Hello

30 Capítulo 30


Notas iniciais
Mais um, espero que gostem.

30

POV EDWARD

— Merda. — Murmurei abrindo meus olhos, pisquei algumas vezes tentando me acostumar com a claridade e por fim desisti tentando levantar minhas mãos para cobrí-los. Algo as segurou me fazendo abrir de vez minhas palpebras e olhar para meus pulsos, me surpreendi quando vi duas cordas prendendo cada um deles. Me debati tentando me livrar daquela porcaria mas, ela estava amarrada em algo que eu não podia ver pois eram longas e a luz que vinha da janela era muito pouca pra iluminar um local que parecia amplo. — Que porra é essa? — Gritei. — Se for alguma brincadeira tragam pelo menos uma cachaça!

A última coisa que me lembrava foi de ir quarta-feira a noite para o Hotel com toda a galera da faculdade e de estar no quarto 06 com Leah, mas não fiquei lá, depois que transamos eu voltei pro meu quarto e não lembro de ter entrando em nenhuma brincadeira. Isso era algum tipo de pegadinha? Porque se fosse estava muito frio pra me deixarem aqui.

Tentei soltar de novo as cordas mas não estava adiantando, elas era grossas e o nó estava bem dado, aliás com uma mão amarrada longe da outra, era difícil desatar aquela merda.

Que horas eram? Onde eu estava?

Tornei a gritar, irritado com a situação, tinha prometido estar em casa pro almoço e queria tanto ver Bella... A terça-feira tinha sido simplesmente de tirar o folêgo e havia prometido a mim mesmo que iria fazer igual na sexta-feira ou melhor ainda. Estava um pouco apreensivo por ter transado com Leah, com medo que talvez ela notasse algo, mas afinal isso não importava. Bella já tinha deixado bem claro que não ia assumir um compromisso comigo então... Eu tinha liberdade pra estar com outras.

— Edward, meu querido. — Uma voz conhecida disse em algum lugar, algo fez um barulho e depois uma figura conhecida apareceu em minha frente. James.

— Que merda é essa, James? — Perguntei.

— Eu que pergunto, Edward. Que merda é essa?

— Me solta, não estou brincando. — Falei.

— E o que vai fazer caso eu lhe solte? Me bater? — Indagou, abaixou do meu lado e olhou em meus olhos. — Mas, não vamos ficar irritados, tem que ter muita calma pro assunto que vem a seguir, Isabella. Ou devo chamar de Bella? Considerando que fui o primeiro homem que a fodi, devo ter um pouco de intimidade.

Filho da puta. Meu sangue ferveu de raiva e preocupação.

— Desgraçado, se tocar nela...

— Você vai fazer o quê? Se bem me lembro, da primeira vez que a toquei você seguiu sua vida. — Disse, eu senti um gosto amargo na minha boca. Gosto da culpa. — Ah sim, vejo que se lembra. Lembra que ela estava tão louca que não deixou os polícias examinarem ela? Isso foi ótimo porque eles decidiram esperar o dia seguinte e a idiota fugiu impossibilitando as investigações. — sorriu. — E você sabia de tudo, safadinho e nem contou à polícia? Tsc, tsc. Que mal exemplo Edwardzinho, agora está pagando de bom moço pra cima dela? Coitadinha, tão enganada. — balançou a cabeça negativamente.

— Ela sabe de tudo isso. — Murmurei.

— É claro que sabe, o que me deixa triste é o fato dela saber quem sou e você não ter me avisado. Será que é obra do destino encontrá-la uma segunda vez? Acho que a vida nos pregou uma peça e quer que eu foda ela de novo. Não deve ser isso? — Perguntou.

— Fode sua mãe, seu filho da puta! — Gruni. Eu estava furioso mas não havia nada que pudesse fazer. James deu um sorriso clássico e em seguida acertou meu rosto com um soco. Oh merda. Pareceu que tudo em mim se apagou por um momento, eu escutei o barulho vindo do osso do meu nariz e uma dor aguda e insuportável me fez gemer de dor. Abaixei minha cabeça e apertei minhas mãos tentando afogar um pouco essa dor que estava sentindo.

— Ela está muito mudada, se bem que aquele dia nem consegui ver o rosto dela direito, só vi que era bem gostosa apesar de magra. Eu sabia que a Isa tinha algo que me causava nostalgia, mas ela está muito diferente, não conseguiria imaginar.

— Como... Como descobriu? — Sussurrei, abrindo minha boca e fazendo careta numa tentativa de parar aquela dor. Mas que merda, minha cabeça estava doendo e não conseguia pensar claramente numa forma de sair dali.

— Eu não sou burro. Confesso que ficava confuso com as reações dela, sempre distante de mim mas... Na segunda-feira ela me disse algo sobre nunca mais tocar nela, pra falar a verdade, sua voz me fez notar algo nela. Na noite que fizemos amor ela gritou bastante, pediu socorro, ajuda e acho que até rezou, uma pena, odeio misturar religião com sexo.

— Filho da puta. — Gemi. — Se continuar falando assim dela, juro que arranco seu pescoço.

— Calma Edward, me deixe terminar. Não gosto de ser interrompido. — Falou, olhei pra cima mas não consegui ver nada, James acertou um chute no meu rosto que fez meu corpo inteiro ir pra trás, algo se cortou dentro da minha boca e fez sangue escorrer por ela. Eu cuspi pra fora piscando meus olhos, tentando enxergar direito novamente. A dor se intensificou e gruni de dor mordendo meus lábios na tentativa de me acalmar. Meu nariz pulsava e havia tanto sangue que estava me deixando atordoado. — Continuando, — James disse com o tom debochado. — Ela gritou comigo. Eu imaginei que fosse algo pessoal mas Jess me disse que ela tinha bebido e brigado com o namoradinho, não sei bem. Enfim, acabei começando a investigar. Uma garota adotava... Foi aí que veio meu prêmio, descobri que ela veio de Forks e... Eu pirei cheio de incertezas. Tive minha resposta quando Jéssica comentou comigo sobre dois cortes que ela tinha perto da bunda e isso foi o bastante pra saber que a Bellinha era quem eu estava procurando.

— James... Ela não pretende fazer nada sobre você, não toque nela. — Sussurrei.

— Mentiroso! — Gritou, outro chute acertou meu rosto e dessa vez minha cabeça tombou pro lado, a dor estava monstruosa, me deixando tonto e com os olhos teimando em se fechar. — Ela vai me entregar, aquela putinha vai me entregar e antes que ela faça isso, eu vou foder aquele maldito rabo apertadinho de novo e dar um basta nessa situação. Você devia ter continuado fora dessa história Edward, o que vou fazer com você agora? — Indagou retóricamente.

Outro chute. E mais outro. Minha cabeça tombou de vez e meus olhos se fecharam entregando-se a escuridão de profunda dor, desespero, preocupação e culpa.

Meus sentidos começaram a voltar aos poucos, escutava passos que andavam na minha direção e isso me fez tentar respirar fundo mas, fui imundado pela dor que estava no meu nariz. Algo gelado foi jogado em meu rosto e me fez abrir olhos e cuspir o líquido que estava deslizando pelas minhas bochechas e entrando na minha boca.

— Até que enfim acordou.

Olhei pra cima, James estava lá com um balde na mão. O desgraçado tinha jogado água fria em mim. Agora tinha uma luz ascesa e olhando em volta notei que estava em um lugar sujo e cheio de coisas velhas porém era muito amplo o que me levava a crer que era um antigo salão. Não reconhecia a decoração e nem tinha a mínima noção de onde estava.

Mas a dor ainda estava lá. Era horrível tentar mover algum musculo do meu rosto, estava tudo dolorido e havia um gosto de sangue horrível na minha boca.

— Que porra você ainda quer comigo? — Perguntei.

— Eu não queria que fosse assim, Edward. Sabe que sou muito grato a você por tudo que fez por mim, considerava-o como um irmão mas, por que você fez isso? Por que escolheu ficar do lado dela? — Perguntou agachando ao meu lado.

— James, não era certo... — Murmurei. Um maldito soco no meu rosto me fez perder a fala e morder minha língua pra parar a dor.

— Não era certo, Edward? Você nem ligou pra isso na época. Por que destruir uma amizade por uma mulher? — Perguntou.

— Não toque nela, James, por favor. — Pedi, roucamente. — Eu juro que lhe dou dinheiro, muito dinheiro, o bastante pra você ir pra outro país e recomeçar sua vida.

— Proposta tentadora, muito tentadora. Mas não ia conseguir ter paz, é algo que vai me atormentar pelo resto da minha vida. Agora que sei que ela conhece meu rosto, não posso nem sonhar em deixá-la escapar. — Disse. — Tenho uma proposta mais tentadora ainda. — James tirou do bolso meu celular e eu cuspi no chão tomado pelas inúmeras emoções que passavam por mim. — Você liga pra Bellinha, passa o endereço daqui e manda ela vim sozinha, então eu acabo com ela e te deixo vivo, e nós vamos fingir que nada aconteceu. — sorriu balançando o aparelho na minha frente.

— Nunca, James. Nunca entregaria ela. — Eu disse.

— Edward, ela nem vale tanto a pena, é adotada e acabou de chegar, não vai fazer diferença. — Ele disse.

— Eu a amo. — Murmurei.

— O quê? — Gritou.

— Eu a amo, James. — Falei mais alto. — E não vou entregá-la pra você. Você não vai ter coragem de me matar também.

Ele passou a mãos nos cabelos loiros e sorriu amargamente, depois, olhou pra mim e acertou um chute no meu rosto, a força do impacto fez meu corpo todo ir pra trás e com isso bati com força a cabeça em algo duro, duro o bastante pra fazer tudo em volta girar. Meu olhos queriam fechar novamente, tudo parecia dolorido em mim, tudo começou escurecer e antes que a escuridão me tomasse de novo, ouvi meu celular tocando ao fundo.

Não sei se estava sonhando ou alucinando mas estava tudo muito confuso, ao longe escutava a voz de James gritar alguma coisa e logo depois sentia dor, muita dor. Havia algo se chocando contra mim, muitas vezes. Todo meu corpo parecia estar emergido em uma banheira de agonia, onde você sentia a dor mas sem poder abrir os olhos e saber o motivo dela. Estava muito difícil pensar. Muito difícil abrir os olhos. Muito difícil sair da escuridão.

Eu tinha duas hípoteses, ou tinha me acostumado com a dor a ponto de achar que ela melhorou ou tinha morrido. Estava muito perturbado. Não sabia mais diferenciar sonho de realidade, estava ouvindo vozes e vendo luzes que me faziam fechar os olhos, o fato de ver uma luz me levou a crer que estava mais perto da morrte do que imaginava. Cheguei até mesmo a escutar Bella gritando meu nome, não só ela mas como muita gente, então acabei acreditando na idéia de que realmente estava alucinando.

POV ISABELLA


Sentei no sofá olhando pro nada, Jasper estava jogando alguma coisa e parecia não se importar com que estava acontecendo ao seu redor. O som estava alto e o barulho me levando a loucura. Respirei fundo.

— Jasper, pode abaixar isso? — Gritei alto o bastante pra ele me escutar. Pausou o jogo e me encarou.

— Estou incomodando você? Por que não sobe? — Perguntou, seco.

— Porque...

— Está esperando o telefone tocar? — Me interrompeu. — Exatamente como papai, ou é ele ou é você, mas sempre tem um dos dois grudados nessa bosta de telefone esperando o Edward. E sabe onde ele pode estar? Em baixo de uma gostosa completamente drogado sem nem se lembrar que tem uma família que está preocupada com ele. — disse, agressivo. Eu me encolhi e olhei pra janela. — Agora me diga Bella, ele é tão bom de cama assim? Vale a pena ficar sem dormir por causa dele?

— Jasper! — Eu disse alterada, surpresa pelo que ele havia dito.

— O quê? Eu disse alguma mentira?

— Eu vou subir. — Falei.

— É tão ruim assim ouvir a verdade? — Perguntou. — Eu vou dizer uma coisa a você e espero que guarde minhas palavras porque não quero dizer "eu avisei" daqui uns dias. Edward não é tão bonzinho assim, não sei qual imagem que ele passou a você mas preste atenção, pra um cara que já obrigou uma namorada a tomar remédio pra tirar um bebê de cinco meses, que já humilhou milhares de garotas e que fez uma delas quase se matar por causa disso, que andava com caras que tinham o tipo de amizade igual a James, ele está sendo legal demais com você. Então isso me dá duas alternativas, você é diferente de todas ou ele tem culpa de alguma coisa e quer que você tenha essa boa imagem dele pra que não fique tão magoada quando souber da verdade. — disse, colocando o controle no sofá. — Me desculpe, mas não vou surportar vê-la exatamente como vi dezenas de garotas.

— Ele fez uma garota abortar com cinco meses? — Perguntei, engolindo seco.

— Sim. — Suspirou. — E foi ainda mais claro, disse que se ela não tirasse com os remédios, ele ia se encarregar de tirá-lo na porrada. Não sei se ela queria o bebê mas não ia contar pra ele que estava grávida, só revelou porque a amiga dela que transava com Edward acabou deixando escapar.

— Isso é...

— Inacreditável? — Perguntou. — Você não conhece Edward. Não como eu conheço. Eu escondi os podres dele durantes anos, coisas que Esme e Carlisle nem sonha. Por que acha que ele quis ir cursar psicologia em Londres? O que a universidade de lá tem que não tem aqui? Por favor Bella, era óbvio que ele queria correr de algo. Voltou porque conseguiu resolver e achou você. É claro que agora está correndo atrás de você mas tudo isso porque ainda não conseguiu fazer você ficar como as vadias que ele gosta. Sei que não devia dizer isso mas já ferraram sua vida demais, então se for inteligente não vai deixar Edward ser mais um dos homens que te decepcionaram.

As palavras dele me atingiram em cheio, Jasper sabia que estava entrando em uma parte sensível de mim mas não se preocupou em ser delicado, seus olhos me analisaram e eu engoli a maldita vontade de chorar. Aqueles dias estavam sendo tão exaustivos e parecia ter uma merda de uma montanha nas minhas costas. Agora tinha mais essa e merda, eu não era de ferro.

— Eu vou subir. — Murmurei.

O telefone tocou.

Meu coração disparou esquecendo tudo que tinha escutado a alguns segundos atrás. Eu ouvi Carlisle descendo as escadas correndo e passando por mim, apanhou o telefone.

— Oi! É Carlisle Cullen! Sim, sim. Ligação anônima? Não, não, estamos indo pra aí! — Disse. As mãos dele tremiam quando ele desligou o telefone. — Esme! Esme! — gritou, ela desceu correndo. — A delegacia recebeu uma ligação anônima de onde está Edward, estão indo pra lá, uma viatura policial virá nos buscar em alguns minutos. Arrume tudo, querida.

A casa pareceu estar em pânico, eu subi correndo pra trocar de roupa e arrumar o cabelo, minutos depois alguém buzinou lá fora e desci rapidamente chegando a sala em segundos. Jasper não quis ir e Esme pareceu não se importar, segundos depois estavamos no carro indo em direção ao local.

Demorou muito, arrisco dizer que mais de duas horas pra chegarmos, já tinha policiais e uma ambulância. Meu coração estava saltando e sentia todo meu sangue quente, queria saber o que estava acontecendo e como estava Edward. Me amaldiçoei pra estar tão preocupada, mas pouco me importava se ele estivesse brincando comigo, era a maior razão da minha recuperação e tinha muito que agradecê-lo.

— Sr. Cullen, Sra. Cullen. — O delegado comprimentou. — Uma denúncia anônima nos trouxe até aqui, Edward está na ambulância e eu peço que tenham muita calma. Primeiramente, não sabemos quem fez isso com ele, foi encontrado amarrado e digamos que ele foi muito machucado, estamos investigamos e precisamos que tenham paciência pra esperar ele acordar e dar um depoimento pra que tenhamos algo pra começar.

— Cadê meu filho? — Carlisle perguntou, o homem apontou a ambulância e praticamente corri pra lá.

— Eu sou irmã dele. — Falei pra mulher que tentou me parar, minhas mãos tremiam e a agitação pra vê-lo estava me deixando nervosa. Entrei dentro do veículo e segurei na beirada da maca pra não exibir nenhuma reação exagerada.

Edward estava machucado. Muito machucado. Extremanente machucado. Seus olhos estavam fechados, sem camisa pude ver cortes em seu peito, alguns pontos roxos e um braço imobilizado. No rosto estava pior, tive que morder meus lábios e segurar a respiração, tinha muito sangue e seu nariz estava com o osso avantajado o que me levou a crer que estava quebrado. Eu soltei minha respiração e olhei enojada pra ele. Quem seria capaz de fazer isso com Edward?

Algumas horas depois.

Passei a mão nos meus cabelos novamente, de tanto puxá-los estava com a cabeça doendo e além disso não parava de roer minhas unhas. Olhei para o relógio. 00h43. Edward ainda continuava exatamente da mesma maneira que tinha chegado, estar naquele quarto do hospital me dava arrepios e a preocupação com ele me deixava ainda mais aflita.

Estava aliviada por termos achado-o mas já tinham se passado seis horas e ele nem tinha se movido ainda, Esme tinha ido tomar um café e Carlisle estava trabalhando do outro lado do quarto. Edward tinha passado por uma cirurgia por causa do nariz e havia curativos nos ferimentos, a sorte foi nada ter atingido seus olhos mas sua sobrancelha tinha ganhado um belo corte, o lábio estava inchado e havia roxo na lateral esquerda do seu rosto que o médico garantiu que iria sumir em alguma semanas. Resumindo, um braço quebrado que foi engessado e um nariz operado tinham sido as prioridades e o mais grave que ele tinha passado.

— Querida? — Esme chamou. — Vai tomar um café. É uma ordem.

— Mas...

— Se quer ficar aqui é melhor me obedecer. — Disse, suspirei e fez uma careta tristonha me levantando em seguida. — Eu não acredito. — sussurrou, olhei pra ela. — Você está fazendo birra! — falou abrindo um sorriso, eu arquei uma sobrancelha fazendo-a se recompor. — Oh desculpe, vai tomar o café. — me entregou o dinheiro e passou por mim indo em direção a Carlisle. Caminhei pelo corredor sem entender nada do que tinha acontecido, toda essa confusão estava afetando Esme.

Eu não gostava muito de café mas depois de duas noites sem dormir quase nada, o sono estava me dominando e me fazendo fechar os olhos sem minha permissão. Meu corpo e mente estavam exaustos e realmente desejava uma noite pra dormir sem nenhuma preocupação porque precisava disso. E como precisava.

A lanchonete era perto do estacionamento, sentei em uma mesa vazia e tomei um gole do café, o vento frio bateu contra meu rosto e me arrepiou. Olhei para os lados, alguns casais e pessoas lanchavam nas mesas próximas, acabei desviando meu olhar pro estacionamento, rolei os olhos pelos carros, e merda! Balancei minha cabeça e voltei a olhar, não era. Eu devia estar com muito sono, por um momento jurei ter visto James. Foi só impressão, Bella, só impressão.

Tomei o resto do líquido no copo pra acordar de vez, aquele cansaço todo estava me fazendo mal.

— Filha, vamos pra casa. — Esme disse, assim que voltei ao quarto. — Hoje é terça-feira, daqui a pouco você tem aula e eu pretendo ir trabalhar.

— Vamos deixá-lo sozinho? — Perguntei.

— Bem, você pode vir pra cá quando sair da escola. O problema é que Carlisle e eu acabamos de voltar ao trabalho, temos muito pra organizar e já faltamos ontem. — Falou. Carlisle estava sentado com o notebook no colo olhando para o filho sem dizer uma palavra.

— Eu fico. — Murmurei. — Me deixa ficar, só hoje.

— O quê? Acha que você deixá-la sozinha nesse hospital? — Esme perguntou.

Eu suspirei.

— Acabamos de encontrá-lo, Esme. Só não quero que ele passe a primeira noite sozinho. — Sussurrei. — Você sabe que Edward pode acordar a qualquer momento, como acha que se sentiria se não tivesse ninguém aqui?

— Ela tem razão. — Carlisle disse. — Posso fazer algumas ligações daqui, se quiser ficar tudo bem filha mas não vou poder lhe dar atenção, vou ter que trabalhar dobrado pra compensar minha ausência.

— Ela tem escola amanhã cedo. — Esme falou.

— Bella tem notas ótimas, pode faltar dois dias. — Respondeu. — Vai pra casa e descansa, fique com Jasper, ele se importa tanto com o Edward quanto você. — disse, dessa vez Esme ficou levemente corada, abriu sua boca pra dizer algo mas tornou a fechá-la. Deu um beijo rápido na minha testa e pegou sua bolsa. Um último olhar mortal ao marido e então, saiu do quarto fechando a porta com força.

— Desculpe por isso. — Carlisle murmurou. — Acha esse sofá confortável? Pode ficar com ele.

— Não, eu fico na poltrona, ela é bem macia e como sou pequena não vou ter problemas. — Falei, ele parecia tão cansado e eu o compreendia, devia ser desgastante pensar na possibilidade de perder o único filho. Imediatamente recriminei esse pensamento, não devia excluir Jasper assim, apesar de ter certeza que ele era do Marcus, a semelhança era forte demais.

— Bella, eu quero agradecer pelo apoio que tem dado esses dias. — Falou, colocando o notebook de lado. — Sinceramente, ás vezes penso que sou a única pessoa naquela casa que não julga Edward, na verdade eu o entendo, nós temos o caráter formado pelas coisas que vimos, ouvimos e julgamos certo ou errado. Desde cedo ele foi criado em um ambiente de mentiras, Esme fez algo muito horrível pra mim e ele presenciou tudo isso, ás vezes acho que é por isso que não respeita as mulheres. — suspirou. — Cresceu achando que todos os casamentos e namoros eram uma farsa, e que todas mulheres são falsas, mesmo que digam que amam você todo dia. É um pouco difícil pra ele confiar no sexo feminino por isso ele as usa. Esme não admite isso mas, ela acabou influenciando no caráter dele.

— E... E por que está me dizendo isso? — Perguntei.

— Só acho que precisa saber disso, deviamos ter tido essa conversa assim que se envolveu com ele mas Esme estava tão louca que preferi não entrar no meio. — Disse. — Senta, filha. Nós temos algumas coisas pra colocar em pratos limpos.

Empurrei a poltrona um pouco mais pra perto dele e me sentei, por algum motivo Carlisle não me passava nenhum tipo de medo, estava tão cansado quanto eu e parecia confiável. Puxei pra perto de mim um dos cobertores que davam no hospital e encolhi minhas pernas.

— Edward me contou sobre você e Esme. — Murmurei. Um sorriso tristonho se formou em seus lábios e por alguns segundos quis abraçá-lo, as lembranças pareciam causar dor até agora e se conseguia arrancar um sorriso desse só de tocar no assunto, era sinal que a ferida ainda estava sensível demais. — Os homens da minha família são todos assim, deve ser algo que passa no sangue. — sorriu. — Nós não amamos fácil, mas quando achamos uma mulher que é perfeita ao nossos olhos, nos apegamos muito fácil e amamos muito intensamente. Esse foi o meu problema, amar demais e não esperar pela decepção. Eu fiz de Esme a minha felicidade, depositei tudo que tinha de bom em mim nela e quando conheci seu outro lado, a maioria dos sentimentos que tinha colocado nela desapareceram. — passou o dedo nos cabelos. — Receio ter passado isso pra Edward também.

Nunca tinha pensado em escutar nada relacionado a esse assunto vindo de Carlisle, apesar de estar me contando, ainda estava sendo cuidadoso e escolhendo as palavras certas. É claro que ele não queria que eu tivesse uma imagem ruim de Esme.

— Ele é um garoto difícil? — Perguntei.

— Edward já aprendeu muito com a vida Bella, meu filho não é nenhum santo, já fez coisas das quais me envergonho. Mas nunca foi desonesto, sempre fez tudo de frente, de cara limpa, correndo todos os riscos. — Disse. — O problema é que Esme nunca gostou de nossa proximidade, eu confio mais no meu filho do que na minha mulher. Ela sente ciúmes dele, por isso favorece Jasper em suas escolhas e isso me deixa absurdamente irritado. Eu prometi criá-lo como meu filho Bella e estou cumprindo minha palavra mas o fato é que Jasper está ficando igualzindo a mãe.

— E isso é ruim? — Perguntei.

— Talvez. Eu tento vê-lo como filho mas, suas atitutes me fazem crer que não é o meu sangue que corre nas veias dele. Eu vivo com esse fardo, sempre fingindo que está tudo bem, só que ás vezes não me sinto pai dele. Posso estar sendo cruel mas é a verdade. — suspirou. — Por isso concordei em adotar você, precisava de outra pessoa pra depositar sentimentos.

— E adotou logo a mim? Péssima escolha. — Sorri amargamente.

— Eu não me arrependo, mesmo com todas essas coisas. — Disse. — Se pudesse voltar ao passado sabendo do futuro, adotaria você de novo e de novo. — sorriu. Um sentimento estranho invadiu meu peito fazendo meu coração baterum pouco mais forte. Eu sorri também e mordi meus lábios. Carlisle não tinha idéia do quanto foi bom ouvir aquilo.

— Pai? — A voz de Edward murmurou, praticamente pulei da poltrona ficando de pé. Os olhos verdes estavam levemente abertos e olhava em nossa direção. — Bella...

— Estou aqui. — Disse caminhando na sua direção, encostei ao lado da cama e deslizei meu polegar pelo rosto macio, evitando os lugares que estavam machucados.

— Filho. — Carlisle disse pegando a mão livre dele e dando um beijo. Apesar de não se mover, os olhos dele piscavam várias vezes e olhavam pra todos os cantos do quarto. — Não se esforce, descanse. Eu e Bella vamos ficar aqui. Está tudo bem, não há mais ninguém no quarto.

— Bella, não fique sozinha. James não é o único. Em nenhum momento. Não... Não fique só... — seus olhos começaram a se fechar novamente e Carlisle o acalmou dizendo que ficaria comigo, só depois disso ele voltou a dormir e suas palavras começaram a martelar na minha cabeça.

— James. — Eu murmurei. — Foi ele, Carlisle.

Uma raiva se apossou de mim, como ele tinha chegado a esse ponto? Como teve coragem machucar Edward? Meu Deus! Alguém precisava parar esse desgraçado ou lhe dar uma lição, as coisas estavam ficando totalmente fora de controle.

Filho da puta!

Apertei com força a beirada da cama, estava colocando a vida de outras pessoas em perigo, tudo isso era por minha causa. Queria parar tudo isso, ver ele machucado me deixou fragilizada, e se os policiais não tivessem chegado a tempo? A possibilidade de perder Edward de alguma forma me assustava, era quase como perder o chão. James era pior do que eu pensava, se era capaz disso, era capaz de muitas outras coisas.

— Bella, ele tomou remédios fortes, lembra do que o médico disse? Ele ia alucinar e dizer coisas, quando Edward realmente acordar veremos se é verdade. — Disse tocando minha mão. — Está tudo bem, estamos seguros agora.

Me mantive parada, até o momento que ele se aproximou e me abraçou, não sei porque mas ao sentir seus braços em volta de mim. Todo aquele bolo de coisas que estava me pressionando quis sair pra fora. As lágrimas escaparam meus olhos e retribui o abraço enterrando meu rosto contra seu peito.

— Sinto muito. — Murmurei, entre soluços.

— Não é culpa sua, filha. Nada é culpa sua. — Disse.

-

Olhei no espelho do banheiro pela manhã, olheiras fundas estavam destacadas em baixo dos meus olhos avermelhados, meu rosto estava pálido e os cabelos bagunçados. Suspirei notando o quanto Edward era capaz de me perturbar, fiquei praticamente a noite toda esperando que ele voltasse a acordar, me convencendo a todo instante que só estava curiosa sobre James e não com saudades.

Eu não podia me envolver emocionalmente com Edward! Repeti isso a mim mesma durante um longo tempo. Por que estava deixando meus sentimentos na frente da minha razão? Por que parecia estar doendo em mim tanto quanto estava doendo nele?

Maldição.

Joguei água no meu rosto e usei a escova de dentes disponibilizada pelo hospital, prendi os cabelos em um coque e sorri falsamente tentando melhorar minha aparência. Caminhei pelo corredor em direção a lanchonete, minha barriga roncava de fome e isso me fez pedir um hamburguer caprichado e um grande copo de refrigerante.

Carlisle estava trabalhando muito, acordou bem cedo e fez algumas ligações, disse que tinha alguns clientes em outros países e estava lidando com o fuso-horário.

Sentei em uma das mesas mais próximas ao balcão e comecei a devorar meu pedido rapidamente. Estava tentando manter os pensamentos longe de James mas toda vez que me lembrava do porquê de estar naquele hospital, algo me fazia entrar em profunda angustia. Eu não aceitava Edward estar machucado por causa de mim, na verdade não aceitava ele machucado de jeito nenhum. Era uma merda estar com isso na cabeça.

Eu voltei pro quarto quarenta minutos depois, acabei ficando um tempo respondendo mensagens e explicando ao Sam o motivo de estar faltando.

Edward estava acordado. Foi a primeira coisa que notei quando passei pela porta, havia três enfermeiras em volta da cama e ao me aproximar notei que estava nu. Havia uma grande bacia de água e notei que estavam "limpando" ele deitado mesmo já que estava fraco demais pra levantar. Ele não me notou, seus olhos estavam pregados atenciosamente na enfermeira ruiva que falava com ele.

— Nós vamos trocar o curativo, você se sente bem pra comer? — Perguntou.

— Talvez. — Edward murmurou com a voz rouca e fraca.

— Vamos providenciar algo bem leve, os policiais vem amanhã, se considera em condições de dar um depoimento? — Indagou.

— Talvez. — Repetiu a resposta. Ela sorriu parecendo conformada e elas continuaram a trocar os curativos. Fiquei parada, sem fazer barulho e nossos olhares só se encontraram quando uma das mulheres passou por mim pra ir buscar mais soro. — Bella. — sussurrou, eu pensei em caminhar até ele, mas a beirada da sua cama estava cheia demais.

Quando elas finalmente acabaram, fui até perto dele notando que o perfume da mulher tinha impregnado o ambiente.

— Nunca mais faça isso comigo. — Falei. Um sorriso dolorido apareceu em seu rosto.

— Pensei que o doente era eu. — Murmurou.

— Esses dias conseguiram me deixar tão doente quanto você. — Eu disse. — Foi James, não foi? — perguntei. O sorriso desapareceu e seus dedos se entrelaçaram aos meus. — Edward, como ele pode ter feito isso? Como pode ter tocado em você? Eu tive tanto medo de te perder. — desabafei.

— James não tem coragem de me matar, mas seria capaz de fazer isso com você, por favor Bella não fique sozinha em lugares perigosos, nem na escola. — Disse.

— Mas na escola...

— Na escola tem a Jéssica.

— Mas a Jess...

— A Jéssica sabe. — Me interrompeu. — Está com ele, Bella. James pediu pra ela lhe investigar, fazer perguntas. Você não percebeu mas, desde que ele voltou Jess está tentando te atrair pra festas, viagens e outros lugares. Ela precisa de você sozinha e por tudo que é mais sagrado, não fique sozinha com aquela desgraçada. Não até eu ter forças pra quebrar o James ao meio.