Hello

22 Capítulo 22


Notas iniciais
Um cap bem leve.
espero que gostem, obg pelos comentários e espero mais!

22

Somente em pensar naquele nome todo bem-estar do meu corpo se foi e deu lugar para a frieza do medo e da insegurança, não sei ao certo se Edward notou mas sem perguntar nada ele me abraçou trazendo meu corpo para perto dele até estarmos colados com seus braços enrolados em mim cobrindo meus seios.

Ficamos em silêncio e isso fez o sono tomar conta do meu corpo, tentei ficar acordada mas estava tão aconchegante e parecia tão certo dormir junto com ele que não lutei quando minhas palpebrás se fecharam lentamente me levando para a escuridão que deixava meu corpo leve e minha mente, apesar de preocupada, desligada do mundo.

Um barulho distante me fez despestar, preguiçosamente abri meus olhos e olhei diretamente para a janela, já havia anoitecido e a lua estava brilhante iluminando todo quarto. Só então me lembrei que estava no quarto de Edward nua e Esme provavelmente já havia chegado, tentando não entrar em pânico ascendi o abajur vendo algumas roupas dobradas na beirada da cama. Os lençóis tinham sido trocados e Edward tinha ajeitado a bagunça. Eu tinha dormido todo esse tempo?

Minha toalha estava junto com minhas roupas e mentalmente agradeci à Edward por pensar no que nem eu mesma conseguia. Me olhei no espelho examinando meu corpo, onde seus dedos tinham apertado estava vermelho e havia algumas marcas nos meus seios causadas pela sua boca. Toquei lentamente as marcas e mordi meus lábios lembrando da sua boca violenta sugando partes do meu corpo antes de se encontrar com a minha.

Quando me virei meus olhos desceram para marca que James tinha feito com a faca, abaixei minha cabeça e fechei meus olhos tentando afastar o que viria a seguir mas não pude impedir que meus próprios gritos voltassem a minha mente e nem de estremecer me lembrando da dor e do medo que ele havia causado.

Deslizei as mãos pelos meus cabelos torcendo-os descontroladamente tentando afastar essas memórias porque precisava tomar banho. Agora estava tudo tão apertado dentro de mim e eu sabia que só ficaria melhor quando fugisse dali e tivesse certeza de que ele não me acharia novamente, de que não iria precisar olhar no rosto dele novamente.

Depois de estar vestida e com os cabelos amarrados abri a porta do quarto de Edward, andei lentamente pelo corredor com os pés descalços e entrei em meu quarto para calçar um chinelo e descer para a cozinha.

Era hora do jantar porque estava escutando o barulho dos talheres, respirei fundo várias vezes antes de entrar de uma vez.

— Bella, que bom que acordou, venha comer. — Esme convidou.

Sentei na cadeira ao lado dela e Carlisle e não ousei fitar nem Edward, e nem Jasper. Me servi de pequenas quantidades e agradeci quando Jasper começou a falar sobre o futebol e todos começaram a conversar com exceção de Edward que permanecia na mesma posição movendo somente os braços, queria olhar em seu rosto mas não queria dar nenhum motivo pra Esme ficar irritada.

Depois que o assunto acabou terminamos o jantar em silêncio e dessa vez ninguém se preocupou em quem iria lavar a louça, eu sentia um clima estranho naquela casa mas talvez fosse eu que estivesse paranóica por conta de tudo que vinha acontecendo. A sobremesa era sorvete e Edward fez um breve comentário sobre o sabor e depois de uma pequena discussão de quem gostava do quê, o silêncio voltou a reinar.

— Todos pra sala, precisamos ter uma conversa em família. — Carlisle avisou.

Evitei soltar um suspiro mas agora eu sabia porque estavam todos tão calados na mesa, tinha alguma coisa incomodando Esme e eu rezava para não ser o motivo daquela conversa. Será que Esme tinha nos visto no quarto? Qual a explicação que Edward tinha dado para ela? Ah meu Deus, todas essas perguntas pareciam querer me enlouquecer enquanto esperavamos sentados por Esme e Carlisle nos sofás.

Quando eles se aproximaram, levantei minha cabeça e estremeci quando senti o olhar de Esme em mim.

— Bella, antes de mais nada saiba que não estamos aqui para julgar nada que tenha acontecido, não sabemos nem o porquê de não ter se aberto conosco antes, você deveria saber que estamos aqui independente do que aconteceu no seu passado. — Ela disse me fazendo arquear uma sobrancelha. — Edward nos contou do que aconteceu com você e... De James. — Falou suspirando depois. — Nós vamos procurar provas queridas, se tudo der certo podemos puní-lo da maneira certa, porque como ele é capaz de fazer isso com você sem ser punido, não tinha policiais naquela cidade de merda? Como ele... — Esme iria continuar falando se Carlisle não tivesse cutucado-a fazendo-a se recompor e me oferecer um sorriso sem graça.

Não sei ao certo porque naquele momento não consegui dizer nada, nem mesmo tirar meus olhos do rosto dela. Esme estava totalmente desconfortável assim como Jasper e Edward. Edward... Eu nem mesmo ousei olhar para ele porque estava fervendo de raiva por dentro. Como ele tinha feito isso sem me dizer antes? Mas que porra era essa? Não estavamos falando de um namorado que eu perdi, era da minha vida e era um assunto extremamente complicado para ser exposto dessa forma. E por que agora todos estavam agindo como gatinhos assustados se a vítima era eu?

Mas que inferno!

— Bella, eu...

— Cala boca. — Sussurrei pra Edward incapaz de escutar sua voz e não ter vontade de esbofeteá-lo. — Já sabem, não é? É só isso? Estou cansada e acho que vou deitar. — murmurei. Não sei de onde surgiu forças para que eu levantasse dali mas, consegui caminhar em passos rápidos e subir as escadas sem tropeçar em nenhum degrau. Parecia muito forte naquele momento mas quando fechei a porta foi como se o mundo tivesse desabado sobre mim, minhas pernas bambas cederam e me sentei no chão incapaz de ter alguma reação.

O engraçado era que eu temia tanto aquele momento e agora não parecia tão assustador, minhas mãos estavam trêmulas mas não consegui derramar nenhuma lágrima mesmo estando com tanta raiva acumulada dentro de mim. Tive que morder meus próprios lábios para não sair correndo e gritando pelo quarto, era capaz de suportar toda essa agitação e toda essa raiva aqui dentro. Por que demonstrar pra eles agora? Demonstrar sua raiva para alguém só te torna mais fraco diante dele e eu não queria parecer ainda mais fraca.

Fiquei sentada inúmeros minutos no chão, estava bom ficar ali com os olhos focados no nada e pensando em alguma coisa sem sentido só para apagar a idéia de que todos estavam lá em baixo falando de algo íntimo meu como se fosse normal e como se algum deles tivesse direito de se meter nisso.

Se eu quisesse alguma intervenção nesse assunto teria falado dele desde que Esme foi até o orfanato me adotar. Edward sabia disso e mesmo assim não pensou duas vezes antes que quebrar minha confiança em pedaços.

Agora meu maior medo era que algum deles fosse atrás de James e deixasse evidente que a garota que ele tinha ferrado meses atrás era eu. Ao que parecia ele não tinha me reconhecido e gostaria que continuasse assim, quando ele se sentisse pressionado não fazia idéia do que James poderia fazer para conseguir se livrar de mim e acabar com as provas.

Sem que pudesse impedir a imagem de Charlie veio a minha cabeça, queria culpá-lo novamente por tudo e aliviar um pouco aquele peso que estava em cima de mim. Se pudesse falar com ele, iria arrancar dele todas as respostas pras perguntas que atormentavam minha cabeça todos os dias.

Precisava de ar, um ar que não fosse esse, precisava de algum lugar silencioso e de uma pessoa que não estivesse me olhando com pena ou receio. Era meio inusitado sair essa hora mas mesmo assim peguei minhas chaves reserva, coloquei uma blusa e segurei meu celular na mão para deixar claro a todos que poderiam se comunicar comigo e que eu não iria fugir, apesar dessa ser minha maior vontade.

O problema é que eu sabia que acabaria voltando, querendo ou não, tinha me acostumado aquela vida maravilhosa e não queria passar medo, frio e fome novamente. Tinha sido uma experiência tão traumática e a idéia de ficar sem ninguém pra confiar era muito dolorosa pra mim.

Fechei a porta do meu quarto devagar e desci as escadas sem fazer nenhum barulho.

— Querida, esse assunto é muito delicado pra ser levado aos pais dele sem provas. — Carlisle disse, calmo como sempre e mantendo sua voz fria porém suave.

— E vocês acham que vou deixar por isso mesmo? Eu nunca deixei passar uma injustiça e vou aonde for preciso para lutar pela minha filha, se ela teve uma família podre que deixou isso acontecer, não quer dizer que nós somos assim e deixaremos isso continuar como está. — Esme falou, seu tom estava alterado e mesmo sem olhar pra ela sabia que estava vermelha e com os punhos cerrados.

— Não temos provas, Esme.

— Não importa, Edward. Posso conseguir alguém para investigar, ninguém faz nada sem ser visto ou sem deixar uma prova, os anos passam mas continua tendo evidências para esses atos. Eu faço o impossível quando quero algo, vocês já deviam saber disso. — Ela falou, escutei seus sapatos vindo na minha direção e permaneci calada e parada no mesmo lugar.

O assunto era tão assustador mas era tão aconchegante escutar que ela se importava que por alguns segundos tive vontade de entregar isso pra ela e só confiar, mas parecia tão difícil confiar nas pessoas quando se tratava desse assunto.

— Bella. — Falou quando me viu parada no último degrau da escada. — Você vai sair?

— Só quero dar uma volta, prometo que volto logo.

— Querida...

— Eu vou voltar. — Falei firme.

— Tudo bem. — Suspirou. — Leve seu celular, quero te ligar quando achar que está tarde. — assenti e caminhei para longe dela indo em direção a porta. Ela disse mais alguma coisa, talvez um se cuida, um eu te amo ou um volte logo, mas não prestei atenção.

Entrei dentro do táxi e olhei no meu bolso, tinha pouco dinheiro e não podia ir muito longe. Pensei em alguns lugares e finalmente dei o endereço da rua à ele, não sabia qual era o número por isso disse para que procurassemos quando chegasse lá.

Depois de vinte e cinco minutos, desci em frente a casa grande e ao mesmo tempo familiar. Havia alguns adolescentes na rua, bebendo e conversando e os invejei por alguns momentos, pareciam tão livres e tão felizes que sorri junto com eles ao escutar uma piada sem noção que o mais alto contou. Um dia queria estar assim, feliz e livre, bebendo na rua sem preocupação alguma, como qualquer adolescente sendo tão natural como a luz do dia.

Pensei em voltar para trás e não tocar a campanhia, será que era um bom momento? Será que ela me queria na casa dela? Será que não havia ficado com uma má impressão sobre mim?

Eu sabia que não podia mais voltar atrás, fui em frente e toquei a campanhia de uma vez, e esperei inquieta alguém vir abrir a porta porque agora não podia mais voltar.

— Sua bosta de tapete irritante, você deveria sumir! — Ela gritou lá de dentro. Alguém mais no mundo brigava com o tapete? Seus passos se aproximando da porta e finalmente a abriu. — Bella! Nossa, que surpresa! O que você faz aqui?

— Alice... Eu sei que é invasão de privacidade, mas será que posso ficar um pouco na sua casa? Não nos conhecemos direito, mas o clima está insuportável e eu não sabia onde ir, então...

— Ah, imagina Bella, pode entrar. Eu estava preparando uma macarronada, tenho certeza que vai adorar. — Falou puxando-me para dentro e fechando a porta. O som estava alto, alguma coisa que eu não conhecia e com um idioma diferente de todos que havia escutado antes.

— A música é...? — Perguntei enquanto ela me arrastava pela sala.

— Russa. Nunca escutou Dima Bilan? O cara é ótimo e esse novo CD é muito bem produzido. — Disse.

— Ando sem tempo para escutar músicas. — Murmurei.

— Não tem problema, te empresto o CD e você arranja tempo. — Falou. — Agora, sente-se, vamos fazer uma sobremesa. Foi bom você ter vindo porque adoro companhia mas janto sozinha sempre. Não esperava por você aqui de novo, pensei que não tinha gostado da minha casa, está melhor que aquele dia? Você poderia ter ligado, teria preparado uma coisa legal pra gente fazer.

Notei que ela era bem tagarela, do tipo que te deixava com vontade de falar também e parecia ter uma luz, uma energia positiva que fazia você se sentir bem ao lado dela. Sem que eu notasse um sorriso iluminou meu rosto, havia escolhido o lugar certo para me livrar da tensão da minha casa.

— Vamos ver... Acho que podemos fazer uma torta de morango. — Disse olhando em um livro enorme de receitas, escrito "RECEITAS DA ALICE" na capa. — Acho que tenho todos ingredientes... Você faz a cobertura, pode ser?

— Claro. — Sussurrei.

— Ótimo, ótimo, ótimo. Vou pegar os ingredientes. — Falou saltitando pela cozinha e procurando os ingredientes no armário.

— E então, por que mora sozinha? — Perguntei para iniciar uma conversa, eu não podia ficar na casa dela calada.

— Meus paris morreram, faz três anos, desde então passei a morar sozinha. — Disse.

— E seus parentes? — Indaguei mordendo os lábios.

— Não me dou bem com as minhas tias e odeio minhas primas, por isso me mudei pra cá, quero sossego. — Falou colocando os ovos na mesa. Em silêncio eu a admirei, parecia tão forte pra uma pessoa que vivia sem nenhum parente por perto, mas sendo tão fofa assim, devia ter inúmeros amigos. — E você? Qual o problema em sua casa?

— Ah eles... Eles estão se metendo na minha vida sem minha permissão.

— Sua mãe parece uma "super-mãe", se é que me entende... — Falou. Sorri.

— É, ela é. — Abaixei meus olhos. — São meus pais adotivos, minha mãe verdadeira morreu em um acidente de carro anos atrás.

— Não vou dizer que sinto muito, sei como é ruim mas... Acho ótimo que tenha encontrado novas pessoas. Eu pelo menos queria novos pais, ás vezes sinto falta de ter limites e de pessoas se intrometendo na minha vida porque querem meu bem. — Murmurou, depois voltou a sorrir e ligou a batedeira na tomada. — Você aprontou algo grave?

— Não, não. — Neguei rapidamente, ela sorriu assentindo. — É coisas do meu passado que eu não gosto de... Revelar.

Ela acenou com a cabeça como se entendesse e depois começou a jogar os ingredientes na vasilha cantarolando a música. Alice não tinha família e parecia não se importar, no fundo deveria estar doendo, mas por fora ela permanecia com uma postura forte e saudável, levando sua vida de forma que ninguém notava que tinha algo errado com seu passado.

Suspirei.

Deus, eu quero ser como ela.

— E você tem namorado? — Perguntou.

— Não. — Murmurei. Edward não era meu namorado e nunca iria ser, era estranho estar passando as noites com ele me esquecendo de que aquilo não teria futuro algum. Sempre que as meninas me contavam que tinham transado com um cara e que no dia seguinte nem falavam com ele, eu achava um absurdo e olha pra mim agora, transando com um cara que eu teria que tratar como irmão e que nem se importava em me magoar. — E você tem? — Perguntei afastando meus pensamentos.

— Tinha, até uns meses atrás, agora decidi que vou ficar sem homens por algum tempo. — Deu os ombros e ligou a batedeira. Fiquei em silêncio durante o tempo em que o barulho abafou o ambiente, minha cabeça agora estava voltada para isso, para o fato de estar fazendo exatamente o que as meninas faziam sem notar que estava sendo tão usada quanto elas.

Queria me importar, mas não conseguia. Era tão gostoso chegar nele quando queria e me jogar em seus braços, depois fingir que nada estava acontecendo, pelo menos por algumas horas. Mas seria sempre assim? E quando ele enjoasse e fosse procurar outra? E eu, onde e como iria ficar nessa história toda?

Alice desligou a batedeira e o barulho cessou, com as sobrancelhas arqueadas ela se virou pra mim.

— Bella, o que aconteceu naquele dia? — Perguntou. — Tudo bem se não quiser responder mas estou morrendo de curiosidade até agora. — Piscou os olhos inúmeras vezes. Sorri. Ela parecia tão confiável que seria capaz de abrir toda minha vida em um piscar de olhos para ela. Não iria fazer diferença contar, não é mesmo? Eu não a via e Alice não se relacionava com meus amigos, era mais fácil assim, era só falar e depois fingir que nada aconteceu.

— Eu sofri um abuso sexual alguns meses atrás, antes de ser adotada... — comecei tentando fazer o assunto parecer tão normal, quanto ela fez com a morte dos pais dela. — Meu pai se drogava e geralmente vinham cobrar as dívidas em casa, quando minha mãe morreu ficamos na miséria, nenhum parente ia nos visitar e... — suspirei. — Em uma noite veio um cara, James, e me estuprou no chão da minha casa, depois acabei fugindo porque meu pai não iria se importar mesmo e estava morrendo de medo. Acabei em um orfanato e estou onde estou. Enfim, estava tudo certo, até eu descobrir que a família desse mesmo cara mora aqui, a irmã dele é minha amiga e ele está na cidade. Naquele dia eu o encontrei e foi por isso que estava naquela situação, hoje meus pais descobriram isso. — suspirei. — É isso. — falei, impressionada por ter conseguido resumir tudo e manter a postura.

— Ele te reconheceu? — Indagou preocupada.

— Eu creio que não.

— Seus amigos sabem?

— Não. — Respondi.

— Você acha que tem chanches de encontrá-lo novamente? — Perguntou.

— Provavelmente. Eu não sei. Vou tentar evitar a família dele.

— Ele não pode reconhecer você!

— Eu sei. — Suspirei.

— Ótimo, então vamos evitar isso. — Sorriu.

— O quê? Como?

— Eu vou repaginar seu visual, de forma que ele não lhe reconheça se a ver novamente. Isso também faz bem pra sua auto estima.

— Alice, eu não sei se...

— É uma ótima idéia. Me dá o número dos seus pais, vou avisá-los que você vai dormir aqui e não se preocupe, minha mãe era cabelereira e maquiava muito bem, tenho o diário dela ensinando como fazer e sei alguns cortes maravilhosos, vou adorar transformar você. — Falou totalmente animada com a idéia. Não era ruim saber que ele não me reconheceria, na verdade era maravilhoso, só não tinha certeza se queria mudar. — Vamos Bella, decida logo porque assim que jantarmos, quero começar. Sei que não quer confiar em mim, mas pensa um pouco, você tem o dobro do meu tamanho e um corpo melhor que o meu, eu não seria capaz de forçá-la a nada. Por favorzinho.

Eu suspirei. Essa de persuadir as pessoas estava no diário da mãe dela também?

— Promete não pegar muito pesado? — Indaguei, mordendo nervosamente os lábios.

— Prometo deixar você linda, não importa o que eu tenha que fazer para isso. — Sorriu.

— Parece uma boa. — Suspirei. — Eu acho que pode ser, desde que você me diga tudo o que irá fazer antes.

— Claro, te deixaria a par de tudo. Ai, que ótimo, vou ter uma noite ocupada e um dia também. Bella, você alegrou minha semana! — Disse.

Não Alice, você é quem mudou a minha, respondi em pesamento enquanto entregava meu celular para o rosto mais radiante que que já tinha visto.

Eu sabia que era loucura confiar meu visual à uma estranha, mas Alice passava uma segurança e agia tão espontâneamente que dava impressão de que já nos conheciamos a anos. Passei a mão pelos meus cabelos enquanto ela caçava no meu celular o número da minha casa, ela era pequena e de tão feliz, parecia uma criança que havia acabado de saber que iria para a Disney.

Ela falou com Esme e foi tão doce que até eu deixaria ela fazer qualquer coisa, depois só me passou o telefone para que eu confirmasse e escutasse as recomendações de Esme. Finalmente ela desligou o celular e ainda com aquele mesmo sorriso foi terminar a torta o mais rápido possível para colocar logo as mãos em mim.

Não falamos sobre a transformação com Esme até porque se falasse, ela não deixaria. Eu não queria nem imaginar a expressão dela quando eu aparecesse no dia seguinte, melhor ou pior do que antes.

— Alice você já fez isso antes? — Perguntei.

— Eu não faria se nunca tivesse feito, acha que eu iria arriscaria te bagunçar? No dia seguinte sua mãe me mataria. — Disse.

— É. — suspirei. — Mataria.

— Enfim, como é na sua escola? — Perguntou.

— Normal, eu diria.

— Algum gatinho na sua vida? — Indagou, pensei em Edward mas preferi não comentar nada.

— Nenhum.

— Mais um motivo para que eu deixe você bonita, vamos arranjar um namorado pra você. — Falou colocando uma vasilha de vidro na minha frente. — Agora prepare uma cobertura ao seu modo, quero mecher em você logo. — sorriu. Eu suspirei.

Que. Deus. Me. Proteja.

— Uau. — Falei quando olhei o banheiro, Alice devia ter investido todo dinheiro dela no banheiro porque era sensacional, parecia um salão e tinha até as cadeiras. Arrumado e cheio de coisas, meu Deus, era ótimo. As paredes brancas, espelhos que iam do teto até o chão, o branco impecável das paredes e as luzes posicionadas de forma que deixava tudo muito claro. Tudo em seu devido lugar. Havia na parede esquerda um quadro enorme de Alice e uma mulher loira que deduzi ser sua mãe.

— É lindo, não é? Minha mãe atendia em casa também, então tinha que ter esse local. Eu reformei ao meu gosto e uso bem pouco, não tenho muitas pessoas pra mudar e não gosto de cobrar porque não tenho a menor vontade de seguir essa carreira. Mas adoro quando tenho a chanche de usar esse local, é como se eu estivesse mais perto dela, entende? — Murmurou, por segundos pensei ter notado uma pequena poça se formando em baixo dos seus olhos, mas ela logo sumiu e Alice voltou a sorrir. — Não se preocupe, você pode ver no espelho tudo o que eu vou fazer.

— Acho que confio em você. Pode fazer o que achar que fica melhor.

— Ah, obrigada Bella. — Disse jogando-se em meus braços e apertando-me contra ela. — Vou deixar você ainda mais bonita, eu prometo.

Me sentei em uma das cadeiras, quase no centro do banheiro-salão, e fiquei parada somente movendo meus olhos prestando atenção em tudo que Alice fazia e pegava. Toda vez que ela me olhava parecia lembrar de algo e começava a procurar nas gavetas, em um pequeno armário a minha esquerda, tinha várias tintas para cabelo e depois de examinar a validade delas, separou duas cores diferentes e as posicionou na minha frente. Tesouras, pentes, escovas... Tudo estava em cima do balcão em perfeita ordem.

Finalmente ela aquietou e colocou um avental e um par de luvas, e trouxe um avental para mim também cobrindo praticamente todo meu corpo. Depois de abrir um pequeno livrinho sorriu e soltou meus cabelos olhando-os por longos segundos.

— Seu cabelo é lindo por tanto só mudarei a cor e o tamanho, as pontas estão precisando ser aparadas mas de forma que não fique careta e sim bem cortadas e desfiadas. — Falou. — Bem, vamos começar lavando esses cabelos. — disse, me arrastando pelo salão logo em seguida.

— Por que duas cores? — Perguntei apontando para as tintas.

— Acho que uma cor escura no cabelo e uma cor clara nas pontas vai fazer toda a diferença. — Disse. — Relaxa ok? Eu tenho sua cor atual, se não gostar eu desfaço tudo.

— Hum, tudo bem então.

Ela realmente adorava cuidar de cabelos, devia ter no mínimo três horas que estavamos dentro daquele salão e ela continuava com o mesmo intusiasmo. Em alguns momentos me deu sono mas continuei acordada olhando fixamente para o espelho, tentando me concentrar nas músicas agitadas que ela estava escutando.

Seu toque era suave, ás vezes me dava vontade de tombar a cabeça para o lado e dormir com ela mexendo no meu cabelo, mas depois me lembrava que tinha que ver o resultado final, mesmo que neste momento o relógio apontasse 02h da madrugada.

Alice deve ter notado que eu estava realmente com sono pois trouxe uma lata de coca cola e uma revista para que eu desse uma olhada, não estava muito interessada em ler até ver o título da matéria: "SAIBA COMO CONQUISTAR UM GAROTO". Não era uma das minhas prioridades conquistar alguém, mas seria bom ler sobre isso, ainda mais sabendo que aquela era uma das revistas teen's mas bem faladas da cidade, praticamente todas as garotas da minha idade liam.

— Por que você assina uma revista teen? — Perguntei.

— Não é porque estou ficando velha que não posso me atualizar no mundo dos adoslescentes. — Disse. — Tem umas dicas legais nessa revista, mas algumas não fucionam nem com as líderes de torcida. Mas enfim, você está tentando conquistar alguém?

— Eu? Não.

— Porque parece que o título te chamou bastante atenção. — Disse com um sorriso malicioso.

— Alice, você já terminou as pontas? — Perguntei, tentando mudar o assunto.

— Qual o nome dele?

— Não interessa.

— Já ficaram?

— Qual parte do não interessa que você não entendeu? — Indaguei.

Ela gargalhou.

— Já transaram?

— Alice!

— Sério que vocês já transaram? Oh meu Deus, qual o nome dele? — Perguntou largando o pincel de lado.

— Eu não disse isso.

— Não precisa, está vermelha como um pimentão. — Disse, sorrindo. — Quem é ele? — perguntou ajoelhando-se na minha frente.

— Não seja curiosa. — Falei abrindo a revista com o rosto em chamas.

— Ah, quero somente um nome. — Disse. — Eu nem devo conhecer, vamos Bella... Vamos.

— Tá, o nome dele é Edward e não...

— Seu irmão? — Perguntou espantada.

— Como diabos você...

— Esme me falou dele em algum momento quando veio aqui, mas... — Voltou a sorrir. — Não é nenhum crime, vocês nem são parentes de verdade. — levantou-se e voltou a pegar os objetos para mexer no meu cabelo. — Agora me conte direitinho como você foi parar na cama do seu irmão.

— Para de chamar ele assim.

— Ok, do Edward.

— E se eu não quiser falar? — Desafiei.

— Está vendo esse pincel? — Indagou balançando-o para mim. — Antes que você consiga dizer Edward já vou ter lambuzado seu cabelo inteiro e a cor vai ficar horrível porque acabei de pintar de outra cor, então antes que eu cometa uma loucura, é bom você começar a falar.

— Você devia ser presa. — Falei.

— Já me disseram isso antes mas nunca colocaram em prática. — Falou continuando a mecher nas pontas do meu cabelo.

— Eu não sei como começou Alice, mas ele é bonito e sabe como fazer uma garota boba se sentir segura. — Murmurei. — Quando me dei conta já estava transando com ele e querendo de novo, e acabei perdendo a noção das consequencias. — suspirei. — Ele sabe dizer o que você quer ouvir, entende? Edward até disse uma vez que...

— Que...?

— É bobagem, mas eu queria ouvir.

— O que ele disse? Conta logo, Bella. — Falou.

Ah meu Deus, à quanto tempo estava junto com ela e a mesma já sabia de metade da minha vida?

— Eu não sei se é verdade, eu duvido muito que seja. — Falei. — Mas ele disse que estava apaixonado. — eu disse rapidamente, ela torceu os lábios em uma expressão confusa e isso me deixou com vontade de falar, por isso continuei. — No começo pensei que podia ser mas... As meninas disseram que vários homens dizem isso quando gostam do sexo. — suspirei.

— Elas não estão erradas, mas, ele precisava ter dito isso pra conseguir de novo? — Indagou.

— Não, não sei, acho que não. — Murmurei. Era pra eu estar embaraçada em falar de sexo assim tão abertamente, mas Alice parecia uma amiga minha, uma amiga mesmo, coisa que eu não tinha à muito tempo.

— Tem homens que se declaram quando pensam que vão perder a mulher, alguns partem para o lado sentimental que é onde eles sabem que vão conseguir mecher conosco, mas, se Edward não precisava dizer que é apaixonado por você pra conseguir transar de novo, então pode ser que seja verdade. — Falou. — Não tinha necessidade em mentir.

— Talvez queria me deixar mais confusa.

— Talvez você tenha muita pena de si mesma e sua auto-estima deve estar muito baixa. — Disse. — Ele não pode etsar dizendo a verdade? Só por que é bonito?

— Eu não sei, Alice, realmente não sei o que pensar. O que faria ele se apaixonar por mim? — Perguntei.

— E o que não faria, Bella? — Contra-atacou me fazendo encostar na cadeira e suspirar totalmente confusa.