Hello

31 Capítulo 31


Notas iniciais
Gente, vai desculpando a demora. KK to adorando os comentários *-----*

31

Agora eu estava realmente surpresa, pensei na possibilidade de Jéssica saber mas era quase impossível, ela não era uma pessoa que fingia muito bem e realmente teria descoberto se tivesse prestado atenção nela. Estava tão preocupada em me afastar que nem tive tempo de avaliar seu comportamento. Algumas coisas começaram a se encaixar na minha mente, algumas frases agora faziam sentido e o fato dela estar me espiando, inclusive perguntando sobre a cicatriz que eu tinha e meus pais.

— Edward...

— Eu sei, é surpreendente. — Murmurou, a voz estava tão rouca e parecia ser tão difícil ele falar. Apertei sua mão e antes que pudesse me dar conta do que estava fazendo, me inclinei e depostei um beijo nela pressionado-a contra mim. — Nada vai acontecer com você, eu garanto. — disse.

— Então é melhor que eu fique longe da escola-

— Não. — Disse. — Bella, você tem que agir normalmente, Carlisle me disse algo sobre terem localizado Marta antes de ir comer, eu tenho certeza que logo ela estará aqui e poderemos ir a justiça. Não faça nada enquanto isso.

— E se te machucarem novamente? — Perguntei, mordi meus lábios porque pensar nisso me deixava aflita.

— Eu fico bem depois. — Disse. — Que tal descansar? Você parece cansada.

— Experimenta sumir de novo, vai me encontrar muito pior. — Murmurei. — Como ele pegou você, Edward?

— Não sei bem, encontrei a galera da faculdade. — tossiu um pouco e respirou fundo. — Nós bebemos e fomos domir no Hotel afinal era muito tarde pra voltar pra casa, James não estava no encontro mas de alguma forma esperava que ele aparecesse ali porque seu primo já tinha confirmado presença. Estava tudo bem, eu lembro de ter ido pro meu quarto depois de Leah e dormi. Eu estava um pouco bêbado, pode ter sido isso.

— Depois de Leah? — Perguntei, notei como ele rolou os olhos desviando de mim. Ah tá, Leah. Suspirei. — E, você acordou onde?

— Amarrado e em algum lugar escuro. — Falou. Confesso que as coisas sobre James tinham perdido a importância, no momento queria saber quem era Leah e o significava "depois" dela. Minha língua estava inquieta dentro da boca e eu sabia que não mudasse de assunto agora acabaria perguntando.

— Quem é Leah? — Disparei. Edward pareceu surpreso, mas se recuperou logo.

— Uma colega minha. — Ele respondeu. — Por quê?

— Acha que ela pode estar ligada ao James? Digo, você esteve com ela antes de ir pro seu quarto.

— Leah? Não!

— Como pode ter certeza? Eu pensei que conhecia Jess também. — Falei. — As pessoas se corrompem, Edward. Além disso você me disse que estava um pouco bêbado.

— Sim, levemente embriagado. James deve ter entrado enquanto eu dormia.

— Se tem certeza. — Murmurei dando os ombros. — O que Leah estava fazendo quando saiu do quarto dela?

— Dormindo. — Respondeu, tricando os dentes logo depois.

— Bem, talvez ela não estivesse dormindo.

— Esse não é o ponto. — Murmurou.

— Claro que é, e se ela colocou alguma coisa na sua bebida? Sei lá.

— Bella, onde quer chegar? — Perguntou, tossindo logo depois.

— Quero saber se...

— Se transamos? — Indagou, ohou dentro dos meus olhos. — Sim, transamos por mais de duas horas e é por isso que tenho certeza, ela estava tão cansada quando fui deitar que mal conseguia abrir os olhos. Não foi ela, James nem a conhecia e além disso, Leah não consegue fingir muito bem, se houvesse alguma coisa errada, eu descobriria.

Soltei sua mão e me afastei. Não queria admitir mas, suas palavras causaram um grande impacto em mim. O que eu esperava? Talvez tivesse me acostumado com Edward estando só comigo, esperando por mim. Doía um pouco saber que transou com outra garota, por mais de duas malditas horas. Não doía um pouco, na verdade, incomodava muito. Tanto que nem conseguia ficar perto dele.

— Eu... Preciso de um café. — Murmurei. Fiz menção de me afastar, mas sua mão livre segurou meu braço. Ele não fazia idéia do estrago que estava causando em mim, todos esses dias sem notícias e com imensas saudades da sua boca, do seu corpo e da sua voz, era difícil pra mim engolir que enquanto estava sentindo sua falta, ele estava transando com outra. Me achava uma tola por me importar com isso, tinha escutado bem as palavras de Jasper que agora voltavam a martelar na minha mente, não com tanta força, porque depois que ouvi Carlisle, enxerguei de outro modo algumas atitudes de Edward. Agora estava dividida, não sabia qual lado da minha mente que deveria seguir. Aquele que me dizia que Edward era uma má pessoa ou aquele que se derretia toda vez que lembrava como ele pronunciava "eu te amo" pra mim.

— Você acabou de voltar do café, Bella. Olha, nós estamos cansados, você não está dormindo direito e eu estou assim, vamos acabar discutindo por qualquer coisa. — Falou, deslizando seus dedos por minha mão. — A Leah foi...

— Não precisa explicar. — Falei, interrompendo-o. — Não quero ouvir.

— Pensei que não se importasse.

— Pensou errado. — Eu disse. Houve uma expressão indecifrável no seu rosto e depois ele sorriu. Sorriu de uma forma que não consegui explicar a sensação que me invadiu, tão frágil e tão bonito, fez algo dentro de mim amolecer.

— Uau, isso é... A segunda coisa bonita que fala pra mim.

— E qual foi a primeira? — Perguntei.

— Quando disse que seu coração palpitava só por mim. Foi... Inacreditável. — Murmurou, mordi meus lábios e dei um sorriso fraco. Eu ainda estou brava Edward, perceba isso. — Com a Leah não foi metade do que sinto quando estou com você, sério. Você me excita como se eu fosse um adolescente virgem. Parece estar tão envergonhada e depois vira uma leoa, nunca sei o que esperar na cama. Além disso, você é bem apertadinha e...

— Edward! — Protestei, meu rosto estava queimando, provavelmente estava começando a ficar vermelho.

— O quê? — Indagou inocente. Olhei para os lados pra verificar se não havia nenhuma enfermeira por perto, era constrangedor imaginar alguém escutar isso e pior ainda seria se esse 'alguém' fosse Carlisle. — Está bem. O que eu quero dizer é que com ela foi só desejo.

— Agora entende o que tive com Emmett.

— Pensou em transar com ele? — Perguntou, mudando de expressão.

— Não, não. Eu pensei em beijá-lo mas, puro desejo. — Sussurrei.

— Está dizendo que o que tem comigo vai além de desejo? — Indagou.

Suspirei. Poxa, era tão difícil abrir meus sentimentos pra ele, me sentia totalmente exposta. Como se não tivesse mais controle dos meus segredos.

— É. Talvez. — Coloquei pra fora e olhei pro chão.

— Eu juro que se pudesse me levantar, estaria aí beijando você inteirinha. — Disse. Fitei seu rosto e fiz uma careta diante do seu sorriso. — Você não quer acabar com a dor desse pobre homem e dar um beijo nele? Olha, eu sei que não estou com uma boa aparência mas você podia fazer uma força.

— Você não pode se esforçar e sabe que seu lábio superior está machucado. — Falei, ele revirou os olhos. — Quando você melhorar eu te dou um beijo.

— Malditos machucados. — Praguejou. — Ainda está brava?

— Quem disse que eu estava brava? — Perguntei, incomodada.

— Tem razão, estava com ciúme. — Disse.

— Cala boca. — Sussurrei abrindo um sorriso, ele me acompanhou e senti o clima ficando leve. Não era tão ruim ceder afinal.

— Pelo menos sente alguma coisa por mim.

— Quer ouvir uma terceira coisa bonita? — Perguntei, ele arqueou a sobrancelha. — Sinto milhões de coisas além de ciúme por você, principalmente medo de perder você então, não se meta em encrenca, ok? — murmurei.

— Como quiser. — Sorriu largamente.

— Posso fazer uma pergunta? Isso está meio que me atormentando. — Eu murmurei.

— É claro, quantas quiser. — Respondeu. Pensei uma, duas e até três vezes. Quis recuar e pedir pra ele esquecer, mas minha mente estava se recusando a continuar guardando aquilo, talvez eu quisesse liberar espaço mental.

— Fez uma garota abortar um filho seu com cinco meses? — Indaguei.

Seus dedos soltaram minha mão e seu sorriso desapareceu do seu rosto trazendo aquela expressão fria que eu odiava ver. Me amaldiçoei por ter perguntado em um momento tão feliz, mas quem poderia me julgar por não conseguir conviver com uma dúvida dessas?

Procurei em seu rosto alguma coisa que me desse uma resposta, já que depois da minha pergunta ele ficou em total silêncio e seus olhos desviaram de mim para fitar a parede. Queria que Edward soubesse que não estava julgando-o apesar de repudiar essa atitude, quem seria capaz de engravidar uma mulher e depois fazê-la abortar?

De repente estava feliz por aquelas malditas injeções anticoncepcional que injetava a cada trinta dias, além de ficar pirada por engravidar, ficaria pior caso Edward rejeitasse o filho que não tinha culpa de nada. Devia ser realmente traumatizante matar um bebê dentro de você, como alguém podia ser cruel a ponto de obrigar uma mãe a isso?

— Esse assunto é complicado. — Murmurou.

— Não vai responder? — Perguntei delicadamente. Sabia que estava entrando em um terreno perigoso, via isso toda vez que encarava seu rosto machucado que agora tinha expressão dura e os lábios pressionados. — Me desculpe por tocar no assunto, fiquei um pouco curiosa a respeito disso.

— Foi Esme? Ela sabe disso? — Indagou.

Ele não tinha confirmado diretamente mas, ali estava a prova que Edward realmente tinha feito isso e o que Jasper tinha dito sobre guardar segredos dele que os pais não sabiam parecia ser verdade também. Apertei minhas unhas contra a palma da minha mão, não podia negar que estava decepcionada, só não queria que ele notasse isso.

— Jasper. — Respondi.

— Filho da puta. — Sussurrou, logo depois me encarou, os olhos demonstravam algo que eu não sabia explicar. — Está decepcionada? Pensou que eu ia negar?

— Não. — Menti.

— Não minta. — Disse, entredentes. — Me desculpe por decepcioná-la mas não ia mentir pra você.

— Tá tudo bem-

— Não, não está. Eu deixei bem claro que não queria essa merda desse assunto correndo por aí, Jasper me prometeu que iria guardar segredo e agora conta pra última pessoa que devia saber dessa merda. — Falou, tossiu em seguida. Apertei meus lábios porque notei que tinha deixado-o irritado, realmente irritado. — Quer saber mesmo o que aconteceu?

— Edward, não precisa explicar se-

— Eu quero falar. — Me interrompeu novamente. A voz estava dura, rouca e havia tanta coisa nela que não sabia dizer ao certo o que ele sentia, mas era uma mistura de raiva, magoa e preocupação. — O nome dela era Anne, nós transavamos ás vezes mas ela tinha namorado, paramos de transar por causa de uma desculpa esfarrapada dela e cinco meses depois uma amiga dela me contou que ela estava grávida e o filho era meu. Eu estava no último ano, a formatura ia ser em algumas semanas e já estava pensando em qual faculdade ia escolher pra cursar psicologia. Tem noção do quanto isso me atormentou? Foi um choque, eu fiquei completamente louco e fui atrás dela na mesma hora, nós discutimos e Anne me disse que queria o bebê, mas eu não queria e nem poderia cuidar da criança já que estava praticamente com as malas prontas. Além disso, o filho podia ser do namorado dela também, nós dois fodiamos ela ao mesmo tempo, como saber? Teste de DNA? Eu não tinha tempo pra isso. Fui bem claro e lhe dei duas opções. A primeira, ela contava ao namorado que tinha dúvidas sobre a paternidade e quando o bebê nascesse faríamos o teste e se fosse meu, eu assumiria e a segunda, ela abortava a criança. Anne não era burra, o namorado dela já estava feliz com a gravidez e pensava que era o pai, claro que não ia escolher a primeira opção. Ela não ia contar pra ele que o filho podia ser meu então, ela tomou alguns remédios e alegou que tinha perdido a criança. — suspirou. — Eu a vi alguns dias atrás, ela engravidou de um garotinho um ano depois que acabou os estudos e está casada. Não acho que minha atitude tinha sido certa, na época eu dilarcerei o coração dela e me arrependo disso, mas Anne está feliz hoje com o mesmo cara, se eu não tivesse feito aquilo, ambos não estariam mais juntos e eu provavelmente não estaria aqui também. É isso. — disse por fim.

Fiquei alguns segundos absorvendo tudo que tinha escutado, seu rosto continuava naquela linha dura e um suspiro escapou por seus lábios, era como se estivesse aliviado. Estava pensando em várias coisas ao mesmo tempo, como no quanto Anne era vadia por ter escolhido abortar do que contar pro namorado que tinha dúvidas sobre a paternidade, Edward também tinha sido incompreensível ao exigir isso dela lhe dando opções tão complicadas.

— Obrigada por esclarecer. — Murmurei por fim não encontrando outras palavras que se encaixassem no momento. Nossos olhares se encontraram por breves segundos e depois ele fechou os olhos pressionando suas palpebras e abrindo-as logo depois.

— Está decepcionada? É ruim saber que não tenho um passado aceitável? — Perguntou.

— Edward...

— Eu não fui uma pessoa legal, Bella e é bom saber disso antes que joguem na sua cara. No colegial eu era deplorável, simplesmente porque me acostumaram a ter tudo que eu queria, todas mulheres que desejei estiveram na minha cama, todos os carros que quis estavam nas minhas mãos. Sabe o que é as pessoas se oferecerem pra fazer seus trabalhos? Só pra ter atenção? As meninas agiam como objetos e eu as tratei assim por um bom tempo porque elas gostavam desse papel. — Falou. — Eu comecei a aprender um pouco da vida na faculdade, as garotas tinham outra cabeça, vinham de lugares diferentes e isso ajudou bastante. E depois veio você. Puta que pariu. Eu me vi sendo usado por uma garota mais nova que eu, me beijava quando queria, me tinha como queria e depois? Depois desaparecia e fingia que nada tinha acontecido. Você me deixava louco, Isabella.

— Eu não usava você. — Sussurrei. — Eu só...

— Estava completamente confusa e eu não sabia lidar com isso. Você tem idéia de como é duro pra mim saber que sustento um sentimento sozinho? Sabia onde estava me metendo quando comecei transar com você, só não imaginava que você ia me colocar na palma das suas mãos. Olha pra mim, correndo atrás de uma garota que não consegue nem desenvolver alguma coisa por mim além de carinho e desejo. É frustrante, Bella. — Disse.

— Não é só isso. — Murmurei, retraída.

— É claro que é, seus sentimentos são confusos, o que sentiu agora foi medo de me perder e isso você sentiria por qualquer pessoa. O problema é que me iludo com qualquer coisa que você fala, disse que seu coração só palpitava por mim mas rejeitou um pedido de namoro. Tem noção de como me senti? Pensei que entre nós era puro sexo, puro tesão. Então, você vai na merda do meu quarto e mesmo eu tendo jurado que não encostaria em você de novo, transamos três vezes! Três vezes! E em todas elas eu sabia perfeitamente que no dia seguinte as coisas seriam das mesma forma. Você pra lá e eu pra cá. — Suspirou. A tosse tinha voltado com mais intensidade e ele pigarreou pra continuar falando. — O que você não entende é que, demorou anos pra que conseguisse desenvolver um sentimento por uma pessoa, um sentimento que vai além de prazer e é como um soco no rosto saber que você não consegue correspondê-lo. Eu transei com Leah por isso, pra tirar um pouco de você e não adiantou nada, porque você está aqui agora e se pedisse pra transar comigo, mesmo que falasse claramente que seria só uma noite, eu me entregaria pra ser usado de novo com prazer.

— Não fala assim. — Pedi com a voz quase em um sussurro, era muita informação em pouco tempo, minha mente estava copiando cada palavra e ficava surpresa ao ouví-lo expor seus sentimentos pra mim de forma tão deliberada. — Você está completamente errado. — falei.

— Não, não estou-

— Está, Edward. — Eu disse em tom mais alto, fazendo-o arquear novamente a sobrancelha. — Acha mesmo que é só carinho e desejo? Por acaso as coisas que falo pra você entra por um ouvido e sai pelo outro? — perguntei.

— Você age diferente, Bella. Como espera que eu acredite? — Indagou. Eu bufei, irritada.

— Como pode dizer que o medo que senti de te perder eu sentiria por qualquer um? — Perguntei, estava procurando palavras mas Edward duvidar de mim assim era completamente novo, não fazia idéia de que era isso que corria pelos pensamentos dele. — Eu te deixo louca, Edward? Então temos uma coisa incomum, você me perturba até em sonhos se quer mesmo saber, um pensamento sobre você fode o meu dia e você ainda coragem de dizer que é só carinho e desejo? Não sei exatamente como definir tudo que eu sinto, não quero usar uma palavra forte como 'amor', então prefiro não definir. Mas isso não significa que não sinta nada.

— Está despertando um sentimento perigoso em mim, Isabella. — Advertiu.

— Você já fez o mesmo, despertou coisas que pra mim estavam mortas. — Respondi me aproximando um pouco mais da cama, me inclinei pra frente e fiquei bem perto do seu rosto. Os machucados pareciam um pouco mais assustadores e estava quase a recuar quando ele me segurou com a mão que não estava engessada.

— Que se dane o machucado, me beija. — Pediu.

— Edward...

— É só a merda de um corte. Não quer me beijar? — Perguntou.

— É o que eu mais quero, só que... — Me interrompeu ao levantar sua cabeça e grudar os lábios nos meus me deixando surpresa. Sua boca se moveu contra a minha suavemente e me entreguei vencida, mantendo a devida distância para não machucá-lo.

— Oh meu Deus. — Alguém disse atrás de mim, eu reconhecia aquela voz mas não tinha certeza de quem era. Me separei rapidamente de Edward e respirando fundo me virei pra trás, e lá estava ela.

Megan, a avó de Edward. A pessoa que mais me desprezava naquela filha, olhando para nós dois com a expressão totalmente surpresa.

Meu corpo gelou, meu último encontro com ela não tinha sido nada agradável e agora Megan tinha visto uma cena que iria contribuir para suas opiniões sobre mim. Sua expressão mudou de surpresa para nojo e logo um sorriso irônico se apossou de seus lábios.

— Onde está Carlisle? — Perguntou, por fim.

Permaneci onde estava com um milhão de sensações dentro de mim, cravei minhas unhas na palma da mão e tentei controlar aquele maldito nervosismo. Era tão difícil enfrentar aquele olhar frio, me sentia tão deslocada e ainda mais agora que estava fazendo algo "errado". Me lembrava exatamente de como tinha me chamado de aproveitadora só por ver Edward falando comigo e com a mão parada sobre minha perna na mesa do almoço.

— Megan. — Edward disse. — Carlisle foi comer.

— É, deve ser por isso que essa vadiazinha está nos seus braços. — Disse. Mordi com força meus lábios tentando não deixar aquilo me ofender.

— Meg-

— Eu vim trazer os papéis sobre Marta, ela aceitou depor. — Interrompeu Edward com aquele tom superior. — Marcamos o voô dela pra daqui uma semana, até lá é bom que você esteja recuperado. — me fitou com desdém. — Espero que veja o que está causando pra essa família, é a primeira vez que temos que nos envolver com a justiça. Quero que dê uma boa olhada no que fez ao meu neto e saiba que a culpa sua! Os deuses deviam estar querendo nos testar quando mandou você pra cá, Esme deve ter um péssimo olho pra escolher pessoas. Agradeça porque não fui até aquele orfanato aquele dia, porque se tivesse sido eu a acompanhá-la na hora da adoção, você nunca viria pra essa família! E tem mais-

— Já chega. — Edward disse.

— Tá tudo bem, ela tem razão. — Sussurrei, minha visão começou a embaçar e pressionei meus lábios porque não queria chorar na frente dela.

— Bella, cala a boca. — Ele disse, alterado. — Você também, Megan. Fala como se fosse santa!

— Olhe o seu estado, quase foi morto por causa dessa meretriz que já está em cima de você de novo tentando garantir seu lugar aqui. Anote o que estou dizendo, logo ela vai aparecer grávida. Conheço bem esse tipinho, se fingem de coitadinhas porque tem algum trauma qualquer e...

— Pare com isso! — Edward disse. Meu coração estava tão apertado que as lágrimas deslizaram pelo meu rosto antes que pudesse barrá-las. Juro que não queria chorar mas, Edward naquele estado, James solto, as noites mal dormidas e as preocupações tinham me deixado fragilizada.

— Devia se envergonhar de proteger uma mulher que não presta!

— Isso vale pra você, já que protegeu Esme, não é mesmo? — Carlisle disse, entrando no quarto. — Além do mais, você é tão imprestável quanto ela, agradeço muito por ter emprestado o dinheiro pra bancar as despesas de Marta mas isso não lhe dá o direito de ofender minha filha.

As lágrimas despencaram com mais intensidade e um soluço baixo escapou da minha boca. Era tão aconchegante a sensação de ouvir alguém lhe defender, as palavras da avó de Edward tinham sido um tapa no meu rosto e agora era como se Carlisle acaríciasse o local.

— Carlisle, você... — Ela disse um tanto surpresa.

— Lá fora. — Ele respondeu, girou os calcanhares e saiu pela porta. Um último olhar na minha direção e Megan o seguiu.

Senti os dedos de Edward deslizarem pela minha mão e me virei pra ele.

— Me desculpe. — Sussurrei. — De verdade, não queria que James machucasse você...

— Bella, por favor, pare de chorar. Droga. — Murmurou. — Não é culpa sua.

— Como não? — Perguntei com a voz embargada. — Se não fosse por minha causa, ele não teria motivos pra tocar em você!

— Sim e se eu tivesse denunciado-o meses atrás isso não estaria acontecendo, eu mereço Bella, tenho que pagar um pouco também. — Disse, fez uma careta dolorida e sorriu. — Tá tudo bem, eu não tenho raiva de você e nem Carlisle, não tem motivo nenhum pra se sentir dessa forma. — murmuou. — Limpe essas lágrimas, ok? Odeio te ver chorando.

Eu acenei com a cabeça e soltando sua mão, caminhei em direção ao banheiro. Ainda bem que estava sem maquiagem e com os cabelos presos porque tive liberdade pra encher a pia de água até ela transbordar e afundar meu rosto na água gelada até conseguir relaxar. As palavras de Megan não paravam de martelar na minha cabeça e a culpa continuava pesando sobre meus ombros.

Edward tomou alguns remédios pra dor, isso o fez ficar com sono e adormecer. Quando Esme veio me buscar, ele ainda não tinha acordado e tive que ir embora rapidamente porque Carlisle não estava muito bem com ela. No caminho de volta pra casa fomos conversando futilidades, sei que ela estava tentando me distrair, mas minha mente não saia daquele hospital.

A noite foi insurportável, minha cabeça estava doendo e meus remédios tinham acabado, não tinha coragem de ir pedir mais a Esme e por isso revirei na cama a noite toda.

No dia seguinte o despertador anunciou que eu tinha que ir pra escola e mesmo estando totalmente sem vontade, caminhei pro banheiro.

— Você está péssima. — Murmurei pra mim mesma.

Olheiras profundas e cabelos bagunçados, e mais uma vez não tive coragem de lavá-los. Os prendi em um rabo de cavalo e tomei um banho rápido. Calça jeans, blusa e tênis. Olhei no espelho mais uma vez e apesar de estar destruída, não passei maquiagem. Resumindo, agora estava bem claro como aqueles dias estavam acabando comigo.

Não houve conversas no café, Esme estava tensa e Jasper parecia emergido nos seus pensamentos. Eu comi alguma coisa, mas estava completamente sem fome, tivemos que sair quinze minutos mais cedo porque Carlisle estava no hospital e Esme tinha que nos levar a tempo de ir pro trabalho.

A escola ainda estava um pouco vazia quando chegamos, poucos alunos se aglomeravam no estacionamento. Jasper foi conversar com uma garota e eu tirei meu celular do bolso discando o número de Carlisle.

— Bella? — Atendeu.

— Oi... Pai. — Murmurei. — Edward está melhor? — perguntei.

— Ah sim, essa noite ele teve um pouco de dor, mas os remédios que deram de madrugada já fizeram efeito. Tiraram o curativo do nariz, pra nossa sorte não ficou marcas, agora temos que esperar o resto cicatrizar. Agora ele está dormindo, mas ás 9h a médica chega e vai examiná-lo e as enfermeiras vem dar lhe dar banho e fazê-lo comer. — Disse.

— Ah, isso é bom. — Murmurei. — Eu vou pra aí depois da escola.

— Bella, você não vai ficar muito cansada?

— Está tudo bem, Carlisle. Posso dormir aí. — Eu disse, ouvi um suspiro.

— Muito obrigado, Bella. De verdade. — Disse.

— Pelo quê?

— Por estar se preocupando, é bom saber que não estou sozinho. — Respondeu.

— Ah, tudo bem. — Falei. — De nada.

— Então, até mais tarde. Você... Tem dinheiro pro táxi? — Perguntou.

— Devo ter.

— Ótimo, nos vemos mais tarde então. Se cuida, filha.

— Até mais tarde, pai. — Falei, desligando em seguida.

Fiquei algum tempo olhando as fotos do meu celular e quando levantei meus olhos, o estacionamento já estava ficando lotado. Pessoas passeavam pra todo lado e conversavam entre si. Eu bocejei sonolenta e quando olhei pra trás, percebi uma figura em pé atrás de uma árvore. Pulei imeadiatamente do banco, era... James?

Continuei olhando fixamente na sua direção, os cabelos voavam com o vento e havia um maldito sorriso em seu rosto. Filho da puta.

— Bella? — Sam disse entrando na minha frente e tapando minha visão. — O que foi?

Me inclinei pro lado e não o vi novamente, esfreguei meus olhos. Maldito sono.

— Oi Sam, nada. Vamos entrar? — Murmurei.

Era a segunda vez que via James, talvez fossem alucinações. Estava dormindo tão mal que ás vezes nem conseguia diferenciar a realidade do sonho, me pegava dormindo quando menos esperava e dizia a mim mesma que assim que tivesse chanches ia tirar uma boa noite de sono.

Não queria admitir que talvez minha mente pudesse estar "falhando", durante todo esse tempo essa possibilidade me afetou mas preferi deixá-la de lado. Porém agora com essa coisa de ver James e depois ele simplesmente desaparecer, comecei pensar que minha cabeça pudesse estar imaginando coisas e provavelmente estava ficando louca.

Um frio percorreu minha espinha.

E se depois de tanto sofrimento minhas resistências não fossem o bastante? E não aguêntasse toda essa pressão?

Sentei na mesa da sala ainda um pouco vazia e suspirei pesamente, não era possível, eu estava em perfeito juízo. Ou pelo menos achava que estava. Podia controlar minha mente! Por Deus, eu não queria ficar com os fantasmas do trauma me perseguindo. Mas agora, havia tanta culpa em mim, tanta coisa sobre as minhas costas que me sentia exausta só por ainda respirar. Mas que merda, não deveria me sentir assim, isso estava perto do fim, logo James estaria longe. Eu estava tentando acreditar nisso.

— Bella? — Uma voz conhecida me chamou, tentei controlar minha expressão de nojo e raiva, e lentamente olhei pra cima.

— Oi Jéssica. — Respondi, seca.

Não conseguia acreditar em como ela conseguia ser dissimulada, como podia me entregar pro irmão dela, aquele estupradorzinho de merda, e depois vir falar comigo como se fosse minha amiga? Edward tinha me implorado pra agir normalmente e juro que estava tentando, mas infelizmente não conseguia ser tão falsa quanto ela.

— Você está bem? Eu soube de Edward. — Disse, com uma expressão de tristeza. Meu coração ferveu e eu cerrei os punhos, se ela continuasse agindo assim seria obrigada a me levantar e lhe dar um bom tapa no rosto.

Nunca fui uma pessoa violenta, na verdade por ter medo de tudo, nunca tinha coragem de atacar uma pessoa. Mas, naquele momento me parecia muito convidativo falar tudo que ela merecia ouvir e lhe encher de tabefes. Suspirei pesamente desviando meus olhos dela e apertei com a força a carteira.

Não foda com tudo, Bella.

— Estou bem. — Murmurei.

— Sabe, você e ele parecem ter uma ligação forte. — Comentou, sentando-se na cadeira ao lado.

Sua piranha! Vagabunda! Como ousa falar dele como se não fosse a culpada por tudo que estava acontecendo? Fechei meus olhos por alguns segundos. Tudo bem, não podia culpá-la por tudo, mas pelo menos por uma parte. Tinha que jogar a culpa em alguém porque todo esse peso em cima de mim era doloroso.

— É. — Respondi.

Meus olhos estavam fitando a cadeira a frente, tentando pensar em alguma coisa que a fizesse mudar de assunto, mas depois vi que se a fizesse mudar de assunto ela provavelmente começaria a falar e eu não estava nem um pouco afim de escutá-la.

— E como Edward está? — Perguntou.

Como Edward estava? As lembranças dele na ambulância fizeram meu estômago revirar, havia tanto sangue e seu belo rosto estava tão machucado que me causou uma sensação tão ruim a ponto de fazer meus olhos encherem de lágrimas. Como Edward estava? Estava totalmente fodido em uma cama de hospital e a culpa era de quem? Minha! Minha primeiramente, depois de James e depois de Jéssica por ser tão desgraçada.

— Como Edward está? — Repeti sua pergunta.

— É? Está muito machucado? Vocês tem idéia de quem fez isso com ele? — Perguntou.

Agora ela estava passando dos limites, como conseguia fingir tão bem?

— Não. — Respondi.

— Não o quê? — Insistiu. — Não está muito machucado ou não tem idéia de quem fez isso com ele?

— Por quê? — Perguntei, fitando o nada. Meus olhos enchendo lentamente de lágrimas.

— Por que o quê?

— Jéssica...

— O que você tem, Bella? — Perguntou, me virei pra ela.

— Por que você é tão vagabunda? — Indaguei levemente alterada.

— Eu não estou-

— Vou ser bem clara, Jéssica. Eu espero que saiba o que está fazendo, espero mesmo. Porque assim que eu fizer o merda do seu irmão pagar por tudo que fez, eu vou acabar com essa sua vida miserável, sua vadia. — Murmurei, trincando os dentes. Peguei minhas coisas e me levantei ainda olhando furiosamente pra ela e sem esperar sua resposta, dei as costas caminhando pra fora da sala.

Meu sangue estava fervendo.