunciou. – Mas, quem daria esse beijo?
Antes que alguém pudesse pensar em alguma coisa, a campainha da casa foi ouvida. Emma, que estava mais perto, andou até a porta e abriu-a, se deparando com Regina e Elisabeth.
A morena estava com as duas mãos sobre os ombros da garota e não tinha uma expressão muito boa.
A loira deu espaço para que as duas entrassem.
– Lizzie? – Mary Margaret se assustou ao observar sua companhia. – O que aconteceu?
– Aconteceu que ela resolveu brincar de Homem Alegre com o João Pequeno e isso quase custou meu nariz! – Regina disse ríspida. – Agora, onde estão os pais dela?
Elisabeth arregalou os olhos e olhou para o casal a sua frente, pedindo ajuda.
– Então, Regina, sobre isso… – Emma começou. – Temos que conversar.
Regina franziu o cenho, mas acompanhou Emma até a cozinha.
Mary Margaret pediu para que Henry subisse com a menina, os dois nem protestaram.
– Sobre Elisabeth… – a loira tentava encontrar uma maneira certa de falar. Não podia simplesmente dizer “Hey, Regina, você não se lembra, mas Elisabeth é sua filha com Robin.”
– Ela é órfã. – respondeu David, chegando ao encontro das duas.
– Não tem um lugar pra ficar. – completou Mary. – Estamos ajudando.
Os dois estavam mentindo, Emma fez uma cara de interrogação, mas tratou de entrar no jogo. Ainda não era hora.
– Isso é bem a cara de vocês. – disse Regina, com seu tom normal.
– Não é só isso. – Killian também se juntou, abraçando Emma pela cintura.
– Ótimo, vão ficar completando uns aos outros agora? – Regina verbalizou com hostilidade. – Apenas continuem.
''Por que diabos ela tem que ser assim?'' Pensou Emma, que resolveu contar tudo de uma vez.
– Elisabeth não é daqui. – a loira disse por fim.
– Como? – a rainha arregalou os olhos.
– Quer dizer, não daqui, Storybrooke… Mas é da Floresta Encantada. – Regina tinha uma expressão indecifrável, então Emma resolveu continuar. – Ouça, ela chegou aqui porque o livro do Henry e o pergaminho apareceram quando ela precisava. Será que isso não significa alguma coisa!? – mais exclamou do que perguntou.
A morena cruzou os braços e suspirou antes de declarar:
– Eu não sei. Mas uma coisa é certa: ela tem que ir embora! – dito isso, deu as costas e foi em direção a porta, porém foi impedida por Mary Margaret. – Quer sair da frente?
– Por que ela tem que ir? – a outra perguntou.
– Vai nos causar problemas, agora pode abrir a droga da porta? – Regina girou a maçaneta, puxando a porta, mas Mary a empurrou de volta, fazendo com que as duas ficassem num joguinho de abre e fecha. – Que inferno! Está bem! – exclamou. – Como vocês têm tanta certeza?
– O livro e o pergaminho, já disse. – Emma explicou, rolando os olhos como uma criança.
– Isso não comprova nada! – ela cruzou os braços, encarando Emma.
– Regina, a menina está lá em cima, por que não vai conversar com ela? – David perguntou docemente.
Talvez fosse uma boa ideia. Talvez assim conseguissem algo. Só talvez.
Regina suspirou, mas subiu as escadas, encontrando Henry e Lizzie lendo HQ’s do Batman.
O menino, assim que a viu, correu para abraçá-la, recebendo um carinhoso beijo na testa.
– Henry, querido, pode nos deixar sozinhas por um minuto?
Ele assentiu e abraçou a mãe mais uma vez antes de sair do quarto.
– Eu devo estar em uma baita encrenca não é? – Lizzie perguntou, fazendo uma careta e mordendo o lábio inferior.
– Você quase acertou a prefeita com uma flecha. É, isso pode ser considerada uma encrenca. – soltou uma risada, deixando claro que estavam brincando.
A menina suspirou, rindo junto.
– Eu sinto muito. Fiquei tão empolgada que não vi a senhora. – tentou se desculpar, falando enquanto abaixava a cabeça.
Regina sentou-se ao seu lado e cruzou as pernas.
– Ouça, está tudo bem. Você não me acertou. – a mais nova olhou para ela. – E, não precisamos de formalidades fora da prefeitura… Aqui, sou apenas Regina.
As duas sorriram.
– Pelo menos não vou ter que ir para a cadeia. Ufa! – a Rainha gargalhou.
– Você deu sorte que gosto de arco e flecha. – piscou.
Ficaram em silêncio por menos de um minuto, até Lizzie quebrá-lo.
– Sem querer, acabei ouvindo metade da conversa de vocês… – Regina congelou. – Por que quer que eu vá embora?
Por um lado, a morena sentiu alívio: Não ouviu a parte da Floresta Encantada. Por outro lado, a voz de Elisabeth saiu magoada e acertou em cheio seu coração.
– Vejamos… – começou. – O certo a se fazer, seria te mandarmos para um sistema…
– Não! – Lizzie exclamou. Não dando tempo de Regina terminar sua fala. – Eu não volto para aquele lugar!
A Rainha passou suas mãos pelo braço da garota, tentando acalmá-la.
– Tudo bem, escute, você não vai voltar para lá… Mas, você não pode ficar aqui sem nenhum responsável legal.
Lizzie se desvencilhou dos braços da prefeita e levantou da cama, dando poucos passos e ficando de costas para ela.
– Então, o que você vai fazer comigo?
A mais nova pôde ouvir a outra suspirar.
– Storybrooke tem uma baia… Pensei em andarmos a cavalo, topa?
***
Quando a porta da loja de antiquários foi aberta, o sino fez um barulho estridente e Gold se virou para olhar quem entrava.
– Por que será que sua surpresa me cheira a confusão? – perguntou ao menino com o seu melhor sorriso. – Diga, Henry, em que posso ser útil?
– Tenho que ser rápido, ninguém sabe que estou aqui. – tirou a mochila das costas e a apoiou sobre o balcão, começando a procurar algo entre seus bolsos. – Acho que você tem as respostas que preciso.
– E que respostas seriam essas? – Gold cruzou seus braços sobre a bancada de vidro e encarou Henry segurar uma página.
– São sobre Elisabeth. – respondeu, entregando-lhe a folha.
– A garota que entrou na cidade? – abaixou seu olhar e analisou a folha. – Boatos correm… Vejamos, é a ilustração de Regina, mas essa não é a história que ela se lembra.
– Você sabe sobre a minha irmã? – Henry arregalou os olhos, talvez descobrisse a verdade.
– O que sei, vai muito além da sua suposta irmã. – o homem lhe devolveu a página.
– Por que eu tenho a impressão de que não vai me contar? – o menino reclamou, e Gold sorriu.
– É porque eu não vou. – andou um pouco e saiu de trás do balcão, parando ao seu lado. – Você mesmo tem que descobrir isso.
O garoto continuava sem entender.
– Mas, como?
– Simples, meu querido neto. – sorriu antes de continuar. – Faça Lizzie acreditar em magia e, principalmente, nas suas raízes.
Dito isso, ele voltou para o balcão.
– Como vou fazer ela acreditar em algo sem provas? – franziu a testa. – Ela é como Emma, não acredita fácil…
– Mas mesmo assim você conseguiu fazer a Senhorita Swan acreditar em magia e quebrar a maldição. – lembrou. – Faça o mesmo com a garota… Ache as outras páginas da história de sua mãe e leia pra ela.
***
Regina e Elisabeth estavam montadas em dois dos cavalos da baia. Yin e Yang, respectivamente.
Yin era branco com as cristas negras, lembrava o mal no bem. Yang, era negro com as cristas brancas, lembrava o bem no mal; além de uma floresta densa.
As duas pararam e apenas observaram a florida clareira de Storybrooke.
Lizzie suspirou quando sentiu o vento bater em seu rosto e varrer seus cabelos para trás.
– Posso perguntar uma coisa? – a mesma olhou para Regina, esperando um passe livre.
– Claro. – respondeu, sem olhar para a menina ao seu lado.
– Eu não entendo sua relação com o Henry. Você é a mãe dele? Quer dizer, Emma é a mãe dele, não?
Ela se embolava nas palavras e a prefeita riu.
– Sim, sou a mãe dele. Mãe adotiva, para falar a verdade. – finalmente resolveu olhar para a garota. – É uma história complicada…
A mais nova sorriu de canto, deitando um pouco a cabeça para o lado.
– Tenho tempo para ouvi-la. – Regina também sorriu.
– Eu que deveria perguntar sobre sua vida, não é? – levantou uma sobrancelha. – Você é a novata aqui e preciso te conhecer…
Lizzie balançou a cabeça. – Talvez. – fitou a mulher, parando o olhar em sua orelha esquerda. – Acho que você perdeu um brinco…
Regina abriu a boca e colocou a mão no local, gemendo em seguida.
– Era o meu favorito. – começou a olhar ao redor, tentando achá-lo pelo chão.
Elisabeth também passou seus olhos pelo local e acabou encontrando o acessório. Estava pendurado na cela do cavalo de Regina.
A mesma agradeceu quando a garota o colocou na sua orelha.
Quando Lizzie se afastou, Regina a observou. Aquele ato lhe deu uma sensação tão familiar.
– O que foi? – a pequena perguntou com um sorriso no rosto.
– Eu só… – antes que ela pudesse responder, um barulho atrás dos arbustos foi ouvido. Despertando as duas de seu pequeno transe.
A figura saiu de seu esconderijo e a Rainha fez uma expressão surpresa.
– Olá, Regina! Sentiu a minha falta?
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