Hello

26 Capítulo 26


Notas iniciais
Nada a declarar KK

26


— Edward. — Murmurei surpresa, sinceramente era a última pessoa que planejava ver hoje e isso também era a última coisa que esperava ouvir. Depois que notei que minha mão continuava sobre a palma de Emmett, retirei-a rapidamente e deslizei dois passos pra longe dele.

— Edward, quanto tempo. — Emmett disse, não parecendo notar a tensão que estava crescendo cada vez que meu olhar se encontrava com o gélido olhar de Edward. — Esme disse que você viria no final de semana mas é bom que tenha chegado mais cedo.

— É. — Respondeu, com aquele tom arrogante apoderando-se da sua voz, e fez isso sem nem mesmo tirar seus olhos de mim.

— Eu... Bem, eu vou... Vou ver se está tudo bem lá dentro e depois nos encontramos. — Disse.

Eu lhe dei o melhor sorriso que pude, pra que ficasse claro que estava tudo certo e que não precisava se preocupar. Edward nem mesmo tentou ser simpático, não moveu um músculo e não disse uma palavra até a porta se fechar e finalmente estarmos sozinhos na varanda da casa.

Não estava frio mas minha pele estava arrepiada, senti algum sentimento que eu apelidaria de culpa e que estava tomando espaço nas minhas emoções.

Eu não queria ser a primeira a dizer alguma coisa, não queria admitir que o houve algo e nem queria dizer a mim mesma que Edward merecia uma explicação. Sentia que devia algo a ele, mesmo sem nunca ter pedido nada a sua pessoa. No momento, eu lhe devia explicações mas algo em mim estava me forçando a ficar calada, como se no fundo da minha mente algo gritasse que não tinhamos que dar satisfações um ao outro. Mas disso eu sabia, realmente não tinhamos. Mas depois de tudo, como eu poderia agir indiferente?

Edward virou de costas e sem dizer nada começou a caminhar em direção as árvores, se eu fosse inteligente não iria forçar nada nesse momento, iria deixá-lo ir e tentar conversar amanhã. Não que ele tivesse visto algo demais mas, eu me sentia totalmente idiota por deixá-lo se preocupar comigo, por gostar de quando ele me protegia e depois lhe dar isso em troca.

— Edward. — Eu chamei, colocando todas as vozes da minha mente de lado e encarando a situação por mim mesma.

— Aqui não. — Respondeu. Seus passos se tornaram mais rápidos e me movendo do lugar, o acompanhei.

Enquanto pisoteavamos as folhas das árvores amassando-as e fazendo um certo barulho, eu pensava no que poderia dizer à ele. Andando de costas pra mim, com as mãos no bolso e aquela jaqueta, ele parecia tão calmo e ao mesmo tempo assustador, seus cabelos se assanhavam toda vez que o vento os sacudia e isso parecia tão sensual ao meus olhos.

Um sentimento encheu meu peito, algo quente, algo estranho. Mas não era excitação, não era como uma vontade, não era como se pudesse ser explicado. Era só algo que palpitava e formigava um pouco, fazia com que minhas mãos ficassem inquietas e que desejassem abraçá-lo. Algo que estava começando encher tudo dentro de mim, de onde estava vindo essa merda?

Ele parou, interrompendo minha avaliação pessoal e me fazendo lamber os lábios procurando como começar.

— E então, gostou daqui? — Indagou. Não era o que esperava, na verdade, esperava que ele começasse a demonstrar algum sentimento pra mim mas não veio nada.

— É, é lindo e aconchegante. — Respondi, tentando levar aquilo adiante, mesmo sabendo que não teria sucesso nenhum. — Edward, eu não sei o quanto viu-

— O suficiente. — Disse. — Não pode se envolver emocionalmente com ninguém mas pode se envolver de outra forma.

— Você não entendeu.

— Não, eu não entendo nada na verdade. Só a parte do olhar que pareceu bem clara pra mim. — Falou, nesse momento sua sobrancelha se arqueou um pouquinho e aquela arrogância toda me cortou. — Até onde eu saiba, Emmett tem namorada ou não tem mais? — perguntou.

— Não tem mais. — Sussurrei.

— Ah. — Sorriu, mas não era um sorriso, era debochado, era raivoso, era doloroso... Era sarcástico. — Cheguei faz mais ou menos, quarenta e cinco minutos, Esme me disse que você passou o dia com Emm e que ainda não tinha dado notícias, Marcus me disse que talvez vocês estivessem na casa de vidro. — seu sorriso sumiu.

Eu não aguêntei e arrastei meus pés me aproximando dele.

— Nós estavamos assistindo filme. — Murmurei, olhando em seus olhos. — Mas foi só isso.

— Você está cheirando a vinho e ao perfume dele, o filme devia estar maravilhoso, aposto que você pode me contar sobre o que foi. — Disse, seu tom se tornando cada vez mais duro. — Talvez você possa me dizer também quantos botões tem a camisa de Emmett ou se é difícil ou fácil abrir seu ziper, pode me contar também se o lugar estava aconchegante e de que ano era a bebida, pode me dizer também o que ele fez e como o filme acabou sem nem você ter notado...

— Edward...

— Talvez possa me dizer o que ficaram fazendo o dia inteiro e talvez possa me explicar, que merda de olhar foi aquele que você deu pra ele que é capaz de deixar qualquer homem arrepiado! Quero saber porque estava direcionando pra ele a porra do olhar que eu queria ver! — Falou.

Agora ele estava com o tom totalmente alterado e seus olhos não estavam com a mesma calma de antes, só então me dei conta de que ele estava segurando meu braço tão forte que apertei os lábios tentando não gemer de dor.

— Você está me machucando. — Sussurrei, seu semblante caiu um pouco e seus dedos afrouxaram deslizando pelo meu braço até sair do contato com a minha pele. Edward ia se afastar mas antes que fizesse, o segurei pela mão. — Nós não tivemos nada e... Eu senti vontade de tê-lo, não nego, mas... Eu não o tive e não estou me importando e... Eu não posso ter nada emocionalmente com mais ninguém porque isso aqui, — falei colocando sua mão no meu peito. — Não palpita por outra pessoa que não seja você.

Seu semblante caiu por completo, sua expressão arrogante desmonrou e no lugar dela apareceu uma careta triste e um pouco cansada.

— Não... Não minta pra mim. — Edward sussurrou com a voz por um fio.

Deslizei minha mão lentamente pelo seu rosto e suavemente tracei a linha de seus lábios, ainda olhando dentro dos seus olhos. Não queria que ele continuasse me acusando, não queria ouvir que meus sentimentos eram mentirosos, não queria ouvir que ele pensava que eu era uma vadia que transaria com um cara um dia depois de chegar na casa. Apesar de saber que era ciúme, não queria que isso continuasse me atingindo como facadas.

Então só me inclinei pra frente e removi o espaço que existia entre nós.

— Não minta. — Ele tornou a dizer segundos antes de entreabrir os lábios.

Eu lentamente grudei nossos lábios, enroscando-os e dando leves sugadas no seu lábio inferior para conseguir finalmente deslizar minha língua para dentro da sua boca. Nossas bocas se completaram e sua língua veio de encontro a minha, nosso beijo era lento e cheio de remorso. Eu mantive meus olhos fechados apreciando cada vez que sua língua passava por baixo e por cima da minha, rodeando minha boca. Aquela sensação de novo invadiu meu peito e fez minha mão correr de seu rosto pro seu cabelo enquanto outra se pousava em suas costas trazendo seu corpo pra mais perto do meu.

Sua mão finalmente pousou em minha cintura e ele se moveu, me fazendo andar de costas sem interromper nosso beijo. Ele me encostou em uma árvore, chocando minhas costas contra a madeira e colocando sua perna no meio das minhas. Sua mão suavemente deslizou pela minha barriga levantando minha camisa, eu sabia que era perigoso, que alguém poderia ver mas simplesmente não conseguia detê-lo.

Com a outra mão, ele deslizou seus dedos pelo meu pescoço e acaríciou minha nuca subindo lentamente pros meus cabelos, Edward retirou o acessório que estava mantendo meus cabelos presos e passou seus dedos no meio deles soltando-os totalmente.

Nossos lábios se desgrudaram e seus olhos voltaram a se encontrar com os meus, nossos lábios continuavam entreabertos e nossas respirações estavam um pouco alteradas. Então eu senti o que ele estava fazendo, seus dedos abriam lentamente o zíper do meu short fazendo-o ficar frouxo na minha cintura. Ainda sem tirar os olhos de mim, Edward o abaixou, não totalmente mas um pouquinho.

Depois sua mão deslizou por dentro dele fazendo meu corpo se contorcer inteirinho e meus olhos tentarem se fechar, dois de seus dedos entraram em contato com a parte mais sensível de mim e mordi meus lábios, passando a língua loucamente em torno deles. Os olhos de Edward não desgrudaram de mim, nem mesmo quando ele acaríciou suavemente meu sexo fazendo minha respiração acelerar e meus dedos apertarem seus braços em busca de controle.

— Não, não... — Murmurei. Nossa troca de olhares foi interrompida porque seus lábios deslizaram para o meu pescoço. Não sei se era meu ponto fraco mas, minha pele se arrepiava inteira e aquela sensação de formigamento voltava para o meu corpo fazendo brotar a vontade de me mover contra ele, de sentir mais, de querer mais.

Nós estamos tão perto, podia ver a janela de algum cômodo da casa e alguém podia estar nos olhando, alguém podia estar vendo Edward fazer todo meu corpo estremecer e minha respiração acelerar.

— Estamos perto. — Sussurrei, minha fala veio acompanhada de um baixo gemido e seus dedos se aprofundaram em mim, com leves movimentos circulares. — Oh, merda, Edward... Vão nos ver. — falei com a voz baixa, com os olhos fechados somente sentindo sua língua deslizar pelo meu pescoço.

— Não, não vão nos ver. — Murmurou no meu ouvido.

Era tão perigoso, não sei se a sensação de ter alguém nos olhando estava me deixando ainda mais excitada, mas algo estava profundamente agitado dentro de mim e deslizei minhas mãos para debaixo de sua camisa procurando o zíper daquela bosta daquela calça.

Fazia tanto tempo que não o sentia, as sensações fucionavam como se fossem novas e cada vez pareciam ficar mais intensas.

Eu tentei abrir aquele zíper com calma mas não fucionou, então usei minha outra mão como apoio e finalmente consegui abrir a calça e abaixá-la até certo ponto. Segurei em seu queixo com uma mão e com a outra, o segurei por dentro da sua cueca fazendo o me olhar nos olhos e abrir seus olhos soltando sua respiração tão acelerada quanto a minha.

— Bella... — Disse em tom de aviso, como se estivesse despertando algo além do esperado. — Se Emmett tiver tocando em você, eu juro que vou matá-lo — sussurrou.

— Ele não tocou. — Respondi deslizando minha mão por todo seu comprimento. — Ninguém além de você, Edward. Eu quero você, acaba com isso, acaba com tudo isso, me faz sua. — murmurei.

Seus olhos se fecharam e ele retirou minha mão para que ele mesmo guiasse seu membro até mim, abaixou minha calcinha rapidamente e sem cerimônias suspendeu minhas pernas, apoiando-as em sua cintura e me prensando de encontro a árvore. E então me penetrou, fazendo meu corpo todo se contrair de uma vez só.

Não sei quantas emoções se passaram por mim mas, tudo se agitava em mim e todo meu corpo parecia querer absolutamente uma coisa. Cada vez que Edward entrava e saía esquecia de qualquer coisa, meus pensamentos pareciam ter virado fumaça e só o segurei de encontro a mim recebendo-o e sentindo as contrações que minhas paredes faziam de encontro ao seu pênis quente.

Estava muito molhado, muito quente, muito arrepiante, muito incoerente, muito alto, muito doce, muito gostoso, muito estremecedor. Então, em algum momento tudo explodiu dentro de mim e minhas pernas molharam com o que escorreu de dentro de mim.

Um sorriso brotou em meus lábios e eu continuei focada em seu rosto, enquanto Edward continuava a fazer sua sequência de vai-e-vem, um pouco mais rápido. Sentia minhas paredes se contrair, pareciam estar um tanto cansadas pra continuar mas aquele formigamento não tinha sumido e então soube que queria mais, que queria novamente.

Nossos corpos estavam se chocando enquanto minhas costas batiam de encontro a madeira, suas estocadas ficavam cada vez mais forte e me deixavam louca, como se não tivesse mais nada ao nosso redor. Só nós. Só nossos corpos. Só nossas respirações. Só nossos corações.

Edward saiu de dentro de mim e soltou minhas pernas, não totalmente, mas o bastante para que seu líquido não se espalhasse em mim. Seus gemidos foram grossos e baixos, assim como os meus.

E então ele soltou seu membro. Estava acabado. Por enquanto.

Mantivemos essa posição até finalmente nossas respirações se acalmarem, então lentamente Edward abaixou e subiu meu shorts e minha calcinha procurado um jeito de me secar para que ninguém notasse nada. Nós ficamos em silêncio enquanto nos ajustavamos, examinei-o. Se não fosse pelo suor e a respiração acelerada, ninguém saberia que ele tinha acabado de transar comigo. Não sei qual era o meu estado mas de qualquer forma iria entrar e subir diretamente pro banho, isso não importava muito.

Olhei pra casa, estava tudo em silêncio e na janela não parecia ter aparecido ninguém, talvez todos estivessem bem ocupados lá dentro. Mordi meus lábios e fitei pela primeira os olhos de Edward depois do que tinha acontecido, ele me deu uma piscada suave, não era como se tudo estivesse absolutamente bem mas neste momento, tudo estava normal.

— Vamos. — Sussurrou me oferecendo a mão, eu disse nada, só a entrelaçei com a minha e juntos seguimos em direção a casa.

Edward apertou minha mão antes de abrir a porta, eles estavam na sala rindo e conversando e não pareciam ter notado nada de errado.

— Bella! Sente aqui, vamos conversar. — Esme convidou.

— Eu... Eu vou tomar um banho rápido e já desço. — Murmurei, ela acenou com a cabeça.

Edward subiu junto comigo, sem dizer uma palavra e então no corredor encontramos com Emmett, só olhei pra ele por alguns segundos e depois me foquei em continuar andando. Não queria que Edward pensasse alguma coisa e que tivesse mais um motivo pra me ferir com palavras.

— Bella, depois vamos ver as estrelas do celeiro, você quer vir? — Perguntou, me virei e vi que Edward sorriu de modo amargo.

— Emmett, anota uma coisa, a história não vai se repetir. Nós vamos ver as estrelas e se não quiser vê-las mais cedo, é melhor descer. — Disse, o tom dele não era raivoso mas era frio e antes que algo acontecesse, o puxei de volta para que continuassemos andando.

Que história não iria se repetir?

— Do que você estava falando? — Perguntei quando já estavamos no meu quarto.

— De nada, só tome um banho e desça, ok? Marcus não gosta muito quando o jantar atrasa. — Disse.

— Marcus pode começar o jantar sem nós. — Insisti, seus olhos rolaram pelo quarto e logo depois ele torceu seu rosto em uma careta. Algo me dizia que estava entrando em um terreno perigoso, tão perigoso que nem mesmo Edward queria falar sobre ele e isso só estava atiçando minha curiosidade.

— Bella não estrague tudo justo agora que estamos bem, ok? Eu não estou em um dos meus melhores dias e nem com um bom humor, então... Você poderia esquecer esse assunto? — Perguntou.

— Eu vou pro banho. — Respondi.

É, eu realmente não queria estragar o clima e apesar disso, estava parecendo uma garota birrenta que queria alguma coisa que não lhe foi dado. Queria não me importar, juro que queria, mas a curiosidade estava levantando tópicos na minha mente.

— Bella nós...

— Vocês estiveram com a mesma menina? — Perguntei, meu tom foi duro e frio, eu não queria que saísse assim mas essa idéia me abalou. Eu não sei, poderia estar fazendo o papel de uma vadia e nem estava notando, e se Emmett tivesse programado me levar pra casa dele? E se estava pensando que eu era fácil porque conseguiu colocar suas mãos em mim? E se fosse só pra irritar Edward? Então, tudo era mentira. Ele tinha me usado!

Era tanta coisa, tantas hipoteses que até algumas teorias começaram a se encaixar.

— Eu estou pedindo pra você esquecer o assunto. — Falou.

— Como você quer que eu esqueça? Eu estou no meio disso, se não quissesse que eu soubesse então não deveria ter dito nada na minha frente, por que não me responde? Você não diz que eu sou forte? Então vamos, eu aguênto qualquer merda que você disser. — Falei. — Eu repito minha pergunta Edward, vocês dividiram a mesma garota?

Silêncio.

Ele nem mesmo estava olhando nos meus olhos, seu olhar estava focado no canto do quarto onde não tinha nada. Não precisava ser inteligente pra sacar que a resposta era sim, os dois tinham dividido a mesma garota e Edward estava com medo que isso acontecesse novamente.

Eu estava com tanta raiva de Emmett agora, todo meu sangue parecia estar fervendo e queria dizer pra ele que nunca iriamos ter nada, que jamais iria fazer como a outra garota e estar com os dois.

— Tudo bem. — Sussurrei. — Eu vou... Vou pro banho.

Peguei uma toalha qualquer e o que precisava e em passos duros caminhei pro banheiro, eu precisava de um banho e quem dera se a água lavasse mais do que o corpo, porque precisava de uma limpeza na minha alma também.

— Eu e Emmett não dividimos a mesma garota mas, nossos pais sim. — Edward sussurrou, poucos antes de eu fechar a porta do banheiro.

E toda a raiva que eu tinha planejado sentir simplesmente desapareceu, as palavras dele me impactaram mais do que eu esperava e fiquei longos segundos absorvendo a informação, me conformando com o fato de que minhas teorias estavam certas.

Quando me virei, Edward estava com aquela expressão fria mas, eu sabia que dentro dele estava tudo fervendo. Ninguém era capaz de falar sobre um assunto desses e não sentir o chão sumindo sob seus pés. Não sei se a atitude que iria tomar era certa, nunca tinha agido daquela forma mas algum sentimento estava embalando toda minha alma e me impulsionando a jogar todas as coisas que estava nas minhas mãos no chão e correr em direção a Edward.

Eu choquei meu corpo contra o dele e o abracei mais forte que pude, senti seus braços movendo-se e Edward me abraçou também. Queria passar naquele abraço toda confiança do mundo, queria ser a pessoa segura que ele conseguia ser e fazê-lo ficar bem nos meus pequenos braços.

— Quando ela contou isso ao meu pai, nossa família simplesmente acabou. — Sussurrou. Sua voz estava trêmula, de um jeito que nunca tinha escutado e quando ele se abaixou pra afundar seu rosto em meu pescoço senti algo molhar minha pele.

Aquilo foi tão surpreso pra mim que o empurrei e para minha surpresa, havia lágrimas em seus olhos. Eu nunca tinha consolado ninguém, ainda mais uma pessoa tão forte como Edward e isso me deixava um pouco confusa, não sabia exatamente o que fazer ou se estava adiantando alguma coisa então, sem nenhuma palavra puxei-o em direção a cama o deitei, alinhando-me a ele e abraçando-o por completo.

— Está tudo bem. — Murmurei, acaríciando seu cabelo.

Seu rosto se enterrou na curva dos meus seios e ele chorou silenciosamente, não houve soluços e nem tremores, e só notava suas lágrimas porque elas me molhavam.

— Meu pai simplesmente desabou, eu vi todas vezes que ele bebeu pra esquecer isso... Pra esquecer todas as mentiras dela! Quando digo que... Que melhoramos muito pra receber você não é mentira, nós... Nós tentamos ser perfeitos mas, Deus sabe quantas vezes Carlisle chorou sozinho. — Disse. — Bella, eu não consigo perdoá-la e nem suportar Marcus ou Emmett... Eu odeio o que fizeram ao meu pai, odeio terem matado Carlisle por dentro porque... Depois disso, nunca mais tive meu pai de volta, só aquele homem mecânico que sofre escondido e não há nada que posso fazer para ajudá-lo. Isso me revolta, isso acaba comigo... Isso me faz insignificante e quando você chegou, e eu soube tudo que estava acontecendo... Eu me senti na obrigação de cuidar de você porque não conseguia dar isso ao meu próprio pai.

Agoras as lágrimas estavam muito intensas e seu corpo apertava o meu.

Eu fechei meus olhos.

Por que Esme tinha feito isso?

— Shiii! Você é uma pessoa forte, a mais forte que conheci. — Falei repetindo o que ele tinha dito a mim. — Eu não sei consolar alguém, não sei nada sobre nada mas, não quero que você chore. Não quero que sofra. Não quero que nada aconteça a você... Só te quero bem então, se for possível, fique bem porque não sei lidar muito bem com o lado mal.

— Obrigado. — Sussurrou contra minha pele.

-

— Hey. — Uma voz sussurrou me puxando de volta da escuridão do meu sono, pressionei meus olhos e lentamente os abri me dando conta que tinha emergido na escuridão com Edward em meus braços. — Nós acabamos dormindo. — falou, eu sorri aliviada pela sua expressão estar diferente e ele estivesse agindo como se nada tivesse acontecido.

— Me desculpe, o dia foi cansativo. — Murmurei.

— Está tudo bem, eu realmente preciso de um banho e você também, já são mais de 21h mas, estão todos acordados e Esme quer que fiquemos lá em baixo então... Daqui a vinte minutos você está pronta?

— Talvez. — Respondi.

Ele se inclinou e delicamente seus lábios tocaram os meus deslizando sobre eles suavemente, sem língua, só lábios e logo depois Edward se afastou novamente.

— Fique pronta em vinte minutos. — Disse, rolando pela cama até descer dela e caminhar para a porta do quarto, fechando-a assim que saiu. Eu juro que queria perguntar se estava tudo bem, se havia algo que eu pudesse fazer mas não queria estragar aquela expressão calma que estava em seu rosto. Eu engolia até minha curiosidade para não estragar aquele sorriso.

Peguei novamente minhas coisas do chão e comecei a pegar o que realmente ia precisar no banho. Alguém bateu na porta e a abri pensando que era Edward que tinha esquecido algo.

— Esme. — Sem querer, meu tom saiu frio e enojado fazendo-a arquear uma sobrancelha.

— Filha, está tudo bem? — Perguntou. — Vim ver se já estava acordada e perguntar se quer jantar. Marcus cozinhou uma receita excelente.

Eu suspirei.

Meu Deus, eu te imploro, me faça conseguir fingir que não sei de nada porque a minha língua está formingando!

— Tenho que tomar um banho e depois eu desço. — Falei, e para minha surpresa minha voz saiu limpa e sem a frieza que eu esperava sentir. Esme pareceu relaxar com essa resposta, como se estivesse pensando alguma coisa e de repente notou que estava tudo bem.

— Ótimo, vou pedir que coloquem seu prato por isso não demore muito. — Disse, eu acenei com a cabeça e em seguida ela fechou a porta.

Podia ser coisa da minha cabeça mas Esme parecia mais feliz aqui, não sei se é porque em casa não reparava muito nela, só que seu humor estava extremamente mudado, apesar de continuar carinhosa como sempre foi havia algo diferente nela. Isso me deixava cheia de dúvidas, será que ela estava se envolvendo com Marcus? E Carlisle sabia que estavamos aqui? Como ele tinha concordado? Será que Jasper era filho de Marcus? Onde estava a mãe de Emmett?

A noite não estava fria e talvez todas essas emoções agitadas dentro de mim estavam me dando calor. Eram muitos sentimentos pra um dia só, primeiro sentir algo por Edward que não tinha acontecido antes, depois sentir essa aversão a Esme, esse sentimento de pena por Carlisle e por fim essa confusão em relação à Emmett. Ele estava tentando me usar pra repetir histórias? Queria atingir mais alguma parte dessa família? O que ele pensava sobre isso tudo?

Eram tantas perguntas, tantas coisas que queria esclarecer que só Edward poderia explicar e é por isso que estava arrumada e com aquele olhar de curiosidade quando ele veio me buscar pra irmos jantar.

— Não. — Disse, antes mesmo que eu abrisse a boca.

— Não o quê? — Perguntei, confusa.

— Não pra todas as perguntas que você quer fazer, não é uma boa hora. — Respondeu.

— Estou cheia de dúvidas. — Murmurei, tentando arrumar alguma coisa que o fizesse se convencer de que precisava conversar comigo. Tudo bem, talvez eu estivesse sendo um pouco insensível porque devia ser um assunto doloroso pra ele mas como poderia continuar encarando Esme quando minhas teorias sobre ela eram tão cruéis?

— Eu não sou a pessoa certa pra tirar suas dúvidas, por que não pergunta diretamente pra Esme? — Indagou. Eu mordi meus lábios, até que não era má idéia esclarecer algumas coisas com ela mas por incrivel que pareça, era mais confiável quando vinha de Edward.

— E ela vai me dizer a verdade? — Perguntei.

— Se eu estiver perto sim.

O jantar seguiu calmamente, para o resto das pessoas sentadas à mesa porque minhas mãos estavam suando. Esme, Marcus e Emmett sentaram-se comigo e com Edward por educação mas todos já tinham jantado, pensava em como abordar ela e se era certo fazê-lo aqui na frente de todos. Talvez fosse bobagem, talvez não fosse da minha conta, talvez minha teorias estivessem equivocadas e tantos talvez só aumentavam minha curiosidade.

Em algum momento enquanto devorava um delicioso bolo de chocolate, Edward se aproximou de mim e colocou a mão em minhas costas.

— Esse é o momento. — Sussurrou.

Emmett estava brincando com uma cereja e Esme estava tendo uma conversa paralela com Marcus, assim tão pertos e tão sorridentes, eles realmente pareciam um casal o que trouxe a imagem de Carlisle de volta a minha mente me dando coragem pra formular uma frase em minha mente e colocá-la pra fora.

— Esme. — Chamei com determinação, ela se virou pra mim ostentando o mesmo sorriso. — Posso saber o que rola ou já rolou entre você e Marcus? — o sorriso dela sumiu, Marcus me olhou espantado e Emmett pigarreou abaixando sua cabeça. A merda estava feita.

— Querida, isso não é...

— Qual é Esme, você achou mesmo que ela não iria reparar em nada? Faça-me o favor, se quer mesmo que não notem então seja mais discreta e não fique se agarrando com um cara que tem uma semelhança incrível com seu filho mais novo. — Edward disse. Eu procurei sua mão em seu colo e a entrelacei com a minha, não esperava que a voz dele estivesse tão afiada e tão enojada que foi capaz de destruir qualquer expressão amiga que Esme tinha no rosto.

— Eu não admito que você fale comigo dessa forma! — Ela disse, alterando seu tom, empurrando o prato que estava em sua frente pro centro da mesa e se afastando de Marcus para criar uma certa "postura".

— Esme, se acalme. — Marcus disse, com o tom calmo e sombrio. — Acho que ambas precisam conversar, não é mesmo? Por que não damos licença pra elas?

Emmett se levantou rapidamente mas, eu segurei a mão de Edward e a apertei comigo.

— Eu quero que Edward fique, ele é da família. — Sussurrei.

Pensei que haveria algum protesto ou alguma discussão mas Marcus só acenou com a cabeça e caminhou junto com Emmett para a porta que dava para fora da casa. Meus olhos estavam em uma das estátuas porque não queria ver a expressão no rosto de Esme, minha coragem tinha escorrido pelo ralo agora que não tinha nada pra apoiar minha arrogância.

— Eu imaginei que você iria estragar nossas férias. — Disse. — Por que você sempre tem que fazer isso? Não pode suportar um pouco da minha felicidade? Tem mesmo que destruir minha imagem pra minha filha? Você também não é santo, já foi um lixo de pessoa e mesmo assim não estou te proibindo de ficar com ela apesar de brigar muito com isso no ínicio. — Falou, eu a olhei espantada e ela bufou. — Eu sei o que vocês andam fazendo Bella e como mãe, tenho todo direito de achar isso nojento mas estou respeitando o espaço de vocês, não vou ditar regras porque Edward parece lhe fazer bem algumas vezes. Céus! Você tem mesmo que ser insuportável o tempo todo? — Esme perguntou, Edward abriu a boca mas, ela lhe jogou o guardanapo antes que ele dissesse algo. — Quer saber? Saía daqui! Eu quero conversar com a Bella sozinha, some dessa merda dessa mesa antes que eu faça alguma coisa e dê mais motivos pro seu pai me odiar!

Agora eu estava completamente arrependida de ter tocado nesse assunto, Esme nunca pareceu tão sincera e magoada e a culpa era toda minha. Havia acabado de abrir feridas antigas que estavam sendo jogadas nessa mesa contra mim, me deixando mal por acusar sem nem ter escutado o outro lado da história. Onde é que eu estava com a cabeça?

— Bella me pediu-

— Eu não quero saber, saí da merda dessa mesa! — Esme gritou, dessa vez ela estava de pé e Edward se levantou também, o clima estava tão pesado e por ter causado isso me senti na obrigação de interferir.

— Está tudo bem Edward, você pode esperar lá fora. — Falei, com o fio de voz que ainda tinha. Edward me fitou e eu só abaixei minha cabeça, nós dois sabiamos o que aconteceria a seguir mas eu não queria irritar Esme, mais do que ela já estava irritada.

Quando ele finalmente saiu, Esme se sentou novamente e bebeu um gole de vinho. Estava preparada para ouvir qualquer coisa dela porque tinha provocado sua raiva, mas, quando seu rosto se virou pra mim estava com uma expressão suave, apesar do olhar magoado, e os lábios pressionados em uma linha tensa.

— E então, o que quer saber? — Perguntou, me encarando.