Hello

17 Capítulo 17


Notas iniciais
Comentário nas notas finais.

17

Em um segundo, era difícil acreditar que ele se meteu nessa briga por minha causa. Ele foi atrás do James! Ele era um drogado, claro que teria amigos tão estúpidos, miseráveis e sem coração como ele. Se comigo ele foi capaz de fazer aquilo, imagina com Edward, ele poderia tê-lo matado!

— Você sabia que ele iria machucá-lo. — Eu acusei me distanciando dele. — Você ficou louco?

— Bella, se acalma. — Disse. — Isso aconteceu por um pequeno deslize meu, ele não sabe sobre você, eu não o deixaria saber.

— Eu não estou me importando com o que ele sabe, eu estou falando sobre você, ele podia ter matado você!

— E você se importa? — Perguntou.

— É claro que sim. — Disparei.

— É bom saber que você se preocupa. — Sussurrou. — Alguma coisa você sente, afinal.

— Não acredito que vamos começar com essa conversa estúpida novamente. — Falei. Eu não estava contente por ter que tocar no assunto dos meus sentimentos, qualquer pessoa que tinha os seus esmagados não tem coragem de colocá-los para fora a qualquer momento. Eles eram muito frágeis, não era fácil colocá-los pra fora, tinha medos de que eles voltassem pisados novamente. — Você sabe que eu sinto alguma coisa. — falei baixinho.

— Eu gostaria de saber o que você faria caso reecontrasse James em algum lugar. — Disse.

Suas palavras me atingiram e me vi fitando-o com os olhos arregalados. Essa era uma possibilidade que vinha pensando a meses, mas agora que sabia que ele estava tão próximo todo meu corpo tremia com o pensamento. Era como se eu tivesse correndo de alguma coisa e de repente descobrisse que estava correndo exatamente para onde aquilo poderia estar.

E só de pensar que todo esse tempo estava andando com Jéssica sem desconfiar de nada, indo na casa dela e podendo até chegar lá um dia e e encontrar esse homem, minha pele se arrepiava.

— Eu não saberia o que fazer. — Falei.

— E não pensa nisso? Em um dia ter que encará-lo? — Perguntou, eu suspirei passando a mão nervosamente pelos meus cabelos um pouco embaraçados. — Você não pensa em enfrentá-lo?

— Quando eu fugi, — comecei sentando-me na cama. — Isso era tudo que eu pensava, eu estava sem nenhum apoio e tão assustada que não conseguia nem mesmo caminhar sem olhar com medo para todo mundo. Mas, eu sabia que poderia encontrá-lo em Forks por isso eu... Eu sai de Forks o mais rápido que pude, depois entrei naquelas estradas onde... É tudo escuro. Você não tem idéia de quanto medo senti.

— Bella...

— Quando você tem uma família, — continuei interrompendo-o. — Você se sente segura com eles, mesmo que você não conte aquilo, você sabe que vai ser mais difícil alguém machucá-la com eles por perto. Mas eu não tinha isso. — falei, seu rosto se suavizou e ele se aproximou de mim, porém eu levantei e me afastei. — Tudo bem, Edward, se você chegar perto minhas forças acabam e eu não quero chorar.

— Você não precisa ser essa muralha.

— Ele é forte. — Falei. — Eu lembro de não conseguir sair de baixo dele e quando ele começou a... Quando ele iniciou os movimentos, — lambi os lábios. — Eu perdi todas minhas forças.

— Eu sinto muito. — Sussurrou, não estava olhando para ele mas podia ouvir o quão triste soava sua voz.

— Não é culpa sua. — Falei, com um sorriso forçado. Cruzei meus braços e caminhei pelo quarto indo até a janela em passos lentos. — Eu não sei o que faria na frente dele, se tivesse alguma coisa por perto eu, com certeza, tentaria me defender caso ele... Viesse para cima de mim ou alguma coisa assim. Mas, na realidade eu acho que correria, faria qualquer coisa para não ter que sentir as mãos dele em cima de mim de novo. Não sei se aguêntaria duas vezes. — Respirei fundo piscando para barrar as lágrimas. — Isso responde a sua pergunta?

— Eu estou sem palavras, tanto pelo que você disse quanto por... Por você finalmente ter me dito algo que não fosse "cuide da sua vida e me deixa em paz". — Falou, ele deu passos lentos na minha direção e parou quando estava bem perto de mim. — Ele não vai colocar as mãos em você novamente, eu prometo.

— Por que você se importa? — Perguntei.

— Por que não me importaria? — Contra-atacou deslizando seus dedos pela minha bochecha.

Seus dedos eram tão macios e ele os deslizava tão docemente pela minha face que só consegui fechar meus olhos e me inclinar mais até toda sua palma estar acaríciando minha bochecha. Eu sabia que alguma coisa com o meu passado ele tinha, se estava fazendo isso poderia ser por culpa ou por medo de algo, mas no momento nada importava porque suas carícias me deixavam bem. Me deixavam em paz. Me faziam se sentir protegida e ele sabia disso.

— Não sei se consigo. — Murmurei. Sua mão recuou de onde estava e o fitei confusa, não queria estragar nada que estava acontecendo mas era tudo sentia. Realmente não tinha idéia se podia ter algo além disso com Edward, além de ser errado também havia meus medos. Iria doer e Deus sabe o quanto eu evitava a dor.

— Podemos tentar. — Sussurrou. — Eu não garanto que não vai ter dor, essas coisas geralmente...

— Doem, eu sei. — Falei.

— Bom, mas onde ele... Fez dói mais. — Falou, eu arqueei uma sobrancelha.

— E como sabe onde foi? — Perguntei, minha pergunta pareceu pegá-lo de surpresa porque Edward me soltou recuando alguns passos. — Isso é parte do que você investigou? Quem lhe disse isso? Os políciais? Minha vizinha? — perguntei não deixando-o fugir das perguntas.

— Bella, você me disse que era virgem uma vez. — Sussurrou.

— Eu poderia estar mentindo, assim como está fazendo agora. — Acusei.

— Tem coisas que qualquer pessoa pode adivinhar, isso foi um palpite.

— Então por que ficou tão nervoso? — Indaguei, ele suspirou. — Quem lhe disse isso? Me responda, eu confiei em você para dizer o que sentia, você tem que confiar em mim agora.

— Foi seu pai.

— Charlie. — Consegui sussurrar.

Eu não sei se Edward sabia que minhas pernas estavam bambas, mas no segundo seguinte ele estava me segurando com um braço só e me mantendo de pé ao seu lado. O impacto que aquilo teve em mim me deixou surpresa, não por causa de Charlie mas por saber que ele tinha falado com Edward. E eu estava achando que ainda tinha algo a esconder dele.

— Você o encontrou. — Sussurrei, não era uma pergunta, era uma afirmação. — Foi ele que fez isso com você? — perguntei afastando-o um pouco.

— Ele está preso, Bella. — Disse.

Fiquei alguns segundos em silêncio somente fitando o nada. Por que será que ele tinha sido preso? Por minha causa? Com certeza não. Quando sai de Forks ele estava muito bem, nem mesmo se importava com o fato de que eu tinha sido violentada, a única coisa que realmente importava a ele era o fato de que iria ter que ficar alguns dias sem se drogar porque a polícia estava vindo em casa algumas vezes para tentar descobrir quem tinha feito aquilo comigo.

Mas eu sabia que não teria resultados, quando você mora em um bairro pobre e não tem nem mesmo uma família para pedir detalhes da investigação, a polícia não continua procurando. Ás vezes eles querem até mesmo saber quem foi, mas com tantas outras coisas, por que resolver o estupro de uma garota que nem mesmo o pai se importa?

Eu deixei que Edward me abraçasse e fiquei alguns segundos ali perto dele. Me separei depois que notei que não iria adiantar nada, as magoas só iam por alguns minutos e depois tudo voltava novamente.

— Eu estou...

— Surpresa, é muita coisa para um dia só e eu entendo. — Suspirou. — Quer ficar sozinha? — ele perguntou.

— Antes... Só me diga o que meu pai lhe disse. — Murmurei, ele mordeu os lábios. — Pode dizer Edward, eu realmente aguênto.

POV EDWARD

— Sr. Charlie? — Perguntei, ele acenou. — Charlie Swan? — o homem confirmou novamente. — Sou Edward Cullen e tenho algumas perguntas para você, é sobre Isabella, sua filha. — falei, observsei como seu rosto mudou de expressão e seus olhos lotaram instantaneamente de lágrimas. Ela definitivamente era sua filha e ele sabia o que tinha machucado-a daquela forma. — Podemos conversar alguns minutos? Não quero tomar seu tempo.

— Bella está bem? — Indagou, os olhos fundos eram marcados por profundas olheiras que estavam contornando-os, ele parecia não dormir a semanas. Talvez ele estivesse sofrendo mas isso não me importava, eu queria somente minhas respostas.

— Acredito que melhor do que quando estava com você. — Falei. Seus olhos fitaram seus braços que tinham pequenas cicatrizes e ele suspirou. — Sr. Swan, meus pais são guardiões legais de sua filha, mas, há algumas coisas que preciso saber dela. — apanhei minha caderneta e li a primeira pergunta. — O que aconteceu? Seja breve.

Os olhos dele se voltaram para mim e notei como seus dedos apertaram o telefone com força, aquela era uma pergunta que causava um certo impacto a ele e isso eu não podia negar. Ele devia se arrepender agora que estava longe das drogas, que não tinha mais amigos para beber e fumar, que devia ter sofrido alguns danos na cadeia, caso contrário, ele estaria do mesmo jeito.

— Sou obrigado a responder? — Perguntou com a voz rouca e cansada.

— Colabore comigo que vou colaborar com você. — Eu falei, meu tom estava ameaçador, como se eu soubesse de algo ou fosse usar algo contra ele. Eu não iria, mas ele não notou isso.

— Foi um cara da cidade... Eu estava devendo pra ele, não sei como aconteceu eu só... Só lembro dele ter me dito que iria transar com ela e eu... — Sua voz falhou. — Eu não fiz nada. — sussurrou e segundos depois ele estava com os olhos cheios de lágrimas, havia mais ali e eu iria descobrir. Eu estava surpreso, surpreso porque apesar de tudo ela continuava de pé e era uma garota muito forte.

POV ISABELLA

— Ele sabia. — Sussurrei completamente surpresa e incapaz de ter alguma reação. — Meu Deus, Edward, ele sabia! — Eu gritei, seus braços me seguraram com força enquanto minha primeira reação foi chorar desesperadamente, não pude evitar essa minha reação e nem a de raiva que veio a seguir. — Desgraçado! Como ele pode? Eu sou filha dele, merda! Como ele pode?

— Bella, ele provavelmente estava drogado, não tinha nem idéia do que estava fazendo. — Disse.

— Mentira, ele sabia! — Gritei, afastando-o. — Eu quero ficar sozinha agora.

— Bella, se acalma!

— Eu podia matá-lo! — Falei com os olhos cheios de lágrimas.

— Quer vingança? — Ele perguntou.

— Ele está preso, Edward. — Falei, com a voz embargada. Eu queria tanto chorar, mas no momento estava com tanta raiva que nem conseguia derramar uma lágrima. — Pra que vingança? A única coisa que quero é ficar longe desses homens, não quero ver James, não quero ver Charlie, eu quero ardam no fogo do inferno, mas, que isso seja feito longe de mim. — sussurrei.

— Então, você não tem coragem? — Perguntou.

Me sentei inquieta na cama e mexi minhas pernas inquietamente. Estando drogando ou não, Charlie não tinha o direito de deixar um homem vir me estuprar. Eu era filha dele, mesmo sabendo que ele me culpava pela morte de Esme, não esperava que pudesse ser capaz de tamanha maldade.

— Não, eu não sei. — Falei, logo depois fiquei de pé com as mãos no meu cabelo bagunçado. — Não tenho coragem, isso é algo que me falta, eu não sei... Eu... Ah céus! Por quê está me pergutando isso agora? Eu não consigo pensar direito, está tudo tão confuso. — falei.

— Vem cá. — Sussurrou, fiquei alguns segundos parada no lugar até finalmente mover minhas pernas e correr até ele se jogando em seus braços. A dor não sumia, mas em seus braços ela ficava menor e eu me sentia mais segura. Eu não queria estar dependendo de Edward, isso nunca era bom e eu poderia me machucar no final, mas estava sendo impossível não aceitá-lo e não deixar ele me envolver com seus carinhos.

Edward tinha algo com isso, algumas vezes ele aparentava ter culpa em alguma coisa. Eu não queria desconfiar dele, não queria distorcer o pensamento que tinha sobre ele, mas, era quase impossível não pensar que talvez ele também tivesse alguma culpa.

— O que você tem com isso? — Perguntei em seus braços. Pergunta errada na hora errada. Um longe suspiro escapou por seus lábios e balançou uma mecha do meu cabelo me fazendo levantar a cabeça para fitá-lo. — Você estava em Forks, conhecia James, o que você tem com isso? — insisti. — Edward não minta, pelo menos uma vez na minha vida mereço saber a verdade.

— Bella...

— Edward, eu jurei que não ia deixar ninguém se meter nesse asssunto, jurei que se alguém descobrisse eu iria embora, fazer qualquer coisa para se manter longe dos comentários que fariam depois de descobrirem, mas agora, agora eu sei que você sabe e não estou fugindo de você. Então, seja honesto comigo. — Pedi. Estava novamente de pé, andando pelo quarto.

Eu estava tentando manter a calma e pedindo a verdade para que todas as feridas fossem abertas de uma vez. Era mais fácil se recuperar de uma grande queda do que cair várias vezes e nunca estar realmente curado.

— Como você sabe me separei da turma do acampamento, não nos falamos a dias, até que encontrei James em um bar vendendo drogas para comprar sua passagem de volta. — Suspirou. — Eu não sei se você, mas, se você está revendendo drogas você precisa dar o dinheiro de tudo que vendeu no dia certo. — mordeu os lábios. — Ele me contou que tinha um cara devendo ele e que ele não tinha dinheiro para pagar o que o cara devia até conseguir o dinheiro dele.

— O homem era Charlie. — Sussurrei.

— Era. — Falou, sentando-se na cama. — Bella, quero que entenda, seu pai não era um homem em condições normais, ninguém que depende de uma droga para pensar pode ser considerado em seu juízo perfeito e...

— Não tente diminuir a culpa que ele! — Falei, interrompendo-o. As poucas vezes que eu enfrentava Edward deixava-o totalmente surpreso, por alguns segundos ele só abaixava a cabeça e depois mordia seus lábios tentando conseguir algumas palavras para continuar.

— Não estou dizendo que ele não tem culpa, eu só acho que você devia parar de alimentar todo esse ódio que tem dele. Isso não faz bem pra você. — Falou. — Ele se culpa totalmente por tudo que aconteceu, ele diz que sente muito e me pediu para cuidar você. Você tem que pensar que talvez ele possar estar arrependido por tudo que fez.

— Ele está assim porque na cadeia não tem drogas, não tem bebidas e não tem uma filha para ele maltratar e culpar pela morte da mulher dele que foi culpa dele. — Falei, minha voz estava carregada de ódio. Eu odiava Charlie e isso estava bem claro, não havia mais nada que me deixasse com raiva no mundo do que alguém tentar justificar tudo que ele fez comigo.

— Eu também pensei isso, mas depois conversando com ele... — suspirou. — Eu não vou tentar mudar o que sente por ele, quero apenas que fique bem consigo mesma, ok?

— Eu ainda não entendi o que você tem com a história. — Murmurei. Estava tentando fugir do outro assunto e encerrar de uma vez o enigma que estava na minha cabeça.

— Vai me prometer que não vai sair correndo daqui. — Sussurrou. A coisa era mais séria do que eu imaginava, não queria pensar que talvez Edward tivesse algum tipo de culpa, depois de tudo que tinha acontecido entre a gente eu não queria colocar ter que olhar para ele de maneira diferente.

Eu nem sei se estava preparada para escutar o que ele ia dizer, mas de alguma forma eu sabia que poderia superar ou pelo menos amenizar a dor que iria ficar dentro de mim.

— Eu não posso prometer isso. — Sussurrei.

— Bella, por favor. — Pediu.

— Ok, não vou sair correndo. — Falei andando pousando meus dedos sobre a cômoda.

— Prometa.

— Prometo. — Falei soltando um suspiro logo depois.

— Em uma noite ele disse que iria cobrar Charlie, estava com uma faca e me falou que se seu pai não o pagasse, ele iria matá-lo. — Suspirou. — O problema é que seu pai chegou no bar onde eu estava alguns minutos depois, eu não sabia quem era ele mas chamaram o nome dele e eu nem precisei olhar para trás. Fui atrás de James para avisar que Charlie não estava em casa. Só que estava chovendo muito e eu esperei alguns minutos, quando cheguei no local já havia policiais naquele lugar, no começo eu pensei que James tinha sido preso por invasão ou algo parecido, mas depois que soube que a filha de Charlie tinha sido estuprada. — falou. — Não sabia que era você, eu fui embora no dia seguinte mas... Assim que descobri que meus pais tinham adotado uma garota de Forks tive que largar tudo, era muita coincidência, além disso as lembranças estavam me matando porque eu sabia quem tinha estuprado uma garota e não tinha dito nada, nem mesmo entreguei James a polícia. Eu tenho uma certa culpa. — sussurrou.

Eu não soube o que dizer, na verdade estava tão surpresa que nem mesmo consegui me mover para dar a ele uma reação. Tudo que eu mais queria fazer no momento era sair correndo, mas minhas pernas estavam moles como se eu tivesse colocado-as em uma banheira cheia de gelo, estava incapaz de me mover e de parar de olhá-lo de forma assustada.

Não esperava por isso, qualquer coisa sobre Charlie seria melhor do que saber que Edward sabia que uma garota foi estuprada e nem mesmo teve coragem de dizer a polícia quem foi. Recuei alguns passos me sentindo desprotegida, como alguém sabe que uma garota foi estuprada e não avisa a polícia? Como alguém dorme a noite com o pensamento de que poderia ter ajudado mas não fez nada para isso?

E hoje? Ele faria diferente? Como ele reagiria se algo acontecesse comigo? Ele provavelmente não contaria a ninguém, talvez estivesse arrependido mas isso não altera o fato de que podia me ajudar e não ajudou. E ele espera fazer algo agora? Agora resolveu ir atrás do meu passado e me dizer para procurar vingança? A única coisa que queria nesse momento era sair daquele quarto e ir até a cozinha porque estava com receio de ficar sozinha com Edward.

Agora tinha inúmeras dúvidas dentro de mim, a primeira era, os pais dele sabiam? Eles tinham me adotado por acaso ou tinha sido de propósito porque o filho deles não se livrava da culpa? É por isso que Esme o queria tão longe de mim? Porque ela já sabia quem eu era e não queria seu filho com má companhia, com alguém como eu?

Me afastei indo em direção a porta, meus olhos não escapavam dele, qualquer movimento que ele fazia eu acompanhava totalmente insegura. Era reação de primeiro momento, eu geralmente ficava sem saber o que fazer.

Talvez a queda foi grande demais, talvez eu não aguêntasse tudo aquilo que me forcei a aguêntar. No momento eu só precisava ficar alguns minutos sozinha para colocar em ordem todos aqueles pensamentos que estavam detonando minha cabeça.

— Prometeu não sair correndo. — Edward sussurrou.

— Eu só... Só... Só quero ficar sozinha. — Murmurei.

— Bella, eu não fiz por mal eu...

— Por favor. — Sussurrei impedindo que as lágrimas dos meus olhos rolassem. — Eu preciso de um tempo. — pedi.

— Eu entendo, só quero ter certeza de que não vai fugir daqui na primeira oportunidade. — Falou, me afastei mais um pouco girando o trinco da porta. — Bella, ninguém sabe sobre isso, por favor, não tem porque fugir.

— Quero ficar só. — Falei com a voz em tom mais alto, ele suspirou e se levantou.

— Tudo bem, eu entendo. — Sussurrou por fim. Me afastei da porta para deixá-lo passar e não tive coragem de olhar em seus olhos nem mesmo por segundos. Eu iria tentar não pensar nele como uma pessoa ruim, Edward havia sido tão bom para mim, mas agora pensava que era por causa da culpa. Não gostava de pensar nele me ajudando por pena, mas era justamente isso que estava em minha mente. — Bella, — ele sussurrou antes de sair. — Eu realmente gosto de você Bella, não faria nada para machucá-la. Nunca.

— É mesmo? — Indaguei. — Nem dizendo a polícia que sabe quem estuprou uma garota e que pode estuprar outra? Estou impressionada. — murmurei, irônica.

— Você não entende...

— Não, Edward. — Falei interrompendo o que ele ia continuar a dizer. — Por isso quero ficar sozinha, só por alguns minutos. — Sussurrei.

Ele não respondeu porque fechei a porta, assim que escutei seus passos se afastando pelo corredor corri até estar deitada na minha cama, com a cabeça no meio dos travesseiros sacudindo meus ombros com os soluços abafados. Agora eu estava com tanta vergonha para encarar o resto da família, talvez eles realmente soubessem e todo esse tempo só estavam me tratando bem como um pedido de desculpas pela culpa de Edward.

Eu tomei todos os comprimidos de dor de cabeça que achei, talvez isso me fizesse mal porém eu só queria dormir. Queria fugir do mundo real por alguns momentos e quando acordar estar tonta o bastante para não reconhecer nem mesmo o local que estava. Lembro de ter deitado na cama e meus olhos pesaram alguns minutos depois e eu apaguei.

-

— Bella? Bella, querida, acorde. — Era a voz que entrava no meio de toda aquela escuridão me fazendo emerger do oceano da escuridão que me encontrava. Abri lentamente meus olhos e exerguei somente uma pequena luz vindo do canto do que parecia ser meu quarto. — Como dormiu tanto? Já são mais de 21h. — Esme disse sentando-se na minha cama. — Edward disse que era melhor não incomodar você, está tudo bem? — ela perguntou.

— Estou. — Sussurrei, me sentei na cama evitando qualquer careta de dor que fizesse-a notar que eu estava morrendo de dor de cabeça.

— Gostaria de comer algo? Vou sair com Carlisle, mas sei que você não comeu nada o dia todo e não quero sair sem ter certeza que você vai ficar bem alimentada. — Ela disse, me inclinei para frente e balancei minha cabeça fazendo-a recuar. — Está tudo bem? Parece pálida.

— Estou bem, Esme, pode sair com Carlisle, vou comer daqui a pouco. — Murmurei finalmente olhando-a. Estava com um conjunto rosa social e os cabelos presos no alto da cabeça em um coque clássico, a maquiagem era leve com excessão do batom vermelho e os brincos que inventavam suas orelhas juntamente com o colar. — Pode ir, vou ficar bem.

— Tudo bem querida, vou passar a noite fora mas volto logo, Jasper saiu e Edward já deve estar dormindo, qualquer coisa me liga. — Ela disse dando um beijo na minha testa.

Eu estava sozinha com Edward e isso não me deixou nem um pouco confortável, mas tentei não demonstrar isso para Esme, não iria estragar o jantar dela por estar com receio de ficar sozinha com o filho dela. Deixei ela se afastar e forcei um sorriso até ela fechar a porta, depois de escutar seus passos pelo corredor girei a fechadura e chequei duas vezes para ver se tinha trancado.

Me sentei no chão ao lado da porta e respirei fundo começando a colocar meus pensamentos em ordem.

Abri a porta uma hora depois, estava tudo silencioso e com certeza Edward já devia estar dormindo. Tinha tomado um banho e isso me ajudou a melhorar a dor de cabeça, tinha colocado uma roupa leve, calça moletom e camiseta. Meus cabelos estavam secos e presos no alto da cabeça em um coque mal-feito, estava de meia e descalça e quase não fazia barulho por onde passava.

A sala estava vazia e as luzes estavam ascesas, caminhei para a cozinha lentamente e respirei aliviada por ela estar vazia. Minha cabeça estava tão pesada que eu nem sabia o que faria caso encontrasse Edward, em meus pensamentos tinha tentando encontrar uma resposta para tudo, mas, não conseguia fazer de Edward um monstro como deveria.

Eu lembrava dele beijando-me e com seus dedos tocando a parte mais íntima do meu corpo enquanto sussurrava coisas loucas que deixavam meu corpo todo arrepiado. Ele tinha sido tão fofo comigo, algumas coisas que ele disse me magoou mas mesmo assim não conseguia odiá-lo. Não completamente.

— Idiota. — Murmurei para mim mesma.

Me debrucei sobre a bancada e fiquei por alguns segundos olhando fixamente para a janela, não havia estrelas somente o céu escuro, sem lua, sem nada, o que indicava que amanhã iria ser um dia talvez frio e cansativo. Minha cabeça estava bagunçada e eu estava tentando não pensar em nada, eu pensava que não tinha motivos para ter tanto medo, mas não queria que as pessoas me olhassem diferente ou que Esme me tratasse uma boneca de porcelana ou como um lixo.

Eu só queria esquecer aquilo, mas as pessoas não deixavam, ficavam insistindo em saber o que aconteceu e aquilo me machucava abrindo cada vez mais a ferida que tinha dentro de mim.

Depois que terminei de fechar todas as janelas e conferir se as portas estavam trancadas, me sentei no sofá e encolhi minhas pernas, coloquei um filme na televisão e encostei minha cabeça na almofada. Eu queria me distrair, queria fingir que estava tudo bem para que minha mente acreditasse nisso nem que fosse por alguns segundos.

O filme era interessante, falava sobre uma assassina profissional e uma mulher que morava no apartamento ao lado e que apanhava do marido. Teve alguns minutos do filme que fiquei completamente inquieta, como uma mulher aceitava apanhar do marido? Da primeira vez que algum homem ameaçasse me bater eu iria fugir, além de ter medo, não gostaria de ir trabalhar com o olho roxo e fazer as pessoas saberem que eu era vítima de agressões. Ninguém faria nada mesmo.

— Esse não é exatamente um filme educativo. — A voz de Edward sussurrou me fazendo levantar e fitá-lo desconcentrada. — Eu estava dormindo mas com tantos gritos acabei vindo aqui. — sorriu, eu acenei com a cabeça e abaixei o volume deixando-o quase inaudível. — Não estou reclamando, Bella. — acrescentou.

— Estava alto mesmo. — Murmurei me mexendo desconfortável no sofá.

— Está tudo bem? — Perguntou.

— Sim.

— Por que continua mentindo?

— Por que você não me deixa em paz? — Retrunquei.

— Porque eu... Estou apaixonado por você.

Notas finais
Cap um pouco menor que os outros, mas okk né KK, enfim no proximo cap a Bella toma uma decisão bem importante.
Comentem *-*