Hello
2 Capítulo 2
2
Os segundos se arrastaram lentamente, somente o ponteiro do relógio da parede fazia algum barulho mas, não era suficiente pra quebrar o gelo da estátua que me tornei com esse homem no meu quarto a alguns metros de mim. Ele não se moveu, continuou segurando o trinco da porta fechada e me encarando, esperando pela minha reação que no momento era só estar de olhos arregalados e com o rosto provavelmente corado.
— E-estou. — Respondi, forçando-me a reagir diante dele.
— Isso é ótimo, ontem você parecia assustada demais. — Falou, hoje estava vestido com jeans e blusa com gola alta e me perguntei em silêncio para onde ele iria tão cedo. — Então... Nos vemos mais tarde. — Edward prometeu e em seguida deu as costas, fiquei muda como estava e esperei ele se retirar para depois conseguir levantar da cama e cambalear até o banheiro.
O dia estava nublado, nuvens negras se espalhavam pelo céu anuciando que a qualquer momento poderia chover. Coloquei uma blusa de lã branca e ajeitei meus cabelos molhados em um rabo de cavalo. Hoje era dia em que a escola estaria em profunda agitação e tudo que teria que fazer era manter um sorriso forçado no rosto e fingir estar feliz com todos os parabéns que as pessoas me dariam.
Hoje havia amanhecido totalmente confuso, desde que havia mudado para esta casa, nem mesmo Jasper havia entrado no meu quarto e conversado comigo como se fosse normal. Edward não era reservado como o pai ou o irmão, ele era diferente, e parecia saber tudo o que você estava pensando, isso me deixava totalmente desconfortável ante a presença dele.
A mesa do café estava animada, risadas soavam por toda a casa e barulho de talheres também. Acanhada entrei na cozinha olhando fixamente para os quatro integrantes que ocupavam a mesa, Esme pigarreou diante da minha presença e as risadas cessaram, Edward levantou seus olhos e os deslizoupelo meu corpo fazendo-me abaixar a cabeça e lamber os lábios.
— Não quer vir sentar, querida? — Esme perguntou carinhosamente, caminhei até a mesa e depositei a mochila ao meu lado ficando de frente para Edward. — Estavamos pensando em ir para a casa de sítio no sábado, o que você acha? — indagou, apanhei os pães e me inclinei para pegar a manteiga que estava longe demais para meus pequenos braços. Ele pegou o pote e deslizou-o pela minha mão oferecendo-me um sorriso tão sensual que meu rosto esquentou envergonhado. Como é que ele fazia isso na frente dos pais dele?
— Por mim, tudo bem. — Sussurrei, rouca. Carlisle falou alguma coisa com Jasper que estava me encarando e segundos depois todos estavam falando novamente.
A escola estava sendo exatamente como imaginei mas, na maioria do tempo ficava com Sam, o capitão do time de basquete, não eramos de falar muito, talvez por isso era confortável ficar um ao lado do outro sem se importar com o silêncio. Desde que havia entrado aqui, ele havia falado comigo e se mantido meu amigo, sem mudar seu jeito nunca. Era admirável.
— E então, como está sendo a volta de Edward? — Perguntou, quebrando o silêncio.
— Ele é diferente do que eu pensava. — Admiti, timída. — Mas, Edward aparenta ser uma pessoa legal e... — respirei fundo. — E amigável. — completei apertando minhas mãos em torno do pacote de bolacha. — E é só isso. — falei ficando de pé, o sinal iria bater em dois minutos e podia fugir de perguntas assim por enquanto. Não tinha costume de analisar as pessoas, até porque não era muito próxima de nenhuma delas, Sam já devia saber disso, não havia motivo para me perguntar sobre Edward Cullen.
Os dias tinham passado rapidamente, no sábado minhas pernas estavam doloridas por causa da corrida de uma hora da sexta-feia, não sentia nenhuma vontade de levantar da cama, mas Carlise havia deixado claro que teriamos que sair ás 7h30 sem nenhum atraso. Me arrastei em direção ao banheiro e só consegui abrir meus olhos totalmente quando a água quente do chuveiro caiu sobre eles.
Juntei tudo o precisava para ficar três dias, segunda seria feriado e só voltariamos na terça de manhã, assim faltaria na aula de Biologia, o que era um alívio. Não gostava da professora, e ela também não parecia se afeiçoar comigo o que tornava nossa relação um pouco mais difícil, nada era dito entre nós que não fosse monossílabas e isso era bom, para nós duas.
— Bella, coloque suas coisas no carro cinza. — Esme disse assim que entrei na sala com uma mala e uma bolsa grande. Não usaria tudo que estava ali, mas melhor sobrar do que faltar. Assim que ela deu a ordem caminhei até a garagem e encontrei Edward encostado no carro cinza rodando uma chave no dedo.
Fiquei parada onde estava sem dar mais nenhum passo a frente, na noite passada ele havia chegado tarde cheirando a bebida alcólica e isso gerou uma discursão com Carlisle. Edward tinha a língua afiada, disse muitos desaforos ao pai e não se importou com a altura em que estava gritando suas palavras acompanhadas de milhões de palavrões e barulhos de coisas quebrando. Hoje tudo parecia em perfeita ordem, nada fora do lugar e para mim, nenhum clima estranho, talvez as brigas fossem frequentes antes de Edward partir ou eles haviam se resolvido.
— Você vai comigo, Jasper vai levar um amigo e como não quero aguêntar barulhos no meu carro, preferi levar você que é mulher e é mais calma. — Falou, com a voz elevada. Acenei positivamente com a cabeça preferindo não irritá-lo porque homens altos como ele nervosos me davam medo.
Entrei no carro após deixar minhas coisas no porta-malas, ele entrou algum tempo depois e bateu a porta com força. Me encolhi para o lado e coloquei o cinto, meu corpo começava a ficar tenso e olhei para fora da janela tentando encontrar algo que prendesse minha atenção.
Edward arrancou quando Esme entrou na garagem, sem dizer nada saiu pelas ruas e aumentou a velocidade passando o sinal vermelho sem nenhum pudor. Apertei meus dedos contra o banco e rezei para que ele não tentasse fazer nenhuma loucura, nem com o carro e nem comigo.
— Não precisa ter medo, não vamos bater. — Falou, o fitei e percebi que seus olhos não saiam da estrada. Era mais ou menos, duas horas até chegar no sítio, mas se ele continuasse assim, chegariamos em uma hora e meia ou menos. — Você não gosta de velocidade. — afirmou. — Então... — brecou fazendo meu coração disparar e tive que me segurar para não ir para frente com toda força. — Vamos devagar. — ele disse, com um sorriso agora em uma velocidade regular. Minhas pernas estavam trêmulas e minha respiração acelerada, Edward definitivamente era louco ou estava tentando ser.
Ele estava se mantendo em uma velocidade razoável, somente nas curvas que acelerava um pouco, isso fazia meu coração acelerar mas disfarçava olhando para fora da janela ou para minhas unhas avermelhadas. Não sabia que imagem Edward tinha de mim, havia me encontrado a algumas noites atrás morrendo de medo e tremendo como uma vara verde, desde então nossos contatos foram sempre troca de olhares e sorrisos sensuais da parte dele. Nada mais.
— Pode relaxar, não vou correr mais. — Disse, me assustei com sua voz suave penetrando nos meus ouvidos. Lentamente respirei fundo e estiquei um pouco minhas pernas para que assim pudesse dar a impressão de estar relaxada. — Por que não gosta de velocidade? — perguntou. Seus olhos não estavam na estrada, sentia-os vagando pelo rosto e pelo meu corpo queimando minha pele com seu olhar.
— Precaução, odeio acidentes. — Falei, me movendo desconfortavelmente no banco. Ninguém conseguia responder nenhuma pergunta se havia alguém lhe encarando como um lobo que esperava para atacar sua presa. Ainda era cedo, mas o dia dava indices de que iria ficar totalmente nublado e que possivelmente podeira chover. Não seria um bom final de semana.
— Já sofreu algum acidente? — Perguntou, apesar do seu tom casual, havia uma ponta de curiosidade na sua voz. Abri meu casaco pois meu corpo começava a esquentar, usava uma calça jeans apertada que deixava minha bunda arrebitada e uma blusinha vermelha sem mangas e com um decote médio.
— Ainda falta muito? — Indaguei, mudando de assunto.
— Você tem belos seios. — Comentou, meu rosto queimou diante do seu comentário e imediatamente fechei o casaco subindo o ziper até meu pescoço, voltando a olhar para a janela rezando para que houvesse alguma paisagem que prendesse sua atenção. — Foi um elogio, você não precisa ficar vermelha dessa forma. — disse, maldosamente, só para me fazer corar ainda mais.
Me mantive quieta, era a primeira vez nesses últimos meses que um homem havia me elogiado tão abertamente assim, sempre escutava piadinhas e cantadas, mas elas nunca eram tão imorais e diretas como essa que tinha acabado de receber. Edward não tinha nenhum pudor sobre suas palavras e isso arrepiava minha pele, nossa convivência não seria tão fácil como imaginava.
Foram mais ciquenta e dois minutos de silêncio, não conseguia dizer nada, somente me remexia totalmente desconfortável em meu assento. Ele não dizia nada, manteve seus olhos na estrada e ás vezes me pegava olhando seu rosto, nossos olhares se encontravam em questão de milésimos e depois se desviavam cada um voltando a olhar para frente.
Mesmo depois desse comentário malicioso, Edward permaneceu sério. Ele não parecia alguém que gostava de brincadeiras, suas palavras ainda que impróprias eram ditas com profunda sinceridade, e isso não parecia envergonhá-lo. A viagem estava sendo longa e cansativa e ao chegar na casa afastada minhas nadêgas estavam doloridas, e meus olhos estavam pesados de sono.
Esme já estava lá, seus olhos pousaram-se protetoramente sobre mim e ela fez questão de pegar minha mala e levá-la para dentro da casa. Edward não disse nada e acovardada nem mesmo tive coragem de me virar para ele ao descer do carro. Carlisle me deu um sorriso e lhe respondi com um aceno enquanto caminhava para dentro.
O quarto de baixo sempre era meu, era perto da cozinha e gostava dele porque era realmente quente. Os outros dormitórios ficavam no andar de cima, na ala esquerda, uma direção totalmente oposta do meu, isso me deixava mais confortável, ninguém iria escutar nada que viesse de mim durante a noite ou de dia, um pensamento aliviante.
— Como foi a viagem com Edward? — Esme perguntou me ajudando a colocar as calças jeans dobradas nos poucos cabides que tinha naquele ármario. Queria dizer a ela que tinha sido desconfortável estar diante do olhar de lobo faminto dele mas preferi não causar ainda mais intrigas na familia, ele era o filho ali, não eu.
— Foi boa. — Falei dobrando uma camiseta, ela me olhou como se esperasse algo além disso, então suspirei. — Ele é sincero e gosta de bater papo. — acrescentei fazendo-na sorrir.
— Sim, ele sempre foi um garoto tagarela. — Falou sorrindo imensamente. — Quando era pequeno recebia inúmeras reclamações das professoras porque ele era quem mais conversava da sala. — disse, perdida nas lembranças. Tentei sorrir com ela, mas o sorriso não veio. Nunca teria ninguém para lembrar de algo que fiz quando era pequena, nunca poderia contar como era para alguém, isso era frustrante. — Fi... Querida, acho que você já pode se virar daqui, vou ver se Jasper precisa de ajuda, tudo bem? — indagou, assenti. — Qualquer coisa, me chame.
Assim que Esme saiu do carro desabei sobre a cama, era doloroso tudo me afetar dessa forma, qualquer coisa conseguia me deixar completamente sem jeito e magoada. Por muitas vezes havia repreendido a mim mesma desejando ser mais forte do que isso, mas sempre falhava, ás vezes sentia que estava preste a entrar em depressão, nos primeiros dias após o estupro fiquei inúmeras vezes com aquela vontade infeliz de acabar com minha vida, mas depois passava e só restava o vazio.
Tem muitas pessoas que acham que cair em depressão é sinal de fraqueza, mas a depressão é uma doença da alma e não se pode controlar nada que vem de dentro, ás vezes esse algo é maior do que a força que você tem por fora. E até maior do que a resistência que você criou em volta de si.
Procurei não deixar que as lágrimas rolassem enquanto terminava de guardar minhas camisetas e peças íntimas na gaveta, depois que terminei permaneci sentada no chão escutando as gargalhadas de Jasper e seu amigo que provavelmente estavam na cozinha, deitei minha cabeça sobre a beirada da gaveta aberta e fechei meus olhos, um dia ainda iria me livrar de toda aquela magoa e ser normal, tinha fé nisso.
Já era quase na hora do almoço quando finalmente acordei, havia deitado na cama e dito a mim mesma que só iria descansar alguns segundos, mas meu corpo cansado submergiu a escuridão por quase três horas. Fui em direção ao banheiro e troquei de roupa, para depois lavar meus rosto e escovar meus dentes.
Apanhei todos os fios de meus cabelos e os prendi em um coque no alto da cabeça fechando a blusa de seda que estava vestindo para que nada ficasse a mostra, assim evitaria mais algum comentário desagradável da parte de Edward. Toda mulher gostava de ser elogiada, eu também gostava, mas isso antes de ser violentada. Você mudava completamente seu modo de ver os homens, qualquer comentário era interpretado de um modo diferente, por causa do medo.
Abandonei os pensamentos e coloquei no rosto uma expressão casual para poder entrar na cozinha e encontrar Esme ajoelhada no chão olhando fixamente para o forno, o cheiro de torta de maçã estava impregnando todo o ar, era uma das receitas da mãe de Carlisle e Esme a adorava. Sentei na cadeira procurando não fazer ruído mesmo assim ela me viu, e logo se levantou com um sorriso. Ela tinha um incrivel dom de sorrir a qualquer momento.
— Carlisle e os meninos foram ao mercado comprar frutas, pedi para Edward lhe chamar pra ver se você gostaria de ir, mas você estava dormindo então ele preferiu não lhe acordar. — Disse, não pude deixar de me mostrar surpresa, era um pensamento estranho saber que ele havia entrado no meu quarto e me visto adormecida em cima da minha cama com a blusa aberta e com meus seios quase saindo para fora do decote. — Ah, querida, Edward é um rapaz maravilhoso, mesmo sendo teimoso, será bom vocês passarem mais tempo juntos, serão grandes amigos. — falou, não tive nenhuma outra opção que não fosse concordar com a cabeça, mesmo assustada com essa possibilidade.
— Precisa de ajuda com algo? — Perguntei, anciando mudar de assunto.
— Só se você quiser fazer o macarrão. — Disse. Acenei com a cabeça e fui em direção a pia para lavar minhas mãos, manter-me ocupada com a comida seria um boa forma de escapar das perguntas que ela costumava fazer quando estavamos sozinhas.
Estava terminando de lavar as alfaces quando escutei a voz de Jasper entrando na cozinha, acompanhado dele entrou seu amigo, que se não me enganava seu nome era Mike e logo depois veio Edward e Carlisle. Não ousei olhar para Edward mais de uma vez, somente acenei para todos com a cabeça e voltei minha atenção para as alfaces.
— Jasper, venha me ajudar a achar os fios da televisão, do DVD e do Video Game, Edward vai guardar as compras e ver se a Isabella precisa de ajuda. — Carlisle disse, continuei de costas ficando agora um pouco mais rígida ao escutar os passos se afastando. Peguei a faca sobre a mesa e comecei a cortar as folhas, não sem antes dar uma olhada a Edward que começava a se aproximar.
— Precisa de ajuda? — Indagou, estava ao meu lado, quase podia sentir seu hálito batendo contra meu pescoço nu. Fiquei em silêncio pensando em uma resposta, mas ele havia falado de modo tão sensual que havia quase perdido a curta linha de racíocinio que tinha.
— Você não vai guardar as frutas? — Perguntei, em resposta.
— Você tem medo de mim? — Indagou em cima da minha pergunta, tive vontade de responder que temia qualquer homem porque só havia se passado um ano e alguns dias desde que havia sido estuprada, mas, preferi cortar mas uma folha de alface e me silenciar. — Atitudes como essa me levam a crer nisso, você nunca responde minhas perguntas, sempre foge dos meus assunto e não tenta fazer amizade comigo mesmo que tenhamos nos conhecido a alguns dias. Vamos conviver por um bom tempo Isabella, você é parte da minha familia agora.
— Não... — Murmurei, vacilante.
— Não se sente parte dessa familia? — Perguntou. Quase lhe respondi que não, mas se Esme estivesse escutando de algum lugar provavelmente ficaria magoada, relutante não vi outra alternativa se não mentir, sobre ambas as perguntas.
— Não tenho medo de você. — Murmurei mantendo meus olhos nas alfaces, escutei um suspiro pesado atrás de mim e seu vento arrepiou minha pele. Disfarcei indo em direção ao armário próximo e apanhando uma vasilha para colocar a salada, me senti aliviada quando ele voltou sua atenção para as sacolas e pude finalmente olhar para ele sem que Edward notasse.
Seus cabelos pareciam ser estremamente macios, um dia se tivesse coragem iria tocá-los e enrroscar meus dedos por eles. Quando me dei conta do quão idiota foi esse pensamento corei envergonhada. Virei minha cabeça para temperar a salada e procurei abandonar qualquer pensamento que tivesse nele a figura de Edward, ou de seus cabelos.
Edward se manteve ocupado até finalmente terminar de colocar tudo no lugar, e voltar sua atenção para mim. Infelizmente já havia terminado e não tinha nada para que pudesse fingir observar. Ele pareceu sentir meu desconforto porque finalmente se virou e caminhou até a porta. Sem que pudesse conter meus olhos, fitei seu bumbum se movendo em baixo do jeans e quando notei que ele estava me olhando corei violentamente virando meu rosto para o lado.
— Por que tem tanta vergonha do que faz ou pensa? — Perguntou, fiquei em silêncio. — Eu vou descobrir, Isabella, juro que vou. — prometeu deixando a cozinha logo depois. Edward não era alguém para se confiar, mas com certeza era alguém em que você devia acreditar.
Depois do almoço sentei no sofá para comer a torta e assistir ao filme que Carlisle havia comprado, Esme sentou-se no tapete junto com seu marido, Jasper e Mike foram jogar video game e Edward se sentou ao meu lado trazendo uma manta para cobrir a nós dois. Estremeci suavemente quando sua perna rossou na minha e permaneceu encostada nela enquanto pegava um grande pote de sorvete e começava a comer descontraidamente.
O filme era policial, e mesmo gostando desse gênero não conseguia me concentrar, não quando o joelho de Edward estava subindo e descendo, rossando descaradamente nas minhas coxas. Minha garganta ficou seca e não conseguia nem mesmo respirar direito, me afastei um pouco mas já estava na ponta do sofá e não tinha para onde correr, ele continuou a fazer esse momento até meu corpo estremecer.
— Está com frio? — Sussurrou, perto de mim. Houve uma explosão no filme e não tive certeza se Esme ou Carlisle ouviu. — É só eu Isabella, estou só encostando em você. — murmurou se aproximando mais, coloquei a mão em seu abdômen na tentativa de barrá-lo, mas ao sentir todo calor da sua pele, por baixo da fina camiseta, ofeguei. Tinha músculos ali. Ele devia ser completamente definido.
— Pare. — Gemi, me afastando com a pele queimando, que merda estava pensando? Inconformada com minha estúpida atitude olhei diretamente para a televisão jurando a mim mesma que não iria encará-lo novamente. Ficar perto dele era denifivamente um perigo, Edward era quente e não tinha vergonha das suas atitudes. Comigo era diferente, sempre fazia algo do que me envergonhava e ter gostado de sentir seus músculos era uma dessas atitudes vergonhosas.
— Talvez você não tenha sido sincera quando disse que não tinha medo de mim. — Falou, suas palavras eram sussurradas, porém Carlisle olhou para trás, isso não impediu de Edward continuar me encarando esperando que eu dissesse algo em resposta do que havia acabado de dizer. Logo que viu supostamente eu olhava para a televisão, virou para frente me dando a oportunidade de olhar para o homem ao meu lado.
Quando não suportei mais aqueles olhos constrangedores fitando-me como se a qualquer momento fosse me agarrar, levantei-me e largando meu prato sobre a bancada mais próxima corri em direção ao quarto. Fiquei algum tempo parada atrás da porta porque temi que Edward viesse atrás de mim, mas ele não veio o que me aliviou completamente.
Fiquei no quarto algum tempo, até Carlisle vir perguntar se estava tudo bem, ele não parecia preocupado com o fato de ter acontecido um pequeno desintendimento entre eu e Edward, não perguntou nada e nem mesmo pareceu ter escutado o que foi dito logo atrás dele. Ele era discreto, talvez porque era doutor e a maioria de seus pacientes eram tão discretos como ele.
Fui em direção sala seguindo Carlisle de longe, Edward estava sentado em uma mesa próxima e talvez esse fosse o momento de resolver a situação desconfortável que estava reinando entre nós.
— Isabella...
— Edward, por favor. — Falei, ele me barrou quando passei ao seu lado e não fiz questão de escoder minha irritação, e nem meu tom chateado. — Você não me conhece, não sabe nada sobre mim, não faz idéia do que passei e do que passo, então pare de tirar suas conclusões e tentar saber tudo, você não sabe nada.
— Algum problema, crianças? — Carlisle perguntou interferindo, imediatamente recuperei minha expressão vazia e em pensamento implorei para que Edward não dissesse nada que estava acontecendo. Não queria que eles pensassem que estavam com ciúmes ou algo parecido do filho mais velho deles.
— Não. — Respondi, rapidamente. Tão logo quanto pude me afastei de ambos e fui até o quintal onde escutei as conversas de Jasper e seu amigo. Minha cabeça estava ficando confusa, mas do que já estava nesses últimos meses, era um homem que você não conhecia tentando ficar perto de você, o bastante para você temer pela segurança dos seus segredos.
— Podemos conversar? — Esme perguntou, alguns minutos depois ao chegar ao meu lado. Acompanhei-a até o jardim e pensei nas respostas que poderia dar ela. Tinha certeza que nenhum deles sabia sobre meu estupro, a moça do orfanato havia alegado que minha mãe havia morrido e meu pai não tinha mais condições para me criar, e ela não sabia o quanto estava agrdecida por esse gesto. Mesmo sabendo que ela só tinha feito aquilo porque é difícil adotarem uma criança com um passado horrendo como o meu. — Edward lhe fez algo? Agiu de modo rude com você, querida?
— Não. — Murmurei.
— Filha, por favor, diga a verdade. Sou eu, Esme, quero somente saber se aconteceu algo entre vocês. — Disse colocando um fio do meu cabelo atrás da minha orelha.
— Não aconteceu nada, somente uma ideologia diferenciada, nada que mereça atenção ou preocupação.
— Se não merece preocupação, por que Edward resolveu ir embora mais cedo? — Perguntou. Seu tom não era acusador, era dócil e preocupado, por isso suspirei e decidi que iria pedir a Edward para ficar, pelo menos até segunda-feira, ele havia acabado de voltar e já estava brigando com sua familia, isso não era bom. Se eu tivesse minha antiga familia de volta, jamais brigaria com ela.
— Me dê alguns segundos. — Murmurei, em seguida parti em disparada para o quarto de cima onde ele estava, respirei fundo antes de abrir a porta e encontrá-lo dobrando suas camisas e colocando-as nas duas grandes malas estendidas sobre a cama. — Edward. — chamei de sua porta, ele pareceu surpreso e se virou para mim avaliando-me cuidadosamente. — Por que está indo embora? Esme não está feliz com isso.
— Eu tenho que descobrir algumas coisas. — Falou, secamente.
— Esme acha que isso é por causa do que aconteceu à alguns minutos atrás. — Murmurei. — Me desculpe se... Se de alguma forma você não gostou do que eu disse, só fiquei... Chateada. Sabe, não gosto que as pessoas interfiram na minha vida. — falei, ele ficou em silêncio enquanto terminava de colocar suas roupas lá dentro.
— Se acostume, daqui a alguns dias, não vai haver nenhum segredo seu que eu não saiba. — Disse, após isso trombou em mim de leve e em seguida se retirou do quarto carregando sua mala consigo. Fiquei onde estava, trêmula e sem saber o que dizer. Isso era uma ameaça? Se era, definitivamente era algo que merecia grande preocupação.
Observei da janela Edward entrar em seu carro, Esme estava logo atrás dele, era a cena de uma mãe tentando conversar com um filho rebelde a voltar. Entrei no banheiro e tranquei a porta tirando do bolso meu celular, disquei rapidamente o número do celular da Irmã Maria e em seguida me sentei sobre o vaso com a tampa fechada.
— Irmã Maria? — Sussurrei assim que ela atendeu o telefone, talvez ela soubesse quem era por isso manteve em silêncio e logo teve coragem para pigarrear e finalmente sussurrar um rouco "alô". — É Isabella como sabe, preciso de um favor seu.
— Querida, sabe que...
— Não, só quero lhe avisar que talvez alguém possa ir pedir informações sobre meu passado nos próximos dias, queria lhe rogar para que não comentasse sobre o estupro com ninguém, se isso vir a tona talvez minha adoção seja cancelada e posso até mesmo ser devolvida. — Falei, mordendo meus lábios, balançando meus pés inquietamente. — Por favor, a Senhora sabe que esse é um assunto muito delicado. — sussurrei.
— Tudo bem, querida, não vamos relevar nada. — Garantiu, respirei aliviada e em seguida murmurei meus agradecimentos. Procurar informações no orfanato seria a primeira coisa que alguém iria fazer, não encontrando nada lá, provavelmente desistiria logo. Desliguei o celular e em seguida desci as escadas, Carlisle estava sentado na sala e sorriu para mim assim que me sentei no sofá a frente. O silêncio reinava no local, e só foi preenchido pelo barulho do carro de Edward cantando pneus na estrada de cimento.
Não entendia ao certo porque ele se interessava pelos meus segredos, as pessoas geralmente se interessavam exatamente pelo o que não devia. Edward era o tipo de homem que gostava de saber tudo, que odeiava ficar sem respostas, e não descansava até conseguí-las. Ao mesmo tempo, parecia ser o tipo que desiste fácil e para não se dar por vencido, se diz desisteressado ou sempre tem uma desculpa.
Mas suas palavras no quarto havia sido direcionadas a mim com tanta sinceradade, que meu coração só desacelerou quando tive certeza que as mulheres do orfanato não iriam dizer nada. O orfanato tinha nome, e ao dizer a elas que minha adoção dependia do silêncio de todas, com certeza as providências seriam tomadas, afinal, uma familia boa e rica como os Cullen's poderiam derrubar qualquer comércio sendo Esme uma advogada brilhante.
Com seis meses no antigo orfanato, acabei sendo transferida para esse do bairro por bom comportamento. Ajudava no que era preciso para distrair o medo que me cercava. Na grande parte do meu dia estava na aula de boas maneiras, depois ajudava as mulheres a pentear e arrumar as crianças menores e ficava conversando com as jovens da minha idade no fim da noite, e isso ajudou muito, quando entrei na escola conseguia conversar normalmente com as pessoas, mas sempre mais distantes dos garotos e professores.
De qualquer forma, a mente humana tem muita facilidade para apagar lembranças de fatos e pessoas, me lembrava do estupro em horas vagas ou em momentos que não havia nada para me distrair. Sabia que daqui alguns anos, poderia ser somente uma lembrança ruim, mas por enquanto estava muito recente, ainda machucava e ainda havia toda aquela dor presa na minha cabeça, rondando em meus sonhos e pensamentos.
— Ele é um teimoso. — Esme disse, me tirando dos meus pensamentos. — Querida, não foi por sua causa, não se incomode, ele não deve estar aceitando muito bem o fato de haver uma nova caçula na família. Logo ele virá pedir desculpas como um homem. — falou, me oferecendo um sorriso.
— Desde pequeno Isabella, ele sempre foi o mais temoiso de todos. — Carlisle completou, o rosto de ambos se iluminavam ao falar de Edward bebê. — Queria tanto que ele fizesse direito como a mãe, ele sempre foi bom em defender as pessoas, mas ele teimou comigo até escolher psicologia, não terminou a faculdade porque desistiu, Edward não sabe exatamente o que quer. Voltou para casa e agora pensa em começar a cursar medicina. Ele sabe que é difícil, mas quer tentar, por ser teimoso e persistente. Acho que ele herdou isso de Esme. — disse, forcei um sorriso e eles pareceram ter acreditado porque logo o clima havia melhorado.
— Você se importa se irmos embora hoje a noite? — Esme perguntou docemente. — Não quero que Edward fique sozinho.
— Não, podemos ir a hora que você quiser. — Murmurei, não queria voltar para casa e encontrar Edward, mas ao mesmo tempo me sentiria estupidamente mal se eles brigassem.
— Ótimo, vou avisar para Jasper arrumar as malas, amanhã vamos ao cinema fazer qualquer outra coisa para deixar nosso domingo animado. — Carlisle falou, acenei com a cabeça e esperei ele sair da sala para acabar com meu sorriso que estava doendo minhas bochechas por estar congelado na minha face. Só estava preocupada, temendo saber quão longe Edward iria para buscar uma resposta.
O caminho de volta foi desagradavel, acabei pegando no sono no carro e acordei após um sonho ruim, Carlisle pensou em me confortar mas me afastei como um gatinho assustado e por fim, Jasper passou o braço em torno dos meus ombros e me fez abraçá-lo. Ele parecia inofensivo de modo que não havia como ter medo dele, somente escondi meu rosto na curva de seu pescoço e permaneci ali agarrada a ele até pegar no sono novamente.
Meus se abriram primeiro suavemente, a luz cegou minhas vistas e tornei a fechá-los. Somente consegui abrí-los de vez para saber onde estava, sentei-me sobre a cama macia e me descobri no meu quarto. A luz do abajur estava ascesa e a porta aberta, revirei-me e sentei na cama olhando fixamente para o relógio da parede. 01h45.
— Droga. — Sussurrei baixinho, havia aprendido a nunca falar palavrão e não proferir palavras de maldição, mas sempre que acordava pela madrugada e não conseguia mais dormir, sempre xingava algo, alguém ou o nada. Escutei passos ao lado de fora, alguém devia estar me observando, meu rosto ficou vermelho ao lembrar de ter acordado daquela forma dentro do carro, e pela primeira vez ter demonstrado a Esme, Carlisle e Jasper, todo o medo que me cercava nos sonhos.
Minha porta se abriu e senti uma enorme vontade de fingir que estava dormindo, mas se fosse Esme esse era o momento para me desculpar com ela. Era Jasper, seu cabelo estava um pouco bagunçado, porém estava preso com uma das minhas presilhas. Seu rosto estava cansado, porém ele não aparentava ter estado dormindo, nos dias sábado ele sempre ficava até tarde na internet.
— Olá. — Murmurou jogando-se no meu sofá. — Como você está?
— Estou bem, aquilo foi somente um pesadelo, entretanto, me desculpe por fazer aquela cena, eu estava um pouco assustada por causa do sonho. — Sussurrei juntando minhas mãos em meu colo. — Me perdoe também por... Me agarrar a você. — dessa vez meu rosto estava completamente vermelho e minha voz falhou duas vezes.
— Bella, isso não tem a miníma importancia. Você sabe que pode contar comigo. — Falou, assenti e continuei em silêncio. — Esme e Carlisle ficaram preocupados, você parecia estar com muito medo para ser somente um sonho.
— Tem sonhos que parecem bem reais. — Respondi.
— Tem sim, sonhos e lembranças. — Disse, bocejando. Fiquei onde estava e somente passei os dedos pelos meus cabelos soltos e embaraçados, precisava tirar aquelas roupas do dia e tomar um bom banho quente para conseguir relaxar e dormir novamente. — Bella, acho que vou deixá-la sozinha, preciso descansar também.
— Estava na internet?
— Não, estava ajudando Edward fazer suas malas.
— E por quê? — Perguntei interessada, ele estava indo embora por minha causa?
— Ele vai visitar Forks, disse que tem lá as respostas que ele precisa. — Disse, minha pele se arrepiou e não havia mais saliva na minha garganta. Estava em pânico e não consegui esconder isso, tudo que conseguia fazer era tremer como uma vara verde temendo pelo que Edward iria descobrir.
Notas finais
espero comentários, bjs.
Fale com o autor