Her.
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Notas iniciais

A sala de reuniões do castelo nunca havia ficado tão cheia. Branca de Neve, Encantado, Regina, Os Setes Anões, Gepeto e seu filho Pinóquio, Vovó e Chapeuzinho e o Grilo Falante estavam sentados na mesa ouvindo tudo o que a Fada Azul dizia.
A maldição de Úrsula estava chegando e eles precisavam fazer alguma coisa.
– Branca de Neve, a criança que você carrega, será a única que poderá salvar todos nós. – Encantado segurou a mão da esposa e se virou para a fada.
– Como isso será possível? – ele perguntou
A fada explicou sobre uma tal árvore que se fosse transformada em algum recipiente, como um guarda-roupa, poderia transportar Branca de Neve para um lugar seguro, sem magia, assim poderia cuidar da bebê até que chegasse o dia de quebrar a maldição.
– Não posso deixar Branca de Neve sozinha com a criança, eu preciso ir junto! – David esbravejou. Regina, que estava ao seu lado, tentou acalmá-lo.
– Todo poder tem limites… – a fada fechou os olhos, suspirando. – O guarda-roupa só poderá levar uma pessoa. É importante que a Branca saia daqui antes da criança nascer.
– É a única escolha que temos, Encantado. – Branca disse com a voz falha, acariciando o abdômen. – Essa é a melhor chance para Emma.
O Príncipe apenas encarou sua esposa. Regina olhava aquela cena com lágrimas nos olhos, não eram só eles dois que deixariam algo para trás, ela também pensava na sua família, mas Emma era a salvadora e ninguém poderia tomar o lugar dela naquele guarda-roupa.
Enquanto alguns ainda discutiam, a Rainha levantou-se e saiu da sala, deixando que uma lágrima escorresse pela sua bochecha, mas tratou de secá-la quando ouviu passos atrás de si.
– Ei, acho que essa mocinha já deveria estar na cama. – Regina tentou sorrir ao olhar para a filha nos braços de Robin. A menina não tinha nem um ano.
As mãozinhas esticadas e olhinhos negros chamando pela mãe.
– Ela chamou por você o tempo inteiro. – Robin se aproximou e depositou um selinho nos lábios da esposa. – Tudo bem lá dentro?
Regina suspirou, brincando com a filha.
– Vai ficar.
Robin também abaixou o olhar para a menina.
– Eu só queria que nada disso tivesse acontecendo.
– Eu também. – concordou. – E o pior de tudo é que a culpa é minha. Eu não aceitei entrar para o bando da Úrsula e agora ela vai destruir a minha felicidade e a de todos no reino…
– Hey, – ele a chamou, levantando o queixo de Regina com a ponta dos dedos. – a culpa não é sua! Nunca mais repita isso! Você estava certa em não aceitar voltar para o lado negro, se arrependeu, encontrou sua felicidade… Nós vamos dar um jeito nisso tudo, eu prometo.
A morena sorriu e beijou o homem que amava mais uma vez, e só pararam quando Regina sentiu uma mão puxar um de seus brincos.
– O que dissemos sobre puxar os brincos da mamãe, filha? – Robin disse rindo da expressão de dor da Rainha.
Regina pegou a bebê nos braços e acariciou seus cabelos. A criança era a cópia fiel de sua mãe.
– Eu tenho algo para lhe dar… – a morena levantou um dos pulsos e tirou uma de suas pulseiras, colocando-as no braço gordinho da bebê. O seu nome e o desenho de uma coroa estavam entalhados em madeira. – Isso é pra você parar de puxar os meus brincos!
Regina acordou num sobressalto, aquele, definitivamente, foi o sonho mais louco que ela já teve na vida. Mas não parecia um sonho, era mais como uma lembrança, só que ela e Robin nunca tiveram filhos.
A morena olha para os lados e percebe que dormiu no escritório.
– Ótimo! – murmura levantando-se do chão e acalçando seu sobretudo negro que estava pendurado no cabideiro perto da porta. Passou a mão pelo rosto e pelo cabelo, tentando espantar a aparência de quem acabou de acordar e saiu da prefeitura, fazendo seu rumo para casa.
Enquanto isso, na porta do restaurante da vovó, David, Mary Margaret e Elisabeth tentavam sair com o carrinho do bebê pela porta do estabelecimento.
– Cuidado! O carrinho não está mais na garantia… – o loiro sussurrou para a mais nova, que tentava empurrar o veículo com ferocidade. Mary, que estava ao seu lado balançando o bebê, conseguiu ouvir.
– Você disse que era novo! – ralhou, apertando os olhos.
– Seminovo.
Antes que a mulher pudesse responder, Lizzie soltou o carrinho e suspirou aliviada.
– Acho que agora podemos ir. – ela sorriu e pegou seu copo de café que estava no porta-copos do carrinho, antes de voltar a empurrá-lo com a mão livre.
David passou uma das mãos pelos ombros de Lizzie e os três andaram lado a lado até a biblioteca. No meio do caminho, encontraram Regina, que andava com a cabeça abaixada e as mãos no bolso do casaco.
– Regina? – Mary Margaret a chamou, fazendo a prefeita levantar o rosto, ele ainda estava inchado e meio “amassado”. – Está tudo bem?
– Sim, só estou indo pra casa. – ela suspirou. – Passei a noite trabalhando e dormi em cima dos meus relatórios. – soltou uma risada nasalada, olhando para a garota parada ao seu lado. Percebendo aquilo, Mary tentou apresentar as duas:
– Regina, essa é…
– Elisabeth Cox. – a menina de Maria Chiquinhas na altura dos ombros respondeu pela morena a sua esquerda, esticando uma mão.
– Regina Mills. – a mesma tratou de apertar a mão da garota, que deu um sorriso. – Prefeita de Storybrooke. Espero que esteja gostando da cidade…
– Ela é mais legal do que eu pensava que seria. – soltou uma risadinha.
Regina acompanhou aquilo tudo com um sorriso no rosto. Os olhos castanhos de Elisabeth faziam um risco quando ela sorria e duas covinhas apareceram em suas bochechas.
A prefeita se despediu e continuou seu caminho pra casa, enquanto os outros quatro se direcionavam ao novo local de trabalho de Lizzie.
O bebê Neal já estava no carrinho, que agora era empurrado por David, Mary Margaret e Elisabeth adentraram o estabelecimento e foram recebidos por uma linda morena de olhos azuis.
– Você deve ser a Elisabeth, certo? – ela começou e a mais nova sorriu.
– Sim, mas pode me chamar de Lizzie.
Mary Margaret sorriu para as duas antes de dizer:
– Não se preocupe, você está em boas mãos. – Lizzie assentiu e fez um biquinho fofo. – Bela, qualquer coisa, pode me ligar, estarei em casa!
– Não precisa se preocupar, tenho certeza que ficará tudo bem!
Ela sorriu para a amiga. Quando as três se despediram, Bela começou a apresentar o lugar para Lizzie, a menina ficou encantada com tudo.
– Posso fazer uma pergunta? – a mais nova olhou para a bibliotecária, que assentiu. – Seu nome é Bela, mesmo? – a outra soltou uma risada. Mary Margaret havia conversado com ela sobre tudo mais cedo.
– Não, meu nome é Lacey. Bela é um apelido carinhoso.
– Em lugar onde temos a “lanchonete da vovó”, podemos esperar de tudo… – as duas riram e começaram os trabalhos, passando os livros do balcão para a estante mais perto.
– Acho que agora é a minha vez de fazer uma pergunta, posso?
– Vá em frente. – Lizzie sorriu, entregando mais um livro nas mãos de Bela.
– Pode me contar… – hesitou, talvez aquele fosse um assunto que ela preferisse não falar, mas Bela era curiosa e queria saber. – Pode me contar a sua história?
Elisabeth não se espantou com a pergunta, ela já esperava algo do tipo.
A menina respirou fundo e passou outro livro.
– Eu fui deixada na porta do orfanato com um ano e dois meses, a senhora que cuidava das meninas não era muito amigável e nunca gostou de nós. – Bela ouvia tudo atentamente, com medo de perder algum detalhe. – Eu fui adotada pela primeira vez quando tinha seis anos, mas o casal me devolveu dois meses depois. Disseram que… – Lizzie agora tinha algumas lágrimas nos olhos. – Que eu não era o que eles esperaram e acabaram escolhendo outra criança. Loira de olhos azuis. Depois disso, nunca mais foi escolhida, fiquei velha demais. – sorriu tristemente, deixando uma lágrima escorrer. – Depois disso eu… Me senti tão sozinha. Me sinto tão sozinha. – Bela se aproximou, encaixando a menina em seus braços. – Eu só queria ser feliz, achar uma família.
– Oh, Lizzie, por favor não chore. – a bibliotecária apertou-a mais em seus braços. – Eu não deveria ter perguntado sobre isso. Me desculpe, olhe… – desfez o abraço, encarando os olhos vermelhos da menina. – Eu tenho um presente pra você. Escolhe algum livro aqui da biblioteca, vai te ajudar com as noites solitárias. – Elisabeth tentou sorrir e se afastou de Bela, procurando por algum livro que lhe interessasse na estante.
A mais velha pegou o último livro pousado em cima do balcão antes de olhar para a morena lendo a sinopse de um exemplar de Nárnia.
Voltou-se para o objeto em suas mãos e observou algo volumoso dentro de suas páginas. Abriu com cuidado e pegou a folha dobrada que ali tinha. Olhou para Lizzie novamente, a menina já estava entrando no guarda-roupa e mal notava os movimentos de Bela.
Colocou o livro na estante e desdobrou a folha. Abriu a boca em um perfeito O quando viu do que aquilo se tratava. Ela precisava encontrar Emma.
– Lizzie? – chamou, escondendo o objeto nas costas. – Eu preciso resolver uns assuntos com a Emma… Se importa de vigiar a biblioteca por uns minutos?
– Claro que não. – ela sorriu. Agora já não chorava mais. – Pode ir.
***
Emma e seu filho, Henry, estavam na delegacia, ele folheava seu livro sentado em uma das mesas e a loira tomava um bom copo de café da Vovó.
Eles passaram boa parte da manhã tendo descobrir algo de Elisabeth, sem sucesso.
– Garoto, você conhece esse livro melhor que ninguém. Lizzie deve aparecer em algum canto dele! – a xerife bufou.
– Mãe, se acalme. Nós vamos encontrar alguma…
Antes que Henry pudesse terminar sua fala, Bela entra correndo na delegacia, ela ainda segurava a folha nas mãos.
– Eu encontrei uma coisa! – a morena se aproximou, mostrando a página aos dois.
– Isso não faz parte da história! – Henry se levantou de onde estava e tomou a página das mãos de Bela.
O desenho que estava nela, mostrava uma Regina claramente feliz sentada no colo de seu marido Robin e… Havia uma criança no meio dos dois.
– Essa foto está na sala da mãe. Na prefeitura! – o garoto afirmou.
– Não sabia que Regina tinha uma filha. – Emma encarou o pedaço de papel.
– É porque ela não tem… – o mais novo respondeu. – No quadro só aparece ela e Robin. – os três se entreolharam.
– Você acha que… – Bela começou, sem condições de terminar.
– Como isso é possível? – a loira estava boquiaberta. – Precisamos falar com os meus pais!
Henry encarou a página mais uma vez e observou bem a bebê no colo de sua mãe. E, principalmente, a pulseira que ela carregava no braço.
Abaixou o olhar para o canto do lado direito da folha.
Página XXIII.
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