Hello
34 Capítulo 34
34
— Como quiser. — Disse, ainda suavemente. — Muito prazer, Isabella.
A voz dela me irritava, tudo nela me irritava e isso porque nem conseguia olhar pra ela.
Esse sentimento era ciúme ou raiva? Eu com certeza não saberia diferenciar, de qualquer forma ambos estavam ligados a decepção e ao medo. Decepção sim, porque estava esperando chegar aqui e me atirar nos braços de Edward depois de uma noite tão conturbada. E agora tinha o medo também, medo dela ser uma companhia mais interessante do que eu. Medo dela roubar a merda da atenção que era pra ser direcionada a mim.
— Leah, você já estava indo, não é? — Edward perguntou depois de alguns segundos de profundo silêncio. Desviou seus olhos de mim e sorriu pra ela.
Ele sorriu. A merda daquele sorriso lindo. E não era pra mim. E o que eu esperava? Que ele fosse sorrir somente pra mim? No fundo eu tinha que admitir que a idéia era ótima. E Céus! A que ponto tinha chegado, estava brava por causa de um sorriso. Um sorriso que ele poderia dar a qualquer pessoa.
— Eu-
— É, eu e a Bella precisamos ficar sozinhos. — Falou, interrompendo a garota que ia começar a dizer algo. Apesar das palavras seu tom estava neutro e seu rosto tinha uma expressão amigável.
Eu finalmente mordi meus lábios e movi meus olhos na direção de Leah, ela estava levantando do sofá enquanto apanhava sua bolsa. De pé ela era ainda mais bonita e mais alta do que eu, arrisco a dizer que tinha quase a altura de Edward, mas também possuía um corpo cheio de curvas que correspondia ao seu tamanho.
— Bem, acho que já posso ir então. — Murmurou. — Você quer que eu venha amanhã?
— Não.
E para minha surpresa essa recusa partiu de mim. Foi impulsivo. Eu não consegui controlar. Edward se virou na minha direção com a sobrancelha arqueada em tom de aviso e imediatamente fiz uma expressão inocente porque eu realmente não tinha feito nada.
— Eu, — Começou mas se interrompeu, passeou os dedos pelos cabelos macios e depois suspirou. — Melhor não Leah, a Bella vai ficar por aqui, você já perdeu bastante tempo ontem e hoje. Acho que logo vou pra casa e então você e a galera marca um dia pra me visitar. — disse, por fim.
— Oh. — Disse, parecendo um pouco surpresa. — Tudo bem, então... Eu te ligo. Hum, melhoras. — começou a caminhar na minha direção pra passar pela porta. — É um prazer conhecê-la.
— Leah, você quer que eu lhe deixe em casa? — Carlisle perguntou. E então me dei conta de que ele estava na porta.
— Se não for incomodo...
— Nenhum. Me dê alguns vou arrumar alguma coisas porque também tenho que ir pra casa. — Falou, enquanto passava por mim e ia na direção de sua pequena mala, enfiando tudo que tinha no sofá dentro dela.
Enquanto Carlisle se movimentava, eu tentava sustentar o olhar que Edward travava comigo. Não era um olhar irritado, mas era insatisfeito. Eu não queria começar uma briga, nem me demonstrar arrogante e por isso cortei nossa troca de olhares abaixando timidamente minha cabeça. As horas sem vê-lo realmente tinham me deixado muito fragilizada. Eu só queria beijá-lo e sentir todo seu corpo. Quanto tempo estavamos sem nos tocar? E por que isso estava me afetando?
Então isso era paixão? Querer a mesma pessoa a todo momento?
— Bem, se cuidem. — Carlisle disse quando já estava com tudo pronto, me tirando assim dos meus pensamentos. Eu lhe dei um sorriso fraco e esperei ambos se retirarem. A porta bateu e foi então que levantei meu olhar.
— Eu juro que queria estar irritado, mas você fica extremamente linda com ciúme. — Edward disse, sorrindo. Agora era pra mim. Aquele sorriso devia ser meu.
— Ela ficou aqui ontem também. — Afirmei, enquanto caminhava em direção a cama. O sorriso desapareceu. — Ela deve ser uma ótima companhia.
— Aposto que não é melhor que as pessoas que estavam na festa ontem. — Contra-atacou. Eu suspirei parando em sua frente.
— Claro, eles eram tão divertidos que não consegui parar de pensar em você um só minuto. — Falei abruptamente, fazendo aquele sorriso reaparecer um pouco mais iluminado. Sem dizer uma só palavra deslizei meus dedos pelo seu rosto e mordi meus lábios segundos antes de esmagar meus lábios contra os dele.
Eu senti ele ficar surpreso e depois deslizar sua mão livre pelos meus cabelos e me puxar com mais força na sua direção dele. Nossas línguas juntaram-se em uma dança sensual, elas estavam intensas e rápidas, e com cuidado passei meus dedos pelo seu abdômen e depois pelas suas coxas grossas. Eu queria tocar todo seu corpo e sentir sua pele quente. Mas ele não podia se esforçar, eu sabia disso e mesmo assim queria tocá-lo.
Não.
Eu ia tocar Edward. Eu precisava disso.
Eu direcionei meus dedos na direção das suas calças, puxando o cordão fazendo-as afrouxar em seu corpo.
— Bella, o que você está fazendo? — Ele perguntou sussurrando contra meus lábios.
— Shi, não fale. — Sussurrei, beijando-o com mais intensidade.
— Bella... — Ele tornou a falar. Mordi seu lábio inferior sugando-o antes de me separar dele e deslizar minha boca pelo seu pescoço dando uma leve mordidinha, abaixei mais um pouco e puxei a calça pra baixo. O suficiente para que seu membro ficasse a minha disposição. — Isabella, o que você... Não! Eu não...
— Não quer? — Perguntei, lambendo meus lábios enquanto envolvia seu pau delicadamente em minhas mãos.
— Oh, merda. Claro que eu quero. Mas não estou em condições de lhe retribuir adequadamente- Caralho. — Xingou, interrompendo o que ia dizer quando o acaríciei de cima pra baixo fazendo leves momentos de vai e vem. Eu continuava olhando em seus olhos apreciando cada reação dele. Era excitante vê-lo perder a linha de raciocínio, isso me fazia pensar que tinha algum poder sobre ele.
Quebrei nossa troca de olhares para me inclinar sobre ele, a mão de Edward agarrou meus cabelos provavelmente tentando me impedir de chegar ao meu destino. Eu não me importava se ele não podia retrubuir, eu queria tocá-lo. Não podia também exigir o troco porque Edward estava nessas condições por minha causa, não era culpa dele.
Forçando um pouco minha cabeça, cheguei a altura que precisava e segurando-o em pé, passei timidamente minha língua pelo começo de seu membro. Edward cheirava a sabonete, provavelmente tinha tomado banho quase agora e isso era ainda melhor. Suguei devagarzinho a ponta e tornei a lambê-la fazendo seu aperto em meus cabelos se intensificar.
Relaxei minha garganta como as meninas tinham dito pra fazer e lentamente comecei abocanhá-lo, fiz meus lábios ficarem em forma oval para recebê-lo e fui apertando-o dentro da minha boca usando minha saliva para fazê-lo deslizar de dentro pra fora algumas vezes.
— Bella. — Gemeu, suavemente. Era quase um sussurro e aquilo me deu a confirmação de que ele estava gostando.
Comecei a fazer os movimentos um pouco mais rápido, penetrando-o na minha boca até onde ele cabia, é claro que não entrava inteiro porque toda vez que tocava minha gargante eu recuava. Um sexo oral não era prazeiroso, ao contrário do que dizem o pênis não era algo viciante, o que realmente viciava eram as reações que o oral causava em Edward, isso me fazia querer repetir o processo inúmeras vezes.
— Eu falei com James. — Murmurei, quando o tirei da boca. Os dedos de Edward se apertaram em meus cabelos e eu tornei a chupá-lo com mais força, fazendo-o soltar um gemido provavelmente esquecendo o que eu tinha dito. — E contei pro Sam. — Falei, enquanto masturbava-o com as mãos lambendo sua cabeçinha de forma rápida e molhada.
— O quê? Bella, você... Caralho! — Gemeu, quando tornei a sugá-lo novamente enfiando o mais fundo que podia na minha boca.
— Contei pro Sam que fui violentada. — Confessei antes de massagear seus testículos e lamber toda extensão do seu pau, levantando meus olhos para fitá-lo. Substitui minha boca pelas minhas mãos e em movimentos rápidos comecei a masturbá-lo.
— Bella, você enlouqueceu? Que merda deu na sua cabeça? Sam vai contar pros amigos. Você falou com James? De novo? Você ficou louca? Quer me matar de preocupação estando nessa porra desse hospital? — Perguntou. Eu percebi que ele estava concentrado no assunto e então fiquei na ponta dos pés me aproximando de sua orelha.
— Não liga pra isso. — Sussurrei, fazendo movimentos mais fortes. — Eu tô aqui. Aqui, no hospital, na sua frente, louca pra te ver gozando só pra mim.
— Isabella... — Ele gemeu, descontrolado.
— Você gosta quando eu falo sujo, não é? — Perguntei. Sua respiração acelerou e eu notei como uma de suas mãos agarraram o lençol com força.
— Eu gosto. — Disse, entredentes. — Bella...
— Quer que eu fale sujo pra você? — Eu indaguei, fazendo a voz mais sedutora que conseguia.
— Para com isso, por favor. — Pediu. — Você... Você não pode me distrair assim... Eu quero brigar com você. Quero saber o que aconteceu.
— Não. — Eu murmurei, mordendo seu lóbulo continuando a masturbá-lo. — Você quer se libertar não quer? Quer gozar em toda minha roupa, quer me deixar toda suja com seu líquido, quer me penetrar, quer me tocar, quer me beijar... Isso é o que você quer.
— Mmmmmm. Porra! Não para! — Pediu quando intensifiquei os movimentos.
Ficamos em silêncio, eu só escutava sua respiração acelerada e alguns gemidos baixos que escapavam por seus lábios. Ele estava completamente duro, pulsando entre os meus pequenos dedos. Sua cintura se inclinava pra frente várias vezes e seus dedos começaram a ficar brancos devido a tamanha força que ele colocava neles ao apertar o lençol.
Ele estremeceu, então eu soube que Edward viria logo. Em alguns segundos ou agora mesmo.
Foi tudo muito rápido, ele me empurrou bruscamente me fazendo soltá-lo e suas mãos substituiram as minhas segurando seu pênis enquanto algumas gotas esguichavam em direção ao chão. Eu sorri satisfeita, ao ver sua expressão de puro prazer e satisfação. Seus olhos verdes se abriram lentamente e ele soltou sua respiração presa, me fitando com toda a lúxuria que pairava em seus olhos.
Eu suspirei.
Deus, eu estava completamente apaixonada por esse homem.
— Fique aqui. — Ele disse, levantando-se da cama com uma leve careta de dor.
Edward não me encarou, nem mesmo quando voltou do banheiro com algumas folhas de papel toalha e limpou o que havia derramado no chão. Eu queria ajudar, mas seu tom tinha sido um pouco duro e por conta disso me mantive no lugar esfregando minhas mãos nervosamente enquanto capturava cada movimento dele.
Quando finalmente terminou, voltou a se sentar na cama e finalmente pude olhar em seus olhos. Mordi meus lábios diversas vezes esperando por qualquer som que escapasse de sua boca mas não veio nada. Edward me observava calado e aquilo me deixava inquieta, seu olhar era sempre tão avassalador e parecia mais intenso agora que eu tinha detalhes escondidos dele.
— Eu não quero brigar com você. — Falei antes que ele puxasse qualquer assunto, queria deixar as coisas bem claras.
— Não?
— Não. Eu vim porque estava com saudade de você e não porque queria discutir com alguém. — Confessei.
— Você falou com James de novo. — Acusou.
Ah, então ele não tinha escutado minha última frase.
— Isso também é difícil pra mim, Edward. Não é simplesmente não querer falar. Ele fica lá, com aquela expressão arrogante esperando que eu abaixe minha cabeça e fique calada mesmo sabendo que você está todo ferrado por causa dele. O filha da puta ainda tem coragem de aparecer na minha frente! Que merda ele tem na cabeça?
— Ele é doente, o que você esperava? — Perguntou, com o tom levemente alterado.
— Doente? Doente? Ele é no mínimo-
— Você disse que não queria brigar. — Lembrou. Eu me calei, engolindo toda a raiva que estava na ponta da minha língua. — Eu também não quero e também estava com saudade, mas esse assunto me irrita completamente.
— Desculpe. — Sussurrei, dei alguns passos pra trás e finalmente dobrei meus joelhos caindo sentada no sofá macio. Coloquei meus cabelos pra trás da orelha e o encarei. — Mas de alguma forma parece que você está defendendo-o quando diz que ele é doente, como se isso justificasse alguma coisa, como se fosse verdade.
— A droga deve ter fodido todo o juízo dele, isso é notável. Bella, qual a primeira reação de uma pessoa que estupra alguém? Fugir. Principalmente quando sua vítima está protegida como você está e além disso, James sabe que está correndo perigo. Isso nos dá duas alternativas, ou ele tem um plano muito bom ou não está pensando claramente. Sua mente deve estar no mínimo acabada e isso pode estar impedindo-o de ver o perigo que corre, de qualquer forma, mantenha-se longe dele, James já demonstrou que não tem medo de aparições públicas e diálogos ameaçadores. Ele deve achar que não precisa ter medo já que ninguém sabe da história e não teria como denunciá-lo, e-
— O Sam sabe. — Confessei, interrompendo-o. Ele arqueou uma sobrancelha e uma expressão levemente raivosa modelou seu rosto. Os olhos verdes passearam por toda minha face e depois ele balançou a cabeça como se quisesse se livrar de algo, e finalmente suspirou. Eu percebi que Edward não ia falar nada e por isso tratei de me explicar. — Eu só contei porque ele estava presente quando falei com James e foi um pouco perturbador.
A necessidade de me explicar parecia ainda maior, mas me calei quando notei um sentimento diferente em seu olhar. Tentei decifrá-lo inutilmente, logo ele desviou seus olhos de mim e me impediu de ver seu rosto ao abaixar a cabeça.
Um minuto.
Silêncio.
Dois minutos.
Silêncio.
Três minutos.
O que eu tinha feito pra merecer seu silêncio? Pra não merecer nem mesmo seu olhar? Tudo bem, ele tinha o direito de estar preocupado e não de me ignorar. Edward não podia fazer isso, não depois de horas extremamente cansativas longe dele.
Mordi meus lábios tentando controlar minha língua que se movia dentro da minha boca louca pra emitir algum som que quebrasse aquele gelo. Mas por que eu tinha que quebrar? A resposta era óbvia, porque eu me sentia culpada.
— Você me disse que falar ajudava. — Argumentei.
Ele me fitou furioso.
— Exatamente. Eu disse. Eu insisti. Eu pedi. Eu implorei. E o que eu recebi? Migalhas como respostas. Tive que procurar confusão pra saber o que de fato aconteceu. Agora foi fácil contar pro Sam, né? Ele te passa mais segurança do que eu?
— Isso é ciúme? — Perguntei, lambendo meus lábios.
— Responda minhas perguntas. — Disse, com o tom um pouco mais elevado.
— Não.
— Não, o quê? — Insistiu.
— Não pras duas perguntas. Não foi fácil e ele não me passa segurança. — Respondi. Edward bufou. — E quer saber mais? — comecei, ótimo era hora de soltar minha língua. — Eu queria contar pra você, juro que queria, mas você era o único homem que parecia se importar comigo e que me desejava como mulher, e eu não queria ser idiota suficiente pra destruir isso. Eu tinha medo de você não me querer mais e Edward, a pior merda que poderia acontecer era te ver sentindo nojo de mim.
— Por que um idiota te violentou?
— É! — Eu quase gritei. — Você não tem noção de quanto nojo eu senti do meu corpo e isso porque era meu, imagina outra pessoa? Qual é Edward, nem todo homem ia encarar como você.
— Encararia sim, se ele estivesse apaixonado como eu estou. — Respondeu, em tom mais baixo. Ok, eu tinha que admitir que adorava escutar ele falando que era apaixonado por mim, soava como uma boa melodia que amolecia algo dentro de mim. As reações por Edward estavam se intensificando, a cada momento eu parecia mais entregue e isso estava me assustando porque pela primeira vez, eu queria sentir.
Eu suspirei deixando claro que ele tinha ganhado aquele começo de discussão, minha cabeça ainda estava exausta por conta as emoções de ontem e não estava pronta pra formular respostas rápidas, ainda mais depois que ele falava tão docilmente comigo me obrigando a deixá-lo ganhar.
— Sam reagiu bem? — Indagou, depois de longos instantes.
— Muito bem.
— Ele não vai contar pra ninguém? — Perguntou, cheio de receio em seu tom.
— Não, eu acho que não. — Respondi. Eu não tinha certeza, mas Sam tinha ficado muito surpreso e sabia que esse não era um assunto que deveria ser espalhado. Contar pra ele foi extremamente difícil, eu estava confiando meu maior segredo e não queria me arrepender. Afinal, alguém ia ter que saber disso em algum momento e começar pelo Sam parecia uma boa ideia.
— Você parece confiar muito nele.
— É, eu estou trabalhando nisso. Tentando confiar nas pessoas. — Murmurei. — Sinta-se a razão disso.
— Uau. De nada. — Ele sorriu, deixando toda aquela expressão marrenta de lado. Ponto pra mim. Abri minha boca pra dizer mais coisas, porém a enfermeira entrou no quarto e eu me limitei a dar um sorriso fraco procurando algo pra fazer enquanto ele era medicado.
O sábado passou rápido e sem surpresas, Edward fez exames praticamente a tarde toda. Descobri que ele tinha tido uma febre alta durante a noite e que estava sentindo umas pontadas desconfortáveis no nariz. Isso fez ele ser medicado fortemente e dormir o resto do tempo que fiquei no quarto.
Carlisle chegou junto com Esme por volta das 19h, dei um beijo rápido na testa de Edward, que ainda estava adormecido, e voltei pra casa no silêncio tenso do carro.
Esme estava frustrada, isso era vísivel. Agora Carlisle não tinha receio nenhum em mostrar sua indiferença e manter distância dela, talvez ele ainda fingesse algo antes porque eu não sabia da história e como Edward falou, estavam tentando ser uma boa família pra que eu me sentisse feliz.
O problema é que eu não sabia de que lado ficar, não podia julgar e nem proteger, não podia concordar e nem discordar. Pra mim o meio termo parecia bom. Eu não tinha que me meter, não tinha absolutamente nada a ver com a vida deles, afinal, eles nem eram meus pais verdadeiros.
Estava absurdamente cansada, ao chegar em casa jantei e depois de dois comprimidos pra alguma coisa, peguei no sono.
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Passei o domingo inteiro fazendo as lições e trabalhos que foram acumulados e perdidos durante as semanas, apesar da minha vida e minha mente estarem uma bagunça incontrolável, isso não podia afetar meus estudos. Sempre fui uma boa aluna, desde cedo minha mãe sempre me alertava sobre a importancia da educação e dizia que nada devia atrapalhar minhas notas, eu tinha que ser centrada e forte suficientemente pra administrar toda minha vida sem deixar ela interferir na escola.
Nas últimas semanas isso estava sendo impossível. Tinha perdido várias matérias e agora tinha que estudá-las loucamente pra conseguir passar nas provas.
Eu tenho um time de voleibol pra treinar, tenho um namorado que precisa da minha companhia, tenho pais que mal se falam e um filho da puta me rodeando. Isso tudo me enchia até o topo, me deixava exausta e com vontade de desistir, mas eu não podia, eu tinha que aguêntar firme só mais alguns momentos. Uma hora essa merda ia ter que passar.
Segunda-feira.
O dia já tinha começado mal.
Depois de ter acordado por volta das 5h após ter um sonho caliente com Edward, não consegui dormir de novo e isso me deixou totalmente sonolenta enquanto me arrumava.
Nada de maquiagem pesada, nada de grandes produções. Só ajeitei meus cabelos e passei um deliniador simples e um batom claro. Joguei a roupa do treino dentro da bolsa e conferi se todos os trabalhos feitos ontem estavam no lugar certo, depois disso, desci e tomei café em silêncio com Jasper e Esme.
O caminho também foi quieto. Sinceramente não me incomodava. Eu não tinha assunto pra preencher o ambiente e também não me interessava pelo que eles falavam. Por ora, o silêncio era um grande amigo.
— Bella, treino hoje? — Uma garota perguntou, assim que entrei no estacionamento da escola.
— Sim, no horário de sempre. — Respondi, caminhando em direção ao prédio vermelho e branco, com alguns destaques pintados em um azul escuro.
— Hey Bella. — Alguém comprimentou. Eu respondi com um aceno e continuei meu caminho. Tinha alguém que eu queria ver em especial, que precisava conversar e ver qual seria sua reação depois de 48 horas. O que Sam devia estar pensando de mim? Eu deveria abordá-lo? Isso não ia parecer pressão? Será que ele contou pra alguém?
Eu mordi meus lábios.
Era melhor parar de me atormentar com tantas dúvidas e ir logo vê-lo.
Estava quase chegando na minha sala quando algo, ou melhor, alguém atraiu minha atenção. Eu geralmente nunca reparava nas pessoas, dificilmente percebia algo mas aquilo estava vísivel e chamativo. Uma sensação estranha se apoderou de mim, de repente eu tinha ficado enjoada e milhares de coisas começaram a passar pela minha cabeça.
Jéssica estava vindo no corredor, conversando com uma amiga. Usava uma blusa preta com o capuço, porém o vento o arrancou e levou seus cabelos pra trás. E foi nesse momento que notei seu olho roxo e os lábios inchados com uma marca avermelhada em baixo deles, um corte talvez. Eu parei no meio do corredor e observei que ela andava com dificuldade, tentava disfarçar mas estava mancando da perna esquerda. Os olhos estavam baixos e as mãos encolhidas contra o corpo, parecia totalmente indefesa e um pouco amedrontada. Alguém tinha machucado-a e eu sabia quem tinha sido.
Eu queria ir até lá, queria perguntar que merda estava acontecendo só que não conseguia sair do lugar. Estava tão ocupada sentindo raiva da Jéssica que nem mesmo tinha parado pra pensar que o monstro do irmão dela poderia estar ferrando a vida dela também.
Me obriguei a ter uma reação e sem pensar, empurrei diversas pessoas praticamente correndo até ela.
Parei de supetão em sua frente fazendo-a me olhar assustada, ela tinha colocado a touca novamente mas agora de perto seus machucados eram bem mais intensos. Que merda ele estava fazendo com ela?
— Bella. — Ela murmurou vacilante. A estava voz fraca e a aparência cansada como se tivesse se esforçado muito e dormido pouco. — Se for sobre aquilo-
— Ele está fazendo isso com você? — Perguntei, sem rodeios. Minha voz saiu trêmula, meu corpo inteiro estava arrepiado e eu estava com muita raiva, não suportava ver outra pessoa passar pela mesma coisa que eu e não fazer nada.
— Quer um conselho? Fique longe disso, não é da sua conta. Eu sou uma vadia. Foda minha vida depois que foder a dele. Eu mereço também. — Disse, baixinho. Não havia raiva na sua voz, na verdade, ela soava muito sincera e calma. Depois disso, me empurrou passando por mim e me deixando ali parada e chocada.
Eu queria segurá-la e obrigá-la a me dizer que merda estava acontecendo mas não tinha condições de fazer isso, então, só deixei ela escapar pelo corredor lotado de pessoas que caminhavam rapidamente procurando pela sua primeira aula. Fiquei algum tempo sem me mover, o barulho do local parecia estar sumindo, talvez fosse porque meus pensamentos estavam altos demais.
Merda, o dia só estava começando e a semana também, por que estava tudo tão ruim?
Minha concentração na aula estava completamente perdida, a todo momento minha mente fazia questão de me levar pra longe dali. As lembranças estavam me matando, principalmente as de Jéssica completamente feliz meses atrás, procurei alguma coisa que me indicasse que ela estava infeliz por causa da volta do irmão, alguma palavra ou algum comportamento estranho. Não achei nada. E isso era minha culpa, afinal eu nem reparava nela.
Estava tão preocupada em fazer uma imagem ruim dela que nem mesmo pensei por um segundo que James poderia fazer o mesmo com ela. Ele podia fazer com qualquer um porque era um monstro, um desgraçado que parecia não ter nada a perder. Pela primeira vez as palavras de Edward faziam algum sentido pra mim, alguém ia perceber essa merda e ele sabia disso, e por que então não estava se importando em se esconder? Por que não estava fugindo? Por que estava fazendo tudo no claro?
Me forcei a desistir de tentar entender alguma coisa que se passava na mente dele, nenhuma das suas ações pareciam se encaixar, isso não era jogo ou pelo menos não parecia ser. James estava só atacando, sem se preocupar em preparar sua defesa. Ou ele era muito burro ou tinha um plano muito forte mas independente do que fosse, me dava medo e muita raiva.
Agora eu queria denunciá-lo, correr pra delegacia e fazer um escandalo. Até quando ele ia machucar pessoas? Por que ninguém estava vendo o que James fazia? Por que só eu via?
Onde estavam os pais de Jéssica? Por que ela estava toda fodida? E por que ela pensava que merecia algo como isso?
Mas que droga!
Com quem eu estava lidando afinal?
Finalmente chegou a hora do intervalo, eu praticamente corri até o pátio onde todos se reuniam e comecei procurar por Jéssica. Durante as aulas tinha pensado em algumas coisas que pretendia dizer, não queria ser agressiva e nem intimidá-la, eu devia saber que aquela merda era difícil pra ela também. Ia me desculpar pelo meu comportamento egoísta, me desculpar por não ter pensado nem por um momento nela e em sua família. Me desculpar por não ter conseguido colocar esse filha da puta atrás das grades. Me desculpar por ser tão fraca. Me desculpar por não me preocupar com nada além de mim. Me desculpar por não saber me desculpar.
Tinha tantas coisas a dizer. Mas não havia sinal dela.
Não estava na fila da lanchonete, não estava na cafeteria, não estava sentada com as meninas e nem andando pelo local. Decidi esperar um pouco mais, caminhei até a lanchonete e ainda correndo meus olhos pelo local pedi um sanduíche e uma coca-cola. Onde Jéssica tinha se metido?
Quando meu pedido ficou pronto quase todos já estavam sentados em suas mesas, sem muita alternativa caminhei até o centro do refeitório e puxei uma cadeira na mesa das garotas. Não queria me sentar com elas, muito menos bancar a social mas, a mesa que elas ocupavam tinha uma visão previlegiada de todo o local e eu queria ver quando Jéssica chegasse.
— Hey Bella, chegou bem na hora, estamos falando sobre as novidades. — Ang disse, eu sorri e comecei a comer.
— Hoje é dias das novidades pelo visto. — Alguém comentou mas eu ignorei correndo meus olhos novamente pelas portas. Nem sinal dela. — Mas sem dúvidas, Jéssica aparecer toda ferrada foi a mais forte da semana.
Elas conseguiram minha atenção depois disso. Minha total atenção.
— Será que foi o Peter? — Kate perguntou, eu arqueei minha sobrancelha mas continuei fingindo estar concentrada em meu lanche. — Quer dizer, vocês sabem que ela sempre foi apaixonada por ele e esses dias eles discutiram feio, pelo que me contaram, ele chamou ela de vadia.
— Não acredito que o Peter possa ter feito isso. Acho que foram os pais dela. — Ang falou.
— Os pais dela? Não. Provavelmente ela arrumou confusão em uma balada com alguma vadia louca e ganhou algumas marcas roxas de presente. — Lili disse. — Onde ela está, falando nisso?
— É, onde ela está? — Reforcei, implorando pra que alguém tivesse uma resposta.
— Jéssica está na biblioteca. — Ang respondeu. — Não queria vir ao intervalo, estavam todos encarando ela na sala. Vocês sabem essa escola é um inferno quando o assunto é fofoca. Não gostaria nem de imaginar se algum segredo forte caísse na boca desse povo, seria uma grande merda. Uma merda enorme mesmo, daquelas que ninguém pode chegar perto porque o fedor não deixa. Guardem seus segredos, é um conselho. — disse.
Não queria demonstrar pra ela, mas suas palavras tinham me afetado um pouco, apesar de saber que as únicas pessoas que sabiam sobre o meu segredo eram confiáveis e não iam sair espalhando isso, sempre tinha alguma insegurança dentro de mim. Eu imaginava como seriam as fofocas sobre a amiga de Jéssica que foi estuprada pelo irmão dela. Só de pensar nisso, minha pele ficava toda arrepiada, isso seria um pesadelo em 3D e completamente real.
Olhei para o Sam que estava sentado duas mesas depois de mim com os garotos do Basquete. Alguns me olhavam, mas quando os encarei, eles desviaram o olhar. Deviam estar falando de mim como sempre, zombando do Sam ou tentando fazê-lo admitir nosso namoro que nem mesmo existia.
— Eu vou ver se encontro a Jess. — Falei, tentando agir naturalmente.
— Ok. — Todas concordaram em uníssoro. Ainda bem que nenhuma se ofereceu pra ir junto.
— Bella, hoje tem treino? — Lili perguntou.
— Não, vocês estão livres hoje. — Murmurei. Ela sorriu obviamente feliz. — Avise as outras, por favor?
— É claro.
— Obrigada. — Falei, antes de pegar minha coca e o restante do meu sanduíche e caminhar em direção a biblioteca.
Eu não estava em condições de jogar e nem treinar ninguém, minha cabeça estava totalmente voltada para Jéssica. Estava procurando as palavras certas para usar e tentando manter a firmeza e a calma, o problema é que tudo relacionado ao James fazia minha resistência cair no chão e ser pisoteada pelo medo.
A biblioteca não estava muito cheia, era muito difícil encontrar alunos por aqui durante o intervalo. O silêncio reinava, talvez aqui fosse o único lugar que as pessoas não fizessem bagunça. Joguei meu lanche fora e caminhei por entre as estantes de livros pra chegar até as mesas que ficavam no fundo, provavelmente ela estaria lá.
Me escondi atrás de um pequeno armário pra espiar as mesas e finalmente a encontrei. Na mesa do canto, ainda com aquela maldita touca, comendo calmamente um salgadinho como se nada tivesse acontecido. Eu continuava pensando no que ia falar, mas tinha que ir logo antes que minha coragem sumisse.
Caminhei até ela sem fazer barulho e tentando ser o mais discreta possível puxei a cadeira a frente dela lentamente. Jess levantou o rosto e mais uma vez tive uma visão clara de seus machucados, agora seus olhos estavam um pouco menos desanimados, mas pareceram ficar raivosos quando me viram.
— O que você quer? — Perguntou. — Eu já falei que-
— Eu não vou sair daqui fingindo que nada aconteceu, Jéssica. Não vou deixar ele machucar outra pessoa na minha frente, você pode lutar contra minha ajuda o quanto quiser, eu fiz o mesmo com Edward. Mas, mesmo não sabendo como, eu vou te ajudar. — Falei, decidida. Meu tom não estava totalmente firme, mas parecia convincente.
— Ele não vai me machucar. — Ela disse. Eu abri a boca pra falar mas, um suspiro dela me fez fechá-la novamente. Jéssica ficou algum tempo com a cabeça baixa, olhando para suas mãos que se moviam em cima da mesa e por fim, uma fungada rasgou o silêncio e eu descobri que ela estava chorando. — Droga Isabella, você não entende? Ele está me usando e você está caindo na porcaria da armadilha! É óbvio que você ia querer saber o que aconteceu! Pelo amor de Deus, eu te imploro. Finja que não me conhece, que não se importa, que nem liga pros meus machucados e ele vai parar te tentar atrair sua atenção pra mim.
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