Hello

27 Capítulo 27


Notas iniciais
Poxa, não fiquem com raiva da Bella, tudo será esclarecido aos poucos.
E bora comentar pra mim postar rápido *o*, obg pelos coments, que bom q vcs ficaram mais calmas no cap anterior.

27


Fiquei alguns segundos só olhando em seus olhos, tentando formar dentro de mim a frase perfeita pra perguntar sobre assunto tão delicado, não tinha pensado nisso a alguns minutos e olha onde isso tinha ido parar.

Eu respirei fundo e repeti comigo mesma que não precisava ter medo de Esme, ela não iria fazer nada comigo.

— É só que... Eu...

— Eu sabia que Edward ia contar pra você, era só questão de tempo mas, não imaginava que ele fosse fazer isso aqui com Marcus presente. Você já pensou se Emmett não soubesse? Você iria criar uma confusão desnecessária por causa de algo que poderia ser discutido em uma conversa privada como essa. — Falou, sua voz estava calma e seu tom repreensivo. Nesse momento me senti como uma criança que tinha cometido uma travessura e estava sendo punida com um castigo.

— Me desculpe, eu...

— Está tudo bem, não estou culpando você. Eu entendo que é revoltante saber disso, Edward também sabe influênciar uma mente o bastante pra que ela não enxergue o outro lado, ele sempre foi assim desde pequeno, por isso escolheu fazer psicologia. — Suspirou, eu me movi desconfortavelmente na mesa e Esme notou isso. — Não precisa ficar dessa forma, já tive brigas piores com Edward e... Sinceramente, você não é a culpada, na verdade, a única culpada sou eu por criar um filho com uma personalidade tão forte.

Seus olhos largaram os meus e se voltaram pra taça em sua frente, havia algo nela que fez minhas emoções ficarem mais forte, esse sentimento que estava se apoderando de mim, era um sentimento envergonhado, forte e dramático.

Era arrependimento.

— Eu e Marcus sempre fomos muito amigos, apesar de ser consideravemente bonita agora, no ensino médio eu não era exatamente uma deusa e isso não me dava muitas amigas, e nem me rendia cantadas masculinas da escola. Mas, Marcus era... Era lindo. Sabe aquele garoto mais bonito da escola? Então, era ele. E por acaso, nós nos tornamos amigos e isso me ajudou a passar pela minha fase adolescente e começar a me cuidar pra parecer bonita, acredite, ninguém ia zombar de você se você estivesse do lado do cara mais bonito do pedaço. — sorriu, e por algum motivo eu fiquei mais confortável. — Então, na faculdade começamos a nos envolver mas nunca levamos isso a sério porque não queriamos estragar nossa amizade. Aí conheci Carlisle, ele não era exatamente o cara mais bonito da faculdade mas, seu jeito me atraía muito e acabamos começando a namorar. Eu não me envolvi com Marcus enquanto namoravamos, só pra você saber, e me mantive assim até casarmos uns três anos depois. Juro, filha, em momento nenhum quis magoar seu pai porque ele era o homem mais fofo do mundo, só que em uma noite acabei bebendo demais com Marcus e fizemos merda, eu não sei o porquê, meu casamento estava passando por uma fase difícil e Edward estava com cinco anos e era uma criança rebelde, Carlisle trabalhava demais e eu também, estavamos sobrecarregados e nesse dia quando saí, Marcus me fez sorrir e alivou todo clima ruim. — suspirou. — Não sei se isso já aconteceu com você, uma pessoa ser capaz de fazer você esquecer dos seus problemas e da sua rotina ruim, mas é a melhor sensação do mundo. Não estou dizendo que meus problemas são justificativas plausíveis para o que fiz mas eles ajudaram muito naquela noite e, foi isso.

Depois dessa confissão de Esme, ficamos algum tempo só nos encarando, ela continuava sendo errada nisso tudo mas havia algo em suas palavras que me fazia acreditar nela, que me fazia confiar em suas palavras quando ela disse que nunca teve intenção de magoar seu marido.

— E como Carlisle soube? — Perguntei, tomando coragem finalmente. Era como uma conversa normal, só um pouco mais tensa. De algum modo eu confiava nela, sabia que Esme nunca iria me ferir ou algo parecido.

— Essa é a parte mais difícil da história porque, desde que Carlisle soube e Edward também, eu perdi o respeito de ambos e... É muito duro pra mim ver o pouco caso nos olhos deles. — Sussurrou. — Eu vou lhe responder tudo o que perguntar filha, eu juro, não vou mentir em nenhuma resposta e pode conferir com Edward depois. Mas, por favor, imploro que você não me olhe como eles, já dói muito e quando adotei você, eu queria uma filha que me amasse porque não sentia isso dos meus próprios filhos. Só me prometa, que não vai me odiar e você pode me perguntar o que quiser.

— Eu não vou te odiar, mãe. — Sussurrei, seus lábios se apertarem em uma linha tensa e eu vi seus olhos transbordarem de lágrimas. — Eu prometo.

Ela me deu um sorriso e piscou os olhos, e nesse momento uma lágrima escorreu mas Esme a secou bem rápido e se inclinou pra frente bebendo todo resto do vinho que tinha na sua taça. Eu fiquei em silêncio, só um pouco mais relaxa e esperei ela se recompor para continuar a história.

— Acho que o meu maior erro nesse meio todo, foi não ter contado imediatamente a Carlisle, Edward era uma criança ainda e não iria notar nada diferente mas, eu estava com tanta vergonha e como já estavamos em uma fase ruim, pensei que isso poderia render nossa separação. — Um suspiro pesado e suas mãos se apertaram desconfortavelmente, o clima estava ficando pesado novamente porque as emoções de Esme estavam um pouco descontroladas. — Então, escondi tudo isso de Carlisle até... Até descobrir que estava grávida, fiquei em pânico porque não tinha idéia se poderia ser do Marcus, depois da nossa noite não voltei a falar com ele, ignorei suas ligações e todos seus emails, não podia me aproximar, e não sabia se tinhamos usado camisinha. Foram dois meses aterrorizantes pra mim, qualquer coisa que Carlisle falava parecia ser indireta, comecei evitá-lo mais ainda e não deixava Edward encostar em mim porque tinha medo dele sentir minha barriga, eu vivia com medo de tudo até que procurei Marcus e decidi saber se tinhamos ou não usado a merda da camisinha. E a droga da resposta foi não! — Disse, seu tom ficou um pouco mais alterado e ela pegou a garrafa de vinho no centro da mesa, e deu longos goles antes de voltar a me olhar. — Então, foi na festa de seis anos de Edward que contei a Carlisle o que tinha acontecido e sobre minha gravidez, e ele pegou Edward do meio da festa e sumiu. Mais de meia noite e ele não tinha voltado, então dispensei todos os convidados e liguei pra um amigo médico implorando ajuda porque queria abortar aquela criança. Por covardia, culpei aquela gravidez por tudo de ruim que estava acontecendo na minha vida e se era aquele bebê que estava afastando meu marido de mim, eu iria tirá-lo! E com essa teoria acabei marcando o dia que iria tirar a criança, eram só três meses e não teria problema.

Eu abri minha boca em horror, como ela poderia ter coragem de abortar uma criança? Qual era o problema dela? Não era culpa do bebê que Esme tinha feito essa merda na vida.

Seus olhos estavam cheios de lágrimas mas, minha raiva não me deixava sentir pena dela, na verdade, todos os sentimentos que havia sentido começaram a desaparecer. Eu poderia ser a pessoa mais bipolar do mundo mas Esme conseguia fazer minhas idéias mudarem a cada momento.

— Meu médico acabou atrasando pois teve que viajar pra Itália e acabei marcando de tirar com cinco meses, Carlisle ligou uma vez durante esse tempo todo mas mesmo comigo implorando não quis falar comigo, usou Edward pra falar e dizer que eles estavam bem. Você não tem idéia do quanto fiquei quebrada, meu chão desapareceu e eu não tinha ninguém em quem confiar. Grávida, com as emoções a mil, com meu filho e meu marido longe de mim, e Marcus na França fazendo a decoração de alguma merda que não lembro... Foi aterrorizante, foi solitário, foi enlouquecedor. — Suspirou, bebendo mais do vinho. — Então, com quatro meses duas semanas e um dia, pra ser mais exata, algo dentro de mim se moveu e por Deus, foi a coisa que acabou com toda minha vontade de tirar aquele bebê. — Sussurrou e as lágrimas rolaram de modo absurdo por seus olhos. Eu não sabia mais o que estava sentindo, eram muitas emoções e muitas revelações e, minha nossa! Esme não tinha tido uma vida fácil. — Naquela gravidez tive que me manter sozinha, trabalhando e cuidando de mim mesma, ninguém me acompanhou no pré-natal, ninguém foi nas consultas comigo, ninguém fez merda nenhuma por mim, até Carlisle finalmente voltar quando eu estava na maternidade, com meu filho Jasper nos braços.

— Jasper é filho de Carlisle? — Sussurrei.

— Eu não sei, não fiz DNA e nem pensei nisso, só queria uma nova história. — Disse, sua voz estava tão quebrada que senti vontade de abraçá-la mas não consegui me mover. — Edward joga na minha cara até hoje que ele pode ser filho do Marcus mas, sinceramente, eu não quero saber, só quero que meu filho seja feliz e não tenha sua vida bagunçada por causa de uma paternidade. Carlisle disse que o amaria como um filho e isso é o bastante pra mim.

— Por que me adotou, Esme? — Perguntei. — Me desculpe, vocês não tinham motivos pra...

— Adotar? Tinhamos sim e ainda temos. — Suspirou, secando as lágrimas. — O motivo de adotarmos é porque eu queria mais um filho e... Carlisle se recusa a fazer sexo comigo. É sua forma de me dizer que tem nojo de mim.

Sinceramente, eu não sabia o que dizer. Diante dessa situação cheguei a conclusão que não conhecemos as pessoas, que elas tem milhões de segredos que nem podemos sequer imaginar. Quem olharia pra essa família e diria que em seu passado havia tantas marcas? Quem iria desconfiar que Esme era essa mulher frustrada e infeliz ao vê-la sorrindo?

Era atordoante estar diante de tanta coisa, era muita informação e minha mente ainda estava tentando processar os fatos, além disso, era doloroso destruir a imagem que tinha da minha família. Carlisle não era fofo o tempo todo, Edward não era revoltado sem motivos, Jasper tinha mais problemas do que imaginava e Esme, bem, Esme era uma pessoa bem diferente do que imaginei.

— Bella, se um dia Jasper souber que há dúvidas sobre sua paternidade, com certeza será o dia mais infeliz da minha vida. Pode chamar de egoísmo mas, eu quero manter o meu filho longe desse mundo de ódio, de dúvidas e de desprezo, só quero protegê-lo já que não consigo fazer isso por Edward. — Murmurou. — Você quer saber mais alguma coisa?

— Eu... Eu acho que não. — Sussurrei, com o pouco de voz que ainda tinha.

Ela se levantou da mesa segundos depois, tinha a aparência esgotada e estava um pouco tonta por causa do vinho, mesmo assim ela pediu desculpas educamente e caminhou em direção as escadas lentamente. Seus passos eram silenciosos e sua cabeça baixa parecia trazer toda a culpa do mundo para si, eu não sei se a considerava má por ter traído Carlisle porque era estranho julgar alguém que parecia se arrepender amargamente, então, preferia me manter sem opinião sobre aquilo tudo.

Não conseguia duvidar de nada também, só queria abraçá-la mas ela sumiu antes mesmo que eu tivesse coragem para me levantar. Céus, era muita surpresa pra um dia só.

Me levantei da mesa. Minha cabeça estava doendo um pouco e eu queria tirar todo aquele peso de cima de mim. Parecia que as tensões de Esme tinham passado pra mim, pela primeira vez eu não tinha pena de mim, sabe, todo mundo tinha problemas e os traumas castigavam da mesma forma.

Quantas noites Esme deve ter ficado sem dormir? Grávida, sozinha e sem o opoio do marido, devia ser doloroso pensar que seu filho era um rejeitado pelos dois possíveis pais.

Suspirei e passei minhas mãos diversas vezes pelo rosto antes de finalmente ir até a porta e abrí-la.

Marcus estava sentado na grama com Emmett e Edward tinha uma expressão dura no rosto sentado no banco da varanda.

— Ei. — Sussurrei, seus olhos deslizaram pra mim e ele se levantou imediatamente vindo na minha direção. Não houve palavras, não houve perguntas, só seus braços que se enrolaram em torno de mim me dando um ombro pra apoiar minha cabeça cansada de tanta informação e pensamentos. Por alguns momentos ficamos ali, calados e imóveis, só sentindo o vento que passava por nós.

Lentamente me soltei de seus braços, queria tanto falar algumas coisas mas, Edward não parecia a pessoa certa. Se dissesse que tinha um lado meu que estava apoiando Esme iria render uma discussão e não seria nada bom.

— Você está bem? — Perguntou. Eu acenei.

— Você sabe o endereço daqui? — Perguntei, sua testa franziu e seus lábios torceram em uma expressão de desconfiança. — Eu não vou fugir, eu só... Só quero saber o endereço do lugar onde estamos.

— Você tem um papel? — Indagou, ainda com a desconfiança clara em sua voz. Retirei o celular do bolso e coloquei nos rascunhos de uma mensagem e entreguei pra ele, Edward o anotou tentando decifrar alguma coisa em meu rosto mas, eu não estava tentando aprontar e nem nada parecido por isso não deve ter obtido nenhum sucerro, e depois de anotar o endereço me entregou de volta o aparelho.

— Eu preciso de alguns minutos. — Sussurrei. Ele acenou com a cabeça e me inclinei pra frente dando um leve beijo em seus lábios, seus olhos ainda estavam fixos em mim e seus dedos se afastaram de mim com relutância.

Eu subi as escadas devagar pra não piorar a dor de cabeça e tranquei a porta do quarto, não que eu tivesse nada a esconder mas queria um pouco de privacidade. Minhas emoções pareciam estar sendo cozinhadas e isso estava me afetando bastante.

Peguei meu celular e sem pensar duas vezes disquei o número da única pessoa que seria capaz de conversar comigo sem me julgar por ter tais opiniões.

— Alô? — Uma voz cansada mas, feliz atendeu.

— Oi, sou eu a Bella, será que... Você pode vir me ver? — Perguntei respirando fundo. — Eu... Eu preciso de um ombro amigo.

-

Abri meus olhos notando que o dia já tinha amanhecido.

A noite tinha sido um pouco desconfortável, tinha sonhado com James e depois com Esme o que tinha sido o bastante pra me cansar mesmo que dormindo. Me movi desconfortavelmente na cama empurrando o celular para longe de mim e deslizando para a ponta me sentando.

Depois que finalmente tomei coragem caminhei tropeçando em direção ao banheiro e tomei um banho morno e relaxante. A roupa que escolhi devido ao calor foi uma bermuda e uma regata. Sequei os cabelos no secador e calcei o primeiro chinelo que vi na frente, minha barriga estava roncando por tanto passei rapidamente pelo corredor, para descer as escadas e ir pra cozinha.

Quando passei pela sala, alguém me chamou a atenção, sentada no sofá de pernas cruzadas estava a baixinha que foi capaz de fazer um sorriso aparecer em meu rosto mesmo em um dia tão turbulento como esse.

— Alice, você veio. — Gritei correndo até ela, do jeito que ela estava ficou, até quando sentei em seu colo e a abracei.

— Você sabia que eu viria. — Sussurrou me abraçando. — Aliás, aquela casa estava um saco e meu emprego estava cansativo, resolvi que posso faltar alguns dias.

Em silêncio, eu agradeci várias vezes porque pela primeira vez sentia que podia confiar de verdade em uma pessoa. Alguém que largava o emprego e a casa, só por causa de um monte de bobagens que falei ao telefone era realmente uma amiga.

— Faz muito tempo que você chegou? — Indaguei.

— Faz duas horas, fui até seu quarto mas você estava dormindo, Edward me disse que foi uma noite cansativa pra você e só por isso não atirei um balde d'água na sua cara. — Disse. — Bem, você estava apressada pra ir pra algum lugar.

— Não era importante. — Sussurrei. Sentei ao lado dela enquanto seus olhos percoriam meu rosto de forma calma.

— Bella, o que está acontecendo? Você parecia abalada no telefone. — Disse.

— Quer ir passear um pouco? — Perguntei, ela acenou com a cabeça e me levantei caminhando para fora da casa. Eu realmente gostava do cheiro de mato que tinha aquele local, os passáros cantarolavam e as folhas das árvores moviam-se alegremente com o vento. — Ontem eu... Passei por uma situação difícil e eu não sabia como agir ou pra quem ligar, só queria conversar mas, tinha que ser com alguém que não iria me julgar. Quando te liguei sinceramente pensei que não viria, você tem uma vida e não pode abandonar tudo por causa de uma adolescente em conflito com ela mesma.

— Isso tem a ver com o...

— Não, quer dizer, mais ou menos. Não sei bem, tudo envolve ele. — Murmurei.

— Comece com o porquê de você ter me ligado ontem.

— Esme traía Carlisle. — Murmurei, ela mordeu os lábios e não disse nada. — Com Marcus, acho que o conheceu hoje. — Alice acenou com a cabeça positivamente. — Enfim, ela não sabe se Jasper é filho dele ou de Carlisle, apesar da semelhança que ele tem com Marcus e... O que ela me contou me deixou surpresa e sem o que dizer, além disso, ontem eu quase beijei Emmett e depois transei com Edward... E descobri que sinto alguma coisa bem forte por ele. Tá tudo tão confuso e novo que eu não sabia o que fazer então, liguei pra você.

— Eu acho que você precisa ficar um pouco longe, não só de James mas da sua família também. Bella, você foi violentada e esteve na rua sofrendo tortura psicológica e nem mesmo passou por um psiquiatra pra determinar se não havia nenhuma sequela em você. Eu acho que você não pode ficar passando por tais problemas, sabe? Problemas que forcem você a despertar emoções que não está preparada pra sentir. Eu conversei com Edward e ele me contou tudo que eu precisava saber, sua mãe morreu em um acidente e seu pai é um merda e James teve um encontro pessoal com você e ninguém sabe se ele te reconheceu ou não. Sinceramente? Se você não estiver pronta pra ir atrás da justiça e colocar ele atrás de uma prisão por anos, você tem que fugir imediatamente. — suspirou. — Eu sei que pode ser difícil pra você, deve ser horrível a sensação de estar de frente com esse miserável, mas, se não quer bater de frente com isso, então saía de perto e esqueça, é o que aconselho a fazer.

— Como eu poderia bater de frente com isso? Não tem provas, faz tempo que isso aconteceu. Não posso jogar gasolina nisso e depois me queimar. — Falei.

— Bella, entenda uma coisa, um cara que entra em uma casa e estupra uma menina, já tinha feito isso antes e fez depois, algum rastro ele tem que ter deixado. O problema foi você não ter família e ninguém se importar por ser uma cidade pequena, praticamente interior. Além disso você fugiu tornando impossível as investigações sem suas pistas. — Disse, eu suspirei. — Se estiver disposta a brigar contra isso, eu te dou total apoio e sua família também, mas você tem que querer, tem que colocar na sua cabeça que pode acabar com ele. É simples. Você está segura agora, não tem porquê temer que algo aconteça.

— E o que vamos fazer? — Perguntei.

— Pra começar, voltar pra casa e reunir sua família, vocês precisam conversar sobre o que fazer e com a decisão tomada, devem comunicar a polícia. — Disse.

— O quê? E a família dele, Alice? Jéssica? Seus pais? — Indaguei.

— E a sua família, Bella? Seus pais? Você? — Rebateu. — É mais importante do que eles, a família dele não merece mas, é a verdade e não temos culpa disso. Ou por acaso, devem ser protegidos? O filho é deles e James fez algo muito errado, eu sei que você tem pena e medo, mas pense em quanta pena ele teve de você e terá novamente quando descobrir que você é a garotinha que ele fodeu a força à algum tempo.

Eu suspirei, as palavras dela pareciam um monte de tapas no meu rosto e estavam me deixando inquieta, minhas mãos suavam e eu sentia como se houvesse um monte de insetos na minha cabeça me fazendo colocar as mãos nela. Alice estava certa, insuportavelmente certa, mas eu não sabia como agir diante disso e parecia doloroso demais enfrentar isso depois de tantos meses.

— E se não vencermos? — Sussurrei. — Tipo, se ele ainda sair por cima?

— E quem disse que ele vai? Não tenha dúvidas da sua capacidade, é o primeiro passo. Você tem que parecer forte e decidida e isso faz seu oponente ver sua confiança em vencer e se preocupar com isso. Trate isso como um jogo Bella, não envolva suas emoções e confie em si mesma, é só o que precisa pra fazer aquele filho da puta se entregar a polícia e ter um belo tratamento na prisão. — Disse.

— Eu preciso pensar. — Sussurei por fim. Era muita coisa em pouco tempo.

— Pode pensar o tempo que quiser, vamos pensar em quantas meninas ele pode estar estuprando nesse tempo em que você pensa. — Disse. — Nem todas tem a sorte de saber quem lhe fez mal, Bella, você também não saberia se não fosse o destino e já que tem isso nas mãos não deixe escapar.

-

Minha cabeça naquela noite estava muito confusa, tanto que durante o voô de volta fiquei em total silêncio sentada com Alice que dormiu uns quinze minutos depois que decolamos. Esme tinha ficado bem surpresa com a minha decisão, mas estava tão feliz que ligou pra Carlisle e falou com ele durante horas.

Edward foi quem mais se surpreendeu mas não tive tempo de explicar pessoalmente a ele porque Esme com toda sua pressa quis pegar o primeiro avião que estava disponível e acabamos saindo duas horas depois, só o tempo de arrumar as malas e nos despedir. Marcus queria vir junto ficar em um Hotel e garantir estar ao lado de Esme mas logo descartou a possibilidade ao lembrar que tinha muitos compromissos que não poderiam ser adiados.

Emmett se despediu de forma calorosa mas com Edward manteve-se frio e só apertou sua mão. Levamos um lanche e no caminho de volta o silêncio esteve presente no táxi fazendo minha cabeça mergulhar em uma confusão profunda.

Alice se moveu na poltrona do meu lado me fazendo sair do meu pensamentos, tomando cuidado para não acordá-la levantei e pedi a Esme para me sentar no lugar dela ao lado de Edward.

— Claro, vou aproveitar e dormir com Alice. — Disse, me dando um sorriso orgulhoso.

— Ei. — Murmurei, sentando-me ao seu lado. Seus olhos estavam examinando o céu lá fora e suas mãos seguravam um livro fechado. — Eu queria ter conversado com você antes mas sinceramente não sabia o que fazer, preferi voltar logo pra casa e ir decidindo conforme a situação.

— Sem problemas. Sinceramente fiquei surpreso de você tomar essa decisão, Alice merece um prêmio por conseguir fazê-la mudar de idéia tão rapidamente. Queria saber o que ela usa contra você. — Disse, eu suspirei, apesar de sua expressão ser verdadeira, sua voz não estava demonstrando o que suas palavras queriam expressar.

— Ela não usou nada, Edward, é só... Só penso em todas as meninas que podem estar passando pelo que passei ou pior, eu não consigo desejar isso pra nenhuma pessoa por mais ruim que ela seja. — Sussurrei.

— Nem pro James? — Perguntou, eu abaixei meus olhos, talvez desejasse não sabia dizer ao certo.

— Talvez. — Murmurei, ele se virou pra mim.

— Ótimo, só quero que saiba que se em algum momento você cair, eu vou estar lá te segurando e tentando te colocar de pé de novo. — Disse, eu acenei com a cabeça. — Mas eu preciso fazer um pedido a você, eu já conversei com Esme e espero falar com Carlisle o mais rápido possível, porém, quero que me responda antes.

— O quê?

— Eu sei que é inusitado, não é o local e nem tenho algo pra complementar, nem música romântica e nem estou ajoelhado no chão como um príncipe, mas, garanto que é mais sincero que qualquer outro pedido que você tenha visto na televisão. — suspirou. — Bella, namora comigo?

Essas palavras foram o bastante pra fazer minha cabeça se dissolver em milhões de pensamentos, milhares de hipoteses passavam por mim e eu não sabia direito qual delas escutar. O pedido tinha me deixado surpresa mas ao mesmo tempo conformada, o que eu estava pensando? Que ia ficar transando com ele sem que isso se tornasse um comprimisso mais sério?

Sinceramente, nem sabia o que pensar de mim mesma. Pra falar a verdade, não sabia nem se queria aceitar, eu gostava de Edward e dos momentos que tinhamos, mas namoro era algo muito maior que algumas transas e alguns sentimentos, e era um pouco assustador pra mim também. Eu nutria sentimentos desconhecidos por ele, não saberia dizer exatamente o que eram aquelas sensações que me atacavam inesperadamente e por não ter certeza do que sentia, não tinha certeza se o queria dessa forma.

O que Carlisle ia pensar? E Jasper? Esme não contava muito porque Edward a tinha nas mãos, é claro que mesmo ela não concordando, não se oporia de forma forte porque sabia que isso ia acabar pior pra ela.

Mesmo estando tão atormentada, estava tentando agir de forma sensata.

Caramba Bella, era pra você considerá-lo como um irmão assim como considera Jasper, por que as coisas estavam tomando um rumo tão diferente? O que o resto da família ia pensar? E as pessoas em volta de nós? Aos olhos do mundo eramos uma família e isso era considerado incesto, tudo bem que eu era adotada mas nem todo mundo sabia disso.

Eu não via como aceitar um namoro com Edward naquelas condições, justo agora que eu queria enfrentar James, não podia ter algo tão pesado nos meus ombros.

— Não que eu não queria namorar com você, eu só... Sob essas condições eu não posso aceitar. — Murmurei.

Eu estava tão envergonhada que minhas bochechas queimavam desesperadamente, queria olhar em seus olhos mas o chão parecia tão convidativo agora. Queria desaparecer da sua frente e só voltar depois de uns dias porque eu estava com medo do que viria a seguir e do que ia acontecer conosco depois disso.

Não houve respostas, fiquei naquela posição por longos minutos e quando finalmente tomei coragem para fitá-lo, Edward estava imóvel na poltrona com o rosto virado pra janela. Eu suspirei e movi minha mão para tocá-lo, mas acabei recuando com receio da sua reação e me levantei indo em direção a fileira da frente para sentar novamente ao lado de Alice.

Alice já estava acordada e juntamente com Esme olhava para o chão.

— Eu posso sentar aqui? — Perguntei.

Esme mais que depressa se levantou e me oferecendo um sorriso doce, voltou ao seu lugar enquanto eu deslizava para perto de Alice.

— Você é a pessoa mais fria que conheço. — Sussurrou.

— Como assim? — Perguntei, surpresa.

— Nenhuma mulher no mundo teria coragem de dizer não a um pedido desse, só se ela fosse lésbica ou comprometida. — Respondeu.

— Alice, eu não podia aceitar.

— Relaxa Bella, você não tem que se justificar toda vez que fizer algo, se você não se achou pronta, não tinha mesmo que aceitar. Está tudo bem. Só não perca esse homem de vista. — Disse, eu acenei com a cabeça e ela sorriu.

Eu dormi o resto da viagem e só fiquei acordada no táxi porque o clima estava insuportável, Edward manteve sua atenção no celular e Esme conversou sobre sobremesas com Alice. Eu fiquei o tempo todo com a cabeça virada em sua direção mas em nenhum momento ele me olhou, Ali me disse algo como dar tempo ao tempo e isso em fez relaxar um pouco. Só um pouco.

Carlisle estava com Jasper nos esperando na porta de casa, o único problema agora é que iria reparar mais no jeito que ele tratava Esme e no jeito que tratava Jasper. Esse era o problema de saber a verdade.

— O que está acontecendo? — Perguntou tirando as malas da mão de Esme, Edward e Jasper pegaram o resto e não sobrou nada pra mim. Alice segurou meu braço e nos caminhamos para dentro enquanto Carlisle continuava questionando o que estava errado, suas palavras não eram agressivas com ela, eram preocupadas e um pouco frias, mas nada que demonstrasse nojo ou magoa.

— Bem, Bella decidiu fazer algo enquanto estavamos de férias. — Esme começou enquanto nos direcionavamos pra dentro, a porta se fechou atrás de nós e Jasper olhou curiosamente pra Alice. — Nós vamos a polícia denunciar James e pedir as devidas investigações. — disse de uma vez fazendo a surpresa transparecer em seus rostos.

— Uau. — Jasper falou.

— Hum, eu... Eu tenho que confessar uma coisa, que Edward e Jasper também sabe. — Carlisle murmurou, tanto eu quanto Esme estavamos surpresas agora, por que todos sabiam menos nós? — Nós contratamos duas pessoas para investigar o caso faz só algumas semanas, não contamos porque achamos que vocês não iriam concordar, mas tivemos uma novidade, bem... Charlie... O pai de Bella... — suspirou. — Edward, por favor.

— Nós entramos em contato com o pai de Bella e oferecemos um acordo à ele, lhe pagamos um advogado em troca do seu depoimento contra James no tribunal, e... Ele aceitou. A resposta chegou ontem por carta. — Edward completou.

Eu fiquei completamente muda, sem saber exatamente o que dizer, por um lado isso era muito bom porque James finalmente iria ser pego, por outro lado, eu ia encontrar Charlie de novo, aquele infeliz iria estar na minha frente somente por interesse. Só porque lhe prometeram um advogado. Ele poderia ter feito isso à muito tempo, mas tinha sido um completo covarde e escolhido me deixar sofrer do que entregar seu parceiro de drogas que tinha me estuprado por culpa dele. Que tipo de ser humano tem essa coragem? Que tipo de pai é esse? Será que algum dia ele me amou? Algum dia teve um sentimento próximo a amor por mim ou pela minha mãe?

— Uau, isso é... Surpreendente. — Esme sussurrou.

— Só que, nós queremos esperar mais um pouquinho, temos que achar Marta a vizinha de Bella, pode ser que ela nos diga algo favorável. Algumas fontes disseram que ela se mudou pro México, a vovó vai ajudar com o dinheiro pra que possamos procurar lá e se ela aceitar ir ao julgamento como testemunha, nós temos tudo o que precisamos. — Edward disse. — Bella, eu sei que é difícil pra você, é muita coisa e por isso achamos melhor esconder. Eu não teria coragem de contar logo no começo, é desumano agir assim, é como colocar gelo sob o Sol e saber que vai derreter, desmanchar, virar água e mesmo assim, ter prazer nisso. — falou, exibindo um tom enojado na sua voz que me fez recuar pra trás.