Hello
33 Capítulo 33
33
Eu mordi meus lábios um pouco nervosa. A palavra namoro me assustava, era como um compromisso muito intenso e sabia que seria dez vezes pior porque se tratava de Edward. Tinha inúmeras perguntas explodindo na minha cabeça, como por exemplo, como eu devia agir agora? Ele iria contar a Esme e Carlisle? E como Megan e seus parentes irião reagir?
Estava muito confusa, não sabia se era isso que eu queria, não sabia nem se podia administrar um namoro sem perder ele na primeira semana. Perder Edward. O pensamento embrulhou meu estômago.
— Edward, — Murmurei. — Você se importar em me guiar nesse... Namoro? Eu só... Não sei muito bem como devo agir.
— Não muda nada, Bella. Só o fato de você ser minha agora. Pode agir da mesma maneira. — Ele falou sorrindo docemente.
O fato de que eu era dele. Mordi meus lábios novamente. Dele. Eu ia ter que me acostumar com isso, apesar de estar acostumada a direcionar meus pensamentos e emoções totalmente pra Edward.
— E quanto a Esme e todo o resto? — Perguntei, apertando minhas mãos com força.
— Quando você estiver pronta. — Respondeu. Aquilo me surpreendeu, ele estava indo com calma. Calma demais. Me dando espaço pra processar todas as informações.
— Quer dizer, quando eu quiser? — Tornei a perguntar hesitante, Edward sorriu.
— É, Bella. Só quando você quiser. — Disse.
— Obrigada. — Murmurei, por fim.
Caminhei em direção a ele, seu sorriso estava tão belo e tão iluminado que quase sorri também, é claro que internamente estava soltando fogos de artíficio porque por incrível que pareça, esse sorriso era por minha causa, era meu. De repente vi o quão tola tinha sido por ter demorado tanto a aceitar aquele pedido. Isso o deixou tão radiante que confortou meu coração também.
Edward se sentou na beirada da cama e fiquei aliviada por seu braço estar livre daquela agulha, calmamente me envolvi em seus braços tomando cuidado com o que estava engessado e fiquei em silêncio só sentindo seus lábios deslizarem pela minha testa e depois em direção a minha boca.
Um beijo calmo. Sem línguas. Só ambos se movendo com delicadeza como se cada um quisesse apreciar o gosto do outro lentamente. Eu acaríciei todo seu rosto, tocando os machucados levemente e depois abri meus olhos para fitá-lo.
Meu namorado.
Ia demorar um tempo até eu digerir isso.
Edward estava cansado, os remédios estavam de alguma forma deixando-o sem forças pra se manter acordado depois das 22h. Após o lanche, ele se deitou e enquanto conversava comigo acabou adormecendo. E eu? Fiquei sentada na beirada da cama me sentindo uma completa idiota por estar velando seu sono, observando cada reação que vinha dele. A respiração que se elevava um pouco ás vezes, a expressão calma como se estivesse em paz e a forma que tremia levemente as palpebras mesmo elas estando fechadas.
Com um suspiro, puxei um cobertor pra cima dele e o cobri.
Ouvi passos no quarto e rapidamente desci da cama me virando.
— Ele já dormiu? — Carlisle perguntou casualmente caminhando pelo quarto, como se não tivesse visto nada demais.
— É. — Murmurei.
— Filha, Esme está no estacionamento. Ela quer lhe levar pra casa. — Disse, um pouco inquieto.
— Mas-
— Eu sei, mas ela parece estar um pouco chateada com a ideia de deixar você dormir no hospital todas as noite, é melhor você ir pra casa só por hoje. Eu fico com Edward. — Carlisle falou, quase implorando com os olhos pra que eu não protestasse. Eu queria dizer alguma coisa, queria pedir pra ficar mas me vi sem saída. Concordei silenciosamente e peguei minhas coisas, dei um breve sorriso a Carlisle enquanto caminhava pra fora do quarto indo em direção ao estacionamento.
Sexta-feira.
Minha vontade era de não sair da cama, mas recebi um sms logo cedo de uma das meninas me dizendo pra não faltar no treino de novo. Isso me obrigou a levantar, me lembrando que tinha pessoas contando comigo e seria bom não foder com tudo só pra variar.
Me olhei no espelho por longos minutos. Eu não queria ir! Não queria encontrar Jéssica, o pensamento de estar perto dela me apavorava, mas minha mente me acusou prontamente, me dizendo que talvez isso não estivesse acontecendo se eu soubesse manter minha grande boca fechada.
Joguei a roupa do treino na bolsa, junto com os livros e a toalha. Sequei meus cabelos molhados e passei maquiagem, tinha acordado quinze minutos mais cedo o que me dava tempo de estar um pouco mais ajeitada do que os outros dias da semana.
— Bom dia. — Esme disse, sorridente. Eu sorri de volta e acenei pra Jasper que nem se deu o trabalho de me responder.
A escola estava agitada, todos estavam fazendo planos para o fim de semana e fui intimada assim que desci do carro a comparecer no restaurante onde as garotas do vôlei iam comemorar o aniversário de uma delas. Me senti tentada a recusar, queria ir direto pro hospital, mas elas estavam tão contentes com a comemoração surpresa que acabei cedendo.
As aulas se arrastaram, as meninas estavam tão excitadas me colocando nos planos delas que nem tive tempo de comer direito. Fanny, a aniversariante, ganhou um kit enorme de maquiagem das colegas do time, que colocaram meu nome no presente por consideração. Ficou tão alheia aos acontecimentos, que nem mesmo percebeu que toda vez que o celular de alguma de nós tocava, iamos pra longe atender. Pro meu total alívio Jéssica não apareceu na escola mas, tinha que admitir isso me deixou um pouco preocupada também, só rezava para não encontrá-la na festa.
— Indo treinar? — Sam perguntou, ao final das aulas, caminhando comigo na direção da quadra.
— É. Como estão os garotos? — Perguntei.
— Ótimos, você sabe, somos bons. — Se gabou, eu sorri.
— Bem, minhas garotas vão levar o prêmio esse ano. — Falei.
— Sei disso. — Falou. — Você vai estar na festa da Fanny? — perguntou, mais baixo.
— Provavelmente, eu não poderia faltar né?
— Ótimo, quer que eu busque você? — Indagou.
— Se não for incomodo...
— Pra você nunca é. — Disse, com um beijo na minha bochecha seguiu para o estacionamento e eu apressei meus passos na direção do vestiário.
O treino foi muito cansativo, demoramos mais que o normal e quando cheguei em casa já eram mais de 17h. A comemoração seria ás 20h, eu não tinha muito tempo.
Liguei pra Esme rapidamente e contei sobre a festa, ela disse que tinha deixado dinheiro na minha gaveta caso eu precisasse para o táxi e me mandou levar o celular e não chegar muito tarde. Apesar das exigências, ela parecia extremamente feliz por eu finalmente sair. Depois que desliguei, pensei se seria certo ligar pra Edward, eu só queria saber se estava tudo bem... Não, talvez fosse precipitado, mas antes que pudesse pensar nisso me vi discando seu número.
— Bella? — Atendeu.
— Oi, eu... — Suspirei. — Como você está?
— Melhor. — Respondeu. — Não vem hoje? Fiquei te esperando.
— Tive treino, hoje é sexta. — Falei. — Não vou poder vê-lo mais tarde.
— Hum. Por quê? — Indagou com o tom um pouco diferente, parecia frustrado.
— Vai ter uma festa surpresa pra uma das garotas do time e fui intimada a comparecer, você sabe... Somos próximas e seria desagradável eu me recusar a ir. Mas, quando eu sair da festa posso passar no hospital e-
— Não, Bella. Não precisa, de verdade. Pode se divertir com as meninas, eu vou ficar bem. — Assegurou. Mordi meus lábios e ficamos em silêncio alguns segundos, o suficiente pra que eu escutasse alguém falar algo lá no fundo. Ele devia estar acompanhado pelas enfermeiras. — Só pelo amor de Deus, se cuide. Não fique em lugares desertos.
— Ok, eu vou me cuidar. — Limpei a garganta. — Então... Até amanhã. — Murmurei sem saber exatamente como agir.
— Até amanhã, meu anjo. — Despediu, desligando logo em seguida.
Ok, não é porque estavamos namorando que isso ia influenciar em nossa relação, ele mesmo havia dito que as coisas continuavam do mesmo jeito, com a excessão de que agora eu era dele.
Lotado. Essa era a palavra certa pra descrever o restaurante, estudantes, familiares e colegas circulavam e conversavam animadamente. Uma música tocava ao fundo e quase fui espremida na porta pelas garotas do time que me puxaram pra ensaiar nosso discurso.
Depois da famosa "surpresa", de todos agradecimentos e palavras discurssadas, me sentei em uma mesa perto de Sam e de alguns garotos.
— Cara, isso tá tão "família". — Um deles comentou com um copo de refrigerantes nas mãos. — Pelo menos o Sam vai se divertir né. — olhou pra mim, eu corei.
— Não enche, Tyler. — Sam falou, passando o braço em volta do meu ombro.
— Fala sério, a escola inteira comenta sobre vocês dois. — Ele insistiu, me fazendo olhar fixamente pro chão. — Vocês nunca se pegaram?
— Para Tyler, vai deixar a Isabella sem graça. — Adam disse, logo a nossa frente. Eu suspirei pesadamente.
— Quer dar uma volta? — Sam perguntou. Louca pra fugir dali assenti imediatamente e pegando a mão que ele tinha me oferecido caminhei ao seu lado saindo do lugar. — Me desculpe pelos garotos, eles são um pouco desconfortáveis quando ficam entendiados.
— Tá tudo bem. — Garanti enquanto caminhavamos pela rua. — O pessoal da escola fala sobre nós? — perguntei, mordendo os lábios um pouco incomodada.
— Um pouco. — Confessou, mantendo seus dedos entrelaçados aos meus. — Quer dizer, eles acham que temos que nos envolver, você lidera as garotas do vôlei e eu sou capitão do time de basquete, e somos amigos, talvez por isso devem pensar que somos namorados ou algo assim. — disse, um pouco embaraçado.
— Hum. — Sorri levemente. Estavamos virando a esquina, tinha pessoas sentadas na calçada e logo a frente havia uma praça com muitas árvores em volta. Fomos na direção de um dos bancos e nos sentamos sentindo o ar frio que começava pairar sobre a noite. — Você, uh, se importa com os comentários? — perguntei, quebrando o silêncio.
— Não muito. Eu os ignoro. — Respondeu, olhando fixamente para o nada.
— É, ignorar parece bom. — Murmurei por fim.
O que ele pensava da idéia de me namorar? A dúvida estava me corroendo, mas não me permiti estragar tudo com questionamentos bobos que podiam nos levar a uma possível discussão ou à um clima ruim. Respirando fundo, rolei meus olhos pela praça tentando encontrar algo que prendesse minha atenção.
Então eu o vi.
Parado entre as árvores a minha esquerda, com os cabelos soltos e as mãos no bolso. Não consegui visualizar sua expressão, mas ao vê-lo, algo se agitou dentro de mim. As imagens de Edward machucado começaram a rodear minha mente, seguida pelas lembranças do estupro. Filho da puta. Devia estar adorando isso tudo, soltar Edward e depois ficar me seguindo, me fazendo acreditar que estava louca porque não imaginava que seria capaz de chegar a esse extremo.
Como podia sair na rua depois do que fez? O que estava querendo afinal? Ele sabia que eu o reconhecia, por que ainda não tinha fugido daqui?
— Sam, eu já volto. Fique aqui. — Eu disse.
Minha cabeça estava em um turbilhão de pensamentos, sensações e lembranças, tudo parecia gritar pra mim agora me deixando confusa e frágil.
Meus pés estavam se arrastando pela grama pisando nas folhas caídas no chão. Eu pensava comigo mesma se isso era certo, talvez não fosse, realmente não era. Mas eu não me importava. Eu estava cansada, queria dar um basta nessa situação infeliz que minha vida se encontrava desde que tinha aberto a porta naquela noite chuvosa.
James ainda continuava exatamente no mesmo lugar o que me fez pensar que talvez estivesse realmente alucinando, me aproximei um pouco mais e me deti ficando a alguns metros da figura que mais me aterrorizava nos últimos meses. De repente, eu queria correr, queria morrer, queria chorar, queria milhares de coisas, mas me mantive imóvel.
Pressionei minhas unhas na palma da minha mão e mordi meus lábios nervosamente.
— Isabella. — Ele murmurou, com a voz rouca e um pouco fina. Todo meu corpo estremeceu ao escutá-lo chamar meu nome como se fossemos velhos amigos em um reencontro. Desgraçado! Agora meu coração estava acelerado como louco e minha respiração parecia querer ficar descompassada. — Estou surpreso. Você não correu e nem fingiu que não tinha me visto, nosso relacionamento está evoluindo.
Minha mente me alertou pra correr, todos meus instintos me diziam que não era bom ficar ali. Mas minhas pernas não me obedeciam, as lembranças que continuavam em minha mente alimentavam meu ódio que me fazia ter coragem pra ficar ali parada, de frente pra ele, ainda que muito assustada.
Seus olhos percorreram todo meu corpo, como um leão olhando uma gazela indefesa. Isso causou uma onda de nojo dentro de mim, depois de tanto tempo, ainda era possível reviver a dor daquela noite, na mesma intensidade. Eu queria matá-lo, se tivesse algo em minhas mãos não hesitaria em machucá-lo, só queria que ele sentisse dor porque não suportava aquele sorriso zombeteiro, não suportava ele estar feliz enquanto eu estava completamente devastada.
— Por que Edward? — Perguntei. Para minha surpresa minha voz saiu firme, carregada de nojo e ódio e isso pareceu ter surpreendido ainda mais o desgraçado a minha frente. Ele deu um passo a frente e todos meus sentidos se colocaram imediatamente em alerta e imediatamente recuei pra trás mantendo ainda uma distância segura entre nós. Minhas mãos estavam tremendo de medo e me sentia inquieta, como se tudo formigasse dentro de mim. — Por quê? — insisti, reconhecendo que meu controle estava indo embora. Ele não respondeu. — Responde seu filho da puta, por que está metendo minha família nisso? Por que não me deixa em paz? Por que você simplesmente não morre? — gritei.
— A culpa é sua. — Respondeu, com aquele mesmo tom calmo, dando dois passos pra frente me fazendo recuar quatro passos pra trás. — Você não me deixa escolhas, está submetendo sua família ao perigo, isso poderia ser totalmente diferente se você viesse comigo e então, eu acertaria as contas com você e não com outras pessoas.
— Vá se foder! — Eu falei, alterada. Lágrimas enchiam meus olhos fazendo minha vista ficar embaçada e levando embora minha calma. — Você e seus contas! Você e sua vida!
— Princesa, vem cá. — Chamou se aproximando, não foi um passo ou dois, ele estava mesmo vindo na minha direção e isso me deixou em pânico, me fazendo girar os calcanhares depressa forçando minhas pernas a correrem.Alguém segurou meu braço com força, me fazendo entrar em choque deixando um grito histérico escapar pela minha garganta e as lágrimas deslizarem com força pelo meu rosto. Me debati contra a mão que me segurava e em seguida ela me soltou, me virei pro lado para ver de quem se tratava e encontrei me olhando Sam com a expressão assustada.
— Bella? Tá tudo bem? — Perguntou. Ainda em pânico, me virei pra trás e vi James parado a poucos metros de nós olhando fixamente na nossa direção. — James. — comprimentou.
— Sam. — Ele respondeu.
— Bella? O que foi? — Ele tornou a perguntar, eu solucei deixando minhas emoções tomarem conta de mim.
— Me tira daqui. — Sussurrei. Sem dizer mais nada, ele enlançou minha cintura caminhando comigo em direção a rua. Eu mantive meus olhos fixos em James enquanto me afastava, queria ter a certeza que ele não estava vindo atrás de nós. Só parei de fitá-lo quando viramos a rua chegando perto do restaurante. — Me leva pra casa. — falei, ele me olhou por alguns segundos e então me direcionou até o carro.
— O que foi aquilo? — Perguntou, assim que fechou a porta e começou a colocar o cinto. Eu me encolhi no banco de trás.
— Nada. — Murmurei, secando as lágrimas. Minhas mãos ainda estavam trêmulas e frias, e a sensação de choque ainda não tinha passado. Por alguns segundos tinha acreditado que seria estuprada de novo. Mas Sam estava lá. Ele não ia me estuprar. Ele não ia me machucar. Não. Ninguém mais ia fazer o que James fez.
— Nós não vamos sair daqui até você me dizer o que o irmão da Jéssica falou pra te deixar assim. — Insistiu.
— Sam, por favor. Por favor. Por favor. Só me leve pra casa. — Eu implorei, em lágrimas. Seus olhos encontraram-se com os meus e então ele suspirou, dando partida.
— Mas que droga, Bella. Não consigo imaginar algo capaz de deixá-la assim. — Falou. — Ele estava tentando ficar com você?
— Não! — Neguei imediatamente, a idéia de ficar com James me fazia querer vômitar. Só tinha uma coisa que eu queria dele, distância.
— Então o que era?
— Nada, por favor, esqueça isso. — Pedi.
— Bella, você está em choque, parece que viu um fantasma e está me pedindo pra esquecer? Me dê um bom motivo pra mim não ir até a casa dele amanhã e perguntar que merda ele fez com você. — Sussurrou. As lágrimas vieram com mais força. Pelo amor de Deus, eu estava implorando em pensamento pra que Sam não insistisse nesse assunto, porque eu não era capaz de mentir pra ele e não queria lhe responder sobre isso.
— Sam...
— Ele machucou você? — Perguntou. Eu soltei o ar. Estava quase a cometer mais uma burrada na minha vida, mas eu não me importava, a aquela altura do campeonato não queria pensar nas consequências. Além do mais, minha vida já estava afundada na merda, o que isso poderia mudar?
— Machucou. — Respondi.
— Como? — Indagou, intercalando olhares entre mim e a estrada.
— Me estuprou. — Coloquei pra fora, e no segundo seguinte o carro brecou abruptamente.
Meu corpo foi jogado pra frente e tive que segurar com força o banco pra não bater meu rosto nele. Quando tornei a encostar minhas costas no banco de couro, me mantive de cabeça baixa. Eu não queria olhar Sam e ver sua expressão que provavelmente era de nojo. Milhares de coisas passavam em minha cabeça, como ele devia estar se sentindo? Estava arrependido da minha amizade? Provavelmente.
— Eu... — Murmurou finalmente, levantei meus olhos e para o meu alívio sua expressão não era de nojo, era de surpresa. — Eu não sei o que dizer, Bella. — completou, pelo menos seu tom continuava carinhoso.
— Não sinta pena de mim. Não se afaste. Não tenha nojo de mim. Fazendo isso, não precisa dizer nada. — Sussurrei, com lágrimas banhando meu rosto. Me movi desconfortavelmente ao sentir seu olhar sobre mim, balancei minhas pernas e olhei pela janela esperando ele finalmente se recuperar pra continuar a dirigir.
— Ele estava tentando fazer de novo? Isso foi recente? Você denunciou a polícia? Jéssica sabe? E sua família? — Perguntou, inquieto. Eu respirei fundo.
— Hoje não, Sam. Outro dia. — Falei, eu vi que ele ficou balançado mas ainda parecia concentrado em fazer perguntas. — Por favor, estou acabada por hoje.
— Tudo bem. — Confirmou finalmente. Então, ele fez algo que eu não esperava. Tirou seu cinto e pulando para o banco de trás me abraçou, enterrando minha cabeça em seu peito e me deixando chorar em seus braços pela segunda vez na mesma semana.
Depois de um longo tempo assim, ele finalmente voltou ao volante e enquanto dirigia, deixou bem claro que nada ia mudar entre nós e me agradeceu por confiar nele a ponto de lhe contar um segredo tão doloroso. Eu fiquei em silêncio, olhando os borrões que passavam rapidamente pelo lado de fora. Não queria pensar em nada. Só queria apagar e acordar no dia seguinte. Só então viveria as consequências do que tinha feito hoje.
POV SAM.
Eu estava chocado, o bastante para não conseguir me concentrar em mais nada. Durante o caminho de volta a festa, pensei em Bella e em como deve ter sido horrível ter sido violentada. Tinha milhões de perguntas em minha cabeça mas a pior coisa era saber que James estava por perto machucando-a daquela forma.
Desci do carro e entrei no local correndo meus olhos pelo restaurante, a galera estava em um canto completamente entediados. Ainda um pouco confuso e transtornado caminhei até eles.
— Eaí Sam. — Adam falou. Me sentei e olhei em volta, as meninas estavam falando sobre nós mas nenhuma se aproximou, com certeza devem ter notado que o humor por aqui não estava muito bom. — Que que pega cara?
— Brigou com a Bella? — Alec perguntou.
— Não.
— Então, o que foi? Ela tá fazendo greve? — Tyler brincou, arrancando gargalhadas da galera. O time todo estava aqui, até mesmo os reservas.
— Cara, você não tá bem, quer contar o que tá rolando? — Bryan insistiu.
— Vamos lá pra fora. — Falei, fazendo nove homens de mais de 1.80 de altura ficarem de pé no mesmo segundo, atraindo olhando masculinos e femininos de todo local. Caminhamos rapidamente pra fora e não parei até estarmos em um lugar um pouco deserto. Porra, eu estava me sentindo totalmente culpado por estar prestes a revelar o segredo dela. Mas os caras eram como meus irmãos e não descansariam enquanto não soubessem o que tava rolando. — Antes de mais nada, essa merda não pode sair daqui.
— Certo. — Concordaram.
— Cara, é a Bella. — Eu sussurrei, eles continuaram apreensivos. — Sabem o James?
— Quem é James? — Don perguntou.
— O irmão da Jéssica? O cara de cabelo grande? — Isaac lembrou.
— É, ele mesmo.
— Ah, que estava na festa da volta as aulas né? — Noah lembrou, tornei a acenar.
— O que jogou boliche com a gente? — Don perguntou, eles confirmaram. — Sei quem é. O cara loiro, velho. — acrescentou, todos pareceram recordar. — Mas o que que tem? Ele quer pegar a Bella?
— Não. — Respondi. — Ele fez uma coisa com ela. — hesitei alguns segundos então finalmente suspirei. — Merda, cara. Ele estuprou ela.
— Cara, isso é uma merda.
— Muita merda.
— Caralho.
— Uau.
— Eu... Eu estou sem palavras.
— Puta que pariu, cara isso é... Sei lá, escroto? Horrível? Surpreso? Péssimo? Não sei nem como definir.
— Nossa cara, que porcaria. Estuprou mesmo, tipo? Onde?
— Não sei o que dizer, sinceramente. Nunca imaginava isso da Bella, sei lá, ela sempre me pareceu normal só que um pouco retraída. Pensei que ela era tímida. — Noah disse, gaguejando.
— Ele sempre pareceu um mala mesmo, só não esperava isso, merda cara... Isso é uma droga.
— Isso é recente? Você já estava com ela quando aconteceu? — Frank perguntou.
— Não estamos juntos. — Suspirei. — E eu não sei, nós encontramos ele hoje e ela acabou me contando. Mas sem detalhes. Eu acredito que não é recente, mas de qualquer forma, James está no caminho dela. — Falei.
— Mas que filho da puta. — Tyler disse raivoso. — Cara, isso é grave. Como ele continua por aqui?
— Um estuprador rondando nossa galera? — Alec falou, cerrando os punhos. — Cara, eu tenho uma irmã! E ela é amiga da Jéssica, caralho! E se ele tentar pegar minha irmã?
— Porra! Verdade! Se ele fez com a Bella pode tentar fazer com a minha namorada. Ela faz parte do time de vôlei.
— É, um estuprador nunca faz uma vez só. Merda velho, eu tenho uma prima na escola, que porcaria. — Noah disse, irritado. — E a Bella tá legal? Cara, se ele quiser tocar nela, a gente faz alguma coisa, o cara não vai fazer essa merda perto da gente.
— Mas que desgraçado. Porra, coitada da Bella. Agora entendo o jeito reservado dela.
— Preciso que isso não saía daqui, tudo bem? Não quero que ela saiba que todos vocês estão sabendo. Não contem pras suas namoras, nem irmãs e nem amigas, certo? — Pedi.
— Isso é muito grave Sam, como você quer que mantenhamos em segredo? E quanto a Bella? E se ele tentar algo? — Adam insistiu.
— Ele não vai-
— Eu vou manter olhos vivos nesse cara, se ele se aproximar de qualquer garota diante da minha presença eu vou matá-lo de tanta porrada. — Don garantiu.
— Conte com a minha ajuda. — Isaac falou, bufando logo depois.
— Cara, me escutem. Mantenham segredo, ok? Pela Bella. Quando ela me contar tudo, vamos descobrir o que fazer. — Falei, eles não pareciam dispostos a guardar isso pra si, então eu apelei: — Por favor, eu estou pedindo caralho.
— Não vou falar nada sobre a Bella, mas não tem nada que me impeça de quebrar a cara dele se o ver na rua. Vou fazer ele engolir o pau escroto dele. — Tyler falou, por fim. Uma chuva de protestos começou a cair, todos eles falavam ao mesmo tempo vísivelmente irritados e planejando a morte lenta de James. Eu suspirei me encostando na parede. Ele não ia encostar na Bella, de jeito nenhum, não comigo aqui.
FIM DO POV SAM.
POV ISABELLA
A casa estava silenciosa, provavelmente Esme estava dormindo e Jasper devia estar na festa. Minhas mãos trêmulas trancaram a porta e ascendi todas as luzes, percorrendo a sala, a cozinha, o quarto de ferramentos, o banheiro e a sala de jantar, entrei em todo cômodo do andar de baixo que tivesse uma porta ou uma janela, conferia se estava tudo trancado e se não tinha ninguém escondido pela casa.
Ok, eu era louca.
Estava com inúmeras sensações por todo meu corpo, mas o medo parecia ser a maior delas e isso me fazia soluçar baixinho enquanto apagava as luzes e começava a me dirigir pro andar de cima. Subi as escadas olhando pra trás, como se alguém pudesse sair da escuridão e me pegar, eu respirei fundo ao ver a luz ascesa iluminando o longo corredor, praticamente correndo entrei no meu quarto, e depois de verificar se a janela estava fechada e se o banheiro, o closet e em baixo da cama não tinha nenhuma presença masculina, tranquei a porta e me joguei na cama.
E chorei.
Chorei como queria ter feito na frente de James, chorei de ódio, chorei de dor, chorei pra liberar a tensão que estava sobre mim. Chorei porque queria fazer James sumir, evaporar assim como toda minha dor. Meus sentimentos misturaram-se de uma só vez e depois de alguns segundos já estava chorando com saudade de Edward, chorando porque ele tinha dormido com a tal de Leah, chorando porque ele estava machucado, chorando porque queria que as coisas fossem diferentes e afogando todas essas malditas lágrimas e todos esses malditos soluços no meu travesseiro.
Devo ter ficado inúmeros minutos daquela forma, mas finalmente a intensidade do choro começou diminuir e eu senti um cansaço mental e físico se apoderar de mim me fazendo adormecer alguns segundos depois.
Eu acordei um pouco antes das 8h da manhã, a janela estava aberta e assim que começou clarear, a luz do dia veio de encontro ao meu rosto. Caminhei lentamente até o banheiro e parei em frente ao espelho observando a minha imagem refletida nele, maquiagem estava toda borrada e meus cabelos pareciam um ninho de passáros, meus olhos estavam um pouquinho inchados e a dor de cabeça parecia querer me lembrar da noite conturbada que havia tido.
Com um suspiro me livrei das roupas e fui em direção ao chuveiro.
Tomei uma ducha demorada, queria estar apresentável e sem traços que demonstrassem que algo estava errado. Blusa branca, calça e tênis. Sequei os cabelos molhados e não tive coragem de passar maquiagem, provavelmente iria justificar essa minha cara de desanimo devido a festa de ontem.
Estava louca pra ver Edward, chorar por ele ontem a noite me deixou inquieta, isso era ciúme ou saudade? Não sabia explicar, mas tinha incomodado bastante e eu não queria continuar sentindo essas sensações. Tinha que admitir que ele estava tomando mais espaço do que devia na minha vida, meus pensamentos eram quase todos direcionados a ele e sua falta me atingia como de nenhuma outra pessoa. Sentimentos desconhecidos passaram a aflorar em mim e eu lutava ardilosamente contra eles, mesmo sabendo que a probabilidade de estar apaixonada já era muito alta.
Ao mesmo tempo que queria vê-lo, não queria também. Tinha quase certeza que Edward ia notar algo errado e que me faria contar. Eu não devia ir ao hospital, pelo menos não hoje, mas alguma coisa parecia formigar dentro de mim me obrigando a fazer uma pequena mala e descer as escadas pra pedir dinheiro a Esme.
Acabei tendo que mentir pra ela, dizendo que Carlisle tinha me pedido pra ir porque viria pra casa. Ela sorriu e amargamento disse, que ele devia estar adorando esse tempo longe dela.
Durante o caminho, pensava em tudo que tinha feito ontem. Em como tinha sido idiota de me aproximar de James, era obvio que ele ia jogar na minha cara a culpa que eu tinha por Edward estar machucado e me deixar ainda mais magoada. Depois, contar ao Sam, apesar do alívio que senti agora estava preocupada com sua reação, segunda feira era dia de descobrir se o que eu tinha dito ia interferir na nossa relação.
Ao chegar no hospital fui direto pro banheiro e fiquei ensaiando em frente ao espelho alguns sorrisos e expressões. Eu não queria que Edward soubesse, não queria ouvir sua repreensão. Hoje era um daqueles dias que só queria ficar nos seus braços por horas, sem preocupação, sem brigar, sem falar... Só sentindo.
— Filha? — Carlisle chamou, da recepção. Me virei e o fitei. As olheiras eram visiveis e sua expressão era de total cansaço, e eu sabia que isso era tudo culpa minha. Ninguém estava dormindo direito ou tendo uma rotina normal naquela casa por conta de tudo que estava acontecendo. Suspirei.
— Pai. — Respondi, um sorriso iluminou seu rosto exausto.
— Oi querida, veio cedo. Acabei de voltar, tinha ido tomar um café. — Disse, pegando minha mochila e colocando a mão em minhas costas, caminhando comigo mas mantendo uma certa distância.
— Ah. — Murmurei. — Você não quer ir pra casa? Esme está fazendo aquele prato italiano que você adora. — falei, seus olhos encontraram os meus e ele suspirou desviando deles e olhando pra baixo. — Olha, eu sei que as coisas estão complicadas, me desculpe por me meter, é só que acho que você devia ir pra casa descansar. Volta a noite, umas 21h, quando acabar meu horário de visitas. Eu fico com Edward.
— Ah, você... Acha que eu devo ir? — Perguntou, enquanto caminhavamos pelo corredor quase vazio.
— Esme sente sua falta. — Afirmei.
— Bella-
— Eu sei. — Interrompi. — Só vá, ok? Ela precisa ver você.
Ele suspirou e relutou bastante parado na frente do quarto do hospital, passou a mão nos cabelos diversas vezes e por fim, esfregou os olhos.
— Tudo bem. Eu vou. — Respondeu, por fim. A conversa estava encerrada mas ele não parecia fazer questão de entrar. Já estavamos parados na porta a alguns segundos e eu estava ansiosa pelo que estava dentro do quarto.
— Edward está dormindo? — Perguntei.
— Não, ele acordou bem cedo. — Disse, ainda um pouco relutante.
— Ah, então... — mordi os lábios. — Vamos entrar?
— Você não quer comer nada antes? — Indagou. — Ou você tomou café em casa?
— Comi alguma coisa em casa. — Menti, um pouco inquieta.
— Ah. — Respondeu, parecendo um pouco desanimado. — Alguns amigos do Edward vieram vê-lo ontem.
— Oh, isso é bacana. — Falei, um pouco surpresa. Era bom que os amigos dele tivessem vindo, pelo menos ele teve alguém pra conversar e distrair um pouco seus pensamentos. Carlisle não pareceu notar nada de errado comigo, então provavelmente Edward também não notaria.
Dando um passo a frente fiz menção de entrar no quarto mas, Carlisle entrou em minha frente me fazendo fitá-lo confusa com sua reação.
— Tem uma amiga com ele agora. — Disse. Eu arqueei uma sobrancelha e peguei minha pequena mala de suas mãos, decidida o empurrei delicadamente e abri a porta invadindo o quarto de supetão.
Edward estava sentado na cama, com uma camiseta e uma calça moletom clara, seus cabelos estavam molhados e a barba estava feita, os olhos verdes pareciam estranhamente animados e isso me fez correr imediatamente meu olhar pelo quarto, encontrando uma mulher sentada no sofá com as pernas cruzadas.
Uma mulher dos cabelos negros e curtos que deslizavam até seus ombros em cachos perfeitos, nariz pequeno, boca delicada e as maças do rosto cheias na medida certa. Olhos puxados e delineados por uma maquiagem impecável e não muito exagerada. A postura ereta e as pernas a mostra por conta do shorts que usava, acompanhado por um sapato de salto alto preto e fechado.
— Bella. — A voz de Edward interrompeu minha observação. — Oi, eu não esperava você tão cedo.
— É? — Perguntei, virando-me pra ele.
— Olá. — A mulher finalmente falou. Não a olhei. — Sou Leah, e você deve ser a Bella, certo?
— Isabella, pra você é Isabella. — Respondi finalmente, tomada por um estranho sentimento. Aquele que me fazia ter vontade de pular no pescoço dela. Eu não sabia dizer o que era mais frustrante, saber que Edward tinha transado com ela ou o fato de Leah ser tão bonita.
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