Hello

3 Capítulo 3


Notas iniciais
Uma recomendação, adorei *-*
Enfim, nesse cap. eles começam a se conhecer melhor. Aviso logo: O Edward é terrível, haha.

3

POV EDWARD.

A chuva fez um estrago na estrada próxima e consequentemente o trânsito parou, a garoa forte não dava trégua em nenhum momento, o para-brisas do meu carro permanecia ligado para que pudesse continuar enxergando os carros da frente que se moviam lentamente antes de parar novamente. Não precisava de tanto esforço para descobrir sobre o passado de uma garota, mas ela estava morando na casa dos meus pais e escondia alguma coisa. E se fosse ruim?

Não precisava ser psicólogo para saber que algo a atormentava, seu histórico não tinha nada, era limpo. Garota que perdeu a mãe e que o pai não tinha condições de criar, acabou sendo levada ao abrigo por uma moça solidária. Isso não era o bastante, tinha confiança de que não era somente isso. Havia mais. Muito mais.

Depois que Jasper me contou do modo que ela havia acordado no carro, me lembrei da noite em que nos encontramos pela primeira vez, ela estava assustada, parecia um gatinho assustado e seus grandes olhos chocolates estavam cheios de medo e horror. Isabella definitivamente não sonhava com o bicho-papão.

As mulheres do orfanato sabiam mais do que revelavam, elas mentiam por algum motivo maior, não lhes ofereci dinheiro, mas pensei nisso. Comprar as pessoas era deduzir que elas eram falsas e do mesmo modo que passaram a informação para você, poderiam passar para qualquer outra pessoa que oferecesse uma quantia melhor.

Teria que parar em um posto de gasolina em breve, iria viajar algumas horas de carro para chegar a Forks, poderia ir de avião mas nunca gostava de alugar carros em lugares novos, era melhor estar dentro do meu. Meu celular tocou e na tela apareceu o nome de Carlisle, respirei fundo, era hora para mais uma briga.

— Carlisle. — Atendi.

— Edward, que história é essa? Decidiu viajar e não me avisou, você sacou quase dois mil reais da minha conta e se acha no direito de não me dar nenhuma satisfação? — Perguntou, fiquei em silêncio esperando sua respiração se acalmar e por fim, ele soltou um baixo grunido. — Você simplesmente volta e se acha no profundo direito de chegar bêbado ás três da manhã e me desafiar, além disso tratou Isabella com desrespeito e pela primeira vez a escutei falar daquele modo com alguém, você a perturbou e ela chegou a ter pesadelos no carro e teve que dormir com Jasper! O que você acha que está fazend afinal?

— Estou dirigindo, não posso discutir agora. — Falei, dessa vez sua respiração acelerou e tinha certeza que havia tirado-o de sua saniedade.

— Se quer agir como um moleque, então haja, mas desde que anuciou que ia voltar, imaginei que você e Isabella pudessem ser amigos, mas essa é uma situação quase impossível, não é mesmo? — Perguntou.

— Eu vou ser amigo dela, Carlisle. — Declarei. — Mas primeiro tenho que acertar algumas coisas da minha vida. — falei, ele ia responder, gritar ou falar alguma coisa, mas antes disso desliguei e joguei o celular no banco de trás, nada iria me incomodar hoje, somente o passado de Isabella.

Não conhecia ninguém em Forks, não tinha idéia de ontem começar a procurar e por quem começar. Pensei em ir até a polícia, mas não sabia se o trauma dela era emocional ou físico. Devia começar procurando um parente ou algo parecido, alguém que pudesse ajudar com informações pequenas que pouco a pouco juntariam todo quebra-cabeça.

Dirigi mais algumas horas até chegar em Forks, era uma cidade pequena segundo o mapa, a estrada era silenciosa e não havia uma só pessoa na calçada iluminada por fracas luzes. Nenhum carro na pista. Aqui devia ser definitivamente o fim do mundo. Desliguei o som e dirigi mais rápido, nunca se sabe se vai aparecer algum maniáco na estrada e tentar parar seu carro.

O relógio apontava 06h35 da manhã, não havia dormido e meus olhos estavam pesados. Teria que arrumar algum lugar que pudesse descansar até a hora do almoço. No banco do lado havia um bloco de anotações, uma caneta, meu celular e minha carteira com meus cartões e ao lado, uma pequena mochila com quase três mil reais, era tudo que precisava, pelo menos por alguns dias.

POUSADA SANTA MARIA.

Desci do carro carregando comigo minha mala e os outros objetos e apetrechos, a garoa estava insuportável e mentalmente agradeci ao dono da pousada por ter construido-a bem aqui, quase no começo da cidade.

A senhora que estava na recepção era animada e gentil, depois de realizar meu cadastro pediu cinquenta por cento de adiantamento, explicou que alguns hospedes iam embora pelas portas dos fundos e não pagavam, por isso ela precisa ao menos de metade do valor que você iria pagar.

Minutos depois estava no quarto vinte e dois, arranquei meus tênis e me joguei na cama, só precisava de algumas horas de sono e depois pensaria por onde começaria a buscar respostas ou pelo menos pista delas.

— Porra. — Murmurei, abri meus olhos lentamente olhando para meu celular que tocava próximo de mim. A tela indicava o nome de Jasper, o que esse desgraçado queria? Será que não podia ter mais algumas horas de sono sem ser interrompido? — O que você quer? — perguntei, minha voz estava carregada de raiva e ao mesmo tempo estava sonolenta e rouca. Houve silêncio do outro lado da linha, mas pelo modo de respirar não era como o de Jasper, era mais calmo e parecia um pouco aterrorizado. — Jasper?

— Sou eu.

— Isabella. — Falei ficando sentado, bocejei e em seguida voltei a colocar o telefone na orelha. Ela deveria estar no mínito furiosa, porque com certeza Jasper já havia informado a ela que eu estava na cidade onde ela tinha nascido. O problema era que ninguém sabia nada sobre ela e em sonhos ela havia gritado algo muito estranho. Alguém fez alguma maldade para ela, algum homem dos cabelos louros. Mas não foi algo normal, era algo que tinha atingido em cheio sua mente e isso estava perturbando seu controle emocional.

— Por que está procurando o que não lhe diz respeito? — Indagou, sua voz era acusadora, mas ao mesmo tempo era cautelosa, como se estivesse com medo por falar comigo naquele tom. Não! Ela estava com medo do que poderia ter descoberto sobre ela, definitivamente o homem dos cabelos loiros não era seu ex namorado.

— Me diz respeito sim, Isabella, você está na minha familia, mas antes de entrar nela, algo aconteceu a você e como você não fala e não me dá explicações, tenho que ir procurar. — Falei. — Tem algo a mais no que você esconde, você nunca sorri, nunca é verdadeiro e você tem medo de noites de chuva. Eu observei que tem receio de ficar sozinha com Carlisle e o único homem que lhe agarra é Jasper, o único, isso é porque ele aparenta ser inofensivo e você sabe que pode lidar com ele.

— Edward... — Sussurrou com a voz quebrada, minha observação era verdadeira. — Se você voltar, prometo lhe dar todas as respostas que pedir, só tem que voltar agora, juro que direi tudo. — falou.

Isso era definitivamente uma ótima idéia, não havia nada melhor do que escutar a verdade da própria pessoa, como psicólogo não-formado, poderia arrancar aos poucos a verdade dela, o único problema é que Isabella parecia ser o tipo de paciente que enrrolava o psicólogo até a consulta acabar e nunca conseguia dizer nada.

— Tudo bem. — Falei, ela deu um longo suspiro relaxado. — Mas começaremos por telefone, quem é o homem dos cabelos louros ou mostro dos cabelos loiros? — perguntei, como esperava sua respiração parou por alguns segundos, e após um suspiro ela disparou mais acelerada.

— Edward... Isso é um pouco pessoal demais. — Sussurrou, a voz dela era tão inocente, dócil e ao mesmo tempo sensual, que não conseguia imaginá-la sofrendo nas mãos de algum homem, até porque nenhum homem em sã consciência machucaria uma garota mais frágil que uma pena. — Volte, por favor. — pediu novamente. Ela estava com a voz mais chorosa do mundo, por segundos pensei em conseguir tudo sem ajuda de ninguém, mas seria difícil, ela falando era bem mais fácil. Eu estava vencido.

— Acumule respostas para me dar, chego em algumas horas. — Declarei.

POV ISABELLA.

Desliguei o celular e o entreguei para Edward, Jasper estava ao meu lado mas não disse nada. Meu coração que estava saltando do peito aos poucos começou voltar ao normal, não sabia ao certo se ele voltaria, mas no momento desejava que ele estivesse sentado na minha frente tentando arrancar algo de mim, era melhor que saber que ele estava na cidade onde eu tinha nascido e que qualquer pessoa poderia abrir a boca e lhe contar o que havia acontecido.

Fechei minha blusa e deslizei para fora do sofá, era hora de ir até o cinema, não tinha idéia de que filme iria assistir com Jasper, mas isso iria me distrair até que Edward chegasse. Eu não tinha respostas, na verdade, não sabia como iria fazer para enganar um homem que aparentava ser bastante inteligente.

Um silêncio confortável se manteve entre nós, enquando Esme dirigia, Carlisle se mateve no celular digitando mensagens para alguém. Desde ontem ele estava irritado com alguma coisa, provavelmente com o sumiço repentino de Edward, qualquer pai ficaria indignado com isso. Era culpa minha, em poucos dias começava a ver essa familia desmoronar e precisava fazer algo para impedir isso.

O cinema não estava cheio, escolhemos um filme de comédia romantica e sentamos no meio da sala que tinha somente umas vinte ou trinta pessoas. Minha mente não conseguia se concentrar no filme, tudo que pensava era na volta de Edward, nas respostas que poderia dar e como poderia agir para conseguir enrrolar ele.

Quando chegamos em casa, já havia anoitecido, o carro de Edward não estava na garagem, fiquei aliviada porque teria alguns minutos para pensar no que iria dizer. Mas, e se ele não voltasse? E se decidisse ficar por lá e não querer mais escutar minhas respostas? Esse pensamento me deixou totalmente perturbada.

Era mais fácil Edward saber a verdade de mim, as pessoas sempre aumentavam as coisas, nunca era como aconteceu, sempre havia coisas a mais. Talvez, tivessem mania de sempre querer que a tragédia fosse pior. Alguns jornais de Forks até chegaram a dizer que meu estuprador havia me sequestrado e por isso eu havia sumido. Mas todos sabiam que eu tinha fugido de casa, mas acho que ninguém sabia onde eu estava agora.

Desci do carro e caminhei para dentro, novamente Jasper estava ao meu lado olhando fixamente para frente sem dizer uma só palavra. Nessas últimas horas ele estava sendo estremamente paciente e silencioso. Não pergutava, não dizia nada, a única coisa que fazia era escutar e me ajudar toda vez que eu pedia. Era realmente de grande ajuda tê-lo por perto.

No meu quarto pensei em ligar para Edward, mas essa seria a prova de que estava com medo de que ele soubesse algo. Era melhor esperar. Ele devia ter passado em alguma pousada para passar a noite ou talvez tivesse ficado com alguma garota por ele, Edward parecia exatamente o tipo de rapaz que nunca dorme sem companhia, independente da situação.

Tomei um banho quente, geralmente isso me ajudava a pegar no sono, mas quando sai do banheiro me descobri totalmente acordada. Sabia no meu íntimo que não precisava haver tanto medo, mas, tinha um profundo pânico se criava dentro de mim quando imaginava a reação de Esme e Carlisle ao descobrir que fui estuprada a um ano atrás e que agora estava na casa deles, sem ele saberem nem mesmo como estava minha mente a respeito de tudo.

Com certeza, iriam me devolver para o orfanato, era como uma boneca que tivesse dado defeito depois de alguns meses e precisava ser trocada ou jogada fora. E como as mulheres do orfanato poderiam reagir a isso? Com certeza não me aceitariam de volta novamente, já havia escutando história sobre garotas que acabaram sendo trazidas de volta, mas nunca mais tiveram o mesmo carinho e conforto.

Eu não entendia nada de adoção, na verdade a única coisa que sabia era que você tinha que ser tão perfeita como um móvel novo, assim eles nunca iriam querer devolvê-la. Não podia reclamar e tinha que deixar seus pais adotivos no contorle de tudo. Isso a Irmã havia deixado bem claro para toda e qualquer garota que estivesse prestes a ser adotada legalmente.

A cama parecia estar quente demais, não conseguia ficar muito tempo na mesma posição, a todo momento me revirava na cama procurando uma posição mais confortável para tentar fazer com que o sono chegasse. Infelizmente ele não veio e a cada momento minha mente só ficava ainda mais confusa se afundando em idéias quase ridículas.

03h25. Foi nesse momento que escutei barulho de carro na garagem, meus olhos estavam pesados e minha barriga roncava de fome. Não tive coragem para me levantar e ir até lá em baixo falar com Edward, comecei pensar em respostas rápidas para perguntas previsíveis. Se ele me perguntasse quem era o homem dos cabelos loiros, não consegueria responder, até porque somente de pensar nele sentia meu coração se apertar em agonia. Quando afinal eu iria me livrar disso?

Fiquei em profundo silêncio quando escutei passos no corredor, alguém girou o trinco da minha porta e veio aquela enorme vontade de fingir que estava dormindo, mas não tive tempo. Logo pude ver Edward, pela fraca luz do abajur adentrando meu quarto. Ele não parecia seguro, olhava para a cama como se pensasse que eu estava dormindo e não quissesse me acordar. Se aproximou mais e não consegui fechar os olhos, não depois de ver o pequeno corte que estava em sua mão, era pequena mais profundo, deveria ter sido causado por algo como uma faca.

— Eu lhe acordei? — Perguntou, pisquei meus olhos ainda olhando para o corte que sangrava pouco. — Isso foi de uma briga no posto de gasolina. — explicou, fiquei muda quando ele se sentou na minha cama, suas costas rossaram em minhas pernas e imediatamente minha face queimou. Era um contato muito próximo, eu não estava acostumada a isso.

— Não. — Falei respondendo sua pergunta, e não dizendo nada sobre a explicação da briga.

— Você tinha uma amiga chamada Beth, não tinha? — Perguntou, fiquei imediatamente em pé pensando no que ela poderia ter dito a ele. Elisabeth, era uma das garotas mais bonitas da escola, não éramos melhores amigas, mas por voltarmos juntas para casa, sempre conversavamos sobre algo. Uma vez, ela tinha sido bem legal me dando dinheiro para comprar um livro que precisava para a aula de Biologia. Não sabia se ela ficou sabendo do estupro, mas Forks era pequena e todos sabiam de tudo, ela não deveria ser a exceção.

— Você encontrou ela? — Indaguei, lentamente.

— Os avós dela tem uma pousada, bem no começo da cidade, fiquei lá por uma noite e quando estava almoçando acabei encontrando com ela. A moça é simpática. — Falou, aquela não era a explicação que queria saber e ele notou isso. — E então, Isabella, por que não me contou que fugiu de casa? — perguntou.

Empalideci completamente e meu corpo estremeceu. Sua voz não soava de modo acusador, mas sim de um modo cuidadoso, porém, isso era o bastante para me deixar completamente inquieta. Minha mente estava me alertando sobre a resposta que iria dar a ele, não poderia mentir porque talvez ele já soubesse a resposta e estava somente me testando.

E, droga! Como é que ele fica algumas horas em Forks, sem aparentemente conhecer ninguém, e já tinha descoberto que eu havia fugido de casa?

O que poderia responder, então? Talvez jogar com as palavras fosse uma boa idéia nesse momento. Só que Edward não parecia exatamente o tipo de pessoa que gostava de jogos, ele parecia o tipo de homem que pressionava suas vítimas até conseguir a resposta que exatamente quer.

— Eu fugi porque... — Sussurrei, as palavras ficaram entaladas na minha garganta seca, e senti uma profunda dor ao tentar pronuciá-las. — Eu não me dava bem com meu pai. — declarei, observei como ele arqueou a sobrancelha e sua postura se tornou rígida. As lágrimas quiseram vir aos meus olhos mas pisquei afastando-as, não podia começar a chorar na frente dele mostrando que tinha muito mais por trás disso.

— Esse não me parece um bom motivo para fugir de casa e se colocar a mercê dos perigos das ruas. — Comentou. Edward estava cavando o mais fundo que podia, me obrigando a dizer as coisas para que ele não ficasse com uma imagem errada de mim. Não deveria me importar para o que ele iria pensar, mas me importava e muito. Mais do que deveria.

— Só foram alguns dias, até Rosalie me encontrar e me levar aum abrigo próximo. — Falei, rapidamente. Contar aquilo para alguém era sem dúvida humilhante, havia ficado duas semanas vagando por Forks até conseguir sair de lá, nada se comparava ao medo de encontrar o homem novamente, naquele momento estava tão desprotegida que ele poderia simplesmente me matar e ninguém nem mesmo ficaria sabendo.

— Dias? Quantos dias? — Perguntou, abaixei minha cabeça. Ele parecia disposto a perguntar sobre tudo, não parecia estar com sono mesmo que ainda fosse madrugada. No meu íntimo estava feliz que houvesse alguma distração para que eu não tivesse que me afundar nos pesadelos, mas essa distração era ao mesmo tempo perturbadora, Edward estava me obrigando a relembrar dos dias mais infernais da minha vida. Isso machucava bastante, dilarcerava-me por dentro.

— Alguns dias. — Respondi.

— E foi nesses dias que o homem dos cabelos loiros começou fazer parte da sua vida, de forma que lhe atormenta até em seus pesadelos? — Indagou. Silenciosamente uma lágrima rolou pelo meu rosto, Edward se inclinou um pouco mais para frente e levantou sua mão como se fosse me tocar, em reflexo, me afastei. — Não quer me responder? — sussurrou, docemente.

— Você tem alguma lembrança da qual não consegue se lembrar sem sentir todo seu corpo morrendo por dentro de tanta agonia? — Perguntei, as lágrimas escaparam sem que pudesse barrá-las, aquilo era bem mais forte que eu. — Eu tenho. — falei, minha voz já estava completamente quebrada e um soluço escapou pelos meus lábios.

— Não chore, querida, por favor. — Sussurrou se aproximando, tentei me afastar mas seus dedos fortes seguraram meus braços mantendo-me no lugar. — Não fuja. — Disse, arrastando-se até o meu lado segurou meu queixo, forçando-me a fitá-lo. — Se quer chorar, me dê a oportunidade de lhe oferecer um ombro para isso. — pediu, não respondi, minha voz não saia. Edward apenas colocou suas mãos em volta da minha cintura e puxou-me de encontro a seu corpo.

O perfume dele era suave e meu rosto se enterrou na curva do pescoço cheiroso de Edward. As lágrimas pareceram se multiplicar, mas sabia que isso estava acontecendo porque ele estava me apertando contra seu corpo me dando a impressão de estar realmente protegida. Depois de meses com toda aquela tensão acumulada sobre mim, agora sentia como se tudo estivesse sendo descarregado lentamente atráves das lágrimas.

Segundos depois notei o que estava fazendo, simplesmente chorando no ombro de alguém, sendo que havia jurado a mim mesma que nunca choraria na presença de ninguém por causa do que havia acontecido. Me afastei lentamente e passei minhas mãos por meu rosto tentando secar parte das lágrimas que haviam rolado por ali.

— Me desculpe. — Pedi, sussurrando as palavras. Fiquei alguns segundos cuidando de secar todo meu rosto para depois conseguir encará-lo. — Eu molhei a gola da sua camiseta. — sussurrei, ele não olhou, continuou me fitando como se o que eu tinha acabado de falar não tivesse a menor importância. — Eu já estou bem, obrigada.

— Isabella, não devia deixar isso machucar você tanto. — Sussurrou deslizando seus dedos até meu rosto para colocar meus cabelos atrás da minha orelha. — Você devia... — falou, se aproximando, meu corpo paralisou com sua proximidade e senti sua respiração em minha pele segundos depois. — Céus! Você é muito sensual com esse olhar inocente e medroso! Que Deus me ajude, mas Esme devia ter me previnido que havia uma mulher aqui, e não uma garota.

— Edward... — Murmurei, minha voz estava coberta pela tensão acumulada no meu corpo, ele não se importava, segurando uma madeixa do meu cabelo a enrrolou lentamente e tornou a soltá-la. Seus dedos deslizaram pelo meu rosto lentamente e tocaram meus lábios molhados fazendo-os se entreabir em resposta. — Não faça isso, por favor. — pedi, trêmula.

— Não precisa ter medo de mim. — Falou, ele estava tão próximo que seus lábios estavam quase se grudando aos meus. Suavemente seus dedos deslizaram dos meus lábios para o meu pescoço e ele fechou-os em volta da minha nuca. — Eu nunca lhe farei mal, isso é uma promessa, jamais farei algum mal a você. — sussurrou.

A porta do meu quarto se abriu fazendo-me pular para trás, meu rosto estava completamente vermelho e pareceu ter cozinhado quando Esme adentrou a porta olhando fixamente para nós dois. O que ela iria pensar agora? Qual a imagem que teria sobre o meu comportamento?

— Isabella, você estava chorando? — Ela perguntou ignorando a presença de Edward no quarto. — Posso entrar? — indagou, acenei com a cabeça positivamente encolhendo-me contra a cama. Esme caminhou até perto da cama e olhou para nós dois. — Escutei seus soluços, por isso vim ver o que estava acontecendo, está tudo bem?

— Sim. — Respondi, com o fio de voz que ainda me restava.

— Tem certeza? — Insistiu, assenti. — Tudo bem, é muito bom que vocês dois sejam próximos, isso realmente me parece uma boa idéia, só tomem cuidado, queridos. — falou. Eu estava totalmente paralisada, imaginava receber uma bronca ou algo parecido mas havia sido ao contrário, agora havia um sorriso em seu rosto e quando ela deu as costas tive vontade de fugir junto com ela, mas Edward segurou minhas mãos mantendo-me na cama ao lado dele apertando-a até que sua mãe saiu do quarto.

— Você pode sair do meu quarto, por favor? — Indaguei, ele permaneceu me segurando como se soubesse que pretendia correr para longe dele assim que pudesse. Seus dedos eram fortes, mas seu aperto era como uma corrente, só apertava quando você tentava se soltar. — Por favor, tenho aula daqui à algumas horas e nem mesmo consegui dormir essa noite.

— Estava preocupada com o que eu iria descobrir. — Afirmou, e eu não tive forças para negar, não quando seus olhos me estudavam com tanta atenção. — Deite-se. — ordenou. Fiquei em silêncio, mas me deitei lentamente e deixei Edward jogar a coberta por cima de mim. — Isabella, eu não sou um monstro, só quero saber como cuidar de você, porque eu vou cuidar de você.

— Por quê? — Perguntei.

— Eu não preciso de um porquê Isabella, se eu acho que devo fazer, simplesmente faço. — Falou. — E não desisto, nunca. Eu adoro desafios. — acrescentou com um sorriso, não falei, eu não conseguia. Então. Edward se aproximou e plantou em minha testa um beijo molhado. Por algum motivo minha pele se arrepiou e o local onde seus lábios tocaram formigou logo após. Que Deus me ajudasse, mas eu estava enlouquecendo, e isso porque Edward só estava morando comigo a menos de uma semana. Alguns segundos depois estava sozinha, mas meu quarto permanecia com o cheiro dele. Era perturbador. Me virei para o lado, exatamente quando minha porta voltou a se abrir e Edward entrou por ela ofegante. — Isabella, eu tenho que fazer algo, ou isso irá me tirar o sono.

Aquele olhar de lobo faminto estava de volta e juntamente com ele voltou o embrulho no meu estomago, os passos dele eram rápidos e só me deu tempo de ficar sentada antes dele se aproximar e segurar minha nuca, queria falar algo mas estava em pânico, eu sabia o que viria a seguir, queria me afastar, mas não havia forças.

Lábios quentes e raivosos cobriram os meus, um grito surpreso escapou pela minha garganta, mas, foi abafado pela boca dele se tornando somente um gemido. Meus olhos estavam abertos e por isso examinei o rosto de Edward, os olhos fechados e a boca se movendo sobre a minha de modo lento e molhado. Esse meu primeiro beijo após o estupro e a situação estava me deixando totalmente fora de controle, só havia alguns meses que tudo tinha acontecido, não era ainda completamente normal beijar um homem.

Coloquei as mãos em seu peito forte e suavemente o afastei, ele permaneceu onde estava, sentado na minha cama com os olhos fechados enquanto lambia lentamente os lábios. O sabor dele estava na minha boca, mesmo que ele não tivesse usado a língua, era algo como hortelã. Quando ele finalmente me fitou meus olhos transbordaram em lágrimas, sabia que isso estava sendo causado por conta das diferentes emoções que estava experimentando no dia.

— Um homem tocou você violentamente. — Sussurrou. — Você estava apreensiva, mas não era por causa do beijo, era por causa do modo como eu estava lhe segurando, você temia que tentasse algo e você não pudesse me barrar. — Afirmou, até o momento eu mesma não tinha notado que meu medo era realmente esse. Isso por conta do modo que ele segurou minha nuca. Deus! Quem era esse homem?

Estava literalmente acabada, minha cabeça estava doendo e meus olhos pesavam de sono. Não havia adormecido nem mesmo por quinze minutos durante a noite toda, quando Edward foi embora do meu quarto, só faltava duas horas pra o despertador tocar, pensei que iria conseguir dormir esse pouco tempo, mas ao lembrar que ele já sabia que um homem havia me tocado violentamente meu sono se foi e fiquei o resto dos minutos rolando de um lado para o outro.

— Bom dia. — Falei me sentando na mesa, Jasper me observou da ponta mas não respondeu. Carlisle e Esme me serviram e ofereceram sorrisos para mim, ela não parecia estar incomodada com o fato da noite passada, é como se não tivesse importancia ter achado o filho dela em meu quarto na madrugada. Isso era definitivamente estranho.

— Hoje vou chegar mais tarde. — Carlisle avisou limpando os lábios com o guardanapo.

— Tudo bem, janto com os garotos e depois coloco todos na cama. — Esme respondeu, olhei para o lado tentando fugir do olhar que ela me direcionava e acabei encontrando o de Jasper. Ele não havia tocado no prato estava simplesmente perdido em seus pensamentos, algo parecia irritá-lo. — E então, querida, como está sendo passar os dias com Edward? — ela perguntou atraindo minha atenção novamente para o outro lado da mesa.

— Ele é uma pessoa legal. — Murmurei.

Estava sendo totalmente hipocrita, fingindo para Esme que gostava da companhia do filho, quando na verdade tudo que queria fazer era fugir para não ter a possibilidade de encontrá-lo novamente. Meus lábios pareciam arder toda vez que me lembrava dos lábios dele sobre os meus, o gosto dele parecia estar grudado na minha boca e por isso a todo momento passava a língua em torno dos meus lábios me convencendo que estava tentando tirar seu gosto dali, não me deliciar com ele.

— Ele é sim, quando soube que ele iria voltar, logo pensei que vocês dois fossem se dar bem. — Disse com um sorriso, Carlisle assentiu pegando mais torradas e oferecendo a Jasper que apenas recusou com um aceno de cabeça. — O que você tem filho? Não comeu nada.

— Nada, mãe. — Respondeu, secamente e em seguida voltou a olhar para a toalha.

Ao terminar o café fomos para o carro esperar Carlisle, Jasper fechou a porta do carro e permaneceu ao meu lado como uma estátua, um comportamenteo estranho para quem havia me ajudado tanto ontem.

— Você está chateado? — Perguntei, suavemente.

— Não, está tudo bem. — Disse com voz suave, porém, irritada. Abaxei minha cabeça e fiquei em silêncio, por fim, ele suspirou. — Por que Edward estava no seu quarto, na madrugada? — perguntei, engoli seco sem capacidade de responder alguma coisa. Ele devia ter escutado a conversa e isso me deixou envergonhada e corada.

— Estavamos conversando. — Sussurrei, minha sorte era que meus cabelos deslizaram pelas minhas bochechas e cobriu meu rosto, de forma que ele foi impedido de olhar para meus olhos.

— Você não parecia afim de conversar com ele no telefone, mas, quando ele chegou, ele simplesmente foi diretamente ao seu quarto? — Indagou, sentia seus olhos me fitando, Jasper mantinha seu tom suave, sem nunca se alterar, mas se olhasse para ele agora, teria medo de sua expressão.

— É difícil de explicar. — Murmurei, juntei minhas mãos em meu colo e batuquei impaciente sobre meus livros. Aquele assunto era tão complicado, me deixava desconfortável e aflita. Jasper nunca iria entender nada se não lhe explicasse sobre o estupro.

— Então não explique, você nunca faz isso mesmo. — Falou, agora seu tom estava acusador e minha única reação foi olhar para o lado tentando pensar em qualquer outra coisa para não deixar suas palavras me afetarem. Carlisle chegou segundos depois, pareceu não notar o clima pesado no carro, como costume, ligou o rádio nas notícias e seguimos em silêncio para a escola.

Na escola Jasper não falou comigo, ficou parte do tempo conversando com algumas garotas e sorrindo comos e nada houvesse acontecido. Sam me pediu para parar de encará-lo, mas não consegui, só queria decifrar o que ele estava pensando sobre mim, mesmo que naquele momento, ele estivesse pensando nas pernas da garota que estava em sua frente.

Na hora da saída foi a mesma coisa, nenhuma palavra, nenhuma troca de olhares, ambos estavam afundados em seus pensamentos. Minha língua estava se movendo dentro da boca, queria falar com ele, mas tinha medo de sua reação, eu precisava de coragem, mas isso era o que mais me faltava.

— Jasper. — Murmurei. — Eu vou explicar. — suspirei.

— Não, Isabella, não diga nada. — Falou. — Ou eu vou acabar dizendo o que não devo.

Eu gostava de silêncio, era melhor pensar quando ninguém estava falando algo. Ultimamente estava pensando bastante, tanto em mim, quanto em Edward. Tinha que pensar em respostas para dar a ele, agora ele sabia que um homem havia agido com violêncio para comigo e com certeza iria querer saber quem havia sido.

Podia explicar tudo para ele, mas, tinha um medo abusurdo da reação dele ou pior, de como ele iria falar para seus pais. Uma garota estuprada pode ser cheia de traumas, de problemas psicológicos e isso pode causar reações inesperadas vindo dela, exatamente por causa disso, que quase ninguém tem coragem de adotar uma garota que já foi abusada sexualmente, as pessoas tem dó, mas tem medo e ninguém pode culpá-los por isso.

Jasper entrou primeiro em casa, da porta pude escutar risadas masculinas e gritinhos femininos vindos da cozinha, me aproximei lentamente de lá e parei na porta, estavam todos prestando atenção em Edward que dizia alguma coisa, eram três mulheres e cinco rapazes, todos sentados em volta da grande mesa apreciando um bom almoço. Aproveitei esse momento de distração para subir as escadas rapidamente, agradecendo a professora de história por ter pedido um livro para a aula de amanhã, pelo menos ficaria o dia todo na biblioteca.

Deixei um bilhete sobre a cama assim que troquei de roupa, peguei algum dinheiro que tinha dentro da minha gaveta e desci as escadas rapidamente com medo de encontrar alguém. Para meu alívio, ainda estavam na cozinha e pude sair sem ser notada por ninguém. Sabia que teria que aprendar a conviver com as visitas de Edward, mas ainda era incomodo para mim, então, enquanto pudesse iria fugir, fugiria.

Na biblioteca li sem interesse um romance entre uma médica e um paciente, não consegui me concentrar, estava com as palpebras pesadas de sono e cheguei a cochilar duas vezes sobre a mesa, minha sorte era que no fundo da biblioteca quase ninguém ia, então, não havia barulho e nem pessoas tentando puxar conversa perguntando o que você gostava de ler e recomendava.

Por volta das 16h voltei para casa, se ainda houvesse alguém ali, estava em profundo silêncio. A primeira coisa que fui fazer é olhar na cozinham não havia mais sinal de ninguém, somente Jane estava lá arrumando alguns pratos no ármario de cima. Fazia algum tempo que não conversavamos, mas estava ficando quase impossível trocar palavras com ela, Edward sempre aparecia e eu nunca tinha coragem para terminar o que estava dizendo.

No momento precisava realmente dormir e esse silêncio parecia estar sendo a confirmação de que esse era um ótimo dia para dormir. Caminhei lentamente para cima e entrei no meu quarto. Nem mesmo retirei meu casaco, só me joguei na cama e depois de alguns minutos estava afundada em uma escuridão confusa.

Tinha alguém batendo na porta, mas naquele sonho não havia portas, quem estava batendo no que então? Escutava meu nome ser sussurrado lentamente de longe, tinha alguém ali, comigo, mas, a escuridão não me deixava enxergá-lo. Lutando contra minhas palpebras pesadas para começar a abrir meus olhos.

Era Edward que estava na minha frente, seus olhos verdes me estudavam com cuidado, ele estava em pé ao lado da minha cama mas minha visão estava embaçada, esfreguei minhas palpebras e finalmente me sentei para fitá-lo.