Hello
24 Capítulo 24
Notas iniciais
24
— A senhora está bem? — Sam perguntou.
— Eu estou bem, Sam. Só estou preocupada com algumas coisas, estou pensando em fazer uma viagem mas isso faria com que Isabella chegasse quatro dias atrasada depois do começo das aulas. Mas o lugar é bem legal, vale a pena, não é filha? — Perguntou. Eu não sei o que deu em mim, mas essa reação tão protetora dela me fez sorrir feito uma boba.
— É, é sim.
— Nossa, isso é uma pena. Digo, você perder a festa, mas, se você quiser mesmo viajar posso te emprestar meu caderno quando você voltar e então pode pegar as lições importantes. Acho que estamos juntos em quase todas as turmas. — Falou.
— Isso seria ótimo! — Falei.
— Sam, você é um garoto maravilhoso. — Esme sorriu mas podia enxergar de longe seu olhar de preocupação e desconforto.
Quando Sam foi embora, notei como Esme parecia extremamente inquieta na frente do notebook procurando lugares para que pudessemos viajar. Sei que Carlisle não iria porque tinham combinado de deixar para curtir as férias no meio do ano quando ele iria tirar dois meses de férias. Jasper provavelmente ia ficar uma fera porque estava cheio de programas marcados com seus amigos e iria ter que desmacar todos por minha causa.
— Esme, Jasper não vai querer ir... — Murmurei.
— Carlisle não irá, ele pode ficar com o pai. — Respondeu pegando seu celular. — Tem um amigo meu que tem um sítio não muito longe, podemos ficar lá e aproveitar a cidade!
— Mas...
— Bella, preciso tirar você daqui por uns dias, por favor! — Esme disse.
— Eu só... Só não queria que tivesse que mudar todas suas férias por causa disso. — Murmurei.
— Por causa disso? Isso, Bella, é o que está atormentado você! É um assunto da nossa família e eu pararia meu mundo pra ajudar você, não vou deixar aquele louco se aproximar da minha filha nunca mais! Eu mudo meu mundo, mudo minha vida, mudo meus costumes, faço qualquer coisa, mas não vou deixar você ter lidar com a proximidade esse infeliz, me entendeu? Até conseguirmos provas necessárias, quero ajudar você e vai ser muito importante se você confiar em mim. — Disse em um tom elevado do que ela usava normalmente. — Então, só vá arrumar suas coisas e não se preocupe com o resto, pra se preocupar existem as mães.
Ela nunca havia falado comigo dessa forma, na verdade, fazia tempo que não escutava algo assim capaz de me deixar completamente sem palavras e surpresa. Se ela estava esperando me passar um pouquinho de confiança conseguiu fazer muito mais e nem mesmo percebeu.
Obrigada Esme, eu realmente precisava de algo pra me apoiar hoje.
No meu quarto não sabia exatamente o que colocar dentro das três malas abertas em cima da minha cama. Poderiamos ir para um lugar frio ou quente, talvez estivesse chovendo ou fazendo muito calor, por isso fiz questão de colocar sapatos de todas as formas na mala e no espaço que sobrou coloquei minha bolsa cheia de maquiagens e cremes para pele incluindo protetor solar.
As outras duas lotei com roupas e outras bobagens que poderia precisar, e finalmente uma bolsa com as coisas mais necessárias para uma garota.
— Bella, vamos sair hoje ás 22h, esteja pronta. — Esme disse passando pela porta do meu quarto com o telefone nas mãos e a agenda na outra, provavelmente estava ligando para alguém ou para Carlisle. Eu já imaginava o que Jasper iria dizer quando chegasse e Edward então...
Suspirei.
Que Deus me ajudasse porque isso estava me tirando do sério e bagunçando minha família.
Minha família.
Por volta das 19h fui tomar banho e me arrumar, não porque precisava e sim porque esse foi o horário que todos chegaram em casa e não queria ouvir a discussão. Mesmo que incômodo, o banheiro era o único lugar que os gritos não ultrapassavam as paredes.
Lavei bem meus cabelos em um banho perturbado pela imagem de James me perseguindo, pensava nas minhas amigas que estavam se relacionando com ele e tinha medo por elas. Esses pensamentos me deixaram ainda mais apreensiva, pensava que talvez ele pudesse estuprar qualquer menina sem que ninguém desconfiasse! Meu Deus! Apesar delas serem daquele jeito, me apertava o coração pensar que alguém ia se sentir um lixo como eu me sentia.
Quando finalmente tomei coragem para sair do banheiro, coloquei a primeira roupa que achei na frente e que fosse confortável para uma viagem. Eu não sabia se queria ir viajar ou correr até a casa de Jéssica e despejar todas essas coisas alarmantes em cima dela e pedir pra que mantesse as meninas longe desse infeliz destruidor de vidas.
Sequei meus cabelos espremendo-os contra a toalha não me importanto de puxar os fios e nem de secá-los direito. Deixei eles soltos e desci as escadas minutos depois com uma maquiagem leve no rosto que parecia me deixar menos nervosa do que estava.
— Bella, que bom que está pronta. Vamos sair em meia hora. — Esme disse.
Carlisle estava sentado no sofá ainda com a roupa do trabalho olhando fixamente pra mim.
— Está tudo bem, querida? — Perguntou.
Balancei a cabeça forçando um sorriso para deixá-lo tranquilo. Não fucionou mas ele não disse nada.
Ficamos em silêncio e então reparei que Edward estava encostado na parede próximo a porta da cozinha, sem dizer uma palavra e sem olhar pra mim também. Um clima gelado e pesado pareceu posar sobre a sala, ninguém parecia ter um assunto ou alguma frase que fosse contornar aquele momento.
Eu queria pedir desculpas por tudo que estava acontecendo mas achei melhor não me pronuciar, e correr o risco de começar outra discussão entre eles.
A campanhia tocou parecendo finalmente aliviar aquele momento, era como o Sol abrindo após uma tempestade porque todos relaxaram.
— Eu atendo. — Falei. Era covardia, mas estava fazendo de tudo para escapar do meio deles. Fui rapidamente em direção a porta para que ninguém resolvesse ir abrir no meu lugar.
Girei o trinco e abri a porta de forma escancarada, e examinei as duas pessoas que estavam paradas na minha frente. Jéssica estava com uma expressão de felicidade e com aquele jeito de que tinha várias novidades para contar, e James... James estava parado com o olhar calmo e um pequeno sorriso direcionado à mim.
James estava na porra da minha porta, sorrindo pra mim!
Eu senti dentro de mim a raiva borbulhar de forma descontrolada, tanta raiva que minha expressão se transformou em nojo principalmente quando olhei fixamente em seu corpo e depois em seus olhos frios que não tinham nenhuma culpa aparente.
— Bella, que saudades! — Jéssica disse se jogando em meus braços, eu estava gelada mas mesmo assim movi meus braços lentamente e retribui o abraço suavemente. — Eu não posso deixar você viajar! — Disse me sacudindo e olhando em meus olhos. — Vou fazer uma festa maravilhosa e você como minha amiga tem que comparecer. Não diga nada. Sam me disse que você vai viajar, mas se for realmente preciso você pode ficar na minha casa, meus pais vão falar com seus pais e eles podem viajar tranquilos, afinal eles se conhecem a anos. — Sorriu animada enquanto eu me mantinha com a expressão surpresa porque era a única que era real naquele momento. — E então, o que acha?
— Jéssica eu...
— Vamos, Bella! Vamos nos divertir tanto.
— É Bella, vamos nos divertir muito. — James disse suavemente olhando diretamente nos meus olhos.
Jesus.
Alguém tira ele da minha frente?
— Esme? Esme, cadê você? — Jéssica chamou, passando por mim e entrando na minha casa. Eu logo tratei de me virar para acompanhá-la mas uma mão firme e quente seguraram meus braços.
— Bella, você tem algo pra me dizer? — Perguntou. Eu me virei lentamente sentindo um turbilhão de emoções passarem dentro de mim com aquele toque, talvez meu corpo estivesse entrando em pânico ou se preparando para algo pior. — Não estranhe tanto essa pergunta, devia saber que eu ia notar o jeito que olha pra mim e como saiu correndo daquela festa quando me viu.
Agora eu estava em pânico.
As palmas das minhas mãos suavam frio e meu coração estava batendo intensamente como se eu estivesse correndo muito rápido.
Eu tinha que respondê-lo, mas meu Deus, parecia tão difícil abrir a boca e dizer alguma coisa que não fosse me comprometer que continuei muda olhando em seus olhos.
— Ok. — Disse finalmente quando notou que eu não ia dizer nada. — Se não quer pelo menos tentar uma amizade ao menos prometa não me olhar dessa forma, Jéssica vai acabar notando e acredite, ela é bem mais insistente que eu. — Sorriu soltando lentamente meu braço.
Meu corpo pareceu se acalmar, era como se o alarme de um carro tivesse desligado e parado de incomodar. Forcei meu coração a se acalmar porque não podia expressar nenhuma reação enquanto ele estivesse batendo loucamente.
Minha respiração foi se restabelecendo e relaxei meu corpo até conseguir mudar a posição das minhas pernas e encarar James de uma forma que entregasse menos o que eu sentia. Apesar de ter aliviado minha expressão, meu corpo e mente continuavam tensos e em alerta, me sentia frágil e incrivelmente desprotegida mesmo sabendo que era só virar pra trás e gritar.
Talvez meu primeiro encontro com ele e todos meus pensamentos sobre James tinham aliviado meu pânico aparente, mas, por dentro continuava a mesma coisa. Só em olhar pra ele sentia um temor absurdo e lembranças extremamente dolorosas voltavam a dominar minha cabeça.
— Eu não sei. — Eu disse. Ok, isso foi uma bosta mas foi a única coisa que consegui achar na minha mente. Tentei fazer minha voz parecer normal e fucionou um pouquinho, se ele não me reconheceu então não iria perceber o leve tom de nojo que eu carregava nas minhas palavras. Mas, se James fosse realmente bom em reparar nas pessoas, veria todo ódio que devia estar transbordando nos meus olhos. — Não lido bem com pessoas ousadas. — Completei por fim. Não era mentira, ele tinha sido ousado... E muito ousado! Ele me violentou! Tinha ousadia maior do que essa? Ousadia maior do que entrar na casa de uma garota abandonada e fazer da vida dela um inferno?
— Por causa da festa? — Perguntou. Eu não respondi, já tinha sido extremamente difícil falar alguma coisa porque minha mente estava exausta de tentar lutar contra as minhas emoções. — Me desculpe. Bella. Jéssica falou muito sobre você e achei que ela tinha falado sobre mim também, sendo assim cheguei achando que você já me conhecia.
Me desculpe.
Me desculpe.
Me desculpe.
As palavras dele ecoaram na minha mente trazendo lembranças sombrias e fazendo meu estômago revirar, me sentia enjoada e era como se tudo que eu tivesse comido quisesse voltar novamente e ir diretamente para aquele rosto que estava em minha frente com uma expressão estranhamente angelical.
O que eu ia fazer agora?
— Bella?
Ah meu Deus, obrigada Edward por aparecer neste momento.
Você já teve um sonho que estava se afogando e alguém aparecia e lhe puxava para a surperfície? Seu ar voltava novamente para os seus pulmões e você finalmente cospia toda aquela água que estava na sua garganta fazendo você engasgar? Era assim que me sentia nesse momento, como se Edward tivesse me salvado de um afogamento. Um afogamento de águas escuras como meu ódio e dolorosas como minhas lembranças.
Me virei para trás com medo que James segurasse meu braço novamente e corri até ele, e sem me dar conta do que estava fazendo segurei o braço de Edward com força olhando em seu rosto e implorando mentalmente pra que ele me tirasse dali.
— James, como vai? — Perguntou com a voz estranhamente normal.
— Edward, quanto tempo. Estou ótimo e você? — Sorriu. — Você tem uma bela irmã, fale bem de mim pra que ela não continue pensando que eu mordo.
— Pode deixar, vou contar todas nossas besteira dos tempos de calouros. — Edward respondeu com um sorriso, eram como velhos amigos e se as mãos de Edward não estivesse com os punhos cerrados, diria que ele não guardava nenhuma raiva de James.
— Assim você estraga minha bela reputação. — Disse, dando uma gargalhada. Edward sorriu também e colocou seu braço em torno do meu ombro como qualquer irmão faria. — Temos que marcar pra sair qualquer dia desses, estarei na cidade pelos próximos dois meses e quero recuperar algumas coisas que perdi.
Após pronuciar essas palavras seus olhos se encontraram com os meus e senti um frio percorrer minha espinha, rapidamente procurei outro lugar para olhar me livrando daqueles olhos que tinham me causado tantos pesadelos.
— É claro, se você passar seu celular ou email podemos marcar qualquer dia aí que estivermos sem nada pra fazer. — Edward disse. — Também estou louco pra fazer algumas coisas que não fiz.
Depois de ambos trocarem emails e números de telefone, Jéssica finalmente voltou lamentando o fato de Esme não ter deixado que eu ficasse. Eles enrolaram mais alguns minutos e depois finalmente foram embora, meu corpo tenso e minha mente exausta agradeceram em conjunto quando James entrou no carro e partiu.
— Você está bem? — Edward perguntou enquanto olhavamos juntos o carro desaparecer na curva seguinte.
Ele não devia ter perguntado isso, realmente não devia porque tudo que consegui responder foi um soluço que escapou pelos meus lábios trazendo com ele lágrimas e tremores. Era como descarregar toda aquela tensão de uma vez atráves das inúmeras gotas que deslizavam pelo meu rosto que agora estava enterrado no ombro forte de Edward.
Eu realmente não queria estragar os últimos dias de férias de Esme mas, confesso que estava aliviada por estar saindo da cidade por algumas semanas. Era tempo suficiente pra que recuperasse e pudesse pensar em estratégias e em frases que diria quando me perguntassem ou falassem algo sobre James, era difícil e muito estranho tê-lo em minha vida, era sufocante na verdade, mas, não era algo que podia me livrar em alguns segundos por isso teria que costurar essas cicatrizes sem anestesia.
— Acho que o voô será silencioso. — Ela finalmente falou quando nos acomodamos nas poltronas do avião. — Da última vez que viajei, tinha uma mulher passando mal do meu lado, foi bastante conturbado.
Eu sorri e me ajustei melhor, pelo menos ela estava tentando puxar algum assunto. As poltronas atrás de nós estavam vazias e só havia um rapaz nas duas da frente, as poltronas que ao nosso lado estavam separadas pelo corredor e eram ocupadas por um casal que estava vendo algo em seu notebook. Parecia que iria realmente ser um voô silencioso.
— Filha, — Esme falou depois de um silêncio de quase meia hora. — Talvez não queira falar nesse assunto, com certeza não quer mas... Eu tenho algumas curiosidades, não que seja curioso o que aconteceu, é que... Queria saber como você se sente hoje e essas coisas, porque me sinto um pouco deslocada com toda essa situação. — sussurrou.
Notei que ela torcia as mãos de forma nervosa e quase sorri com todo esse desespero dela. Pensei em algumas coisas que poderia dizer ocultando algumas verdades mas não queria mentir pra Esme em momento nenhum, devia estar sendo muito difícil aceitar tudo isso e pensando no que Edward havia me dito, ela devia se achar uma inútil sabendo que nem a filha não confiava nela.
Suspirei.
— O que você quer saber exatamente? — Perguntei.
— Edward me contou algumas coisas mas, gostaria de ouvir de você... Tudo de você. — Murmurou. — Se não quiser falar sobre isso, eu entedo perfeitamente.
— Não, tudo bem. — Falei, ela assentiu esperando que eu começasse. — Estava chovendo muito naquela noite e ele estava gritando o nome de Charlie lá fora...
— Charlie é seu pai, certo?
— Era.
— Quando adotamos você, nos informaram que ele estava preso, eu pensei que não te contar seria melhor porque não sabiamos muito sobre você. Aliás, nem queriam que adotassemos você por falta de informação e essas coisas todas, mas eu adorei seu jeito então, que se dane o que eles acham, certo? — Ela disse, eu sorri.
— É. Isso foi muito legal da parte de vocês. — Murmurei. — Bom, Charlie estava devendo algo pra James e ele resolveu cobrar de mim, eu não sei bem como aconteceu mas teve muita dor e acho que ele teria feito pior se Marta não tivesse chegado.
— Marta?
— Era minha vizinha. — Suspirei. — A polícia veio mas, as investigações iriam demorar alguns dias e eu estava em pânico e sem proteção alguma, em algum momento perdi a razão, juntei algumas coisas e sai pelas ruas sem destino e sem dinheiro. Minha sorte foi Rosalie me encontrar, ela... Ela me levou pra um abrigo e depois de algum tempo finalmente me colocaram pra doação e aqui estou eu. Na verdade, acho que tive muita sorte de ser encontrada por uma família como vocês, isso foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos tempos.
— A sua mãe morreu em um acidente, não foi? — Perguntou.
— É, foi sim.
— Deve ter sido muito duro pra você, é uma pessoa muito forte. — Disse passando seu braço em volta de mim. Eu suspirei. Já tinha escutado isso antes e sinceramente, não acreditava em toda essa força.
O sítio que o amigo de Esme tinha não era um sítio qualquer, era O SÍTIO, daqueles que você vê em filmes e imagina as férias perfeitas para relaxar. Ele pegava uma grande parte da estrada por isso consegui ver bastante coisas antes de estarcionarmos em frente ao grande portão branco.
A viagem do aeroporto até o sítio tinha durado exatamente 4 horas e minha bunda estava implorando para levantar do banco do táxi. Assim que ele parou de vez, pulei pra fora do veículo e me alonguei fazendo minha mãe sorrir enquanto colocava o casaco. Esme parecia impecável, apesar de já ser 4h15 da manhã.
Bocejei enquanto olhava na direção de dois homens saindo pelo portão, agora aberto.
— Esme! — O mais alto disse abraçando-a tirando ela do chão.
Quando ele me olhou, algo me pertubou, sua semelhança com Jasper era notável, se estivesse conhecendo-os hoje diria que era pai dele. Fiz de tudo para que Esme não percebesse meu comportamento e tratei de comprimentar o outro rapaz, agora olhando bem pra ele, era extremamente bonito e forte, muito forte.
— Eu sou Emmett. — Disse estendendo sua mão, não pude evitar de olhar bem em seus olhos, parecia ser tão calmo e amigável que estendi minha mão e toquei a sua devagar em um aperto rápido.
— Bella. — Murmurei, forcei um sorriso e ele piscou, não de forma sensual e sim divertida, e isso me deu um pouco mais de segurança.
— Filha, quero que conheça meu grande amigo, Marcus. — Ela disse, eu acenei com a cabeça e ele sorriu, exatamente como Jasper. Minha cabeça buscou inúmeras desculpas para essa semelhança, porém, a lembrança de Edward dizendo que ela havia traído Carlisle, fez essas coisas se tornaram ainda mais intensas.
As pessoas se pareciam, isso era normal, por que isso estava me atingindo tanto? Era só semelhança, só isso!
Eu queria mesmo acreditar no que minha mente estava dizendo...
— É um prazer conhecê-la, Esme não me disse que você era linda assim. — Disse calorosamente me fazendo corar imediatamente. Emmett sorriu e eu fiquei ainda mais embaraçada. — Oh, me desculpe, não prentendia deixá-la envergonhada. — falou.
— Você é muito bom nisso. — Esme disse, ele voltou seus olhos pra ela e sorriu.
— Confesso que fiquei surpreso com sua ligação, — disse pegando algumas malas que o táxista tinha colocado no chão, me movi pra pegar as minhas mas Emmett tomou minha frente e as segurou como se fossem sacolas com compras de supermercado. — Não esperava que viesse me ver, mas fico feliz pela sua presença. — Marcus falou, Esme sorriu e ambos começaram a caminhar em nossa frente. Quando ele moveu todas as malas pra uma mão só e passou o braço em torno dos ombros dela, uma sensação estranha me invadiu. Felicidade por ela parecer tão confortável e receio de que aquele homem tenha sido o amante dela.
— E então, o que você gosta de fazer? — Emmett perguntou.
Confesso que estava totalmente distraída com a beleza daquele lugar. Estavamos passando por uma ponte e o lago abaixo de nós brilhava sob a luz dos postes e da Lua, era uma visão de tirar o fôlego! Havia estátuas impressionantes na beirada, uma que me chamou atenção foi o anjo, era enorme e com asas abertas, e ficava mais lindo ainda com a iluminação.
Suspirei virando-me pra ele.
— Bom, eu... Gosto de vôlei, jogo no time da escola. — Falei, ele apertou os lábios e o silêncio caiu sobre nós, talvez eu estivesse sendo grosseira... Emmett parecia extremamente hospitaleiro e não queria que ficasse com uma impressão errada sobre mim, poderia deixar meu medo de lado só um pouquinho e tentar conversar de um modo normal com ele. — E você, o que faz?
— Bom, eu faço eventos nos finais de semana e faculdade de Engenharia, segundo ano. — Disse.
— Uau, você... Você não parece ter toda essa idade. — Mordi os lábios, ele sorriu chutando uma pedra no caminho.
— Não que eu seja exatamente um velho, — sorriu, me fazendo sorrir levemente também. — Só tenho vinte e um, não é grande coisa.
— Realmente. — Concordei, imitando o que ele tinha feito e chutando uma pedra que estava no meio caminho. — Hum, e o que tem de interessante para fazer aqui? — perguntei.
— Você chegou no meio da semana, não vai ter grandes coisas pra fazer, mas aqui é bem grande e você pode usar seu tempo livre pra nadar, cavalgar ou sei lá, ajudar no trabalho. No final de semana tem sempre festa e churrasco, depois que ficar esse tempo, não vai querer mais voltar pra sua casa. — Disse, eu assenti, era realmente tentador ficar nesse lugar e longe de James.
A casa para qual estavamos caminhando tinha cinco andares, era de pintura branca e seria quase sem vida, se não fosse pelas janelas decoradas com um tom marrom escuro, o local era todo iluminado e mesmo sendo noite, conseguia enxergar perfeitamente.
Um evento soprou em meus cabelos e os levou direto para meu rosto, a brisa era suave e o local cheirava a mato e natureza, a única coisa que se ouvia era as risadas de Esme e Marcus e o barulho as folhas das árvores se movendo.
Subimos uma pequena escada em direção à porta, Marcus a abriu mesmo com as mãos cheias de malas e isso lhe fez parecer um perfeito cavalheiro com Esme. Emmett parou na porta e fez sinal para que eu entrasse primeiro, a porta não era exatamente apertada mas, o local nde passei fez meu corpo raspar levemente no dele.
Um toque rápido, um encontro de olhares e então deslizei pra dentro esquecendo-me completamente dele ao ver a aconchegante decoração daquela sala. Esme nunca havia me dito que estavamos indo para a casa dos sonhos, Emmett deve ter notado o quão maravilhada eu estava porque sorriu e balançou a cabeça me empurrando delicadamente para frente para que pudesse fechar a porta.
— É maravilhoso, não é? — Esme perguntou, eu acenei com a cabeça. — Sei como se sente, também fiquei assim quando vim pela primeira vez, Marcus sabe fazer uma decoração incrível.
— É realmente lindo. — Sussurrei.
— Obrigado, assim vocês colocam meu ego lá em cima. — Disse, fazendo uma reverência descontraída. Esme lhe deu um tapinha gentil e ele a abraçou, eles eram realmente amigos, pareciam se gostar muito e prometi a mim mesma, naquele momento, que iria levar esse carinho todo como se fosse somente amizade.
— Emmett, mostre o quarto em que Bella irá ficar, ela deve estar extremamente cansada. — Disse.
Só então me lembrei que estava morrendo de sono, o táxista havia dirigido rápido demais e não tinha conseguido tirar uma soneca, bocejei imediatamente e me despedi dos dois seguindo Emmett em direção as escadas. Iria olhar toda essa decoração depois que acordasse, os detalhes eram fascinantes e me perguntava como uma pessoa podia pensar em tudo aquilo de uma vez só.
Subimos mais uma escada e paramos logo na primeira porta, ela já estava aberta por isso Emmett entrou nela e colocou minhas malas no canto. O quarto era lindo, extremamente aconchegante e claro, Marcus parecia adorar cores suaves com toques fortes.
— Espero que goste, — Disse me fazendo um sinal pra que eu entrasse, dei alguns passos e examinei melhor o local. — Se você precisar de alguma coisa, eu fico no quarto ao lado, tem toalhas na terceira porta e o banheiro é a segunda porta à direita. Vou deixar a porta aberta pra você não se confundir. — sorriu, olhando-o melhor, tinha traços bem fortes mas sua boca era delicada, os olhos azuis transpareciam inocência e os cabelos loiros aparentavam ser macios, sua barba por fazer lhe dava um aspecto mais maduro porém quando sorria, suas covinhas revelavam que ainda era muito novo. — Eu... Eu vou pro meu quarto. — Murmurou.
Só então reparei que estava encarando-o sem nenhum poder, de uma forma que deixaria qualquer pessoa sem graça. Envergonhada, abaxei meus olhos e coloquei meus cabelos atrás da orelha tentando parecer normal.
— Obrigada, Emmett. Chamarei se precisar. — Sussurrei, ele acenou e calmamente se retirou do quarto fechando a porta atrás de si.
Qual era o meu problema?
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