Hello

23 Capítulo 23


Notas iniciais
Genteeeeeeeeeeeee, mais um cap *-*
tenho que dizer que daqui em diante vamos ter revelações e umas coisinhas mais pesadas.
Espero que gostem *-*

23

Esme estava molhando as plantas do lado de fora quando cheguei, o táxi havia sido pago por Alice, por tanto só peguei as minhas coisas e desci do carro.

O barulho dos meus sapatos atraiu Esme e ela abriu um enorme sorriso quando me viu. Não era segredo nenhum que Alice tinha me deixado mais bonita, meus cabelos estavam cortados na altura do ombro, a cor dele era um castanho escuro porém suas pontas destacavam um castanho claro, não muito forte mas notável.

A maquiagem era leve, mas ela havia mudado minhas sobrancelhas, elas estavam um pouco mais finas e arqueadas de forma arrogante, isso me tirou aquele aspecto de menina e com o lápis de olho fiquei com a aparência de uma mulher indiferente, o que deixou Alice muito satisfeita.

— Ah meu Deus, você está muito linda. — Esme disse. Eu queria forçar uma certa simpatia, mas lembrar que ela sabia de tudo me deixava um pouco retraída, ela deve ter notado isso porque me ajudou com as sacolas e caminhou comigo para dentro de casa sem nenhuma palavra. — Você está com fome?

— Um pouquinho.

— Ótimo, porque eu estava fazendo uns biscoitos, tenho certeza que já estão prontos. Se quiser posso levar no quarto pra você.

— Claro, estou mesmo com fome. Obrigada Esme. — Murmurei.

Quando finalmente entrei no meu quarto, tirei os sapatos e os chutei para o canto porque não aguentava mais me equilibrar naqueles saltos enormes. As sacolas ficaram espalhadas em cima da minha cama, e fui direito para o banheiro lavar minhas mãos e meu rosto. Alice havia me dito algo sobre rabo de cavalos apertados prejudicarem o cabelo, mesmo assim ignorei e prendi meus cabelos no alto na cabeça pra relaxar do calor.

— Bella. — Edward disse entrando no meu quarto sem pedir nem mesmo licença. Me virei para ele e me esforcei para parecer indiferente mesmo que minha língua estivesse inquieta dentro da minha boca ardendo com a vontade de falar tudo que estava preso dentro de mim desde ontem. — Eu posso-

— Não, agora não. — Falei interrompendo-o.

— E quando será? — Perguntou. Ah Edward, por que você tem que tentar? Por que não pode simplesmente me ignorar?

Suspirei.

— Você não deveria nem mesmo vir aqui depois do que fez. — Falei.

— E o que eu fiz? A única coisa que tentei fazer foi te ajudar, James aqui é além de você e além de mim. Precisavamos de uma ajuda maior e essa ajuda está em Esme e Carlisle, se aquele desgraçado viesse aqui ontem, Esme deixaria ele entrar porque ele é irmão da Jéssica e ele te encontraria no seu quarto sem problema nenhum. — Falou. — Você se deu conta disso? Se deu conta de que só você saber pode dar liberdade pra ele fazer o que quiser? Ninguém iria lhe proteger dele porque não saberia que ele já te fez mal. Então, o que eu fiz? Eu só tentei ajudar você, porque você não tem coragem de ajudar a si mesma. Já pensou se ele fosse até a sua escola? E se te colocasse dentro de um carro? Ele é o irmão da sua amiga, quem iria desconfiar de alguma coisa? — sorriu ironicamente. — Ah, você nem mesmo pensou nisso porque estava ocupada projetando a imagem de intrometido que eu tenho.

Ele estava certo, mas droga, ele ainda não tinha direito de se meter nisso sem minha permissão.

— Você não tinha o direito de decidir o que é melhor pra mim, não tinha o direito de revelar algo pessoal sem a minha autorização. Dane-se seus motivos, dane-se se você estava tentando ajudar. É minha vida, Edward. Você não entende merda nenhuma de traumas emocionais, não entende nada de nada e se quer realmente me ajudar, fica longe de mim!

Um pigarro atraiu nossa atenção para Esme parada na porta com uma bandeja na mão.

— Se querem mesmo discutir, tenham bom senso de fazerem isso com a porta fechada. — Disse colocando a bandeja em cima da mesa próxima a porta e voltando novamente em passos rápidos, fechando a porta logo quando saiu.

Eu fitei Edward surpresa.

— Desde quando ela me deixa sozinha com você? — Indaguei amargamente.

— Desde que ela sabe o que eu sinto. — Murmurou.

— Ótimo, agora sai do meu quarto. — Falei, se ele começasse falar de sentimentos ia me derrubar e eu queria manter essa expressão forte que estava no meu rosto agora. — E eu não estou pedindo dessa vez.

— Quando é que ficou agressiva dessa forma? — Perguntou se movendo na minha direção.

— Desde que tenho minha privacidade invadida. — Respondi, no mesmo tom arrogante que ele estava usando.

— Bella, — sussurrou daquele jeito que quebrava todas minhas fortalezas. — Seja honesta consigo mesma, você nunca iria contar pra eles.

— Eu iria sim.

— Não, não iria. — Suspirou. — Bella, eles estão tentando ser ótimos pais pra você, saber que você não confia neles a ponto de sofrer sozinha é doloroso pros dois, principalmente pra Esme. Eu sei o quanto tudo aqui mudou pra você se sentir em casa, mal reconheci minha própria mãe quando voltei, ela nunca foi tão amorosa e tão presente quanto está sendo agora. E o que eles recebem em troca? Saber que você é infeliz aqui? Bella, eu não queria acordar um dia e descobrir que você fugiu porque não suportava mais esse lugar, não queria presenciar a dor deles e tive que interferir antes, porque você não queria contar nada e não diga que é mentira porque não contaria nem pra mim se eu não tivesse arrancado de você.

— E esse é um dos motivos que você deveria levar em conta antes de contar pra eles. — Falei, balançando a cabeça e deslizando até sentar na minha cama. Era ruim quando ele abaixava a guarda assim e falava daquele jeito comigo, eu não conseguia sentir mais raiva dele. — Durante esses últimos meses, a única coisa que consigo sentir é pena de mim mesma e não é fácil pensar diferente quando todo mundo que sabe da sua história lhe olha da mesma forma. Todos os dias no orfanato, meninas eram adotadas e eu não me importava de não ser eu porque ali dentro todas tinha uma história diferente e você não precisava se sentir inferior por ser a única com um passado ruim. Mas aqui... Aqui todos tiveram boa infância, aqui todos tem seus pais verdadeiros e nenhum deles tem ódio do pai porque ele deixou você ser... Ser machucado por outra pessoa. — uma lágrima caiu, sem minha permissão e eu desisti de tentar ser forte. — Eu não queria que ninguém soubesse Edward, porque queria que me olhassem normalmente pra que eu pudesse me achar dessa forma também, entende? Sabe, sem ter pena de mim mesma, sem que os olhos das pessoas lembrassem meu passado e sem que elas tentassem curar o que tá dentro de mim. Edward, eu não estou quebrada, não preciso de conserto, não é um psicologo ou vocês que vão me ajudar com isso, entende? Isso tem que curar, mas não é me tratando como se eu tivesse uma doença que vai resolver. Não é egoísmo, não é burrice e não é medo, é só vontade de esquecer, porque, mesmo que James suma da minha vida, os olhares vão continuar os mesmos e essa parte me dói mas do que quando lembro que ele está aqui de novo. — e mais outra lágrima caiu, e mais outra e várias delas rolaram pelo rosto, e quando abaixei a cabeça senti os braços deles me agarrarem e eu deixei ele me arrastar até ele e me colocar em seu colo como uma criança. — Eu só não queria que as lembranças doessem tanto, Edward... Eu não queria que tivesse acontecido comigo, não sei o que eu fiz pra merecer isso, sabe? Eu sinto tanto medo e tanta falta de alguém em que posso confiar, eu quero tanto a minha mãe de volta, quero a família que eu tinha antes mas não consigo nem mesmo lembrar do meu pai sem ter vontade de culpá-lo de tudo. Não consigo perdoá-lo. Não consigo se livrar da falta da minha mãe e não consigo esquecer o que James fez comigo. — solucei e ele me apertou ainda mais contra ele. — Eu só queria que parasse tudo isso, por um momento, que eu esquecesse de tudo e que as pessoas me olhassem diferente, como minhas amigas me olham, como Alice me olhou e como você me olha ás vezes quando está comigo, é quando eu me sinto normal e igual a todas as meninas.

Queria continuar falando mas não consegui, minha voz embargou e as lágrimas rolaram pela minha bochecha indo de encontro a camiseta dele. Para o meu alívio ele não disse nada, só me abraçou e me manteve assim enquanto eu afogava toda minha dor nele, e toda a arrogância que eu tinha projetado para usar com Edward que tinha ido embora junto com as minhas lágrimas.

Os braços de Edward eram muito aconchegantes, o cheiro dele e a forma que me abraçava me deixava confortável, eu poderia dormir ali se não tivesse voltado para a realidade com um som que reconheci como meu próprio soluço. Mesmo depois das lágrimas terem secado, meus braços ainda sacudiam levemente e foi em um desses tremores que me dei conta que era hora de me afastar.

É certo que minhas barreiras contra ele haviam sido derrubadas e minhas armas estavam todas no chão, meu corpo e minha mente estavam cansados demais para que eu pensasse em formar uma nova barreira e mesmo que quissesse não conseguiria com ele tão próximo. Como eu não sabia escapar de outra forma, a única coisa que iria saber fazer é fugir pra ficar sozinha e pensar em coisas inúteis como as compras e as dicas de moda que Alice havia me dado.

Apoei minhas mãos em seu peito e fiz menção de me afastar, Edward pareceu um pouco relutante em tirar seus braços de mim porém não disse nenhuma palavra, se afastou, mas, não completamente porque sua mão ainda estava apoiada na minha cintura. Sua outra mão deslizou pelos meus cabelos e enrolou-se neles brincando com os fios macios de forma lenta e carinhosa.

Os olhos verdes estavam novamente me fitando de forma que chegava a ser contransgeador, olhando diretamente para seu rosto podia ver suas bochechas se moverem e sua expressão mudar lentamente transformando-se em uma expressão de desejo.

Não havia palavras e sabia o que viria a seguir mas dessa vez eu queria escutar minha mente, se tivesse feito à meses atrás minha vida não estaria dessa forma. Ou talvez estivesse, tanto faz. Tudo que eu deveria fazer agora era me afastar e não deixar aquela vontade me dominar.

— Eu estou com fome. — Murmurei.

Palmas pra você Bella, isso foi completamente idiota.

— Fome?

— É, eu... Eu vou comer os biscoitos que Esme deixou e preciso ver algumas coisas. — Falei tentando não me embaraçar, por que não era mais fácil dizer que não queria beijá-lo? Não! Na verdade queria, só estava tentando evitar estar perto demais, correndo o risco de falar demais e depois sofrer as consequências disso.

— Tudo bem, vou deixá-la sozinha. Desculpe. — Disse.

Me deu uma vontade enorme de chamá-lo quando ele começou caminhar em direção a porta, mas a porta fechou antes que eu tivesse coragem de abrir a boca para dizer algo.

Deitei na cama ainda quente e revirei algumas vezes, depois decidi deixar isso de lado e ir comer enquanto visualizava alguns sites de moda que Alice tinha anotado para que eu pesquisasse depois.

Não desci pra jantar e Esme pareceu compreender isso tanto que trouxe meu jantar no quarto enquanto eu conversava com Alice no telefone. Descoversei o assunto quando ela entrou e só voltei a falar de Edward alguns minutos depois.

— Ah Bella, ele parece ser tão gentil. — Ela disse do outro lado enquanto batia em alguma coisa.

— E ele é, Alice. Esse é o problema. Não consigo maltratá-lo para me afastar e não vou conseguir me afastar de outra forma, se ele não tivesse dito nada ainda estaria com raiva e seria tão fácil odiá-lo, mas não, ele tem que vir aqui e mostrar seu outro lado e acabar comigo. Eu não posso com isso. — Murmurei.

— Faça o seguinte, pare de resistir.

— Mas Alice, hoje você disse que eu deveria...

— Eu sei o que eu disse. — Falou, me interrompendo. — Mas se você continuar forçando esse ódio vai acabar se apaixonando, tem que tentar agir naturalmente e não controlar tanto o que sente porque se fizer isso ele vai destruir você sempre e uma hora vai ter que parar de fingir.

— Eu não estou fingindo ódio, eu realmente o senti hoje.

— Não Bella, o que sentiu foi raiva. Ódio é o que você sente pelo cara que lhe estuprou e se for comparar não chega aos pés do sentimento que tem por Edward. — Disse. Eu suspirei cerrando meus dentes, era só ela citar James e eu lembrar que ele estava mais próximo do que eu imaginava que sentia vontade de pegar uma arma e dar um tiro naquela bosta de pênis para que ele nunca mais ferisse uma garota da forma que me feriu.

— Eu vou desligar Alice, preciso de um banho. — Falei, tentando terminar com aquela droga de assunto.

— Tudo bem, lembre-se das sugestões que lhe dei. Nós falamos amanhã.

— Ok, tchau.

Depois do banho quente, vesti roupas leves e deitei trazendo o cobertor para cima de mim, desliguei a luz do abajur e apoei melhor minha cabeça no travesseiro. Essa era a hora em que eu pensava sobre tudo que já tinha acontecido na minha vida, algumas vezes me centrava em pensar em uma coisa só e acabava tendo sonhos ou pensadelos em cima disso.

A primeira coisa que veio em minha mente foi pensar em James, mas evitei e desviei meus pensamentos para Edward. O incrivel é que tudo que consegui foi lembrar de seus dedos me tocando e língua chupando suavemente meu pescoço. Perturbada, coloquei minhas mãos em baixo do travesseiro e tentei me concentrar em procurar o sono.

Não deveria deixar Edward invadir meus pensamentos de forma tão pervertida, queria lembrar dele com um pouco de raiva, mas depois do que ele tinha me dito me dei conta de que mais uma vez ele estava certo. Se James tivesse vindo na minha casa ontem, ninguém suspeitaria que ele era o filho da puta que tinha acabado comigo, porém se o encontrasse agora com certeza não seria como da outra vez. Eu não iria me entregar tão facilmente, hoje eu era capaz de matá-lo ou me matar somente para não passar por aquilo novamente.

E meu Deus, por que estava com pensamentos tão raivosos? Era melhor parar antes que se tornasse mais intenso, afinal, James não era digno de nenhum sentimento vindo de mim, nem mesmo um sentimento tão desprezível como o ódio.

Que tal pensar sobre as conversas das meninas? Seria divertido agora escutar sobre os micos que cada uma tinha passado em relações sexuais... Porque... Porque... A escuridão estava tão próxima e... E o sono chegou.

— Bella? — Edward sussurrou do meu lado, primeiro procurei acordar totalmente para saber de onde vinha aquela voz e então senti a respiração morna no meu ombro e me virei lentamente para Edward que me envolveu em seus braços. — Eu estava com saudades.

— Eu sei, eu também. — Murmurei inclinando-me para tocar seus lábios.

Seus dedos enrolaram-se nos meus cabelos e sua boca cobriu a minha em um beijo tão calmo mas que surtiu um efeito tão sensual que meu corpo todo se inclinou na direção dele. Sua perna nua deslizou por cima das minhas esfregando minha coxa na sua e juntando nossos corpos de um modo quente.

Seu corpo ficou em cima de mim e inclinei meu corpo pra frente como se estivesse me doando à aquelas carícias que suas mãos proporcionavam, carícias que deslizavam dos meus ombros até minha cintura.

BIP! BIP!

Sem que conseguisse ficar parada, arranhei seu quadril notando que ele estava totalmente nu e procurei loucamente pelo seu membro, esperando que ele entrasse logo onde deveria estar porque não aguêntava mais somente sentir esse calor. Precisava ser preenchida por ele.

BIP! BIP!

— Toca Bella, eu quero suas mãos nele. — Sussurrou, beijando minha orelha. Me contorci em baixo dele tocando-o desesperadamente à espera de achar logo o que queria.

BIP! BIP!

Lentamente abri meus olhos procurando pelo barulho que estava escutando e Edward desapareceu juntamente com o calor do seu corpo. Passei a mão nos meus cabelos olhando para o relógio na cômoda que marcava 02h45 da madrugada, me dando conta de que havia sonhado sentei na cama e peguei o celular que estava emitindo esse BIP irritante pra anunciar a falta de bateria.

Minha testa estava levemente suada e procurei qualquer coisa que fosse prender meu cabelo, depois caminhei para o banheiro e lavei várias vezes meu rosto com água fria escovando até os dentes para que finalmente o calor passasse e eu pudesse voltar a dormir.

As imagens continuavam na minha cabeça e pareciam tão reais que toda vez que relembrava, tornava a sentir aquele mesmo calor que subia do meio das minhas pernas e fazia minha testa suar.

— Droga. — Murmurei pra mim mesma calçando os chinelos para ir até a cozinha. Havia um abajur no corredor que sempre ficava asceso mas dessa vez ele estava apagado, o corredor só não estava totalmente escuro porque a luz do quarto de Edward estava ascesa.

O que ele estaria fazendo acordado à essa hora?

Eu sabia que não devia estar indo até o quarto dele conferir mas talvez ele já estivesse dormindo e só tinha esquecido a luz ascesa. Talvez estivesse acordado e de costas e não me veria ali, talvez me visse mas eu podia inventar que tinha ido ver o porquê da luz estar ascesa e talvez ele acreditasse nisso.

Inclinei-me só um pouco para ver o que ele estava fazendo e me deparei com Edward sentado na cadeira, com um café em cima da mesa e biscoitos em um prato. Seus olhos estavam focados no livro que tinha em mãos de forma que ele nem mesmo notou a minha presença, olhei melhor para ver o nome e arqueei a sobrancelha.

CURA PARA OS TRAUMAS EMOCIONAIS — DAVID A. SEAMANDS.

Por que Edward estava lendo sobre esse assunto? Não era o tipo de livro que interessava um cara como ele, está certo que ele tinha estudado psicologia mas não trabalhava no ramo e até onde eu sabia, não pretendia continuar a faculdade. Ele retirou os óculos de grau, aqueles dois pequenos quadrados de vidro que escondiam seus belos olhos, e sua boca formou um biquinho para que ele suspirasse suavemente olhando em torno do quarto e ao girar sua cabeça posicionou seus olhos verdes em mim.

— Bella? Eu não sabia que estava aí. — Murmurou colocando o livro em cima da mesa e se virando pra mim completamente. — A luz ascesa está incomodado você? — perguntou.

— Não, eu estava descendo pra ir beber água e achei que você tinha esquecido a luz ascesa. Só isso.

— Não quer entrar? — Perguntou.

— Ok, um pouquinho. — Sussurrei dando longos passos para dentro do quarto e fechando a porta atrás de mim.

Edward ficava tão sensual quando estava assim, sentado com as pernas abertas, uma calça jeans desbotada cobrindo suas coxas grossas e uma camisa aberta até a metade do peito macio e ao mesmo tempo selvagem. Seus cabelos estavam bagunçados de forma rebelde o que o deixava tão gostoso de olhar e desejar, parecia cansado e um pouco frágil e ver um homem daquela com aquela aparência me fez morder os lábios imaginando que se o beijasse agora, ele corresponderia de forma suave e transaria comigo lentamente porque estava extremamente cansado.

— Bella? Está me ouvindo? — Perguntou, elevando um pouco a voz. Saí dos meus devaneios e fitei seus olhos, pequenas olheiras se formavam em baixo deles me dizendo que Edward não tirava uma boa noite de sono à alguns dias. Desci um pouco mais meus olhos e fitei sua boca que estava contraída e a sua língua que passava em torno de seus lábios pequenos e curvados de forma lenta e provocante várias vezes.

— O que você disse? — Perguntei, sussurrando.

— Por que está acordada? São três horas já. — Repetiu.

— Por que você está? — Devolvi a pergunta.

— Faz uns dois dias que não durmo. — Sorriu. — Mas estou acordado não por falta de sono e sim porque preciso de algumas respostas.

— E vai encontrá-las em um livro sobre traumas emocionais? — Perguntei me aproximando mais dele, seus olhos rolaram pelo livro e depois se voltaram para mim.

— Eu não sei, talvez. — Murmurou.

Parei diante dele. O engraçado é que tinha perdido minha chanche de tocá-lo mais cedo porém agora queria deslizar minhas mãos por ele e aproveitar que estava tão frágil e incapaz de ser selvagem. Não era de hoje que estava notando que gostava de homens em sua postura frágil, devia ser porque tinha medo dos homens com postura forte.

— Por que está lendo isso? Certamente não tem um trauma. — Disse abrindo minhas pernas para me sentar em cima dele. Edward pareceu totalmente perturbado com a minha ação e sentou direito fechando as pernas para que eu ficasse mais confortável no seu colo.

— Bella, o que está fazendo? — Perguntou, em um quase-sussurro.

— Por que não está dormindo? — Indaguei inclinando meus lábios para tocar seu pescoço, eu notei que ele fechou sua mão em torno do encosto da cadeira e respirou fundo.

— O que deu em você? — Indagou, com a respiração levemente acelerada.

— O quê? — Sussurrei, deslizei minhas mãos pelo seu abdômen tentando procurar a mesma coisa que estava procurando nos sonhos. Abri o botão e o zíper da calça jeans fazendo ele prender a respiração e soltá-la levemente conforme eu puxava a borda da cueca.

— Você muda de repente, estava me evitando dias atrás e agora está aqui... Eu fico confuso e o pior é que me entrego pra você. — Murmurou, olhei em seus olhos enquanto ele falava de forma lenta e cansada, como se não quissesse mas estivesse muito exausto para dizer não. — Não pode fazer isso comigo Bella, você meche com meus sentimentos e sabe disso, mas... Porra! — gemeu, quando finalmente alcancei o que estava procurando.

— O que estava dizendo? — Murmurei, tentando descer um pouco o jeans para que pudesse moldar minhas mãos em volta "dele". Não era tão ruim quanto eu pensava, na verdade era até frágil demais.

— Você não pode fazer isso comigo. — Disse, deslizando seu rosto pelo meu ombro. — Merda, não pode...

— Não, não posso e não deveria. — Sussurrei, deslizando minha boca pelo seu rosto até encontrar com a sua.

O beijo foi extremamente lento, sua língua parecia querer fugir de mim, mas depois ela acabava enroscando na minha e ambas se enrolando em um beijo frágil e longo.

Eu tirei minhas mãos de seu membro para me livrar da sua camiseta e fiquei feliz por ele não ter lutado quando a arranquei de seu corpo jogando-a no chão do quarto. Parei para olhar em seus olhos verdes e confusos, e depois continuei a beijá-lo aumentando o ritmo em que minha língua passeava por sua boca e se chocava com a sua.

— Bella... — Ele gemeu nos meus lábios e isso fez meu corpo inteiro estremecer, foi tão sexy, quase um pedido e me fez deslizar minhas mãos por todo seu corpo, me esfregando contra ele na esperança de que falasse meu nome daquele jeito dengoso e cansado novamente. — A porta não está trancada... — murmurou, ainda contra meus lábios.

Eu interrompi o beijo só para deslizar minha boca pelo seu pescoço, sentindo sua barba por fazer pinicar as minhas bochechas, passei minha língua por sua pele e suguei seu pescoço fazendo sua mão apertar com força a carne das minhas coxas. Continuei beijando-o arrancando suspiros dos seus lábios enquanto movia minha cintura esfregando meu calor nas suas coxas e em seu pênis que começava a demonstrar sinais de excitação.

Sua boca procurou a minha e desviei dela várias vezes para morder sua orelha porque isso arrepiava todo corpo dele. De novo, parei para fitar seus olhos que agora demonstravam menos sinais de confusão, e seus lábios estavam se mordendo em sinal de que estava desejando isso tanto quanto eu.

Eu estava tentando esquecer minha timidez para fazer isso ficar confortável e parecia estar fucionando.

Levantei do colo e fui até a porta solucionar o problema que estava causando preocupação nele, seus olhos deslizaram por todo meu corpo e então vi que ainda estava vestida com as roupas de dormir, era um short curto e uma blusinha que mal cobria meu corpo, não eram grandes roupas, mas era o bastante para atrapalhar seu corpo de estar em contato direto com o meu.

Fiquei de pé em sua frente e retirei lentamente as duas peças tirando a calcinha lentamente já que não usava sutiã pra dormir, Edward moveu seus dedos devagar e retirou sua calça, e sua peça íntima mantendo-se sentado na cadeira.

Eu estava com tanta saudade do seu cheiro que não pensei antes de me jogar em seu colo e agarrar seus cabelos puxando-o para um beijo selvagem.

Meu sexo se esfregou no dele de uma forma desesperada e isso o fez agarrar meus quadris e levantá-los, para que pudesse encaixá-lo na minha entrada. Eu estava ocupada beijando seu pescoço mas quando senti algo quente deslizar para dentro de mim parei imediatamente jogando minha cabeça para trás e deixando os gemidos escapar pelos meus lábios.

Nunca tinha estado nessa posição com Edward antes e por isso não sabia que ficava ainda mais excitante quando o pênis entrava fundo daquela forma. Minhas unhas pareceram ter rasgado as suas costas mas ele não demonstrou nenhuma dor e só levantou meu quadril de novo para que seu pênis entrasse dentro de mim novamente com minhas paredes apertando-o deixando claro que não queria que ele saísse.

Apoei minhas mãos em seus ombros e me movi em cima dele, movendo meu quadril pra frente e para trás fazendo-o morder os lábios e inclinar seu corpo pra frente.

Em algum momento comecei a subir e descer em seu pênis e seus dedos se moveram direto para o meu ponto de prazer acaríciando-o conforme eu subia e descia.

— Isso, isso. Não pare, Edward. — Sussurrei, gemendo.

Nossos corpos estavam suados e ele tirou sua mão do meu clitóris para segurar em minha cintura e me fazer continuar a cavalgar em cima dele. Tirei uma das minhas mãos dele e deslizei-a por mim mesma tocando minha vagina de forma lenta, acariciando suavemente onde me dava prazer e gemi novamente enquanto ele enterrava sua cabeça no meio dos meus seios, abocanhando e mordendo seus bicos endurecidos.

Em algum momento meus gemidos se transformaram em pequenos gritos e então sua boca colava-se na minha e eu mordia seus lábios desesperada pela aquela sensação que estava estremecendo meu corpo e fazendo meu sexo molhar cada vez mais.

Mais algumas estocadas do seu pau em mim e então aquela sensação de extâse se apoderou do meu corpo fazendo minhas pernas tremerem e meu sexo molhar-se de vez. Fechei meus olhos curtindo aquela sensação inexplicável, com a minha cabeça tombada para trás e meu corpo se contorcendo em cima dele.

Não notei que seu pênis havia saído de mim, só senti depois que pequenas gotas foram esguichadas contra minha barriga e Edward soltou um grunido esfregando seu rosto nos meus seios avermelhados.

Nossas peles suadas e nossos corpos cansados se encontraram e deitei a cabeça em seu ombro, seus dedos deslizaram pelas minhas costas suavamente e ele suspirou contra meu pescoço.

— Você me surpreendeu. — Murmurou com a voz cansada.

— Eu...

— Não precisa explicar. Você queria. — Disse.

— Você não gosta quando isso acontece? — Perguntei, em um fio de voz.

— Não que eu não goste é só que...

— O quê? — Perguntei.

— Queria significar mais do que sexo pra você. — Disse, ainda me encarando. Eu desviei meus olhos olhando para seu peito suado, piscando meus olhos várias vezes diante da situação desconfortável de tê-lo me observando daquela forma tão intensa. — Olha pra mim, por favor e seja sincera comigo porque isso tá tirando meu sono.

— Edward, nós não podemos...

— Ter algo sério, mas podemos continuar transando quando você quiser? — Indagou, essa pergunta me pegou de surpresa e pareceu tão cruel que quis fugir dali imediatamente. Fiz menção de levantar mas ele me segurou mantendo-me sentada em seu colo. — Não foge, Bella. Vamos pelo menos resolver o que vai ser isso, é confuso ficar pensando no que eu significo pra você e no que você quer de mim.

— Eu ainda não descobri o que eu quero de você. Ás vezes acho que estamos próximos e você se demonstra tão diferente então, eu volto ao ponto inicial. Edward é difícil pra mim confiar em alguém, você sabe disso é...

— É. — Suspirou, interrompendo-me. — Então, entre nós será somente sexo?

— Edward, por que temos que entrar nesse assunto?

— Ótimo, vou tomar isso como um sim.

Ele sorriu ironicamente e foi tão amargo que engoli seco antes de tentar me soltar dele novamente, dessa vez Edward deixou e me afastei de seu corpo pegando minhas roupas no chão enquanto ele me examinava sem dizer nada. Por que ele tinha que estragar esse clima? Estava tão bom, principalmente porque minhas pernas ainda estavam bambas, mas ele tinha que dizer algo. Era sempre assim.

— Boa noite. — Murmurei, ele respondeu com um aceno e não disse mais nada, nem mesmo quando acenei antes de sair do quarto.

O Sol estava no centro do céu quando acordei, tinha sido uma noite exaustiva e só acordei depois de ter ficado alguns minutos em baixo da água gelada. Meu corpo estava mole depois da noite de ontem e meus pensamentos estavam confusos, eu tinha odiado aquela merda daquele sorriso amargo, odiado tanto que até havia sonhado com isso, de qualquer forma agradeci pelo meu sonho não ter sido com James e sim com Edward.

Meu último sonho com James não tinha sido muito agradável, estava se intensificando conforme pensava que ele estava na cidade, a casa de Jéssica não era muito longe e estava ficando com receio de ignorar as ligações dela. Tinha medo de qualquer dia ela vir pra minha casa e perguntar o motivo, pessoalmente eu não saberia exatamente o que inventar para não dizer a verdade.

Quando abri a porta do meu quarto escutei gargalhadas vindas da sala e logo deduzi que tinhamos visitas, por conta disso voltei para dentro e vesti algo mais apropriado. Shorts bege, tênis e uma regata grande que chegava a cobrir quase todo o shorts.

Prendi meus cabelos enquanto descia as escadas e evitei fazer barulhos para que ninguém me visse. Antes de me anuciar, olhei na sala. Sam estava sentado no sofá que ficava perto da parede, Edward estava na poltrona e Esme no sofá da frente.

Os cabelos de Sam estavam maiores, devia ser porque tinha algumas semanas que não o via, na verdade, considerando que ele tinha sido meu primeiro amigo homem, tinha muito tempo que não sentavamos pra ter uma conversa.

— Olá. — Falei, tímida. O olhar de Sam se iluminou e ele sorriu na minha direção, daquele jeito meigo e radiante, e isso me fez sorrir também. Meu sorriso só apagou quando Edward levantou-se do sofá e pegou seu casaco aparentemente irritado.

— Vou sair. — Disse, seco. — Vou procurar algo pra me distrair.

Ele passou por mim rapidamente e nem mesmo me encarou. Tinha entendido o sentido das suas palavras e mordi os lábios em resposta, não queria declarar a mim mesma que imaginá-lo com outra mulher me deixava incomodada.

Mas eu não podia dizer isso pra ele porque talvez ele não se importasse.

— E então, está curtindo as férias? — Sam perguntou, sentando-se no mesmo sofá que eu mas mantendo certa distância. Acho que aquele tempo em que eu ainda estava muito sensível, ele aprendeu me respeitar mais do que deveria. Eu gostaria disso meses atrás mas agora parecia tão desnecessário.

— Estou, e você? — Devolvi a pergunta. Minhas férias não estavam sendo exatamente interessantes pra ficar batendo papo sobre elas.

— Viajei pra Espanha por uma semana com meus tios, voltei faz três dias e vim ver você. Jéssica disse que você estava meio sumida, até desconfiou que você estava viajando. — Disse, eu sorri tentando desviar o assunto de Jéssica. — Falando nela, o irmão dela vai dar uma festa dois dias depois das aulas começarem, vamos receber os novatos já que é nosso último ano, com certeza você vai querer ir, James é um cara muito bacana.

Eu não queria que isso tivesse acontecido, mas Esme pigarreou parecendo completamente pertubada. Não podia negar que estava toda arrepiada e irritada por James estar conquistando todo mundo que era próximo à mim. Ouvir falar sobre ele seria um pesadelo e fugir de tudo relacionado a ele também. Merda.