Hello
32 Capítulo 32
Notas iniciais
e recomendações, adorooooooooooo!
mtmtmtmtmt obrigada msm, leio todos apesar de n responder ok? se quiserem respostas mandem msgs que respondo todas *-* bjs e espero que gostem. ♥
32
Minhas mãos estavam trêmulas e senti seus olhos em minhas costas até quando finalmente consegui sair dali. Sorri amargamente ao me dar conta que tinha acabado de ameaçar Jéssica, que tinha fodido com tudo de novo e deixando bem claro à ela que sabia quem tinha feito aquilo com Edward.
O problema é que eu estava cheia de remorso e não conseguia mais guardar tanta coisa dentro de mim, alguns meses atrás seria tão fácil ignorar tudo e todos e fingir que não tinha nada errado na minha vida. Mas agora... Agora minha mente parecia estar lotada de problemas e não querer guardar mais nada dentro dela. O meu interior estava me obrigando a jogar as dores pra fora, talvez, as feridas já estivessem grandes demais pra continuar escondidas.
Os alunos tinham tomado os corredores, geralmente esperavam em frente sua sala o sinal tocar. Caminhei entre eles escutando todas as conversas e risadas abafadas, não pedi licença e acabei empurrando alguns sem me importar, tinha que escapar dali porque todo aquele barulho me impedia de pensar claramente.
Entrei na biblioteca quase vazia, só a fucionária e duas alunas estavam nela. Caminhei para o fundo, na parte mais distante onde não tinha ninguém e joguei a mochila sobre uma das cadeiras me sentando em seguida na outra. Apoiei meus cotovelos na mesa e passei as mãos pelos meus cabelos abaixando minha cabeça em seguida.
Fechei meus olhos por alguns segundos. Eu estava tremendamente ferrada. Muito ferrada. Ferrada pra caralho. Por que tinha que abrir a merda da minha boca? Por que não podia fingir pra Jéssica que não me importava? Era por não saber quando ficar calada que Edward estava naquela situação.
Oh, Edward! Eu gemi puxando meus cabelos bagunçando o rabo de cavalo, por que ele tinha que estar ferido? Por que James não tinha vindo acertar as contas comigo? Eu estava tão cansada de todo aquele peso, o medo estava me incomodando, não aguêntava mais toda aquela situação me pressionando como se eu tivesse pedido por isso.
Por que eu tinha que ser violentada fisicamente e metalmente? A morte da minha mãe não tinha sido suficiente? Charlie ser um filho da puta não era suficiente? É claro que não! Algo tinha que continuar acontecendo porque eu era a única pessoa naquele mundo que não nasci com o direito de ser feliz. Sempre que achava que as coisas estavam caminhando pra frente, algo retrocedia destruindo tudo que eu tinha construído.
E o que eu construí afinal? Eu só colaborei pra minha própria destruição, tinha uma grande parcela de culpa por tudo que estava acontecendo. Por que diabos eu fui abrir a porta naquela noite? Por que não podia ficar deitada e calada? Oh não, eu tinha que ir até lá e escancarar a porta pro meu pesadelo entrar. Tinha que ir até lá e ferrar comigo mesma em questão de segundos.
Um gosto amargo se formou em minha boca ao lembrar de quando ele puxou o shorts pra baixo, o chão estava úmido e aquela era uma época muito fria, Forks era fria por natureza mas naqueles dias o inverno tinha se intensificado. Minhas pernas foram separadas com tanta violência e sem lubrificação nenhuma, rasgou meu íntimo entrando de uma vez em mim.
Um gemido escapou dos lábios e uma lágrima silenciosamente deslizou pelo meu rosto.
Tinha doído tanto, era quase impossível descrever como ardeu e como o tempo pareceu se arrastar, quanto mais ele metia, mais doloroso ficava. E quando ele puxou meus cabelos? Era tão agoniante sentir meu corpo ser obrigado a se inclinar pra trás e ser pressionado contra o chão. Dentro de mim estava tão molhado e quente, que eu não sabia diferenciar se era sangue ou se o filho da puta tinha gozado.
Imediatamente me movi desconfortavelmente. Naquele momento estava com tanto nojo do meu corpo, tanto nojo de mim por ter abrigado aquele infeliz...
As lágrimas escaparam, levando de mim todos aqueles pensamentos e me deixando ainda mais exausta.
Agora pra completar, Jéssica tinha entrado no jogo também. Por que ela estava fazendo isso? O que ia ganhar? Eu sinceramente não conseguia ver nenhum prazer em fazer as pessoas sofrerem, será que era tão bom assim? Devia ser porque todo mundo parecia atraído em fazer algum inferno pra alguém.
Minhas vontades eram inúmeras naquele momento, ir atrás de Jéssica e voar em cima dela agindo como uma inconsequente. Ir atrás de James e implorar pra que ele deixasse minha família em paz. Dar um tiro no meio daqueles cabelos loiros. E dormir, dormir parecia ser minha maior vontade no momento.
Mas eu não conseguia, não quando sabia que James era uma ameaça pra todos a minha volta, e se ele machucasse Carlisle? Jasper? Esme? Merda... Eu não podia deixar!
Algo se agitou dentro de mim, provavelmente minha culpa me obrigando a reagir. Não era justo deixar as pessoas pagarem pelos meus problemas! Problemas que tinha conseguido sozinha! Ninguém mais tinha que se envolver. Edward já era o meu limite.
O sinal me fez pular assustada, abri meus olhos e levantei minha cabeça. Passei minhas mãos pelas minhas bochechas secando as lágrimas, agradeci a mim mesma por não ter me maquiado e caminhei em direção ao banheiro.
Meus olhos estavam inchados, as olheiras pareciam mais intensas e meu cabelo também tinha bagunçado, passei meus dedos por eles tornando a prendê-los e lavei meu rosto três vezes até conseguir sumir com os olhos avermelhados e com aquela expressão de dor exposta na minha face. Quando sai da biblioteca, o corredor estava novamente lotado, troca de aulas e os alunos se moviam rapidamente em direção as escadas para subir ou descer. Procurei em minha mente qual era a próxima aula. Quinta-feira... Segunda aula... Inglês!
Me apressei pelo corredor e desci em direção ao segundo andar, a sala já estava cheia e respondendo alguns acenos me sentei no fundo ao lado de uma cadeira vazia. Fiquei olhando fixamente para a janela até sentir alguém sentar do meu lado.
— Sam. — Sussurrei, me virando pra ele.
— Bella, você tá legal? — Perguntou, acenei com a cabeça e ele suspirou. — Se eu me aproximar você vai ficar brava?
Neguei rapidamente e com gentileza, Sam me envolveu em seus braços deslizando minha cabeça até seu ombro. Suas mãos pousaram em minhas costas e ele acariciou a região gentilmente, foi o suficiente pra me fazer chorar novamente, silenciosamente em seu abraço.
— Muito obrigada. — Sussurrei, entre lágrimas. — De verdade.
— Tá tudo bem, Bella. Tudo bem. — Respondeu, começando a afagar meus cabelos.
Eu queria que estivesse. Juro que queria.
-
Praticamente corri pra casa quando a aula acabou, entrei rapidamente pela porta e expliquei a Jane que estava indo pro hospital. Entrei no meu quarto e depois de tirar o uniforme percorri meu closet pegando algumas roupas, joguei tudo dentro de uma grande bolsa e apanhei alguns produtos de higiêne pessoal e algumas calcinha limpas arrumando rapidamente minha pequena mala.
Meu corpo estava um caco e minha mente? Bem, eu nem sabia se ainda tinha controle sobre ela. Tentei não pensar nisso e voltei minha atenção para a gaveta a procura de dinheiro, Esme sempre colocava algo lá pra me poupar de ficar pedindo já que ela sabia que não me sentia bem com isso.
Me despedi de Jane e esperei o táxi sentada na porta de casa, meus pensamentos novamente foram em direção a Edward. Minhas mãos suavam e meu coração palpitava pra vê-lo, depois de tanta exaustão mental eu precisava de alguém que me fazia esquecer até meu próprio nome. Por que eu estava tão ansiosa afinal? Por que minhas emoções estavam a flor da pele? Hoje era o dia de foder com a vida da Bella e minha mente parecia se divertir com isso.
Será que Edward estava melhor? Será que me culpava de alguma forma pelo que estava acontecendo? Maldição, é claro que não. Ele havia sido terrivelmente machucado mas agia como se nada tivesse acontecido, estava tentando não me fazer sentir toda culpa que era minha por direito.
Ao chegar no local, eu respirei fundo.
— Filha. — Carlisle disse ao me ver na recepção, forcei um sorriso e me aproximei. — Veio preparada, isso é bom. — falou apontando minha mala. — Querida, eu vou ter que ir até o trabalho, estão realmente precisando de mim. Estava esperando você chegar pra não deixar Edward sozinho, ele comeu e tomou banho, alguns curativos foram finalmente retirados e alguns só trocados. Mas em geral está tudo certo, os remédios estão fazendo efeito e a dor melhorou 40%, a enfermeira disse que até domingo pode estar bem melhor. O médico nos indicou um remédio pra ajudar na recuperação, ele serve pra curar os machucados que ficam e garantir que não aja marcas, já liguei pra farmácia e encomendei alguns. Se Edward continuar assim, na segunda poderemos levá-lo pra casa. — suspirou por fim.
— Ah, tudo bem. — Murmurei. — Que bom que ele está melhor.
— É. — Carlisle sorriu. — Muito obrigado, filha. Sei que já disse isso hoje mas... Obrigado.
— Você sabe, é o minímo que posso fazer. — Murmurei, ele acenou sem concordar ou discordar.
— Tenho que ir, dê um abraço em Edward por mim. — Disse, se aproximou um pouco receoso e lentamente depositou um beijo na minha testa, fiquei algum tempo imóvel e depois finalmente sorri tranquilizando-o. — Até mais tarde. — despediu-se ainda parecendo um pouco sem graça com o que tinha acabado de fazer.
Eu murmurei uma breve despedida e depois segurando com força minha pequena mala rumei em direção ao quarto.
Estava mais claro porque a janela estava aberta e as cortinas também, em silêncio caminhei pra dentro e fitei Edward, sentado na cama com uma calça azul usada em todo hospital e sem camisa. O soro corria até suas veias atráves de uma agulha fincada no seu braço. Os cabelos estavam levemente bagunçados e os olhos ostentavam um verde apagado que fitava o nada com desinteresse. Minha culpa. Minha culpa. Minha maldita culpa.
— Edward. — Sussurrei.
Os olhos dele se voltaram pra mim e não pude deixar de sorrir ao notar que agora o verde estava vivo e intenso, deixei a mala no chão sem saber exatamente como agir e fui em sua direção.
— Bella. — Disse, sua voz ainda rouca pronuciou meu nome de forma tão calorosa que quase corei. — Sua bolsa parece querer estourar.
— Vou dormir aqui. — Respondi.
— Isso vai acabar ficando cansativo demais pra você. — Falou, com o tom repreensivo porém com uma leve demonstração de felicidade. — Você está visivelmente exausta.
— Eu...
— Vem cá. — Murmurou, me interrompendo. Mordi meus lábios e por fim fui até ele, seus braços me envolveram em um leve abraço e por fim, sua boca deslizou pela minha por alguns breves segundos. — Que tal você dormir um pouquinho? — perguntou, sussurando perto da minha orelha, trilhando um caminho que ia do lóbulo até meu pescoço.
— Edward, eu... Eu falei com Jéssica. — Coloquei pra fora, como esperado ele se afastou e me fitou curioso. — E fui bem direta, com direito até a xingá-la. — confessei abaixando minha cabeça. Eu estava tão cansada disso.
— Bella...
— Eu sei! — Disse, interrompendo-o antes que ele pudesse começar um sermão. — Mas eu não consegui aguêntar ela perguntando por você como se não soubesse, olha como você está e a culpa é praticamente toda minha. Minha cabeça tá uma merda, Edward. Eu nem sei mais diferenciar a realidade dos sonhos. — meus olhos lotaram de lágrimas pela terceira vez no dia. — Eu estou ficando louca, Edward, literalmente. — desabafei, seus olhos mudaram de preocupados para surpresos e seus braços me apertaram com mais força. — Eu disse que não queria você metido na minha confusão metal, é por isso que não aceitei seu pedido porque sabia que mais cedo ou mais tarde essa merda ia acontecer.
— O que está dizendo?
— Estou tendo alucinações diárias. — Confessei, ele tornou a arquear a sobrancelha e deslizar suas mãos pelos meus braços acariciando-os numa tentativa de me acalmar. — Eu vi... Eu vi James duas vezes e depois ele simplesmente desaparecia e...
— Viu James? Onde? — Perguntou.
— Aqui no estacionamento no primeiro dia que você ficou internado e hoje na escola, perto das árvores e-
— Mas que merda! — Edward disse me soltando, seus olhos percorreram furiosamente o quarto e ele bagunçou ainda mais seus cabelos com as mãos. — Droga Bella, por que você não me contou? Tem noção do que James pode fazer se tiver a oportunidade de te pegar? Como pode achar que está louca? É claro que não está. Ele está seguindo você, esperando um breve momento e droga, como posso fazer alguma coisa estando na merda desse hospital?
— Não precisa-
— Eu sabia que ele faria isso, queria me torturar lentamente e sabe que pode conseguir isso perturbando você. — Ele suspirou pesadamente. — Inferno! — disse alterado, sua mão se afastou de mim e com um gemido ele tornou a se deitar na cama.
— Pare de se esforçar, eu estou bem. Agora é você quem precisa ficar legal. — Eu falei, numa tentativa de acalmá-lo. Ou ele ficava legal ou eu me matava de culpa, porque toda vez que olhava os pontos cortados, arroxeados cobertos por curativos, seu braço engessado, seu nariz se recuperando da cirurgia e o lábio cortado, eu estremecia.
— É só uma merda de um braço quebrado e alguns machucados no rosto e pescoço, estou bem. — Respondeu.
Mas era vísivel que não estava, Edward mal estava se alimentando e os remédios que estava tomando pra dor e pra outras coisas eram muitos forte, ele teve até que ficar no soro de tão fraco que estavam seus ossos. Parecia extremamente cansado e um pouco frágil também, mas ainda assim conseguia ser estranhamente bonito. Mesmo com aquela expressão de raiva e estando com a pele pálida, e com os lábios sem a cor habitual que era um pouco rosada mas, nada exagerado.
Ficamos alguns momentos em silêncio e me esforcei pra pensar no que ele havia dito. E se eu não estivesse alucinando? James tinha soltado Edward porque não tinha coragem de matá-lo, mas agora queria atingí-lo me seguindo? Não fazia sentido, por que ficar me observando?
É claro!
Porque provavelmente sabia que eu ficaria com medo e contaria a Edward, a idéia de James me rodeando parecia assombrá-lo e é claro que aquele filho da puta iria usar isso contra nós! Infeliz!
Suspirei pesadamente e fitei Edward, seus olhos estavam distantes como se pensasse em algo, provavelmente sua mente estava confusa com tudo aquilo. Eu sinceramente não queria preocupá-lo, me afetava vê-lo tão machucado, tão fraco e tão perturbado só por minha causa. Ele tinha sido um passo tão grande pra minha recuperação, na verdade levava 90% dos créditos de tudo de bom que estava acontecendo comigo, e como eu retribuia? Ferrava sua vida. Ah, meus parabéns Isabella.
Ainda um pouco receosa do homem nervoso deitado a minha frente, mas mesmo assim estendi minha mão e toquei timidamente seu rosto fazendo-o se virar na minha direção. Seus olhos encontraram-se com os meus. Ficamos nos encarando enquanto eu passeava por seu rosto tocando delicadamente sua pele, tomei cuidado com a pressão dos meus dedos sobre os machucados, não queria fazê-lo sentir nenhum tipo de dor. Já tinha causado suficiente.
— Por que está com esse olhar de culpada? — Perguntou, sua mão livre tocando a minha, corri meus olhos por seu braço e examinei os pontos que denunciavam a entrada de outras agulhas e a mais recente, que ainda estava lá em sua veia transmitindo soro para a mesma. O outro braço estava imóvel, deitado sobre sua barriga e apoiado em seu pescoço por uma faixa.
— Por quê? É só olhar pra si mesmo. — Respondi, amargamente.
— Bella...
— O quê? — Perguntei. — Tem noção do quanto dói te machucar?
— Você não me machucou. — Murmurou, fazendo um esforço para ficar sentado novamente. Nem precisou da minha ajuda, logo estava na posição que queria e muito perto de mim. O cheiro dele era desodorante, remédios e pasta de dente.
— Claro que não, mas é por minha causa que James fez isso, não é? — Perguntei. — Megan tem razão, a sua família não precisaria estar passando por isso se eu não estivesse aqui.
— Não ouse falar assim. — Edward disse, voltando ao seu estado nervoso. Eu recuei dois passos.
— E é mentira? — Desafiei.
— Nós a amamos, isso poderia acontecer com qualquer um. — Respondeu, o olhar estava mais duro e eu respirei fundo.
— Sim, mas aconteceu comigo e eu estou colocando todos vocês em risco, não faz idéia do quanto isso está me atormentando. — Confessei elevando um pouco meu tom.
— Um risco que escolhemos passar. — Edward rebateu. Eu bufei.
— Vocês estão sendo obrigados a passar por isso! Acha mesmo que Carlisle quer vê-lo nesse estado? Estão todos cansados, inclusive eu. Vocês não tiveram escolhas. Não sei o que Esme viu em mim naquele dia no orfanato mas, deveria saber que estava levando uma montanha de problemas pra dentro da sua casa. — Falei. Edward me segurou, trazendo-me um pouco mais pra perto.
— Pare de dizer besteiras.
— Eu sinto muito, vê-lo nesse estado tem fodido com meus dias. — Eu disse.
— Tenho uma parcela de culpa também, você sabe que-
— Você não tinha obrigação de correr pra polícia e contar que uma garota burra, filha de um drogado, tinha sido estuprada dentro da própria casa por causa de uma maldita dívida. — Coloquei pra fora, me livrando de seu toque. Agora a expressão de Edward estava indecifrável. Sem nenhuma palavra pegou o cobertor em cima da sua cama e jogou em meus braços.
— Você está fisicamente exausta e mentalmente abalada, é melhor você dormir alguns minutos. Vá pro sofá, Bella e não discuta. — Disse, autoritário.
Sem encará-lo caminhei em direção ao sofá e me livrando dos sapatos, deitei trazendo o cobertor pra cima de mim. Apesar de lá fora não estar frio, aqui dentro o ar deixava tudo muito arejado.
Pensei que não ia conseguir dormir, mas ao ver Edward sentado ali parecendo tão seguro, o sono veio com força total fazendo minhas palpebras pesarem alguns minutos depois de estar deitada.
— Eu tenho uma palavra pra definir todos meus sentimentos por você. — Falei sonolenta. Os olhos verdes se posicionaram em mim. — Talvez seja um pouco forte, eu não sei. — bocejei, fechando meus olhos. — Mas, eu estou rezando pra que não seja realmente isso. Eu não posso estar apaixonada por você.
Não estava só rezando e sim praticamente implorando a minha mente pra que controlasse esses malditos sentimentos em relação a Edward.
Mas nesse momento, a única coisa que minha mente parecia não querer controlar era o sono que me tomou de imediato me obrigando a afundar em uma confortavelmente escuridão que eu não me encontrava à dias.
Meu corpo parecia ter sido anestesiado com uma forte dose de sono, quando finalmente despertei dele me senti leve e minha cabeça livre daquela dor de cabeça que vinha me perseguindo a dias. Eu respirei fundo abrindo meus olhos e agradecendo ao santo que deixou as luzes fracas, esfreguei minhas palpebras e olhando para o lado, notei que estava no hospital.
Fiquei imediatamente sentada, o cobertor caiu ao chão e me dei conta que estava sozinha. Fitei a cama de Edward totalmente arrumada e soltei um suspiro, o soro também tinha desaparecido. Merda, cadê ele?
Me levantei calçando meus tênis e caminhando em direção ao banheiro, um bilhete em cima da cama me deteu.
"Estou com Carlisle na sala 12. Edward."
Peguei minha bolsa e fui até o banheiro. Lavei o rosto, escovei os dentes, penteei os cabelos e passei desodorante. Por fim me olhei no espelho, as olheiras estavam melhores e minha aparência parecia um pouco mais feliz, a única coisa que me incomodava era um pequeno ronco que vinha da minha barriga anunciando que eu estava com fome.
O relógio do meu celular marcava 20h, tinha dormido seis horas sem nem mesmo despertar uma só vez. Ótimo. Peguei a caneta em cima da mesa e virei o papel escrevendo atrás dele.
"Fui comer, volto logo. Bella."
Apanhei as duas últimas notas que me restavam na bolsa e caminhei em direção a lanchonete.
A primeira coisa que fiz foi olhar em direção ao estacionamento, as palavras de Edward tinham me deixado completamente alerta a presença de James. Examinei todos os cantos e cada rosto de cada pessoa que estava sentada ou perto do local, por fim me sentei em uma das cadeiras coladas ao balcão.
— Boa noite, o que vai querer?
— Pizza. Dois pedaços. — Falei, a garçonete anotou e tornou a me olhar. — E um copo de suco, laranja se tiver.
Continuei olhando para os lados mas tentei disfarçar. Não queria expor ao resto do mundo que ficar sozinha, mesmo em um lugar aparentemente seguro, me deixava amedrontada. Mas James não seria capaz de aparecer aqui, não é mesmo? Quer dizer, quais eram as chanches dele fazer algo no meio de tanta gente? Ele não era tão burro, ou era?
Terminei rapidamente de comer e paguei a conta, voltando ao quarto que ainda estava vazio. Amassei meu bilhete jogando-o no lixo e apanhando uma blusa de frio, comecei procurei a tal sala 12.
A sala 12 era a sala de leitura, uma biblioteca que tinha para os pacientes. Edward estava sentado em um dos sofás, vestido com uma calça moletom preta e uma camiseta branca larga. Os cabelos estavam penteados porém ainda continuavam com aquele aspecto de bagunça, o soro estava posicionado logo ao seu lado, sustentado por uma barra que tinha rodinhas, assim pra onde ele fosse podia levar o soro junto. Seus olhos estavam pregados em um livro e Carlisle dizia algo que parecia ser engraçado o suficiente pra fazê-lo sorrir.
Era um sorriso tão gostoso, aberto e que deixava aparecer a bonita fileira de dentes que ele tinha. Eu imeadiatamente me belisquei por estar tão sensível desse modo a ele. Minhas emoções estavam insistindo em aflorar quando Edward estava perto, estava tentando loucamente controlar isso mas, parecia que meu corpo e mente estavam dispostos a me desobedecer.
Pelo menos eu não estava louca.
— Hey. — Murmurei me aproximando dos dois.
— Bella! — Carlisle disse, ainda estava com a roupa do trabalho e parecia um pouco cansado. — Oi! Eu cheguei ás 19h, você estava dormindo então nós viemos pra cá, pra não te acordar.
— Ah, obrigada. — Falei. — Edward, você... Está melhor? — perguntei.
— Não estava, mas agora estou ótimo. — Sorriu. Eu arqueei uma sobrancelha e lhe dei um sorriso sem graça, olhando seus machucados que pareciam mais vísiveis com a luz forte da biblioteca. Carlisle pegou o livro e se levantou.
— Bella, você se importa de ficar com ele mais duas horas? — Indagou, eu o fitei. — É que, tenho que ir em casa tomar banho, pegar algumas roupas e imprimir alguns relatórios e...
— Tudo bem, Carlisle. Eu fico. — Respondi.
— Ótimo, se eles perguntarem, diga que eu fui comer, ok? — Disse. — Você é menor e não pode ficar sozinha com Edward depois das 20h.
Eu acenei com a cabeça e depois de um abraço no filho, me deu outro beijo na testa parecendo mais relaxado dessa vez. Quando ele saiu pela porta, eu deslizei no sofá sentando ao lado de Edward e olhei os livros a minha frente.
— E os machucados? — Perguntei.
— O braço incomoda mais do que todos porque é difícil perder o movimento, meu nariz formiga ás vezes e os outros, bem, eles só doem. Os remédios ajudam bastante, nada que eu não possa aguentar. — Disse, girei lentamente meu pescoço e olhei em seu rosto. Os machucados ainda estavam intensos, exatamente da mesma forma, alguns com curativos e outros descobertos.
— Como James fez... Isso? — Indaguei.
— Bem, eu não tinha como me defender. Ele só bateu. Chutes, socos... Eu não sei, desmaei duas vezes. — Disse com naturalidade, eu cerrei meus punhos. Por que eu tinha tanta vontade de rasgar a cara de James na porrada toda vez que via algum machucado? — Está muito feio? — perguntou.
— Eu não gosto de te ver assim. — Confessei. — E não que esteja feio mas, é como se todos eles apontassem pra mim, como se quisessem esfregar na minha cara o porquê de estarem aí.
— Já discutimos sobre isso. — disse, com firmeza. — Não acho que estejam tão ruins, a enfermeira me disse que sou o paciente mais bonito que ela teve esse ano e pediu meu telefone pro caso de emergências pessoais. — Falou, um sorriso brotando em seu rosto.
— É? Que bom. — Respondi, seca.
Eu senti sua proximidade, mas não ousei fitá-lo. Seus dedos tocaram meu rosto, deslizando pela minha bochecha calmamente até segurarem meu queixo e me fazer virar em sua direção. A biblioteca não estava vazia, havia mais algumas pessoas porém sumiam entre os corredores, e não havia ninguém nos sofás próximos.
— Mas eu disse que já tinha alguém pra cuidar de mim, mesmo que ela não o fizesse na maioria das vezes. — Murmurou, próximo aos meus lábios. Eu fechei meus olhos sentindo um beijo que foi depositado em meu queixo acompanhado de uma leve mordida. — Até porque hoje ela disse que estava apaixonada por mim. — disse com o tom estranhamente feliz.
Abri meus olhos, com o rosto corando levemente e o sorriso dele aumentou.
— Edward-
Fui interrompida. Seus lábios foram mais rápidos e grudaram-se aos meus. Esqueci de toda e qualquer coisa que ia dizer me concentrando em seu beijo. Mordi levemente seu lábio inferior e depois deslizei minha língua pra dentro da sua boca indo de encontro a sua, era impossível negar que cada vez ficamos mais sensuais e era quase impossível manter minhas mãos longe do seu corpo. Mesmo assim, me controlei porque poderia machucá-lo.
Ele aumentou a intensidade, seus dedos tocando minha perna suavemente e sua língua trabalhando com intensidade contra a minha, me fazendo me aproximar dele tocando devagar seu rosto com uma mão e enterrando a outra em seus cabelos.
Edward gemeu baixinho contra minha boca e sugou meu lábio inferior diminuindo a velocidade até finalmente nos afastarmos com leves selinhos mantendo nossas testas quase coladas.
— Eu estava com saudades disso e de muitas outras coisas que ainda não posso fazer. — Disse.
Acredite Edward, eu também. Pensei comigo mesma se deveria dizer, mas acabei desistindo. Já tinha falado demais por hoje.
Suspirei.
Voltamos ao quarto, me sentei no sofá enquanto a enfermeira tirava o soro e a agulha também dizendo que ele só precisaria de medicação pela manhã. Lhe deu uma injeção no braço e limpou o pequeno corte do pescoço colocando um curativo sobre ele logo depois. Ela era nova, arrisquei a julgar que devia ter uns 25 ou 26 anos, me incomodava um pouco o fato dela ser nova assim e estar cuidando de Edward com carinho demais.
— Amanhã ás 6h você tem outra injeção dessa. — Ela disse.
— Eu me considero muito bem, por que não posso ir pra casa? — Edward perguntou.
— Bem, você passou por uma cirurgia e nós temos que mantê-lo sob observação. Mas, o senhor está se recuperando muito bem, se os machucados começarem a cicatrizar na segunda você já poderá ir pra casa. — Falou, anotando alguma coisa em sua prancheta.
— Hum. — Edward murmurou. — Você acha que vou ter alguma cicatriz ou marca? — perguntou.
— É claro que não, os ferimentos não foram tão intensos assim. — Respondeu por fim. — Agora com licença... Edward. Tenho outros pacientes bastante agitados.
— Boa noite. — Ele falou. Com um sorriso ela começou a caminhar em direção a porta e por fim sumiu no corredor. Eu suspirei. Por que estava tudo tão confuso? Por que eu estava tão descontrolada emocionalmente? Minha mente me acusou em silêncio, eu sabia o que ia acontecer se deixasse minhas barreiras ceder e mesmo assim deixei, e olha onde isso estava me levando. — Bella? Você comeu alguma coisa? — perguntou.
— Pizza, antes de ir pra biblioteca. — Respondi. — E você?
— A comida daqui é sem sal. — Murmurou, como uma criança mimada. Eu sorri.
— Bem, eu comi um sanduíche enorme, batatas fritas, pizza... Hum, o que mais? Devo ter tomado coca-cola e comido um chocolate. Ah, sem contar que a comida de Jane é sem dúvidas a melhor de toda região e hoje ela fez-
— Bella? — Chamou, arqueou a sobrancelha.
— Oi? — Respondi, inocente.
— Vai se ferrar. — Disse.
Eu não controlei. Eu gargalhei e essa era uma das primeiras vezes que isso acontecia na presença de Edward, essa conversa aliviou o clima totalmente e fiquei tentada a provocá-lo um pouco mais, só que me controlei.
— Me desculpe. — Eu falei ainda rindo, sem nenhum ressentimento.
— Não sabia que você podia ser tão má. Estou com água na boca. — Sussurrou. Eu parei de sorrir.
— Eu posso fazer algo por você. — Eu disse, Edward me fitou. — Posso ir até a lanchonete comprar alguma coisa, escondo no bolso, ninguém vai ver.
— É sério? — Perguntou.
— É. — Respondi.
— Isso não é perigoso? — Perguntou.
— Eu volto já. — Falei.
Peguei minha bolsa e saí do quarto. Eu nem sabia se o dinheiro que tinha no bolso era suficiente, mas caminhei até lá e pedi um pedaço de pizza e um refrigerante. Eu nem sabia se Edward podia comer aquelas coisas, só não queria deixá-lo com vontade. Afinal, por que me preocupava tanto? Porque ele merecia, claro.
Felizmente o dinheiro deu pra pagar tudo e o segurança não me barrou ou algo parecido, entrei no quarto e fechei a porta.
— E então?
— Pizza e refrigerante. — Falei tirando o embrulho da bolsa, ele sorriu.
Fiquei em silêncio observando Edward comer com vontade, uma pena ter conseguido comprar só um pedaço. Meu coração pareceu ter palpitado mais intensamente quando ele me fitou, os olhos brilhavam e sua língua deslizava pelos lábios pequenos buscando limpá-los. Só então me dei conta que ele já tinha acabado e joguei fora o copo e os guardanapos.
— Obrigado por isso, Bella. De verdade. — Murmurou.
Me sentei na beirada da cama e o fitei.
— Pode me agradecer respondendo minha pergunta. — Falei.
— O que você quiser. — Disse, com um suspiro.
— Olha, eu sei que eu falei que não o queria em minha confusão mental e eu realmente não quer. Mas eu não consigo ficar longe, eu juro que tento de todas as formas, porém alguma coisa sempre me leva de volta pra você e nunca demora muito tempo. Não importa o que eu faça, você está sempre aqui. Você me mantém sem correntes. Eu nunca quis tanto alguém como quero você. — Suspirei. — Não sei porque tomei coragem pra falar isso, pode ser que eu me arrependa, sou geralmente bipolar. Não quero que se sinta pressionado a estar comigo e nem nada parecido, mas eu estou aqui com toda sinceridade te convidando a participar da minha loucura mental e da minha vida miserável.
Ele arqueou uma sobrancelha parecendo extremamente surpreso. Abriu a boca pra dizer algo mas tornou a fechá-la. Respirei fundo e pedi paciência interna, Edward precisava de um tempo pra captar toda informação.
— E qual papel eu teria na sua vida? — Perguntou, olhando dentro dos meus olhos causando um arrepio em todo meu corpo.
— O que você quiser. — Coloquei pra fora.
— Você tem certeza disso? — Indagou, assenti imediatamente. Ele suspirou. — Eu não aceito papéis secundários, você sabe disso. — tornei a confirmar. — Ótimo, então é bom você saber Bella, que acabou de aceitar meu pedido de namoro.
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