Hello

25 Capítulo 25


Notas iniciais
Prontooo. Espero que gostem. Minha vida tá mesmo bem corrida mas os trabalhos pesados acabaram, pelo menos nesse bimestre.
Obg pelos coments e desculpem MESMO a demora.
comentem que logo vem mais *-*

25


Em algum lugar no fundo da minha mente, meu celular estava tocando, um som que foi ficando cada vez mais perto e finalmente abri meus olhos caindo na realidade e apanhando o aparelho que estava no chão, em cima do tapete. Quem ousava me acordar?

— Oi?

— Bella? — A voz de Edward sussurrou, abri de vez meus olhos e me sentei na cama. — Eu acordei você?

— Não, na verdade sim. — Murmurei limpando meus olhos.

— Me desculpe, pensei que já estaria acordada. Eu... Só liguei pra saber como você está e se ocorreu tudo bem na viagem. — Disse.

Tirei o celular da orelha pra ver que horas eram, 12:44! Realmente, eu deveria estar acordada.

— Eu acho que dormi demais. — Sussurrei, ele deu uma risada abafada e isso fez minha boca se contorcer em um pequeno sorriso. — Foi tudo bem, Esme é um amor e Marcus também, Emmett também foi extremamente gentil comigo.

— Emmett? O filho de Marcus? — Perguntou.

— Sim. — Confirmei. — Você o conhece?

— Já o vi. — Disse. — Eu pretendo ir aí no final de semana.

— Oh, seria muito bom, o lugar é lindo e muito aconchegante. — Falei, novamente a risadinha abafada e em seguida um pigarro.

— Fico feliz de ouvir empolgação na sua voz, passei alguns dias aí uma vez e realmente adorei. É bom que se divirta e Bella, esquece um pouco que aconteceu e tente se concentrar no presente. — Edward disse, sua voz estava calma e descontraída, mas de alguma forma suas palavras fizeram meu sorriso sumir.

Pareciam de certa forma palavras muito intensas e o "esquecer" não parecia somente relacionado ao que estava acontecendo.

— Esquecer tudo? Incluindo você? — Perguntei, estava me desafiando além do que podia, na verdade estava com tanto receio que nem queria ouvir a resposta, pensei várias vezes em tirar o celular da orelha e colocá-lo em baixo do travesseiro. Seria mais fácil conviver pensando que a resposta foi não.

Aliás, por que eu tinha entrado nesse assunto?

— Pensei que você já tivesse feito isso, parece mais perto de mim nessa ligação do que quando estava aqui. — Falou. Eu engoli minha saliva e tentei procurar um assunto que fosse deixar tudo bem, eu tinha colocado lenha no fogo e não podia reclamar do fato das chamas terem subido demais. — Você esqueceu?

Ah e sim, Edward tinha que começar com suas perguntas.

— Não.

— Então por que está lutando contra nós? — Perguntou.

— Edward...

— Tudo bem, não precisamos falar disso. É melhor você ir aproveitar o lugar, deve estar lindo a essa hora. — Disse.

Suspirei.

— Eu não sei se 'nós' é certo. — Confessei.

— Vamos começar com isso novamente? — Perguntou. — Por que não seria?

— Porque eu sempre achei isso desde que fui morar com Esme, não estava em meus planos gostar de você ou algo parecido. Tem milhares de coisas acontecendo ao mesmo tempo, estou sorrindo pro inimigo querendo matá-lo e não posso dizer nada, é arrepiante e minha cabeça está uma bagunça. Eu nem sei definir o que é certo ou errado, por isso me afasto das coisas para não acabar tendo alguma atitude que magoe alguém. — Falei. — Me desculpe, acho que estou falando demais.

— Eu gosto de ouvir isso, realmente gosto. É legal você falar como se não tivesse ninguém pra contar Bella, espero que Esme ouça também. — Ironizou com a voz fria.

Onde estava mesmo o tom carinhoso?

— Você sabe que eu agradeço todo esse apoio de vocês. — Murmurei. — Edward, eu só... Droga, Edward! Não sei explicar.

— Tudo bem, mas no final de semana quero que você fale comigo sem fugir, ok? — Perguntou.

— Pode ser. — Murmurei.

Mentira! Não podia ser, eu sabia qual era a sensação de ser pressionada por ele, mas não soube responder outra coisa.

— Ótimo. Agora vai aproveitar o dia, nos falamos mais tarde. — Disse, eu murmurei uma despedida e depois desliguei.

O calor era intenso naquele lugar, a única coisa que consegui vestir foi uma camisa branca e um shorts, no pé um confortável all star e os cabelos presos em um coque. Saí do quarto devagar e caminhei pelo corredor tentando acertar o mesmo lugar por onde tinha vindo hoje de madrugada.

Comecei reparar nos quadros que estavam nas paredes, eles não eram como os da sala, esse corredor parecia um pouco mais obscuro e os quadros eram sempre pinturas noturnas e em algumas havia lobos com olhos cativantes e intensos. Quem os pintava devia ter um dom extraordinário, mas mesmo ficando bem próxima não consegui ver nenhuma assinatura.

Além dos quadros haviam velas que deviam ser usadas em caso de falta de luz, não era só por fora que parecia casa de filmes, por dentro era a mesma coisa. Era fascinante.

Quando cheguei na sala tive certeza que havia acertado o caminho, agora com o Sol no centro do céu seus raios iluminavam todo o tapete e as fotografias na estante também. Eu devia ser muito curiosa porque me aproximei de onde estava as fotos e algumas pequenas estátuas, a primeira estátua que movi meus olhos foi a de um anjo com as asas abertas e a cabeça baixa. Depois, uma foto de Emmett em cima de um cavalo. A próxima estátua era uma mulher, sentada em algo que parecia uma pedra com os seios nus e as pernas cobertas por um pano, a próxima foto arrepiou minha nuca, em um quadro de moldura delicada estava Esme abraçada com Marcus podia ver suas mãos entrelaçadas de forma amorosa. Agora estava totalmente certa de que entre eles já havia rolado algo mais do que amizade, queria perguntar a Esme mas me sentia invadindo seu espaço, tratei de esquecer esses pensamentos e me concentrar nas próximas imagens e estátuas.

— Bella?

Me virei esquecendo da foto a seguir, Emmett estava caminhando na minha direção com uma calça branca enrrolada até o joelho e uma camisa bege totalmente aberta.

— Olá! — Disse mordendo os lábios. — Eu acabei de acordar e estava olhando algumas coisas.

Eu não sabia porque estava sentindo um pequeno calor mas, quando meus olhos deslizaram por seu peitoral e depois para suas pernas algo se agitou dentro de mim.

— Bom dia! Você já comeu alguma coisa? Deve estar faminta. — Disse.

Emmett estava muito perto, não havia nem um mêtro nos separando e ele realmente era muito, muito bonito pra achar que podia ficar dessa forma perto de alguém.

— É, acho que preciso mesmo comer. — Respondi engolindo minha saliva depois.

Ele sorriu, os olhos azuis se fechando um pouco e as covinhas aparecendo em sua bochecha. Puta merda!

Onde era a cozinha mesmo?

— Você acordou praticamente na hora do almoço mas acho que a Nina consegue arrumar alguma coisa pra você comer. — Falou. Ele deu aquela mesma piscada de ontem e eu dei um pequeno sorriso com o canto dos lábios acompanhando ele para a porta. — Eu resolvi ficar em casa hoje pra lhe mostrar um pouco do que tem por aqui.

— É muito legal da sua parte, eu estava pensando que iria me perder pelos corredores. — Eu disse. — Mas não vai atrapalhar seus estudos?

— Já estou bom nos conteúdos de hoje, posso faltar sem nenhum problema. — Falou.

— Isso é ótimo, obrigada.

— De nada.

Atravessamos mais alguns cômodos e antes mesmo de chegar na cozinha um cheiro delicioso invadiu o ambiente, parecia de algum doce e me fez lamber os lábios lembrando que não comia à 17 horas. A cozinha era clara mas muito bem decoradas, era bem grande também e só depois de andar um pouco consegui ver uma mulher magra e alta, com os cabelos presos e mexendo algo no fogão.

— Nina, essa é Bella. — Emmett disse. Ela deu um pequeno sorriso e soltou o que estava fazendo.

— Olá Bella, é muito bom ter presença feminina na casa, você é tão linda quanto Esme. — Sorriu.

— Muito obrigada.

— Ela está morrendo de fome, Nina, chegaram bem tarde e acho que ela não comeu no avião, será que teria algo pra ela no seu reinado?

— Mas é claro! Sente-se ali menina, vou servir alguma coisa pra vocês dois. — Disse.

Ela parecia um pouco com Alice, não tinha a mesma empolgação mas era bem animada no jeito de falar. Lembrar de Alice me fez sentir saudades, na verdade acho que ela era a primeira pessoa que me fazia falta por causa da companhia. Será que ela estava bem? Acho que ela não se incomodaria se eu ligasse pra perguntar se estava tudo certo, talvez fizesse isso mais tarde.

Nina me deixou completamente pesada depois de várias porções de salgados e refrigerante, durante a refeição Emmett se mostrou ainda mais interessante, ele tocava violão desde os treze anos, não tinha namorada e curtia rock, jazz e um pouco de Hip-Hop. Parecia um pouco impossível um rapaz daquele tipo não ter namorada, mas ele acabou explicando que fazia algumas semanas que tinha acabado um relacionamento conturbado e que estava dando um tempo de tudo isso pra respirar.

Era bem interessante ouvir isso de um homem, na verdade quem sempre precisa de um tempo pra respirar era sempre a mulher e Emmett assumia isso e não tinha vergonha de demonstrar o quão sensível era nessa parte.

— E você? Com certeza tem algum namorado com saudades por aí.

— Não, não. Digamos que não ando com muito tempo pra pensar nessas coisas. — Falei, o assunto não era exatamente confortável pra mim mas com alívio percebi que Emmett não iria fazer mais perguntas, ele se contentava com o que eu falava e isso era ótimo.

Ficamos no lago até a hora do almoço onde Marcus e Esme não pararam de recordar sua junventude trazendo grandes risos à mesa. Nina não ficou conosco porque estava ocupada demais com sua sobremesa especial e só entendi o quanto era especial quando provei o doce e quase me derreti porque era realmente maravilhoso!

Depois de comer, Esme e Marcus foram ver os cavalos e Emmett se ofereceu para me mostrar alguns lugares. Nesse passeio conheci os outros dois lagos e fiquei um bom tempo olhando os peixes de diferentes cores e estampas que nadavam bem próximos a margem.

Em algum momento Emmett sumiu sem que eu notasse e me vi sozinha no meio de todas aquelas plantas e peixes.

Foi até bom esse tempo no meio do nada porque consegui organizar meus pensamentos, queria colocar algumas opiniões de lado e tentei excluir aquela teoria de Jasper parecer com Marcus e dele ser o possível amante de Esme. Também tentei tirar de mim o pensamento que dizia que Emmett me atraía, aquilo só devia ser bobagem da minha cabeça e sabia muito bem que não podia tentar nada com ele. Talvez poderia. Não sei bem.

Pensei na conversa que teria com Edward e até imagina algumas coisas pra falar, é claro que na hora isso tudo ia desaparecer, principalmente depois que tinha notado como aquela ligação teve uma bela influência durante o meu dia. Ás vezes eu jurava que podia escutar sua risadinha rouca e baixa em algum lugar no fundo da minha mente perturbada, essas lembranças ficavam ainda mais intensas a ponto de me fazer lembrar da sua boca no meu corpo e era nesse momento que tentava me destrair pra qualquer coisa.

— Ei. — Emmett susssurrou tão próximo a mim que meu corpo tremeu levemente assustado. Me virei e encontrei ele se sentando ao meu lado. — Te assustei? Desculpa, eu pensei que tinha me visto chegar.

— Sem problemas, é que estava com a cabeça em outro lugar. — Respondi.

— Você quer? Estão frescas. — Disse oferecendo-me amoras.

— Uau, você acabou de pegá-las? — Perguntei.

— É, faço isso desde pequeno, sempre depois das refeições venho comer uma porção de amoras, meu pai teve que plantar mais delas, sou viciado nisso. — Sorriu. Eu peguei algumas e comecei comê-las juntamente com Emmett. — Queria te levar em um lugar, mas preciso saber se você tem medo de altura.

— Bem, eu nunca estive em lugares muito altos então não teria como saber. Acho que não. — Falei, ele rolou os olhos e depois se levantou.

— Vamos caminhar bastante, você está confortável? — Perguntou.

— Sim, está tudo bem. — Respondi.

Começamos a andar em direção a um local onde as árvores eram maiores e parecia o começo de uma floresta, notei que ele não falava muito mas também não gostava do silêncio, devia ser do tipo que espera que a outra pessoa começasse a falar, como eu.

Poderia ficar quieta, eu gostava do silêncio, mas tinha algo em Emmett que fazia minha língua ficar inquieta com vontade de saber sobre ele e ouvir suas respostas calmas e rápidas.

— Hum, você conhece Esme há muito tempo? — Indaguei.

— Desde pequeno. Ela e meu pai sempre foram muito amigos, Esme conta tudo pra ele e segundo o que ambos dizem, são assim desde que se conheceram no ensino médio. — Falou.

— Ela deve ter falado sobre mim, presumo.

— Não muitas coisas, ela disse ao meu pai que apesar de não ter muitas coisas na sua ficha, você cativou ela por causa do seu jeito. Agora entendo o que ela quis dizer. — Murmurou. Não sei bem se aquilo era bom ou ruim, por isso preferi ignorar. — Esme disse que precisava vir passar uns dias aqui porque estava com problemas porém não quis revelar do que se tratava, meu pai ficou um pouco preocupado, é algo sério?

— Não, não. Tive algumas brigas com uns amigos e ela precisou viajar comigo. — Respondi.

— Isso é um pouco estranho, você não me parece uma pessoa que... Que fica arrumando encrenca. — Disse. Dei os ombros querendo acabar logo o assunto e continuamos caminhando.

Começamos a subir por uma trilha que era um pouco escorregadia, me segurava nos galhos como Emmett para me equilibrar e pisava sempre onde não tinha folhas, ele havia dito que poderia ter algum buraco e com as folhas em cima eles ficariam cobertos e era perigoso pisar em falso e cair.

— Pra onde está me levando? — Perguntei, virei pra trás e notei que estavamos bem longe do lago, longe o bastante para que as árvores tapasse toda minha visão de lá.

— Você vai gostar. — Falou.

Continuei a subir e acabei pisando em alguma folha que fez meu pé deslizar e meu corpo tombar pra trás. Teria caído diretamente no chão se Emmett não tivesse me segurado pela cintura me mantendo próximo ao seu corpo. Sua mão quente e grande deslizou pelas minhas costas, por dentro da minha camisa e rapidamente me colocou de pé, de frente pra ele que ainda estava com a mão apoiada na minha pele.

— Eu avisei pra pisar com cuidado. — Disse com um sorriso.

— Eu pisei, mas a folha escorregou. — Murmurei olhando em seus olhos, só então notei que estava com minhas mãos apertando forte seus braços, um reflexo que tive para tentar me segurar nele. Seus dedos lentamente foram se desgrudando das minhas costas e deslizando suavemente por elas até descer para a minha cintura e sair do contato com a minha pele.

Soltei minha respiração deixando meus lábios entreabertos. O que estava acontecendo era muito estranho, pensei que não conseguiria sentir atração por mais nenhum homem além de Edward porque era o único que tinha confiança em deixá-lo me tocar. Mas aqui estava Emmett, me levando a sós com ele por dentro de uma floresta e tocando em mim como se eu fosse uma garota normal, sem trauma nenhum.

— Algumas folhas são perigosas, pise na terra, é mais seguro. — Disse, abri um sorriso, não porque era engraçado e sim porque estava me sentindo como uma garota normal, isso me preencheu de forma que não consegui deixar de sorrir por longos segundos. — É melhor você ficar na minha frente, se você voltar machucada, Esme vai me fazer dormir com os cavalos.

Quebrando um pouco aquele clima, tirei minhas mãos dele e seus dedos se afastaram da minha cintura. Me virei pra frente e voltei a caminhar ainda entorpecida pela sensação de estar me sentindo normal e segura, era assim que as garotas se sentiam? Porque se fosse, era realmente maravilhoso.

Nós realmente caminhamos bastante, até que finalmente atingimos um lugar bem alto, quando terminei de limpar minha roupa, que tinha sujado quando encostei em uma árvore, levantei meus olhos e vi uma casa. Era bem pequena, ficava no meio das árvores e apesar de ser toda de vidro, não conseguia ver nada que tinha dentro.

— Essa é minha casa de vidro. — Disse me empurrando suavemente para que eu começasse a andar. — Eu fico aqui quando preciso pensar ou fazer algo muito importante, é silencioso e claro. É perfeito.

Ele tirou uma chave do bolso e abriu a porta, fazendo sinal pra que eu entrasse. Deslizei para dentro examinando o ambiente, era muito lindo, tinha somente um cômodo mas espaçoso. Havia um sofá-cama, uma televisão, uma geladeira, um fogão e um pequeno armário no canto direito. No outro canto tinha um computador, telas de pintura e um balcão cheio de tintas, poltronas e um som com caixas bem grandes que ficavam localizadas nos cantos do local, na parede a minha frente, tinha uma prateleira de livros e todo o chão era forrado por um tapete confortável.

— Isso é... É maravilhoso! — Falei.

Era o tipo do lugar perfeito, onde você não seria incomodado de nada e você podia ver tudo lá fora mas ninguém lhe veria aqui dentro. Tinha uma vista impressionante lá pra baixo, conseguia ver um dos lagos e nossa, era de tirar o folêgo.

— Meu pai me deu de presente quando eu tinha dezoito anos, acho que foi a melhor coisa que fez por mim. — Sorriu. — Sente-se, achei que você iria gostar de ficar aqui um pouquinho, vou deixar a chave com você e nos próximos dias pode vir aqui se quiser fugir de alguém.

Eu sorri.

Só então reparei que não era somente um cômodo, perto da prateleira de livros tinha uma porta.

— O que é? — Perguntei.

— Ah isso, vem, vou te mostrar. — Disse. Eu mal tinha me sentado e já estava de pé novamente, fomos até a porta e ele a abriu entrando na minha frente pra ascender as luzes. Com o lugar finalmente iluminado descemos as escadas, lá em baixo tinha roupas e um banheiro. — Quando meu pai construiu, não pensou que eu teria que descer tudo pra ir no banheiro, construimos ele depois por isso teve que ficar em baixo. — sorriu.

— Você trás muitas pessoas aqui? — Perguntei.

— Não muitas, tenho um pouco de ciume daqui, você é a quinta pessoa. — Disse.

— Uh, legal. Eu... Eu posso ver seus livros?

— Claro, fique a vontade. — Falou.

Subimos a pequena escada e depois de beber um pouco de vinho comecei olhar os livros, os títulos eram um pouco conhecidos mas notei que ele se amarrava em ficção, era o que mais tinha. Livros mitológicos tinham uma fileira só pra eles, Emmett parecia cada vez mais interessante pra mim, não era normal um garoto tão bonito ter um gosto tão refinado e uma personalidade tão doce.

— Você deve ser bem paquerado na Universidade. — Falei bebendo mais um gole de vinho. Ele estava procurando alguma coisa na geladeira e somente sorriu.

— Quem sabe. — Disse. — Só que a maioria das meninas que me paqueram não fazem meu tipo. Não que eu tenha um tipo, é só que... Não me interessam tanto.

— E qual a mulher que interessa você?

— A que se perde nos livros da minha estante. — Respondeu.

Puta merda!

Eu não sei exatamente se era brincadeira mas minhas bochechas esquentaram, também não tive coragem de olhar pra ele e conferir, só voltei minha atenção pros livros e controlei a vergonha que tinha se apossado de mim por conta da sua resposta. Não era bem o eu esperava ouvir mas confesso que foi bom pro meu ego escutar isso.

O silêncio fez o calor desaparecer e continuei a correr meus olhos pelos títulos dos livros tentando parecer completamente normal.

Finalmente um livro me interessou, peguei ele e me direcionei pra poltrona mais próxima colocando a taça de vinho em cima da pequena mesinha que não tinha visto.

— Você quer um sanduíche? — Perguntou. — Ele é bem leve, não precisa comer tudo de uma vez, come aos poucos. — disse, acenei com a cabeça. — Gostou desse? Adoro coisas relacionadas ao apocalipse, eu amo ficção, é um dos gêneros que mais me desperta imaginação.

— Percebi. São interessantes. — Falei.

— Você gosta de ler o quê? — Perguntou.

— Eu sou bem alternativa mas, suspense e romance é o que mais leio. — Falei, ele voltou a olhar pro lanche e não conversamos de novo até ele vir sentar na poltrona que ficava na frente da minha. Ele colocou o lanche na mesa e eu peguei o vinho dando mais um gole que esvaziou minha taça.

— E qual seu estilo musical?

— Alternativo também, costumo curtir o que me dá na telha. — Eu disse.

— Hum, e qual seu tipo de homem? — Perguntou, abaixei meus olhos pra taça tentando não notar que sua voz ficou mais grave ao perguntar isso.

— Não tenho um tipo mas, não gosto de homem grosseiro. — Sussurrei, levantei meus olhos pra ele e Emmett sorriu.

— E qual homem teria coragem de ser grosseiro com você? — Perguntou, eu mordi meus lábios sorrindo amargamente.

— Acredite, já foram. — Respondi.

— Você não deve se importar, ele era um completo idiota e nem preciso conhecê-lo pra afirmar isso. — Disse, eu balancei minha cabeça concordando totalmente com essa opinião de Emmett, além de idiota era um belo desgraçado e tudo de ruim que tem no mundo. — E então, é por causa desse idiota que você não tem tempo pra outro?

— Mais ou menos.

— Você não abriria uma exceção? — Perguntou.

Segurei minha respiração.

— Depende.

— De quê?

— Da pessoa. — Respondi.

Emmett passou a língua rapidamente em volta dos lábios e depositou sua atenção no sanduíche, eu voltei a ler as notas do livro e tentei não pensar que seus olhos estavam me observando, minhas pernas pareciam estar sentindo o reflexo do seu olhar e imediatamente as cruzei. Eu não deveria me importar, certo?

— Nós poderiamos ver um filme e depois você lê o livro, durante os próximos dias que vai ficar aqui. — Disse.

— Ótimo idéia. — Murmurei. Não era legal ficar naquele silêncio enquanto ele olhava pras minhas pernas. — O que você tem aqui em cima?

— Deve ter uns 15 ou 20 filmes, sempre trago novos e levo os velhos nos finais de semana, você pode escolher e enquanto isso vou pegar mais vinho. — Falou, acenei com a cabeça e deslizei para a comoda perto da televisão onde tinha alguns filmes. Coloquei o livro sobre ela e apanhei os DVD's procurando um que me interessava.

Em questão de filmes Emmett me surpreendeu novamente, a maioria era filme de ação e suspense, e dois de comédia romântica. Não eram de ficção como seus livros, talvez ele só gostasse de ler sobre o gênero. Escolhi o Sequêstro do Metrô 123, parecia bom pela sinopse e acenei pra ele.

— Nunca vi esse, comprei semana passada, boa escolha. — Disse.

Sentamos no sofá depois que ele colocou o filme, me deu a taça de vinho quase cheia e colocou a garrafa no chão próxima a nós, esqueci de acrescentar que a casa era um pouco fria porque não tinha janelas e o ar estava bem friozinho. Isso fez com que ele pegasse uma manta, não muito quente, só pra que não ficassemos com frio.

Outra atitude em Emmett me deixou um pouco curiosa, foi ele sentar na ponta do sofá longe de mim. Eu não sabia se iria me sentir bem com ele muito perto e sem que eu dissesse nada, Emmett pareceu entender isso e colocou o prato no meio de nós.

Não notei que antes mesmo que o filme completasse cinco minutos já tinha esvaziado a taça do vinho, ele gentilmente me ofereceu mais e tornou a encher minha taça. Emmett bebia bem mais rápido que eu e logo a garrafa de vinho estava vazia no chão, havia uma leve queimação na minha garganta mas logo ela passou.

— Você quer mais? Eu particularmente adoro vinho e tem mais uma garrafa. — Disse.

— Sim, obrigada.

A segunda garrafa acabou logo também, acabei me aproximando dele e colocando o prato no chão.

— Qual será o final? Sinceramente, não vejo muitas saídas. — Falei. Me sentia um pouco mais leve e uma queimação estava rodeando meu estomago mas, nada que me incomodasse.

— Na verdade, um cara pra começar um reboliço desse tem que ter pensado nisso. — Emmett falou, estavamos próximos então podia sentir seu hálito no meu ombro porque estava virada em direção a televisão o que me deixava quase se costas pra ele.

— Talvez, mas ele parece um pouco descontrolado. — Falei, percebi que ele se aproximou um pouco mais porque o sofá afundou um pouco mais. — Bem descontrolado em algumas partes e ele parece estar falando bem sério.

— E pessoas descontroladas não podem armar um bom plano? — Perguntou sussurrando bem próximo a minha orelha mas ainda sem encostar no meu corpo. Fechei meus olhos e senti sua respiração quase perto, senti uma enorme vontade de me curvar pra trás, meu corpo queria se mover sozinho e tive que segurar na beirada do sofá pra isso não acontecer.

— Acho que pessoas controladas pensam melhor. — Respondi. Dessa vez ele veio mais pra perto e seu abdômen encostou nas minhas costas. Segurei minha respiração e lentamente me curvei pra trás colando-me completamente à ele.

— Eu não sinto muito controle agora. Será que não estou pensando direito? — Indagou, encostando seus lábios na minha orelha. Eu senti um arrepio passar pelo meu corpo e apertei o couro do sofá. Sua mão suavemente deslizou pelas minhas costas e apertou levemente minha cintura antes de pousar na minha barriga.

— Eu não sei. — Sussurrei.

Ele deu uma risada e seu rosto pousou em um ombro, fixei meus olhos na televisão e tentei prestar atenção no filme mesmo com ele tão próximo a mim.

Não demos uma palavra e não nos movemos, só ficamos assim até o filme acabar. Quando as letras começaram a aparecer, seus dedos lentamente se desgrudaram de mim. O efeito do calor do vinho tinha passado, agora só me restava uma moleza, não era sono, mas era como um cansaço.

Emmett gentilmente se desgrudou de mim e se levantou pegando nossas taças e a garrafa do chão. Olhei pro céu e vi que o Sol já tinha sumido e iria escurecer logo.

— Eu acho que deveriamos descer antes de escurecer. — Emmett disse, concordei imediatamente. Minhas bochechas estavam ameaçando ficarem vermelhas toda vez que olhava pra ele e encontrava seu olhar encontrando com o meu.

Depois que ele ajustou algumas coisas, começamos a descer novamente pela mesma trilha que tinhamos vindo. Não falamos sobre nada, ele só me falou as mesmas coisas que tinha dito quando subimos, que tinha que tomar cuidado com as folhas e me equilibrar nos galhos que não tivessem pontas ou poderia me ferir.

Sem tropeços dessa vez, chegamos lá em baixo mais rápido e nos direcionamos diretamente pra casa.

— Ei, — Ele chamou antes de entramos, me virei e vi sua mão estendida com uma chave. — Quando quiser ir lá.

— Você não tem ciúme? — Perguntei cobrindo sua mão com a minha pra pegar a chave.

— Eu sei que você não vai causar danos. — Sorriu. Segurei a chave e senti seus dedos fecharem em torno da minha mão puxando-me lentamente de encontro à ele. — Bella... Eu não posso me envolver emocionalmente com ninguém. — sussurrou.

— Nem eu. — Murmurei.

— Mas, quero me envolver com você de alguma forma. Desde ontem, quando você ficou me olhando daquele jeito, você arrepiaria qualquer homem só com esse olhar...

— Ela sabe disso. — Disse. Mas essa voz não era de Emmett e quando me separei dele pra confirmar de quem era a voz, meu pulso acelerou. — Eu peguei o primeiro avião depois daquela ligação mas, agora vejo que poderia esperar até o final de semana. Enfim, me desculpem por atrapalhar, só queria desejar uma boa noite. — Edward falou casualmente pra nós com o deboche claro em sua voz.