Hell-a
2 Um Inferno No Paraíso
Notas iniciais
- Los Angeles! We're in L.A. – berraram as duas garotas em uníssono, praticamente chorando de alegria quando saíram dos portões do aeroporto.
Estavam ali, as duas garotas amigas desde sempre, realizando a antiga promessa de que um dia iriam para Los Angeles juntas. Estavam lá naquela imensidão de lugar, parecido com as grandes cidades brasileiras, mas um tanto surreal. Sim, em Los Angeles, e obviamente não acreditavam nisso:
- Moças, as senhoritas chamaram um táxi? – Um homem alto e barrigudo perguntou, rodando um molho de chaves nos dedos.
- É, quer dizer, sim, nós... É, fomos nós! – Catti disse em meio a seus devaneios, encarando aquela cidade enorme.
O homem conduziu as garotas até onde estava estacionado seu táxi amarelo, com aquela faixa xadrez, idêntico aos que vemos nos filmes americanos.
No percurso até o hotel em que elas permaneciam caladas encarando as janelas com sorrisos nos rostos, elas ficariam lá durante um mês inteirinho. No caminho o taxista mostrava lugares turísticos e dava dicas de onde passear, comer, etc...
- Senhoritas, aqui neste restaurante o “DFood”, as senhoritas nunca deverão pedir o “Stupid Wings”, porque os donos põe tanta pimenta nas asinhas de frango que eu não duvido nada se eles dão pimenta nas rações ao invés de milho – disse um aflito taxista.
- Entendi. – Greene comentou. — Sou Marcella Collins, essa é Caterinne Kirsche e o senhor?
- Olha, o pessoal me chama de Big Yellow, por causa do meu tamanho e do táxi, essas coisas de apelido que acabam pegando. (Greene e Catti se entreolharam e riram de leve). Então, de onde vocês são para estarem assim tão maravilhadas com Los Angeles? – perguntou o homem.
- Brasil. – Catti disse olhando pras ruas em que “passavam” rapidamente.
- Brasil é? Feijoada, carnaval, mulheres, calor, praias... AH, deve ser emocionante viver por lá, não? – desabafou o senhor Yellow, sonhador.
- Que é, é. Mas as coisas por lá deveriam ser um pouco diferentes, sabe? – comentou a Greene, esquecendo o olhar pelas várias pessoas nas estradas.
A conversa continuou amistosa: Yellow mostrando sua cidade, as garotas contando sobre seu país, até que o caminho abriu-se numa ponte enorme tanto de comprimento quanto de largura, onde no canal (que não tinha rio) estava estendido um tecido vermelho gigante, sem contar que todo o espaço em volta era ladeado, até onde elas puderam enxergar, por holofotes como aqueles de sambódromo. A curiosidade entre elas é sempre extrema não? Então Catti perguntou a Big Yellow o que era aquilo:
- Todo o ano ocorre uma corrida onde os artistas pagam pilotos de Fórmula 1 para correr neste canal e todo o dinheiro arrecadado com os ingressos e apostas é revertido para instituições de caridade: asilos, orfanatos, essas coisas. – disse Big todo orgulhoso de sua cidade.
- Nossa Yellow, um evento interessante então. Mas por que há a faixa vermelha? É algum símbolo? – Greene perguntou, interessada.
- Não, é que normalmente este canal desativado serve para pouso de helicópteros e como hoje há muita gente trabalhando para essa corrida, não é seguro que eles pousem ali, e então só para evitar possíveis acidentes eles estendem esse tecido enorme sinalizando que é proibido pousar. – disse o homem, explicativo.
- A sim! – Elas balançaram a cabeça, e voltaram a observar a grande faixa estendida a alguns metros abaixo da ponte.
A verdade era que aquela faixa vermelha gigantesca causou mais do que curiosidade nas duas, mas naquele momento elas nem se importaram muito com isso, porque tudo naquela cidade maravilhosa em frente a elas chamava sua atenção, a todo instante. Acho que deveriam ter prestado atenção, diria até, muito mais atenção!
Passaram-se alguns minutos de pleno silêncio (LA ainda impressionava demais as meninas) quando Yellow começou a falar:
- Srta. Kirsche e Srta. Collins, o hotel de vocês é o Heavens, certo?
- Sim – elas responderam sem olhar.
- Então, conseguem enxergar daí aquele pequeno prédio branco e azul, ali à direita? — disse Big Yellow, sarcástico.
- Aquele monstro branco e azul ali? – Greene quase pulou pela janela do táxi. (literalmente!)
- Pois aquele é o Heavens! – disse o homem feliz, sentindo as meninas vibrarem de felicidade no banco de trás.
Catti's POV
Gente, pára tudo aí! Pára tudo, para eu poder explicar pra vocês o que era aquele hotel: nós estávamos numa avenida plana a uns 500 metros do prédio e ele parecia ter uns 50 ou mais andares além de ser muito largo, porém uma coisa me fez supor que os quartos eram muito grandes também, pois eu vi poucas janelas e sacadas do lado que dava para eu enxergar. Enfim, o hotel era extremamente grande.
E já em frente ao hotel o senhor Yellow ajudou as duas senhoritas paralisadas (Greene e eu, muito bem, acertou! LOL’) a carregar nossas malas até o saguão e WOW, lá estávamos nós de frente para o gigante branco e azul tentando melhorar nossa cara para poder fazer o check-in.
Catti's POV OFF
As garotas entraram no enorme saguão do Hotel que tinha as paredes brancas com um fino traço azul-marinho nas arestas, dando um toque mais chique ao lugar. Aproximaram-se de uma mulher que digitava num computador atrás de um balcão de mármore-branco e azul-marinho.
- Olá, em que posso ajudá-las? – disse a moça que antes digitava.
- Oi, nós gostaríamos de fazer o check-in. – disse a Greene, sorrindo e tentando não demonstrar tanto sua felicidade.
- Certo, um flat ou dois? – perguntou a mulher.
- Um mesmo, né Greene? – disse Catti, ao que Greene concordou com a cabeça.
- Ok, vocês podem escolher entre os quartos 554, 122 e 666. Qual vocês preferem? – perguntou a moça.
- 666, certeza – disseram elas, em uníssono ao que a senhorita no balcão sorriu levemente.
- Aqui está a chave. — A mulher disse entregando uma chave para Catti, que virou feliz para uma Greene confusa, olhando para onde suas malas estavam sendo levadas por um cara com uniforme.
- Mas o que?! – disse a Greene, quase correndo atrás do carrinho do homem.
- Ele vai guiá-las até o flat de vocês e levará a mala das senhoritas até lá. – respondeu a moça, rindo da Catti e da Greene.
Elas deram gorjeta ao homem que trouxera suas malas e entraram num flat todinho decorado em branco e azul-marinho com uma sala grande; cozinha equipada; dois quartos com camas king size; dois banheiros, tendo um deles uma banheira redonda feita de mármore preto; além de uma sacada um tanto grande para os padrões que estavam acostumadas no Brasil, pois ali cabiam tranquilamente umas seis cadeiras mais uma mesa média.
E assim, cansadas do jeito que estavam da viagem, cada uma das meninas se enfiou em um banheiro e tomou um longo banho para depois se enfiarem em robes pretos, fornecidos pelo hotel, além de terem a sua espera dois copos de suco. (Ê, mordomia LOL).
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