Hello
8 Capítulo 8
8
Edward deve ter notado minha aflição porque apertou minhas mãos me impedindo de desabar no chão. Então esse era o momento que ele pensava que era uma ordinária em busca de seduzir seu filho para não ser despejada a qualquer momento. Me virei lentamente para ele pronta para encarar qualquer coisa, nada podia machucar mais, só ia doer um pouco.
— A Isabella vai ter uma peça na escola e estavamos ensaiando as falas. — Edward disse, ele mentia tão bem que parecia realmente verdade, mas Carlisle não parecia convencido, ele olhou para mim em busca da confirmação da resposta e assenti rapidamente tentando tirar do meu rosto aquela expressão amendrontada que provavelmente estava grudada lá denunciando a mentira de Edward.
— Não foi isso que pareceu. — Carlisle disse. — De qualquer forma está tarde, acho que os dois deveriam ir para cama. — falou, sufoquei um gemido e tentei não demonstrar o quão nervosa aquelas palavras haviam me deixado. Com certeza ele havia escutado tudo, não estavamos falando baixo e isso havia sido um erro. Na verdade tudo havia sido um erro, não deveria ter ficado aqui, não deveria ter beijado Edward, na verdade eu não deveria nem mesmo ter sobrevivido aquele estupro.
— Sim, nós vamos. — Edward disse soltando minha mão, mas antes disso me lançou um olhar de advertência que dizia que era pra mim me manter onde estava. Ficou ao meu lado enquanto caminhavamos até a escada para enfrentar Carlisle. Ele tinha todo o direito de estar furioso e tinha que aceitar que havia errado com ele.
— Edward, você não. — Disse barrando o filho. — Vá querida, tenha uma boa noite. — ele disse dando um breve sorriso para mim, rapidamente caminhei para cima em passos rápidos parando no corredor longe dos olhares deles para poder respirar fundo. — O que pensa que está fazendo? Minha filha não é um dos seus casos e se você fizer algo com ela, Edward, eu acabo com você. — Carlisle rosnou e foi tudo que consegui escutar antes de fechar a porta do meu quarto.
"Minha filha". Essas palavras deram voltas em minha mente várias vezes e por alguns minutos realmente acreditei que havia carinho nelas.
No dia seguinte acordei mais tarde, a noite havia sido uma grande merda e minha mente estava estremamente cansada, e tive preguiça até mesmo de colocar o tênis por isso optei por uma sandália baixa que ficasse bem com os jeans. Peguei minha mochila e rezei para não estar atrasada. Todos estavam na cozinha, mas Jasper não estava com a roupa da escola, com certeza ele iria pra casa da avó, eu só gostaria de saber quem me levaria até a escola.
— Querida, não quer vir conosco? — Esme perguntou amavelmente.
— Não eu... Tenho treino. — Murmurei.
— Você sabe que pode faltar Isabella, não tem jogos próximos para as meninas. O campeonato de basquete está próximo e eu não estou me importando nem um pouco, as pessoas jogam como sabem e suas garotas jogam muito bem. — Jasper disse, ele estava definitivamente querendo acabar comigo.
— Está vendo? Pode ir conosco. — Carlisle surgeriu. — É melhor que a escola. — piscou. Era quase um complô tentando me influenciar e esse era o ruim de ser adotada, você não queria que eles tivesse uma imagem errada de você por isso era totalmente fora de contexto dizer que não queria fazer algo.
— Tudo bem. — Falei. Eu poderia enfrentar o inferno das próximas horas, isso não iria doer tanto.
Fui no carro de Edward juntamente com Esme e Jasper foi com Carlisle já que eles queriam conversar. O caminho iria ser silencioso se Esme não tivesse inventado de falar sobre seus amores antes de conhecer Carlisle, Edward não disse nada mediante aos comentários dela e não fez nenhum comentário sobre mim o que foi aliviante e intrigante ao mesmo tempo.
— E então querida, algum garoto da escola está interessando você? — Esme perguntou, mordi meus lábios fazendo meus olhos quase enxerem de lágrimas por causa da força que coloquei na mordida. Não era fácil falar dos garotos, eu nunca estava interessada por nenhum deles, eu não conseguia e isso fazia de mim uma garota traumatizada e diferente.
— No momento não. — Murmurei.
— Eu soube da sua grande amizade com o capitão do time de basquente. — Ela disse com um sorriso, arregalei um pouco os olhos mas controlei minha expressão. Dei um breve sorriso e observei Edward bufar como se o assunto não tivesse agradando-o.
— Sam é legal, mas... Somos somente amigos. — Falei rapidamente tentando mudar de assunto. — Mas isso não é importante. — suspirei. — Estamos chegando?
— Sim, falta somente alguns minutos. Ah, querida, eu namorava com Carlisle nessas praças. — Disse apontando para fora, dessa vez fingi estar interessada somente para estimular Esma a falar mais sobre ela e esquecer assuntos que envolviam a mim.
Haviamos chegados e agora esperavamos a mãe de Carlisle vir abrir a porta. Era o começo do meu pesadelo.
— Queridos! — Ela exclamou assim que abriu a porta, Megan era uma mulher fina e não aparentava ter a idade que tinha, ela se cuidava bastante e a maquiagem e jóias caras faziam-na parecer um pouco mas jovem. — Esme, você nunca muda, querida, você está linda. — disse enquanto ambas se abraçavam. Ela comprimentou a todos demorando um pouco em Edward, mas, na minha vez me deu um abraço forçado rápido e seco. — Vamos entrar queridos, tem uma torta maravilhosa esperando por vocês.
Edward me deixou entrar em sua frente e colocou a mão levemente na minha cintura acompanhando meus passos mas sem dar nenhuma palavra.
De qualquer forma eu aceitava que nem todos os parentes daquela familia iriam me aceitar, quem gosta de estranhos perto das pessoas que você ama? Fazia um ano que estava com eles e isso não era o tempo suficiente para que todos engolissem minha presença.
— Não sabia que minha avó não gostava de você. — Ele sussurrou me fazendo saltar e olhar para os lados para ter certeza que ninguém escutou aquilo. Para meu alívio Esme estava conversando com Jasper e Carlisle parecia interessado no que sua mãe dizia. — Ela mudou um pouco, quando fui para a faculdade ela ainda era a pessoa mais doce do mundo.
— Eu entendo. — Falei.
— Ela não vai maltratar você hoje. — Ele disse, olhei para ele e arqueei a sobrancelha exigindo uma explicação. — Bella, ninguém vai maltratar você e eu declaro isso a partir de hoje. — piscou, me deixando confusa e com medo de que ele criasse algum conflito com sua familia. Edward era um homem de palavra e isso eu estava cansada de saber.
Edward se sentou ao meu lado na grande mesa da cozinha bem decorada e sofisticada, a mãe de Carlisle era uma mulher que adorava luxos e gostava de exibir isso para todos. Megan era uma uma mulher muito discreta, ela sabia esconder o desprezo que sentia por mim e só demonstrava quando ninguém estava prestando atenção, somente eu notava os olhares de desprezo que ela me lançava porque eles me davam calafrios por todo corpo.
— Você me disse que Isabella não ia vir. — Ela comentou para Esme com um sorriso no rosto, eu odiava ser o assunto principal da mesa, todos estavam olhando para você e se você corasse todos eles iriam ver.
— Ela não ia vir, mas, acabamos convendo ela. — Carlisle disse dando um doce sorriso para mim. Retribui assentindo tentando forçar um sorriso, mas, ele não saiu. A torta chegou e prendeu a atenção de todos, com isso pude suspirar e questionar a mim mesma se eu tinha força para aguêntar as próximas horas. Ninguém gostava de ficar em um lugar onde se sentia mal, se eu estivesse na escola estaria bem me afogando no silêncio confortável ao lado do Sam.
— No que está pensando? — A voz de Edward interrompeu meus pensamentos, me virei para ele e mudei minha expressão tentando fazer com que meu rosto não deixasse transparecer o desgosto que estava fervendo dentro de mim. — Não fique assim, quando acabarmos o café eu levo você pra cima e deixo você sozinha. — falou, dessa vez que arqueei a sobrancelha e lentamente acenei com a cabeça.
— Obrigada.
— Eu vou cuidar de você. — Sussurrou se aproximando um pouco, tocando meus cabelos e colocando-os atrás da minha orelha.
— Eles se dão bem? — Megan perguntou me fazendo se afastar me virando para fitá-la.
— Sim, Edward gosta muito dela. — Carlisle disse e tive a impressão de escutá-la bufar mas ela disfarçou muito bem falando com a moça que podia nos servir. Enquanto todos estavam ocupados pegando seus pratos para se servir ela olhou para mim com o rosto enfurecido que logo se desmanchou em um sorriso assim que Edward olhou.
— Eu achei que haveria ciúmes entre os dois. — Ela continuou mesmo que eu implorasse com os olhos para que ela esquecesse o assunto.
— Sim, eu também pensei, mas ontem ele estava até ajudando ela com uma peça da escola. — Carlisle sorriu para nós dois me deixando confusa com sua atitude. Ele provavelmente estava querendo mostrar para a mãe que não havia nenhum tipo de conflito na familia. — E acho que Edward está bem grandinho para ter algum tipo de ciúmes da... Da irmã.
— Vovó, por que Bella me causaria ciúmes? — Ele perguntou sorrindo falsamente. — Ela á bonita, é fofa e não é irritante, não tenho motivos. — disse me fazendo corar rapidamente, todos estavam olhando para nós e eu não tive outra alternativa a não ser deslizar minha mão até sua coxa e apertá-la com força fazendo-o me olhar surpreso e ao mesmo tempo com um sorriso brincando em sua boca.
— E então, vamos mudar de assunto? — Esme perguntou olhando para Jasper que somente desviou seu olhar e começou a comer. Aliviada por não ser mais o centro das atenções retirei minha mão da coxa de Edward, mas então foi sua vez de suavemente deslizar seus dedos pela minha.
Fiquei rígida e sem condições de pronuciar alguma coisa, não queria que alguém notasse a tensão que estava no meu corpo principalmente quando os olhos da Sra. Megan estavam focados em mim. Um pedaço de torta foi colocado a minha frente e apanhei o garfo agradencendo a moça que me deu um breve sorriso.
Quando todos começaram a comer levei minhas mãos até minhas coxas e retirei a mão de Edward dali, ele sorriu e abaixou sua cabeça. Idiota. A torta estava deliciosa e todos estavam elogiando-a, eu também queria elogiar e talvez até pegar a receita, mas, a mãe de Carlisle não parecia querer nenhum tipo de conversa comigo então era melhor afogar o desejo.
Todo mundo terminou logo e Jasper foi o primeiro a levantar da mesa, como ele não pediu licença Carlisle foi atrás dele promentendo a mãe que faria ele se desculpar pelo comportamento grosseiro. Esme acabou indo atrás dele e sobrou eu, Edward e a avó dele na mesa.
— Vó, não quer nos mostrar os quartos? — Ele perguntou ficando de pé, permaneci sentada e lentamente me virei para ver o que ela ia dizer.
— É claro, venham comigo. — Ela disse se levantando. Edward foi na frente subindo as escadas, ela permaneceu atrás de nós até chegarmos no corredor. Ele foi olhar um quadro da frente e acabei diminuindo o passo me afastando um pouco dele. — Eu vi aquilo em baixo da mesa, sua aproveitadora. — Ela sussurrou me fazendo saltar, quando se afastou eu permaneci ali parada e surpresa sem condições de me mover até Edward olhar para mim.
— O que foi? Vem logo, Bella. — Chamou, lentamente caminhei até ele ainda piscando os olhos para evitar as lágrimas. O que eu tinha feito para ela alimentar todo esse desprezo por mim?
Caminhamos até o terceiro andar me mantive longe observando qualquer movimento que Megan fazia em minha direção, enquanto andavamos eu evitava ficar longe de Edward porque ela era óbvio que ela não ia dizer nada para mim estando na presença dele. Quando ela me mostrou meu quarto ela me ofereceu um sorriso amigável, mas, simplesmente não consegui forçar nada em troca. Edward aequeou sua sobrancelha em tom questionador porém não falou, apenas acompanhou sua vó até o outro quarto.
Tinha chave na porta e isso me deixou aliviada, pelo menos eu podia fingir que estava dormindo nas próximas horas quando alguém batesse na minha porta. Não queria ser incomoda ou algo assim, eu só não teria o que fazer até amanhã. Eu não iria andar pela casa da Sra. Megan sabendo que ela não me suportava, mas, de qualquer forma eu sabia que ainda era uma total estranha para ela. No fundo, eu não pertencia aquela familia e tinha que aceitar isso.
Entediada me sentei na cama olhando para o relógio da parede, quando você não tem nada para fazer o tédio aumenta e os minutos que se arrastavam antes parecem não querer mudar mais. Deslizei para o chão a fim de manter meu corpo se movendo para não cair nos malditos pensamentos de rejeição.
Cinco minutos haviam passado e para mim parecia ter sido uma hora, comecei a observar em volta mas não havia nada surpreso, tudo aconchegante e luxuoso, quadros na parede e cama macia e alta. Janela grande e cortinas abertas mas com o vidro fechado, o dia estava começando a ficar um pouco quente, mas é claro, todo inferno tem que esquentar.
— Bella, abre a porta agora. — A voz de Edward me fez saltar. — E se você não abrir eu arrombo essa merda.
Eu odiava esse tom dele, Edward agora parecia sem controle e pronto para fazer algo, ele soava ameaçador e por isso fiquei de pé porém não sai de onde estava. Ele voltou a mexer na maçaneta e com um suspiro caminhei até a porta lentamente, parei atrás dela e encostei meu ouvido na madeira fria.
— Eu estou... Ocupada. — Falei, minha voz saiu baixa mas Edward escutou porque bufou do outro lado girando mais uma vez o trinco. Esse era o ruim de mentir para alguém que lhe conhecia, nunca soava como verdade e ela ficava ainda mais nervosa por saber que você tentou enganá-la.
— Eu quero sabe o que minha avó disse para você e se você não quiser me contar vou diretamente a ela perguntar. — Disse, ele sabia que depois disso eu abriria a porta. Fitei ele com os olhos baixos fazendo-o sorrir. Por que ele sempre jogava tão baixo? — Por que você... — seu sorriso acabou. — Foge de qualquer pessoa que tenta lhe proteger? Bella, seja lá o que fizeram com você, nem todo mundo quer fazer igual.
— Eu sei. — Murmurei olhando para o chão.
— O que ela disse pra você? — Perguntou. — Levanta a cabeça pra falar comigo Bella, eu exijo um pouco de consideração se for possível.
— Me desculpe. — Murmurei, seus dedos seguraram meu queixo ele me obrigou a fitá-lo me mantendo seus olhos nos meus, sua expressão não era mais de raiva e sim de afeto, lentamente ele se aproximou e colocou seus braços em volta de mim.
— Eu sei que pego pesado, mas merda, eu quero seu bem, só entenda isso. — Disse, assenti lentamente e ele voltou a me encarar. — Agora me diga, o que ela lhe disse?
— Ela... Ela só disse que... Que viu tudo. — Murmurei, ele arqueou a sobracelha esperando o resto e eu não consegui mentir. — Ela disse que eu sou uma aproveitadora. — falei soltando um pesado suspiro depois. Quando encarei Edward notei que a merda estava formada, ele não parecia nem um pouco feliz com a notícia e se afastou tirando suas mãos de mim. Não precisava ser adivinha para saber o que ele pretendia fazer.
— Eu volto em alguns segundos. — Declarou.
— Edward. — Sussurrei segurando-o, não queria causar nenhuma intriga porque Carlisle não iria gostar de saber que eu estava desafiando sua mãe, era um gesto imaturo deixar Edward ir até ela me defender. — Por favor.
— Bella, pare de deixar os outros dizerem o que querem para você. — Falou alto demais, com o silêncio que estava nessa casa provavelmente em segundos alguém escutaria e viria até nós. — Me dê apenas um motivo para que eu não vá até lá em baixo e tenha um discussão com minha familia toda.
Eu não tinha um motivo, mas, tinha uma idéia. Eu iria me arrepender amargamente de fazer isso mas era minha única arma. Com um suspiro pesado segurei com mais força e quando ele se virou eu fui rápida o bastante para me jogar em seus braços e colar meus lábios aos seus. Ele agiu surpreso mas deixou que eu o puxasse para dentro do quarto ainda colada a ele. E céus, esse inferno tinha pegado realmente fogo.
Fechei a porta interrompendo o beijo que na verdade não havia nem mesmo começado, somente os lábios confusos dele estavam parados sobre os meus. Edward estava surpreso com a minha reação e não era para menos, eu sempre o empurava e agora estava beijando-o sem nenhum movito aparente. Só queria que ele esquecesse o assunto da avó dele.
— Bella, o que você está fazendo? — Indagou, silenciosamente passei meus braços em torno de sua nuca e voltei a beijá-lo, isso iria doer um pouco e provavelmente eu ficaria com medo, mas, quem nunca teve que se machucar para se proteger? Movi meus lábios contra os seus e logo ele correspondeu deslizando suas mãos pela minha cintura.
Sua boca era macia e úmida e agora sua língua estava se movendo rapidamente em meus lábios pedindo passagem para entrar, não tive outra opção por isso deixei sua língua deslizar indo de encontro a minha, o beijo dele era bom, sua boca tinha um gosto maravilhoso e eu queria aproveitar aquilo, eu só estava confusa demais para me entregar as sensações, ainda que boas, do seu beijo.
Eu queria me afastar, mas, eu tinha que suportar o que estava acontecendo, eu pedi por isso. Lentamente ele diminuiu a intensidade do beijo e se afastou, fiquei onde estava piscando meus olhos enquanto ele tirava suas mãos de mim para deslizá-las pelo seu cabelo.
— Nunca mais faça isso, não seja uma vadia para me distrair. — Ele sussurou, olhei para ele confusa e ele bufou. — Não tente me seduzir novamente, você não finge tão bem assim. — dito isso deu um sorriso cínico e caminhou até a porta batendo ela assim que saiu pela mesma. Eu estava surpresa e era bom saber que Edward não era um homem fácil de enganar.
Com o tempo finalmente tomei coragem para me mover e deslizei para o chão me arrastando até trancar a porta, quando me sentei atrás dela escutei vozes do corredor, elas pareciam ser de Carlisle e Esme e isso me deixou completamente paralisada. Rezei para que eles não parassem em frente a porta do meu quarto mas foi em vão, segundos depois alguém batia na porta.
Abri a porta e me deparei com ambos, Esme não estava sorrindo como sempre então isso era um sinal ruim, suspirei e esperei eles falarem qualquer coisa.
— Querida, o que minha mãe fez pra você? — Carlisle perguntou, fiquei onde estava totalmente paralisada. Se Edward queria acabar com o pouco de paz que havia em minha vida ele havia conseguido! — Não precisa ter medo, é que Edward falou conosco lá em baixo... Pode confiar em nós querida.
Queria falar e dizer que não me sentia bem com a maioria dos parentes deles mas isso estava fora de questão, ainda mais porque a Sra. Megan apareceu no corredor com o rosto severo parecendo estar incrivelmente furiosa. Deus sabia que eu não queria confusão, não se pode lutar contra algo de que você nem faz parte, é saber que vai perder antes mesmo da batalha começar.
— Alguém pode me explicar o que...
— Vovó não precisamos de ironia. — A voz de Edward se destacou cobrindo o que ela ia dizer. — Não precisa ser inteligente para saber que você não gosta da Bella. — se virou para nós. — Carlisle e Esme, eu achei que vocês fossem mais inteligentes, como trazem a Bella para um lugar onde ela não é bem recebida? Vocês acham que ela gosta? Ela não tem opinião nessa merda?
— Edward querido...
— Calada. — Ele bradou deixando sua vó boquiaberta com sua ousadia, agora eu tinha certeza que o inferno iria transbordar.
— Edward, chega. — Carlisle decretou com a voz mais alta do que o normal, somente duas vezes havia presenciado ele alterar seu tom de voz e isso era sinal de que ele estava realmente nervoso. — Mamãe me desculpe pela falta de educação, resolveremos esse assunto em casa, Bella ajeite suas coisas e Edward vamos conversar lá em baixo. — se virou para Esme. — Querida, se for possível vá chamar Jasper.
Fechei a porta assim que Carlisle deu as costas, não queria arriscar ficar nem um minuto com a mãe dele. Eu estava aliviada por saber que iria embora dali, ao mesmo tempo sabia que havia ganhado uma inimiga. Eu nunca quis isso, era Edward quem estava destruindo a minha vida, ferrando comigo sem se importar com as consequências, mas por que se importaria? Não era ele que era adotado.
Eu estava tão brava agora, queria tanto poder dizer a ele que odiava a forma que ele estava tentando se meter em minha vida e que ele não tinha nada a ver com isso. Foi um completo erro deixar que ele se aproximasse da forma que se aproximou, ele me beijou! Droga! Ele se achava íntimo o bastante para fazer toda aquela merda acontecer e eu precisava dar um basta nisso antes que fosse tarde demais.
O passeio foi estragado e me arrepi amargamente de não ter recusado o convite, no carro estava um profundo silêncio, voltei com Carlisle e Esme, e Jasper foi com Edward. Eu tinha certeza que eles iriam me fazer perguntas e eu tinha obrigação de respondê-las já que eles tinham brigado com a Sra. Megan por minha causa.
— Bem querida, acho que precisamos de uma explicação mais detalhada. — Esme disse, mordi meus lábios e me inclinei um pouco no banco para olhar em seu rosto. — Não que estejamos desconfiados ou algo parecido, mas é que Edward é um teimoso e quando há algo em sua mente ele não descansa até provar que é verdade. Minha sogra realmente maltrata você?
Se eu fosse corajosa diria a verdade, mas eu queria mesmo era fugir de qualquer tipo de problema que fosse me prejudicar. E que mal teria mentir? Eles não me trariam na casa da Sra. Megan tão cedo, não iria doer mais uma mentira.
— Edward exagerou, na verdade ele somente me olhou feio na mesa porque ele estava falando comigo, como olhei para Jasper ela deve ter pensado que era fofoca. — Falei, essa era uma das piores mentiras que eu já havia contado e claro que não olhei para os olhos dela para tentar adivinhar o que eles estavam pensando.
— Querida...
— Foi somente isso. — Disse interrompendo-a. Ela olhou para Carlisle procurando ao menos uma pergunta da parte dele mas ele nada falou, então Esme reencostou no banco e suspirou ficando em silêncio.
Edward estava na porta quando chegamos, minha paciência havia chegado no limite até porque agora não haveria paz para mim, eles iriam me observar como um verme sob um microscópio e logo iriam começar a formar seus conceitos sobre mim ou sobre eu e Edward. Isso era o que todas as pessoas faziam, observavam algumas pessoas e achavam que já tinham conhecimento o suficiente para julgar.
Subi diretamente para o meu quarto, rezei silenciosamente para que ele não viesse atrás de mim porque eu era capaz de lhe dar um tapa no rosto correndo o risco de levar uma boa surra. Mas eu estava brava, quem ele pensava que era? Meu dono?
Tomei um banho gelado, o tempo não estava muito quente mas eu estava pegando fogo de raiva. Isso me ajudou a relaxar e quando sai do banho me senti estranhamente cansada, daqui a pouco era hora do almoço e eu teria que enfrentar tudo de novo, pelo menos eu iria estar descansada e menos nervosa.
— Bella? — Era Edward. E merda! Poderia matá-lo agora.
Notei que não tinha trancado a porta e corri para fazê-lo mas ele foi mais rápido para abrí-la e entrar para dentro. Onde será que estava Carlisle e Esme? O que eles pensariam se vissem Edward aqui? As coisas já não eram tão simples, havia mais bolas do que jogadores nesse jogo e qualquer desleixada seria uma oportunidade para o outro time marcar.
— Se retire do meu quarto, por favor. — Pedi olhando diretamente em seus olhos.
— Bella, eu sei que...
— Não! — O interrompi com a voz um pouco alterada. — Você não sabe de nada Edward, não sabe metade do acontece aqui, pare de tentar fazer suposições estúpidas sobre o que você acha que sabe. — falei, ele arqueou uma sobrancelha parecendo estar surpreso com o meu tom, mas ele devia saber que em algum momento eu iria usá-lo.
— Está revoltada porque chamei atenção de uma pessoa que por acaso trata você com desprezo e lhe chama quase de vadia? — Perguntou, arregalei meus olhos e tentei não dizer nada mas minha língua estava se movendo dentro da minha boca e eu estava louca para mandá-lo a merda. — Você tem tanto medo que chega a ser estúpida. — falou e isso foi a última gota d'água no deserto.
— Vá se ferrar. — Falei, suspirando logo depois.
— Isso, xingue querida, vamos ver se consegue fazer outra coisa que não seja se esconder em baixo dessa capa protetora e lotada de mentiras. — Disse, ele estava me ferindo sem nenhuma piedade e isso era normal para homens como ele, eles não se importavam com o que as palavras causavam em alguém. — Agora me diga, o que disse pros meus pais? Que eu menti? Como se eu fosse a merda do mentiroso nessa história toda.
— Não foi você que foi... — Engoli as palavras novamente quando notei aonde elas iriam chegar. Eu havia enlouquecido?
Por alguns segundos eu havia pensado em gritar que não havia sido ele que tinha sido estuprado, mas acabei controlando esse impulso. Não sabia como as pessoas conseguiam guardar o segredo do estupro pela vida toda, era tão doloroso e a todo mundo as palavras pareciam querer escorregar da sua boca. Você só queria contar para alguém e poder ter alguém para chorar quando precisasse. Mas havia a vergonha, a insegurança e a merda do medo, e essas coisas conseguiam ser mais fortes que sua vontade.
— Não fui que fui o quê? — Perguntou, sua expressão estava mais calma e suas sobrancelhas arqueadas, eu havia plantado a dúvida por não saber controlar minhas palavras, agora tinha como consequência a curiosidade e esperteza de Edward. — Bella, me responda.
— Não foi você que foi... Adotado. — Murmurei, ele não estava conformado com aquelas palavras, ele sabia que não era bem o que iria dizer antes mesmo assim suspirou e se aproximou um pouco me fazendo recuar. — Eu pedi para você sair do meu quarto, preciso tirar uma soneca até a hora do almoço, me deixe sozinha.
— Espera. — Ele sussurrou se aproximando, eu tentei correr mas ele era tão rápido como um gato e me segurou me trazendo para perto do seu corpo. — Bella, conte pra mim, seja sincera, nem todos os homens são iguais e juro que vou tentar ajudá-la. — disse bem perto de mim olhando diretamente em meus olhos. — Você foi... — limpou a garganta. — Estuprada alguma vez? — Indagou segurando meu queixo, não queria ter a miníma reação, mas, me desesperei totalmente revelando minha respiração ofegante e o medo estampado em meu rosto.
O tempo pareceu congelar e eu só queria saber como ele havia chegado aquela conclusão, meus olhos estavam teimando em se enxer de lágrimas porque era a primeira pessoa que estava me perguntando isso e eu estava totalmente desperada. Meu coração estava batendo forte e tentei me afastar dele para controlar minhas pernas bambas, mas quem disse que meu corpo respondia aos meus chamados.
Obriguei meu cerébro a formar uma mentira para que Edward pudesse acreditar, não fácil enganá-lo e nem fcar longe dele, havia jurado que nunca mais iria falar com ele, mas aqui estava eu quase agarrada à ele no meio do meu quarto. Eu contaria uma verdade para esconder uma mentira pior, era melhor do que contar do meu maior trauma.
— Minha mãe... — sussurrei com a voz rouca, pigareei e tentei falar claro e alto. — Ela morreu na minha frente quando eu era pequena. Eu estava no carro no momento do acidente. — falei mordendo os lábios, ele piscou algumas vezes e depois afroxou o aperto e me deixou mais livre para correr. — Eu não me recuperei. — murmurei e em seguida me soltei completamente dele. — É só isso?
— Bella... — Ele disse tão carinhosamente que meus olhos lotaram de lágrimas. — Minha pequena...
— Vá embora. — Eu sussurrei, mas, antes que tivesse a chanche de correr para o banheiro ele me abraçou e Edward era tão e carinhoso que mesmo contra minha vontade me apertei contra ele forçando meu rosto em seu peito. — É por isso que...
— Está tudo bem. — Ele disse me intorrompendo. — Só chore, eu sei que você quer isso e eu estarei aqui lhe escutando, relaxe. — disse, quando me dei conta estava abraçada a ele chorando em seu peito como uma criança desolada. — Não precisa explicar mais nada.
6 anos atrás — 20h47.
Finalmente minha mãe havia deixado eu passar uma maquiagem dela, talvez foi por causa do aniversário de trinta e seis anos do papai, nós estavamos indo em direção a festa haviamos acabado de sair de casa. O restaurante não ficava muito longe mas minha tia havia insistido para minha mãe ir de carro, estava chovendo e trovejando muito e não era aconselhável caminhar.
— Está com sono? — Ela perguntou olhando para trás rapidamente, neguei com a cabeça me movendo no banco para chegar perto da janela, eu estava sem cinto e me sentia como uma adulta, pela primeira vez ela não estava agindo como se eu fosse um bebê prester a sair do carro. Eu já tinha quase onze anos! — Vamos pela rua da Sra. Duarte para buscá-la, vamos pela descida leste. — avisou.
Era perto do Natal e pude me entrerter com as luzes espalhadas pelas casas, as decorações de Natais eram lindas, cada casa era uma nova coisa e diferentes papais noeis.
Estava perdida olhando as luizinhas que se estendiam pelos postes que me assustei quando escutei um grito abafado da minha mãe. Olhei para frente e encontrei seu rosto aterrorizado e ela tentava manobrar o carro que havia pegado uma velocidade muito alta na descida.
— Os freios! — Ela gritou, jogou o carro para o lado e eu deslizei no banco batendo minha cabeça no vidro. — Os freios não fucionam! Oh meu Deus! — ela gritou histérica, assustada não tive outra reação que não fosse chorar, havia carros em nossa frente e a todo momento ela fazia curvas tentando se livrar dos obstáculos.
Não lembro exatamente como ela fez isso, mas se virou para trás e abriu a porta me empurrando para fora, bati minha cabeça no asfalto gelado e molhado, não consegui ver mais nada além do carro da minha mãe se chocando contra outro. Só consegui ver sua cabeça tombada para fora do veiculo, sangue jorrava pelos seus cabelos e pude notar o buraco que estava em sua cabeça. Ela... Ela estava morta.
Meu inferno estava começando a arder.
Agora.
— Obrigada. — Sussurrei me afastando de Edward, não me impediu e deixou que eu recuasse até me sentar na cama para não desabar no chão por causa das minhas pernas trêmulas. Toda garota sempre tem sua mãe como seu exemplo, se ela morre é como se não houvesse mais ninguém no mundo para confiar. Eu tinha meu pai, pelo menos achava que ele seria um pai, mas ele se tornou um completo cretino que acabou com a vida que me restou.
Eu o culpava pelo meu estupro, se ele não fosse um maconheiro estaria em casa naquele momento e não teria aquele tipo de companhia. O culpava por muita coisa, minha vida era muito boa antes da minha mãe morrer e mesmo entendendo que foi um trauma para ele, Charlie não tinha o direito de ferrar com a minha vida.
— Tudo bem, estarei aqui quando você precisar. — Ele disse, acenei com a cabeça e deslizei para o meio da minha cama pronta para tirar uma soneca, minha cabeça estava pesando em lembranças e mesmo que me afundasse em pesadelos eu só queria dormir.
Alguém me cutucou mas me neguei a sair daquele sonho escuro. Não havia pesadelos somente silêncio e isso fazia minha mente descansar de verdade. O Sol devia ter aparecido porque eu estava quentinha e aconchegada a algo que não fofo mas não machucava. O almoço! Isso me fez lentamente me espreguiçar e abrir meus olhos com dificuldade por causa da claridade, mesmo assim consegui enxergar Edward ao meu lado e era nele que eu estava apoiada.
Com um gemido surpreso me afastei e levantei da cama sem olhar para o seu rosto, eu precisava ir ao banheiro ter certeza que meu rosto estava apresentável. Escovei os dentes, lavei o rosto e penteei o cabelo e só depois disso sai do banheiro olhando Edward que estava deitado em minha cama olhando para a janela.
— Vamos almoçar. — Disse ficando de pé. — Não dormi com você, faz alguns minutos que vim lhe acordar, não me aproveitei de você.
— Eu não pensei isso.
— Mas provavelmente pensaria. — Falou, com um suspiro deixei que ele saísse pelo porta e acompanhei de longe mantendo meus olhos nele. Não que eu fosse pervertida ou algo assim mas não pude evitar de olhar suas nadêgas se movendo atráves do jeans, ele tinha uma bonita bunda. — Pare de olhar para minha bunda Bella, pegue nela se estiver com vontade.
Fiquei vermelha e quando olhei para sala observei Esme com os olhos arregalados fitando Edward com reprovação. Meu Deus! Ele por acaso tinha algum problema?
Notas finais
Estou correndo bastante aqui, mas como os caps estão prontos, se tiver comentários eu venho e posto. Espero que gostem desse.
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