Hello
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Enfim vou postar dois caps pra geral ficar feliz.
Comentem hein.
e aaaaaah, mais uma recomendação, ameeeeeei de montão *-*
28
— Do que estamos falando afinal? — Carlisle perguntou, eu abaixei minha cabeça e mordi meus lábios. — Querida, não fique brava conosco, foi na melhor das intenções, pode ter certeza.
— Está tudo bem, Carlisle, eu não estou brava. Só acho que Edward não deve misturar as coisas. — Falei. Dessa vez ele estava surpreso e abaixou sua cabeça. Jasper estava fitando nós dois com uma expressão de quem já sabia exatamente o que estava acontecendo mas queria deixar o pai entender por ele mesmo.
— Aconteceu alguma coisa nessa viagem que ainda não me contaram? — Carlisle tornou a fazer perguntas.
— Edward pediu a Bella em namoro. — Esme soltou. Ela era louca? Eu me virei pra ela completamente chocada, como ela podia falar isso como se fosse normal? — E ela recusou. — completou olhando pra mim.
Jasper mudou imediatamente sua expressão para uma zombeteira e uma gargalhada escapou por seus lábios, Carlisle continuava da mesma forma e não dava pra saber se aquilo tinha deixado-o irritado. Por outro lado, ficou bem claro que Edward se irritou porque imediatamente deu as costas e subiu as escadas em passos rápidos. Não sei bem porque Esme tinha feito isso mas havia um sorriso satisfeito em seu rosto que me deixou muito confusa.
— Sua família é louca. — Alice falou, logo depois que fechei a porta do quarto.
— Eles são bem normais, eu acho. — Murmurei, tirando a blusa da viagem.
— O que foi aquilo que Esme fez? Ela queria deixar Edward irritado? Pelo menos, Jasper e Carlisle pareceram ter se divertido ao saber do fora que ele tinha levado. — Disse, sentando-se na minha cama.
— Não fala assim, Alice. Não foi um fora.
— Ah qual é, Bella, se fossem outros pais, Edward estaria sendo levado para outro país nesse momento, era pra ele te tratar como irmã e não transar com você. Por isso achei eles loucos, de aceitarem isso sem brigar e sem te afastar dele. — Disse.
Suspirei.
— Estou com a cabeça totalmente nessa coisa de denúncia. — Falei.
— Relaxa, vamos ter que esperar mais algum tempo pra achar a tal mulher, então, você pode agir normalmente, é essencial que não deixe ninguém notar, ok? — Disse, eu acenei com a cabeça. Tarefa difícil, estavam colocando um caminhão de areia em cima de um plástico e era óbvio que o plástico ia rasgar porque era muito frágil.
Alguns dias depois.
O despertador me fez abrir os olhos e lembrar que as aulas voltavam hoje, foi quase impossível me levantar porque estava me acostumando a acordar ás 10h, 11h e até 12h. Deslizei pra fora da cama e esfreguei meus olhos praticamente me arrastando até o banheiro, só acordei realmente quando abri o chuveiro e a água gelada pingou em minhas meias, me fazendo começar o dia xingando a água.
Enquanto me vestia e juntava todos os livros, pensei em diversas coisas, primeiro em como iria encarar Jéssica e agir normalmente, sem me lembrar de que o irmão dela era um desgraçado. Segundo, pensei em formas de conversar com Edward, apesar de que nos últimos dias tinha sido impossível falar mais do que três palavras sem ser cortada, era sempre a mesma expressão e ele estava praticamente vivendo fora de casa. Talvez ele tivesse outra, isso era quase uma certeza porque afinal tão bonito como era, não ia demorar pra que arrumasse alguém que não ia tratá-lo como eu tratava.
Beleza. Meu dia já estava uma merda só com essas duas coisas.
A rotina estava de volta, Esme e Carlisle na mesa de café prontos pra trabalhar e Jasper com a mochila no colo comendo o máximo que podia. Me sentei e tentei comer bastante porque voltaria a rotina dos treinos e eu estava completamente fora de forma. Não houve muitas conversas, Esme estava fazendo anotações de alguma coisa e Carlisle lendo o jornal, Jasper e eu não conversavamos à semanas então, nem mesmo nos olhamos, só comemos.
O caminho para a escola foi rápido, fiquei até um pouco entusiasmada quando vi toda aquela gente radiante por finalmente ter voltado. A maioria delas tinha viajado e ver os colegas agora era motivo de pura felicidade.
Eu achei um rosto no meio da multidão, Sam estava conversando com um grupo de meninos e rapidamente caminhei até lá, comprimentando algumas pessoas durante o trajeto.
— Sam! — Falei, ele se virou pra mim mas o peguei de surpresa ao abraçá-lo. Seus braços rapidamente corresponderam me apertando pra perto dele o que fez os meninos soltarem piadinhas. — Quanto tempo. — murmurei.
— Uau, Isabella, você está... Muito bonita. O que fez nos cabelos? — Perguntou.
— Me chame de Bella, Sam. E, eu tenho uma amiga Alice que meche com essas coisas, ela quis... Bagunçá-los. — Respondi.
— Uma bagunça muito bonita então, Bella. — Disse, eu sorri.
— Isabella! — Lili, uma garota do time chamou, despedi de Sam e fui em direção a ela. — Os treinos começam quando? Sabe, estamos todas fora de forma.
— Eu sei, eu também estou. Me chame de Bella, ok? — Ela acenou. — Vou falar com o diretor mais tarde e assim que tiver a resposta sobre quando é os demais treinos vou marcar os dias dos nossos.
— Certo. Então, reunião hoje?
— Sim, no intervalo nós sentamos juntas e conversamos, ok? Avise as meninas, por favor. — Pedi.
— Claro e seus cabelos estão lindos. — Elogiou, eu sorri novamente. A escola não estava tão ruim.
Eu me sentei perto das garotas na aula e elas pareceram bem surpresas quando entrei no papo, Jéssica estava um pouco a frente e tentei agir normalmente com ela, o que pareceu ser um sucesso porque ninguém percebeu nada. A maioria delas tinha feito algo no cabelo ou pele, por isso pude conversar bastante em relação à isso. Na parte de garotos, ouvi sobre os ex namorados e peguetes de férias, como não podia sair dizendo que transava com o meu irmão, preferi dizer que não tinha tido tempo para meninos.
Eu falei com o diretor e consegui o direito de me reunir com as meninas três vezes por semanas, ás 13h30 pra treinar na quadra número dois. No intervalo pedi para todas virem ao ginásio depois das aulas porque tinha um comunicado a fazer.
— Bem, boa tarde. Como sabem, somos uma equipe de 18 meninas, me esforço pra colocar todas vocês pra jogar em diferentes jogos, mas a maioria de vocês não maneirou nas férias e está completamente fora de forma. Durante os treinos, algumas terão a notícia que só jogarão alguns jogos depois e outras que estiverem em condição de começar a temporada, serão escaladas para os primeiros jogos. Os treinos serão todas as segundas, quartas e sextas, ás 13h30, sim, três dias na semana porque precisamos nos recuperar, enfrentaremos as meninas do terceiro ano daqui a cinco semanas e até lá, temos que ter um bom time definido já que várias meninas deixaram a equipe. Vamos dar tudo de nós para que possamos estar no campeonato entre escolas que acontece no final do ano, ok? Vamos nos preparar, é só isso e qualquer coisa me procurem. O primeiro treino é quarta-feira, até lá. — Falei, todas concodaram e começaram a conversar entre si. Eu estava feliz por estar conseguindo levar tudo na boa, feliz por ocupar minha cabeça com algo que não fosse meus problemas, feliz porque as meninas me respeitavam como capitã e mais feliz ainda, porque Sam estava parado na porta da quadra, exatamente como antigamente.
— Você está estranhamente animada, me desculpe, mas isso não era normal no começo do ano. — Disse.
— Digamos que, eu estou bem. — Falei, ele fez uma careta e em seguida me ajudou a colocar o casaco.
— Hum, eu estava pensando se não quer sair comigo pra beber alguma coisa. — Murmurou.
— Agora? — Perguntei.
— Não, não. Hoje a noite. Parece que todos vão nos Irmãos G's, pra comemorar a volta as aulas. Você podia ir comigo. — Falou, eu o olhei por alguns segundos. Eu gostava da companhia de Sam e ficar longe de casa era uma boa durante esses dias.
— Tudo bem.
— Ok, eu te pego ás 20h, pode ser?
— Claro. Só não vou ficar muito tempo, amanhã temos escola, lembra?
Ele sorriu.
— Claro, de volta ás madrugadas. Vem, eu te dou uma carona.
o cheiro do almoço e minha barriga criou vida própria e começou anuciar pro mundo que estava com fome. Coloquei minha mochila no primeiro degrau da escada e fui até o banheiro lavar as mãos, depois fui pra cozinha e elogiei Jane só pelo cheiro. Jasper chegou tão faminto quanto eu e ambos nos sentamos na mesa para almoçar.
— A professora de biologia te passou o trabalho de revisão? — Perguntou. Era a primeira vez que ele falava comigo em semanas e isso me deixou um tanto surpresa.
— Ah é, parece que ela passou pra todo mundo. Você já tem um par? — Indaguei, ele negou. — Nós poderiámos...
— É claro, é exatamente isso que ia te perguntar. — Disse, continuei comendo enquanto acenava com a cabeça. — Isso é bom.
Quando Esme chegou, pedi permissão pra sair com alguns amigos da escola, ela ficou mais do que feliz porque achava mesmo que eu precisava de distração em tempos tão sérios. Eu subi pra me arrumar, coloquei uma calça e uma bota, uma bata e uma jaqueta, arrumei os cabelos e passei maquiagem. Usei um colar que tinha ganhado de Esme e passei batom, uma coisa que nunca mais tinha feito.
Peguei pouco dinheiro e o celular e sai do quarto, encontrando com Edward no corredor.
— Olá. — Murmurei, seus olhos deslizaram por todo meu corpo e ficaram um tempo em meu rosto, e então ele suspirou.
— Onde está indo? — Perguntou.
— Alguns amigos da escola marcaram de se encontrar. — Respondi.
— Um encontro? — Perguntou. — E com quem você vai?
— Por que isso te interessa? Pra uma pessoa que me ignorou a semana toda e me tratou como uma total estranha, isso não deve ser importante. — Falei, meu tom foi um pouco arrogante e isso o surpreendeu um pouco, mesmo assim ele não mudou de expressão.
— Não disse que importava, estou só perguntando. — Disse.
— Se não importa, por que devo responder?
— Bella, Sam já está aqui, convido ele pra entrar? — Esme gritou lá de baixo. Eu suspirei. Péssima hora pra chegar.
— Não, já estou descendo. — Respondi. — São várias pessoas, não só eu e ele.
— Bom passeio, mas com esses belos lábios cobertos de vermelho tenho certeza que vai ser. — Disse, com o tom carregado de ironia.
— Sério? Gosta dos meus lábios vermelhos? Quer fazer algo com eles? — Perguntei, seus olhos se estreitaram e um suspiro escapou por seus lábios.
— Por que está fazendo isso? — Perguntou.
— Me desculpe. É só que eu não sei como atrair sua atenção nos últimos dias, tudo que eu tenho feito tem sido inútil e... Eu acho que mesmo você tendo outra pessoa, não precisa me tratar como nada. — Falei, ele se voltou pra mim e seus olhos fitaram os meus de forma intensa me arrepiando inteira.
— Bella, eu não pedi por isso.
— Nem eu! Você disse que me entendia, devia saber que-
— Bella, Sam está esperando! — Esme gritou novamente me fazendo bufar.
— Não deixe ele esperando. — Murmurou afastando-se de mim e indo em direção ao seu quarto, a porta bateu com força e eu fechei meus olhos tentando me concentrar em parecer normal novamente. Por que diabos ele não me deixava falar?
Nossos encontros estavam sendo tão pesados, eram tantas emoções negativas que tomavam conta de mim, eu tinha tanta raiva por ser ignorada mas, Alice havia me dito que essas eram as consequências, que querendo ou não elas iam acabar aparecendo porque Edward ia cansar. Mas ele também não precisava ser assim, não precisava abusar desse poder de estragar meu dia em alguns segundos.
-
Muita gente pra pouco espaço. Era assim que estava os G's, eles sempre estavam cheios porque a música e decoração era excelente, mas hoje praticamente toda escola estava aqui e as pessoas estavam sentando em cadeiras na calçada porque dentro não tinha mais lugar. Havia garrafas por toda parte e tive que pedir licença várias vezes e empurrar inúmeras pessoas pra conseguir entrar no local.
— Bella! — Jéssica gritou de uma das mesas. Eu estava morrendo de vontade de ignorá-la mas ela já tinha notado que eu a olhei então, não seria agradável dar as costas. — Que bom que você veio, você está linda! Vem e senta com a gente, reservamos um lugar!
— Meninas. — Murmurei comprimentando todas de uma vez.
— Gente, olha, o Peter está olhando pra cá! — Joss disse interrompendo um assunto que estava correndo, assunto esse que eu nem estava prestando atenção. — Eu acho que ele quer ficar com você Jéssica.
— Ah gente...
— Qual é, ele te secou a aula toda! — Ang interferiu. Eu suspirei, feliz porque algo ia deixá-las entretidas essa noite. Peguei o refrigerante da Tay e comecei a beber enquantos elas continuavam com o papo sobre o garoto. Não era refrigerante, era vodka e isso só me fez beber mais. — Vai falar com ele!
— Meninas, eu não posso... Bella, o que você acha?
— Vai falar com ele, anda. — Eu disse, enquanto virava o segundo copo de vodka misturada com alguma coisa que estava fazendo minha garganta arder.
— Meu irmão está aqui, não posso sair paquerando os garotos. — Disse.
— Vai logo! Seu irmão foi comprar vinho, vai demorar bastante e caso ele chegue daremos um jeito. Você não pode perder essa oportunidade. — Tay disse, dando um tapinha no braço da Jess.
Eu gelei.
James estava aqui.
Eu precisava ir embora.
Agora.
— Hum, meninas eu vou lá fora ver se eu acho a Lili, eu volto depois. — Falei, tentando parecer normal. Bebi o terceiro copo e me levantei. Meu coração já estava acelerando como um louco, era medo e além disso, tinha aquela sensação de que James ia chegar a qualquer momento e me puxar do meio das pessoas, que iria me levar para um canto escuro... Que... — Merda. — murmurei enquanto caminhava rapidamente pelo meio das pessoas ignorando as pessoas que estavam me chamando para algum tipo de conversa.
O barulho todo estava me incomodando, as risadas, as conversas, os passos, os perfumes. Tudo. Isso me fez empurrar quem estava na minha frente desesperadamente, em busca da saída para obter o bendito silêncio. A rua estava lotada, não tinha como saber se ele estava aqui, podia estar perto de qualquer pessoa, de qualquer garota indefesa ou indo em direção a casa de alguém.
Agora eu estava tendo leves calafrios e todos meus pelos se arrepiavam, tinha gente me gritando mas, eu só queria escapar daquele lugar. Ir pra casa. Pro meu quarto. Pra minha família.
Eu virei na esquina seguinte praticamente correndo, tinha um ponto de táxi na rua de trás e logo eu estaria em casa. Por que eu estava fugindo afinal? Por que eu não conseguia agir normalmente diante da presença dele? Era só citar seu nome e tudo parecia desmoronar. Como eu podia me julgar capaz de denunciar aquele homem e enfrentá-lo em um tribunal? Como poderia ver seu maldito rosto por tanto tempo? Como relembrar tudo em depoimentos com ele me olhando? O que diabos eu estava pensando? Eu não tinha forças pra encará-lo, não tinha resistência mental pra continuar com isso, não podia permanecer no mesmo ambiente que ele sem sentir todas aquelas angústias me pressionando. Era enlouquecedor.
— Isabella? Já está indo embora? Acabei de comprar mais vinho.
Oh, puta que pariu!
Um gemido escapou pela minha garganta sem que eu notasse, toda a pressão do mundo parecia estar sobre mim quando aquela voz chamou meu nome. Tudo que eu estava sentindo, minha situação com Edward, as coisas que eu sabia e James... Bem, James estar na minha frente falando comigo, pareceu ter feito das minhas emoções um bando de frangalhos.
Esse era o momento que eu queria chorar, gritar, socar alguma coisa, mas tinha que fazer algo que parasse toda a opressão que estava dentro de mim. Eu não aguêntava mais aquela situação, isso era um basta pra mim.
— Isabella, você está bem? — Perguntou, chegando mais perto.
Estava tudo embaçado, estava muito quente e eu queria explodir, queria botar todo aquele ódio pra fora. Aquela raiva não me fazia bem, as lembranças me machucavam e parecia me dilarcerar toda vez que o via.
— Não está tudo bem, nada ficou bem depois daquela noite, nada! Por que você tem que aparecer? Por que tem foder com a minha vida? Seu lixo humano! Seu merda! Por que diabos você não morre? — Gritei, soluçando enquanto as poças que estavam em meus olhos escorriam por todo meu rosto.
— Mas que merda é essa? Está me confundindo com alguém, quer fazer o favor de se acalmar?
— Não encosta essa porra dessa mão imunda em mim! — Gritei. — Não toca em mim! Nunca mais! Nunca mais!
Nas últimas palavras eu já estava correndo de novo, tropeçando em alguma coisa e chorando descontroladamente. Eu estava afogando o choro dentro de mim, sem poder gritar e meu peito doía absurdamente. Em algum momento olhei pra trás e percebi que ele não estava me seguindo, foi quando parei e encostei na parede, deixando toda aquela dor se transformar em lágrimas enquanto deslizava até o chão como uma criança indefesa.
E foi quando a ficha caiu, eu tinha falado dado pistas à James, se ele não tinha me reconhecido provavelmente agora ia reconhecer.
Eu tinha me fodido sozinha.
Quando eu finalmente achei um táxi, tentei me reconstruir dentro dele, sequei as lágrimas no casaco e tentei arrumar a maquiagem sem sucesso. Ainda estava borrada e minha expressão estava amedrontada, a única coisa que estava perfeitamente no lugar era o batom vermelho porque era a prova d'água e eu não tinha utilizado meus lábios pra nada. A não ser... Para gritar um monte de bobagens a James, bobagens que poderiam ter revelado a ele quem eu era ou ter dado certeza ás suas dúvidas.
— Moça, você está bem? — O táxista perguntou.
— Está tudo ótimo, obrigada. — Murmurei, ele acenou com a cabeça e continuou a dirigir lentamente. Eu não poderia chegar em casa assim pois com certeza Edward, Esme e Carlisle iam me bombardear de perguntas, na verdade, o último lugar que desejava estar agora era em casa. Não queria preocupá-los e nem dar motivos pra que alguma coisa interferisse nos planos que eles já tinham feito pra denunciar James. — Pensando bem, é melhor você me levar pro Love Story, fica na R-
— Eu sei onde fica, senhorita. Vou fazer a curva. — Disse.
Ficaria lá até estar melhor e em condições de fingir que tinha ocorrido tudo bem na festa. Não sei bem se a decisão de não contar sobre meu encontro com ele era certa mas no momento era tudo que conseguia pensar. De que iria adiantar contar também? A culpa não era deles que eu me descontrolado.
Pra ser sincera, havia muitas outras coisas que queria dizer à James, se um dia tivesse oportunidade iria fazê-lo escutar tudo que estava escondido dentro de mim e com certeza, não seria nada bom e nem bonito de ser ouvir.
A vibração do meu celular dentro do bolso me assustou, peguei o aparelho e olhei a chamada. Sam.
— Oi. — Atendi, fazendo a melhor voz que conseguia.
— Onde você está? Te deixo sozinha um minuto e você some? — Indagou.
— Sam, eu... Estou indo ao Love Story. — Falei.
— Ah, vai ter alguma comemoração lá? — Perguntou.
— Não, só vou beber alguma coisa, estava muito cheio nos G's. Quer me fazer companhia?
— Claro, vou pra aí agora mesmo. — Disse. Não que eu quisesse companhia mas, reconhecia que naquele momento estar com alguma pessoa era bem melhor do que sozinha. Sozinha iria acabar me afundando nos meus pensamentos e nas milhares de hípoteses do que James iria fazer após o que eu tinha falado.
E se ele tivesse me reconhecido? Estaria me seguindo agora?
Olhei pela janela. Não... Ele não devia estar me seguindo.
Aliás, pela sua expressão no momento em que falei, parecia bem confuso. Aquele dia ele devia estar um pouco drogado, é claro que nem se lembrava direito de mim mas, alguma lembrança poderia estar em sua mente e cada vez que eu lhe dava uma pista como fiz hoje, ele poderia ligar os pontos. Talvez James estava se fazendo de idiota pra ganhar tempo, talvez fosse mais esperto do que eu imaginava, queria entender como fucionava a mente de alguém que tinha estuprado uma garota, ele não tinha medo da punição? Ele não ficava afetado cada vez que alguma garota o rejeitava, não tinha medo que pudesse ser ela?
— Chegamos. — O táxista anunciou parando em frente ao local. Paguei a corrida e desci do carro.
Love Story era uma lanchonete e bar, o irmão de Ang trabalhava aqui e uma vez comemos aqui após a aula, com a mente tão bagunçada, foi o único lugar que veio em meus pensamentos. Por ser um dia semanal não estava muito cheio e consegui me sentar em um dos sofás vermelhos que ficavam no canto esquerdo.
— Boa noite, a senhorita vai querer alguma coisa? — Perguntou uma moça alta, cabelos loiros e boa aparência.
— O que você sugere? — Perguntei de volta.
— Pra uma moça tão bonita como você e que parece estar precisando relaxar, recomendo um Cosmopolitan. — Disse.
— Ótimo. Pode ser. — Murmurei.
— E algo pra comer? Quer uma sugestão também? — Indagou, acenei com a cabeça. — Eu vou ver se acho alguma coisa pra você. — sorriu. Podia jurar que ela estava sorrindo de forma sedutora pra mim mas, estando tão perturbada não tinha condições de diferenciar as coisas, talvez ela só estivesse fazendo o trabalho dela.
— Obrigada.
Eu fui ao banheiro e limpei toda maquiagem borrada, percebi que não estava tão ruim, até que ainda estava bonita. Depois que me sentei, a moça trouxe a bebida e depois o prato cheio de petiscos.
— Esse é um combo do nosso bar, tem anéis de cebola, batata-frita, asinha de frango e nachos, também tem aqui nesse segundo prato queijo cheddar e molho barbecue. — Disse, colocando tudo na minha frente e me estendendo um guardanapo. — Bom apetite. Qualquer coisa, é só me chamar.
— Obrigada novamente. — Falei, ela sorriu de uma forma que me deixou levemente constrangida. Olhei para a mesa e me limitei a comer e beber pra manter minha cabeça ocupada.
Sam finalmente apareceu na entrada, me lançando um sorriso assim que me viu. Caminhou na minha direção e tirou o casaco ao se sentar do meu lado.
— Tá esperando mais alguém? — Perguntou.
— Não, eu vim sozinha. — Falei. — Como estava a festa?
— Não tive muito tempo, só fiquei bebendo e depois liguei pra saber onde você estava porque a Jéssica estava lhe procurando. — Falou.
— Disse onde eu estava? — Perguntei.
— Calma, é claro que não. Pode relaxar. — Disse, eu peguei algumas batatas e mastiguei olhando para o nada. Logo a garçonete voltou a nossa mesa.
— O senhor vai querer alguma coisa? — Perguntou.
— Hum, acho que dois Martini. — Disse, ela acenou com a cabeça e se virou pra mim.
— E você? Mais alguma coisa?
— Não, obrigada. — Murmurei. Outro sorriso caloroso e então se retirou.
— Ela parece querer te oferecer mais que a bebida. — Disse, lhe dei um tapinha de leve e sorri. — Por que veio pra cá? Queria ficar sozinha?
— É, a festa não estava interessante. — Menti, ele assentiu e as bebidas chegaram.
Duas horas depois minha cabeça estava um pouco pesada, havia uma queimação na minha barriga e meus olhos estavam fechados aproveitando a pulsação que estava dentro de mim. Devia ter uns vinte copos em cima da mesa, haviamos bebido demais e agora não queria nem me levantar da onde estava.
— Bella, você está tão... Linda. — Sam sussurrou no meu ouvido, continuei de olhos fechados sentindo como se o local estivesse rodando. — Eu não quero estragar nossa amizade... — murmurou.
Senti lábios quentes deslizarem pelo meu pescoço e um leve beijo perto da minha orelha fez meu corpo se arrepiar, lentamente abri meus olhos e me virei na direção de Sam.
— O que você está fazendo? — Perguntei.
— Nada, eu pensei que-
— Eu vou ao banheiro. — Falei. Seja lá o que o Sam estava tentando fazer, não era certo, essa coisa de beijar não era certo, não entre nós. Bebi mais um gole da bebida que estava em minha frente e levantei segurando na mesa, olhei em volta e com os olhos teimando em se fechar, andei lentamente até a porta branca.
Parecia que todo líquido do meu corpo estava saindo, fiquei sentada no vaso sanitário um bom tempo e depois de me secar, abri a porta me segurando nela. Cheguei na pia e abri a torneira lavando minhas mãos e depois o rosto, fiquei algum tempo parada lá olhando pra imagem no espelho. Lábios vermelhos, olhos quase sem nenhuma maquiagem e que aparentavam cansaço, cabelos um pouco bagunçados e uma leve mancha de água na minha roupa.
— Alguém não está acostumada a beber. — Uma voz disse próxima a mim, a loira que tinha me atendido estava parada ao meu lado. Eu pisquei algumas vezes e me virei pra ela. Que grandes peitos ela tinha.
— Não bebi nada. — Murmurei.
— Tem sorte que seu namorado ainda está bem. — Disse, ela estava tão perto...
— Não é meu namorado. O Edward me deixou porque a festa estava chata. — Falei. Senti alguma coisa encostar nos meus lábios e depois de alguns segundos percebi que era a boca dela, isso me fez ficar parada esperando sua língua parar de se mover dentro da minha boca.
— Me liga, se quiser sair um dia. — Disse colocando alguma coisa no meu bolso. Por que estava tudo rodando? Por que eu estava saindo do banheiro com alguém me puxando? — Leva ela pra casa, pelo visto ela não é acostumada a beber.
Não sei quanto tempo passou mas eu estava dentro de um carro, o balanço estava me deixando nauseada e com uma vontade enorme de colocar a cabeça pra fora da janela. A queimação tinha ficado bem mais leve, estava quase desaparecendo e as coisas estava rodando menos, bem menos.
— Chegamos na sua casa, Bella. — Sam disse. Eu me sentia um pouco melhor agora que a tontura tinha dando um tempo e estava bem menos intensa, desci do carro ainda segurando na porta e caminhei até a porta tomando cuidando para não tropeçar. Foi só ficar de pé e começar tudo de novo.
Fiquei algum tempo tentando achar o buraco da fechadura e quando finalmente achei destranquei a porta e ela abriu antes que pudesse empurá-la me fechando perder o controle e cair no chão. Eu gemi baixinho e disse um palavrão enquando tentava me levantar e fechar a porta novamente.
— Bella! — A voz de Edward chamou. Braços fortes seguraram nos meus e ele me levantou do chão, me manteve apoiada nele enquanto fechava a porta e pegava minhas chaves. Era como se eu não tivesse controle das minhas pernas, estava tudo mole em mim e muito confuso. — Eu não acredito que você está nesse estado, tem sorte que Esme já está domindo. — disse.
— Não briga comigo não, para de fazer isso... — Murmurei. Minhas pernas foram obrigadas a se mover e depois de alguns momentos estavam suspensas do chão. — Você não está falando comigo também, tem noção de quanto está me magoando?
— Bella, vamos subir e você vai dormir, chega de besteiras por hoje. — Disse, áspero.
Fechou uma porta atrás de mim e logo depois me vi sendo deitada em algo macia. Uma cama. Segurei Edward pela camisa quando ele fez menção de se afastar.
— Lembra de quando transamos naquela árvore? Em pé? Vamos fazer de novo? — Perguntei, um sorriso travesso aparecendo em meus lábios.
— Bella, me solta. Você está bêbada. — Disse, continuando com aquele tom arrogante e frio.
— Edward, por que está agindo assim? É por que ela me beijou? Eu não beijei ela! — Eu falei.
— Do que você está falando? — Perguntou
— Sam também queria e eu não quis, sabia que ele passou a mão em mim no carro? Mas ela, ela me disse que não queria que eu bebesse, é uma gracinha. — Falei rindo novamente. — Sabia que você não saiu da minha cabeça? Estou sentindo tanto a sua falta e queria você me beijando, não eles.
— Bella, vá dormir antes que a situação fique pior do que já está. — Disse se soltando de mim. Eu pedi pra que ele voltasse mas a porta do quarto se fechou.
Fale com o autor