Her.
7 Palavras de ouro.
Notas iniciais

Regina não movia um músculo enquanto olhava para a pessoa em sua frente. Ela sempre pensava em como seria encontrá-la de novo, e finalmente aquilo estava acontecendo, precisava fazer alguma coisa.
Mas aí ela se lembrou de Elisabeth. A menina estava parada ao seu lado e não entendia muito bem aquelas duas se olhando.
A morena finalmente resolveu tomar uma atitude e se virou para Lizzie:
– Volte para a baia. – ordenou séria.
– Mas eu… – ela tentou protestar.
– Vá! – Regina aumentou seu tom de voz, fazendo a mais nova se assustar. Ela não queria fazer isso, mas foi preciso.
Elisabeth deu meia volta com o cavalo e mandou que ele acelerasse, sumindo da visão das duas mulheres.
– Puxa, nem me deixou conhecê-la… – a moça sorriu e jogou uma parte de seu cabelo loiro para trás.
– Você não cansa de brincar comigo, Úrsula? – A Rainha perguntou enquanto descia do cavalo e ficava parada ao seu lado.
– Hum… Mas eu mal comecei! – a bruxa soltou uma risadinha.
– Sabe que posso acabar com você a qualquer momento, não sabe?
Úrsula se aproximou, cruzando seus braços.
– Na verdade, não pode. Precisa de mim pra saber onde seu marido está. – deu alguns passos, fazendo carinho na crina do cavalo.
Regina permanecia calada.
– Lembra-se de quando tentaram seguir a vidinha de vocês, fingindo que eu não existia, mesmo depois de eu ter matado aquele que você mais amava? – Úrsula sorriu ainda mais e desceu sua mão para o peito do cavalo. – Eu ainda me lembro de como o coração do seu pai pulsava.
O animal relinchou e então Regina notou que ela estava arrancando seu coração, esmagando-o em seguida, sem dó nem piedade. O bicho caiu no chão, fazendo um baque surdo.
– Eu nunca me canso disso. – A bruxa do mar riu e olhou para Regina, que estava pasma. – A gente se vê por aí.
E sumiu numa nuvem de fumaça, deixando Regina atônita.
***
Uma fumaça roxa apareceu na baia e Regina saiu dela, ainda tentando processar os acontecimentos ocorrido há alguns minutos. Apoiou-se na parede e respirou fundo, enxotando qualquer sinal de fraqueza que possa ter.
Logo, Elisabeth estava perto dela e as perguntas começaram, mas Regina não respondeu nenhuma, apenas dizia que precisam voltar para o apartamento.
Enquanto isso, na casa dos Encantados, Mary e David estavam abraçados e conversando na cozinha, Emma e Killian no chão da sala brincando com o bebê Neal, quando Henry entrou batendo a porta e correndo para o andar de cima. A loira até tentou chamar pelo filho, sem sucesso.
– Ele aprontou alguma. – sussurrou para Killian.
– Eu cuido do pequeno, vá ver sua cria. – ele sorriu, se inclinando para dar um selinho na mulher.
Emma passou o irmão para o colo do pirata.
Subindo as escadas, ela logo viu o garoto sentado na cama, com vários papéis e o livro em volta.
– Uou! – exclamou. – O que está acontecendo?
– Eu descobri! – ele disse sorrindo. – Eu encontrei a história da minha mãe!
A loira abriu a boca e perguntou:
– Como? Onde? – e se sentou ao lado do filho, começando a ler as páginas.
– Na biblioteca. – deu de ombros. – Quem escondeu não tinha uma criatividade muito fértil.
Sua mãe riu e voltou a ler.
– Espera… Aqui diz que quando eu nasci, Lizzie já era nascida. – franziu o cenho. O garoto se inclinou para observar também. – Se formos pela lógica, ela deveria ser mais velha que eu, certo?
– Acho que isso é outro enigma que teremos de descobrir. – ele sorriu. – Vou batizar de Operação Muffin.
– Operação Muffin. – repetiu dando de ombros. – Gostei!
Os dois passaram mais algum tempo lendo e Emma acabou aceitando que o filho tinha razão.
– Sabe, garoto, você estava certo. – ela o envolveu em um abraço e beijou o topo de sua cabeça. – Quem diria que Elisabeth é filha da Regina?
Nesse momento, os dois levantaram seus olhos para a encarar a dona da seguinte pergunta:
– Do que estão falando?
Regina estava parada no topo da escada, sem reação alguma, seus olhos estavam desfocados e ela tinha um semblante confuso.
***
A morena desceu novamente as escadas. As páginas que Henry lhe entregara pareciam pesar no bolso direito do casaco.
Quando Emma e o menino lhe explicaram toda a história, milhões de perguntas vieram em sua cabeça. Ela só queria voltar para casa e dormir, assim se esqueceria dos problemas por um momento.
No momento em que passou por David e pelos demais na sala, não disse uma única palavra, apenas abriu a porta e se retirou do local.
– O que deu nela? – Killian perguntou, olhando para porta.
– Achei que ela fosse almoçar conosco. – Mary Margaret suspirou. – Até coloquei mais um prato na mesa.
Elisabeth, que estava sentada no chão brincando com Neal, resolveu falar o que sabia.
– Ela está assim desde que encontramos uma mulher enquanto cavalgávamos… Nem falou comigo quando estávamos voltando pra cá. – a menina parecia triste ao dizer aquelas palavras.
– Que mulher? – David questionou, chegando mais perto de Lizzie.
– Não conhecia, mas a Regina ficou bem irritada. – ela o olhou, dando de ombros.
O loiro se virou para a esposa, que apenas cruzou os braços. Naquele instante, Henry e Emma desceram as escadas, reclamando da fome.
***
“– Vamos, Majestade, empurre! – a doce voz da parteira alertava que havia chegado a hora. Regina fez força e apertou ainda mais a mão do marido, mas ele não se importava com a dor. Valia a pena pelo seu filho que estava vindo.
A Rainha arfou cansada e caiu nos travesseiros.
– Eu não consigo! – ela gritou e fechou os olhos quando outra dor a atingiu.
– Vamos, querida! – Robin incentivou, juntando sua outra mão nas que já estavam entrelaçadas. – Você consegue! Logo veremos o rosto do nosso bebê, você consegue!
Regina assentiu e recebeu um beijo na têmpora.
– Quando eu disser, preciso que faça bastante força, tudo bem? – a parteira perguntou, a morena apenas balançou a cabeça em afirmação.
Mais uma contração, a mulher deu o sinal e Regina fez força, gritando, mas logo seus berros foram se misturando com o chorinho agudo de uma criança.
A Rainha abriu os olhos e encarou sua médica segurar uma trouxinha branca. Robin sorria e chorava ao mesmo tempo em que a mulher cortava o cordão umbilical.
– Vocês tiveram uma linda menina! – a parteira disse, entregando a bebê para que a Rainha segurasse.
Robin beijou a têmpora da esposa pela milésima vez aquela tarde, e afastou alguns fios de cabelo que estavam grudados em sua testa.
O casal estava hipnotizado pela bebê, que agora estava começando a se acostumar com o lado de fora.
– Olhe para isso, Robin. – Regina fungou enquanto dizia. – Olhe esse rosto, essas bochechas… – ela passava o dedo pela face da filha, que agarrou com a mão livre quando ele passou pelo seu campo de visão. A morena sorriu. – Nós fizemos isso! Nós.
– Ela é linda como a mãe. – o arqueiro comentou. – Uma verdadeira princesa.
A criança fez um barulho e os dois sorriram. A Rainha se inclinou e beijou a testa da filha, antes de sussurrar:
– Princesa Elisabeth.”
Uma lágrima escorreu pelo rosto de Regina quando ela acabou de ler todas as páginas.
Deus, ela tinha uma filha! Não sabia se ria ou se chorava por isso. Na verdade, ela não sabia o que sentir e muito menos o que fazer agora.
Colocou os papéis ao seu lado no chão e encostou a cabeça nos joelhos, respirando pesadamente. Será que Robin se lembrava disso?
Céus, como ela queria estar com ele agora!
Naquele momento, Regina se pegou pensando em Elisabeth. A menina podia se parecer com Regina fisicamente, mas tinha todo o jeito e a gentiliza de Robin… Fora que também sabia usar arco e flecha muito bem.
Ela também notou que Lizzie tinha as covinhas de seu amado, e sua persistência. A menina era uma mistura perfeita dos dois.
Antes que a morena pudesse derramar mais alguma lágrima, ela ouviu uma voz ecoar pela sala de sua mansão:
– Acho que você precisa de ajuda.
Levantando a cabeça num susto, Regina encara Gold sentado no braço de seu sofá branco. O contraste com o terno preto era bem visível.
– Eu tenho uma coisa chamada campainha, conhece? – perguntou irônica, secando o caminho das lágrimas por suas bochechas.
– Sim, mas eu conheço você também. Não me atenderia.
Saindo do chão e sentando no sofá, a mulher pergunta:
– O que faz aqui?
– Vim te ajudar. – ele responde, apontando para a bagunça no tapete. – Com Elisabeth e o resto.
Regina franze o cenho.
– Como sabe disso? – mas antes que ele pudesse responder, ela mesma faz isso. – Ah, claro, a coisa de prever o futuro.
O homem sorri.
– Na verdade, Henry também veio a minha loja… Suponho que ele deve ter te contado sobre a página?
– Sim. – concorda. – Está junto com as outras. – ela faz uma pausa antes de continuar. – Por que ela capturou as nossas memórias?
– A prioridade era fazer você sofrer, o resto era um bônus… Quando Úrsula trouxe todos para cá, ela e Cruella não sabiam o que fazer com a criança, mas então a Bruxa teve uma ideia. – nessa hora ele olhou para Regina.
– Tirar minha filha de Storybrooke. – ele assentiu com o complemento dela.
– Exato. E Cruella foi junto. – acrescentou. – Cuidou, se podemos dizer assim, de Elisabeth, até a menina ser mais esperta e fugir de vez.
– Mas o que aconteceu a Robin? E como o livro do Henry foi parar com ela? – A prefeita questionou.
– Depois de Cruella cruzar a cidade, Úrsula estava decidida quanto a Robin, só não consigo ver o quê… É como se estivesse bloqueado. Como se ele estivesse e não estivesse aqui, entende?
Regina o olhou, lágrimas estavam se formando novamente em seus olhos.
– Quanto ao livro, bom… Assim como Henry, Elisabeth precisava voltar a acreditar em finais felizes, precisava achar que era amada. Precisava voltar para casa. – Gold parecia viajar pela sua cabeça, deixando escapar um sorrisinho. – A força desse objeto é maior do que imaginamos.
– Isso é demais pra minha cabeça… – resmungou Regina, passando as mãos pelos cabelos. – Tem alguma maneira de quebrar esse feitiço? Fazer com que eu me lembre?
– Sim. – afirmou. – Mas, para que isso aconteça, Elisabeth precisará acreditar em magia, e, então… Só então, ter o beijo do amor verdadeiro.
– Acho que ela já acredita. – Regina riu de canto. – Quando Chernabog foi libertado, ela me viu fazer magia.
Gold sorriu para a morena.
– Só resta fazê-la te amar.
Ela suspirou e ele se levantou, pronto para ir embora.
– Gold! – a Rainha o chamou, e ele olhou para trás. – Obrigada.
Ele apenas balançou a cabeça e disse:
– Elisabeth tem mãe e avós poderosos, ela é muito especial.
E sumiu numa fumaça roxa, qual Regina conhecia muito bem.
Voltando a olhar para o chão, ela se agachou e começou a juntar as páginas, relembrando toda a conversa com o homem.
Quando sua última frase ecoou em sua mente, ela parou o que estava fazendo e sussurrou para si mesma:
– Avós poderosos?
***
Bela estava sentada na varanda lendo um livro quando o marido chegou em casa, ela marcou a página e correu para abraçá-lo.
– Achei que ainda estaria na Regina. – saiu do abraço, mas continuou com os braços ao redor do pescoço de Gold.
– A conversa foi rápida. – ele sorriu.
– Então, contou a ela? – Gold assentiu, desviando o olhar da esposa. – Não sobre Elisabeth. – Bela o fez olhá-la nos olhos. – Sobre aquele outro assunto.
Ele soltou a mulher e caminhou para o outro lado da varanda.
– Não consegui.
Bela suspirou e caminhou até ele.
– Não pode esconder por mais tempo. – sorriu, confortando-o.
O homem também sorriu e entrelaçou sua mão com a da esposa.
– Regina é esperta. Em menos de uma semana ela já saberá de tudo… E é isso que me preocupa.
Fale com o autor