Her.

6 Memórias.


Notas iniciais
Hey pessoal! Bom, antes de começarem a leitura, quero dizer que essa capítulo SÓ TEM FLASHBACK e que vai explicar a história toda (ou quase toda). Esse capítulo é a alma da fanfic, então... Espero que gostem ^^ P.S: Úrsula nessa foto está tão como eu descrevi no capítulo *A* Mwah!

Floresta Encantada. Muitos anos atrás.

Regina permanecia em silêncio, apenas observando as lágrimas caírem pela alva pele de Branca de Neve. Com certeza seria mais difícil para a garota superar a morte do pai, do que a Rainha.

A mão de Branca estava trêmula quando a apoiou no caixão e sussurrou com a voz embargada:

Adeus, papai.

Soluçando ela se afastou novamente e se virou, caindo nos braços da madrasta, que também não conteve as lágrimas.

A morte abraçou Leopold no meio do jantar com um infarto.

Mesmo sendo forçada pela mãe a se casar, Regina acabou gostando do Rei, criando um afeto. O mesmo valia para Branca.

Quando a mais nova parecia mais calma, as duas se separam e foi a vez da Rainha ir até o caixão. Caminhou lentamente até ele e depositou uma rosa branca na superfície de mármore.

Sentiremos sua falta. – disse enquanto seu braço escorregava de volta ao lado do corpo.

Ficaram por mais algum tempo velando o corpo do Rei e depois se separaram, indo cada uma para seus aposentos, sem dizer nenhuma palavra.

A Rainha estava sentada em sua penteadeira, focando sua visão no espelho, mas os pensamentos estavam bem longe dele.

Ela se perguntava mentalmente o porquê de todas as pessoas que amava saírem de suas vidas tão rapidamente. O primeiro foi Daniel, seu verdadeiro amor, que morreu em um acidente a cavalo. Depois, sua mãe, que pagou um preço bem caro por usar magia. E, agora, o Rei. Ainda lhe restava seu pai e Branca de Neve, e Regina tinha um medo enorme de perder os dois.

A morena só saiu de seus pensamentos quando ouviu uma voz rouca atrás de si e pôde ver o seu reflexo no espelho.

A morte é engraçada, não? – a voz disse. Regina levantou uma sobrancelha e se virou para trás, observando a loira de pele escura e vestido verde caminhar pelo seu quarto.

Quem diabos é você? – foi tudo o que disse, ainda observando a figura.

Você não me conhece, mas eu sei quem você é, Regina. – comentou. Aquilo deixava a Rainha ainda mais confusa. – Meu nome é Úrsula, mas pode me chamar de Vossa Majestade.

Regina soltou uma risada e levantou ainda mais a sobrancelha, como se aquilo fosse possível.

Vossa Majestade?! – debochou. – Que eu me lembre, Úrsula é só uma lenda criada pelas sereias e espalhada pelos piratas…

É mais real do que parece, querida. – dizendo isso, Úrsula deixou seus tentáculos saírem por debaixo do vestido, assustando Regina.

Como isso é possível? – se agarrou na cadeira em que estava.

Longa história, deixamos isso para outra hora… – a Rainha dos Mares suspirou. – Não vim aqui para papo furado. – caminhou mais um pouco, sentando no divã vermelho sangue que ali tinha. – Vim aqui para negócios!

Que tipo de negócios? – questionou e se levantou, arrastando seu vestido negro e parando a poucos passos de Úrsula.

A mesma sorriu e o olhou para a morena, que tinha uma expressão indecifrável.

Eu conheci sua mãe antes dela ter aquele… Destino ruim. – Regina suspirou com aquelas palavras. – Portanto, sei que também possui magia.

Possuo, não pratico! – respondeu ferozmente, como se tivesse sido ofendida. – Nem faço questão disso.

Melhor mudar de ideia, queridinha. – Úrsula se levantou. – Não sabe o grande potencial que tem, não sabe o grande estrago que faria com ele… – se aproximou. – Não conhece o coração que carrega no peito. – quando fez menção de tocar no peito de Regina, a mesma se afastou e empurrou-a de volta ao divã.

Do que você está falando? – Regina balançou a cabeça. Estava tão confusa e assustada.

Úrsula sorriu diabolicamente.

Eu estou juntando aquelas pessoas que tem as mentes mais sombrias, ou os corações mais perfeitos. Aquelas que mais sofrem, para trazê-los a felicidade eterna. – se acomodou confortavelmente e subiu novamente o olhar. – E você, Regina, é uma delas!

A Rainha cruzou os braços e levantou o rosto, encarando aquela criatura mágica com seus olhos semicerrados. – Continue. Onde está querendo chegar?

Você já sofreu muito, presenciou as trevas e nunca cedeu ao seu lado… Prefere ficar longe da magia, achando que assim será melhor, mas sempre derrama lágrimas de qualquer jeito. – voltou a se levantar. Regina nem se mexia. – Não está cansada? Não quer mudar isso? – deu dois passos, se aproximando. – Eu posso ajudar… Junte-se a nós, Regina. E nunca mais sofrerá novamente.

A morena suspirou e sussurrou no tom mais rouco que pôde:

Nunca.

Úrsula estava embasbacada. Ninguém nunca negou nada a ela.

Desperdício patético de habilidade. – riu nasalado. – Vou fazê-la pensar o contrário.

Assim que a ameaçou, ela sumiu em uma fumaça azul, deixando Regina parada no meio do quarto.

Que diabos ela faria?

Uma semana depois. Antiga casa de Regina.

A carruagem da Rainha parou em frente a sua antiga casa. Aquele lugar lhe trazia boas e más lembranças, e ela queria esquecer ambas.

O lugar não mudou nada desde que Regina saíra dali, tinha o mesmo clima cinzento de antes. E parecia mais cinzento agora.

Quando ela empurrou a porta, a madeira rangeu. A casa estava em um silêncio, o que deixava-a preocupada.

Papai? – chamou, elevando o tom de sua voz, ouvindo-a ecoar pela residência.

O coração de Regina só sossegou, quando ela observou o senhor grisalho caminhar até ela com um lindo sorriso e lhe apertar os ombros.

Minha filha. Eu senti sua falta! – ela sorriu ao ouvir sua voz.

Eu também, pai! – se abaixa, encaixando-se no abraço do homem. – Que bom que está bem!

Regina solta um longo suspiro, que é ouvido por Henry, o mesmo desfaz o abraço e observa a face amedrontada de sua filha.

O que está acontecendo? – Henry perguntou e Regina soube que teria de contar naquele momento, só estava criando coragem para tal.

Eu preciso que você venha morar no castelo comigo. – assim que disse isso, ele tentou falar algo, mas ela o cortou. – Para a sua própria segurança, papai. Por favor, sem perguntas, só faça isso por mim?

Castelo da Rainha. Dois dias depois.

Não! – grita a Rainha com toda a força que havia em seus pulmões. Úrsula havia ameaçado matar todos aqueles que ela amava, e agora, resolveu sumir do mapa. Boa coisa não vinha. – Achem-na! Procurem por céu, terra e, principalmente, mar! Mas, achem essa bruxa! – a última parte ela gritou ainda mais forte e bateu uma das mãos na mesa de reuniões. Os guardas se assustaram e correram para fora da sala, resolvendo agir.

Branca de Neve e Encantado permaneceram calados, apenas observando a cena.

Regina… – Branca se pronunciou, com toda aquela sua calma. A Rainha parecia soltar fogo e não a encarava. – Fique calma. Úrsula deve estar blefando… Nunca faria o que disse!

Não me venha com seus discursos agora, querida… Você não ouviu as palavras dela como eu ouvi. – Regina respondeu com os olhos cheios de lágrimas.

Papai não gostaria de te ver assim! – a outra aumentou seu tom de voz e Regina finalmente a olhou.

Seu pai está morto! Não quero que aconteça o mesmo com o meu!

Silêncio.

Branca de Neve apenas se levantou da mesa e saiu andando, o Príncipe foi forçado a ir atrás dela.

Ótimo, que droga eu fiz? – agora ela se lamentava. Não queria ter gritado com a enteada.

Regina cruzou os braços sobre a mesa e a fundou seu rosto neles, se permitindo chorar.

Perder seu pai era a última coisa que ela queria.

Quando seus soluços e suas lágrimas cessaram, a morena ouviu uma pequena movimentação no pátio do castelo.

Se levantou da cadeira e andou até a grande janela, podendo observar seus guardas fazerem um rebuliço lá em baixo. Também tinha um homem sendo amarrado.

O que estava acontecendo lá em baixo?

***

Quando Regina desceu correndo as escadas do castelo, faltava muito pouco para que seus guardas atirassem as flechas que apontavam para o homem amarrado na madeira, mas bastou um grito da Rainha para que eles parassem o que estavam fazendo.

Ela mandou que lhes dissessem porque o rapaz estava sendo executado sem o seu consentimento, e teve um “Tentou roubar o castelo” como resposta.

Ela caminhou até ele e retirou a venda de seus olhos, seus lindos olhos azuis. E ela amava aquela cor.

Seus cabelos loiros escuros estavam bagunçados e sua aparência dizia que ele havia dormido no meio do mato. O cheiro de floresta que exalava de seu corpo apenas confirmava o fato.

Se não fosse por um dos homens ao seu lado, ela, com certeza, teria observado o loiro por mais algum tempo.

Vossa Majestade, o que faremos com ele?

Oh, ela sabia o que fazer com ele…

Levem-no ao calabouço. Terei uma conversa com esse rapaz.

***

Não importa se fosse sério, ou banal o crime cometido. Regina nunca mataria ninguém. Fato.

Ela via algo mais naquele sujeito sentado no chão de seu calabouço. Talvez o jeito como ele aceitou sua punição, ou como não a agrediu com palavras.

Aquele ladrão realmente a interessara.

A Rainha andou alguns passos para frente, fazendo com que os saltos de suas botas martelassem contra o chão de pedra, e despertasse o bandido de seus pensamentos.

Quando ele se virou, ela encarou aqueles olhos azuis e por muito pouco não perdeu a força em suas pernas. Tamanha era a intensidade do olhar.

Posso saber o seu nome, ou devo simplesmente chamá-lo de Ladrão?

Ela ainda fitava-o, e não queria parar.

Robin. – respondeu sem muita emoção. – Robin Hood.

Ora, acho que não faz diferença, então… Ladrão. – Regina levantou uma das sobrancelhas enquanto sorria de canto.

Por que todo esse papo furado se vai me matar? – ele verbalizou diretamente.

Ela parou de sorrir e suspirou.

Não vou matar você.

Robin franziu o cenho.

Não? – riu sem humor. – Então por que me mantém aqui?

Regina caminhou até as barras de ferro que cercavam a cela e falou para o homem:

Porque preciso da sua ajuda. – ele continuava sem entender, então ela apenas continuou. – Ouça, estou com uns problemas e preciso de alguém que proteja a vida de meu pai.

E acha que sou digno disso? – o loiro levantou-se do chão e encarou ainda mais a Rainha.

Você é um ladrãozinho de meia tigela que tentou roubar o palácio. Tem coragem suficiente para tal. – ela sorriu mais uma vez e voltou a andar para fora do calabouço. – Começa amanhã!

***

Quando o ladrão começou a trabalhar para a Rainha, farpas eram trocadas a todo o momento. Qualquer coisa era motivo de piadinhas ou olhares flamejantes. Eles eram gelo e fogo.

Ou, pelo menos, pensavam assim.

Não perceberam quando as ofensas viraram gracinhas de duplo sentido, e nem quando não conseguiam mais ficar longe um do outro.

Começou com um beijo demorado no corredor.

Há algumas semanas eles estavam nessa, e não queriam parar mais.

Robin e Regina estavam sentados diante a lareira do quarto da morena, conversando sobre qualquer coisa e tomando uma taça de vinho, quando uma batida na porta os interrompeu.

Vossa Majestade? – o soldado parecia assustado, e Regina logo o reconheceu.

Diga, Berkley. – sua voz saiu mais alto, para que ele pudesse ouvi-la do outro lado da porta.

O homem nada disse, apenas cochichava algo com alguém do outro lado. A Rainha, bufando, levantou do tapete e abriu um pouco a porta, revelando Berkley e seu companheiro, Rivers, com olhos arregalados. Um era mais baixo e mais magro que o outro, chagava a ser engraçado.

Andem. Abram a boca. – ela mandou, perdendo um pouco de sua paciência.

Úrsula. – Rivers soltou. – Estamos sendo atacados.

***

Regina nunca pensou que enterraria seu pai. Para ela, ele era imortal. Um verdadeiro herói.

O homem que lhe acalmava a noite quando tinha pesadelos, que lhe ensinou a cavalgar e a dançar tão bem. Que lhe contava histórias e fazia o melhor cordeiro assado que ela já comera na vida.

Agora restavam apenas memórias. Memórias de um bom pai que se foi cedo demais.

Naquele momento, a Rainha só pensava na cena que presenciou: O vermelho e pulsante coração de Henry sendo esmagado pelas mãos de Úrsula.

E a vadia do mar ainda ria.

Aquela bruxa tirou tudo que ela mais amava, só lhe restando vingança em seu coração.

A morena não reparou quando tempo velou o corpo de seu pai, apenas parou quando sentiu uma mão em seu ombro. Era Robin.

Eu sinto muito. – sua voz começou baixa. – Falhei com meu compromisso e minha honra. Entendo se quiser me punir.

Regina sabia que aquela não era uma conversa de duplo sentido que eles costumavam ter.

Você não teve culpa. – ela se virou e ele abaixou sua mão até a dela. – Eu o mantive ocupado, se isso aconteceu ao meu pai, a culpa é minha.

A Rainha abaixou seu olhar até suas mãos entrelaçadas e sorriu. Estava começando a gostar do ladrão. Quem diria?

Porém, parou de sorrir quando notou algo um pouco acima de seu pulso direito. Ela virou o braço para ter uma visão mais clara e quase caiu pra trás quando se deu conta do que era.

Algo errado? – Robin perguntou, se aproximando ainda mais da mulher.

Naquele exato momento, uma conversa com uma fadinha muito amigável lhe veio a mente.

Você precisa de amor!” Ela dizia. “É possível encontrar o amor novamente.”

Aquela duas frases ecoavam por sua mente. E a coisa mais sensata que Regina fez naquele momento foi correr para longe, como da primeira vez.

Ela estava com medo de perdê-lo também, não podia deixar que Úrsula ganhasse.

Ali, o homem com a tatuagem de leão!”

Quando estava longe o suficiente de Robin, ela só pretendia matar a bruxa do mar, assim como ela fez com o seu pai. Esmagar o seu coração.

Ali, uma nova fase começava. Nem Branca e muito menos Robin poderiam parar isso.

Sorrindo diabolicamente, mais uma frase lhe veio a mente:

O pó de fada nunca falha!”

***

Aquela maluquice de vingança despertou um lado de Regina que ninguém nunca tinha visto.

Aprendeu a controlar sua magia, tendo aulas com Rumpelstiltskin e começou a espalhar terror pelo Reino, achando que assim Úrsula teria algo a temer.

Regina causou o caos por um bom tempo, chegando a ser chamada de Rainha Má por alguns. Amedrontando as pessoas, ficando fria, fechada e escurecendo seu coração com trevas, sem deixar espaço para o que ela mais precisava: Amor.

Branca de Neve não aguentava mais ver a madrasta assim e tentou por um fim nisso, mas apenas conseguiu se magoar ainda mais.

Regina não tem mais jeito. – foi o que a moça de pele alva falou ao ladrão. – E eu fico muito triste por isso… Ela só foca nessa vingança e acaba se esquecendo que tem pessoas que a amam… – dizendo a última frase, ela olhou para Robin, que sorriu fracamente.

Um estalo surgiu na cabeça do arqueiro.

Acho que já sei o que fazer!

Antes que Branca perguntasse o que era, ele já estava longe.

Quando Robin encontrou Regina, ela estava sentada na sala do trono olhando para o nada.

Berkley e Rivers estavam ao seu lado, suando frio e sem dizer uma palavra.

Regina! – ele chamou, sem delongas. – Precisamos conversar.

Não estou disposta, ladrão. – revirou os olhos. – Quer se retirar?

Não! Você vai me ouvir! – ele já estava em sua frente e cruzou os braços.

Ela apenas levantou o olhar e uma das sobrancelhas, e abanou o ar para que os dois soldados fizessem qualquer coisa.

Os dois correram sem parar para pensar.

Espero que isso valha a pena depois… – resmungou. Robin nem deu ouvidos.

Não acha que está levando isso tudo a sério demais? – Regina suspirou.

Estou começando a me arrepender.

Ele, mais uma vez, a ignorou.

Só pensa nessa vingança idiota! Você quer acabar com Úrsula, mas está acabando é consigo mesma!

Ela matou o meu pai! – Regina gritou.

Aquela frase ecoou por todo o cômodo e, com certeza, por todo o castelo.

Robin nem se mexeu.

Você quer que eu faça o quê? Deixe-a passear por aí? Ela merece o mesmo destino! – lágrimas ameaçavam cair por aqueles olhos cor de chocolate.

Eu quero que você pare de se culpar e de planejar essa coisa estúpida! – ele também gritou. – Você não está só se machucando com isso, está machucando todos que AMAM você! Não percebe como Branca de Neve está arrasada? – Regina abaixou o olhar. – Não percebe como eu estou me sentindo?

Como? – ela pareceu não ter ouvido.

Que droga, Regina! Eu vou ter que dizer com todas as letras? – ele já estava irritado e falava sem parar. – Eu me importo com você e… Eu gosto muito de você para te ver se autodestruindo.

Uma lágrima da Rainha foi derramada.

Ouça… – ele pediu. – Pare com essa loucura, se não for por mim, que seja por Branca de Ne…

Antes que ele terminasse, Regina se levantou do trono num pulo e tomou os lábios dele contra os seus. Iniciando um beijo calmo e apaixonado.

Ela chorava ainda mais agora. Não precisava de palavras.

Seus lábios se separaram, mas eles permaneceram juntos, ofegantes.

Esqueça-a. – ele sussurrou. – Vamos ser felizes! Dar a ela o nosso desprezo é a melhor vingança!

Ela assentiu e soluçou, beijando-o mais uma vez.

Os dois casaram-se uma semana depois.