Her.
4 Arco e Flecha.
Notas iniciais

Floresta Encantada. 28 anos antes.
Regina brincava com a bebê em seu colo enquanto observava Robin, seu marido, pendurar um quadro no quarto de sua menina.
– Querido, já está bom. – a voz calma de Regina soou pelo cômodo, fazendo o arqueiro parar de arrumar a pintura na parede.
– Ainda acho que está torto… – examinou, dando dois passos para trás.
Regina riu, se aproximando do homem e lhe tocando o ombro com uma mão.
– Deixa de ser perfeccionista. – Robin se virou, abraçando a esposa de lado e brincando com as mãozinhas da filha.
– Se as mulheres da minha vida gostaram, não vou mais discordar! – a morena sorriu, dando um beijo na bochecha do homem que amava.
No mesmo instante, bateram à porta e ela se abriu, sem esperar que algum dos dois dissesse algo. Uma menina com um chapuz vermelho na cabeça apareceu sorrindo.
– Desculpem entrar assim, mas, o bebê está vindo! – ela avisou, sorrindo ainda mais.
O casal se entreolhou.
– Mas, já? Era só daqui a uma semana! – Robin parecia confuso.
– Não era uma certeza, sabemos disso. – Regina respondeu o homem, sem conter o sorriso. Ela estava feliz por Branca e David. – Será que precisam de alguma ajuda?
– Mestre está com eles. – Chapéu contestou. – Tenho certeza de que tudo ficará be-
Antes que pudesse terminar sua fala, o barulho do sino do castelo invadiu o recinto, seguido por um alto trovão. A criança, assustada, agarrou-se no cabelo da mãe.
– O que está acontecendo? – a mesma perguntou, tentando acalentar a garotinha.
Robin se afastou delas e andou até a janela, podendo observar uma grande fumaça roxa se aproximar.
– A maldição. – murmurou.
Em algum ponto distante ouviram alguém gritar: “Está aqui!”
O choro da bebê era mais alto agora, isso fez com que Robin voltasse sua atenção para a Rainha, que também estava a ponto de chorar. Chapeuzinho não se encontrava mais no quarto.
– O que vamos fazer? – a morena sussurrou, apertando a filha em seus braços. – Estamos perdidos, Robin, elas vão vencer!
– Não vou deixar que isso aconteça! – o homem envolveu as duas em um abraço.
O barulho lá fora estava mais alto.
Regina se afastou e colocou a filha nos braços do marido antes de dizer:
– Cuide dela. Não importa o que aconteça, cuide de Elisabeth.
Robin a olhou com os olhos marejados.
– Eu prometo.
A Rainha se aproximou novamente e selou seus lábios nos do homem.
Dois segundos depois, a fumaça roxa invadiu o quarto, quebrando tudo o que nele tinha e envolvendo os três no sofrimento eterno.
***
Storybrooke. Atualmente.
– Emma, do que está falando? – David perguntou franzindo o cenho. Aquela história toda estava muito confusa. – Nos lembraríamos se Regina tivesse tido filhos.
Emma apoiou a cabeça nas mãos. Também não estava entendendo nada.
– Tem certeza que é Regina? – foi a vez de Mary Margaret questionar.
– É o que tudo indica. – a loira respondeu, levantando a face preocupada. – Precisamos confirmar isso e conseguir explicar essa história…
Sua mãe respirou fundo.
– Deixe-me ver a página novamente?
Henry, que até agora observava tudo calado, entregou o que a avó pediu.
Os olhos da morena corriam por todo o canto. O casal desenhado parecia com Regina e Robin, mas, a criança… Não fazia sentido.
Mary tentou focar em alguma coisa que pudesse lhes dar alguma pista, e encontrou. Arregalando um pouco os olhos, ela apoiou a página na mesa e apontou para o que a bebê na página carregava no pulso.
– Eu já vi isso antes! – se levantou, indo em direção a mochila de Lizzie, acompanhada pelos olhares na sala. Retirou o pequeno objeto citado na noite passada e colocou em cima da mesa, ao lado da página. – É bem parecida, não acham?
– É idêntica! – Henry sorriu, começando a entender tudo.
Emma olhou para os familiares. Sua expressão era embaralhada.
– Você está sugerindo que Elisabeth seja filha de Regina? Uma filha qual ela, nem ninguém, se lembra?
– Não estou sugerindo. – Mary Margaret balançou a cabeça e riu. – Estou afirmando!
– Alguma coisa aconteceu. – David soltou sua respiração. – E precisamos descobrir o quê.
***
Naquele mesmo dia, Bela dispensou Lizzie de seu serviço dizendo que mais nada precisava ser feito. A garota apenas assentiu e saiu da biblioteca com seu novo livro, começando a andar sem rumo, pensando na vida e em como estava gostando daquela estranha cidade chamada Storybrooke.
Estava tão distraída em seus devaneios que nem notou quando acabou esbarrando em alguém na calçada.
– Me desculpe. – ela pediu antes de olhar para o homem a sua frente.
Ele era gordinho, tinha os cabelos loiros encaracolados na altura dos ombros e era bem mais alto que Lizzie.
– A culpa também foi minha, ando muito aéreo ultimamente. – soltou um som parecido com uma risada. – Meu nome é João. Meus amigos me chamam de João Pequeno!
A menina estendeu suas mãos e cumprimentou o moço.
– Acho que se enganaram quanto ao apelido. – ela também riu. – Elisabeth. Me chamam de Lizzie.
– É um prazer, Lizzie. – os dois desfizeram o aperto e só naquele momento a pequena notou o que João carregava consigo.
– Isso é… – os olhos dela brilharam quando o homem levantou seu arco e flecha, de modo que ela conseguisse gravar todos os detalhes. – Eu nunca achei que realmente fosse ver um desses! – riu.
– Temos uma arqueira aqui, huh? – João brincou mas ela logo negou.
– Só vi na televisão, nunca atirei com nenhuma.
Elisabeth não conseguia tirar seus olhos da arma.
– Gostaria de tentar? – o loiro estendeu o objeto a ela, que deu um passo pra trás.
– Isso pode ser perigoso. Com certeza acertarei o olho de alguém! – os dois riram. João continuou insistindo e ela se deu por vencida. – Tudo bem, uma única vez.
Quando Lizzie segurou o arco, uma sensação familiar percorreu seu corpo. Era algo tão bom, queria sentir isso sempre.
O gordinho apontou para uma árvore do outro lado da rua e deu instruções de como segurar o arco, posição da flecha, braço e postura. A garotinha se deu muito bem.
– Pronta? – questionou. Lizzie deu um longo suspiro.
Aquele era o dia mais legal de sua vida.
– Sim.
Sua mão soltou a flecha e em câmera lenta, ela sentiu o vento passar pelas suas bochechas e a textura do objeto escorregar pelos seus dedos até acertar em cheio o tronco da árvore, fazendo um barulho maravilhoso aos seus ouvidos.
– Você é boa nisso. – João Pequeno olhou admirado. Nunca viu tamanha precisão. – Muito boa nisso.
– Pelo menos ninguém foi parar do hospital. – ela soltou uma gargalhada. – Vamos tentar mais uma vez, acho que a árvore não irá se importar…
Sem demorar muito, pegou outra flecha e a posicionou no arco, atirando-a em direção ao tronco, sem sequer notar que havia alguém passando na outra calçada.
O bater da flecha na madeira fez com que a pessoa levasse um susto e ficasse paralisada.
Regina olhava para o objeto a poucos centímetros do seu nariz e ainda tentava controlar a respiração. Céus! Que diabos aconteceu ali?
A morena virou a cabeça para o outro lado e observou Elisabeth abaixar o arco com uma expressão assustada, também não deixou de notar João Pequeno ao seu lado. O homem estava mais nervoso que o normal.
Caminhou em direção aos dois, cruzou os braços e levantou uma das sobrancelhas quando parou em frente a menina, que apenas conseguiu dizer com um sorriso receoso:
– Como vai, senhora prefeita?
***
Storybrooke. 15 anos antes.
– Quando eu lancei essa maldição, não achei que fosse ficar ouvindo choro de criança o dia inteiro! – Úrsula reclama enquanto massageava as têmporas.
Robin tentava acalentar Elisabeth, sem sucesso. A menina gritava a plenos pulmões, e o barulho ecoava pela cabana inteira.
Cruella, que estava ao lado da Bruxa do Mar, apoiou aos mãos no rosto e resmungou:
– Malévola se sacrificou para ouvirmos a cópia maldita de Regina chorar por 15 anos? – escorregou aos mãos pelo rosto, soltando um longo suspiro. – Se pudéssemos nos livrar dessa praga!
Robin finalmente resolveu protestar.
– Isso não aconteceria se nenhuma maldição tivesse sido lançada! Minha filha não é uma praga. Ela é uma criança que sente falta da mãe… E vocês são duas bruxas imundas!
– Escute bem, ladrãozinho repugnante-
– Basta! – Úrsula ralhou, interrompendo a amiga.
A Bruxa se levantou e uma brilhante ideia surgiu em sua mente sombria.
– Eu tive uma ideia para acabarmos com tudo isso. – olhou para a criança, que não chorava mais, porém seus olhos estavam vermelhos, e deu um sorriso diabólico. – Cruella, pegue a menina.
***
A mulher de cabelos preto e branco carregava uma Elisabeth adormecida em seu colo.
Robin era arrastado pela outra. As unhas dela apertavam seu braço.
– Aonde estamos indo? – ele perguntou, quando andavam entre as árvores.
– Vamos dar um passeio pela cidade. – respondeu Úrsula.
Os três estavam parados onde a floresta terminava e a primeira faixa de terra de Storybrooke começava. Pessoas andavam sem rumo pelas calçadas e ruas, com suas cabeças abaixadas e levando uma vida de farsas.
– Por que me trouxeram aqui? – questionou e as duas sorriram, admirando o trabalho bem-feito.
– Ali. – Úrsula apontou para a esquina mais próxima. – Está reconhecendo quem vem?
Claro que Robin reconheceriam ela. Ele reconheceriam sua amada mesmo se passassem um milhão de anos.
Mas aquela não parecia com a Regina que ele conhecia. Estava cabisbaixa. Seus cabelos não eram mais compridos, estavam curtos, na altura dos ombros e ela não esboçava nenhum sorriso.
– Que vida deu a ela? – foi a única coisa que perguntou, ainda fitando-a intensamente.
– Ela é prefeita da cidade. – acompanhou o olhar de Robin. – Mas não tem amigos e muito menos família. Com certeza Regina é a mais infeliz daqui. – sorriu. Robin permanecia calado. Qualquer coisa que ele dissesse poderia ser usado para machucar alguém que amasse. – Pra que poder e dinheiro se você não tem a coisa mais preciosa do mundo? Amor.
Amor.
Quando essa palavra lhe atingiu a cabeça, ele instantaneamente olhou para Elisabeth. Não queria que sua filha passasse por tudo aquilo.
Úrsula acordou de seus pensamentos e se dirigiu a Cruella:
– Está com as coisas que lhe dei? – a outra assentiu, com um sorriso sacana no rosto.
Robin não entendia nada. Do que aquelas duas estavam falando?
– Se despeça da menina, Robin, seu último contato com ela é agora.
– O que? – ele arregalou os olhos. – O que vão fazer com a minha filha? – tentou avançar, mas a Bruxa o segurou com as duas mãos, apertando ainda mais suas unhas.
– É melhor você ficar calminho antes que eu me arrependa disto! – rosnou a outra.
Robin resolveu fazer o que ela mandava.
Com algumas lágrimas nos olhos, ele se aproximou da filha e lhe deu um beijo na testa, sussurrando em seguida:
– Desculpe por não cumprir a promessa.
Então, Cruella se afastou, seguindo pelo caminho que eles tinham ido.
– O que vai acontecer com ela? – Robin suspirou, sentindo o aperto em seu coração.
– Cruella vai atravessa a fronteira com ela, mas, a menina ficará sob seus cuidados. – Úrsula sorriu. – Depois que atravessarem, elas não poderão voltar.
– E quanto a mim? – perguntou sem expressão alguma.
A Bruxa o olhou, ela estava conseguindo tudo o que queria.
– Quando Cruella colocar um pé para fora daqui, você vai se esquecer de tudo. De Regina, Elisabeth, maldição… Não se lembrará nem de você mesmo.
– Uma amnésia será meu castigo? – ele riu, mas por dentro estava desmoronando.
– É pior do que parece. – ela respondeu e empurrou Robin, para que voltasse a andar.
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