Hello
18 Capítulo 18
Notas iniciais
18
Eu não sabia se aquilo era algum tipo de brincadeira, não me importava se era, eu já estava surpresa o suficiente para não conseguir nem mesmo dar uma palavra. Quando o fitei seus olhos estavam fixos no tapete e ele parecia tão cansado que julguei que ele não estava dormindo no quarto.
"Eu estou apaixonado por você". Minha mente repetiu essas palavras inúmeras vezes e não pude negar a mim mesma que gostaria que aquilo fosse verdadeiro. O problema é que eu não sabia se confiar em suas palavras era seguro, ás vezes pensava que tudo que ele fez foi por culpa e que agora estava tentando conseguir meu perdão. Não sabia também se meu perdão importava a ele, não sabia de nada e nem mesmo se minha mente ainda estava pensando com clareza.
Completamente atordoada comigo mesma eu me levantei do sofá pronta para fugir, mas daquela vez era diferente porque eu queria ficar, queria olhar em seus olhos e pedir pra ele não brincar comigo dessa forma porque chegava a machucar.
Porém eu sabia que se continuasse ali não iria conseguir dar uma palavra, só iria encará-lo e se ele disesse mais alguma coisa eu iria chorar e dizer que não aguêntava mais todas aquelas coisas. Que o mundo estava caindo sobre mim mais uma vez e que eu não era mais capaz de aguêntar todo aquele peso me pressionando para baixo, me obrigado a ceder e cair no chão.
Por dentro eu estava tão desesperada, meus pensamentos estavam ficando cada vez mais sem sentido e era nesse momento que eu gostaria de desistir, era tão mais fácil deixar tudo acabar comigo, mas, eu sempre tentava dar mais um passo mesmo com as pernas bambas.
— Bella, eu não estava esperando nenhuma reação sua, na verdade esperava qualquer palavra que pudesse me fazer desistir disso, mas entenda que fugir de mim não vai adiantar muita coisa. — Falou. — Se encher de remédios pra dormir não é uma boa solução, isso não vai melhorar seus problemas e nada vai sumir, quando você acordar tudo ainda vai estar aqui esperando você. — suspirou. — Não faça isso consigo mesma.
— Isso o quê? — Eu gritei, me virando para encará-lo. — Edward não sei exatamente o que fiz para merecer tanta coisa, eu pensei que estando aqui tudo iria mudar, que eu poderia começar uma nova vida e que poderia me sentir livre, mas não! Eu não consigo seguir em frente porque sempre vai ter algo que vai jogar meus problemas contra mim, eu nunca consigo dar um passo porque todo esse peso de dor e de medo está me matando. — Falei. — Você foi quem mais confiei depois que tudo aconteceu, você foi o primeiro homem que chegou perto de mim, que me beijou, que me tocou, que fez coisas que antes do meu estupro acontecer ninguém fazia! Eu sempre tive receio de me apegar demais a você porque para mim os homens se tornaram pessoas mentirosas, que depois que conseguem o que quer lhe deixam sozinha! Mas com você foi diferente, eu confiei, eu queria mais, eu te queria perto, mas então... Eu descubro que você estava lá quando tudo aconteceu, que você pode ter feito tudo por culpa, que você pode ter sido um belo mentiroso todo esse tempo e que eu sou a idiota enganada! Como você acha que não posso fazer nada comigo mesma? Tenho que aceitar tudo? Tenho que sorrir quando só tenho vontade de me encher de remédios e não acordar novamente? Eu não consigo! Eu não quero ser falsa como você está sendo com essas palavras idiotas que acabou de dizer pra mim! — suspirei, passando nervosamente a mão pelo meu rosto. Um soluço escapou pelos meus lábios e eu cedi desabando sobre o sofá. — Mas sabe o que é mais curioso? — perguntei, com as lágrimas banhando meu rosto. — Que eu gostaria que suas palavras fossem verdadeiras.
Meu coração estava apertado, mas era como se algo tivesse sido tirado de cima de mim, alguém estava certo quando disse que falar alivia as coisas, não adianta merda nenhuma, não melhora nada, mas parece que algo dentro de você finalmente sai e você pode até respirar melhor.
— Bella. — Edward sussurrou e só então olhei para ele, por pouco tempo porque segundos depois eu me senti sendo tirada do sofá e então seus braços me seguraram contra ele. — Eu sinto muito amor, nunca tive a intenção de lhe magoar. — murmurou beijando minha testa, eu fechei meus olhos e solucei mais uma vez, minhas pernas foram retiradas do chão e eu soube que ele estava se movendo comigo.
Não sabia para onde ele estava me levando, mas isso não importava, estava chorando tanto e ao mesmo tempo tão aliava, que não consegui nem mesmo dizer uma palavra para perguntar onde estavamos indo. Só abri meus olhos quando ele me deitou em algum lugar e pelo teto sabia que era meu quarto, seu rosto encarou o meu por longos segundos e então Edward se levantou.
— Eu volto já. — Disse. Ele voltou depois de alguns minutos e deslizou os dedos pelo meu rosto. — Eu vou lhe dar um calmante, sei que não mereço confiança, mas quero que pelo menos dessa vez me deixe fazer alguma coisa por você. — sussurrou, me remexi na cama e ele tomou isso como um sim porque colocou o comprimido na minha boca e me fez beber um gole de água. — Isso vai fazer você se sentir mais leve. — murmurou.
Ele se levantou novamente e alguns minutos depois meu corpo estava mole, eu me senti com sono e bocejei, Edward voltou e lentamente começou a tirar o que eu estava usando, mantive meus olhos fitando-o e não tive nenhuma reação, nem mesmo quando ele me pegou no colo nua e me levou para o banheiro.
Edward me colocou lentamente dentro da banheira e tirou meus cabelos do rosto, molhou suas mãos e passou-as em meu rosto limpando-o das lágrimas e me fazendo fechar os olhos. Naquele momento não estava com medo dele, ele não parecia querer me machucar, naquele momento eu só queria que ele me abraçasse novamente porque eu estava completamente insegura comigo mesma.
— Acho melhor deixá-la tomar banho sozinha. — Murmurou, me fazendo abrir os olhos. — Eu não... Não conseguiria dar um banho normalmente em você. — suspirou. — Qualquer coisa que precisa me chame, estarei no meu quarto. — levantou. — E Bella, o que eu disse não é mentira, mas, eu não esperava que você acreditasse.
Não sei quanto tempo fiquei ali, mas a ponta dos meus dedos estavam enrrugados. Me enrolei na toalha e procurei uma roupa no ármario, estava com sono e minha mente estava exausta, eu só queria me deitar e descansar. Quando fechei meus olhos a primeira pessoa que apareceu em minha frente foi Edward, aquilo estava saindo fora do controle, principalmente após suas palavras para mim, eu não podia nem descrever como me sentia ao pensar que ele afirmou que eram palavras verdadeiras.
A palavra paixão e amor haviam perdido do seu sentido para mim, não me alegrava mais quando elas eram ditas, porém com Edward tinha sido diferente, escutar aquilo dele tinha me deixado com um leve fio de esperança, eu queria ser amada, que garota da minha idade não queria? Eu só estava com medo de isso ser só mais um sentimento que iria me machucar, então o racional seria fugir dele, mas... Eu nunca conseguia ser completamente racional com Edward mesmo sabendo que era errado estar perto dele.
-
O telefone tocou me forçando a abrir os olhos e emergir escuridão dos meus sonhos, quando o barulho irritante parou de ecoar pelo quarto me dei conta que não estava com dor de cabeça. Senti meu travesseiro molhado e sabia que isso era por ter dormido com o cabelo molhado, fora isso tudo estava em perfeita ordem.
O relógio de parede me fez ver que já se passava das catorze horas, Esme já deveria ter chegado mas ela não costumava atrapalhar meu sono, ela me deixaria dormir o dia todo sem nem mesmo tentar me acordar para alguma coisa. Eu gostava disso nela e em Carlisle, eles me davam sossego alguma vezes, ficar calma era tudo que eu precisava, mas, depois da noite de ontem e das conversas com Edward, eu começava a morder os lábios só de pensar em encontrá-lo hoje.
Uma noite sem sonhos me deixava com o humor agradável, pelo menos hoje não tinha acordado com vontade de sumir do mundo, não estava com vontade de descer lá em baixo e encarar todos mas ao mesmo tempo não queria ficar aqui no quarto esperando alguém vir me buscar. Além do mais, minha barriga estava revirando e fazendo barulhos anunciando que eu deveria comer alguma coisa.
— Boa tarde, Bela adormecida. — Esme disse quando entrei na cozinha, ela estava sentada sobre a mesa lendo algumas coisas, provavelmente estava trabalhando. — Edward lhe deu sonífero? — perguntou em tom divertido. Eu sorri tentando fazer a piada dela parecer engraçada, não que não fosse, é que era verdade. — Tem um lanche que acabei comprando quando estava vindo para casa, acho que você vai gostar, está dentro do microondas. — disse.
— Ok, obrigada.
— E então, como foi ontem? — Ela perguntou. Era para ser uma pergunta inocente se não fosse por causa do tom dela, com certeza ela deveria estar pensando que houve alguma coisa entre nós. Eu suspirei.
— Eu comi e logo depois fui dormir, acordei agora. — Falei.
— Que bom, querida.
Eu sabia que ela estava aliviada mesmo sem olhar para ela. Ás vezes Esme era desconfortável.
— Se importa se eu comer no meu quarto? — Perguntei mordendo os lábios.
— Claro que não, sinta-se a vontade.
Sai da cozinha o mais rápido que pude e fiquei completamente desanimada ao chegar no meu quarto, nas últimas 24h tinha deixado ele ficar uma total bagunça e agora me faltava coragem para arrumá-lo.
Coloquei o prato em cima da estante e comecei a arrumar as coisas colocando tudo no lugar enquanto comia, limpei a estante e guardei os remédios, se Esme entrasse ali eu teria que me explicar. Quando estava tudo no lugar notei que tinha acabado de comer, olhei em volta procurando alguma distração e achei o computador.
Decidi que não iria procurar nada sobre estupros hoje, iria somente tentar relaxar porque não queria pensar em nada. Era engraçado fugir dos próprios pensamentos, das coisas que estavam dentro de você, mas, eu queria fazer isso ser possível, queria seguir além disso porque todas essas coisas iriam acabar me matando se eu não as ignorasse.
A porta do meu quarto abriu e Edward entrou por ela, fechando-a e trancando-a em seguida. Minhas bochechas queimaram quando eu lembrei que ele tinha me visto completamente nua, não sabia nem mesmo o que dizer para ele, tanto que fiquei somente parada enquanto ele se aproximava.
— Eu não consegui dormir. — Ele murmurou, soava como uma acusação e por alguns instantes eu mantive minha sobrancelha arqueada tentando entender aquilo. — Você me atormenta completamente. — disse, parecia irritado comigo e fiquei com receio dando passos para atrás até sentir a porta do armário atrás de mim. — Me desculpe por isso, pode me odiar mais depois, mas eu... Não consigo controlar.
Eu procurei alguma coisa em seus olhos, mas ele foi tão rápido que quando consegui olhar em seu rosto ele estava na minha frente com seu corpo prenssado ao meu. Fiquei alguns segundos somente olhando em seus olhos e logo depois senti seus lábios rossarem sobre os meus.
Eu quis fugir dos seus braços, eu tentei, mas ele me segurou forte e manteve sua boca sobre a minha, rossando lentamente enquanto eu perdia minhas forças e começava a amolecer como um sorteve diante do calor do Sol. Era algo que eu não podia parar, algo diferente do que eu já tinha lutado, era uma vontade que vinha de dentro que era impossível de parar.
— Eu odeio você. — Sussurrei em seus lábios.
— Eu mereço.
Sua língua invadiu completamente minha boca e meus olhos se fecharam enquanto seu corpo se pressionava ao meu, e sua língua se encontrava com a minha delicadamente. Eu não o odiava, se eu devia odiar alguém, esse alguém era eu mesma por ser tão fraca e não saber me afastar do que me fazia mal.
Ele deve ter notado que minha língua se moveu em direção a sua porque soltou um leve gemido e começou a movê-la lentamente sobre a minha. Seus dedos deslizaram pela minha cintura e suas mãos se abriram em minhas costas trazendo-me em direção a ele. Meus braços estavam paralisados no lugar, mas ele parecia ter energia o suficiente para nós dois.
Nossos lábios estavam sedentos um pelo outro, não tinha como me esquecer da forma que ele beijava, principalmente quando ele aumentava a velocidade, aquilo se tornava totalmente insaciável. Me vi totalmente colada e ele e com minha boca correspondendo ardentemente aos seus beijos. Eu não queria pensar em nada e estar em seus braços era um bom meio para isso.
Quando me faltou ar, me separei lentamente dele com um suspiro. Não tive coragem para olhá-lo nos olhos e por isso abaixei minha cabeça e suspirei.
— Você se arrepende? — Ele perguntou. — É tão ruim assim?
— Eu não me arrependo. — Sussurrei, sincera.
— Nós precisamos conversar, realmente conversar. — Ele disse. — Mas não aqui. — o fitei. — Você confia em mim o suficiente pra sair comigo? — perguntou.
— Eu acho melhor...
— Não, você não acha! — Disse olhando em meus olhos. — Teremos que conviver juntos um bom tempo, o clima está insuportável e eu quero pelo menos esclarecer algumas coisas com você. Eu não vou machucá-la, Bella. Se eu quisesse fazer isso, teria feito à muito tempo porque tive milhões de oportunidades.
— Que dia? — Indaguei querendo fugir o mais rápido que pudesse daquele assunto.
— Agora. — Disse, me fazendo arregalar os olhos. — Nós vamos sair, é bom que esteja pronta em menos de uma hora. Essa situação está me deixando louco, mas não consigo pensar aqui dentro. Por favor, Bella.
— Tudo bem. — Sussurrei.
Depois que ele saiu do quarto cedi as minhas pernas e deslizei até o chão, estava completamente incerta sobre estar sozinha com ele. Quando ele me beijava as coisas se tornavam tão confusas que nem eu mesma conseguia pensar. Ele estava certo sobre o clima está péssimo, me sentia tão frágil e confusa que já me considerava no começo de uma possível loucura.
Isso tudo porque queria afastá-lo mas quando ele chegava perto de mim era o bastante para que eu me entregasse e desistisse de fugir. Se havia alguma coisa me prendendo a essa casa, era Edward. Não adiantava negar, eu estava presa a ele.
Me vesti simples enquanto pensava no que iria dizer a Esme, tentei não pensar nisso enquanto fazia uma maquiagem que disfarçasse meus rosto pálido. Esses dias ficando em casa e tomando remédios tinha me deixado com um jeito de pessoa doente, a maquiagem conseguiu disfarçar bem.
Ele parou na porta do meu quarto quando estava terminando de prender meu cabelo. Respirei fundo antes de pegar uma pequena bolsa e jogar minha carteira dentro dela, peguei o dinheiro que tinha guardado dentro da minha gaveta e meu celular descarregado. Sua mão pousou na minha cintura e delicidamente ele trouxe meu corpo para perto do seu quanto desciamos as escadas em direção a sala.
Esme se demonstrou completamente surpresa ao vê-lo me abraçando daquele jeito, eu quis fugir ou procurar um lugar para esconder meu rosto quente e provavelmente vermelho.
— Vamos sair. — Edward declarou. — Trago ela aqui antes das 00h.
— O quê? Como assim? Vamos vão sair para onde? Como é que não fiquei sabendo disso? — Ela perguntou ficando de pé. Edward deve ter notado que eu estava desconfortável porque me abraçou um pouco mais e deixou eu fixar meus olhos no chão. — Edward, você sabe que eu pedi para...
— Se não se importa ainda vamos comer, temos que ir. — Ele disse e sem que eu pudesse realmente dizer alguma coisa, ele me puxou em direção a porta ignorando os chamados de Esme pra ele.
— Você ficou louco? — Perguntei enquanto me livrava de seu aperto no meu braço. Meu coração estava acelerado porque estava com receio quanto a reação de Esme. — Você sabe que Esme não gosta de nós dois juntos, eu esperava que você já tivesse falado com ela, como pode fazer isso? Você não sabe como ela vai reagir quanto a mim. — falei.
Ele abriu a porta do carro e sem dizer nada gesticulou para que eu entrasse. Continuei parada em frente a ele me perguntando se era uma decisão certa sair com ele.
— Bella, ela não se importa se você vai sair comigo, só que você é a única chave pra manter esse casamento frustrado dela. Entra logo na merda desse carro e quando nós voltarmos aqui ela não dirá uma palavra. — Ele disse. — Por favor, Isabella.
— Ela me pediu para ficar longe de você. — Sussurrei.
— Claro que sim, porque sou a única pessoa nessa casa que quando todos disserem que ela está certa terei coragem de dizer que ela está errada. — suspirou abrindo um sorriso falso. — Sou a ovelha negra, o filho revoltado, é claro que ela não vai deixar você perto de mim, mas, tem coisas que estão além das vontades e dos interesses de Esme. — Falou com o tom amargurado. — Vamos, por favor. Não vou machucá-la, que droga, quantas vezes preciso dizer isso?
Sem dizer nada entrei no carro e deixei ele fechar a porta. Entrou no carro alguns segundos depois e sem nem mesmo colocar o cinto arrancou, sem olhar para mim também.
— Onde vamos? — Perguntei, quando pegamos uma estrada diferente das que eu conhecia. — Eu não sei o que esperar de você. — Confessei. — Esme tenta projetar a imagem de um monstro em você, eu tento lhe ver como um desgraçado, mas...
— Não é tudo que sente. — Terminou. — Estamos indo a um apartamento que temos a alguns quilômetros daqui, tem uma piscina e uma área incrível. — disse. — Costumava dar festas lá, Esme não sabia como a grama podia ficar tão devastada daquele jeito. — falou. — Eu limpava a bagunça com alguns amigos, mas sempre sobrava algo, um dia ela achou uma calcinha e então tive que confessar, nunca mais ela me deu a chave. — sorriu, aquele sorriso veio carregado de lembranças e sorri também, mesmo sem querer. — Eu já fiz muita merda na vida, já fui muito idiota, acho que por isso Esme não confia em deixar alguém tão frágil comigo.
— Pensei que você me achava forte. — Falei.
— Eu acho, só que ela não sabe tudo o que você passou. — Disse.
Depois disso o assunto morreu, tentei me concentrar na paisagem lá fora mas de vez em quando olhava para ele atráves dos meus cabelos que criava uma cortina entre nós. Ás vezes ele estava me olhando, ás vezes só fitava a estrada e respirava fundo. Alguma coisa o perturbava mas eu não quis perguntar o que era.
Quando chegamos ao local, Edward foi muito bem recebido pela recepcionista, ela não me notou e eu realmente não esperava que ela notasse. Eu me mantive em silêncio no elevador e não falei nada quando ele passou o braço em volta de mim segurando calmamente na minha cintura, mesmo que eu quisesse negar, aquele gesto ainda me deixava segura.
Eu definitivamente não poderia criar uma imagem ruim de Edward.
O apartamento era cheio de quadros e a varanda era cheia de flores, Edward me deixou olhando tudo em volta enquanto ia para a cozinha. Olhei para os quadros da parede e depois me concentrei em olhar para qualquer outra coisa, até Edward voltar trazendo dois copos de refrigerante.
— Se você estiver com fome podemos pedir alguma coisa. — Ele sussurrou.
— Não, estou bem. — Falei.
— Quer me perguntar algo? — Ele perguntou sentando-se na poltrona que ficava em frente a mim.
— Eu não sei, você quis que viessemos até aqui. — Falei.
— Está com medo? — Perguntou.
— Talvez. — Murmurei. — Talvez medo do que você vai falar, da última vez que você me disse algo me surpreendeu demais.
— Você não esperava algo como isso?
— Não esperava... De você. — Confessei, olhando fixamente para a beirada do copo cheio em minhas mãos.
— Me desculpe. — Sussurrou.
— Tudo bem.
— Diga isso olhando pra mim. — Ele pediu, tentei respirar fundo e fazer isso, mas seus olhos me pressionavam demais e acabei desistindo. — Então não está tudo bem. — ele declarou por mim e ficou de pé, acabei colocando o copo de lado sabendo que não iria beber nada e levantei também.
— É difícil confiar nas pessoas. — Falei olhando para ele, que agora estava de costas. — Mas acredite, você foi a primeira pessoa que confiei depois que tudo aconteceu. — suspirei. — Foi o primeiro homem que me tocou daquele jeito também. — murmurei, com minhas bochechas ficando vermelhas.
— Eu posso fazer de novo. — Sussurrou, ainda de costas para mim.
— Edward, eu...
— Você quer mas não quer. — Disse, abaixei minha cabeça e vi quando ele se virou. — Está na hora de decidir se vai levar isso a frente ou voltar de uma vez, posso fingir que nunca nos falamos na vida se você quiser.
— Eu não quero. — Murmurei.
— E o que você quer? — Pressionou.
— Edward...
— Isso? — Ele perguntou enlaçando minha cintura de forma que fui obrigada a colar meu corpo ao dele. Seus olhos fitaram os meus e ele notou que estremeci mesmo sem querer, e suspirou. — Eu vou provar pra você que homens não causam somente dor. — sussurrou.
Eu não respondi e isso fez ele sorrir e colar seus lábios aos meus. Por segundos não tive reação, deixei sua boca se mover contra a minha e sua língua explorar calmamente meus lábios procurando passagem para se mover para perto da minha língua. Quando finalmente não consegui mas segurar, fechei meus olhos e deixei sua língua invadir minha boca.
O beijo não foi calmo como eu imaginava, ele lutou contra minha língua com seus dedos levemente entrelaçados em meus cabelos me impulsionando para frente e fazendo nossos corpos ficarem cada vez mais colados. Tentava acompanhá-lo e aquilo despertou aquela sensação de calor que vinha de dentro de mim e se apoderava do meu corpo.
Quando seus dentes agarraram meus lábios não pude evitar que minhas mãos fossem para seus cabelos, ele se moveu e me fez recuar um pouco cedendo as minhas pernas e caindo sentada no sofá. Seu corpo separou-se do meu talvez porque ele não queria cair por cima de mim porque com certeza seu peso me incomodaria.
— Você precisa comer, vamos fazer isso mais tarde. — Prometeu me fazendo suspirar e morder os lábios em seguida. — Posso pedir algo pra você?
— Claro. — Murmurei, lambendo meus lábios.
— Ok, só pare de lamber seus lábios, posso ficar tentado a fazer isso por você. — Murmurou, imediatamente coloquei minha língua novamente dentro da boca mas pude notar o quanto me perturbou a idéia de lamber meus lábios novamente.
O tempo que passei com Edward me deixou relaxada, ele não tentou nada o resto da tarde somente me pediu para lhe contar minhas boas lembranças. Eu me diverti contando que subia nas árvores da reserva com alguns amigos meus e que depois nenhum de nós conseguia descer. Ele escutou e contou algumas de suas travessuras.
Descobri que Edward havia ficado internado por semanas quando era pequeno por uma picada de cobra que levou quando foi ao egito. Eu estava realmente divertindo enquanto comia e não pude negar que não queria que aquele dia acabasse, que estava fugindo dos pensamentos relacionados em Esme e tentando me concentrar em viver aquele momento que era tão raro para mim.
— Quer dizer então, que você nunca teve um namorado? — Edward perguntou.
— Tive, mas eu era pequena, minha mãe que me lembrava que eu o beijava toda vez que o via. — Falei fazendo-o sorrir.
— Comigo não é assim. — Ele se queixou fazendo biquinho de criança birrenta.
— Porque eu o beijava e não ficava como eu fico quando beijo você. — Murmurei.
— E como você fica quando me beija? — Ele perguntou colocando seu copo de lado.
Ele estava sentado longe mim, mas isso não impedia ele de causar aquele formigamento dentro de mim toda vez que me olhava fixamente com aqueles maravilhosos olhos verdes.
— É melhor mudarmos de assunto. — Falei.
— Por que está fazendo isso consigo mesma? — Ele perguntou.
— Fazendo, o quê? — Perguntei.
— Fingindo que não afeta você, sempre fugindo pra tentar não ter que aceitar isso, você gosta das coisas que eu faço e mesmo que queira negar, gosta de mim também. Não como eu gosto de você, mas gosta, caso contrário não estaria aqui. — Disse.
— Tem coisas que eu tento evitar. — Falei, fazendo-o se aproximar deixando sua comida de lado. — Eu não deveria ter aberto a porta, não deveria ter saido da cama por mais desconfortável que ela fosse e não deveria ter deixado ele terminar de falar. — sussurrei. — Então hoje eu evito algumas coisas para não acontecer de não conseguir fechar a porta novamente.
— Nem todos são como ele. — Edward disse.
— Não acho que sejam.
— Então por que afasta todos? Principalmente eu. — Disse.
— Estou dando um tempo a mim mesma, me acostumando com algumas coisas, Edward isso só tem um ano. — Falei.
— E não é o bastante? — Indagou.
— Não acho que seja.
— Seria menos doloroso se alguém ajudasse você. — Ele disse ficando de pé. Coloquei a comida de lado e resolvi fazer alguma coisa, poderia até lavar a louça somente para não ter que continuar nesse assunto. — Eu posso ajudar você, se quiser vingança vou estar aqui e se quiser fugir pro Alasca também irei, existe algo na vida que é chamado de confiança. — Falou estendendo sua mão para mim. — Vem Bella, não vou machucá-la. — sussurrou. Segurei em sua mão e deixei ele me levantar, colocando a mão na minha cintura quando eu estava de pé e me trazendo para perto dele. — Existe outra coisa chamada desejo e essa é uma das coisas mais impossíveis de controlar.
— Eu... — Sussurrei perdendo a linha de raciocínio já que seus lábios estavam tão próximos dos meus.
— Deixa eu mostrar o quanto sou apaixonado por você. — Ele murmurou tirando meus cabelos do rosto.
Não respondi, na verdade a última coisa que estava fazendo nesse momento era pensar. Minha mente estava concentrada nos seus dedos que deslizavam pelas minhas costas e depois mudaram de rumo rodeando lentamente minha barriga ameaçando deslizar para o meio das minhas pernas e fazendo meus lábios entreabrirem tentando pronuciar alguma resistência.
— Você sente falta, não sente? — Perguntou com os dedos deslizando pelo meu ventre e indo em direção ao meu sexo dando voltas naquela região e me fazendo sentir um frio na barriga. — Você gostava quando minhas mãos estavam lá? — perguntou, sufoquei um suspiro e tentei controlar o calor que começou em mim ao lembrar. — Eu posso fazer melhor, aquilo não é nem metade do que pode acontecer. — sussurrou olhando em meus olhos.
— Não acho que seja uma boa idéia. — Murmurei com minha voz baixa.
— Realmente não é boa idéia, é uma ótima idéia. — Disse deslizando suas mãos até minha nuca. Seus lábios se aproximaram e meus olhos se fecharam em um ato involuntário.
Senti seus lábios darem um leve beijo no meu queixo e minha boca se abriu em antecipação esperando minha sua língua para batalhar com a minha. Seus lábios não vieram de encontro aos meus, mas os senti deslizar pelo meu pescoço. Sua língua deslizou pela minha pele calmamente, ele parecia estar guardando cada pedaço porque só lambia fazendo isso em todo meu pescoço e me arrepiando quando chegava perto da minha orelha.
Minha respiração acelerou de vez, eu sabia que estava perdendo o controle e essa sensação aumentava confome sua língua deslizava em direção aos meus seios. Permaneci de olhos fechados, mesmo quando ele levantou minha camiseta tirando-a e jogando ela em qualquer canto da sala. Eu só queria sentir.
Sentir suas mãos deslizando pela minha barriga e depois passaram pelos meus seios cobertos pelo sutiã. Eu não estava com medo, eu estava com receio mas talvez isso fosse normal para qualquer menina.
Suspirei quando sua boca foi em direção aos meus seios, meu corpo ficou ainda mais quente e sua língua não parava de lamber cada ponto trazendo calor a minha pele.
— Gosta disso? — Perguntou.
— Mm... Hm... — Foi tudo que consegui sussurrar.
— Ótimo, estou só começando.
Seus dedos em minhas costas devem ter aberto meu sutiã porque senti meus seios saltarem para fora dele. Nossos corpos se moveram e arrastei meus pés conforme ele me pressionava para trás, só parei quando minhas costas colaram na parede e seus olhos encontraram os meus mais uma vez. Dessa vez eles estavam diferentes e havia uma certa preocupação neles.
— Bella, se você deixar isso continuar talvez se arrependa de alguma forma. — Sussurrou. — A primeira vez não é exatamente uma das melhores, vai doer menos que aquela outra vez, mas... Vai doer.
— Eu sei. — Murmurei. — Isso vai ter que acontecer uma hora, não é? — Perguntei, suspirando.
— Eu posso fazer isso doer menos, só não garanto que não terá dor. — Disse, eu concordei com a cabeça. Mesmo que isso fosse trazer um arrependimento depois, agora não tinha importância. Edward poderia ser um estúpido, mas de certa forma eu sabia que seria delicado comigo porque sabia o que eu tinha passado e isso nenhum outro homem iria saber para fazer igual.
— Só me prometa que vai parar se eu pedir. — Sussurrei.
Ele sorriu.
— Eu faria qualquer coisa se você pedisse. — Afirmou.
Depois disso não voltei a falar, deixei sua boca colar a minha e pela primeira vez senti paz quando ele fez isso.
Em um gesto que nem eu mesma compreendi, passei minhas mãos em torno de sua cintura e o trouxe para perto de mim, era uma forma de dizer a ele que estava confiando nele para que Edward fizesse aquilo. Isso aliviou o clima entre a gente e apagou o resto do medo que ainda tinha em mim.
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