Her.

8 Ligando pontos.


Notas iniciais
Sorry, i'm late! Como vou começar a explicar? Bom, tudo aconteceu nesse tempo que fiquei sem postar. Uma semana que mexeu com a minha vida. A virou de cabeça para baixo. Meu avô faleceu e agora minha mãe resolveu mudar de casa. Vou pra casa que era do meu avô e minha tia que mora lá, vai vir pra minha. Vamos fazer uma troca. E também tem os problemas da Valentina, minha beta, que recentemente pegou um vírus no computador e está achando que vai ter de formatar. Até lá, os capítulos podem demorar, ou tudo pode se resolver num piscar de olhos. Ninguém sabe o que vai acontecer. Quero agradecer a todos que vem acompanhando, comentando e favoritando a fanfic. Vocês são os melhores! Também quer dar um agradecimento especial para a That Loneliness e a Lady Eva, pelas lindas recomendações que eu recibi! Foram as primeiras em toda a minha vida de escritora, obrigada! Vou guardar para sempre na memória. Acho que era só isso que eu tinha que falar mesmo... Ah! Quem tinha alguma suspeita sobre a relação da Regina com o Gold, só ler ai... Espero que gostem! Mwah!

O tique-taque do relógio era quase sincronizado com as batidas do pé de Mary Margaret contra o piso de madeira.

David e Emma haviam saído há quase duas horas e nada de voltarem com notícias de Regina. A morena não aparecia havia três dias, e ela não parava de pensar no que poderia acontecer.

Também não se sentia confortável ficando em casa, enquanto sua família saía por aí. A mulher se sentia uma inútil por não poder fazer nada. Mas alguém tinha que cuidar de Lizzie e do bebê.

– Mary, se bater esse pé mais uma vez no chão fará um buraco. – Elisabeth disse rindo.

A menina estava sentada no balcão e lia o livro do Henry.

Ela usava uma calça jeans preta e uma blusa listrada, enquanto a mais velha usava um de seus vestidos floridos.

– Me desculpe, não consigo ficar aqui sem ter notícias. – riu na direção da mais nova, que virou uma folha do objeto. – Mas, deixa isso pra lá… O que está lendo?

– A história da Chapeuzinho Vermelho. – respondeu animada. – Consegue acreditar que ela era o lobo? – arregalou os olhos e soltou uma risada. – Essa, com certeza, é a minha história favorita!

Mary Margaret sorriu e se aproximou da menina, lhe dando um beijo na testa e com um único pensamento na cabeça:

Se ela soubesse…

No mesmo instante, os dois loiros da família adentraram o apartamento. Emma tirou a jaqueta vermelha e se jogou no sofá, bufando.

– Ela não está em lugar algum. – David respondeu, confirmando o que a esposa suspeitava.

A moça de olhos verdes cruzou os braços e perguntou:

– Procuraram no cofre?

– Saímos da mansão e fomos direto pra lá. – Emma respondeu balançando a cabeça. – Regina não quer ser encontrada.

Elisabeth fechou o livro e levantou do banco, sentando-se ao lado de Emma.

– Ela pareceu bem abalada quando encontramos aquela mulher outro dia… Talvez, só precise de um tempo sozinha. – Lizzie deu de ombros.

Os outros três pareceram concordar com os pensamentos da garota. Talvez, Regina só precisasse de um tempo sozinha.

E eles sabiam o verdadeiro motivo.

Não muito longe dali, na sala escondida em seu cofre, Regina concentrava-se em um grande baú.

Roupas e acessórios da realeza voavam para qualquer canto do quarto, mas ela não ligava para a bagunça.

A conversa com Rumpelstiltskin fez Regina ficar com uma dúvida na cabeça. Seu pai não tinha magia, bom, era o que ela pensava.

Revirando o baú mais uma vez, e abrindo alguns livros que ali tinha, a morena encontrou um pedaço de papel. Uma carta, mais especificamente, e começou a ler.

“Querida Regina, minha filha,

Antes de lhes dizer qualquer coisa, peço que me perdoe. Me perdoe por todo o mal que te fiz, por cada palavra amarga que soltei em sua direção. Por cada gota de magia que usei contra você. Por todo o sofrimento que te fiz passar. E, principalmente, por ter guardado o segredo que aqui vou contar.

Se você está lendo essa carta agora, é porque eu paguei o meu preço e você precisa saber a verdade. Eu sempre te disse que o amor é uma fraqueza, que não se deve amar os mais fracos. Que não se deve amar ninguém. Mas, eu mesma amei alguém… E desse amor, surgiu um fruto.

Você, Regina.

Quando era criança, você sempre me perguntava por que possuía magia, se não queria usá-la. E eu sempre lhe respondia que se nós nascemos com algo, é porque devemos tê-lo.

Enquanto escrevo isto, tento achar uma maneira mais fácil de dizer as palavras, mas, não existe.

Rumpelstiltskin é seu pai, minha filha, por isso você é tão poderosa. E alguém, no futuro, será mais poderosa ainda.

Eu deveria ter lhe contado a verdade, ter contado a Henry… Mas o meu medo sempre foi mais forte. Seu pai te amava tanto, e eu não poderia estragar esse amor.

Meu último desejo é que não castigue Rumple por algo que eu omiti. Sei que está chateada agora, mas, deixe que o tempo curará tudo.

Um dia você será mãe, minha menina… E espero que possa me entender e perdoar.

De sua mãe,

Cora.”

Quando Regina levantou seus olhos do papel, eles estavam vermelhos e cheios d'água.

Rumpelstiltskin é seu pai.” Essa frase ecoava em sua mente e parecia que nunca mais sairia. A morena não sabia o que sentia no momento. Se era raiva, por sua mãe e aquela besta terem mentido por todos esses anos, ou surpresa pelas tantas desculpas que Cora pediu.

Rastros salgados desciam por suas bochechas e caíam no chão, mas ela não se importava em limpá-las. Ela só se importava com o que falaria para Gold.

Colocando tudo em seu devido lugar, a Rainha saiu da sala e, sem poder esperar mais, ela se transportou para a frente da loja de Rumple, hesitando um pouco antes de empurrar a porta com força e ouvir aquele irritante sino tocar.

O barulho fez Bela se distrair de seus pensamentos e olhar diretamente para a porta, se surpreendendo e começando uma seção de perguntas.

– Regina? Você sumiu! Onde esteve? O que faz aqui? – a devoradora de livros acompanhava a morena andar em sua direção.

– Seu marido está? – ela foi direta, ignorando totalmente as perguntas da moça.

– Estou aqui. – a voz de Rumple surgiu no ambiente, e ele apareceu logo em seguida, saindo dos fundos.

Regina caminhou em sua direção e o encarou, sem qualquer expressão facial.

– Precisamos conversar, Gold. Ou, devo dizer… Papai?

Aquelas palavras saíram como um choque, tornando todo esse pesadelo ainda mais real.

Dois pares de olhos estavam ficando marejados.

– Regina, minha filha… – o homem tentou falar, mas foi interrompido.

– Não me chame assim! – ela ralhou, derramando as lágrimas que tentava segurar. – Eu não sou a sua filha e nunca vou ser!

Bela encarava os dois, torcendo para que não houvesse nenhuma briga, mas eles apenas se encaravam e derramavam lágrimas solitárias.

Depois de um longo minuto em silêncio, Regina perguntou:

– Quando soube?

Gold engoliu seco.

– Pouco tempo depois de Úrsula te ameaçar pela primeira vez… Seu pai a entregou pra mim.

Regina franziu o cenho.

– Meu pai? – ela soltou uma risada triste. – Minha mãe mentiu mais uma vez, ele sempre soube!

– Na verdade não. – explicou. – Cora pediu para que ele lhe entregasse quando fosse a hora certa. Mas ele não o fez.

– Por quê? – a voz da morena era baixa, quase um sussurro.

– Porque quando seu pai leu o meu nome naquele papel, tudo começou a fazer sentido. Era para que eu lhe entregasse aquela carta. – Regina o olhou, sentindo uma dor enorme em seu peito.

– E por que não fez isso?

– No começo, não acreditei que tinha uma filha. Eu fiquei com tanto medo de perder você como perdi Bealfire… – fitou a mulher, encarando os olhos fundos. – Mas, quando você me procurou para aprender magia, vi o quão parecida com Cora você era… E ainda é… Só que era tarde demais para qualquer coisa.

Regina soltou um longo suspiro e levou as mãos ao cabelo, deixando o mar de lágrimas molharem o seu rosto. Ela parecia que desmoronaria.

– Desculpe por isso, querida. – Gold tentou usar seu tom habitual quando disse a última palavra, mas aquilo acabou sendo a gota que faltava.

A morena se virou e seus olhos tinham um brilho diferente, o coração parecia pesar. Abriu a boca para falar, mas nada saiu.

Os dois só voltaram seus pensamentos quando perceberam uma terceira voz ecoar pelo ambiente:

– Desculpem atrapalhar o momento família, mas temos assuntos para resolver. – Bela, Regina e Rumple olharam na direção do som e se depararam com Úrsula, sentada em uma das bancadas de vidro, com o que parecia ser uma caixa de música nas mãos.

– O que veio fazer aqui? – Gold questionou, observando a mulher loira descer do vidro.

– Vim dar um oi, saber como estão as coisas… – ironizou. – Saber como está a nossa pequena Elisabeth.

Se não fosse pelo homem no recinto, Regina voaria no pescoço de Úrsula.

– Como sabe dela? – a Rainha perguntou e a outra riu.

– Eu os fiz esquecê-la, só não imaginava que a bastarda conseguiria voltar pra cá. – ela riu. – Também fui na sua mansão e vi que achou as páginas escondidas… Só juntei o útil ao agradável.

Regina se desfez dos braços do pai e levantou o rosto, encarando aquela aberração com tentáculos.

– Cansei dos seus joguinhos… Resolveremos as nossas pendências hoje!

A loira a olhou e sorriu de canto.

– Às seis da noite, torre do relógio. Não falte, ou vai ser pior para todo mundo. – a morena a fitou profundamente e respondeu com toda a coragem do mundo:

– Não vou perder isso por nada!

***

Já era perto das seis quando Henry foi forçado a sair do apartamento com Elisabeth. Todos na cidade já sabiam do pequeno show que aconteceria e estavam se preparando para qualquer tipo de surpresa.

Após algum tempinho caminhando, Lizzie se virou para Henry:

– Andamos pela cidade inteira pra você me trazer às docas? – soltou uma risada nasalada.

– Achei que seria um passeio legal. – ele deu de ombros.

– Tudo bem, Henry, o que está escondendo? – a menina cruzou os braços, esperando uma resposta. – Parece que todos estão escondendo algo de mim. Me diga o que está acontecendo!

O garoto respirou fundo e tirou a mochila do ombro, retirando dela o seu livro.

– Sabe o que é isso? – ele segurava o objeto de uma maneira em que as letras da capa ficassem de frente para ela.

– Seu livro. E daí? – revirou os olhos. – Só nesses três dias eu já o abri umas mil vezes…

Henry balançou a cabeça negativamente.

– Isso não é só um livro! Lizzie, eu preciso que você me escute nesse momento, certo? – ela franziu o cenho, mas assentiu. – Eu preciso que você acredite.

– Acredite em quê?

Ele respira mais uma vez.

– Acredite em magia!

Foram essas três palavras serem ditas, que toda Storybrooke começou a tremer, como se tivesse sido atingida por um terremoto.

Elisabeth saiu correndo de volta para a cidade e Henry foi logo atrás.

Na torre do relógio? Seis horas e três minutos.

Emma e David tentavam conter a população. Onde diabos estava Regina? Se ela se atrasasse mais, Úrsula mataria todos.

Mas antes que pudesse fazer qualquer coisa, ela apareceu. E o bate-boca começou.

– Vamos acabar logo com isso! – a morena falou. – Me diga onde está Robin e posso pensar num destino melhor para você.

– Não vou entregar isso de mão beijada. E mesmo se fizesse, ele não se lembraria de você! – soltou uma risada, seguida de um suspiro satisfatório.

– O que eu fiz para merecer tudo isso? – a outra perguntou, quase implorando.

– Você me recusou. – disse dando dois passos para frente e encarando Regina. – E ninguém diz não pra mim! – rosnando, ela levantou um de seus tentáculos e agarrou Regina, levantando-a no ar.

Um pouco mais atrás, Lizzie e Henry chegavam juntos e se depararam com a cena.

O garoto tentou avançar, mas foi impedido pelo avô, e Elisabeth gritou, pedindo para que ajudassem. Ela estava pouco se importando que a mulher possuía tentáculos.

Úrsula, decidindo provocar, olhou diretamente para ela e questionou:

– Veio salvar a mamãe, criança?

Ela arregalou os olhos, que logo ameaçaram ficar marejados.

– Do que está falando? – a menor gritou.

A loira olhou para a morena e depois voltou a olhar para a menina.

– Isso mesmo que você ouviu. Regina é sua mãe biológica.

Lizzie fita pra Regina, que também estava com os olhos marejados. Mas o momento não foi aproveitado, Úrsula jogou Regina contra a parede, que bateu a cabeça e desmaiou.

Henry começou a gritar e David tentou segurar o garoto.

Lizzie estava sem reação assim como os outros, mas ela sentia algo a mais naquele momento.

Quando Úrsula se virou o sorriu em sua direção, a menina não controlou seu próximo ato. Uma de suas mãos começou a brilhar e uma magia branca muito forte e intensa, saiu dela e atingiu a Rainha dos Mares em cheio, fazendo-a cair desacordada. Mary Margaret agarrou Henry enquanto David e Emma seguiam até a bruxa e colocaram uma pulseira que cessava sua magia.

Olhando ao redor, pessoas amparava Regina e o mais novo chorava colado a avó.

Ninguém sabe se isso demorou a acontecer, ou se foi em uma fração de segundos.

A garota só voltou a raciocinar, quando sentiu suas pernas bambearem e foi ao chão assim que a primeira lágrima escorreu por suas bochechas.