Hello

15 Capítulo 15


Notas iniciais
Mais uma recomendação. *-*
Gente, quero agradecer muito as quatro meninas que recomendaram a fanfic, fiquei tãoo feliz. E ah, os comentários tb, awn, adoro ler as teorias de vocês. Mas vamos lá, prévia no final do cap.

15

As coisas começavam a se encaixar na minha mente, Edward estava mesmo atrás do meu passado e eu não tinha noção do que porquê. Ele havia apanhado por minha causa, mas de quem? Charlie? Meu... Estuprador?

Era difícil se referir a aquele homem como alguma coisa, de alguma forma eu sabia que ele havia sido uma parte de mim e mesmo que não estivesse mais no meu corpo, estava na minha mente e no meu coração. Era impossível tirar aquilo de mim por isso ele fazia parte de mim, a segunda parte mais dolorosa que tinha em mim.

— Bella, me desculpe. — Edward sussurrou.

Por tudo que era mais sagrado, eu só queria abrir a boca e gritar. Mas estava com tanto medo, tanto receio que a única coisa que expressei foram lágrimas. Não admitia para mim mesma que ele sabia, que Edward sabia e que provavelmente a família dele iria saber.

Eu tinha vergonha do meu passado, tinha vergonha de contar dele para as pessoas. Era muito humilhante. Será que Edward não notava isso? É claro que ele não notava, o desgraçado tinha crescido somente no meio de coisas boas e de uma vida maravilhosa, quem ira se importar com a humilhação se você nunca conviveu com ela?

Eu me virei pronta para correr, mas Edward segurou meu braço com força me fazendo soltar um gemido. Eu queria pedir para ele soltar, dizer que estava doendo, mas eu nem mesmo conseguia me virar para ele. Além de envergonhada eu também estava sem palavras.

— Bella, por favor...

Eu ignorei sua voz enquanto as lágrimas pingavam do meu rosto, tanto pela dor dos seus dedos apertando meu braço e tanto pela humilhação dele ter descoberto tudo. Deus, ele não tinha o direito de entrar na minha vida assim, não tinha o direito de ter ido atrás disso e não tinha o direito de estar tão machucado por causa de mim.

Ele não tinha direito nenhum.

— Só fala alguma coisa, por favor. — Ele sussurrou.

Eu não respondi, minha mente estava em outro local e dentro de mim estava tão apertado que era desconfortável estar dentro da minha própria pele. Agora eu estava com medo, medo de que ele contasse ao resto da sua família, medo do que eles poderiam falar, medo do que Esme iria achar. Medo de encarar Edward após ele saber que eu tinha mais problemas do que ele imaginava.

— Bella, me perdoe. — Edward disse, eu saltei com sua voz tão próxima e virei para trás em reflexo. Ele estava de pé segurando meu braço e com o rosto retorcido em uma careta de dor. A médica havia dito que era aconselhavel ele não forçar muito as pernas por causa da coluna, mas ele não parecia estar se importando por estar de pé. — Eu sei que estou machucando você, só me prometa que não vai correr se eu lhe soltar. Bella, não quero que se sinta envergonhada, nada foi culpa sua e eu estou aqui para superar com você. Me prometa que não vai sair correndo.

Eu balancei minha cabeça negando, não iria sair correndo. Minhas pernas bambas não iriam me deixar fazer tal coisa. Com a outra mão, do braço que não estava sendo segurado por ele, sequei as lágrimas do meu rosto, havia prometido não me demonstrar tão fraca para Edward, só que havia aprendido que sempre quebrava minhas promessas quando se tratava dele.

Deveria ter me mantido longe, deveria ter negado todos os beijos e abraços, eu só não consegui. Era tão bom ter seus braços em volta de mim que eu nem mesmo pensei nas consequências. Esse era o gosto das consequências causadas, o gosto amargo da verdade sendo esmagada contra você.

— Bella...

— Eu não vou correr. — Sussurrei. — Para onde você espera que eu vá? Para a rua? Eu sabia que uma hora isso iria acontecer, eu só não entendo que merda você quer fazer no meu passado! — me virei para ele. — Você já deve ter visto como metade dele foi doloroso, você devia ter ficado longe de mim, Edward. Você não tem nada com isso.

— Pode acreditar Bella, eu tenho algo a ver com isso. — Ele sussurrou, dessa vez eu o fitei. Seu aperto ficou frouxo e lentamente seus dedos deixaram de apertar minha carne fazendo-me piscar para mais lágrimas deslizarem pelo meu rosto.

— Tem? Onde você se encaixa Edward? Na parte de acabar com a pouca paz que eu tinha? — Perguntei, minha voz estava alterada e ao mesmo tempo quebrada, ela falhava por causas das lágrimas e minhas mãos formigavam. Eu só queria bater em algo ou bater minha cabeça em algum lugar até que eu desmaiasse e a dor sumisse.

— Eu estou na parte que ajuda você. — Disse. Seus dedos seguraram em minha nuca e calmamente ele me trouxe para perto, suavemente pressionou minha cabeça em seu peito e acaríciou meus cabelos. Não houve nenhuma outra reação em mim, tudo que fiz foi enlaçar sua cintura e soltar todos os soluços que estavam escondidos dentro de mim enterrando de vez minha cabeça em seu peito.

Eu o odiava mas, ele era a única pessoa que estava me oferecendo um ombro para chorar.

— Bella? Edward? — Foi a voz de Carlisle me fez saltar para trás. Meu coração disparou porque eu sabia que essa era a pior parte, Edward poderia contar tudo a ele nesse momento, poderia revelar que meu passado era podre e que não era seguro continuar comigo nessa casa. Ele poderia dizer qualquer coisa, qualquer coisa que ameaçasse meu futuro naquela família. — O que está acontecendo aqui? — ele perguntou se aproximando. — Edward, o que você fez com ela?

— Eu não fiz nada, nós... Estavamos conversando e Bella acabou se lembrando da mãe dela. — Ele disse e eu suspirei aliviada. Queria estar pronta para todos saberem do meu passado e nesse momento a última coisa que eu estava era pronta. Eu estava frágil e dolorida por dentro, era um dos piores momentos para enfrentar aquela família.

— Ah, sinto muito Bella. — Calisle sussurrou, embaraçado. — Se quiser ir pro seu quarto nós entenderemos querida. — disse. — Nós sabemos que isso deve ser dolorido, então... Pode ir se quiser, mas, se quiser ficar conosco também... Eu quero apenas que esteja onde se sentir melhor. É importante que você esteja bem, querida.

Eu vi ali uma oportunidade de fugir e sem dizer nada caminhei para fora da cozinha e praticamente corri em direção ao meu quarto. Eu tranquei a porta segundos antes de me jogar na cama e enterrar minha cabeça no travesseiro, eu só queria gritar e evitar que alguém escutasse.

O fato de que Edward sabia de tudo estava assolando minha mente e me deixando cada vez mais perturbada. Deus do céu! Será que eu nunca teria alguns anos de paz no mundo? Será que era pedir muito a Deus que me desse um pouquinho de paz? Eu só queria ser um pouquinho feliz.

Um barulho na porta me fez abrir os olhos despertando do sonho, minha cabeça estava pesada como se um elefante tivesse sentado em cima dela. Eu fitei os comprimidos jogados na estante, havia tomado-os para conseguir apagar e por segundos desejei não acordar novamente. O sono era algo bom, a única parte ruim era os sonhos que o acompanhava, quando você dormia sem ter pesadelos, você desejava ficar para sempre dormindo.

Novamente o som de alguém batendo na porta. Eu movi meu corpo lentamente pela cama e empurrei o travesseiro molhado com as minhas lágrimas para o chão, sentei na cama e coloquei as mãos na cabeça. Alguém bateu na porta novamente e com um suspiro me levantei.

Com receio abri a porta e encontrei Edward parado nela, ele não estava na cadeira de rodas mas usava uma moleta como apoio. Eu o fitei por longos segundos e fiquei surpresa por ainda não ter pirado. Antes quando pensava no momento em que alguém me dizia que sabia tudo, eu pensava que iria ficar louca e tentar me matar no segundo seguinte, mas no momento eu só estava sem vontade, eu só queria me jogar em qualquer lugar e esquecer do mundo.

Mas isso era impossível, ainda mas quando era Edward que estava na minha frente.

— Posso entrar? — Perguntou, sussurrando.

— Se eu disser que não você vai embora? — Indaguei, ele suspirou e mordeu os lábios.

— Quer discutir isso aqui?

— Não. — Murmurei, como resposta ele arqueou a sobrancelha e deu dois passos para frente. Sem escolha, dei dois passos para trás e liberei a passagem para ele. O que poderia ser pior agora? Eu poderia aguêntar qualquer coisa.

Ele fechou a porta mas não trancou, fiquei de pé perto dele enquanto Edward caminhava lentamente e sentava na cama com uma careta de dor. Eu queria perguntar a ele quem do meu passado havia lhe causado todos esse machucados, mas quanto mais eu tocasse no assunto, mas ele iria pensar que eu estava feliz com toda aquela intromissão dele na minha vida.

— Remédios? — Perguntou olhando para a estante. — O que estava tentando fazer? — indagou estreitando os olhos. Não respondi. Deixei ele pensar que eu estava tentando se matar, talvez isso fosse uma coisa boa. Talvez ele me deixasse em paz. — Merda, Bella. Será que é tão ruim encarar as coisas? Você não é tão fraca assim, na verdade, é a pessoa mais forte que eu conheço, tentar se matar é...

— Eu não tentei me matar. — Sussurrei, interrompendo-o. — Estava tentando dormir.

Não tinha que me explicar, ele era a última pessoa do mundo que merecia minha explicações, mas eu não gostava de saber que ele estava me julgando uma idiota que iria se matar por qualquer coisa. Aquilo não era qualquer coisa, mas ao olhos de qualquer outra pessoa seria.

— Eu sinto muito. — Murmurou, parecendo estar envergonhado. — Eu só achei que esse assunto pudesse levar você a isso. — fiquei em silêncio e em resposta ele suspirou. — Não vou contar nada se esse é seu medo, será nosso segredo, Bella. Também não vou usar isso para conseguir nada de você, eu não descobri isso para magoar você.

— Então, por quê? — Perguntei tentando parecer indifrente e gelada, quando na verdade meu coração estava estremamente agitado por dentro.

— Eu tenho algo a ver com isso. — Foi tudo que ele respondeu antes que suspirar e olhar em volta. Pisquei os olhos inúmeras vezes antes de suspirar também.

— O quê? — Perguntei. Não podia negar que tinha medo da resposta, mas só queria saber onde Edward poderia se encaixar no meu passado.

Ele se moveu desconfortavelmente na cama, seus dedos depositaram a moleta de lado e Edward bagunçou seus cabelos com a mão do braço que estava livre do corte profundo que havia no outro. Os machucados do seu rosto estavam melhores, dava somente mais duas semanas para começarem a desaparecer e ele voltar a ter a mesma pele de antes.

A camiseta que ele usava era larga apesar disso conseguia enxergar os curativos dos machucados que era obrigatório trocar todos os dias após o banho. Por causa do cheiro agradável que estava nele era provável que ele tivesse acabado de sair do banho e acabado de trocar os curativos.

— Eu quero que me prometa algo antes. — Disse, eu engoli minha saliva me dando conta de que aquilo estava ficando mais sério do que eu esperava, os olhos dele estavam no chão e era uma das primeiras vezes que ele parecia nervoso e demonstrava isso para mim. — Me prometa que não vai sair correndo ou pensar qualquer coisa ruim sobre mim antes de escutar tudo. — murmurou.

O encarei surpresa e sem conseguir dizer nenhuma palavra. Eu estava começando a ficar com medo do que viria, talvez eu não pudesse aguêntar qualquer coisa. Não estava preparada para escutar nada que fosse me machucar ainda mais, não estava preparada para conhecer algo sobre Edward que mudasse meu conceito por ele, mesmo assim, era meu direito saber o que ele tinha com tudo isso.

— Eu prometo. — Sussurrei, mesmo sabendo que poderia me arrepender amargamente dessa promessa.

— À treze meses atrás tiramos férias da faculdade, quando você está estudando pra caramba e praticamente vivendo para isso, férias são como dias sagrados. — Disse, fez uma pausa e então suspirou. — Estavamos cansados de ir sempre para os mesmo lugares, sempre iamos para a praia e viravamos as noites perdendo dinheiro nos prostíbulos sem nenhuma responsabilidade. Mas, dessa vez escolhemos fazer algo diferente, escolhemos acampar. — disse, mordi meus lábios e me caminhei até estar perto da estante onde me sentei empurrando os remédios para trás. — Nós procuramos alguns locais bacanas e descobrimos uma cidade onde era bastante frio. Queriamos algo totalmente novo e escolhemos acampar na cidade de Forks. — disse levantando seus olhos, ele queria uma reação minha e teve, totalmente surpresa arregalei os olhos e meu coração voltou a disparar. — O único erro foi começar a convidar pessoas que não eram da faculdade, começamos a convidar parentes e até pessoas que nem tinhamos contato, só estavamos nos importando com o número de pessoas e com as inúmeras mulheres que iriam dormir nas barracas conosco. — suspirou. — Foi quando um colega nosso trouxe um primo, o cara já havia sido preso por assaltar uma farmácia mesmo assim ele deu uma boa grana e aceitamos ele sem pensar duas vezes. — me fitou. — Seu nome era James. — falou, aquele nome não era conhecido mas, por alguma motivo estremeci ao escutá-lo. — Conhece alguém com esse nome? — perguntou.

— Não. — Sussurrei, mordendo meus lábios ainda apreensiva por conta do que ele estava me contando. Edward estava na minha cidade praticamente no mês em que fui estuprada, isso já era o começo de uma ligação com o meu passado e eu receava que tivesse muito mais. — Continue, por favor. — pedi.

Minha impressão é que tinha muito mais coisas ali que me deixariam apreensivas, o modo que ele colocou James na história me fez pensar que talvez esse homem tivesse algo a ver comigo. Eu estava com medo do resto.

— Nós estavamos realmente acampando, até estavamos cozinhando para nós mesmo como se estivessemos no meio do nada. — Sussurrou, eu arqueei a sobrancelha, Forks era realmente algo no meio do nada. Era uma boa definição para aquela cidade. — Até que a diversão começou não ser o suficiente, alguns de nós começaram a sair, comer e dormir fora e o acampamento estava começando a perder a graça. Então tivemos uma idéia, resolvemos optar pelo que chamava atenção, drogas, bebidas e música alta. Todas as noites iámos até um bar para comprar de maconheiros locais. — respirou fundo. — James começou a fazer coisas por fora, ele juntava tudo o que sobrava e ia vender por um preço menor, é claro que mesmo assim ainda era caro e não demorou muito para a polícia ir até o acampamento, tivemos que nos separar e cada um foi para um canto. Alguns voltaram, outros ficaram nos hotéis e eu aceitei ficar na casa de uma garota que eu havia conhecido somente para passar alguns dias, só até Esme e Carlisle mandarem minha passagem de volta. Foi aí que as coisas começaram a sair do controle.

Alguém bateu na porta e o impediu de continuar, a história estava começando a envolver drogas e isso era mais uma ligação comigo por causa de Charlie. Deslizei para a porta e a abri. Esme estava parada nela com uma sacola nas mãos.

— Olá querida, Carlisle me contou o que aconteceu e... — parou de falar quando viu Edward. — Olá filho. — disse com um sorriso, depois me estendeu a sacola. — Isso aqui é para você, uma é algo que é preciso e outra é um presentinho, achei que iria gostar. — sorriu.

— Obrigada. — Sussurrei. — Nós estavamos... Conversando. — expliquei rapidamente, mordendo meus lábios com certa força. Essas últimas horas estavam sendo de pura insegurança para mim, eu sabia que nos próximos dias teria que me controlar para não parecer totalmente paranóica.

— Eu acho melhor não ficar com a porta fechada quando Edward estiver no seu quarto. — Esme disse, apesar do seu sorriso e da sua voz carinhosa havia algo em seus olhos. Eu assenti rapidamente e mais do que depressa abri a porta por completo parando perto dela. — Ótimo, não há motivos para a porta estar fechada não é mesmo? — sorriu. — Vou preparar algo para lancharmos.

Segui ela com os olhos pelo corredor até ela desaparecer na escada, eu fiquei algum tempo olhando para o nada até criar coragem o suficiente para respirar fundo e me voltar para o quarto. Me assustei ao ver Edward de pé quase ao meu lado, fiquei algum tempo olhando em seus olhos até que ele deu alguns passos ainda manco de uma perna e começou a caminhar em direção a porta.

— Falamos sobre isso depois. — Sussurrou.

Eu queria segurá-lo e pedir a verdade, dizer que fugir agora iria me deixar completamente maluca e que eu iria pensar em mil possibilidades dele estar envolvido em tudo aqui, mas, a única coisa que consegui realmente fazer foi dar dois passos para trás e ficar em silêncio enquanto ele saia pelo corredor.

Deslizei minhas costas na parede e agachei até estar sentada no chão, enfiei minha mão dentro dos meus cabelos embaraçados e suspirei. Aquilo era o começo de um grande inferno que estava por vim, eu só desejava ter forças para passar por ele sem sucumbir ao fogo.

As férias já não era algo bom, com todo o que estava acontecendo a escola e os treinos seriam ideal para fugir de tudo aqui, para fugir de Edward, sem eles eu não sabia o que iria fazer. Não teria para onde escapar, tinha que encarar isso porque eu sabia que a qualquer momento algo assim poderia acontecer. Como a mulher do orfanato havia dito, você não pode esconder seu passado para sempre.

Jasper havia vindo me chamar para o lanche e não respondi, quando ele abriu a porta fechei meus olhos para fingir estar dormindo. Não sabia ao certo se ele tinha acreditado, de qualquer forma ele se retirou sem dizer nada e ninguém voltou a entrar no quarto. Eu queria realmente dormir por isso fitei os remédios sobre a estante, aquilo poderia me causar algo mal, mas eu queria apagar e aquela era uma ótima opção.

O único problema era que eu precisava de um copo d'água e não tinha a miníma coragem de ir até a cozinha buscar. Me joguei novamente na cama e respirei fundo olhando para o teto, eu estava com tanta coisa na minha mente que era impossível ficar quieta, comecei a me mover e nenhum lugar da cama parecia agradável para dormir.

Em resposta eu levantei, meus pensamentos iriam me matar se eu continuasse ali parada esperando por uma oportunidade de falar com Edward.

Sem pensar duas vezes levantei da cama e caminhei para fora do quarto, mesmo sabendo que estava cometendo um grande erro, minha vida com certeza não iria ficar pior do que a merda que estava agora.

Surpreendi a todos ao entrar na cozinha, Edward levantou e cabeça e me fitou.

— Eu quero falar com você, a sós, agora. — Falei, decidida porém com a voz trêmula.

— Bella, não quer comer? — Esme perguntou receosa.

— Eu quero falar com Edward, alguns minutos somente. — Sussurrei, minha coragem estava começando a falhar e suspirei querendo sair dali logo. Se continuasse enfrentando aquelas pessoas talvez eu não continuasse tão forte.

— Claro querida. — Carlisle disse com um sorriso colocando o garfo novamente no prato, Edward se levantou com a ajuda de Jasper que continuava em profundo silêncio. Apoiando-se na moleta caminhou lentamente até mim olhando diretamente nos meus olhos. Com certeza ele estava se perguntando o que tinha dado em mim.

— Onde? — foi tudo que sussurrou para mim.

— Em qualquer lugar que ninguém nos escute. — Murmurei, ele acenou com a cabeça e começou a caminhar.

O acompanhei até chegarmos no quarto das ferramentas perto da garagem, ele soltou um gemido quando fechou a porta e finalmente voltou a me fitar.

— Eu preciso saber de tudo, não vou conseguir fazer nada com essas dúvidas que estão acumuladas dentro de mim. — Falei. — Eu guardei isso por meses Edward e agora você sabe, tem que contar como descobriu e como faz parte disso, porque eu não sei mais o que pensar, tenho um profundo medo do que você vai dizer, mas eu não posso continuar sem saber.

— Eu disse que falariamos sobre isso depois. — Sussurrou.

— O que foi? Vai fugir? — Perguntei, ele virou seu rosto para o lado e eu suspirei não acreditando no que estava acontecendo. — Agora você simplesmente não quer falar? Você foi atrás do meu passado e se intrometeu na minha vida, ainda me diz que tem algo a ver com tudo isso e quer falar disso depois? — perguntei, alterada. — Você pode não se importar, mas, eu me importo! É o meu passado, estamos falando da merda da minha vida e você simplesmente acha que tem o direito de me esconder algo?

— Engraçado, à mais ou menos dois meses atrás qualquer pergunta que eu fizesse era inútil, você nunca me contava nada e tive que ir sozinho descobrir se você era realmente quem eu achava que era. Isso me rendeu belas cicatrizes como pode ver. — Disse. — Você sabe o quão ruim é falar a verdade, você nunca conseguiu falar sobre ela, eu estou... Tentando criar coragem para dizer isso a você, não é algo que me orgulho então, se você puder me dar um...

— Tempo? Você começa a história e depois quer tempo? — Perguntei bufando. — Isso tem a ver comigo Edward, pode mudar minha vida, por favor, me conte.

— Outro dia, amanhã quando Carlisle e Esme estiverem no trabalho. — Disse, ele estava quase dando as costas quando o segurei.

— Por favor.

— Bella, não.

— Por favor Edward, estou pedindo.

— Merda Bella, você realmente não vai ficar feliz em saber que eu conheci o cara que estuprou você. Mas se é isso que quer, pode saber, eu o conheci e ele continua vivo, mas perto do que você imagina. — Disse. Então eu o soltei, estava tão surpresa que nem consegui me mover, permaneci onde estava completamente muda e paralisada. Isso era pior do que eu imaginava.

As palavras fugiram de mim, não houve nada coerente para dizer. Eu sempre tinha medo por nunca ter tido uma notícia do meu estuprador, eu nem mesmo o conhecia e se tive alguma notícia dele foi inútil. Agora estava tão assustada que nem mesmo encontrava palavras para responder Edward, ele sabia quem havia me estuprado, ele sabia que isso estava perto de mim e não teve coragem de me avisar.

Agora eu voltaria a achar que iria acontecer novamente porque sabia que ele estava próximo, durante meses tinha tentado parar com toda aquela parónia, andar sozinha, sair a noite... Eu evitava tudo com medo de que ele poderia estar perto. Não sabia se o reconheceria, um ano poderia mudar uma pessoa dependendo da sua situação. Eu tinha um enorme medo de encontrá-lo, não reconhecê-lo e aquilo voltar novamente.

— Bella, eu não quero assustar você. Ele não está tão perto, não vai lhe machucar novamente. — Sussurrou me estendendo a mão. Não sabia mais o que pensar, mas no momento queria ficar longe das pessoas só por alguns minutos. — Bella.

Ele chamou, mas antes mesmo que ele pudesse falar novamente eu já estava praticamente correndo até o meu quarto. O fato de Edward conhecê-lo despertava mil perguntas dentro de mim, começava a me perguntar se a família dele não sabia. Se ele estava em Forks e conheceu meu estuprador, ele no minímo devia saber quem eu era quando sua família me adotou.

Agora fazia sentido ele ter largado a faculdade e voltado para casa. Podia ter sido por causa de mim, tinha sido culpa? O quão fundo era seu envolvimento nisso? Será que ele também já havia feito isso? Esme tinha medo de que ele se aproximasse de mim, será que ela também sabia?

Eu nunca havia questionado o porquê dele me escolherem logo na primeira visita e agora começava me perguntar, por que haviam adotado logo a mim?

Alguns meses atrás.

Eu acordei cedo, hoje era dia das visitas e todas estavam se arrumando para estarem com a melhor aparência que pudessem apresentar. Eu não era diferente, mas não era porque queria estar bonita, é que não queria parecer desisteressada em ser adotada. Eu estava ali por sorte, era bom não jogar essa oportunidade fora.

— Isabella, vem conosco para perto da piscina? — Sarah, uma das mais velhas que estavam ali, perguntou.

— Eu vou ficar no salão mesmo. — Sussurrei.

— Você sabe que a maioria dos pais gostam de conversar ao ar livre, poucos deles vem aqui dentro. — Disse, as outras garotas acenaram com a cabeça e eu respirei fundo.

— Vou ficar bem aqui. — Respondi. Elas não insistiram, somente se retiraram e caminhei para o sofá me sentando em frente a lareira apagada. Havia outras meninas no salão, nem todas gostavam de ficar lá fora tentando atrair uma família.

Não havia nenhum homem no salão e isso me deixou aliviada ainda que com receio, normalmente eu me sentia segura com mulher mas sabia o quanto elas era frágeis e quão fácil era um homem vir aqui e pegar uma de nós sem nenhuma conseguir fazer nada para impedir.

— Olá, me desculpe, sabe onde tem um banheiro aqui? — Um homem loiro, alto e de aparência serena me perguntou.

— No final do corredor, à esquerda. — Falei apontando o corredor atrás de mim.

— Obrigado, a propósito, me chamo Carlisle. — Disse estendendo a mão. Eu me senti totalmente insegura de tocar nele, minha reação foi me afastar um pouco e sorrir como um pedido de desculpas. Havia uma moça no sofá atrás de mim lendo e eu me levantei pronta a ir para perto dela.

— É um prazer conhecê-lo. — Sussurrei, e isso foi tudo antes que eu fosse sentar ao lado da garota sem tornar a olhar para o homem.

Fiquei olhando para todos os lados procurando algo para me distrair, já tinha lido metade dos livros interessantes que tinha na biblioteca, agora não era horário de televisão e lá fora devia estar um total caos. Inúmeras pessoas desconhecidas, pais, mães e filhos procurando uma garota adolescente que se encaixasse em sua família.

A palavra família me fez estremecer e atraiu a atenção da garota ao lado que abaixou suavemente seus ocúlos para me olhar. Dei um breve sorriso a ela me afastei um pouquinho fingindo ler o que estava escrito no quadro da parede mesmo que soubesse aquilo de cabeça.

— Com licença. — Uma voz disse, levantei meus olhos para ela. Uma mulher alta com um conjunto de rosa claro, sapatos altos e claros, ocúlos escuros no alto da cabeça e um cabelo ondulado que deslizava até a metade das suas costas. — Estou procurando meu marido, ele acabou de entrar aqui, é loiro e alto... Viu ele? — perguntou.

— Sim, ele perguntou onde era o banheiro. — Falei. — Fica no final daquele corredor, primeira porta à esquerda.

— Ah obrigada, vou buscá-lo. — Disse exibindo um sorriso doce. — Sou Esme. — estendeu sua mão, eu logo notei que essa família tinha muita mania de se apresentar querendo apertar a mão dos outros, já que ela era uma mulher não havia exatamente um problema.

— Isabella. — Falei, apertei sua mão em um gesto delicado e rápido, e tornei a fingir examinar o quadro.

— É uma bonita pintura, o que está escrito? — Perguntou.

— É grego. — Falei, ela arqueou a sobrancelha como se esperasse a tradução e eu suspirei, podia ser gentil. — Um provérbio. — falei. — Ele diz: Aja rapidamente, pense lentamente.

— Interessante. — Murmurou, eu acenei rapidamente e bati cruzei minhas pernas esperando que ela fosse embora. — Posso me sentar para nos conhecermos melhor? — perguntou. Eu quis negar, mas não podia continuar fugindo das visitas então apenas assenti e dei espaço para ela sentir entre mim e a garota que estava lendo.

Agora.

Já se passava de três da manhã e eu não conseguia dormir, quando escutava barulhos na rua me levantava e ia olhar. A rua era deserta a noite mas sempre tinha alguns casais passando, sempre me apertava o coração ver uma mulher passar sozinha, me dava receios, principalmente quando havia um homem do outro lado da rua ou vindo atrás.

Meus olhos estavam pesados mas, eu estava com medo de deixar o sono me levar e ter como troco aqueles pesadelos que me deixariam totalmente atordoada pelo resto do dia. Apesar de não estar tão frio peguei o cobertor mais pesado que tinha no armário e me sentei na cama me encolhendo no meio dos travesseiros só para me sentir segura.

Eu não sei porque as lembranças me perturbavam tanto. De qualquer forma, eu era forte, antes mesmo de ser estuprada já sofria e isso explicava o porquê de não ter me matado. A morte da minha mãe havia me deixado totalmente frágil, mas eu não pude contar com Charlie por muito tempo e tive que me erguer sozinha tornando-se forte para aguêntar um pai drogado que por qualquer coisa lhe dava um tapa no rosto.

Ele me culpava pelo que tinha acontecido com minha mãe, porque no fundo ele sempre soube que a culpa era toda dele. Ele tinha que ter olhado o carro. Mas o estranho era que dois dias antes do acidente, haviamos indo comprar nossos vestidos e o carro estava perfeito e ninguém tornou a mexer nele depois disso. Era estranho ele aparecer sem freios do nada.

Alguém bateu na porta e eu gelei, todos deviam estar dormindo nesse momento mas aquela batida calma eu conhecia. Era Edward. Eu tentei ficar quieta para não atrair sua atenção, não o queria aqui apesar de que com ele no quarto ia me sentir mais segura. A sombra das minhas blusas penduradas na porta do ármario parecia uma pessoa e isso me deixava cada vez mais insegura.

Ainda com receio fiquei de pé e caminhei lentamente até a porta, eu destranquei a porta fazendo o menor barulho possível e olhei para Edward, a luz do corredor estava ascesa e eu notei que ele estava sem camisa e com uma calça larga. Estava apoiado na moleta e com os machucados todos tampados pelo curativos.

— Posso entrar? — Perguntou, eu estava tão insegura em relação a ele que nem sabia que se queria ficar sozinha com ele, mas se Edward tivesse que me machucar ele já teria machucado de alguma forma. Eu só ainda estava tentando não me lembrar da possibilidade dele ter contato com o homem que tinha desgraçado o resto da merda da vida que eu tinha tinha.

— Se eu disser que não...

— Eu não vou embora. — Disse, interrompendo-me. — Por favor, não vou machucar você se é o que está pensando.

— Eu não pensei nada. — Sussurrei.

— Então, podemos conversar?

Ele se sentou na minha cama e eu fiquei parada perto do closet fitando-o atráves da luz do abajur que ele tinha ascendido. Queria parecer indiferente mas a todo momento me via mordendo os lábios com receio da sua presença, ele estava longe e mais frágil que eu, então, no fundo era besteira ficar desse jeito.

— Não consegue dormir? — Indagou colocando a moleta de lado.

— Estava dormindo, acordei a alguns minutos. — Falei, ele olhou nos meus olhos por alguns segundos e depois suspirou olhando para baixo com um sorriso nervoso no rosto.

— Não precisa mentir, além do mais, você não sabe fazer isso. — Disse. — Eu entendo seus motivos Isabella, mas você não vai poder se esconder atrás dessa máscara pelo resto da vida, eu sei o que aconteceu então, não precisa ficar agindo como se tivesse alguma coisa a esconder de mim.

— Agora que você sabe, — murmurei. — O que você pensa de mim?

— Já falei que acho você a pessoa mais forte e mais diferente que já conheci. — Sussurrou.

— Você... — pigarreei. — Você se arrepende de alguma coisa que fez... Comigo? — perguntei com o rosto em chamas.

— Que tipo de pergunta idiota é essa? — Indagou com uma expressão mais séria. — É claro que não, Bella. Por que pensa isso?

— Eu só acho que um garoto se arrependeria desse tipo de coisa. — Sussurrei.

— Não é porque James Stanley foi um filho da puta que todos os homens serão. — Ele disse, eu arquei uma sobrancelha, o que havia chamado realmente minha atenção foi o sobrenome Stanley, não era o sobrenome da Jéssica minha colega de turma?

Notas finais
Genteeeeeeeeeee, prévia do próximo cap:
"- Jéssica, você tem algum irmão? - Perguntei mudando totalmente de assunto.
- Por que quer saber? - Perguntou, dando uma risadinha. - Eu tenho, mas ele quase nunca vem aqui, ele estava na faculdade e largou porque se envolveu com umas pessoas erradas, depois disso nunca mais deu as caras aqui em casa. - suspirou. - Mas, por que está me perguntando isso?
- Ah nada, só queria saber se você tinha irmãos homens em casa. - Falei, minha voz estava quase sumindo e eu estava pálida, mas ela não pareceu ter notado.
- Se eu tivesse dois irmãos como os seus, estaria feliz. - Disse.
Ela realmente não notou."
-
Teorias sobre o que o Edward tem com isso?
Eu digo uma coisa, se vc faz algo errado, o destino sempre faz algo pra colocar isso na sua vida, mentalmente ou fisicamente, é a lei da vida né.